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19.5.11

Porto - Braga: Estatística e Opinião

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1- Tinha a expectativa sobre a estratégia de Domingos. Iria ser especifica, perante a qualidade do adversário? Se tivesse de apostar, diria que não, mas o facto é que essa especificidade se confirmou. O Braga jogou em 4-1-4-1, e, na minha perspectiva, foi uma boa opção. Porquê? Porque permitiu um controlo permanente do espaço entre linhas (Vandinho) e permitiu também que houvesse uma pressão mais estratégica sobre o meio campo portista, nomeadamente, anulando/limitando a influência de Moutinho em posse, em vez de lançar 2 homens numa pressão mais alta, menos discriminante, e, previsivelmente, sem apoio grandes possibilidades de apoio da linha média (aqui, pelo efeito do tal posicionamento organizacional do Porto, em posse).

2- A alteração organizacional do Braga é importante na definição do balanceamento do jogo (não foi tanto para o resultado), porque, ao alterar, o Braga criou, de facto, problemas de penetração ao Porto, que ainda encontrou alguns espaços em passes largos nos primeiros minutos, mas que foi progressivamente perdendo essa capacidade. É importante, também, porque permite especular - nunca saber exactamente - sobre o peso que terá tido a mudança especifica no rendimento do próprio Braga. É que, se em termos defensivos a equipa conseguiu grande parte do seu objectivo, foi também evidente o seu rendimento abaixo do normal em transição. Muito mérito para a qualidade que o Porto tem na resposta a esse momento táctico (Moutinho, Fernando e Otamendi, em destaque), muito demérito para a desinspiração individual de várias individualidades arsenalistas, mas... até que ponto houve influência de uma menor identificação com o posicionamento base adoptado? Na minha opinião, diria os dois factores que elenquei primeiro serão bem mais decisivos.

3- Mas, se da parte do Braga houve um rendimento abaixo do esperado, também do lado do Porto isso aconteceu, como, aliás, Villas Boas teve a lucidez de reconhecer. O treinador lamentou o facto, deu o mérito ao Braga e mostrou compreensão pelo sucedido, dada a natureza do jogo. De facto, foi um jogo bem abaixo do rendimento habitual da equipa, em vários parâmetros, nomeadamente ao nível da sua ligação ofensiva. É mais normal que tal tenha acontecido na primeira parte, onde, de facto, havia pouco espaço para jogar, mas esperar-se-ia mais, sobretudo quando o Braga arriscou mais em termos de zonas de pressão. Dentro das atenuantes, claramente, a organização do Braga é aquela que me merece mais relevância.

4- Há um ponto que importa salientar (não será a primeira vez que o faço) na estratégia do Braga e, em particular, na dificuldade que o Porto sentiu em encontrar espaços. Artur repôs a bola em jogo por 31 vezes, mas apenas por 1 vez não bateu a bola longa para o meio campo contrário. Ora, isto impede o Porto de pressionar e de ganhar a bola mais vezes no meio campo contrário. Obriga a uma primeira "batalha" (que o Porto venceu muitas vezes, diga-se) e nem sempre permite uma saída em boas condições para as acções ofensivas. Se juntarmos a esta preocupação estratégica, a qualidade do Braga em organização defensiva, fica fácil perceber porque é que o Porto teve tantas dificuldades em encontrar os espaços para ser mais perigoso ofensivamente. Mesmo, se poderia ter feito mais.

5- Feito o esboço do que foi o jogo, não admira muito que o jogo tenha sido definido da forma que foi: ou seja, no aproveitamento de um lapso (raro) de uma das equipas. Aliás, também o Braga o poderia ter feito numa situação do mesmo tipo. Perante isto, teria de ser a eficácia a decidir e foi o Porto a levar a melhor, muito porque, realmente, teve do seu lado o único rasgo de alguma inspiração que o jogo conheceu.

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4.10.10

Benfica - Braga: Análise e números

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Os dois escolheram o exagero para enfatizar o mérito das respectivas equipas. A verdade, como quase sempre, está algures no meio. Nem o Benfica criou muitas oportunidades de golo, nem o Braga foi capaz de ter uma grande reacção depois do 1-0. O Benfica foi quem teve domínio por mais tempo, mas não se pode dizer que tenha estado mais perto do golo do que o Braga. Com uma coisa concordo com Domingos: a eficácia e o primeiro golo seriam determinantes e, num jogo de poucas oportunidades, ambas as equipas poderiam ter conseguido essa vantagem. Outra coisa que as equipas partilham é o escasso número de erros durante o jogo. Um dado que, afinal, nem pode ser considerado muito normal, se tivermos o momento que ambos atravessam.

