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22.4.11

Final da Taça do Rei (II): Estatística e algumas notas de análise

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1- Começando pelo Real Madrid... Antes de mais, a estratégia foi, senão a mesma, extremamente próxima daquela apresentada no jogo para o campeonato. O que variou foi o resultado da sua aplicação, sendo muito mais produtivo na primeira parte do que no restante deste jogo, ou mesmo na totalidade do embate anterior. Não se confunda, por isso, intenção com concretização. Não é por ter conseguido melhores períodos no jogo que o Real foi intencionalmente "mais ofensivo" desta vez. Apenas o conseguiu ser, a intenção a mesma.

2- Importa, porém, notar algumas diferenças (ligeiras) na abordagem de Mourinho, ainda que elas estejam sobretudo relacionadas com aspectos individuais. A principal alteração tem a ver com Ronaldo. No jogo de Madrid, Ronaldo foi ala, teve de baixar no corredor e frequentemente partiu para a transição de posições demasiado baixas. Mourinho terá pretendido potenciar Ronaldo, colocou-o na frente, parecendo-me, inclusive, com menores restrições defensivas do que Benzema no jogo anterior. Depois, sem Ronaldo na ala, houve os únicos ajustamentos posicionais que diferenciaram desde o último jogo. Ou seja, Mourinho baixou mais os alas, para adiantar Pepe e Khedira para uma pressão ligeiramente mais alta no corredor central. A ideia parecia ser forçar a saída pelos corredores, embora isso raramente tenha acontecido.

3- A primeira parte foi, como ficou fácil de ver, controlada pelo Real Madrid. Conseguiu manter o Barcelona sempre longe da sua área (praticamente não lá entrou) e potenciou, depois, erros pontuais que deram origem às transições pretendidas. Os motivos desta situação têm a ver com a convergência repetida da posse do Barça para zonas superpovoadas de jogadores do Real Madrid. Particularmente na meia-esquerda do ataque catalão onde, como já expliquei no post anterior, Arbeloa estava quase sempre livre para fazer a diferença em zonas interiores. O Barça nunca conseguiu ter posse útil no espaço à frente da linha defensiva e, assim, nunca ameaçou o golo.


4- Sobre as alterações radicais na tendência de jogo, já destaquei o efeito Pedro, pelo que não vou abordar esse relevante factor. Depois, e tal como referiu Guardiola, o Barça foi mais lesto nas segundas bolas, mais rápido a reagir e a sua viragem no jogo passou também pela capacidade que teve acrescentar os momentos de transição à sua ameaça, algo que havia sido restrito ao Real Madrid, na primeira parte.

5- Sobra um aspecto que é importante abordar e que ajudará, igualmente, a explicar as oscilações no jogo, nomeadamente o prolongamento, onde, e contra todas as expectativas, foi o Real quem se voltou a superiorizar de forma clara, em termos de proximidade com o golo. Falo do aspecto emocional e dos momentos das equipas. Durante o jogo foi se falando do cansaço e da possibilidade do Barça usufruir do facto de jogar com bola para se desgastar menos e estar melhor com o desenrolar do jogo. A verdade é que muito daquilo que nos parece meramente físico é também psicológico. Se o Real esteve pior na segunda parte e o Barça melhor, foi também porque os níveis de confiança mudaram com as primeiras jogadas após o intervalo. O Barcelona sentiu que poderia conquistar o espaço e o Real sentiu-se ameaçado. Os jogadores do Barça foram crescendo em termos de desempenho e os do Real perdendo lucidez no posicionamento defensivo e na clarividência do primeiro passe de transição - diria, o momento fulcral para a definição de um jogo com estas características. Do mesmo modo, o estado de crença e confiança dos jogadores terá começado a mudar nos instantes finais da segunda parte, quando o Real voltou a aproximar-se do golo, e terá definitivamente mudado no inicio do prolongamento quando, antes do golo, foi o Real que conseguiu primeiro criar perigo, aproveitando uma perda de Xavi.

