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27.4.11

Uma meia final dispensável (breves)

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- A boa notícia é que se tornou altamente improvável termos o Schalke na final. A má notícia são os desinteressantes 90 minutos que ainda restam. Realmente, foi um jogo penoso e, sobretudo, impróprio do nível que uma meia final de Champions exigia. O United encarou o jogo, como tantas outras vezes, com uma postura prudente e própria da fase em que se encontra: não assumindo qualquer risco em posse e tentando manter como prioridade o equilíbrio posicional sobre um comportamento mais pressionante. Ou seja, pareceu querer manter sempre duas linhas atrás da bola, ser paciente e delegar no momento de transição a sua fonte desequilíbrios. "Pareceu", porque o Schalke não deu tempo para que se percebesse muito do que Ferguson pensava do jogo. Subitamente, e sem nunca ter de elevar minimamente o ritmo, o United encontrou sucessivas hipóteses de chegar ao golo. O demérito vai todo para os alemães que foram inexplicavelmente incapazes em quase todos os momentos do jogo. A ideia era pressionar a primeira fase de construção dos ingleses, utilizar os laterais para dar profundidade nos corredores e reservar ao trio ofensivo a liberdade suficiente para garantir dinâmica no último terço do campo. Mais atrás, Papadopoulos seria o elemento de equilíbrio, mantendo-se próximo da linha defensiva. Intenções, porque na prática foi um desastre. Um desempenho fracassado em todos os momentos, defensivos e ofensivos, em organização e transição. O Schalke acabou encostado atrás, tentando fazer passar o tempo e esperar que Neuer continuasse a resolver os seus problemas. Não deu...

- Neuer será uma das grandes referências das balizas mundiais na próxima década? Assim que dê o "salto", parece-me provável...

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29.9.10

Notas do Schalke-Benfica (Breves)

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- Começando pelo golo inaugural. Que Peixoto não tem características para ser lateral, já o escrevi, e prefiro fazê-lo quando está bem do que, como hoje, falha. O que quero destacar é a origem do lance e a recuperação do Schalke, com o "pivot" a cortar pela raiz a transição do Benfica. Um filme tantas vezes visto no Benfica de Jesus, com Javi Garcia como protagonista. Pode dizer-se, portanto, que o Benfica provou um pouco do seu próprio veneno.

- Espanta-me como se continua a desvalorizar (não digo que o Benfica, internamente, o tenha feito) o potencial de algumas equipas, fazendo passar a ideia de que pelo facto do Schalke ou o Lyon estarem na cauda da tabela dos respectivos campeonatos, estas são equipas "acessíveis". Não são. São equipas com mais poder aquisitivo do que qualquer equipa portuguesa e jogar contra elas não representa um grau de dificuldade inferior a qualquer jogo "grande" interno.

- O jogo, e enquanto não esteve resolvido, não foi nunca desequilibrado em nenhum sentido. Teve, isso sim, oscilações de supremacia e o Schalke acabou tirar partido de uma fase negativa do Benfica, com substituições e lesões que cortaram um pouco o ritmo à própria equipa. O mais importante a realçar, porém, é a constatação que num jogo de detalhes foi o Benfica que voltou a perder. O Benfica de Jesus. Porque, como já há muito venho alertando, parece-me haver uma incapacidade de superação das equipas de Jesus nos grandes jogos. E os grande campeões não são feitos apenas de bons jogadores e excelentes modelos tácticos. É preciso emergir emocionalmente nos momentos certos.

- Veremos qual o efeito da recaída. Para se recuperar de uma crise de confiança - mais uma vez reforço que o grande problema do Benfica 10/11 está na "cabeça" - não bastam 2 ou 3 jogos. O teste é feito precisamente na reacção à primeira adversidade. Para já o indicio em campo não foi bom, basta contar o número de perdas de bola (a marca das 3 derrotas) que aconteceram depois do 1-0.