Notas colectivas: Benfica
O arranque do jogo foi muito bom. Boa atitude, pressionante e autoritária, impediu o Braga de jogar e manteve o jogo no meio campo contrário durante largos minutos. Para isso, contribuiu a boa postura e competência em ambos os momentos defensivos da equipa – organização e transição. Também a organização ofensiva merece nota. Coentrão recuou para lateral e mereceu uma estratégia especial de Domingos, com Salino a descair para a direita. O Benfica começou por se dar bem com o plano adversário. Circulou com fluidez em zonas baixas, obrigando o Braga a ajustar constantemente o posicionamento do seu bloco ao longo da largura do campo. Depois, o lado esquerdo – e apesar da tal colocação de Salino – foi quase sempre o flanco escolhido para o primeiro passe vertical. Primeiro, porque Lima tinha uma espécie de dupla missão no pressing mais alto e sentia dificuldades no tal ajustamento lateral à circulação que o Benfica fazia na sua linha mais recuada. Depois, porque Gaitan foi um elemento importante na criação de linhas de passe, acrescentando um problema ao Braga que esperaria apenas ter de controlar Aimar e Saviola no primeiro passe interior.

Mas o Benfica não foi, apesar dessa boa entrada, perigoso. Não foi porque, se na construção – com Gaitan, Martins e Coentrão em destaque – a equipa estava bem, mais à frente houve alguma desinspiração de Saviola e Kardec nos minutos iniciais. Com isto, perdeu-se o momento e abriu-se uma oportunidade para que fosse o Braga a crescer e a ameaçar. O jogo tornou-se mais dividido, menos dominado e, sobretudo, menos controlado por parte do Benfica. Nunca por causa de erros individuais, e mais pelo mérito que o Braga também teve em fazer valer os seus pontos fortes.

Acabou por ser feliz o Benfica, num lance que realça o mérito e capacidade dos seus elementos. Primeiro, a velocidade de transporte de Coentrão, a tirar tempo de organização à defesa do Braga. Depois, o papel vital desempenhado por Saviola, criando uma linha de passe que desfaz o 3x3 que o Braga criara no flanco. Finalmente, e já com o desequilíbrio numérico criado, Martins na inspiração final.

Um lance que decidiu o jogo, numa altura em que o seu destino era tudo menos óbvio.

Notas colectivas: Braga
Domingos arriscou uma estratégia compreensível, mas que não lhe saiu muito bem. Fechar a direita, abdicando de um extremo e introduzindo um ala interior – Salino – e “abrir” a esquerda, com o principal desequilibrador – Alan – e um lateral ofensivo – Elderson. Uma das virtudes desta opção seria não sobrecarregar demasiado o duplo pivot com necessidades de basculação, retirando-lhe a responsabilidade de vir à direita. E todos sabemos os problemas que o duplo pivot tem sentido em controlar o espaço entre linhas.

É sempre arriscado, e normalmente corre mal, mexer na estrutura de um momento para o outro. O problema que Domingos provavelmente não considerou foi a dificuldade de Lima “filtrar” a entrada de jogo pelo flanco direito, e foi por aí que o Braga começou por sentir dificuldades.

Outro problema evidente de Domingos, são as soluções para o meio campo. Percebe-se a preocupação do treinador em ter ao lado de Vandinho um jogador forte no passe, que possa dar qualidade, quer à construção, quer à saída em transição. Por isso opta, ora por Viana, ora por Aguiar ao lado de Vandinho, em vez do eléctrico Salino. Aguiar, e à parte do seu pontapé, é uma opção muito difícil de justificar em qualquer das posições onde vem jogando. Viana, e apesar de ter um sentido posicional muito mais apurado do que o uruguaio, também não tem a intensidade que muitas vezes se pede para a posição. Um problema, e isso viu-se pela paupérrima primeira parte que fez Aguiar, muito raramente em jogo. Melhorou com a troca com Viana, mostrando-se mais útil em zonas mais baixas, mas é para mim um mistério o porquê de sair Viana (a condição fisica não me parece suficiente) quando tinha um rendimento muito superior a Aguiar. Para este Braga, a perda de Mossoró criou um problema irreparável na dinâmica ofensiva.

Ainda assim, e apesar destes problemas, é importante notar a forma como o Braga sobreviveu à má entrada, evitando maiores situações de perigo junto da sua baliza. Aliás, e repito a ideia de ontem, num outro momento de confiança seria provável que o Braga conseguisse outro aproveitamento das oportunidades que criou e, nessa hipótese, dificilmente teria perdido este jogo.

