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1.7.08

Notas finais do Euro

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Aspectos Colectivos

Clubes vs. Selecções
Começo por voltar àquela previsão, feita no lançamento da prova, de que este seria, sem dúvida, um torneio de jogos não tão minuciosamente preparados como aqueles que assistimos ao nível de clubes, mas seguramente não menos interessantes. Menos treino e mais jogo é sinónimo de mais erros e menos perfeição, mas também de maior improvisação e maior imprevisibilidade. Comparativamente com o futebol de clubes ao mais alto nível, o Euro foi tudo isto e, na verdade, quem poderá falar de desinteresse?

Tendências Tácticas
Estas são competições que marcam muito os tempos, já que é elas que a história do futebol recorre para, anos mais tarde, analisar tendências. Tacticamente destaque para a abundância do 4-4-2 clássico como sistema de referência deste Europeu. Suíça, Croácia, Alemanha, Suécia, Espanha e França iniciaram o Euro com este sistema e outras selecções recorreram a esta disposição de jogadores durante os jogos (até Portugal, sem qualquer tradição nesta opção, actuou numa versão próxima deste sistema durante grande parte do jogo frente à Alemanha). Ainda assim, não se pode deixar de referir o recurso a variantes do 4-5-1 (4-1-4-1 ou 4-2-3-1) na fase decisiva da competição, o que não deixa de ser sintomático quanto à importância da zona central. Nota, finalmente, para duas opções em vias de extinção ao nível dos sistemas: os 3 defesas (ou 3 centrais), apenas utilizada pela Áustria e Grécia e o 4-4-2 em losango. Aqui 2 comentários em sentidos diferentes. Enquanto que os 3 defesas é uma opção abandonada pela Europa (recorre-se ainda muito na América do Sul), por se considerar menos sólida, o losango nunca foi devidamente absorvido pela maioria dos países europeus talvez, digo eu, por ser mais exigente ao nível das dinâmicas de jogo. Esta ideia – e é apenas uma ideia – é um elogio para o futebol português, onde vários treinadores conseguiram nos últimos anos sistematizar processos com bons resultados, tendo o 4-4-2 losango como sistema.
Dito tudo isto sobre sistemas tácticos, acrescento que se os modelos de jogo estão longe de se esgotar na geometria do esqueleto, ao nível de selecções, onde há menos tempo de treino, esta questão torna-se mais importante e, por isso, assistimos a algumas mudanças de sistema dentro da própria competição, algo que a nível de clubes raramente acontece por ser muito pouco aconselhável.

Selecções
A história do Euro é marcada, naturalmente, pela vitória da Espanha (sobre quem já escrevi ontem), mas, para quem viu, há mais equipas para destacar:

Croácia: Nota positiva para uma equipa com muitos nomes promissores e uma grande lição estratégica (Bilic foi o primeiro a desfazer o seu 4-4-2 inicial para ganhar superioridade a meio campo) que provocou um sinal de alerta na Alemanha, talvez decisivo para a caminhada para a final. Os croatas foram, no entanto, pouco emocionais e deixaram-se cair quando tinham tudo para discutir um lugar na final.

Turquia: A sensação do Euro. O que a Turquia fez foi algo próximo de um milagre. Terim foi sempre pouco inteligente estrategicamente e a equipa, apesar de competitiva, foi vivendo dos sucessivos “milagres” no final dos jogos. Na meia final frente à Alemanha foi mais determinada, até melhor, mas sempre, sempre inocente na forma como se expôs ao erro.

Alemanha: Low terá, talvez, o maior mérito entre os treinadores do Euro. Levar a Alemanha à final com as debilidades individuais da sua equipa foi um feito e isso foi reconhecido pela forma como este histórico foi recebido no seu país. Estrategicamente, e tirando a não decisiva partida contra a Croácia, esteve sempre bem. Não deu para mais e, diga-se, já foi bem bom!

Holanda: A sensação da primeira fase, dominando o grupo da morte e sendo a primeira selecção a impressionar meio mundo. Talvez o problema da Holanda terá sido não ter levado mais cedo um susto que a despertasse para as suas debilidades, nunca expostas durante uma fase de grupos em que esteve sempre a ganhar. Van Basten surpreendeu as poderosas Itália e França com aquela contenção do duplo pivot pouco ofensivo, mas quando foi preciso dar qualidade à posse de bola... a Holanda caiu.

França: A desilusão da prova. Não pela eliminação, mas pela paupérrima prestação. O 4-4-2 de Domenech foi totalmente despropositado e sem qualquer dinâmica rotinada. Ainda deu um ar de poder recuperar no jogo contra a Holanda mas, aí, também não teve a sorte do seu lado.

Itália: A obcessão pelo sistema do Milan e pelo recurso a Toni foi a perdição de Donadoni. A equipa nunca se apresentou ao nível que se esperava, sendo muito vertical mas pouco imaginativa ofensivamente e longe da eficácia histórica em termos defensivos. Ainda assim, a qualidade não esteve totalmente ausente e apenas caíram nos penaltis frente à campeã Espanha.

Rússia: Primeiro demasiado ofensiva, expondo-se defensivamente às transições adversárias. Depois, mais controlada e a apresentar uma qualidade de movimentos colectivos sem par neste Euro. Este é o grande mérito de Hiddink, porque defensivamente exigia-se bem mais. A culpa não será só do seleccionador mas também da cultura do próprio futebol russo, algo distante das exigências tácticas do centro da Europa. Depois do brilharete frente à Holanda veio o falhanço estratégico no posicionamento do pressing para fazer frente à qualidade do meio campo Espanhol.


Individualidades

Guarda Redes
Foi um Euro difícil para os guarda redes. Buffon e Cech, dois dos melhores do mundo estiveram abaixo do que deles se exige. Lehmann, o finalista, teve vários erros e, na verdade poucos terão escapado à critica. A excepção, claro, Casillas. O Espanhol foi de longe o melhor de um Euro que teve também, por exemplo, Van der Sar em bom plano.

Defesas
Laterais direitos é dificil de destacar. Ainda assim, destacaria Corluka da Croácia, Sabri da Turquia (sobretudo ofensivamente) e, quase inevitavelmente, Sérgio Ramos.

Na lateral esquerda, mais hipóteses. Zhirkov, pela capacidade ofensiva, Grosso também me agradou e Van Bronckhorst merece igualmente referência. Quem não consigo destacar é Lahm.

Como centrais, Pepe, mantenho-o, foi o melhor que vi (atenção à evolução notável de Pepe nos últimos anos, afirmando-se no Porto, fazendo parte do melhor onze da Liga no ano de afirmação em Espanha e, agora, integrando a selecção ideal da Uefa). Marchena e Pujol foram sempre bem protegidos mas têm de ser destacados por raramente terem errado. Kolodin deu nas vistas na Rússia e, na Itália, apareceu um tal de Chielini que já se conhecia dos sub 21 e que pode ter tido aqui o seu inicio como referência da Selecção transalpina. Outro central que jogou a médio foi fundamental no duplo empate da Roménia: Chivu.


Médios
São tantos que é difícil escolher. Na Espanha todo o meio campo: Senna foi um esteio, quase perfeito (ainda assim, e apesar da importância da função acho uma afronta considerar-se um jogador de funções essencialmente tácticas o melhor de uma competição, como alguns fizeram), Xavi, para mim e para a maioria, o melhor do Euro, Fabregas apenas foi ofuscado pelo pouco tempo que jogou e Iniesta e David Silva (principalmente o primeiro) dois complementos fundamentais para dar à Espanha a tal qualidade de posse de bola que fez a diferença. Mas houve mais. Gelson Fernandes da Suíça teve pouco tempo, mas mostrou qualidades, Hamit Altintop foi um dos melhores do Euro pela qualidade e dinâmica emprestadas, Modric a revelação e um adocicar de boca para o seu futuro na Premier League, Sneijder o melhor até aos quartos de final, De Rossi, para mim, o melhor da Itália, Ballack intermitente mas decisivo na caminhada da Alemanha, tal como o fulgurante Schweinsteiger, Zyrianov o mais consistente de uma Rússia que teve em Semak outra boa revelação. Mas uma das performances mais perfeitas que vi foi a de Deco. É pena...

Avançados
Vou incluir aqui Arshavin que, não sendo uma revelação para quem anda atento, teve um enorme impacto... tão grande como o seu desaparecimento na meia final. De resto, é fácil escolher... Torres e Villa na Espanha, Podolski e Klose na Alemanha, Pavlyuchenko, outra revelação, na Rússia, Van Nistelrooy na Holanda e Ibrahimovic na Suécia, apesar do pouco tempo. Nota ainda para um jogador que não esteve em foco mas que creio poder tornar-se brevemente uma das referências do futebol mundial: Benzema.


Portugal
Ao contrário do que se disse, nas habituais visões fatalistas na hora da derrota, não creio que Portugal tenha desiludido em termos de qualidade de futebol. Ou, pelo menos, nos 4 momentos do jogo “corrido”. O que se viu de Portugal nos primeiros jogos foi tão bom como qualquer outra Selecção e é por isso que a frustração desta eliminação ainda é maior, porque, de facto, poderíamos ter disputado a vitória.
A conclusão que me fica é que o próximo passo tem de ser dado no sentido de querer chegar mais próximo da vitória final. É preciso mais visão estratégica e mais preocupação com os detalhes do jogo – não podemos perder um jogo com erros colectivos tão gritantes ao nível das bolas paradas! Vencer (entenda-se, melhorar as condições para) deve ser o objectivo de curto prazo do próximo seleccionador até porque ninguém nos garante que esta qualidade dure muito tempo numa selecção de um país de apenas 10 milhões. Uma nota final para Cristiano Ronaldo. Talvez seria melhor alguém explicar ao rapaz que o que fez Torres no dia 29 de Junho de 2008 vai ter muito mais importância na história do futebol do que qualquer dos golos que Ronaldo possa marcar pelo Manchester, Real Madrid ou outro clube... É que ao afirmar “não tenho nada a provar” antes da competição mais importante da época não parece evidenciar grande consciência para esse facto!


