- Neuer será uma das grandes referências das balizas mundiais na próxima década? Assim que dê o "salto", parece-me provável...
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Barcelona 1-0 Schalke
O grande interesse deste jogo estava nos efeitos psicológicos que o momento do Barcelona poderia ter nos seus jogadores e, consequentemente, no complicar ou não de uma eliminatória que já estava muito bem encaminhada com o 0-1 da primeira volta. Tacticamente, uma alteração significativa do lado do Schalke. Em vez da linha de 4 homens com que Slomka encarou os últimos 2 jogos da Champions, o Schalke apresentou-se em Camp Nou com a sua versão mais ofensiva, ou seja, com o losango que tinha em Altintop a unidade mais avançada do meio campo. Do lado do Barça, o 4-3-3 habitual que revelou a diferença, em relação à primeira mão, do regresso de Bojan e Eto’o às suas posições mais naturais. O camaronês no centro do ataque, deixando a ala para o jovem prodígio.
Os primeiros 20 minutos do jogo evidenciaram o pior do Barcelona. O Schalke apareceu apostado em fazer um pressing alto iniciado pelos seus 3 homens mais ofensivos e que assumisse o risco de tentar perturbar a posse de bola de uma equipa que, em condições normais, será das mais fortes da Europa na primeira fase de construção. A verdade é que o Barça acumulou erros incomuns em posse de bola, o que, juntando a uma dificuldade do meio campo em suster a troca de bola dos alemães, resultou numa série de finalizações do Schalke, algumas delas muito perigosas. Os alemães conseguiram com frequência chegar com a bola dominada ao espaço entre linhas, batendo as unidades do meio campo adversário, e partir daí optaram, ou pela meia distância, ou por recorrer ao forte presença de Kuranyi na área contrária. É certo que nesse período o Barça também usufrui de uma soberana oportunidade mas não espantaria se o Schalke tivesse igualado a eliminatória, ficando por saber qual seria o efeito na equipa e público da casa...
Perdida essa oportunidade de surpreender na fase inicial, o Barça foi progressivamente impondo a sua superioridade natural no jogo e, sem revelar grande superioridade, lá conseguiu chegar à vantagem num lance em que a sua posse de bola fez aquilo que dela mais se poderia esperar, bater o pressing adversário e servir em boas condições o seu trio ofensivo. Tudo mudou a partir daí. O segundo tempo mostrou um Barça mais confiante, contrastando com a postura do Schalke bem mais descrente e incapaz de criar dificuldades ao adversário. Com a sua primeira fase de construção a ser muito mais capaz, o Barcelona poderia facilmente ter aumentado a vantagem nos primeiros 20 minutos do segundo tempo, caindo depois o jogo num aborrecido arrastar do tempo até à conclusão da eliminatória.
Não posso deixar de mencionar o que se assistiu quando Rijkaard substituiu Bojan no segundo tempo, numa fase em que a eliminatória estava resolvida. Um mar de lenços brancos apareceu nas bancadas em protesto com uma substituição mais do que natural e que tinha como objectivo a gestão do plantel em fase de sobrecarga de jogos. Esta atitude do público, característica dos países latinos é, para além de irracional, contra producente para a própria equipa, em fase decisiva da temporada. Neste aspecto é bem mais favorável para os interesses das próprias cores a visão britânica da relação entre os adeptos e os funcionários do seu clube.
Enfim, o Barça passa assim às meias finais, revelando as fragilidades do seu momento psicológico que chega a afectar até o que a equipa tem de melhor. De resto, o encontro com o Schalke voltou a mostrar as debilidades da fase defensiva do Barça, que concede muitos espaços fruto da pouca eficácia do seu pressing, bem como a pouca imaginação colectiva do seu segundo momento ofensivo – aqui, mais uma vez, fica claro o perfil desadequado de Henry à função que lhe é entregue. É precisamente pela dependência das explosões individuais dessa fase ofensiva da equipa que me parece fundamental a recuperação de Messi para o confronto com um United.
Man Utd 1-0 Roma
Por considerar o United em momento mais estável do que o Barça – apesar da Roma ser claramente mais forte do que o Schalke – optei por ver o encontro de Camp Nou. Mais uma vez lamento a Sporttv não repetir os jogos...
