
Não é suposto ser tão fácil. As meias finais da Champions são jogos tipicamente de detalhe e sem uma superioridade clara. Os nomes dos emblemas faziam supor isso mesmo, mas se vista a ficha de jogo logo se desconfiou de alguma superioridade caseira, com os primeiros minutos esse sentimento ganhou outra expressão, ficando desde aí evidente uma enorme diferença de potencial entre as equipas. A este nível, a concentração é máxima e são raros os erros colectivos, especialmente em equipas com modelos tão rotinados. Se até aqui as equipas se equivalem genericamente, muito claramente tal não acontece ao nível da capacidade individual. Havia na realidade uma grande diferença individual entre os 2 conjuntos e a sensação de um Arsenal impotente a consequência inevitável. Para o interesse da eliminatória valeu a misericórdia do United que se limitou a vergar o seu adversário, deixando-lhe no entanto alguma margem para se reerguer na segunda mão.
Man Utd: simplesmente superior
Se o Arsenal apareceu fragilizado, o United não deu hipóteses e fez um excelente jogo, dominando nas várias fases da partida. A entrada foi imperial. Quer pela forma como dominou o adversário e o impediu de sair a jogar, quer como, com bola, não manifestou ansiedade, preferindo períodos de mais segurança e menos verticalidade, e esperando pelo melhor momento para entrar num bloco que, naquela altura, nada arriscava na concepção de espaços. A qualidade do seu futebol não lhe tardou a dar um golo mais do que esperado. Às mudanças no cariz do jogo e postura do adversário, o United respondeu sempre com grande maturidade, mantendo um domínio quase absoluto em todos os momentos. O senão de tudo isto vai, claro, para a finalização que terá ficado a dever pelo menos 2 golos àquele que O’Shea tão prematuramente conseguiu.
Individualmente, não posso evitar alguns destaques. Anderson foi um dos melhores em campo. Não que tivesse sido perfeito nas suas acções e decisões, mas o seu papel foi fundamental no domínio da zona central, parecendo ser quase sempre o elemento diferenciador na batalha desse sector. Tevez só me surpreende por ser tão pouco utilizado. Com ele o United ganha quase sempre outra vivacidade e outra qualidade, pela forma inteligente e activa como se movimenta e pela qualidade com que procura combinações quase sempre curtas e rapidíssimas que quase sempre desequilibram – foi assim que nasceu a jogada que antecedeu o canto do golo. Ronaldo mostra, para quem quer ver, o porquê de ser provavelmente o jogador mais valioso do futebol actual. Jogando a partir da direita, ganha muito quando a equipa opta pelo corredor oposto para atacar. É assim que ele aparece em melhores circunstâncias, ora no espaço a responder a variações de flanco, ora em combinações na zona central (como ganha com a presença de Tevez!), ora em abordagem a cruzamentos onde é dos mais temíveis finalizadores na actualidade. Compare-se a forma como é servido no clube e na Selecção e talvez se entenda melhor as reais razões para a diferença de rendimento...
Arsenal: daria para pedir mais?
Antes do jogo, vale a pena perguntar como é que chega a este nível uma equipa com tão humildes recursos. Naturalmente que as lesões são a principal justificação mas não posso esconder a admiração por se conseguir, ano após ano, estar entre os melhores com um nível de investimento incomparavelmente inferior. Não me canso de repetir, o modelo do Arsenal deve ser um modelo para os clubes de menores recursos.
Com uma equipa manifestamente abaixo da qualidade exigível para este nível, Wenger tentou uma pequena manobra táctica, já vista na primeira mão frente ao Villareal. A ideia passou por reforçar a zona central, utilizando Fabregas como uma espécie de “joker”, que se juntava a Adebayor para pressionar, mas que baixava para construir em posse. A verdade é que essa variante táctica nunca produziu efeitos práticos desejados, apesar de Wenger nunca a ter alterado (inclusivamente, lançando Bendtner para jogar sobre a direita!). A equipa teve dificuldades em segurar o móvel e dinâmico ataque do United, mas foi com bola que mais falhou. Primeiro, ao não conseguir fazer um primeiro passe útil que permitisse sair do pressing do United, em transição. Foi devido a esta lacuna que a equipa foi tão massacrada no primeiro tempo. Depois, quando o United lhe permitiu ter mais bola, nunca conseguiu criar linhas de passe verticais que permitissem à equipa evoluir para zonas mais próximas da baliza, faltando-lhe sempre um elemento que ajudasse Adebayor nessa tarefa. Ficará para sempre por saber o que aconteceria se Wenger tivesse em algum momento arriscado por aquele que é, afinal, o seu modelo base, mas a verdade é que o que se viu não foi uma resposta minimamente à altura das dificuldades que lhes foram colocadas.
