Mostrar mensagens com a etiqueta Liverpool. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liverpool. Mostrar todas as mensagens

24.2.11

Benfica, Sporting e Braga na Liga Europa (Breves)

ver comentários...
- Em Alvalade, a instabilidade do Sporting dava para esperar tudo. Mesmo com um resultado favorável. Mesmo com um adversário acessível. Aliás, se o problema da falta de qualidade da equipa não é de agora, agora, nem a força anímica vale ao Sporting. O treinador "desistiu", como já venho explicando, e essa falta de ânimo reflecte-se agora dentro do terreno de jogo. Porque, caso contrário, mesmo o Sporting de Paulo Sérgio - o "mau" Sporting de Paulo Sérgio! - chegaria para este adversário. Recordo as palavras de José Guilherme, aquando da sua demissão da Académica, no fim de semana: dizia o treinador que a equipa precisava de um "abanão". Atitude humilde, palavras sábias...

- E não é que o Benfica ganhou mesmo na Alemanha! Na verdade, e apesar do resultado e exibição, devo dizer que discordo da abordagem que Jesus fez ao jogo, logo no discurso pós-derbi. Salientar a possibilidade do desgaste físico afectar a equipa é começar a desgastar mentalmente os jogadores, mesmo antes do tempo. E, se há coisa que estamos fartos de ouvir, é que o desgaste não é apenas físico. Enfim, o Benfica ganhou, porque foi melhor, porque teve uma "armada argentina" inspirada - outra vez! - e porque não deixou que a sua ineficácia deixasse vivo o adversário. E esse é muitas vezes o problema em jogos entre adversários de valor: não materializar os períodos de superioridade e deixar "vivo" o adversário. O Porto quase pagou essa factura ontem, e, desta vez, o Benfica pôs-se a salvo.

- Problemas, dificuldades, desilusão? O facto é que o Braga está a fazer a sua melhor campanha europeia de sempre e pode voltar a fazer uma das melhores temporadas da sua história, assim se qualifique para Europa na Liga. Facto, também, é que, apesar de tantas dificuldades, Domingos será, em termos muito objectivos, o melhor treinador da história do Braga. Renovação?! A mim espanta-me, por exemplo, como é que Domingos não é tema de conversa na campanha eleitoral do Sporting...

- Um comentário em relação ao que se segue e aos adversários das 3 equipas. CSKA, equipa muito difícil, cheia de qualidade individual e com um factor casa muito complicado. O Porto é melhor, mas tem de ter inspiração e muita concentração. PSG, uma incógnita. Porquê? Porque as equipas francesas desvalorizam muito a Liga Europa (o PSG e Lille jogaram sem as principais figuras). Uma coisa será o PSG com Nene e Hoarau, por exemplo, outra será sem eles. Em qualquer caso, o Benfica é superior, mas o equilíbrio será muito diferente. Finalmente, Liverpool, pode ser o melhor adversário para o Braga. A pressão é nula, a motivação é muito maior e o desnível pode não ser tão grande quanto os nomes podem sugerir.

ler tudo >>

9.4.10

Liverpool - Benfica: goleada de detalhes

ver comentários...
Bem... não se pode falar propriamente em surpresa. Afinal, quando o próprio treinador questiona a preparação da sua equipa para um jogo desta dificuldade, que resultado se pode esperar? Um desperdício, reforço eu, porque a qualidade deste Benfica merecia mais ambição. É evidente que a eficácia foi essencial e até se pode aceitar algum sentimento de injustiça pela volumetria do resultado final. Não menos evidente, porém, é a desvalorização drástica desta equipa aos olhos do mundo. É que para quem vê de fora, a prova dos nove faz-se é nestes jogos.

As mexidas de Jesus
Nem era preciso ver o jogo. Se o Benfica perdesse, desse por onde desse, as criticas iriam cair sobre as opções do treinador. É sempre assim. Na verdade, percebendo o porquê do desvio de David Luiz, não posso deixar de o considerar extremamente arriscado. Se o brasileiro dava bem mais garantias do que Coentrão para disputar as primeiras bolas aéreas com Kuyt (este terá sido o motivo mais importante para a alteração), mexer tanto na linha defensiva seria sempre um risco especial. Digo especial, porque a importância da movimentação do fora de jogo é essencial neste Benfica, era essencial frente a este Liverpool e, de facto, foi essencial no jogo.