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10.4.08

Champions: Ronaldo vs. Messi

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Barcelona 1-0 Schalke

O grande interesse deste jogo estava nos efeitos psicológicos que o momento do Barcelona poderia ter nos seus jogadores e, consequentemente, no complicar ou não de uma eliminatória que já estava muito bem encaminhada com o 0-1 da primeira volta. Tacticamente, uma alteração significativa do lado do Schalke. Em vez da linha de 4 homens com que Slomka encarou os últimos 2 jogos da Champions, o Schalke apresentou-se em Camp Nou com a sua versão mais ofensiva, ou seja, com o losango que tinha em Altintop a unidade mais avançada do meio campo. Do lado do Barça, o 4-3-3 habitual que revelou a diferença, em relação à primeira mão, do regresso de Bojan e Eto’o às suas posições mais naturais. O camaronês no centro do ataque, deixando a ala para o jovem prodígio.
Os primeiros 20 minutos do jogo evidenciaram o pior do Barcelona. O Schalke apareceu apostado em fazer um pressing alto iniciado pelos seus 3 homens mais ofensivos e que assumisse o risco de tentar perturbar a posse de bola de uma equipa que, em condições normais, será das mais fortes da Europa na primeira fase de construção. A verdade é que o Barça acumulou erros incomuns em posse de bola, o que, juntando a uma dificuldade do meio campo em suster a troca de bola dos alemães, resultou numa série de finalizações do Schalke, algumas delas muito perigosas. Os alemães conseguiram com frequência chegar com a bola dominada ao espaço entre linhas, batendo as unidades do meio campo adversário, e partir daí optaram, ou pela meia distância, ou por recorrer ao forte presença de Kuranyi na área contrária. É certo que nesse período o Barça também usufrui de uma soberana oportunidade mas não espantaria se o Schalke tivesse igualado a eliminatória, ficando por saber qual seria o efeito na equipa e público da casa...
Perdida essa oportunidade de surpreender na fase inicial, o Barça foi progressivamente impondo a sua superioridade natural no jogo e, sem revelar grande superioridade, lá conseguiu chegar à vantagem num lance em que a sua posse de bola fez aquilo que dela mais se poderia esperar, bater o pressing adversário e servir em boas condições o seu trio ofensivo. Tudo mudou a partir daí. O segundo tempo mostrou um Barça mais confiante, contrastando com a postura do Schalke bem mais descrente e incapaz de criar dificuldades ao adversário. Com a sua primeira fase de construção a ser muito mais capaz, o Barcelona poderia facilmente ter aumentado a vantagem nos primeiros 20 minutos do segundo tempo, caindo depois o jogo num aborrecido arrastar do tempo até à conclusão da eliminatória.
Não posso deixar de mencionar o que se assistiu quando Rijkaard substituiu Bojan no segundo tempo, numa fase em que a eliminatória estava resolvida. Um mar de lenços brancos apareceu nas bancadas em protesto com uma substituição mais do que natural e que tinha como objectivo a gestão do plantel em fase de sobrecarga de jogos. Esta atitude do público, característica dos países latinos é, para além de irracional, contra producente para a própria equipa, em fase decisiva da temporada. Neste aspecto é bem mais favorável para os interesses das próprias cores a visão britânica da relação entre os adeptos e os funcionários do seu clube.
Enfim, o Barça passa assim às meias finais, revelando as fragilidades do seu momento psicológico que chega a afectar até o que a equipa tem de melhor. De resto, o encontro com o Schalke voltou a mostrar as debilidades da fase defensiva do Barça, que concede muitos espaços fruto da pouca eficácia do seu pressing, bem como a pouca imaginação colectiva do seu segundo momento ofensivo – aqui, mais uma vez, fica claro o perfil desadequado de Henry à função que lhe é entregue. É precisamente pela dependência das explosões individuais dessa fase ofensiva da equipa que me parece fundamental a recuperação de Messi para o confronto com um United.