Antes do jogo, vale a pena perguntar como é que chega a este nível uma equipa com tão humildes recursos. Naturalmente que as lesões são a principal justificação mas não posso esconder a admiração por se conseguir, ano após ano, estar entre os melhores com um nível de investimento incomparavelmente inferior. Não me canso de repetir, o modelo do Arsenal deve ser um modelo para os clubes de menores recursos.
Com uma equipa manifestamente abaixo da qualidade exigível para este nível, Wenger tentou uma pequena manobra táctica, já vista na primeira mão frente ao Villareal. A ideia passou por reforçar a zona central, utilizando Fabregas como uma espécie de “joker”, que se juntava a Adebayor para pressionar, mas que baixava para construir em posse. A verdade é que essa variante táctica nunca produziu efeitos práticos desejados, apesar de Wenger nunca a ter alterado (inclusivamente, lançando Bendtner para jogar sobre a direita!). A equipa teve dificuldades em segurar o móvel e dinâmico ataque do United, mas foi com bola que mais falhou. Primeiro, ao não conseguir fazer um primeiro passe útil que permitisse sair do pressing do United, em transição. Foi devido a esta lacuna que a equipa foi tão massacrada no primeiro tempo. Depois, quando o United lhe permitiu ter mais bola, nunca conseguiu criar linhas de passe verticais que permitissem à equipa evoluir para zonas mais próximas da baliza, faltando-lhe sempre um elemento que ajudasse Adebayor nessa tarefa. Ficará para sempre por saber o que aconteceria se Wenger tivesse em algum momento arriscado por aquele que é, afinal, o seu modelo base, mas a verdade é que o que se viu não foi uma resposta minimamente à altura das dificuldades que lhes foram colocadas.


8 comentários:
Filipe, avaliar um jogador pela capacidade de luta e pelo poder de choque que empresta à equipa é um pouco primitivo. Tu próprio reconheces que o Anderson não foi perfeito nas suas acções e decisões. Isso é tudo o que basta. Foi precipitado, falhou inúmeros passes, sendo responsável por inúmeras perdas de bola. Posicionalmente, é fraco. Vale pela força e pelo empenho, mas isso é pouco. Esteve longe das exibições de Carrick, Rooney, Evra, Ronaldo ou Tevez e Ferguson reconheceu isso ao tirá-lo para pôr o Giggs.
Independentemente de ter falhado algumas decisões e passes (que aconteceram no último terço, portanto sem comprometer a equipa), Anderson foi para mim um dos jogadores mais importantes no jogo. É um jogador que se posiciona inteligentemente, que tem força e grande qualidade técnica, nunca comprometendo a equipa em posse.
O seu problema está na dificuldade que tem no último terço. Não consegue desequilibrar em jogadas de envolvimento e não tem cultura de abordagem às zonas de finalização, quer na abordagem a esse espaço, quer na execução. Estas são lacunas importantes para um jogador que joga entre o meio campo e o ataque e se não as desenvolver Anderson nunca confirmará o potencial que se anteviu. Mas não deixa de ser um jogador extremamente util, como o demonstrou ontem.
Sobre a substituição, Tevez também foi substituido e foi um dos melhores...