De resto, enquanto que a opção por Aimar na frente não era nova, ficou por perceber o porquê da ausência de Maxi. No que respeita ao argentino, esta é uma solução sobre a qual já me havia confessado reticente. Na prática, o Benfica jogou sem aquelas que serão as suas maiores referências, por sector, no modelo base. David Luiz, Aimar e Saviola.

A importância do primeiro golo
Apesar das alterações e apesar da impossibilidade de recuperar e preparar melhor o jogo, o Benfica entrou bem. Dividiu o jogo e revelou-se mais forte – como é – em termos tácticos. Em especial nos 2 momentos de organização, já que em transição nunca se impôs. Nada justificava o primeiro golo que, nas mesmas circunstâncias, poderia ter acontecido no outro lado. É assim o futebol. Redondo como a bola.

A verdade é que esse golo foi importantíssimo. A partir daí, o Liverpool alterou. Aproximou Torres e Gerrard dos médios, reduziu o espaço entre linhas, e passou jogar como gosta e melhor se sente. Ou seja, com um fortíssimo pressing baixo e com uma transição preparada para explorar os momentos de inocência do adversário. Se o Benfica estivesse ciente dos perigos desta estratégia, talvez tivesse evitado o descalabro. Assim, como não estava, acabou goleado enquanto se entretinha com um domínio ilusório...

Goleada de detalhes
É inevitável recordar alguns duelos europeus onde o Liverpool se impôs num passado recente. Duelos onde a qualidade é insuficiente. Tudo se joga no detalhe e na concentração. Quem não chega a estes momentos devidamente preparado, quem vai jogar de cor, normalmente dá-se mal. É por isso que, ou se tem uma equipa como o Barcelona, a milhas da concorrência, ou a única boa hipótese de se triunfar na Europa é através da preparação minuciosa dos jogos. É por isso também que esta goleada de detalhes se começou a definir bem antes do apito inicial.



Ler tudo»

ler tudo >>

2.4.10

Benfica: o perigo do "business as usual"

ver comentários...
A natureza do desafio força a constatação: a vitória foi brilhante. Foi. Mas foi-o muito mais por isso, pela natureza do desafio, do que propriamente pela superação da própria performance. Ou seja, o Benfica ganhou, mas numa espécie de modo “business as usual” e não na plenitude daquilo que pode fazer. Aqui entra o risco da questão. É que se o Benfica é de facto excelente, é também perigoso deslumbrar-se com a excelência dos seus próprios mérito. É perigoso não perceber que a maior qualidade individual não está do seu lado. É perigoso o “business as usual”.

Melhor como colectivo. Mas apenas.
O Benfica é melhor que o Liverpool do ponto de vista táctico. Movimenta-se melhor, pressiona melhor, reage melhor em cada um dos momentos do jogo. Mas, se isto já não é pouco, a superioridade encarnada fica-se por aí. O potencial individual, a experiência e capacidade para definir nos pormenores, estão do lado do Liverpool. A prova disso é o próprio jogo da Luz.

O vulgar “jogo-a-jogo” é uma ideia simpática e, até, uma via não impossível. A realidade, porém, é que as hipóteses só são realmente boas se houver jogos mais importantes do que outros para quem define o planeamento. É isso, de resto, que nos diz a história recente da competição e é isso que não deve ser ignorado na hora de pensar o “assalto” europeu.

Aimar e a ausência de Saviola
Um problema maior. Como manter a qualidade num período chave sem uma das referências maiores para esse objectivo? Jesus escolheu adiantar Aimar. Eu discordo. Se Saviola e Aimar são peças fundamentais em cada uma das suas posições, substituir um, desposicionando o outro, parece-me, faz a equipa perder o melhor de cada um. Mas há outra coisa que não se pode deixar de notar. Saviola é insubstituível em termos qualitativos. Certo. Mas, no fim de uma época onde houve Keirrison, Weldon, Nuno Gomes, Kardec e Eder Luiz... ter de desposicionar Aimar?!