Notas individuais: Benfica
Carlos Martins: não fez um jogo excepcional, mas apenas normal dentro daquele que vem sendo o seu rendimento. Realmente, só espanta o porquê de não ter tido mais minutos nos primeiros jogos. Martins não é hoje um jogador diferente do passado. Tem características excepcionais – como se viu no golo – mas faltam-lhe também outras. Está num bom momento e o seu desafio, como sempre, será a reacção mental a um momento mais adverso.

Gaitan: Foi um jogador muito importante na primeira parte, espalhando algum do seu "perfume" e protagonizando jogadas que, se fossem de outros mais consagrados, teriam sido fortemente empoladas. O problema é que Gaitan continua a arricar demasiado em zonas que podem ser muito perigosas num dia de menor inspiração, e isso, embora não tenha sido o caso, poderá custar caro. Ainda assim, a sua confiança está claramente a crescer e com ela fica bem mais claro o potencial que obviamente tem.

Saviola: A sua entrada no jogo foi, de facto, muito desastrada, perdendo quase todas as bolas que passaram pelos seus pés. Mas o acerto no passe não é a mais valia de Saviola. O que o distingue é a movimentação e foi isso que, de novo, fez a diferença. Esteve em todos os 3 desequilíbrios que a equipa conseguiu enquanto esteve em campo e fica-me a dúvida se o último e decisivo não terá vindo “just in time”. É que se preparava uma dupla substituição e se calhar Saviola iria sair. O seu momento técnico pode não deslumbrar, mas continua a ser a grande fonte de desequilíbrios da equipa.

Kardec: Importa falar dele porque, afinal, foi o substituto da grande ausência: Cardozo. É difícil dizer se o Benfica ficou a ganhar ou a perder, porque, face à sua irregularidade, não se sabe que Cardozo teríamos. Começou por ter muitas dificuldades em entrar no jogo, mas foi ganhando espaço e confiança e acabou por se fazer sentir no jogo aéreo. Seria bom para ele ter outra oportunidade...

Notas individuais: Braga
Paulão: Para mim foi a surpresa positiva do jogo. Dominou completamente a sua zona e não confirmou dúvidas que sobre ele se levantaram nos últimos jogos.

Silvio: Percebe-se bem que é o lateral mais fiável do Braga, quer à direita, quer à esquerda. De longe! A Selecção é outra conversa...

Luis Aguiar: Já falei dele atrás e também no Dragão havia tido uma prestação muito negativa, para além do golo. O seu pontapé é uma arma rara, mas tem de estar muito inspirado para compensar a nulidade de rendimento que teve. Domingos estará melhor quanto mais depressa encontrar alternativas para o uruguaio no modelo base. Pela amostra que tenho, é a única opinião que posso ter.

Salino: A sua energia dá nas vistas e muitas vezes acaba por parecer fazer mais do que aquilo que realmente faz. Ainda assim, é um jogador interessantíssimo, com grande intensidade e boa qualidade técnica. Só falta perceber qual é, realmente, a sua posição no modelo. Os elogios são, por isso, justificados (ainda que sem exageros), mas há que notar também que Salino representa um pouco da quebra de confiança e eficácia do Braga pós-Emirates. Frente ao Shakhtar teve 2 clamorosas ocasiões e, agora, mais um “penalti em movimento”. Como seria diferente a história - sua e da equipa - se tivesse tido um bom aproveitamento destas ocasiões...



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14.9.10

Porto - Braga: Análise e números

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Há algo de paradoxal no espectáculo do Dragão. Como é que um jogo entre as duas equipas mais calculistas do campeonato acaba com 5 golos? Um acidente. Esta seria, intuitivamente, a minha resposta, mas, para ser sincero, não estou muito certo dela. De um lado, já vi demasiadas vezes inspirações excepcionais deste Braga e, do outro... havia Hulk. Mesmo assim, não posso deixar de considerar que vimos algo improvável. Porquê? Porque tivemos 1 golo no primeiro remate à baliza, porque ambas as equipas conseguiram errar sempre pouco e porque nenhuma delas assumiu alguma vez grandes riscos no jogo. Esse é, afinal, o seu código genético. Fica também a nota para que se repare como um jogo fechado e de risco mínimo pode acabar tão elogiado pelo adepto mais comum. A razão é simples: emoção!

Notas colectivas
Foi, de facto, um jogo abordado com grandes cautelas e há um indicador colectivo que é particularmente sintomático da preocupação de ambas equipas em não assumir muitos riscos: as perdas de bola. Foram reduzidas em ambos os conjuntos.

Num jogo destas características, manda a lógica que o primeiro golo tenha um impacto especialmente grande, maior do que a evidência do marcador. E tinha tudo para ser assim, depois de Luis Aguiar se ter inspirado na sequência de um raro erro do meio campo portista. Na verdade, o Braga beneficiou com o momento e é, a meu ver, uma hipocrisia desfazermo-nos em elogios à reacção portista nesse primeiro momento de desvantagem. O Braga ficou mais confiante e o Porto errou mais do que nunca em todo o jogo. Aí, valeu um nome: Hulk.

