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22.4.11

Final da Taça do Rei (II): Estatística e algumas notas de análise

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1- Começando pelo Real Madrid... Antes de mais, a estratégia foi, senão a mesma, extremamente próxima daquela apresentada no jogo para o campeonato. O que variou foi o resultado da sua aplicação, sendo muito mais produtivo na primeira parte do que no restante deste jogo, ou mesmo na totalidade do embate anterior. Não se confunda, por isso, intenção com concretização. Não é por ter conseguido melhores períodos no jogo que o Real foi intencionalmente "mais ofensivo" desta vez. Apenas o conseguiu ser, a intenção a mesma.

2- Importa, porém, notar algumas diferenças (ligeiras) na abordagem de Mourinho, ainda que elas estejam sobretudo relacionadas com aspectos individuais. A principal alteração tem a ver com Ronaldo. No jogo de Madrid, Ronaldo foi ala, teve de baixar no corredor e frequentemente partiu para a transição de posições demasiado baixas. Mourinho terá pretendido potenciar Ronaldo, colocou-o na frente, parecendo-me, inclusive, com menores restrições defensivas do que Benzema no jogo anterior. Depois, sem Ronaldo na ala, houve os únicos ajustamentos posicionais que diferenciaram desde o último jogo. Ou seja, Mourinho baixou mais os alas, para adiantar Pepe e Khedira para uma pressão ligeiramente mais alta no corredor central. A ideia parecia ser forçar a saída pelos corredores, embora isso raramente tenha acontecido.

3- A primeira parte foi, como ficou fácil de ver, controlada pelo Real Madrid. Conseguiu manter o Barcelona sempre longe da sua área (praticamente não lá entrou) e potenciou, depois, erros pontuais que deram origem às transições pretendidas. Os motivos desta situação têm a ver com a convergência repetida da posse do Barça para zonas superpovoadas de jogadores do Real Madrid. Particularmente na meia-esquerda do ataque catalão onde, como já expliquei no post anterior, Arbeloa estava quase sempre livre para fazer a diferença em zonas interiores. O Barça nunca conseguiu ter posse útil no espaço à frente da linha defensiva e, assim, nunca ameaçou o golo.


4- Sobre as alterações radicais na tendência de jogo, já destaquei o efeito Pedro, pelo que não vou abordar esse relevante factor. Depois, e tal como referiu Guardiola, o Barça foi mais lesto nas segundas bolas, mais rápido a reagir e a sua viragem no jogo passou também pela capacidade que teve acrescentar os momentos de transição à sua ameaça, algo que havia sido restrito ao Real Madrid, na primeira parte.

5- Sobra um aspecto que é importante abordar e que ajudará, igualmente, a explicar as oscilações no jogo, nomeadamente o prolongamento, onde, e contra todas as expectativas, foi o Real quem se voltou a superiorizar de forma clara, em termos de proximidade com o golo. Falo do aspecto emocional e dos momentos das equipas. Durante o jogo foi se falando do cansaço e da possibilidade do Barça usufruir do facto de jogar com bola para se desgastar menos e estar melhor com o desenrolar do jogo. A verdade é que muito daquilo que nos parece meramente físico é também psicológico. Se o Real esteve pior na segunda parte e o Barça melhor, foi também porque os níveis de confiança mudaram com as primeiras jogadas após o intervalo. O Barcelona sentiu que poderia conquistar o espaço e o Real sentiu-se ameaçado. Os jogadores do Barça foram crescendo em termos de desempenho e os do Real perdendo lucidez no posicionamento defensivo e na clarividência do primeiro passe de transição - diria, o momento fulcral para a definição de um jogo com estas características. Do mesmo modo, o estado de crença e confiança dos jogadores terá começado a mudar nos instantes finais da segunda parte, quando o Real voltou a aproximar-se do golo, e terá definitivamente mudado no inicio do prolongamento quando, antes do golo, foi o Real que conseguiu primeiro criar perigo, aproveitando uma perda de Xavi.

6- No Barcelona, Guardiola não parece muito interessado em discutir estratégias ou abordagens. O Barça é muito mais forte dentro do seu estilo e acredita que para aumentar as suas possibilidades de vitória, é suficiente que se preocupe consigo próprio. É uma constatação objectiva que o Barça é melhor e que o Real é que tem de se adaptar. Mas é-o também que a vida não tem ficado mais fácil para o Barça. Pelo contrário, tem perdido jogadores (agora Adriano, que pode vir a fazer falta), e visto aumentar o estado de confiança do rival. Mesmo sendo melhor, convém que o Barça vá procurando também as suas formas de crescer em qualidade. Por exemplo, seria uma equipa ainda mais forte se apresentasse outra valia nos lances de bola parada. Dado o volume de jogo que apresenta, seria um complemento importante para a sua proposta de jogo.