Nota: a preparação mais detalhada dos jogos a que faço apelo no texto não tem a ver apenas com opções individuais. Está, isso sim, nos detalhes tácticos.



Ler tudo»

ler tudo >>

14.8.09

Revisão 08/09: Steven Gerrard

ver comentários...

ler tudo >>

22.4.09

Eis que o impensável se repete, 8 dias depois!

ver comentários...
De tão invulgar que é, parecia inigualável, irrepetível. 8 dias depois, porém, o impensável aconteceu e voltamos a ser brindados com um incrível 4-4. Desta vez a competição era diferente, por pontos e sem decisões imediatas. Este deveria ser um dado suficiente para que os jogadores não perdessem tão rapidamente o controlo emocional, mas tal não aconteceu... definitivamente!

Muita entrega, excelentes executantes, mas sobretudo uma série de erros imperdoáveis a este nível estão na base de um resultado que faz as delicias dos adeptos mas que, seguramente, trará mais reparos do que elogios dos treinadores às suas equipas.

Para a história, e isso é o que mais conta, fica um fantástico espectáculo de emoção e incerteza no resultado, com um protagonista especial: Arshavin. Um “póquer” não é para todos, muito menos numa visita a Anfield. Os adeptos dos “Gunners” deverão lamentar-se de não poder contar com esta arma na recta final da Champions, enquanto que para o Liverpool, o 4-4 ameaça tornar-se numa maldição espectacular. É que depois de ter sido eliminado da Champions com esse resultado, poderá muito bem ter perdido a Liga com o mesmo resultado, 8 dias depois.


ler tudo >>

15.4.09

Chelsea - Liverpool: atípica festa do golo

ver comentários...
Tinha falado da maior propensão do Chelsea de Hiddink para os golos em jogos deste calibre, mas naturalmente estaria longe de prever um cenário como aquele que se assistiu em Stamford Bridge. Um 4-4 é tudo o que os adeptos em geral desejam ver e, a este nível, é de facto um desfecho raro. É por isso que este jogo ficará na memória de quem o viu, não pela excelência do futebol, mas, essencialmente, pela chuva de golos e pela incerteza por eles provocado.

Um resultado deste género só se pode explicar pelo lado emocional e pela perda do controlo que ambas as equipas tiveram neste aspecto em vários momentos do jogo. O lado emocional é, de resto, quase a única variante que explica as variações que se assistiram no jogo, com os golos a terem um efeito altamente relevante no comportamento dos jogadores nos minutos seguintes. Primeiro, o golo inaugural, num erro lamentável de Cech, não só pela forma como abordou o cruzamento mas pela deficiente orientação dada ao homem que está a fazer oposição à cobrança de Fábio Aurélio. Esse golo fez o Liverpool acreditar e tornou Cech num elemento altamente intranquilo na partida. O Chelsea encolheu-se e só por muito pouco não acabou em desvantagem na eliminatória no primeiro tempo. Depois, numa segunda parte potencialmente mais equilibrada, criou-se novo desequilíbrio emocional mas no sentido oposto. O golo de Drogba deu ao jogo um cenário oposto, com o Chelsea, agora sim, a controlar devidamente o jogo, mais agressivo a reagir e a pressionar e mais incisivo nos momentos de transição perante um Liverpool incapaz de se impor no jogo. Daí a reviravolta. Depois da oscilação emocional entre a primeira e segundas partes, veio a loucura total nos minutos finais do jogo, com o Liverpool a ganhar nova vantagem com 2 golos consecutivos. O jogo ficou completamente aberto e imprevisível e foi o Chelsea quem, tal como em Anfield acabou por ser mais feliz. Podia muito bem ter acontecido ao contrário...

O novo Chelsea
Este jogo pode ter sido sensacional para quem assistiu mas do ponto de vista do Chelsea terá sido um sofrimento no mínimo dispensável. É certo que o Liverpool teve um excelente comportamento e que tem uma grande equipa, mas a este nível exige-se mais consistência, mais rigor e maior controlo táctico e emocional. Uma coisa é sofrer 4 golos num jogo em que se é obrigado a arriscar, outra é poder sofrer 2 golos e ser-se tão permeável. A este nível, diria, é um mau pronuncio.