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30.6.08

Espanha: Indiscutível!

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O Campeão
Primeiro a nota para o Campeão. A Espanha foi de facto, e indiscutivelmente, a melhor equipa do Euro. As individualidades, já se sabia, eram óptimas e se é verdade que não partilho do exagero (previsível e habitual nestas alturas) de fazer desta uma equipa perfeita do ponto de vista colectivo, creio que teve alguns méritos importantes, também nesse plano. A saber:

- Primeiro, foi uma equipa que assumiu sempre a sua característica, a qualidade da posse de bola. Aqui o destaque vai para a opção por Iniesta e David Silva. Aragonês poderia ter ido buscar 2 extremos de faixa que “encaixassem melhor” no seu 4-4-2 clássico. Assim perdeu largura, mas reforçou uma qualidade genuína da sua equipa que ninguém conseguiu parar.

- Igualmente importante foi a segurança e pragmatismo espanhol no plano defensivo. A transição defensiva é fundamental neste tipo de provas onde um golo faz toda a diferença. Senna e os laterais, pouco aventureiros, garantiram um equilíbrio permanente. Por aqui se começa a explicar o notável registo defensivo.

Creio, no entanto, e esta foi uma critica que fiz no inicio, que o 4-4-2 clássico não era o esqueleto ideal para esta Espanha. Aliás, penso que a lesão de Villa acabou por ser positiva em termos tácticos para a selecção espanhola. Dito isto, não espanta a minha conclusão de que Aragonês, apesar dos méritos que referi (e há ainda um outro que tem a ver com a liderança, mas que não vou abordar aqui), não foi um treinador particularmente brilhante ao nível da visão que demonstrou na estratégia antes e durante os jogos (particularmente pelas suas substituições quase mecânicas).

A Final

O inicio
Confirmado o confronto de 4-5-1 e a ausência de novidades ao nível de individualidades, restava confirmar a postura estratégica, particularmente da Alemanha, já que a superioridade do jogo espanhol e a própria falta de apetência de Aragonês para estas adaptações estratégicas colocavam praticamente de parte alguma coisa específica da Espanha para a final. Os primeiros minutos – e este período durou 15 minutos – mostraram uma Alemanha muito consciente daquilo que tinha de fazer no jogo. Particularmente no que respeita ao posicionamento em relação à primeira fase de pressão espanhola (onde os russos haviam falhado). Com Klose muito próximo da linha média, a Alemanha impediu dificultou muito a vida ao primeiro passe espanhol, forçando muitas vezes a serem os centrais os protagonistas desse momento (outra evidência desta preocupação alemã com a primeira fase de construção espanhola, foi o facto de terem obrigado Casillas a bater bolas longas). Neste período chegou mesmo a dar a ideia de que poderíamos assistir a uma surpresa, com a Alemanha a montar uma teia ao jogo espanhol, mas a verdade é que os alemães acabariam por, rapidamente, evidenciar as suas limitações. A falta de qualidade técnica alemã começou a vir ao de cima e as perdas em posse foram transformadas em oportunidades para o meio campo espanhol pegar, finalmente, no jogo em posições mais adiantadas no terreno. A partir daqui, a Espanha conseguiu o domínio definitivo do jogo e, pode dizer-se, terá colocado a sua primeira mão na ambicionada Taça.

O golo
A vantagem chegaria, curiosamente, numa jogada em construção numa das primeiras vezes em que a Alemanha perdeu controlo sobre Senna e, seguramente, na primeira vez em que o seu meio campo permitiu a invasão do seu espaço entre linhas. Um erro posicional que é recorrente nos alemães e que tinha identificado no jogo com a Turquia, a definição de uma só linha de médios, possibilitou que um só passe retirasse todo o meio campo germânico da jogada. A bola chegou a Xavi que fez mais um passe de rotura. Metzelder colocou-se mal, Torres teve mérito, mas o que fez Lahm é imperdoável, perdeu um lance depois de ter ganho a posição. Depois das debilidades técnicas terem entregue o domínio do jogo aos espanhóis, outra reconhecida debilidade alemã deu-lhes vantagem no jogo: as fragilidades defensivas (neste caso, primeiro em termos colectivos, depois em termos individuais).

O resto do jogo
Francamente, da maneira como vejo a história do jogo muito do que há para dizer termina no golo de Torres. A partir desse momento a Espanha passou a ter todas as vantagens na partida, jogando com os erros de um adversário que era obrigado a arriscar e tendo o acréscimo de confiança fundamental num jogo de tanta pressão. Esta ideia está reflectida na forma como a sua superioridade ficou mais patente a partir do 1-0. Convém, no entanto, mencionar aquele pequeno período de algum fulgor germânico após a entrada de Kuranyi e o restabelecimento do 4-4-2 com que a Alemanha havia debutado o Euro. Na minha perspectiva, esse período deveu-se mais a um crescendo emocional, sustentado por alguns desequilíbrios que partiram sempre de bolas divididas ganhas a meio campo, do que a um desequilíbrio táctico provocado pela alteração de Low – aliás, pelo contrário, o 4-4-2 dava mais poder ao meio campo espanhol. Neste aspecto, discordo ainda com a ideia do brilhantismo atribuído à visão de Aragonês nas substituições. De facto, justificava-se a entrada de Xabi Alonso, mas tendo visto os jogos anteriores da Espanha, diria que as substituições ter-se-iam feito mesmo que Low não tivesse mudado nada.

Desinspiração alemã
Nesta vitória de superioridade espanhola, há que referir um pormenor importante. É que ninguém esperaria que os alemães se destacassem pelo domínio do jogo. Antes pelo contrário, exigia-se que a Alemanha tirasse de novo partido da sua eficácia ofensiva e, em particular, dos lances de bola parada. A verdade, no entanto, é que ao contrário do que aconteceu em praticamente toda a competição, Ballack, Klose, Podolski e Schweinsteiger revelaram-se desastrados nos momentos decisivos. Na área nunca foram incisivos como é costume e, nas bolas paradas, assistimos a uma sucessão de livres e cantos todos apontados de forma deficiente. É impossível deixar de lembrar o contraste com a inspiração revelada frente a Portugal... Assim teria sido bem mais fácil!

Individualidades
Individualmente, podia destacar praticamente toda a equipa espanhola (pelo menos pelo que aconteceu a partir do tal quarto de hora inicial). Casillas imaculado, a defesa sempre concentrada – nota para a coordenação no fora de jogo – e o meio campo à altura da qualidade que se reconhece. O meu destaque vai, ainda assim, para Torres. Sozinho na frente foi decisivo e incansável. Xavi também poderia ser a escolha, mas esta será para sempre a final de Fernando Torres.

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Resumos Euro2008

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28.6.08

5 questões para a final:

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Sistema táctico: Confronto de 4-5-1?
Depois de um Euro iniciado em 4-4-2 pelas 2 formações, tudo aponta para que possamos ter um confronto de 4-5-1. No caso da Alemanha a alteração surgiu por motivos estratégicos frente a Portugal, tendo-se mantido frente à Turquia. Como a Espanha também deverá jogar com 5 homens no meio campo, prevê-se que Low não altere esta opção. Ainda assim, diria que, entre Aragonês e o seleccionador alemão é mais provável assistirmos a uma surpresa no esquema germânico, sendo Aragonês mais conhecido pela continuidade nas suas opções (aliás, isso tem-se visto até na forma “mecânica” como faz as substituições). Nota, no entanto, para realçar as diferenças entre os dois esquemas: (1) 4-1-4-1 pela Espanha e 4-2-3-1 na Alemanha. (2) a dinâmica dos extremos torna bem diferentes os esquemas quando em acção. Na Alemanha 2 jogadores abertos nas alas (Podolski e Schweinsteiger). Na Espanha, Iniesta e David Silva não escondem a tendência para oferecer apoios na zona central, tornando o jogo espanhol muito menos lateralizado.

Pontos fortes: Organização ou Transição?
Se olharmos aos pontos fortes das equipas nos 4 momentos de jogo (excluindo, portanto, as bolas paradas), dir-se-ia, sem qualquer dúvida, que há um contraste entre as duas equipas. Na Espanha, a força está na qualidade da organização ofensiva, particularmente no seu primeiro momento. Na Alemanha, a velocidade e clarividência com que sai em transição ofensiva é a principal arma. A primeira conclusão é que este confronto de características deverão resultar num jogo de maior domínio espanhol, mas com a Alemanha declaradamente a procurar ser mais perigosa, mesmo com menos ataques. Se me perguntassem quem leva vantagem, teoricamente diria que quem joga em transição, sabendo fazê-lo, pode tirar mais dividendos porque usufrui de mais espaço. Mas, neste caso, a questão não é tão simples... Para poder ser forte na exploração numa estratégia de transição, a Alemanha tem necessariamente de conseguir, primeiro, ser eficaz em organização defensiva e é aqui reside o problema. As debilidades dos alemães são evidentes em termos defensivos e essa tendência poderá ser potenciada pela grande qualidade da posse de bola espanhola. Aqui será fundamental a adaptação ao jogo de apoios espanhol na zona central. Se os alemães adiantarem a sua linha média na ansia de pressionar, se voltarem a cometer o erro de não criar várias linhas com o posicionamento dos seus médios, então, os espanhóis podem mesmo começar a preparar-se para a festa.