7- No Real, a evolução desta série de jogos é mais interessante de seguir. Mourinho tem de fugir do seu estilo e encontrar um "contra-estilo" para vencer o Barça. Para já, está a correr-lhe de feição. Já tinha abordado o lado positivo do empate anterior e, em termos mentais, esta vitória pode ainda catapultar mais a equipa. Mas, Mourinho ganha também em soluções individuais. Ronaldo representou uma mais valia em transição, Arbeloa-Ramos um duo muito mais forte do que Ramos-Albiol anteriormente. A dúvida pode passar por Ozil, que é um jogador fantástico em termos criativos, mas que tem muito que crescer em termos de agressividade defensiva (a meu ver, um dos motivos principais pelo descalabro dos 5-0, sendo utilizado numa posição central e sem qualquer capacidade de pressão). Finalmente Pepe, utilizado desta vez mais à frente, talvez para ter um médio de maior capacidade de desdobramento em transição, e relegar em Xabi Alonso a qualidade do primeiro passe. É certo que na primeira parte o controlo da zona entre linhas foi completo, mas na segunda parte isso não aconteceu, sendo, talvez, de reflectir os prós e contras de ter um jogador com uma reactividade e agressividade no espaço que, nem Xabi Alonso, nem (sobretudo!) Khedira podem dar.

8- Venha o próximo!
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12.7.10

Diário de 'Soccer City' (#26) - último

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No encerramento do “Diário de Soccer City”, que contará apenas com algumas notas de rodapé sobre a competição – a apreciação mais geral já foi feita durante a prova – quero começar da mesma forma que fiz no inicio do mundial. Ou seja, com um esclarecimento de como será o funcionamento do blogue nos próximos dias. Depois do Mundial, passarei directamente para o mercado, que me abstive de comentar no último mês. Assim, e aproveitando o conhecimento aprofundado que tenho de praticamente todos os reforços do futebol português, irei dedicar algum espaço para a análise de alguns dos mais importantes jogadores que marcaram o defeso até ao momento. Vamos então às últimas notas...

Espanha, o paradoxo do campeão
Não é difícil de perceber que a Espanha será um dos mais importantes campeões da história do futebol. Isto, porque ao contrário da generalidade das suas antecessoras, a Espanha ganha marcando uma diferença clara de estilo para todo o mundo. Um estilo que, como descrevi na antevisão, tem raízes históricas profundas e que é produto da ponte filosófica que se fez entre Amesterdão dos anos 70 e Barcelona da primeira década do milénio.

Mas há nisto tudo um dado paradoxal. É que se a Espanha se eternizou pelo seu estilo ofensivo, não pode deixar de ser notado que nenhum campeão mundial terá sido tão pobre em eficácia ofensiva como os espanhóis. E isto não é obra do acaso. Primeiro, porque a Espanha – ao contrário do Barcelona – não soube encontrar complemento colectivo às soluções que criava na primeira fase de construção. Por isso, os seus reduzidos golos são apenas a consequência natural de um jogo de poucas oportunidades. Depois, porque um jogo tão forte em posse tem um potencial defensivo talvez naturalmente maior do que ofensivo. Porquê? Porque no futebol só há uma bola e a melhor maneira de fazer o adversário atacar menos não é defender melhor, mas atacar melhor. Ou seja, se a bola está sempre do lado dos espanhóis, pode não ser certo que eles irão fazer golo com ela, mas é certo que não vão sofrer.

“O ataque é a melhor defesa”, não é uma frase nova, mas nenhuma equipa tinha explicado tão bem o que ela quer dizer como o Barcelona e, agora a outro nível, a selecção espanhola.

Del Bosque e o lugar certo
No banco do campeão estava já um homem que figura entre os mais bem sucedidos técnicos do futebol de clubes. Agora, com o título mundial, Del Bosque passa a ser provavelmente o técnico com o mais impressionante currículo da História do jogo. Fantástico, não é?

Se tivesse de fazer um ranking qualitativo de treinadores, teria muita dificuldade em posicionar Del Bosque. Na verdade, creio que ele foi mais um handicap para a Espanha do que outra coisa. Um handicap, porque quando se tem ao seu dispôs a estrutura base da melhor equipa do mundo, e se a desfaz para inventar outra disposição, mas com os mesmos jogadores, neste caso, só se pode estar a tornar a tarefa de vencer um pouco mais difícil. Foi isso que, na minha opinião, fez Del Bosque. Não era preciso ser genial para importar o meio campo do Barcelona, Busquets – Xavi – Iniesta, aproveitar a sua dinâmica da mesma forma que aproveitou a dinâmica da dupla de centrais, e juntar-lhe um trio de ataque com Pedro-Villa-Torres, por exemplo. Respeitar o 4-3-3 do Barça seria a solução óbvia, mas Del Bosque resolveu complicar, retirar uma unidade ofensiva para introduzir Xabi Alonso e mudar a estrutura. Complicou a sua própria vida, mas a herança era tão rica que mesmo assim... ganhou.