Man Utd 1-0 Roma

Por considerar o United em momento mais estável do que o Barça – apesar da Roma ser claramente mais forte do que o Schalke – optei por ver o encontro de Camp Nou. Mais uma vez lamento a Sporttv não repetir os jogos...
O United terá mais um teste europeu no que resta jogar da Champions que poderá, ou não, confirmar esta equipa como uma das melhores equipas da história do emblema Inglês e, digo eu, como a mais consistente do panorama europeu actual. Apesar de ser melhor, nesta altura, do que o Barcelona, o Manchester voltará a ter o problema da intensidade competitiva interna na altura da meia final (algo que, ao contrário do Milan em 2007, também deverá impedir o Barça de concentrar as energias na Champions) e ainda outra possível condicionante. É que defensivamente este United é muito diferente com ou sem a dupla formada por Ferdinand e Vidic...



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6.3.08

Porto - Schalke: Análise cronológica

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0’ Do lado do Porto, o 4-3-3 mais utilizado na temporada com Tarik de regresso. Uma opção que me parece mais natural do que Farias, tendo em conta o maior tempo de trabalho com o marroquino no onze base. No Schalke, a opção pelo 4-4-2, sem Rakitic e Asamoah. O objectivo é introduzir um meio campo mais preenchido e capaz de fechar em largura, com uma linha de quatro homens nesse sector.

4’ Primeiro lance do Porto com remate de Bosingwa. O Porto entra com vontade de surpreender o Schalke, identificando os momentos de pressão a partir de zonas muito adiantadas, empregando agressividade. O Schalke aparece com um bloco baixo e denso que começa a defender a partir do meio campo. A intenção é controlar o Porto pela densidade numérica, tentando depois sair em transição, aproveitando eventuais erros e a exposição espacial portista. A posse de bola dos Alemães pretende ajudar o tempo a passar, mas a atitude inicial do Porto impede rapidamente que esta intenção tenha sucesso. No Porto, o 4-3-3 habitual apresenta um trio ofensivo muito móvel com os extremos a aparecerem por vezes em comum sobre a esquerda. Há a intenção clara de puxar o bloco alemão para a sua direita, abrindo um espaço onde aparece depois Bosingwa, que tem uma entrada eléctrica no jogo.

12’ A culminar uma fase de pressão sobre a área do Schalke, o Porto vai transformar uma sequência de cruzamentos e segundas bolas num sufoco de que resultam duas ocasiões de seguida. Primeiro, Lisandro na cara de Neuer, depois de uma “invenção” de Lucho à entrada da área e, depois, Tarik de cabeça a ver Neuer negar-lhe um golo feito com um desvio instintivo. A partir daqui o Porto vai permitir que o Schalke controle progressivamente o jogo. Alguns erros em posse de bola (muitas vezes fruto de alguma ansiedade em chegar rapidamente à frente) e uma crescente habituação do Schalke às circunstâncias do jogo fazem com que o Porto não volte a conseguir ser tão perigoso até ao intervalo, apesar de manter sempre o domínio e ascendente no jogo.

45’ 0-0 ao intevalo. Não deixa de ser interessante fazer uma comparação com o jogo e há quinze dias. Na altura a melhor entrada dos Alemães foi aproveitada com eficácia. O Porto respondeu bem no que respeita à entrada em jogo, mas... ficou em branco. Algo que se pode considerar decisivo no desfecho da eliminatória.

50’ Primeiro contratempo para o Porto. Lesão de Bosingwa. O Porto é obrigado a mexer numa peça muito importante do seu esquema. A intenção de deixar o corredor livre (jogando Tarik mais por dentro) para criar espaços para que o lateral utilizasse a sua velocidade foi a arma mais eficiente do ataque portista nos primeiros 50’.

54’ Notável trabalho de laboratório com o livre de Quaresma a servir Lucho e, depois, Tarik, que vem desde a barreira para aparecer na cara de Neuer. A defesa é milagrosa. Terceiro desperdício do Porto no jogo.