Opção: Com ou sem Frings?
Claramente é o melhor médio defensivo dos alemães. Pela qualidade de passe e pela capacidade de luta que oferece ao meio campo. Low abdicou dele nos 2 últimos jogos por motivos não muito claros, mas na final duvido que o volte a fazer – até porque jogou 45 minutos contra a Turquia. Esta é, de resto, a grande dúvida para os onzes, caso, naturalmente, não haja uma surpresa estratégica de um dos treinadores.

Estratégia: Como defender Lahm?
É um jogador que, invariavelmente, tem merecido motivos de preocupação pelos treinadores adversários. Por exemplo, Portugal colocou Simão declaradamente sobre a direita, para tapar as suas subidas. De facto, a Alemanha tem uma forma bastante assimétrica de atacar, quer pela características dos laterais, quer dos próprios extremos – a bola entra quase sempre na esquerda na construção. Se é certo que vamos ver Sérgio Ramos regressar às exibições mais discretas do ponto de vista ofensivo, com a presença de Podolski no seu flanco, será que vamos também ter um ala mais fixo do que é habitual na Selecção espanhola? Parece-me que Aragonês não o fará, mas essa pode ser uma vantagem no momento da transição alemã, com os movimentos interiores dos alas a impossibilitarem um apoio imediato a Ramos. Uma nota, muitas vezes a tendência ofensiva dos laterais é aproveitada para fixar um extremo sobre esse flanco que não defende, podendo depois aproveitar o espaço em transição. No caso da Espanha essa opção não se põe, claramente.

Bolas Paradas: Quem vai ser vigiado individualmente?
Não é surpresa se disser que da eficácia defensiva neste tipo de lances depende muito do sucesso espanhol. A vantagem de alturas deverá ser ainda maior do que no confronto contra Portugal, mas duvido que os espanhóis (ou qualquer equipa) se revelem tão desconcentrados neste particular quanto os portugueses naquele jogo de Basiléia. Outra curiosidade desta final é o facto de Espanha e Alemanha serem das 4 equipas que neste Europeu defendem zonalmente nos cantos. Mas há aqui uma nota... A Espanha vem acrescentando a essa organização zonal uma marcação individual a 2 jogadores específicos do adversário, normalmente por Sérgio Ramos e Fernando Torres. Esta é uma opção, na minha opinião, inteligente dada a baixa estatura dos espanhóis (ao contrário do que tem sido dito esta característica é desfavorável à aplicação do método zona por poder ser potenciado um confronto directo entre jogadores de estaturas excessivamente dispares). Frente à Itália foram Toni e Panucci os elementos vigiados individualmente e frente aos russos, Pavlyuchenko e Ignashevich. O problema é que, no caso da Alemanha, torna-se difícil escolher 2 entre tantas “torres”...

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27.6.08

Espanha: A confirmação do favoritismo!

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O mediatismo da evolução russa no Euro quase fez esquecer que há apenas 2 semanas estas mesmas equipas haviam protagonizado um dos resultados mais desequilibrados da competição. Esta foi por isso uma segunda oportunidade que a Rússia não soube superar frente ao mesmo adversário. Na verdade, os lapsos russos não foram bem os mesmos mas, no final, veio ao de cima, tal como nesse primeiro encontro, a maior qualidade das individualidades espanholas, particularmente numa primeira fase de construção que, pode dizer-se, foi a besta negra das aspirações russas no Euro 2008.

No primeiro jogo da fase de grupos, a Rússia lançou-se de forma tão determinada como descompensada nas suas acções ofensivas. O resultado, foi a exposição dos seus elementos mais recuados que, com erros individuais, não conseguiram remediar (e digo remediar porque não houve nesse jogo uma prevenção colectiva para o equilíbrio no momento da transição defensiva) as transições espanholas. Desta vez, e tal como contra a Holanda, houve uma postura mais comedida no adiantamento das unidades russas quando em posse de bola. O jogo ficou por isso menos propenso a transições, quer de um lado quer do outro (os espanhóis deixam sempre 4 a 5 jogadores atrás da linha da bola no momento da perda) e, consequentemente, definido pelos momentos de organização ofensiva e defensiva. Foi precisamente aqui que os espanhóis ganharam, desde cedo, ascendente no jogo.

O pressing russo: O erro de Hiddink
Não há dúvida dos méritos de Hiddink na composição desta formação russa, mas não me parece que tenha sido uma formação isenta de erros estratégicos esta Rússia. Contra a Espanha, houve uma reprodução da postura posicional do bloco russo, em organização defensiva, em relação ao jogo com a Holanda. Ou seja, o pressing era sobretudo feito pelo quarteto de meio campo. Arshavin e, sobretudo, Pavlyuchenko permaneceram com uma atitude muito passiva e nada perturbadora para a saída de bola adversária. Se perante a Holanda, devido à pouca mobilidade do seu duplo pivot e incapacidade ofensiva de Boulahrouz, a acção dos 4 de meio campo foi mais do que suficiente, frente à incomparável maior qualidade espanhola nesse momento do jogo deveria ter havido outra precaução. Sem Pavlyuchenko e com muito pouco Arshavin a pressionar, facilmente a construção espanhola fazia da posse de bola um engodo para o pressing russo que subia as suas linhas, sendo incapaz de cortar as linhas de passe e abrindo espaços na sua zona entre linhas. Esta tendência ainda foi suavizada enquanto se manteve o 4-4-2 espanhol, mas com a saída de Villa e entrada de Fabregas, tornou-se depressa evidente que o desnorte do pressing russo – sempre em inferioridade numérica na zona intermediária – acabaria por ter consequências drásticas para a formação russa. Hiddink não rectificou, o duo da frente não alterou o seu comportamento e a Espanha chegou a uma vantagem que conduziu o jogo para uma espécie de reedição da segunda parte do primeiro confronto. O resultado foi o mesmo, um passeio espanhol, desta vez com a final como destino.

Coincidências tácticas para a final
Para a final a Espanha parte como favorita, mas deverá ter na Alemanha uma oposição bem diferente desta Rússia. Curioso que chegam à final duas formações que foram trabalhadas no 4-4-2 clássico (o sistema, claramente, da moda neste Euro), mas que provavelmente se apresentarão em 4-5-1 nesse embate final. Outra curiosidade, particularmente debatida em Portugal (e com pouco rigor, em minha opinião), é o facto de 2 das 4 equipas que marcam zonalmente nas bolas paradas atingirem a final. Aqui, mais um detalhe: A Espanha, uma equipa baixa tal como Portugal, marca à zona mas tem definido acompanhamentos individuais aos jogadores mais perigosos do adversário (normalmente 2). Não será por acaso...

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26.6.08

Alemanha: o finalista do costume

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Aí está, sem surpresas, o primeiro finalista do Euro. Olhando para o sorteio e para a sequência de jogos, era previsível que entre Alemanha, Portugal e Croácia saísse 1 finalista. A primeira fase confirmou esta ideia e se não era a equipa mais forte do ponto de vista na maioria dos aspectos do jogo, a Alemanha fez valer a competência com que joga nas zonas decisivas do campo para garantir o passaporte para mais uma final da sua história – mais uma vez fica a sensação de este ser já um feito além das potencialidades da equipa germânica, mas essa é, como já aqui recordei, a história do futebol alemão.

No que respeita ao jogo, tendo em conta que os jogadores eram quase na sua totalidade originários dos campeonatos turco e alemão, não surpreendeu. Muito ritmo, golos, mas muitos erros quer individuais, quer colectivos. De resto, a única surpresa deste jogo esteve na postura da Alemanha. A forma desconcentrada e pouco reactiva como os seus jogadores entraram no jogo são, na minha opinião, a principal justificação para as dificuldades que a Mannschaft teve para confirmar a sua presença na final. Do lado turco, as limitações que Terim tinha para constituir a equipa não afectaram em nada a estratégia. Ou seja, a Turquia voltou a ser uma equipa montada em 4-1-4-1, que pressionou a partir de onde os alemães permitiam, sem definir uma zona de pressão mais “calculista” mesmo quando se apanhou a ganhar. Outro aspecto importante para o domínio turco nos primeiros minutos foi o aproveitamento do mau posicionamento do meio campo alemão. Claramente pouco habituados a jogar com 3 homens na zona central, os alemães cometeram frequentemente o erro de alinhar posicionalmente os seus jogadores do “miolo”, o que facilitava a tarefa turca, podendo com um só passe vertical ultrapassar todo o meio campo adversário, o que aconteceu por algumas vezes nos primeiros minutos.

Ainda assim, e apesar de toda esta sobranceria alemã, foi desde cedo notório que do lado turco existia uma espécie de inconsciência para o perigo que representava a exposição às transições germânicas. Foi assim, em transição, que os alemães empataram e também assim que poderiam ter marcado de novo, com a Turquia não só a acumular alguns erros proibitivos em posse de bola, como a expor-se em demasia quando tinha a bola. Esta tendência turca para o descalabro defensivo pareceu-me sempre mais relevante do que a exibição desinspirada dos alemães, mesmo quando o jogo baixou o seu ritmo no segundo tempo. Foram precisamente estas fragilidades turcas que ditaram lei na etapa decisiva da partida. Os alemães podem ser frágeis defensivamente, mas na hora de aproveitar o erro do adversário, tal como contra Portugal, são mortais e isso, goste-se ou não, vale uma presença na final, mesmo não havendo superioridade noutros capítulos do jogo.