Tacticamente o Chelsea não difere muito dos anteriores, havendo algumas nuances relevantes como o papel de Lampard, claramente mais próximo de Drogba, deixando Ballack para um posicionamento muitas vezes quase a par de Essien. O que se percebe é que esta equipa não tem um grande nível de concentração defensiva e que está muito mais vulnerável ao erro do que no passado. Por outro lado, o seu bloco defensivo parece muitas vezes permeável, demorando a reagir tacticamente e permitindo que a bola chegue com anormal facilidade às zonas de finalização.

Tudo isto poderá ser um indicador francamente negativo para a meia final com o Barcelona. Contra o Barça a consistência defensiva é fundamental perante uma equipa que apresenta tanta dinâmica em posse. O Chelsea pode ter capacidade mais do que suficiente para fazer golos aos catalães e até tem uma grande vantagem nas bolas paradas, mas será praticamente impossível pensar em vencer a eliminatória com tanta incapacidade para controlar o jogo, quer táctica, quer emocionalmente.



ler tudo >>

9.4.09

Liverpool - Chelsea: Surpreendente

ver comentários...
Graças à decisão da Sporttv de não repetir nenhum dos 2 jogos na mesma noite em algum dos seus 3 canais, tive de escolher um e optei pelo de Barcelona, por ser aquele que tinha mais probabilidades de ser decidido no “primeiro round”. Posso, por isso, apenas referir a minha surpresa em relação ao curso que levou este jogo, com muitos erros, muitas ocasiões e um desfecho que, ao contrário do previsto, deixa as coisas bastantes sentenciadas no que respeita à eliminatória. Para além disto, destaco apenas a importância das bolas paradas na definição do jogo. O Chelsea de Hiddink é seguramente um caso a rever e para isso não faltarão oportunidades.

ler tudo >>

6.3.09

Viagem a 1977

ver comentários...

Aproveito os vídeos do fantástico programa espanhol “Fiebre Maldini” para fazer uma pequena viagem no tempo até à temporada 76-77 e, mais precisamente, até à Taça dos Campeões Europeus (como este nome soa a velho hoje em dia!), a primeira de 5 conquistadas pelo Liverpool.
O futebol europeu vivia uma fase que, a esta distância, me atrevo a classificar de transição. Transição entre uma era revolucionária, dominada pelo futebol total, pela duelo entre as irreverências holandesa e germânica, com destaque para Ajax e Bayern e, claro, para as figuras mais importantes de cada uma dessas escolas tão marcantes, Cruyff e Beckenbauer. 1977 foi, aliás, o primeiro ano em que esta Taça não ficou nas mãos de uma equipa destes dois países, dando inicio a uma outra era, dominada pelos ingleses, com o Liverpool em particular destaque, já que venceria 4 Taças em 8 anos. Este foi o tempo de Keegan, Souness e Dalglish (apenas Keegan jogava em 77 no Liverpool), excelentes jogadores, sem dúvida, mas, arrisco eu, longe do impacto que tinham tido Beckenbauer e Cruyff ou que viriam a ter Platini ou Maradona nos anos 80.
Esta equipa do Liverpool era comandada por Bob Paisley e havia conquistado a Taça Uefa no anterior. Importa referir que a ascensão do Liverpool tem contornos surpreendentes, tendo começado nos anos 60, quando Bill Shankly conseguiu trazer uma equipa da segunda divisão inglesa até à elite da Europa. Esse é o motivo pelo qual Shankly é por muitos visto como o mais importante treinador do clube, apesar de não ter ganho nenhuma das Taças dos Campeões (ganhou uma Taça Uefa). Note-se, no vídeo do jogo contra o Saint Etienne a loucura da famosa “The Kop”, a bancada superior que, dizem, era um dos segredos do sucesso do Liverpool, particularmente quando os “Reds” atacavam para aquela baliza.
Já agora, uma nota para as outras 2 equipas presentes neste vídeo. O Monchengladbach era orientado por Udo Lattek, primeiro treinador campeão europeu pelo Bayern e de forma algo polémica dispensado, acabando por provar a sua competência no grande rival da altura. O Monchengladbach era um gigante do futebol germânico e, por consequência, europeu. Nesta altura já não figurava Gunther Netzer, provavelmente a maior figura de sempre do clube, mas havia nomes como Berti Vogts, Bonhof, Wimmer, Heynckes e o dinamarquês Simonsen, que marcou o golo do Borussia nesta final e seria nomeado como melhor jogador europeu desse ano. No Saint Etienne não há figuras que mereçam relevo a esta distância, mas não deixo de notar que esta equipa havia sido finalista vencida da edição de 76 e que, ao contrário da ideia que se tem, os grandes tempos do clube (ou seja, estes) não aconteceram sob a “batuta” de Platini, que apareceria mais tarde, conquistando apenas 1 campeonato em 81 antes de sair para a Juventus.
Nota, finalmente, para o futebol português. Embora seja realmente raro ouvirmos alguma referência negativa sobre tempos passados, importa dizer que estes não eram tempos famosos no que aos resultados do futebol português diz respeito. Para ser preciso, em 76-77, apenas o Boavista passou uma eliminatória nas competições européias.