57’ Jesualdo completa a alteração de Bosingwa por Mariano, introduzindo Farias para o lugar de Tarik. O Porto passa a assumir uma postura de grande risco no jogo. Preenchendo toda a frente de ataque com Mariano à esquerda, Quaresma à direita e Farias a juntar-se a Lisandro no centro do ataque. Quando em posse de bola a equipa expõe-se posicionalmente com Meireles (agora a fechar a lateral esquerda) a aproximar-se de Paulo Assunção e Fucile a manter vocação ofensiva mas agora sobre a direita.
O Porto volta a empurrar o Schalke para próximo da sua área, utilizando a sua elevada presença numérica nas acções ofensivas para circular a bola a toda largura do campo. Os Alemães haviam entrado muito bem no segundo tempo, identificando momentos de pressão em zona mais subida e forçando alguns erros à posse de bola do Porto, parecendo ter intenção de discutir o jogo no campo todo.

64’ Grande ocasião para o Schalke. Um momento de pressão dos Alemães a precipitar um erro imperdoável em zona recuada que só não resulta em golo porque Hélton consegue defender (ainda que fora da área).

81’ Vermelho para Fucile. As aspirações do Porto na eliminatória ficam seriamente comprometidas com o prolongamento a ser o melhor dos cenários nesta altura. Sem querer crucificar individualmente, a prestação desastrada do Uruguaio tem um peso muito grande na eliminatória. Depois de uma entrada errática na primeira mão, com dificuldades posicionais e passes errados (um deles a originar a transição que resultou no golo do Schalke), Fucile voltava a repetir um jogo com um número elevado de erros, um dos quais – um domínio falhado sobre a direita – vai acabar numa perda de bola e na entrada que dá origem à sua expulsão.

85’ 1-0 para o Porto. Numa fase em que já não parecia possível, uma sequência de ressaltos leva a bola até ao momento de inspiração de Lisandro. O Porto empata a eliminatória quando menos se esperava e ganha uma importante vantagem psicológica que lhe vai valer o ascendente até ao final dos 90’. O problema está... na desvantagem numérica.

90’ Final do tempo regulamentar. O Porto termina com vantagem justa no jogo mas com um empate que sabe a muito pouco na eliminatória. Para o prolongamento vai a sensação de um Porto superior capaz de discutir o favoritismo até em vantagem numérica.

96’ Jesualdo troca Meireles – que actuava como lateral esquerdo – por Cech. A estratégica táctica de Jesualdo para os 30 minutos adicionais passou por dividir a equipa em 2 blocos. Recuando Mariano para defesa direito, refazendo o quarteto defensivo que actua com um duplo pivot à sua frente, formado por Assunção e Lucho. Na frente, o destaque vai para a opção estratégica de não fazer Quaresma defender, libertando-o para as transições. Mas a maior importância não está nesta fase nas opções tácticas mas sim na resposta dos jogadores a um momento de grande desgaste e intensidade emocional.
O jogo revela-se capaz de cair para qualquer lado, estando, naturalmente, mais aberto do que nunca. O Porto aparece com muita alma mas com o inevitável condicionalismo de ter menos um homem e é o Schalke quem, finalmente, controla a posse de bola.

101’ Grande ocasião de Quaresma. Erro do Schalke na saída de bola e Quaresma a aparecer na cara de Neuer que... voltou a defender.

120’ Fim do prolongamento sem golos apesar de ter havido boas possibilidades para ambos os lados. O Porto, ainda assim, pareceu sempre mais próximo durante esse período, apesar da desvantagem numérica.

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A eliminação explica-se, não por qualquer inferioridade do FC Porto, nem mesmo por qualquer falha em termos de estratégia táctica ou conhecimento do adversário (como se leu e ouviu após a primeira eliminatória). A eliminação explica-se sim, e na minha opinião, pela diferença de eficácia, em primeiro lugar. Depois há um aspecto que definiu o inicio de jogo na primeira mão e voltou a penalizar os Dragões na segunda. A concentração competitiva. Erros individuais pesaram no inicio do jogo na Alemanha e voltaram a marcar pormenores decisivos para a definição deste jogo. Um aspecto em que Fucile sai como réu principal e que, como havia dito, em alta competição se paga caro. O Porto mostrou mais qualidade mas, mesmo à margem da eficácia na concretização, errou também mais do que o Schalke.