Com um sistema e protagonistas diferentes, é curioso verificar que as qualidades e defeitos desta equipa alemã se mantêm as mesmas desde o primeiro jogo. Grande capacidade para sair em transição, com notáveis e rapidíssimas trocas de passe sempre em progressão e uma enorme força na zona de finalização onde muito facilmente tira partido de qualquer erro que possa existir. Por outro lado, dificuldades defensivas, não só pela debilidade individual de alguns dos seus jogadores como por algumas deficiências na forma como se organiza defensivamente. Ainda assim, deixo a nota: será considerada teoricamente mais fraca à partida para final (seja contra a Rússia ou Espanha), mas não se enganem, o nível de concentração vai ser muito maior do que o que se viu com a Turquia e, mais uma vez, se o adversário facilitar no que quer que seja, eles lá estarão para aproveitar!

Quanto às individualidades, destaco do lado turco e mais uma vez Hamit Altintop. Foi um dos melhores médios do Euro, sempre com dinâmica e qualidade nas suas acções desde o inicio da competição. Do lado alemão, Frings é claramente melhor do que Rolfes ou Hitzlsperger e dúvido que seja suplente na final. Podolski voltou a ser determinante, tal como Schweinsteiger (nota para a semelhança entre os movimentos que antecederam os seus golos frente à Turquia e Portugal), mas há um nome que quero destacar em especial: Miroslav Klose. É um avançado que aprecio particularmente pela forma inteligente como joga. A única coisa que me espanta é como é que não marcou mais golos na fase inicial da competição...

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24.6.08

A questão Seleccionador

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Este parece ser o debate do pós Euro 2008 no que à Selecção diz respeito. Fica claro – pelo menos para mim – que Scolari marcou uma fase de transição na cultura da Selecção. Hoje, mais do que nunca, Portugal, país, vive a sua Selecção à margem dos clubes. Mas hoje, mais do que nunca, Portugal, país, pede resultados de excelência à Selecção. Este é o legado de Scolari...

Creio, no entanto, que se vive hoje uma fase de transição na Selecção Nacional. Transição ao nível de individualidades e transição, também, ao nível das características dos principais protagonistas. Desde o inicio dos anos 90 que a principal referência da Selecção foram Figo e Rui Costa, e foi com base nas características destes 2 jogadores que se foi moldando a ideia de jogo que ainda hoje prevalece na principal equipa nacional. Acontece que Portugal tem no seu elenco Cristiano Ronaldo, um jogador de características diferentes e que será, provavelmente, a referência da Selecção na próxima década. Juntando a isto a ideia da necessidade de tornar Portugal numa equipa mais forte nos pormenores do jogo (por exemplo as bolas paradas) e nos momentos de transição, parece-me que há a importância de encontrar um nome capaz de fazer algumas reformas no modelo de jogo actualmente em vigor na Selecção. Para isso será, naturalmente, preciso algo mais do que um bom líder.

A hipótese Peckerman e o perfil "Carlos Queiroz"

Com a hipótese Peckerman tem ganho força a contratação de um Seleccionador que reforme (e que seja responsável por) toda a formação da Selecção, vindo à memória o caso Carlos Queiroz. A minha opinião é totalmente desfavorável a esta intenção. A Selecção AA (e o Mundial 2010) são objectivos suficientes para concentrar as atenções de quem venha a ser o escolhido e, por outro lado, a avaliação da sua performance não deve ser misturada com outros aspectos de base. Afinal o que faríamos se 2010 fosse um fracasso? Abdicaríamos de um trabalho de longo prazo na formação por causa dos resultados dos AA? Ou continuaríamos com um Seleccionador sem resultados satisfatórios para não sacrificar o trabalho de base? Parece-me, claramente, que estes papéis devem ser separados (aliás, o próprio Queiroz não fez as reformas na formação como Seleccionador principal)...

Os meus 2 perfis:

Perfil “Van Basten” – Como sempre tenho defendido a qualidade deve sobrepor-se ao currículo. Acredito numa solução de um ex-jogador sem experiência relevante como treinador, mas com cultura de Selecção e uma ideia concreta sobre o futuro da Selecção. Este é um perfil que tem em Van Basten, Klismann ou mesmo Bilic exemplos mais recentes e que creio poder ser possível, devendo, obviamente, o candidato ser português.

Perfil “Scolari” – Este parece ser o mais popular nesta altura. Um nome conceituado que tenha traquejo confirmado nestas andanças. O requisito essencial para este perfil é existência de experiências com sucesso em grandes competições ao nível de Selecções. A este eu acrescento a capacidade e conhecimento táctico para fazer as reformas que atrás referi como importantes (Scolari falhava neste particular). Aqui não há exigências quanto a nacionalidade e, mesmo considerando que ajuda na comunicação, casos como Hiddink confirmam que a língua também pode não ser essencial. Neste aspecto eu junto apenas o enquadramento táctico. Ou seja, tudo o que sejam treinadores que não conheçam com profundidade as tendências tácticas do futebol europeu, não me parecem adequados.


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23.6.08

Espanha: Superada a barreira dos Quartos!

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Ao quarto semi finalista surge uma Espanha que se torna na única Selecção com um percurso imaculado a chegar a esta fase da prova. Num registo de aposta na continuidade, Aragonês tem uma ideia de jogo consolidada que, como referi após o primeiro jogo, não me parece nada brilhante, mas que é sustentada por um leque de individualidades fortíssimo. Este é, aliás, o grande ponto forte espanhol quando comparado com os restantes semi finalistas. Não encantou colectivamente como a exibição russa frente à Holanda, mas, como se sabe, o peso das individualidades pode mesmo ser o mais relevante para definir o campeão...

Frente à Itália, a Espanha apareceu com Senna numa posição mais fixa como médio mais recuado atrás de uma linha de 3 (tendência natural já revelada durante os primeiros jogos), fazendo sempre o seu jogo assentar na qualidade que os seus jogadores oferecem à posse de bola. Esta é a característica da selecção espanhola que rivalizou, neste jogo dos quartos de final, com uma Itália disposta a não discutir tanto a posse de bola, e optar, antes sim, por um jogo de processos mais simples que tem sempre em Luca Toni uma referência prioritária. O que se viu foi um jogo prudente de parte a parte, sem desequilíbrios posicionais em posse de bola e uma preocupação permanente evitar as tão temidas transições do “inimigo”. Houve oportunidades, é certo, mas o 0-0 não é um resultado nada estranho.

Apesar de entender que o jogo foi bastante equilibrado, tendo em conta as características e objectivos no jogo de cada uma das equipas, parece-me que a Espanha acaba, de facto, por ser o mais justo dos vencedores. A selecção espanhola tem dificuldades evidentes em apresentar movimentos rotinados, tirando, ao invés, partido da já falada qualidade dos seus jogadores, que acabam, umas vezes melhor, outras pior, por compor as jogadas ofensivas. Há ainda uma notória dificuldade em dar largura ao seu jogo ofensivo, com os médios ala a jogarem muito mais no espaço interior e os laterais a aventurarem-se muito pouco ofensivamente. Ainda assim, maiores terão sido as limitações da selecção italiana. É certo que, ao contrário da Espanha, sabe sempre a forma como vai fazer a bola chegar às zonas de finalização, tendo um jogo mais vertical e objectivo, mas o recurso a Luca Toni tornou-se obsessivo e acabou por absorver em demasia as acções ofensivas dos transalpinos. Ora com passes verticais para as costas da defesa (na ausência de Pirlo este recurso foi claramente menos eficaz), ora com cruzamentos largos, sempre à procura de Toni (muitas vezes feitos com a participação ofensiva dos laterais), as jogadas italianas acabavam sempre por morrer na incapacidade que Toni revelou para vencer os seus duelos ofensivos. Com Donadoni a não apresentar qualquer alternativa ao avançado do Bayern, foi a Espanha quem acabou por dar melhor sequência às suas acções.

Vencendo nos penaltis e num dia traumático, a Espanha acredita agora que, quebrada barreira psicológica dos quartos de final, esta poderá, mais do que nunca, ser a equipa vencedora do Euro. Será muito curioso a repetição do embate com os russos, mas não creio que, em caso de derrota, esta seja uma experiência com menos sabor a frustração para os espanhóis...

Breves notas individuais para Fabregas e Aquilani. O primeiro mexeu com o jogo com a sua entrada e será, assim à moda da basquete, o melhor 12º jogador desta prova. O segundo era uma curiosidade que tinha de ver jogar nesta prova. Infelizmente o posicionamento de Aquilani, descaído sobre a direita, acabou por tornar o jogo deste entusiasmante jovem da Roma numa exibição muito discreta... é que nem um rematezinho!

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22.6.08

Rússia: Apresentação da candidatura

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Fantástico! Este é o adjectivo que me ocorre para classificar a exibição russa frente à Holanda. Depois de algumas reticências em relação à oscilação russa nos primeiros jogos, Hiddink deixou bem claro que esta uma selecção com maturidade suficiente para fazer ajustamentos estratégicos, fundamentais para quem vencer uma competição com estas características. Disse desde o inicio que as selecções mais capazes de vencer estas provas são aquelas que vão evoluindo com a competição, muito mais do que aquelas que aparecem bem preparadas no seu inicio. A Rússia encaixa perfeitamente nesta ideia (ao contrário da Holanda), e julgo dever ser considerada como uma dos principais candidatos à vitória. Para já, e apesar do tal preconceito em relação à equipa holandesa, quem gosta de futebol ofensivo fica claramente a ganhar com o apuramento russo, ainda que fique agora a certeza de que a Rússia pode ser bem mais do que um simples "entertainer" deste Euro.