ler tudo >>

26.2.09

Real Madrid - Liverpool: A lei do pormenor

ver comentários...
Sou totalmente contrário a análises baseadas nos títulos passados, ganhos por gente que nada tem a ver com os embates de hoje, mas não deixa de ser notável que entre estes 2 emblemas se contem 14 conquistas deste troféu. Mais interessante do que esse aspecto, para este duelo, há a particularidade de envolver o maior clube da capital espanhola e um outro que detém muitos espanhóis e os maiores embaixadores do futebol campeão europeu.

Este foi tudo menos um encontro interessante, preso a uma rigidez táctica e a uma enorme preocupação em não errar. Esta toada durou toda a partida, acabando esta por ser decidida já no fim e da forma mais previsível possível, ou seja, de bola parada. Do ponto de vista táctico também houve pouco interesse. O confronto de dois treinadores espanhóis com ideias de jogo muito próximas ditou um encaixe de dois 4-4-2. Aqui começou a ganhar o Liverpool porque tem muito mais tempo de rotina neste modelo e se sente muito mais confortável a interpretá-lo.

Os ‘reds’ impuseram a sua postura típica deste tipo de embates de alto nível. Grande concentração táctica, grande qualidade na ocupação dos espaços e grande importância dada ao erro, quer na tentativa de o evitar, quer na busca de um aproveitamento de deslize alheio. Mais habituado a estas andanças (lá está, os títulos passados de nada valem!), o Liverpool foi sempre mais competente na interpretação deste jogo de tanto rigor, sentindo-se sempre o seu maior conforto no jogo. Nota para a fantástica capacidade defensiva da equipa, com o conceito de zona e de entre ajuda a ser interpretado quase na perfeição.

Juande abordou este jogo, tentando ser forte nos mesmos pontos que o Liverpool. Este Real tem fantásticas individualidades que poderiam ter feito a diferença no jogo mas do ponto de vista colectivo notou-se sempre que esta era uma equipa menos confortável em certos aspectos de pormenor que acabaram por ditar alguns desequilíbrios relevantes no jogo. Na segunda parte, Juande Ramos tentou uma mudança táctica que tentasse desbloquear o jogo, passando Robben da direita (onde foi marcado sempre zonalmente por vários adversários) para esquerda, contando com a não participação ofensiva de Fabio Aurélio e introduzindo Guti para uma posição mais central, tentando criar superioridade naquela zona. O Liverpool, no entanto, tem uma organização fantástica e essa tentativa resultou em muito pouco. A ideia que se retira deste jogo é que, claramente, há um caminho a percorrer para que equipas como o Real possam realizar um jogo tacticamente tão forte como as potencias do futebol inglês. Ainda assim, claramente, não é por falta de talento, destacando a excelente exibição de Pepe, a certeza do jogo de Gago e a facilidade incrível que Robben tem para desequilibrar.