Enfim, Del Bosque pode ser o treinador mais bem sucedido da História, mas será também a prova de que mais importante do que ser bom, muitas vezes, é especialmente decisivo estar-se no lugar certo à hora certa.

De Forlan a Xavi
Forlan foi o melhor do Mundial. Concordo, por um lado. Pelo lado do desequilíbrio, do peso que uma unidade tem nos momentos decisivos. Nesse prisma, foi ele o melhor, sem dúvida. Acho, no entanto, que se o “tiki-taka” é o estilo dominante do futebol moderno, era tempo do mundo o perceber e reconhecer realmente. A posse infernal dos espanhóis não se faz, como é óbvio, com um só jogador, mas o seu potencial só é atingido pela qualidade excepcional de alguns dos seus intérpretes. Ora, se o futebol da Espanha não desequilibrou pelos dribles, ou pela capacidade de decisão no último terço. Se o desequilíbrio é a posse, o controlo e a envolvência, então talvez fosse hora de valorizar todos esses atributos também na eleição individual.

Como Cruyff foi a figura do “Futebol Total”, Xavi é a cara do “tiki taka”. Será que, mesmo com o mundo a seus pés, ninguém reconhecerá o verdadeiro impacto das suas virtudes?

O “caso Coentrão”
Um último comentário, bem à margem da final e das grandes decisões. Quero falar de Coentrão e do impacto que teve. Antes do Mundial, Coentrão era uma adaptação e um risco. Agora, é uma revelação e um dos melhores do mundo. Nós, que o vemos semana após semana não podemos acreditar que tenha passado a ser um jogador diferente. São 2 ideias que há muito venho defendendo e que talvez agora façam mais sentido para a generalidade: (1) é muito fácil criar laterais de topo a partir de extremos, tenham estes algumas características para a transição. Se não temos mais em Portugal, é porque houve falta de visão. (2) O nível dos laterais de topo em Portugal é muito elevado e a maioria deles jogaria em boa parte dos principais clubes mundiais.

Espero que o “caso Coentrão” sirva, finalmente, para que algumas conclusões sejam tiradas a este respeito. Que seja contextualizado com exemplos igualmente mediáticos como foram Miguel ou Bosingwa e, já agora, que não se volte a cometer o erro de deixar João Pereira para levar Paulo Ferreira. Ou, pior ainda, fazer jogar centrais, quando se tem nas laterais um dos pontos fortes do nosso jogo.

Para finalizar o tema, não evito recordar este post.



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13.4.10

Xavi: 6=2x10

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Messi será sempre a capa, o “top of mind” dos marketeers. Um lugar que o mediatismo reservou para o protagonista dos resumos e repetições. Dito assim pode parecer superficial e injusto, mas não é. Pelo menos não penso que seja. A capa atrai-nos mas não nos impede de a folhear, nem, tão pouco, de lá dentro encontrar algo igualmente interessante. A história está feita desses exemplos, casos que justificam o atrevimento de folhear qualquer capa, por mais fantástica que ela seja. O Barça, claro, é uma evidência desta ideia, tantos são os pontos de interesse que emergem atrás de Messi. Entre todos, há um que me parece especial: Xavi.

Se o meio campo fosse uma banda desenhada, Xavi seria, sem dúvida, o maior dos super heróis. Aquele que consegue combinar as características de um 10 clássico e de um 10 moderno, numa fusão tão fantástica que mais parece ficção. Quando olhamos para aqueles quadros tácticos que antecedem os jogos, pensamos que vamos ver uma equipa sem um 10. Na verdade, o que o jogo nos mostra é muito mais do que isso. O Barcelona joga com Xavi, um 6 que é um 2x10. 10 clássico e 10 moderno.


10 clássico
O futebol europeu ter-lhe-á um dia dito: “já não há espaço para ti”. Ao 10 clássico não restou uma de duas opções. A primeira foi a metamorfose. Transformar-se noutra coisa que coubesse nos planos do futebol moderno. A segunda, mais comum, foi o exílio. Como os monarcas vencidos pelas revoluções republicanas, o 10 clássico que não se quis adaptar procurou salvação noutras terras e encontra hoje na América do Sul um paradeiro onde ainda pode ser fiel a si próprio.

O problema da relação entre o 10 clássico e futebol europeu foi um problema de tempo e espaço. O 10 clássico, como qualquer artista, precisava destes 2 recursos para criar. O futebol europeu, como qualquer coisa moderna, tinha tudo menos espaço e tempo. Um problema sem resolução aparente até aparecer o Barcelona e Xavi. Xavi, tal como o saudoso 10 clássico, vem à primeira fase, chama a bola a si e pensa o jogo ao longo de toda a zona central. Como o conseguiu no impaciente futebol europeu? Bom, a resposta está na eficácia. Eficácia colectiva, na capacidade que o Barça, como equipa, tem para lhe dar espaço onde ele parecia não existir. Eficácia individual, na fabulosa qualidade técnica do próprio jogador. É que, como 10 clássico que também é, Xavi precisa de tempo e espaço para criar. O ponto é que precisa de muito menos do que os outros.