Primitivo é avaliar constantemente os jogadores mediante preconceitos que se têm. Não gosta do Liedson, então toca a desvalorizar o que ele faz, mesmo que a evidência mostre que é o jogador mais importante do Sporting nesta altura. Não gosta do Jesualdo Ferreira, toca a dizer que é fraquinho e que só foi campeão porque aproveitou o trabalho de Adriaanse. Não gosta de Anderson, então toca a dizer que o seu futebol se baseia apenas na força, quando é um jogador igualmente muito talentoso e que foi uma das chaves da vitória do United no Dragão. Gosta do Pereirinha, toca a dizer que é o jogador mais talentoso saído da Academia leonina nos últimos anos, quando de lá saíram Ronaldo ou Nani, por exemplo. Gosta do Farnerud, toca a dizer que o sueco é jogador de futebol. Não gosta do Pepe, toca a criticá-lo por tudo e por nada. Não gosta do Bruno Alves e blá, blá, blá. Gosta do Pai Natal, toca a dizer que o gajo existe e que entrou pela chaminé lá de casa na noite de 24 de Dezembro! Arrrrrrrrre!!!
Hoje Taça UEFA em FTA na sua TV...
Entre e veja aonde poderá ver os jogos da taça UEFA em FTA.
WWW.Futebolnatv.blogspot.com
Cumprimentos
Boa noite do guarda redes do Arsenal, a eliminatpria esta em aberto mas penso que o Manchester e favorito...
Aposto em Barcelona Vs Manchester na Final..
Filipe, é diferente substituir um avançado de um centro-campista. Sobretudo porque as alternativas a Anderson eram Fletcher e Carrick. Ferguson escolheu o brasileiro. Além disso, que não quer dizer absolutamente nada, não é verdade que Anderson tenha falhado apenas no último terço do terreno e que seja fraco apenas na abordagem a zonas de finalização. O problema essencial do Anderson é a capacidade de decisão. Já não vou falar de criatividade (que nunca teve), porque na posição onde joga agora não precisa de muita. Mas ali precisava de ser um jogador correcto no passe, seguro, inteligente a perceber qual a melhor solução para fazer o jogo da sua equipa fluir. E nisso Anderson é fraco. Neste momento, enquanto médio, os seus pontos fortes são a agressividade e a capacidade de luta. É igualmente falso que seja bom em termos posicionais. Não é. Raramente se posiciona bem.
Monsieur Homais, os preconceitos com os quais, segundo tu, eu avalio os jogadores são aquilo que de mais importante os jogadores fazem em campo: as suas decisões. Sem elas, um jogador de futebol não é nada. Andar a correr feito maluco, ser agressivo, ser velocista, ser capaz de fintar 6 jogadores numa jogada são banalidades. E o Anderson, no capítulo das decisões, é um jogador fraco e prejudica demasiado a transição defesa-ataque do Manchester. Quanto ao resto, são os teus disparates do costume.
Nuno,
Não quero mudar a tua opinião sobre o Anderson, estás no direito de achar que ele é não é "jogador correcto no passe", entre outras coisas. Ainda que eu não concorde (sobretudo quando dizes que ele não é seguro no passe).
Apenas te estou a querer dizer que o facto de ter sido substituido não implica seja o que for. Muitas vezes, os treinadores têm as substituições já preparadas em função do que o jogo lhes der e não em função do desempenho individual. Por exemplo, Tevez sairia sempre e Ronaldo nunca sairia. No caso de Anderson, não sei qual a opinião de Ferguson, mas não vejo a sua saída como sinónimo obrigatório de uma má opinião de Ferguson sobre a sua exibição.
Aliás, pelo mesmo argumento (mas neste caso com certeza da implicação), podes concluir que o Ferguson não partilha da tua opinião sobre o jogador, já que lhe dá um papel fundamental em jogos absolutamente decisivos, à frente de outros jogadores mais experientes...
Como eu disse, a substituição do Ferguson não significa que o Anderson seja mau. Aliás, o Ferguson gostará de muitas das suas características. Mas o Ferguson não tirou o Fletcher, que é um jogador banalíssimo a todos os níveis e inferior ao Anderson, por exemplo, na agressividade (coisa pela qual, creio, Ferguson lhe tem dado tantos minutos). Logo, isso há-de significar alguma coisa. Não digo que o treinador não o considere importante para algumas coisas, mas desconfio que não é na criatividade ou na capacidade de passe que reside a sua utilização.
http://www.ipetitions.com/petition/revolucaofutebolportugal/
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