Para a partida tinha a curiosidade de ver qual a postura dos russos que, tal como referi, deveriam ser mais cautelosos nas suas abordagens, frente a uma Holanda que se havia revelado muito pragmática e eficaz no aproveitamento dos desequilíbrios (tanto na profundidade como no espaço entre linhas) dos seus adversários. Hiddink alterou ligeiramente o a disposição da equipa, introduzindo Saenko para uma função menos interior (provavelmente para “tapar” Van Bronckhorst), compondo um esquema não totalmente simétrico, com Arshavin a manter-se como jogador livre nas costas de Pavlyuchenko mas sempre partindo desde a esquerda. Mas a alteração mais importante esteve nos comportamentos e não no sistema. Com um bloco médio baixo a dificultar muito os passes holandeses para o espaço entre linhas, notou-se uma menor participação ofensiva dos laterais em relação aos jogos anteriores, havendo maior liberdade para Semak, normalmente mais preocupado com os equilíbrios defensivos para integrar acções ofensivas (foi ele quem desceu até à esquerda para fazer o cruzamento para o primeiro golo).

Com a Holanda a não surpreender, mantendo-se sempre muito preocupada com os riscos, quer no posicionamento, quer na posse de bola, a primeira parte foi pautada pelo equilíbrio, embora se nota-se sempre maior qualidade russa, sobretudo pela forma como dava maior mobilidade e dinâmica à sua posse de bola. Esta mobilidade acabou por estar na origem do primeiro e merecido golo russo e, a partir daí, tudo mudou! Já havia falado das 2 faces holandesas mas frente à Rússia veio ao de cima uma outra face que se revelou na primeira vez que Holanda esteve em desvantagem neste Euro. Grande falta de ideias ofensivas, com Snejder a tentar recorrentemente a meia distância e, por outro lado, uma enorme incapacidade nas transições defensivas (apesar do inegável mérito russo). Talvez fosse por isso que Van Basten revelou sempre tanta preocupação em prevenir-se das transições dos adversários...

O jogo ainda foi para prolongamento, e aqui ficam os 2 reparos que é importante fazer à equipa russa. Primeiro, a finalização: houve várias e boas ocasiões para chegar ao segundo golo e com este nível de eficácia, a Rússia poderá vir a ter problemas. Segundo, e mais importante, as bolas paradas. Fez lembrar Portugal a forma permissiva como se defenderam os livres indirectos (face ao que se tinha visto, não custava nada antecipar o golo do empate quando foi marcado um livre indirecto). A Rússia foi feliz porque só sofreu um golo, mas arriscou-se, tal como Portugal, a ver fugir o pássaro por um capítulo do jogo em que é obrigatório ser-se mais forte.

Ainda assim, e apesar deste sofrimento evitável, a Rússia tirou partido da maior frescura física no prolongamento, que se notou na incapacidade holandesa em se organizar de forma minimamente eficaz. Mais uma vez, o segundo golo tardou em demasia numa fase em que o desnível era enorme.
Nota final para Arshavin. Começa a arriscar-se seriamente a ser o melhor jogador do Euro...

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21.6.08

Análise do primeiro golo alemão

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Depois de alguma discussão no espaço de comentários da análise ao Portugal – Alemanha, voltei a ver algumas análises que responsabilizavam Pepe pelo lance do primeiro golo. Esta é, na minha opinião, uma visão totalmente errada e, por isso, resolvi compor um vídeo que explica, penso que com clareza, o meu ponto de vista.

Acrescento apenas que a interpretação posicional de Pepe é correcta de uma perspectiva da ocupação dinâmica das zonas (impedindo que o adversário crie uma zona onde tem superioridade numérica). A sua acção vai no sentido de criar uma zona de pressão junto à linha, basculando sem comprometer o equilíbrio na zona mais recuada. Mais, creio que a sua leitura da saída do desenvolvimento do lance é correcta e que provavelmente, devido à sua maior agressividade, Podolski teria mais dificuldade em ganhar sobre Pepe, caso Bosingwa não se tivesse mantido no lance até tão tarde (a falta de agressividade de Bosingwa é tão evidente quanto decisiva no lance).

Nota ainda – e não fiz qualquer análise vídeo a este lance – para a jogada do segundo golo alemão. Tem-se falado na falta de acompanhamento nas marcações individuais (nomeadamente Ronaldo tem sido criticado). As falhas portuguesas são tantas nos lances do segundo e terceiro golos (daí ter apelidado de “derrota primária” à eliminação de Portugal) que me parece difícil apontar um só responsável, mas saliento um pormenor que julgo ser decisivo no golo de Klose. Há uma enorme falta de sintonia dos jogadores, com uns a ficar para trás propositadamente na tentativa de fazer fora de jogo e outros a ignorar esta intenção e colocando toda a gente em jogo e, naturalmente, alguns sem marcação.


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Turquia: Quantas vidas ainda lhe restarão?

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Pois é, contra todas as perspectivas, temos a Turquia nas meias finais. Como já havia feito um acompanhamento da preparação turca para o Euro, não me surpreende o futebol praticado, antes sim, e creio que como a toda a gente, a forma como os turcos arranjam maneira de não cair neste Euro2008. São já 3 golos no último minuto depois dessa partida contra Portugal e, nesta altura, todos estarão expectantes para ver onde é que esta chama turca os vai levar (na memória, e apesar das diferenças no estilo está a forma semelhante em termos de galvanização como a Grécia surpreendeu a Europa há 4 anos).

Sobre esta equipa turca, e à margem dessa força de espírito inexplicável, não tem havido muita evolução desde o primeiro jogo contra Portugal. Há jogadores que têm jogado em diversas posições (alguns mesmo adaptados), mas o sistema, os princípios e mesmo os pontos fracos e fortes têm-se mantido praticamente inalterados desde o primeiro jogo. Apesar de ter um meio campo bem preenchido numericamente, a formação de Terim tem muitas lacunas na primeira fase de construção. Aliás, diria que ofensivamente a equipa vive de alguns rasgos que parecem surgir à margem do próprio ritmo de jogo. Esta capacidade de surpreender – que surge da qualidade de alguns dos seus interpretes – é, de resto, a principal virtude desta Turquia. No extremo negativo está, a já muito falada, limitação defensiva, tanto a nível colectivo, como individual. Ainda assim apontaria a falta de capacidade estratégica da equipa turca (porque tem jogadores para fazer um jogo mais inteligente, explorando de forma mais eficaz as transições) como a principal lacuna no trabalho de Terim. Para terminar, o meu destaque pessoal para algumas individualidades: Primeiro Hamit Altintop que me parece (e digo-o desde o inicio) ser a alma deste meio campo turco, sempre agressivo e activo no jogo e com boa qualidade técnica. Depois Tuncay, é talvez o jogador mais “manhoso” deste euro, num estilo muito ao género latino e que tem na técnica e imprevisibilidade as principais características. Finalmente (vou fazer só 3 destaques) Nihat, que não é, na minha opinião, devidamente aproveitado pelos tais princípios turcos mas cuja qualidade de movimentações já apareceu a fazer estragos.

Nota, finalmente, para o jogo com a Croácia. De fora fica, seguramente a melhor equipa entre as duas. No entanto, não consigo dizer que esta Croácia fosse uma equipa de grande qualidade. À margem do tal jogo em que surpreendeu tacticamente uma Alemanha desprevenida, não fez um grande Euro, nem mesmo um grande jogo nos quartos de final (apesar de ser a equipa mais merecedora de seguir em frente). Sobre a Croácia, e depois de Deco, dá para dizer que o Euro perdeu mais uma das suas figuras (talvez, a maior revelação): Luka Modric.

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20.6.08

Portugal-Alemanha: A frustração de uma derrota primária

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O primeiro comentário vai para o sentimento que me fica após esta eliminação. Esta derrota frente à Alemanha representa uma desilusão sobretudo pela forma como aconteceu. Portugal tem evoluído muito a nível internacional nos últimos anos e por isso exigia-se que tivesse outra maturidade e outra preparação para os detalhes do jogo. De repente, parece que voltamos aos tempos em que sabíamos como dominar um jogo, mas não fazíamos ideia de como os evitar perder. Esta é uma responsabilidade que deve ser atribuída, em primeiro lugar, a quem define as prioridades do jogo nacional e é bom que, na hora de virar a página, se pense nisto. Em ganhar. Porque se ainda vamos a tempo de aproveitar esta sucessão de gerações talentosas que têm saído ao nosso futebol, não é dado adquirido que elas durem para sempre...

Low havia referido a intenção de tirar partido da exposição portuguesa em posse. Para isso, primeiro, introduziu um surpreendente e inédito 4-2-3-1 que retirou a Portugal a possibilidade de usufruir da superioridade táctica. Ainda assim, esta alteração apenas forçava a um literal encaixe de forças no meio campo (Petit e Ballack; Moutinho e Rolfes; Hizlsperger e Deco), não impedindo que Portugal se apoderasse da iniciativa do jogo, condição essencial para o aproveitamento de que falava Low. Não foi imediato, demorou cerca de 15 minutos para que Portugal se adaptasse à estratégia alemã, mas mal isso aconteceu, Portugal ganhou confiança, criou a primeira oportunidade de golo e... abriu o espaço para que os alemães inaugurassem o marcador.