10 moderno
Sem tempo nem espaço para o criativo, o futebol europeu deu mais importância ao seu antigo ajudante. Aquele que jogava ao lado do 10, que trabalhava mais e que também era capaz de ser determinante ofensivamente, ainda que sem essa obsessão. Assim se fez o 10 moderno. Um jogador para todos os momentos do jogo, que se envolve, tenha ou não a equipa a bola, e que se distingue pela capacidade de pensar rápido em todos os momentos e pela procura incessante dos espaços.

Ora, Xavi é também tudo isto. Sem bola, tem um papel fundamental na forma como a equipa pressiona, quer em organização, quer em transição. É ele que se aproxima do 9 para retirar tempo e espaço à construção contrária e é ele que prepara a perda de bola, mantendo-se sempre na zona da jogada. Com bola, como qualquer 10 moderno, tem uma qualidade de movimentos que privilegia a procura de liberdade em zonas fundamentais, como o espaço entre linhas e a zona de finalização.



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12.4.10

Real Madrid - Barcelona: Um "clásico"... pouco "super"

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Desilusão talvez seja um termo forte para tanta qualidade. Ainda assim, para mim, faltou-lhe sal. Todos projectavam o domínio da componente ofensiva do jogo. De parte a parte. Era óbvio, tão óbvio... que não se confirmou. A verdade é que o jogo se decidiu nas duas únicas oportunidades da primeira hora. Uma surpresa. Levou a melhor o Barcelona porque foi mais concentrado e eficaz nesse período e porque foi, aí sim, bem melhor depois. Tudo somado, e parece estranho, era do Barcelona que esperava mais.

Pressing, a força dominante
Não se pode falar em modelos idênticos, mas há algumas coisas que aproximam as 2 equipas do ponto de vista táctico. Sem bola, ambas fazem do pressing e da defesa alta um meio para a ambicionada recuperação. Ora, esse foi o elemento dominante na primeira parte. Intensidade, pouco tempo e pouco espaço. Ambas responderam com as armas que tinham. Ou seja, trabalhando a posse de lado do Barça, e esticando mais o jogo do lado do Real. Nenhuma esteve brilhante e nenhuma conseguiu, realmente, vencer o pressing.

O jogo táctico
Houve algumas nuances interessantes no jogo. Pellegrini pareceu preocupado com Alves e com a largura à direita. Tão preocupado que colocou Marcelo colado à linha, com ordem para não fechar por dentro. Um posicionamento estranho, que ofereceu mais espaço na zona central e que se tornou especialmente inútil quando Guardiola optou por começar com Puyol na lateral.

Mais à frente, Ronaldo apareceu sistematicamente sobre a esquerda. Outra condicionante importante. É certo que o português rende mais a partir desse lado, mas também é um facto que era aí que o Barça contava com as suas mais fortes individualidades. Se em vez de Piqué, Ronaldo tivesse encontrado mais vezes Milito em duelos individuais, talvez o Real tivesse um pouco mais de hipóteses...

Barça quase bloqueado
Um dos aspectos que mais espantou foram as dificuldades do Barça em ter a bola na primeira parte. Mérito do Real, que conseguiu uma primeira parte de grande intensidade táctica e que, diga-se, se viu a perder de forma algo cruel. Mas, também, fica a sensação de que algo não correu bem no Barcelona. Talvez demasiadas ausências e demasiadas mexidas sejam a justificação para uma perda de velocidade na circulação. Uma ideia que ganha força com o enorme crescimento verificado com Iniesta em campo. Isto, mesmo contando que a cabeça do Real já não era a mesma nesse período.

Bola nas costas
Chegamos ao vídeo e às jogadas do jogo. Praticamente todos os desequilíbrios resultaram de bolas colocadas nas costas das defesas. Uma consequência normal da forma como as equipas defendem e, também, um tipo de jogada que já várias vezes aqui tenho abordado.

Antes de mais, convém referir que é muito complicado defender tão longe da baliza e que poucas são as defesas que mantêm uma performance elevada nesse comportamento. Sobretudo contra equipas destas. O fora de jogo pode ser uma arma táctica fantástica, mas é também difícil de operacionalizar com qualidade. Já agora, convém não confundir o que é jogar em linha com meio campo nas costas e jogar em linha em cima da grande área. São coisas completamente diferentes.