É impossível analisar o jogo sem passar pela influência de Hulk e julgo mesmo não ser um exagero dizer que, sem ele, muito dificilmente o Porto teria tido a capacidade para recuperar perante o Braga que vimos. É uma suposição que obviamente nunca poderei testar, mas é a sensação que me fica. É que nem sequer houve muitas condições para desequilibrar. Momentos de transição e 1x1 foram muito reduzidos e condicionados e há da parte do camisola 12 um mérito fantástico, só possível num jogador verdadeiramente excepcional.

Na segunda parte o jogo foi um pouco mais “azul”. Com o 1-1, as coordenadas eram as mesmas, mas a maior proximidade do final do jogo forçou o Porto a uma atitude mais agressiva na zona intermédia, valendo-lhe a imposição de uma postura mais dominadora em termos territoriais. De novo, e agora ainda com mais injustiça, foi o Braga a inspirar-se e a chegar à vantagem. O que se deu a seguir estava longe de ser imaginável por Domingos. Em vantagem e a 30 minutos do fim, o Braga perdeu tudo em menos de 10 minutos. O treinador queixou-se de erros individuais, e fez bem por uma questão de exigência, mas há que dizer que o que aconteceu teve, por um lado, muito mérito portista e, por outro, também uma boa dose de capricho do destino. O mesmo que, sem nada que o fizesse prever, havia dado vantagem ao Braga uns minutos antes.

Em relação ao Porto de Villas Boas, fica de novo a sensação a mesma sensação de uma dependência das individualidades para a produtividade ofensiva. Talvez seja tempo, porém, de riscar a o termo “dependência” e começar a falar em “consciência”. É que com talento deste calibre, porque é que se haveria de correr mais riscos? Este foi um óptimo teste à capacidade mental da equipa e o Porto passou-o. Continua a ser engraçado ver a empatia das bancadas com um futebol colectivamente mais cauteloso e menos entusiasmante do que aquele que tanto criticou. Mas isso é um defeito dos adeptos e não da equipa.

Quanto ao Braga, também confirmou de novo aquilo que é. Forte em termos de organização, lúcida do quer do jogo, e um caso raro de capacidade mental. Aliás, mesmo se é improvável a repetição da pontuação, parece-me que esta é uma equipa ainda mais forte mentalmente do aquela que vimos no ano anterior. Tenho, no entanto, uma critica a fazer a Domingos. É normalmente um treinador que mexe bem na equipa, mas desta vez não creio que o tenha feito. Trocou Elderson por Miguel Garcia, provavelmente pela exposição do primeiro. A verdade é que não considero que estivesse a ser demérito seu, e duvido que houvesse muitos a fazer melhor. Miguel Garcia não era seguramente, e isso viu-se. Depois, Lima por Matheus também não me pareceu acertado. Primeiro porque o golo que acabara de marcar poderia ser um mote mental importante para os minutos finais de Lima e, depois, porque havia um Luis Aguiar demasiado errático no jogo. Obviamente que é bem mais fácil dizer isto depois de analisar cautelosamente o jogo...

Notas individuais
Em primeiro lugar, chamo a atenção para a diferença entre os níveis de participação de laterais e centrais do Braga. Diz isto muito do ‘forcing’ que o Porto fez nas alas e, por outro lado, da capacidade que o Braga teve em evitar uma exposição da sua zona central.

No lado do Braga, destaco a boa prova de competência dada por Silvio, mostrando-se consistente e competente, apesar de não ser um entusiasmo em termos ofensivos. Tivesse o Braga outro como ele e provavelmente não teria perdido. No centro da defesa, Rodriguez foi excelente na leitura e antecipação dos lances. Mais à frente, a referência negativa vai para a pouca eficácia de Luis Aguiar no jogo corrido, sendo incapaz de dar sequência à maior parte dos lances que passaram pelos seu pés.

No Porto, e à margem de Hulk, Varela esteve de novo nos momentos certos, encerrando um inicio de liga pouco inspirado. Atrás, Rolando foi o melhor, e, no meio campo, Moutinho terá feito o seu melhor jogo no campeonato, mesmo continuando a não ser deslumbrante. Quem continua a mostrar-se influente em todos os aspectos, é Belluschi. O melhor médio da liga até agora não foi, desta vez, decisivo ou desequilibrador, mas teve o seu jogo mais “sério” na prova ao nível do critério de passe. E este pode ser mais um óptimo indicador para o que se segue.



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