ler tudo >>

3.5.08

História do Europeu - Jugoslávia 1976

ver comentários...
Enquadramento Futebol Português
Em 1976, o Benfica conquistava o segundo título do último tri campeonato da sua história. Pela mão do carismático Mario Wilson, que abandonaria o comando técnico dos encarnados no final dessa época para dar lugar à primeira passagem de John Mortimore pela Luz. Na equipa do Benfica estavam nomes como José Henrique, Vitor Baptista, Shéu, Toni ou Nené. Mas o destaque vai para dois homens. Chalana que com apenas 17 anos chegava ao Benfica, vindo do Barreirense, e Jordão, melhor marcador com 30 golos, o que justificou o interesse e a contratação por parte do Saragoça no avançado.
Ao triunfo do Benfica, juntou-se uma época desastrada de Sporting e FC Porto. No caso do Sporting, o pior resultado de sempre no campeonato, 5º lugar, o que lhe valeu a primeira ausência da Europa em 76/77. Na equipa de Juca, a nota positiva vai para os 26 golos do estreante Manuel Fernandes, chegado da CUF. No Porto, o 4º lugar foi particularmente amargo, por ter sido ficado, inclusive, atrás do seu rival da cidade, o Boavista. Nos dragões, no entanto, este seria o último 4º lugar até aos dias que correm, e a época de viragem estava prestes a começar. António Oliveira já era o artista nas Antas, que serviu de apoio à melhor época do goleador Peruano Cubillas no clube (28 golos). Cubillas não voltaria a repetir tamanho exito em Portugal e a época seguinte abriria o ciclo de um novo goleador azul e branco: Fernando Gomes (tinha 20 anos em 1976).
Tal como acontecera em 1972, é obrigatório falar de um clube de menor dimensão, neste caso, o Boavista. A coincidência entre o Boavista de 76 e o Setúbal de 72 está num nome: José Maria Pedroto. Pedroto, com João Alves entre os seus jogadores, foi o timoneiro da equipa que ficaria conhecida como “Boavistão”, pelo 2ºlugar conseguido 2 finais da Taça seguidas, culminando com a vitória na prova precisamente em 1976, batendo o Guimarães por 2-1. No final dessa época, Pedroto daria mais um passo para marcar o futebol português, transferindo-se para o FC Porto e criando as bases, não só para interromper o longo jejum de campeonatos em 1979, como para iniciar um novo ciclo no futebol português, que Pinto da Costa e FC Porto se encarregariam de prolongar até aos dias de hoje.
Nota final para a representação fraca dos clubes portugueses nas provas europeias, sem grandes brilharetes para registo. Aliás, a década de 70 seria uma das piores em termos de representação nacional na Europa.

Enquadramento do Futebol Europeu
No futebol europeu, 1976 marcou o último dos 3 títulos conseguidos pelo Bayern Munique na Taça dos Campeões. A Europa do futebol, aliás, entrava num período de domínio Anglo-Germânico em termos de competições europeias. Em Inglaterra, o principal destaque vai, claramente, para ascenção do Liverpool. Os “Reds” entraram nos anos 60 no segundo escalão do futebol, mas a contratação do “Boss” Bill Shankly revelou-se determinante. Shankly, não só devolveu o clube ao primeiro escalão, como o colocou rapidamente como principal emblema do país vencendo o título em 64 e repetindo-o em 73, quando juntaria uma Taça Uefa. Shankly abandonaria em 74, tendo criado as bases para aquele que foi o mais bem sucedido dos treinadores que Anfield alguma vez viu: Bob Paisley. Paisley conseguiu ultrapassar o fantasma de Shankly e ganharia 6 campeonatos, 1 Taça Uefa e 3 Taças dos campeões Europeus. Paisley foi regenerando a equipa que herdou de Shankly e, sempre no seu 4-4-2, encontrou figuras emblemáticas do clube como os Hansen, Thompson, Souness e Dalglish.
Na Alemanha, nota para o Monchengladbach, finalista em 77 da Taça dos Campeões Europeus e vencedor da Uefa em 75 e 79. O Borussia foi o grande rival interno do poderoso Bayern de Beckenbauer e conseguiu mesmo mais títulos do que os bávaros nos anos 70 (5 contra 3). Nesta rivalidade, destaca-se o nome de um treinador: Udo Lattek. Lattek começou por estar ligado à Selecção Alemã, como treinador adjunto de Schoen em 66. Em 1970 foi aconselhado por Beckenbauer para treinador do Bayern, causando alguma controvérsia a sua falta de experiência. Mas a qualidade, como sempre, é o principal factor de sucesso de um treinador, e Lattek levou o clube a 3 campeonatos e uma Taça dos Campeões Europeus. Em 1975, no entanto, o Bayern precipitar-se-ia ao dispensar o treinador no seguimento de uma crise interna. O clube seria campeão europeu mais 2 anos sob o comando Dettmar Cramer, mas não voltaria a ser campeão até 1980. Lattek, por seu lado, serviu fria a vingança, transferindo-se para o Monchengladbach, onde conquistaria 2 campeonatos (76 e 77), chegaria a uma final da Taça dos Campeões Europeus (77) e conquistaria uma Taça Uefa (79). Lattek voltaria mais tarde ao Bayern para ser o protagonista de mais uma época de sucesso dos bávaros, agora nos anos 80. 3 Bundesliga e 2 Taças em 4 anos marcaram o sucesso desta passagem, apenas amargurada pela final perdida em 1987 para o FC Porto. Lattek é, a par de Trapattoni, o único treinador que, até hoje, venceu os 3 troféus Europeus, tendo-o conseguido por 3 clubes distintos (Bayern Munique, Monchengladbach e Barcelona). Feito que, dada a extinção da Taça das Taças, se torna muito difícil de igualar.