Entre as jogadas em análise, há alguns aspectos que quero destacar:
- Falta de concentração no primeiro golo. O desequilíbrio acontece à frente da defesa, com Xabi Alonso a ficar perante Messi e Xavi. A origem está no posicionamento demasiado largo do bloco do Real, mas, principalmente, na reacção que ambas as equipas têm a uma falta assinalada. O Barcelona marca rápido e parte para uma combinação que está perfeitamente sistematizada. O Real, por outro lado, fica a protestar e perde o tempo de pressing. Um exemplo da importância de estar sempre ligado durante o jogo.

- Liberdade sobre Xavi. Todos os lances do Barcelona resultam de passes de Xavi. Para jogar alto é preciso uma linha defensiva muito organizada e concentrada. Certo. Mas não basta. É preciso também condicionar o passe. Se o jogador que vai fazer o passe tiver espaço para definir o tempo da jogada, dificilmente deixará de ter sucesso. Naturalmente, com um jogador como Xavi esse tempo torna-se bem reduzido, mas isso não invalida alguma aparente falta de preparação da parte do Real.



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12.9.08

Barcelona: Viragem de... 360 graus!

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Depois de se ter sagrado campeão europeu em 2006, o Barça de Rijkaard foi perdendo força de forma progressiva até ao culminar da época 07/08 onde a depressão do seu momento futebolístico levou à mudança. Mudança de treinador, claro, e mudança de jogadores, alguns. Pedia-se e esperava-se que esta pequena “revolução Guardiola” abrisse um novo ciclo desportivo. A verdade, porém, é que a ponte entre o Barça do final de Rijkaard e o do inicio de Guardiola tem uma extensão tão curta que se chegam a confundir as suas extremidades. O mesmo modelo de jogo, com muitos dos mesmos defeitos que vinha apresentando e com uma dose acrescida de pressão externa. Este foi o Barça que perdeu perante um modesto Numancia num jogo de sentido único mas sem qualquer imaginação ofensiva e também aquele que se pôde ver nos principais testes de pré época, com destaque para a sofrida e sofrível vitória, resgatada nos descontos, sobre o Boca no Juan Gamper.
Com a época ainda no seu incio, o Barça dará novo sinal de si e do seu estado no fim de semana mas, para já, o Camp Nau, com todas as suas estrelas, parece um palco longe de estar imune a uma surpresa. Não que seja fácil mas porque, ao contrário da maioria das vezes, pode dizer-se que é possível.


Sistema táctico e opções
Tacticamente, o 4-3-3 permanece inalterado, com dois extremos sempre bem abertos, um pivot defensivo no meio campo e 2 médios mais voltados para a frente do que para trás.
Se colectivamente este Barça deixa ainda muito a desejar, individualmente é fantástico, talvez, como mais nenhuma equipa no mundo. Na baliza estará, seguramente, o elo mais fraco, mais pela elevada qualidade nos restantes sectores do que, propriamente, por falta dela em Victor Valdez. Na defesa, o quarteto tem sido formado por Daniel Alves (a novidade), Puyol, Marquez e Abidal, mas há outras opções de qualidade como Milito (lesionado), Sylvinho ou os jovens Gerard Pique e Martin Caceres. No meio campo, Yaya Touré é o pivot defensivo que tenta libertar os heróis de Viena, Xavi e Iniesta para uma missão o mais ofensiva possível. As alternativas para esta zona são o recentemente contratado Keita (ex-Sevilha) e os polivalentes Hleb (pode ser extremo) e Gudjohnsen (pode ser avançado). Nos extremos estão as super estrelas Messi e Henry, podendo ter como alternativa o prodígio Krkic (também pode jogar como avançado), Hleb ou o jovem Pedro Rodriguez. Na frente, e apesar de toda a especulação sobre a sua eventual saída, Eto’o continua a ser o dono inquestionável de um lugar que tem em Krkic e Gudjohnsen duas alternativas de perfis diferentes do camaronês.

Como defende?
Para uma equipa com tanta qualidade de posse de bola faz sentido tentar recuperá-la o mais rapidamente possível. Esse era já um principio fundamental de Rijkaard e permanece com Guardiola. A verdade, porém, é que a equipa nem sempre o faz da melhor forma, não sendo muitas vezes lesta a pressionar e permitindo que o adversário goze de espaço desaconselhável para jogar. Este (a forma como pressiona) tem sido um dos principais do inicio de temporada, não conseguindo o número de recuperações de bola desejáveis e, pior ainda, permitindo muitas vezes que o adversário possa chegar com alguma facilidade à sua área.
Na acção defensiva há, claro, um jogador de particular importância, Yaya Touré. É ele que restabelece os equilíbrios de uma equipa que se adianta muitas vezes com os dois laterais em simultâneo. Yaya Touré tem do seu lado uma vantagem importante que é o aspecto físico. Em particular no jogo aéreo essa é uma característica importante para uma equipa que tem em Xavi e Iniesta dois jogadores muito baixos para as primeiras bolas aéreas que caiam naquela zona.