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20.2.08

Schalke - Porto: Isto é Champions League

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No lançamento da partida Jesualdo fez duas referências importantes. Uma ao carácter “guerreiro” que era necessário acrescentar à inteligência colectiva que é imagem de marca da equipa e, outra, à necessidade de não estar demasiado focado em defender e de ser também capaz de dar outra expressão ofensiva à sua performance. As palavras foram em meu entender sábias e revelam alguma reflexão sobre os males que afectaram a equipa em confrontos anteriores. Nelas há também uma espécie de “mea culpa” implícita no que respeita ao recorrente reforço do “miolo” por parte do treinador em jogos de maior grau de dificuldade.

Aspectos tácticos
A ausência de Bosingwa abria um dilema. Por um lado o Porto não tem outra opção que dê a mesma profundidade ao flanco direito, por outro o Schalke actua com 2 jogadores muito poderosos que caem preferencialmente sobre as alas. A opção de João Paulo, apesar de ser um improviso, parece-me fazer todo o sentido. Outro ponto táctico e que eu já tinha antecipado face ao que tinha acontecido nos Barreiros, foi o facto de Meireles ter actuado preferencialmente sobre a direita e Lucho sobre a esquerda. Confesso não ter percebido exactamente o propósito desta opção estratégica (Talvez aproveitar o espaço entre Rafinha e os centrais através dos movimentos de rotura de Lucho?), mas a verdade é que não resultou neste caso especificico, sobretudo em termos defensivos, mas não, como muito se disse, por causa de Rafinha. Rafinha desequilibrou e apareceu em 2/3 lances em todo o jogo, de resto ficou preso, tal como Quaresma, a um duelo individual um pouco à margem do próprio jogo. Finalmente aquele que me parece ser o principal erro de Jesualdo. Farias não me parece ter ainda mostrado suficiente (apesar de ter marcado com frequência em jogos de baixo grau de dificuldade) para que possa ser considerado uma mais valia clara do ataque portista. Particularmente neste jogo, parece-me que a equipa ganharia muito mais com a mobilidade de Tarik, Quaresma e Lisandro do que estar refém da característica de um avançado mais fixo como Farias, prendendo Quaresma à esquerda e colocando Lisandro sobre o centro-direita. É um “se” mas já tinha dado a minha opinião anteriormente e estou convicto que o Porto terá ficado a perder.

O jogo
Ao contrário do que se costuma fazer em jogos desta importância, não creio que a justificação da entrada errática do Porto no jogo esteja em qualquer nuance táctica. O jogo às vezes explica-se pelo simples facto de haver menor concentração de alguns jogadores e foi isso que aconteceu no inicio da partida. Fucile será neste aspecto o maior réu. Um erro na saída de jogo portista permitiu a transição alemã que aproveitou a desorganização momentânea do flanco esquerdo portista para fazer um desequilíbrio que resultou em golo. Os efeitos psicológicos deste momento eram quase inevitáveis e o Porto voltou a errar em posse de bola à saída do seu meio campo, permitindo mais uma ou outra transição alemã que poderiam ter resultado em novo golo. Nesta fase sentiu-se falta de concentração competitiva para um jogo a este nível e, ainda, alguma ausência do carácter “guerreiro” a que Jesualdo se havia referido. É que por vezes tem de haver maior agressividade e dimensão física nos duelos, recorrendo se necessário à falta em caso de haver um desequilíbrio eminente. O Porto não está habituado a essa exigência em Portugal onde a qualidade do seu jogo posicional é suficiente para o domínio a que assistimos, mas na Europa é diferente. Outro aspecto muito notado foi o facto dos desequilíbrios terem surgido preferencialmente sobre o lado esquerdo. Aqui Fucile voltou a estar mal, denotando dificuldade em lidar com as características de Kuranyi. Quer em termos físicos, quer pelos seus movimentos interiores. Foi curioso ver Kuranyi acompanhar Fucile até à direita, quando Jesualdo trocou os laterais. De resto, os desequilíbrios sobre este flanco parecem-me ter acontecido por alguma coincidência episódica das transições feitas pelos alemães, já que, como referi, Rafinha não criou muitos mais desequilibrios para além do lance do golo.
Aquilo a que estavamos a assistir era, ainda assim, um contra-senso tendo em conta a maior qualidade do futebol portista e o Schalke foi recuperando o respeito à medida que o Porto se conseguiu aproximar da sua área. Assim decorreu a tendência do jogo até ao intervalo. Com um 1-0 valioso, o Schalke optou por baixar o bloco e dar a iniciativa ao Porto que comandou o jogo durante todos os segundos 45 minutos, não criando, é verdade, muitas ocasiões, mas também não sendo eficaz nas poucas que teve. Por outro lado, o Schalke foi incapaz de ser perigoso em transição, talvez um bom sinal para aquele que será o tónico do jogo do Dragão.