O United terá mais um teste europeu no que resta jogar da Champions que poderá, ou não, confirmar esta equipa como uma das melhores equipas da história do emblema Inglês e, digo eu, como a mais consistente do panorama europeu actual. Apesar de ser melhor, nesta altura, do que o Barcelona, o Manchester voltará a ter o problema da intensidade competitiva interna na altura da meia final (algo que, ao contrário do Milan em 2007, também deverá impedir o Barça de concentrar as energias na Champions) e ainda outra possível condicionante. É que defensivamente este United é muito diferente com ou sem a dupla formada por Ferdinand e Vidic...
0’ Do lado do Porto, o 4-3-3 mais utilizado na temporada com Tarik de regresso. Uma opção que me parece mais natural do que Farias, tendo em conta o maior tempo de trabalho com o marroquino no onze base. No Schalke, a opção pelo 4-4-2, sem Rakitic e Asamoah. O objectivo é introduzir um meio campo mais preenchido e capaz de fechar em largura, com uma linha de quatro homens nesse sector.
4’ Primeiro lance do Porto com remate de Bosingwa. O Porto entra com vontade de surpreender o Schalke, identificando os momentos de pressão a partir de zonas muito adiantadas, empregando agressividade. O Schalke aparece com um bloco baixo e denso que começa a defender a partir do meio campo. A intenção é controlar o Porto pela densidade numérica, tentando depois sair em transição, aproveitando eventuais erros e a exposição espacial portista. A posse de bola dos Alemães pretende ajudar o tempo a passar, mas a atitude inicial do Porto impede rapidamente que esta intenção tenha sucesso. No Porto, o 4-3-3 habitual apresenta um trio ofensivo muito móvel com os extremos a aparecerem por vezes em comum sobre a esquerda. Há a intenção clara de puxar o bloco alemão para a sua direita, abrindo um espaço onde aparece depois Bosingwa, que tem uma entrada eléctrica no jogo.
12’ A culminar uma fase de pressão sobre a área do Schalke, o Porto vai transformar uma sequência de cruzamentos e segundas bolas num sufoco de que resultam duas ocasiões de seguida. Primeiro, Lisandro na cara de Neuer, depois de uma “invenção” de Lucho à entrada da área e, depois, Tarik de cabeça a ver Neuer negar-lhe um golo feito com um desvio instintivo. A partir daqui o Porto vai permitir que o Schalke controle progressivamente o jogo. Alguns erros em posse de bola (muitas vezes fruto de alguma ansiedade em chegar rapidamente à frente) e uma crescente habituação do Schalke às circunstâncias do jogo fazem com que o Porto não volte a conseguir ser tão perigoso até ao intervalo, apesar de manter sempre o domínio e ascendente no jogo.
45’ 0-0 ao intevalo. Não deixa de ser interessante fazer uma comparação com o jogo e há quinze dias. Na altura a melhor entrada dos Alemães foi aproveitada com eficácia. O Porto respondeu bem no que respeita à entrada em jogo, mas... ficou em branco. Algo que se pode considerar decisivo no desfecho da eliminatória.
50’ Primeiro contratempo para o Porto. Lesão de Bosingwa. O Porto é obrigado a mexer numa peça muito importante do seu esquema. A intenção de deixar o corredor livre (jogando Tarik mais por dentro) para criar espaços para que o lateral utilizasse a sua velocidade foi a arma mais eficiente do ataque portista nos primeiros 50’.
54’ Notável trabalho de laboratório com o livre de Quaresma a servir Lucho e, depois, Tarik, que vem desde a barreira para aparecer na cara de Neuer. A defesa é milagrosa. Terceiro desperdício do Porto no jogo.
57’ Jesualdo completa a alteração de Bosingwa por Mariano, introduzindo Farias para o lugar de Tarik. O Porto passa a assumir uma postura de grande risco no jogo. Preenchendo toda a frente de ataque com Mariano à esquerda, Quaresma à direita e Farias a juntar-se a Lisandro no centro do ataque. Quando em posse de bola a equipa expõe-se posicionalmente com Meireles (agora a fechar a lateral esquerda) a aproximar-se de Paulo Assunção e Fucile a manter vocação ofensiva mas agora sobre a direita.
O Porto volta a empurrar o Schalke para próximo da sua área, utilizando a sua elevada presença numérica nas acções ofensivas para circular a bola a toda largura do campo. Os Alemães haviam entrado muito bem no segundo tempo, identificando momentos de pressão em zona mais subida e forçando alguns erros à posse de bola do Porto, parecendo ter intenção de discutir o jogo no campo todo.