Como ataca?
Desde o “eclipse” de Ronaldinho que em Barcelona deixou de existir uma grande qualidade colectiva nas acções ofensivas. Este aspecto é, no entanto, muitas vezes contornado pela extraordinária capacidade ofensiva dos seus jogadores. A ideia ofensiva passa por uma circulação em posse que tira partido, numa primeira fase, do extraordinário jogo em posse de Xavi e Iniesta para depois colocar a bola nas alas e fazendo-a circular de um flanco ao outro à procura de espaços. Aqui torna-se fundamental a capacidade desequilibradora dos extremos e, perante espaços reduzidos, a equipa fica rapidamente sem ideias que vão para além dos rasgos individuais dos seus jogadores (em Numancia, num campo pequeno, isso ficou muito claro).
Nota para alguns movimentos característicos. Os laterais têm ordem para subir e aparecer nas costas dos extremos mas Abidal tem, neste aspecto, uma propensão ofensiva muito diferente de Daniel Alves (cujas subidas não são sempre ao longo da linha). Aqui, o flanco esquerdo é compensado por um aparecimento mais frequente de Iniesta sobre esse flanco, enquanto que Xavi se tem destacado pelos golos que vem marcando através de penetrações na zona central. Os extremos também são diferentes. Embora troquem de posição, Messi aparece sobretudo sobre a direita e tem tendência para flectir muito para o interior à procura de desequilíbrios com o seu drible curto. Na esquerda Heny também joga de pé trocado mas procura mais vezes a linha. O Francês parece atrofiar neste modelo que o prende à esquerda. Se não lhe for dado espaço para atacar a profundidade, a sua explosão torna-se pouco útil, restando, claro, o que o seu pé direito pode fazer quando lhe é dado o interior. Resta falar de Eto’o. Sempre imprevisível e temível, ora a vir para dentro e combinar, ora atacando a profundidade.

Treinador
“Pep” Guardiola – Ainda é difícil associar o seu nome a um personagem que actua fora do campo. Na verdade com a sua idade (37 anos) ainda poderia estar do lado de dentro, mas o seu percurso levou-o a tornar-se num protagonista de banco mais cedo do que seria de prever. Apenas 1 ano após ter iniciado funções como treinador principal do Barcelona B, Guardiola foi o eleito para suceder a Rijkaard. O inicio complicado tem-no feito esbracejar muito e sorrir pouco do lado de fora, mas a sua carreira tem muito tempo para que possa inverter esta imagem.

5 estrelas
Daniel Alves (25 anos, defesa direito) – A única novidade em relação a 07/08 no onze base de Guardiola. A atenção mediática e os números da sua transferência aumentam de sobremaneira a expectativa em torno do seu desempenho em Camp Nau. O Barcelona parece ser o clube ideal para as suas características, fazendo apelo à capacidade ofensiva dos laterais. Para já, em Numancia, não foi feliz, perdendo algumas bolas por displicência e aparecendo mais vezes por dentro do que junto à linha.

Xavi (28 anos, médio centro) – A sua carreira atingiu o pico com as exibições do Euro, aumentando as expectativas para esta temporada. Todos já conheciam a sua notável capacidade em posse de bola, quase imune ao “pressing”, mas no último ano ele juntou a essa virtude um excelente sentido de chegada à zona de área, tornando-se num goleador mais frequente e num jogador mais temível no último terço de campo.

Leo Messi (21 anos, extremo) – Vindo do Oriente pareceu apertado no jogo frente ao Numancia, sendo, mesmo assim, a principal fonte desequilíbrios da equipa. Apesar do momento colectivo da equipa, se Messi estiver inspirado, dificilmente o Barça não ganhará. A diferença com Messi é que a inspiração é um estado natural!

Thierry Henry (31 anos, extremo) – A mudança de ares foi prejudicial para a sua carreira. Não pelo país, nem mesmo pelo futebol do país mas antes pela forma onde joga. No Arsenal, Henry partia de zonas interiores, em Barcelona parte de zonas exteriores e isso, para as suas características, faz toda a diferença. Quando lhe dão espaço para explodir em profundidade ou para rematar cruzado com interior do seu pé direito, reaparece o Henry de Highbury.

Bojan Krkic (18 anos, extremo) – Não será ainda uma primeira escolha permanente mas merece o destaque. O seu perfil bate certo com a cara do Barça, de Messi, Xavi e Iniesta. Baixo e com um drible curto e rápido, parece impossível desarmá-lo. Junta a isto uma excelente capacidade para jogar na área, o que explica a sua frequência goleadora. Pode jogar no lugar de Eto’o mas creio que a baixa estatura da equipa acabará por fazer com seja mais uma opção para actuar como extremo.

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30.6.08

Espanha: Indiscutível!

