Benfica - Naval: O monólogo que terminou à cabeçada

Um jogo é suposto ser um diálogo e quando, como aconteceu neste caso, se aproxima tanto de um monólogo torna-se naturalmente menos interessante. Isto, apesar da incerteza provocada pelo arrastar do nulo até ao final. A responsabilidade é, claro, em primeiro lugar da qualidade do Benfica, mas deve também ser dividida com a atitude da Naval, que muito facilmente se submeteu a um jogo muito baixo e sem arriscar minimamente em termos de zona de pressão. Foi, na sequência de outros casos aqui referidos recentemente, mais um exemplo das dificuldades que se sente quando se enfrenta um adversário tão fechado como aconteceu.

Para se chegar ao objectivo, o golo, pode-se utilizar 3 vias que decorrem da própria natureza do jogo. Em organização, em transição ou de bola parada. Quando uma equipa não arrisca minimamente em termos ofensivos retira, desde logo, uma das vias. A da transição. Esse foi o primeiro obstáculo do Benfica. Sem possibilidade de usufruir de transições é muito mais complicado apanhar o adversário em momentos de desorganização e torna tudo muito mais dependente de rasgos de criatividade e inspiração que possam contornar a inferioridade numérica no último terço. O problema é que isso não aconteceu com abundância e apenas Di Maria se mostrou capaz de “abrir a lata” figueirense (aqui entra o tal factor de desgaste mental dos jogadores, invocado por Jesus). Deste modo, restavam as bolas paradas. E assim, mesmo tardando, aconteceu. Fica, mais uma vez, saliente o mérito encarnado para este tipo de situações que, diga-se, não podem ser vistas como uma espécie de recurso menos digno. E muitas vezes são.

Sobre a Naval, começo por dizer que, para mim, não há estratégias mais ou menos positivas. Cada um traça o plano que entende e tem toda a legitimidade para isso, mesmo não agradando a terceiros. Dito isto, elogio a atitude e o espírito de sacrifício dos jogadores da Naval, mas também realço que, para além desses factores, há pouco mérito naquilo que fez.
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4 comentários:

andre disse...

Boa análise, creio que ficou a evidente a importancia do Cardozo na equipa do benfica..

continua o bom trabalho
visita http://11contra11.blogs.sapo.pt/

ricnog disse...

há jogos assim...A Naval tem qu e ser elogiada, mas penso que não houve aquela "sorte" para poder fazer o golo anteriormente. O guarda redes deve ser louvado, pois fez uma exibição impecável.

A Naval fez o jogo que achou mais útil para si e mesmo assim esteve muito perto de empatar, naquele pontapé de bicicleta. O que me parece que se fosse um pouco mais atrevida, poderia ter saído com um resultado diferente, pois acho que a naval ainda tem alguns jogadores com potencial na frente.

Este jogo relata bem o problema que falamos em um post anterior. Se bem que acho que o Benfica tem que estar motivado em todos os jogos do campeonato, pois eles não são campeões à muito tempo.

Ricardo Nogueira
www.geracaoaventura.com

João disse...

resumia a análise deste jogo a isto:
http://monosdabola.blogspot.com/2009/11/afinal-nao-era-batalha-naval.html

ricnog disse...

Ñão acho que o Cardozo tenha sido assim tão importante para o jogo do Benfica. Parece-me mais que até foi melhor ele não estar, pois assim o ataque tornou-se mais móvel, sendo uma boa adversidade para defesas muito densas...Acho que as oportunidades não faltaram.

As bolas paradas são uma boa solução...e o benfica nisto está à frente dos outros clubes....há já algum tempo, visto ano passado ser muito forte também.