Tudo aconteceu em ataque organizado, com grande mérito para os alemães. A bola entrou na esquerda e para aí foram Ballack e Klose, levando Petit e Pepe para uma zona que já tinha Podolski e Bosingwa. Notável a troca de bola alemã a sair da zona de pressão – a lembrar algumas jogadas frente à Polónia – mas Portugal poderia ter tido outra resolução do lance. Primeiro, justificava-se o recuso à falta (e a um provável amarelo) perante a incapacidade de Bosingwa para segurar Podolski, numa jogada que envolvia demasiados defensores nacionais. Depois, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira deviam ter sido suficientes para controlar Schweinsteiger. O problema é que o único que acreditou no lance desde o inicio foi o alemão. Nem Carvalho definiu a posição conveniente ao primeiro poste, nem Paulo Ferreira conseguiu segurar o jogador do Bayern na marcação.

Entre os festejos alemães e a lesão de Moutinho não houve tempo para quase mais nada. Logo a seguir estava Schweinsteiger a bater um livre frontal que colocaria a bola na área. Falou-se de métodos zona e homem-a-homem antes do jogo, mas o que se passou neste e num outro livre do segundo tempo foi simples incompetência (com Ricardo a juntar-se à defesa no lance do terceiro golo). Claramente, e voltou à ideia que tinha à partida, o método é a mais irrelevante das discussões quando a interpretação dos lances é feita de forma tão primária.

O que se viu após o duplo golpe alemão foi apenas um reforço para a frustração da derrota. Portugal depressa adoptou um 4-4-2 com Deco numa das alas até à entrada de Postiga (penso que Scolari deveria ter colocado Deco no meio bem mais cedo, lançando mais um extremo), e Ronaldo nas costas de Nuno Gomes. A alteração é compreensível e pode dizer-se até que resultou. A Alemanha não teve facilidades em controlar Portugal e, por outro lado, raramente ameaçou Ricardo. A frustração surge precisamente aqui, na contradição entre a capacidade da reacção portuguesa e a forma primária como, ainda assim, se perdeu o jogo.

Individualidades
Como ponto negativo, e porque Portugal falhou essencialmente nos lances dos golos, ficam as acções decisivamente negativas de Bosingwa, Ricardo Carvalho, Ricardo e Paulo Ferreira (este, talvez, o mais negativo de todos e não só por ter estado em 2 golos).
Quanto às notas positivas: Deco, claro. Fantástico jogo do 20, que não merecia (nem ele nem quem gosta de futebol) que fosse privado de dar continuidade à sua performance neste Euro. Foi sempre a referência portuguesa para a posse de bola, mesmo quando actuava sobre um flanco, e não fez por menos, interpretando todas as jogadas com grande qualidade. Nota para o lance do primeiro golo. É ele quem lança a transição, libertando-se de forma notável de dois jogadores antes de lançar Simão.
Outro nome em destaque foi, também mais uma vez, Pepe. Outro que merecia ter continuado e, afirmo-o sem problemas: é o melhor central do Euro até agora.

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18.6.08

França - Itália: Quem desilude mais?

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Era um dos jogos mais aguardados mal foi conhecido o sorteio inicial. A verdade, porém, é que França e Itália protagonizaram um duelo que pareceu sempre um concurso para ver quem mais merecia perder do que uma normal disputa positiva pela vitória. Nesse aspecto, foi evidente, os franceses superiorizaram-se, tornando quase inevitável uma eliminação que foi aproveitada pela Itália para seguir em frente, também, graças à prestação holandesa. Mais vamos por partes:

França
Se me perguntassem que selecções me desiludiram neste Euro, poderia falar da Polónia, não pelas prestações individuais, que já se sabia não serem grande coisa, mas pela estratégia definida por Leo Beenhakker, contrastante com aquilo que se viu na qualificação. No entanto, a um nível muito mais evidente em matéria de decepções vem, sem dúvida, a selecção francesa.

De facto, julgo ser difícil fazer um trabalho pior do que aquele que Domenech realizou. No primeiro jogo, frente à Roménia, um deserto de ideias com um 4-4-2 clássico completamente despropositado, sem ligação ofensiva e sem qualquer princípio de jogo que fosse interpretado com uma qualidade colectiva suficiente para que se dissesse que aquilo que viamos era uma equipa e não um simples conjunto de jogadores.

Frente à Holanda mudanças positivas, retirando um avançado e colocando Ribery mais solto. Aqui a fortuna não foi muita, é certo, mas nessa partida veio ao de cima outro aspecto que marcaria esta prestação francesa: uma gritante falta de concentração individual. Assim, a Holanda cumpriu o plano, chegou à vantagem (tirando partido da lacuna que referi) e, depois de sofrer e sobreviver ao melhor período gaulês na competição, transformou a vitória numa expressiva goleada.

Finalmente, o teste definitivo: a Itália. Regresso ao 4-4-2 sem ideias e mais mexidas, incluindo uma adaptação de Abidal a central, como se a França tivesse poucas soluções de raiz para essa posição. Assim, no terceiro jogo, juntou-se tudo o que de mal se havia visto nas primeiras 2 partidas: limitações colectivas e lapsos de concentração individuais. O resultado foi, inevitalmente, a derrota.
Sinceramente tenho dificuldades em perceber que tipo de preparação fez a França. O que é que Domenech pensou sobre a sua estratégia e que tipo de treinos fez? É que não pareceu mesmo nada que alguém tivesse preparado fosse o que fosse...

Itália
Qualificou-se e, pode dizer-se, que até não desmereceu a chegada aos quartos. A verdade, porém, é que nunca mostrou futebol ao nível de um candidato.

Esta equipa Italiana será, daquelas que vão chegar aos quartos de final, aquela que menos recorre a um jogo apoiado. Donadoni optou por apresentar uma réplica (com diferenças óbvias em relação ao original) do 4-3-2-1 do Milan, tentando tirar partido da força dos 3 homens de meio campo para as recuperações e da sua qualidade de passe para os repetidos passes de rotura que têm como objectivo tirar o melhor partido do poderio físico de Luca Toni e da capacidade de movimentação dos 2 homens que mais perto dele jogam.

Ainda assim, pode dizer-se, que a melhor qualidade desta Itália esteve no seu processo ofensivo, conseguindo criar situações de golo suficientes em todos os jogos para ter marcado mais golos do que aquilo que realmente fizeram. Já defensivamente as coisas foram francamente negativas. Perante ataque organizado, o seu pressing nunca foi verdadeiramente eficiente (contra a Holanda esse foi um aspecto decisivo), e em transição sofreu igualmente alguns dissabores (o que costumava ser raro em selecções italianas do passado). Para completar o cenário, falta falar da concentração individual, também abaixo do nível que se espera numa formação como a Italiana.

Já aqui referi que as equipas que normalmente ganham estas provas são aquelas que melhor evoluem durante a competição, mais do que as que melhor se preparam. Neste aspecto, a Itália tem todas as hipóteses de recuperar o terreno perdido, sendo, não pelo que demonstrou mas pelo potencial que se lhe reconhece, uma candidata ao triunfo final. O que não posso aceitar são os comentários assentes em preconceitos, que, previsivelmente, agora dizem que esta é uma equipa forte defensivamente, calculista, cínica, etc. etc... É que não creio mesmo nada que Donadoni tivesse este sofrimento nos seus cálculos ou que a selecção italiana tenha controlado fosse o que fosse. A coisa saiu bem, muito por culpa da desastrosa prestação francesa, mas o calculismo e cinismo foi o mesmo daquela equipa que, com Trappatoni, foi eliminada do Euro 2004 por depender de terceiros para se qualificar...

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16.6.08

Portugal - Suíça: Resultado irrelevante, algumas ilações

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Ao terceiro jogo a primeira derrota. Já se sabia da ausência total de importância da partida para o que resta da competição. Mesmo assim parece inevitável que os jogadores sejam bombardeados com a pergunta: “de que forma esta derrota poderá afectar a prestação nos quartos de final?”. Em termos racionais esta é uma ligação sem sentido, mas como o futebol é um jogo mais emocional do que racional, eu diria que o efeito do jogo da Suíça será aquele que a equipa portuguesa quiser...

A partida começou com uma evidente superioridade lusa, quer pela maior qualidade individual, quer pela forma como, tacticamente, a Suíça não encontrava linhas de passe para a sua construção. O jogo foi-se equilibrando progressivamente mas neste período começou a vir ao de cima aquela que será, talvez, a principal justificação para a derrota: a ineficácia na concretização. Ainda assim, foi também ainda no primeiro tempo que ficou igualmente patente, e mais uma vez, as dificuldades de Portugal nos pontapés de canto, com Ricardo a não ser dominador nas bolas que atravessavam a sua zona de baliza. Parece-me que a estatura menos imponente do guarda redes português faz alguma diferença neste aspecto, quando comparamos com outras figuras deste Europeu.

Na segunda parte, demorou 10 segundos a haver um remate dos suíços, dando o tónico para uma diferença de atitude e determinação perante o jogo que se compreende e que acabou por ser fundamental para o desfecho do jogo. Mas a verdade esta reacção não tem só mérito suíço... No segundo tempo, e para além da maior vivacidade imposta ao jogo, a Suíça passou a pressionar não só mais agressivamente, mas também mais alto. Portugal tem aqui bastante demérito pela forma ineficiente como explorou essa situação, não sendo suficientemente paciente nem criando movimentações que possibilitassem sair da pressão adversária. Aqui, e porque a formação suíça tem uma disposição táctica muito parecida com a Alemanha, nota para a importância dos movimentos no espaço entre linhas perante um meio campo de apenas 2 médios centro. Portugal, sem ter um jogador declaradamente a actuar nessa zona, tem de fazer os seus extremos surgir a criar os desequilíbrios. Isso não aconteceu nesse período com Nani e Quaresma a permanecerem muito junto à linha, facilitando a tarefa da pressão suíça. Nota na fase final para o recurso a Hugo Almeida. Espero que Portugal nunca venha a recorrer a um jogo directo iludindo-se com a estatura do jogador. É que a característica física de uma individualidade não é suficiente para que o colectivo seja minimamente eficaz na utilização desse recurso.