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O Campeão
Primeiro a nota para o Campeão. A Espanha foi de facto, e indiscutivelmente, a melhor equipa do Euro. As individualidades, já se sabia, eram óptimas e se é verdade que não partilho do exagero (previsível e habitual nestas alturas) de fazer desta uma equipa perfeita do ponto de vista colectivo, creio que teve alguns méritos importantes, também nesse plano. A saber:

- Primeiro, foi uma equipa que assumiu sempre a sua característica, a qualidade da posse de bola. Aqui o destaque vai para a opção por Iniesta e David Silva. Aragonês poderia ter ido buscar 2 extremos de faixa que “encaixassem melhor” no seu 4-4-2 clássico. Assim perdeu largura, mas reforçou uma qualidade genuína da sua equipa que ninguém conseguiu parar.

- Igualmente importante foi a segurança e pragmatismo espanhol no plano defensivo. A transição defensiva é fundamental neste tipo de provas onde um golo faz toda a diferença. Senna e os laterais, pouco aventureiros, garantiram um equilíbrio permanente. Por aqui se começa a explicar o notável registo defensivo.

Creio, no entanto, e esta foi uma critica que fiz no inicio, que o 4-4-2 clássico não era o esqueleto ideal para esta Espanha. Aliás, penso que a lesão de Villa acabou por ser positiva em termos tácticos para a selecção espanhola. Dito isto, não espanta a minha conclusão de que Aragonês, apesar dos méritos que referi (e há ainda um outro que tem a ver com a liderança, mas que não vou abordar aqui), não foi um treinador particularmente brilhante ao nível da visão que demonstrou na estratégia antes e durante os jogos (particularmente pelas suas substituições quase mecânicas).

A Final

O inicio
Confirmado o confronto de 4-5-1 e a ausência de novidades ao nível de individualidades, restava confirmar a postura estratégica, particularmente da Alemanha, já que a superioridade do jogo espanhol e a própria falta de apetência de Aragonês para estas adaptações estratégicas colocavam praticamente de parte alguma coisa específica da Espanha para a final. Os primeiros minutos – e este período durou 15 minutos – mostraram uma Alemanha muito consciente daquilo que tinha de fazer no jogo. Particularmente no que respeita ao posicionamento em relação à primeira fase de pressão espanhola (onde os russos haviam falhado). Com Klose muito próximo da linha média, a Alemanha impediu dificultou muito a vida ao primeiro passe espanhol, forçando muitas vezes a serem os centrais os protagonistas desse momento (outra evidência desta preocupação alemã com a primeira fase de construção espanhola, foi o facto de terem obrigado Casillas a bater bolas longas). Neste período chegou mesmo a dar a ideia de que poderíamos assistir a uma surpresa, com a Alemanha a montar uma teia ao jogo espanhol, mas a verdade é que os alemães acabariam por, rapidamente, evidenciar as suas limitações. A falta de qualidade técnica alemã começou a vir ao de cima e as perdas em posse foram transformadas em oportunidades para o meio campo espanhol pegar, finalmente, no jogo em posições mais adiantadas no terreno. A partir daqui, a Espanha conseguiu o domínio definitivo do jogo e, pode dizer-se, terá colocado a sua primeira mão na ambicionada Taça.

O golo
A vantagem chegaria, curiosamente, numa jogada em construção numa das primeiras vezes em que a Alemanha perdeu controlo sobre Senna e, seguramente, na primeira vez em que o seu meio campo permitiu a invasão do seu espaço entre linhas. Um erro posicional que é recorrente nos alemães e que tinha identificado no jogo com a Turquia, a definição de uma só linha de médios, possibilitou que um só passe retirasse todo o meio campo germânico da jogada. A bola chegou a Xavi que fez mais um passe de rotura. Metzelder colocou-se mal, Torres teve mérito, mas o que fez Lahm é imperdoável, perdeu um lance depois de ter ganho a posição. Depois das debilidades técnicas terem entregue o domínio do jogo aos espanhóis, outra reconhecida debilidade alemã deu-lhes vantagem no jogo: as fragilidades defensivas (neste caso, primeiro em termos colectivos, depois em termos individuais).

O resto do jogo
Francamente, da maneira como vejo a história do jogo muito do que há para dizer termina no golo de Torres. A partir desse momento a Espanha passou a ter todas as vantagens na partida, jogando com os erros de um adversário que era obrigado a arriscar e tendo o acréscimo de confiança fundamental num jogo de tanta pressão. Esta ideia está reflectida na forma como a sua superioridade ficou mais patente a partir do 1-0. Convém, no entanto, mencionar aquele pequeno período de algum fulgor germânico após a entrada de Kuranyi e o restabelecimento do 4-4-2 com que a Alemanha havia debutado o Euro. Na minha perspectiva, esse período deveu-se mais a um crescendo emocional, sustentado por alguns desequilíbrios que partiram sempre de bolas divididas ganhas a meio campo, do que a um desequilíbrio táctico provocado pela alteração de Low – aliás, pelo contrário, o 4-4-2 dava mais poder ao meio campo espanhol. Neste aspecto, discordo ainda com a ideia do brilhantismo atribuído à visão de Aragonês nas substituições. De facto, justificava-se a entrada de Xabi Alonso, mas tendo visto os jogos anteriores da Espanha, diria que as substituições ter-se-iam feito mesmo que Low não tivesse mudado nada.