6- No Barcelona, Guardiola não parece muito interessado em discutir estratégias ou abordagens. O Barça é muito mais forte dentro do seu estilo e acredita que para aumentar as suas possibilidades de vitória, é suficiente que se preocupe consigo próprio. É uma constatação objectiva que o Barça é melhor e que o Real é que tem de se adaptar. Mas é-o também que a vida não tem ficado mais fácil para o Barça. Pelo contrário, tem perdido jogadores (agora Adriano, que pode vir a fazer falta), e visto aumentar o estado de confiança do rival. Mesmo sendo melhor, convém que o Barça vá procurando também as suas formas de crescer em qualidade. Por exemplo, seria uma equipa ainda mais forte se apresentasse outra valia nos lances de bola parada. Dado o volume de jogo que apresenta, seria um complemento importante para a sua proposta de jogo.

7- No Real, a evolução desta série de jogos é mais interessante de seguir. Mourinho tem de fugir do seu estilo e encontrar um "contra-estilo" para vencer o Barça. Para já, está a correr-lhe de feição. Já tinha abordado o lado positivo do empate anterior e, em termos mentais, esta vitória pode ainda catapultar mais a equipa. Mas, Mourinho ganha também em soluções individuais. Ronaldo representou uma mais valia em transição, Arbeloa-Ramos um duo muito mais forte do que Ramos-Albiol anteriormente. A dúvida pode passar por Ozil, que é um jogador fantástico em termos criativos, mas que tem muito que crescer em termos de agressividade defensiva (a meu ver, um dos motivos principais pelo descalabro dos 5-0, sendo utilizado numa posição central e sem qualquer capacidade de pressão). Finalmente Pepe, utilizado desta vez mais à frente, talvez para ter um médio de maior capacidade de desdobramento em transição, e relegar em Xabi Alonso a qualidade do primeiro passe. É certo que na primeira parte o controlo da zona entre linhas foi completo, mas na segunda parte isso não aconteceu, sendo, talvez, de reflectir os prós e contras de ter um jogador com uma reactividade e agressividade no espaço que, nem Xabi Alonso, nem (sobretudo!) Khedira podem dar.

8- Venha o próximo!
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Final da Taça do Rei (I): Pedro, Arbeloa e a diferença entre as 2 partes do jogo

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Voltarei ao jogo com outras notas, mas quero começar com este destaque...

De forma quase unânime, reconheceu-se que o chavão "jogo de duas partes distintas" servia na plenitude para retratar a partida. Ou melhor, os primeiros 90 minutos da partida. É sobre essa diferença que quero falar, abordando um pormenor táctico que, não sendo a obviamente a única explicação (raramente há apenas "uma" explicação), parece-me que é aquela que mais contribuiu para o súbito acréscimo de dificuldades do Real Madrid, na segunda parte...


Convém, primeiro, constatar que o jogo do Barcelona não é simétrico. Aliás, é deliberadamente assimétrico. Nesta assimetria, o lado esquerdo é aquele que mais qualidade atrai, quer a bola saia pela direita, quer pela esquerda. Porque é o lado para onde cai o médio que maior profundidade oferece, Iniesta, porque é o lado por onde entra Piqué, sempre que tenta criar superioridade com bola, e porque é esse o destino dos movimentos mais fortes de Messi, vindo da direita, em diagonal, e escondendo a bola com o seu pé esquerdo das sucessivas tentativas de desarme.

Perante esta situação, revelou-se completamente diferente a utilidade do posicionamento de Pedro. Na primeira parte, colando-se à esquerda, raramente jogou ou criou algum tipo de problemas ao Real Madrid. Pelo contrário, com Villa permanentemente a cair no espaço dos centrais e Messi a baixar para dar apoio à construção, Arbeloa tornou-se um elemento preponderante no encurtamento dos espaços interiores, posicionando-se muito perto de Ramos e mesmo dos próprios médios.