A opção Meira
Tal como havia antecipado, Scolari utilizou Meira a pivot defensivo. Visto o jogo, parece-me que o comportamento do jogador do Estugarda foi positivo, com um posicionamento que se aconselha para o jogo com a Alemanha. Aqui, não está em causa a estatura do jogador (a Alemanha não recorre ao jogo directo como opção primária do seu jogo) mas sim o seu perfil posicional, no entanto, parece-me que Meira pode mesmo vir a ser titular frente aos alemães, com a manutenção de Petit no onze a não ser uma possibilidade a excluir.

Individualidades
Não quero fazer demasiadas apreciações a este nível, mas ainda assim não deixo de fazer dois destaques, um positivo, o outro negativo. Pela positiva, Veloso. Tinha referido antes do Europeu que a sua qualidade de jogo ficaria evidente se Scolari recorre-se a ele durante o Euro e assim foi. Não lhe reconheço grandes qualidades nem no posicionamento nem na agressividade sem bola, mas quando o jogo lhe chega aos pés é um fora de série. Se souber evoluir e se tiver quem tire partido desse seu atributo pode tornar-se num dos melhores jogadores do seu tempo na primeira fase de organização. Menos crónica é apreciação negativa que faço ao jogo de Miguel. Todos conhecemos o potencial, o momento é que parece não ser o melhor, tanto no aspecto físico como no decisional....

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15.6.08

O interesse táctico do Portugal-Suíça

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Ter mais de uma semana de intervalo entre a fase de grupos e os quartos de final, conhecendo de antemão aquele que será, com grande probabilidade, o seu adversário é um luxo que muito poucas equipas tiveram na história destes campeonatos. Pelo meio há um jogo que Portugal tem que jogar, mas que deve ser encarado como parte do “plano-Alemanha” e não como um jogo de competição ou mesmo com a obrigatoriedade de fazer uma rotatividade total dos jogadores. Esta oportunidade de usar o treino de forma mais intensa do que é comum para preparar o futuro vem numa altura óptima para Portugal. É que para além dos aspectos que há a melhorar (e que são normais para esta fase), prevê-se que Portugal vá agora enfrentar um novo desafio táctico nesta sua aventura no Euro 2008: jogar contra uma equipa com 2 avançados. Nesse aspecto em particular, a Suíça será um excelente teste já que tem uma matriz de jogo – tanto ao nível do sistema como dos princípios – muito semelhante à Alemanha (e, já agora, a Austria).

Assim, a questão que se coloca agora a Portugal é como é que vai lidar com a poderosa dupla de avançados dos alemães. Aqui há 3 hipóteses:

(1) Jogar com um 2 para 2 na zona central da defesa
(2) Colocar um lateral a jogar por dentro, libertando um dos centrais de acções de marcação directa
(3) Baixar o pivot defensivo para libertar um dos centrais da marcação directa

Dentro destas hipóteses, Scolari já deu uma ideia, nos treinos, de que a sua opção passará provavelmente pela hipótese (3). Nessa perspectiva, ganhará força a ideia de poder haver uma alteração no onze português, com Meira a entrar para a posição de médio defensivo (o que não quer dizer que seja Petit a sair).

Devo confessar, no entanto, que esta opção não é aquela que mais me agrada. Reconhecendo uma enorme qualidade nos avançados alemães (particularmente a inteligência dos movimentos de Klose), creio que Portugal não deve perder a oportunidade de se superiorizar na zona central, perante uma equipa alemã com apenas 2 homens nessa zona. Essa é uma situação que foi fundamental para o sucesso dos croatas frente aos alemães e, creio eu, devemos aprender com isso, nem que seja para obrigar os Low a fazer improvisações tácticas. Assim, admitindo uma maior proximidade do pivot de meio campo aos centrais, creio que é importante a presença de um jogador posicional nessa zona. Para controlar, quer os movimentos de Ballack no espaço entre linhas, quer o “baixar” de um dos avançados para essa zona.

Excluindo, por este motivo, a hipótese (3), creio ser ainda menos aconselhável optar pela (2), já que os alemães utilizam muito o ataque pelos médios ala que cairão sempre que possível na zona dos laterais. Sendo assim, e reconhecendo o risco de jogar 2x2 na zona central, creio que a solução (1) seria a mais adequada das soluções.

Para quem gosta destes debates tácticos, o jogo com a Suíça (que também joga com o 4-4-2 clássico) deverá servir para perceber um pouco melhor quais as opções de Scolari, quer em termos da persistência na solução (3) apresentada nos treinos, quer no que respeita à possibilidade de introduzir novas caras para um eventual ajuste táctico.

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14.6.08

A questão das bolas paradas...

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É um tema que, embora não tenha nunca merecido “honras” de um post, tem sido episodicamente discutido em alguns comentários de jogos: as bolas paradas. Recupero este assunto depois de alguma discussão que surgiu após o jogo com a República Checa, não só pelo golo sofrido mas igualmente pelas dificuldades sentidas em defender esse tipo de lances. Mas o tema que quero discutir em particular é aquele que, com um timing muito oportuno foi lançado por alguma imprensa: a opção entre defender à zona ou ao homem.
Esclareço, antes demais, que não tenho preferência por nenhum desses métodos, sendo que há circunstâncias que justificam a aplicação de um ou de outro. Aqui ficam as vantagens de ambos os métodos:

Homem-a-homem
Deixar alguns jogadores na frente:
Apenas com a marcação ao homem se aconselha deixar alguns jogadores adiantados para fixar defesas adversários. É que uma marcação zonal requer um elevado número de jogadores para que se possa cobrir eficazmente toda a área.

Média de alturas mais baixa: Este motivo parece não ser consensual mas, para mim, faz todo o sentido. Numa equipa de jogadores mais baixos parece-me aconselhável optar pela marcação ao homem. Porquê? Porque assim são os defensores a escolher os jogadores que vão marcar, podendo, naturalmente optar por um ajustamento favorável em termos de estatura (isto é, jogadores mais altos são marcados pelos mais altos, e os mais baixos pelos mais baixos). No caso de um método zona, as áreas da “responsabilidade” de cada defensor estão previamente definidas, o que, no caso de existir uma grande diferença de estatura, pode ser uma opção muito favorável para quem ataca. Imaginemos, por exemplo, o que será o Koller a atacar a zona reservada para João Moutinho ou Petit!

Zona
Maior eficácia defensiva: Estando reunidas as condições para fazer uma marcação zonal, ou seja, havendo uma média de alturas elevada e disponibilidade para colocar muitos jogadores na acção defensiva, parece-me que o método zonal pode ser, potencialmente, mais eficaz. Isto porque os jogadores estão colocados de uma forma racional à partida, podendo concentrar-se essencialmente na abordagem à bola.

O caso Portugal
Portugal opta por uma marcação ao homem (com 2 jogadores colocados zonalmente ao primeiro poste). Tendo em conta o que escrevi anteriormente, pode-se perceber que compreendo as razões por esta opção: a estatura de jogadores como Simão, Deco, Moutinho e Petit e o facto de Scolari deixar 3 jogadores na frente. Ainda assim, penso que seria possível colocar definir uma marcação zonal no caso de Portugal, desde que estes 4 jogadores fossem colocados em zonas em que o duelo aéreo fosse menos provável (por exemplo, cobertura dos 2 postes). Ainda assim, parece-me que as questões levantadas em torno do método usado, depois do golo sofrido, pecam sobretudo pela evidente falta de sentido de oportunidade, mas igualmente por alguma falta de rigor nos motivos apresentados. Dizer-se, por exemplo, que o método zonal requer mais inteligência ou sentido colectivo é algo que não tem qualquer lógica para uma acção em que, ao contrário do que se passa no jogo corrido, não há dinâmica de jogadores e equipas na protecção da zona a defender. Defendo, portanto, que mais do que a alteração do método há que rever a forma como estamos a interpretar este método e como podemos melhorar.

Os exemplos do Euro 2008
Tal como acontece ao nível de clubes, nas selecções do Euro é esmagador um número de equipas que optam pela marcação homem-a-homem (variando no número e posicionamento de jogadores colocados à zona, com algumas equipas a colocarem jogadores em ambos os postes, algumas apenas no primeiro e outras apenas no segundo).

A saber, apenas Alemanha, Austria, Rep.Checa e Espanha optam por uma marcação zonal. Se no caso das 3 primeiras o factor altura é claramente favorável, no caso da Espanha tal não ocorre. Curiosamente, o golo sofrido pelos espanhóis acontece de canto, numa jogada em que a estatura de Xabi Alonso não foi suficiente para o jogador russo que apareceu na sua zona.