Desinspiração alemã
Nesta vitória de superioridade espanhola, há que referir um pormenor importante. É que ninguém esperaria que os alemães se destacassem pelo domínio do jogo. Antes pelo contrário, exigia-se que a Alemanha tirasse de novo partido da sua eficácia ofensiva e, em particular, dos lances de bola parada. A verdade, no entanto, é que ao contrário do que aconteceu em praticamente toda a competição, Ballack, Klose, Podolski e Schweinsteiger revelaram-se desastrados nos momentos decisivos. Na área nunca foram incisivos como é costume e, nas bolas paradas, assistimos a uma sucessão de livres e cantos todos apontados de forma deficiente. É impossível deixar de lembrar o contraste com a inspiração revelada frente a Portugal... Assim teria sido bem mais fácil!

Individualidades
Individualmente, podia destacar praticamente toda a equipa espanhola (pelo menos pelo que aconteceu a partir do tal quarto de hora inicial). Casillas imaculado, a defesa sempre concentrada – nota para a coordenação no fora de jogo – e o meio campo à altura da qualidade que se reconhece. O meu destaque vai, ainda assim, para Torres. Sozinho na frente foi decisivo e incansável. Xavi também poderia ser a escolha, mas esta será para sempre a final de Fernando Torres.

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11.6.08

Espanha: Espectáculo garantido!

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Se ontem falei aqui de algum preconceito criado em torno da superioridade da equipa italiana, hoje tenho de chamar à atenção um outro, e em sentido contrário, em relação aos espanhóis. É verdade que a Espanha tem falhado sucessivamente e também sou da opinião de que há aspectos colectivos que não são explorados da melhor forma, mas não é pelo passado que uma equipa de jogadores jovens e muito talentosos deve ver a sua qualidade subvalorizada. O que se assistiu frente à Rússia foi, precisamente, uma prova da qualidade dos jogadores espanhóis, que fazem parte dos principais candidatos à vitória, ainda que discorde de algumas opções tácticas...

Primeiro os elogios à mais volumosa vitória até ao momento. A Espanha tem uma qualidade de posse de bola na sua primeira fase ofensiva sem rival ao nível de selecções. Adiantar as linhas para pressionar uma equipa que tem Xavi, Iniesta, David Silva e Senna no meio campo e que conta ainda com os apoios de Torres e Villa é uma espécie de kamikaze estratégico e foi isso que fez a Rússia no segundo tempo, originando assim aquela que terá sido a melhor série de jogadas do Euro até agora. Para além desta capacidade, os espanhóis contam com uma série de soluções para a frente de ataque que pode render vitórias em qualquer jogo. Particularmente, Villa e Torres são jogadores temíveis e de grande qualidade. Que o diga a Rússia!

Agora, o outro lado da equipa espanhola. Querendo confiar num pivot defensivo como Marcos Senna, com a qualidade de médios interiores que tem ao seu dispor e com a “obrigatoriedade” de jogar com 2 avançados, por que é que Aragones não opta por um meio campo em losango em vez do 4-4-2 clássico? A verdade é que ao optar por esta disposição a equipa espanhola parece incapaz de pressionar mais alto, o que seria aconselhável para uma equipa que gosta tanto de ter a bola. Ao invés, a sua linha de 4 homens permanece quase sem alterações quer a bola esteja do lado direito ou esquerdo, sendo obrigada a juntar-se à linha mais recuada, compondo um bloco demasiado baixo e pouco fiável (aqui a responsabilidade vai para alguma falta de capacidade defensiva da equipa espanhola). Mas também em posse a equipa espanhola pode ter algumas dificuldades com este dispositivo. É que mesmo com uma linha de quatro homens no meio campo, a equipa não encontra muitas referências de passe sobre os flancos (sobretudo sobre o lado direito, com Ramos como lateral e Iniesta permanentemente a surgir na zona de Xavi) e a sua progressão faz-se invariavelmente pelas soluções que os 2 avançados consigam oferecer à construção. Estes problemas foram evidentes na fase inicial da partida e, não fora a desastrosa prestação russa em termos defensivos e a qualidade dos seus avançados, bem poderia esta ter sido uma estreia mais complicada.

Por tudo o que referi, parece-me haver um misto de enorme potencial individual e melhorias a introduzir no plano colectivo. A Espanha tem margem de erro para evoluir mas, francamente, desconfio da visão de Aragones que, com a expressão desta vitória, ainda deve ter menos olho para os defeitos tácticos da sua equipa. Uma coisa é certa, da Espanha poderemos sempre esperar bons espectáculos.

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