Nota Final
Não tenho dúvidas sobre a superioridade qualitativa do futebol portista sobre o Schalke. Lembro-me no entanto de uma expressão de Mourinho no ano passado quando defrontou o FC Porto: “isto é Champions League!”. Ora o que isto quer dizer é que estamos a falar do futebol de topo ao nível de clubes. As diferenças são ténuas e o que define 180 minutos são, muitas vezes, os pormenores de cada momento. Nesse sentido, o Porto não pode cometer o desleixo de não entrar totalmente concentrado num jogo deste nível. O momento de baixa concentração competitiva que marcou os primeiros minutos do jogo pode ser ainda reparado, mas deve servir de exemplo porque... “isto é Champions League!"


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22.12.07

As sortes da Europa

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É o mais evidente dos pontos em comum entre os adversários que calharam em sorte às equipas portuguesas. 3 dos 4 são Alemães o que antecipa também um confronto com um tipo de futebol de valias bem diferentes do nosso. Primeiro há que referir a grande capacidade de investimento dos clubes da Bundesliga e depois dizer que essa vantagem pode bem ser contornada por outros predicados do nosso futebol. Aos aspectos técnicos, que continuam a ser-nos amplamente favoráveis, há que juntar esse facto de tacticamente o futebol Alemão atravessar uma fase, eu diria, utópica. Muitos golos são hoje marcados na Bundesliga, fruto de algum aventureirismo táctico que pode e deve ser aproveitado pelos portugueses.

Schalke 04
Favoritismo do FC Porto segundo as casas de apostas: 55%
É uma das mais fortes equipas do futebol Alemão, tendo ficado às portas do título em 06/07 e mantendo-se nos primeiros lugares desta competitiva Liga em 07/08. O Schalke é hoje uma equipa em formação, com bastantes elementos muito promissores, mas faltando-lhe ainda alguma consistência exibicional. Em termos de jogo, e um pouco à imagem do futebol Alemão, o Schalke é uma formação ofensiva, forte nas zonas próximas da baliza, mas que comete também muitos erros do ponto de vista defensivo. Apesar de ter uma equipa recheada de boas individualidades, parece-me que o jogo mais adulto e tecnicamente evoluído do FC Porto poderá, em condições normais, ser suficiente para garantir a passagem dos Dragões aos quartos de final. Aqui destaco as condições óptimas para que o FC Porto possa aplicar a sua eficaz transição ofensiva.

Destaques individuais
Manuel Neur (Guarda Redes, 21 anos) – Uma das promessas para herdar a baliza da Selecção.
Rafinha (Lateral Direito, 22 anos) – A grande figura do Brasil no Mundial de sub 20 de 2005.
Cristian Pander (Lateral Esquerdo, 24 anos) – Uma figura emergente no futebol Germânico. Marcou um golão na última visita Alemã a Wembley.
Marcelo Bordon (Defesa Central, 31 anos) – Capitão e líder defensivo da equipa.
Fabien Ernst (Médio Centro, 28 anos) – Esteio do meio campo.
Ivan Rakitic (Médio Ofensivo, 19 anos) – Grande revelação da equipa na coordenação de jogo ofensivo.
Mesut Ozil (Médio Ofensivo, 19 anos) – Outra grande promessa que ameaça fazer crescer esta equipa.
Gerald Asamoah (Extremo, 29 anos) – Velocidade e força são os atributos deste experiente avançado.
Kevin Kuranyi (Avançado, 25 anos) – Goleador, forte no jogo aéreo, mas o seu valor não é unânime entre os Alemães.
Peter Lovenkrands (Avançado, 27 anos) – Arma secreta da equipa. Desconcertante pela sua velocidade.