Na segunda parte, Pedro apareceu do outro lado, precisamente nas costas de Arbeloa. A diferença foi enorme, como se pode constatar nas imagens. Quando o jogo entrava directamente na esquerda, Arbeloa era "arrastado" para a ala, abrindo espaços de penetração de que Iniesta não tinha usufruído na primeira parte. Quando, por outro lado, a bola entrava na direita e se protagonizavam as habituais diagonais em direcção ao corredor contrário, Pedro surgia como uma alternativa extra para o passe. Algo que, mais uma vez, na primeira parte não tinha acontecido.

Foi um pormenor que, como é fácil perceber, terá sido determinante, mas que não vi abordado nas análises dos treinadores. Será, por isso, um dado interessante de acompanhar nos próximos capítulos desta empolgante série de duelos.

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11.6.08

Espanha: Espectáculo garantido!

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Se ontem falei aqui de algum preconceito criado em torno da superioridade da equipa italiana, hoje tenho de chamar à atenção um outro, e em sentido contrário, em relação aos espanhóis. É verdade que a Espanha tem falhado sucessivamente e também sou da opinião de que há aspectos colectivos que não são explorados da melhor forma, mas não é pelo passado que uma equipa de jogadores jovens e muito talentosos deve ver a sua qualidade subvalorizada. O que se assistiu frente à Rússia foi, precisamente, uma prova da qualidade dos jogadores espanhóis, que fazem parte dos principais candidatos à vitória, ainda que discorde de algumas opções tácticas...

Primeiro os elogios à mais volumosa vitória até ao momento. A Espanha tem uma qualidade de posse de bola na sua primeira fase ofensiva sem rival ao nível de selecções. Adiantar as linhas para pressionar uma equipa que tem Xavi, Iniesta, David Silva e Senna no meio campo e que conta ainda com os apoios de Torres e Villa é uma espécie de kamikaze estratégico e foi isso que fez a Rússia no segundo tempo, originando assim aquela que terá sido a melhor série de jogadas do Euro até agora. Para além desta capacidade, os espanhóis contam com uma série de soluções para a frente de ataque que pode render vitórias em qualquer jogo. Particularmente, Villa e Torres são jogadores temíveis e de grande qualidade. Que o diga a Rússia!

Agora, o outro lado da equipa espanhola. Querendo confiar num pivot defensivo como Marcos Senna, com a qualidade de médios interiores que tem ao seu dispor e com a “obrigatoriedade” de jogar com 2 avançados, por que é que Aragones não opta por um meio campo em losango em vez do 4-4-2 clássico? A verdade é que ao optar por esta disposição a equipa espanhola parece incapaz de pressionar mais alto, o que seria aconselhável para uma equipa que gosta tanto de ter a bola. Ao invés, a sua linha de 4 homens permanece quase sem alterações quer a bola esteja do lado direito ou esquerdo, sendo obrigada a juntar-se à linha mais recuada, compondo um bloco demasiado baixo e pouco fiável (aqui a responsabilidade vai para alguma falta de capacidade defensiva da equipa espanhola). Mas também em posse a equipa espanhola pode ter algumas dificuldades com este dispositivo. É que mesmo com uma linha de quatro homens no meio campo, a equipa não encontra muitas referências de passe sobre os flancos (sobretudo sobre o lado direito, com Ramos como lateral e Iniesta permanentemente a surgir na zona de Xavi) e a sua progressão faz-se invariavelmente pelas soluções que os 2 avançados consigam oferecer à construção. Estes problemas foram evidentes na fase inicial da partida e, não fora a desastrosa prestação russa em termos defensivos e a qualidade dos seus avançados, bem poderia esta ter sido uma estreia mais complicada.

Por tudo o que referi, parece-me haver um misto de enorme potencial individual e melhorias a introduzir no plano colectivo. A Espanha tem margem de erro para evoluir mas, francamente, desconfio da visão de Aragones que, com a expressão desta vitória, ainda deve ter menos olho para os defeitos tácticos da sua equipa. Uma coisa é certa, da Espanha poderemos sempre esperar bons espectáculos.

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