64’ Grande ocasião para o Schalke. Um momento de pressão dos Alemães a precipitar um erro imperdoável em zona recuada que só não resulta em golo porque Hélton consegue defender (ainda que fora da área).
81’ Vermelho para Fucile. As aspirações do Porto na eliminatória ficam seriamente comprometidas com o prolongamento a ser o melhor dos cenários nesta altura. Sem querer crucificar individualmente, a prestação desastrada do Uruguaio tem um peso muito grande na eliminatória. Depois de uma entrada errática na primeira mão, com dificuldades posicionais e passes errados (um deles a originar a transição que resultou no golo do Schalke), Fucile voltava a repetir um jogo com um número elevado de erros, um dos quais – um domínio falhado sobre a direita – vai acabar numa perda de bola e na entrada que dá origem à sua expulsão.
85’ 1-0 para o Porto. Numa fase em que já não parecia possível, uma sequência de ressaltos leva a bola até ao momento de inspiração de Lisandro. O Porto empata a eliminatória quando menos se esperava e ganha uma importante vantagem psicológica que lhe vai valer o ascendente até ao final dos 90’. O problema está... na desvantagem numérica.
90’ Final do tempo regulamentar. O Porto termina com vantagem justa no jogo mas com um empate que sabe a muito pouco na eliminatória. Para o prolongamento vai a sensação de um Porto superior capaz de discutir o favoritismo até em vantagem numérica.
96’ Jesualdo troca Meireles – que actuava como lateral esquerdo – por Cech. A estratégica táctica de Jesualdo para os 30 minutos adicionais passou por dividir a equipa em 2 blocos. Recuando Mariano para defesa direito, refazendo o quarteto defensivo que actua com um duplo pivot à sua frente, formado por Assunção e Lucho. Na frente, o destaque vai para a opção estratégica de não fazer Quaresma defender, libertando-o para as transições. Mas a maior importância não está nesta fase nas opções tácticas mas sim na resposta dos jogadores a um momento de grande desgaste e intensidade emocional.
O jogo revela-se capaz de cair para qualquer lado, estando, naturalmente, mais aberto do que nunca. O Porto aparece com muita alma mas com o inevitável condicionalismo de ter menos um homem e é o Schalke quem, finalmente, controla a posse de bola.
101’ Grande ocasião de Quaresma. Erro do Schalke na saída de bola e Quaresma a aparecer na cara de Neuer que... voltou a defender.
120’ Fim do prolongamento sem golos apesar de ter havido boas possibilidades para ambos os lados. O Porto, ainda assim, pareceu sempre mais próximo durante esse período, apesar da desvantagem numérica.
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A eliminação explica-se, não por qualquer inferioridade do FC Porto, nem mesmo por qualquer falha em termos de estratégia táctica ou conhecimento do adversário (como se leu e ouviu após a primeira eliminatória). A eliminação explica-se sim, e na minha opinião, pela diferença de eficácia, em primeiro lugar. Depois há um aspecto que definiu o inicio de jogo na primeira mão e voltou a penalizar os Dragões na segunda. A concentração competitiva. Erros individuais pesaram no inicio do jogo na Alemanha e voltaram a marcar pormenores decisivos para a definição deste jogo. Um aspecto em que Fucile sai como réu principal e que, como havia dito, em alta competição se paga caro. O Porto mostrou mais qualidade mas, mesmo à margem da eficácia na concretização, errou também mais do que o Schalke.
No lançamento da partida Jesualdo fez duas referências importantes. Uma ao carácter “guerreiro” que era necessário acrescentar à inteligência colectiva que é imagem de marca da equipa e, outra, à necessidade de não estar demasiado focado em defender e de ser também capaz de dar outra expressão ofensiva à sua performance. As palavras foram em meu entender sábias e revelam alguma reflexão sobre os males que afectaram a equipa em confrontos anteriores. Nelas há também uma espécie de “mea culpa” implícita no que respeita ao recorrente reforço do “miolo” por parte do treinador em jogos de maior grau de dificuldade.