Nuremberga
Favoritismo do Benfica segundo as casas de apostas: 58%
Foi a equipa sensação da Bundesliga em 06/07, valendo-lhe um lugar na Uefa. Como em tantos outros casos, no entanto, a presença na Europa parece ter sido prejudicial à performance interna da equipa que aparece agora a lutar para fugir aos lugares de despromoção. Há francamente, uma grande diferença entre a valia individual do Benfica e deste Nuremberga e, caso a eliminatória seja encarada seriamente, os encarnados deverão seguir em frente.

Destaques individuais
Os nomes mais conhecidos são o veterano médio Galasek (ex-Ajax) e o nosso carrasco do Euro 2004, Charisteas. De resto, no Nuremberga merecem destaque o perigoso avançado Mintal e o organizador de jogo, ex-promessa do Bayern de Munique, Misimovic.

Basileia
Favoritismo do Sporting segundo ascasas de apostas: 65%
O trabalho fantástico do treinador Christian Gross colocou, nos últimos anos, o Basileia no mapa do futebol Europeu. Apesar de ser oriunda de um futebol modesto, este Basileia merece todo o respeito por ter já surpreendido várias equipas num passado recente acumulando uma experiência considerável nesta prova. Ainda assim, as figuras que se têm destacado na equipa têm inevitavelmente saído para campeonatos mais apetecíveis, o que torna o Basileia, naturalmente, num adversário perfeitamente ao alcance do Sporting. O segredo estará na forma de encarar o embate com os Suiços.
Destaques individuais
Os avançados Marco Streller (regressado após uma passagem pelo Estugarda) e Carignano (Argentino com 3 internacionalizações pela alvi-celeste) são o maior perigo desta equipa, sobretudo pelo impressionante porte atlético que possuem. Nota, no entanto, para a probabilidade de Carignano abandonar definitivamente a equipa neste defeso. De resto, de salientar o capitão e internacional Sérvio Ergic e alguns jovens de futuro promissor (nomeadamente o irreverente equatoriano Felipe Caicedo). Para nós, o nome mais conhecido é o extremo Carlitos, também ele uma figura importante na equipa.
Werder Bremen
Favoritismo do Braga segundo as casas de apostas: 35%
Naturalmente, a mais conhecida e mais forte das equipas que calhou em sorte às equipas nacionais. Thomas Schaaf tem um trabalho notável no Bremen, mantendo a equipa nas primeiras posições da Bundesliga durante vários anos e repetindo também performances interessantes na Europa. Os princípios de jogo são hoje os mesmos e definem o Bremen como uma das mais ofensivas equipas da Europa – os Bremen tem uma impressionante média de 4,5 golos nos seus jogos! Depois de um inicio difícil a equipa parece ter ultrapassado a saída de Klose e chegou a uma improvável co-liderança da Bundesliga, a par do Bayern Munique. Apesar de tudo, o Braga não tem, nem de longe nem de perto, uma missão impossível. Uma performance eficaz que tire partido dos erros do Bremen e que mantenha, dentro do possível, uma eficaz postura defensiva, pode muito bem surpreender os Alemães. Ainda assim, o favoritismo não é claramente Bracarense.

Destaques individuais
O Werder Bremen pode também ser descrito como a equipa de Diego, tal a influência do brasileiro na equipa. De resto, são vários os jogadores de elevada reputação da equipa, começando no defesa Naldo, passando pelo médio internacional Frings e terminando num ataque que, embora mais modesto do que em anos anteriores, continua a contar com um leque muito interessante do opções. Klasnic (recém regressado de lesão), Sanogo, Rosenberg e, claro está, Hugo Almeida, são as alternativas.

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