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Holanda: a astúcia da segunda face da "laranja"

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Depois de 3-0 à Itália um 4-1 à França. Por muito que a Holanda seja uma candidata crónica é difícil dizer-se que esta não é a mais surpreendente das performances do Euro. Em relação ao jogo com a Itália, não houve alterações na estratégia e disposição inicial dos holandeses mas, independentemente da expressividade dos números e ao contrário do que acontecera com a Itália, penso que a vitória holandesa se começou a desenhar com uma boa dose de felicidade. De facto, uma França bem melhor do que aquela que havia empatado frente à Roménia começou por sofrer um golo “a frio” e, depois de um período traumático após o golo, soltou-se para uma série de oportunidades que mereciam melhor sorte do que aquela que tiveram.
A forma como a Holanda e Van Basten responderam à adversidade criada pelos franceses é o ponto que me merece maior destaque na partida. É que, ao contrário do que é habitual, as opções de Van Basten aparentaram ser mais ofensivas do que defensivas. Com 1-0 no marcador e ao trocar Engelaar (por muito que se elogie este estático médio com os resultados colectivos, não me custa nada perceber como não passou até agora do Twente!) por Robben e Kuyt por Van Persie, Van Basten parecia estar a cometer o contra-senso de retirar capacidade defensiva à equipa, mas a sua visão foi altamente astuta para o momento do jogo. É que, ao contrário do que acontecera na fase inicial, a melhor forma de surpreender o adversário não estava no aproveitamento do espaço entre linhas mas sim na verticalidade e profundidade que se conseguisse dar às transições. Van Basten percebeu que para ganhar dificilmente bastaria defender o 1-0 e que o adiantamento da França lhe dava uma óptima oportunidade para matar o jogo em transição. Assim, mudou o perfil do seu meio campo, garantindo maior qualidade a um primeiro passe que entrava frequentemente no apoio recuado oferecido por Van Nistelrooy antes deste lançar a velocidade e imprevisibilidade de Robben ou Van Persie. Se é verdade que houve algum sofrimento defensivo causado pela dimensão da ofensiva francesa, depressa ficou claro que o tempo apenas poderia trazer mais golos à Holanda, tais eram as condições de que usufruia o seu contra golpe.
A Holanda não é uma equipa ofensiva – como se tem tendência a dizer – é, antes sim, uma formação muito pragmática e inteligente na forma como aborda os momentos do jogo e, se é ainda uma incógnita o seu destino na competição, pode dizer-se que as “lições tácticas” de Van Basten no dito grupo da morte entram já de forma bem vincada para a história do Euro 2008.

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11.6.08

Portugal - Rep.Checa: Mais do mesmo, se faz favor!

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Depois da Turquia, chega a vez da República Checa, num embate que colocará Portugal entre 2 cenários já vividos em 2000 e 2002. No primeiro caso, poder descansar algumas unidades no derradeiro jogo, no segundo, ter a ingrata missão de ter de conseguir um resultado no último jogo do grupo e perante uma equipa anfitriã.

No rescaldo do jogo com a Turquia, referi que a boa exibição nacional deve ser contextualizada com uma ausência de estratégia específica dos turcos para jogar com Portugal, algo que estou em crer acontecerá sobretudo se Portugal chegar a fases mais adiantadas da prova. Frente aos checos não estou certo que Bruckner possa apresentar algo específico para contrariar o maior potencial português, mas por aquilo que a selecção checa deu a conhecer poderemos ter a certeza de uma oposição diferente da turca.

Rep.Checa: 4-2-3-1, meio campo muito preenchido, mas pouco rotinado
Como antecipei após a experiência de Bruckner frente à Escócia, a Rep.Checa poderia apresentar um sistema diferente do 4-1-3-2 que havia sido responsável por um futebol atractivo em termos ofensivos no passado. A verdade é que as saídas de Nedved, Poborsky e a lesão de Rosicky enfraqueceram de sobremaneira o meio campo que, não só não era capaz de oferecer a mesma vivacidade ofensiva, como passou a tornar-se permeável a transições dos adversários. A solução de Bruckner foi acrescentar um pivot defensivo ao meio campo, retirando o elemento de apoio a Koller. É por aqui que se explica o 4-2-3-1 actual da Rep.Checa, num modelo que deve ser reproduzido frente a Portugal, ainda que possa existir uma ou outra nuance de Bruckner, sobretudo se o treinador assumir que Portugal vai ser o dono do jogo e que será mais aconselhável adoptar uma estratégia que aproveite sobretudo os momentos de transição.

A verdade é que, tanto no último embate de preparação, frente à Escócia, como no jogo com a Suíça, a mecânica do jogo checo revelou-se muito abaixo do exigível, em termos de organização e entrosamento colectivo. Em termos ofensivos a equipa não tira proveito dos imensos apoios que tem no meio campo para a posse de bola, revelando problemas na sua primeira fase de construção e sendo vulnerável a pressão. Outra característica que inibe o jogo ofensivo checo, quando em organização, é a sua pouca apetência para usar os flancos, com Plasil e Sionko (parece-me ser este o mais perigoso dos médios checos) a terem mais tendência para aparecer por dentro. Assim, em termos ofensivos (em bola corrida, entenda-se) o movimento que mais pode preocupar a Selecção nacional é a utilização de Koller como pivot, solicitando depois o aparecimento dos médios no espaço entre linhas. Este movimento pode ser mais perigoso se Moutinho e Deco forem atraídos para zonas muito distantes de Pepe e Carvalho e merece algumas atenções de Scolari, recomendando-se uma atenção aos laterais para não ficarem demasiado abertos.
Em termos defensivos, espera-se que a Rep.Checa possa ser mais forte do que a Turquia quando Portugal atacar em organização. Primeiro pela qualidade individual dos seus jogadores (guarda redes incluído), depois pela maior presença numérica de jogadores checos no meio campo defensivo. Há, no entanto, potencial para aproveitar as tais dificuldades checas em posse de bola, podendo iniciar aí transições perigosas. Para além deste aspecto, os checos revelaram-se pouco agressivos nos duelos individuais, o que explicou alguns desequilíbrios consentidos frente à Suíça. Mais um ponto a explorar...

Portugal: Mesma fórmula: concentração máxima
Depois da exibição frente à Turquia e numa fase precoce (espera-se!) da competição, aconselha-se que o modelo de jogo idealizado se possa consolidar dentro de um onze. Num jogo como aquele frente à Rep.Checa não há qualquer motivo para contrariar essa intenção, não querendo isto dizer, obviamente, que se ignorem ou deixem de estudar pequenas nuances específicas do adversário. De resto, e para além desses tais ajustes, volto a reforçar a ideia da importância decisiva de fazer um jogo de máxima intensidade, tanto em termos de concentração como de ritmo (leia-se gestão de ritmos). Portugal esteve muito bem neste plano frente à Turquia, errando muito pouco e gerindo de forma exemplar os ritmos do jogo. Nova faceta neste plano deverá garantir a qualificação.

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Espanha: Espectáculo garantido!

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Se ontem falei aqui de algum preconceito criado em torno da superioridade da equipa italiana, hoje tenho de chamar à atenção um outro, e em sentido contrário, em relação aos espanhóis. É verdade que a Espanha tem falhado sucessivamente e também sou da opinião de que há aspectos colectivos que não são explorados da melhor forma, mas não é pelo passado que uma equipa de jogadores jovens e muito talentosos deve ver a sua qualidade subvalorizada. O que se assistiu frente à Rússia foi, precisamente, uma prova da qualidade dos jogadores espanhóis, que fazem parte dos principais candidatos à vitória, ainda que discorde de algumas opções tácticas...

Primeiro os elogios à mais volumosa vitória até ao momento. A Espanha tem uma qualidade de posse de bola na sua primeira fase ofensiva sem rival ao nível de selecções. Adiantar as linhas para pressionar uma equipa que tem Xavi, Iniesta, David Silva e Senna no meio campo e que conta ainda com os apoios de Torres e Villa é uma espécie de kamikaze estratégico e foi isso que fez a Rússia no segundo tempo, originando assim aquela que terá sido a melhor série de jogadas do Euro até agora. Para além desta capacidade, os espanhóis contam com uma série de soluções para a frente de ataque que pode render vitórias em qualquer jogo. Particularmente, Villa e Torres são jogadores temíveis e de grande qualidade. Que o diga a Rússia!

Agora, o outro lado da equipa espanhola. Querendo confiar num pivot defensivo como Marcos Senna, com a qualidade de médios interiores que tem ao seu dispor e com a “obrigatoriedade” de jogar com 2 avançados, por que é que Aragones não opta por um meio campo em losango em vez do 4-4-2 clássico? A verdade é que ao optar por esta disposição a equipa espanhola parece incapaz de pressionar mais alto, o que seria aconselhável para uma equipa que gosta tanto de ter a bola. Ao invés, a sua linha de 4 homens permanece quase sem alterações quer a bola esteja do lado direito ou esquerdo, sendo obrigada a juntar-se à linha mais recuada, compondo um bloco demasiado baixo e pouco fiável (aqui a responsabilidade vai para alguma falta de capacidade defensiva da equipa espanhola). Mas também em posse a equipa espanhola pode ter algumas dificuldades com este dispositivo. É que mesmo com uma linha de quatro homens no meio campo, a equipa não encontra muitas referências de passe sobre os flancos (sobretudo sobre o lado direito, com Ramos como lateral e Iniesta permanentemente a surgir na zona de Xavi) e a sua progressão faz-se invariavelmente pelas soluções que os 2 avançados consigam oferecer à construção. Estes problemas foram evidentes na fase inicial da partida e, não fora a desastrosa prestação russa em termos defensivos e a qualidade dos seus avançados, bem poderia esta ter sido uma estreia mais complicada.

Por tudo o que referi, parece-me haver um misto de enorme potencial individual e melhorias a introduzir no plano colectivo. A Espanha tem margem de erro para evoluir mas, francamente, desconfio da visão de Aragones que, com a expressão desta vitória, ainda deve ter menos olho para os defeitos tácticos da sua equipa. Uma coisa é certa, da Espanha poderemos sempre esperar bons espectáculos.

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