Aspectos tácticos
A ausência de Bosingwa abria um dilema. Por um lado o Porto não tem outra opção que dê a mesma profundidade ao flanco direito, por outro o Schalke actua com 2 jogadores muito poderosos que caem preferencialmente sobre as alas. A opção de João Paulo, apesar de ser um improviso, parece-me fazer todo o sentido. Outro ponto táctico e que eu já tinha antecipado face ao que tinha acontecido nos Barreiros, foi o facto de Meireles ter actuado preferencialmente sobre a direita e Lucho sobre a esquerda. Confesso não ter percebido exactamente o propósito desta opção estratégica (Talvez aproveitar o espaço entre Rafinha e os centrais através dos movimentos de rotura de Lucho?), mas a verdade é que não resultou neste caso especificico, sobretudo em termos defensivos, mas não, como muito se disse, por causa de Rafinha. Rafinha desequilibrou e apareceu em 2/3 lances em todo o jogo, de resto ficou preso, tal como Quaresma, a um duelo individual um pouco à margem do próprio jogo. Finalmente aquele que me parece ser o principal erro de Jesualdo. Farias não me parece ter ainda mostrado suficiente (apesar de ter marcado com frequência em jogos de baixo grau de dificuldade) para que possa ser considerado uma mais valia clara do ataque portista. Particularmente neste jogo, parece-me que a equipa ganharia muito mais com a mobilidade de Tarik, Quaresma e Lisandro do que estar refém da característica de um avançado mais fixo como Farias, prendendo Quaresma à esquerda e colocando Lisandro sobre o centro-direita. É um “se” mas já tinha dado a minha opinião anteriormente e estou convicto que o Porto terá ficado a perder.
O jogo
Ao contrário do que se costuma fazer em jogos desta importância, não creio que a justificação da entrada errática do Porto no jogo esteja em qualquer nuance táctica. O jogo às vezes explica-se pelo simples facto de haver menor concentração de alguns jogadores e foi isso que aconteceu no inicio da partida. Fucile será neste aspecto o maior réu. Um erro na saída de jogo portista permitiu a transição alemã que aproveitou a desorganização momentânea do flanco esquerdo portista para fazer um desequilíbrio que resultou em golo. Os efeitos psicológicos deste momento eram quase inevitáveis e o Porto voltou a errar em posse de bola à saída do seu meio campo, permitindo mais uma ou outra transição alemã que poderiam ter resultado em novo golo. Nesta fase sentiu-se falta de concentração competitiva para um jogo a este nível e, ainda, alguma ausência do carácter “guerreiro” a que Jesualdo se havia referido. É que por vezes tem de haver maior agressividade e dimensão física nos duelos, recorrendo se necessário à falta em caso de haver um desequilíbrio eminente. O Porto não está habituado a essa exigência em Portugal onde a qualidade do seu jogo posicional é suficiente para o domínio a que assistimos, mas na Europa é diferente. Outro aspecto muito notado foi o facto dos desequilíbrios terem surgido preferencialmente sobre o lado esquerdo. Aqui Fucile voltou a estar mal, denotando dificuldade em lidar com as características de Kuranyi. Quer em termos físicos, quer pelos seus movimentos interiores. Foi curioso ver Kuranyi acompanhar Fucile até à direita, quando Jesualdo trocou os laterais. De resto, os desequilíbrios sobre este flanco parecem-me ter acontecido por alguma coincidência episódica das transições feitas pelos alemães, já que, como referi, Rafinha não criou muitos mais desequilibrios para além do lance do golo.
Aquilo a que estavamos a assistir era, ainda assim, um contra-senso tendo em conta a maior qualidade do futebol portista e o Schalke foi recuperando o respeito à medida que o Porto se conseguiu aproximar da sua área. Assim decorreu a tendência do jogo até ao intervalo. Com um 1-0 valioso, o Schalke optou por baixar o bloco e dar a iniciativa ao Porto que comandou o jogo durante todos os segundos 45 minutos, não criando, é verdade, muitas ocasiões, mas também não sendo eficaz nas poucas que teve. Por outro lado, o Schalke foi incapaz de ser perigoso em transição, talvez um bom sinal para aquele que será o tónico do jogo do Dragão.
Nota Final
Não tenho dúvidas sobre a superioridade qualitativa do futebol portista sobre o Schalke. Lembro-me no entanto de uma expressão de Mourinho no ano passado quando defrontou o FC Porto: “isto é Champions League!”. Ora o que isto quer dizer é que estamos a falar do futebol de topo ao nível de clubes. As diferenças são ténuas e o que define 180 minutos são, muitas vezes, os pormenores de cada momento. Nesse sentido, o Porto não pode cometer o desleixo de não entrar totalmente concentrado num jogo deste nível. O momento de baixa concentração competitiva que marcou os primeiros minutos do jogo pode ser ainda reparado, mas deve servir de exemplo porque... “isto é Champions League!"