Qualificação
A fase de qualificação para o Euro 76 não foi das mais surpreendentes. Afinal, Checoslováquia, Alemanha Ocidental, Jugoslávia e Holanda eram das mais fortes Selecções do contexto europeu da altura.
Ainda assim, na fase de grupos, destaque para a eliminação da Inglaterra que foi segunda no grupo ganho pela Checoslováquia e onde constava ainda Portugal. Os ingleses, dominadores do panorama europeu de clubes passavam por uma década negra no que respeita a grandes competições, falhando igualmente as presenças nos mundiais de 74 e 78. Os ingleses lamentar-se-ão dos dois empates concedidos frente a Portugal (particularmente o 0-0 de Wembley), bem como da derrota em Bratislava por 2-1, depois de terem começado a vencer por 0-1 num jogo que durou 2 dias devido ao nevoeiro.
Outro grupo que importa destacar é da Holanda, Polónia e Itália, com os holandeses a levar a melhor. Em segundo ficou uma forte formação polaca (que havia sido terceira classificada em 74), enquanto que a Itália ficou-se pelo terceiro lugar, apesar de ter derrotado os holandeses em Roma com um golo solitário de Capello.
Nos quartos de final que definiram os 4 finalistas da prova, a Checoslováquia derrotou a formação com mais tradição até aqui em fases finais de Europeus, a União Soviética. Uma vitória em Bratislava (2-0) e um difícil empate em Kiev (2-2), carimbaram o passaporte para aquela que seria a mais gloriosa página do futebol Checoslovaco. A Jugoslávia, que seria anfitriã da prova, eliminou o País de Gales com um concludente 3-1 no total dos dois jogos. Mas as eliminatórias mais interessantes foram as outras duas... Num duelo de campeões europeus, a Alemanha Ocidental confirmou o seu momento de superioridade em relação à Espanha. Santillana deu vantagem aos Espanhóis em Madrid, mas o golo de Beer no segundo tempo determinou um muito positivo empate a uma bola (Vídeo) com que os germânicos encararam o jogo decisivo no estádio Olímpico de Munique. Aí, os alemães foram superiores, vencendo por 2-0. Nos países baixos disputou-se mais um acesso aos 4 finalistas. Numa espécie de maldição que impediu uma muito interessante formação belga de estar presente nas grandes competições do final dos anos 70, a Holanda foi mais uma vez o carrásco dos seus vizinhos e rivais. Algo que já acontecera na qualificação para o Mundial de 74 e que se repetiria no acesso ao Argentina 78. Nesta eliminatória a superioridade holandesa foi inequívoca. 5-0 na banheira de Roterdão e 1-2 em Heysel. Destaque para o hat-trick de Rensenbrink, um holandês que fez a sua carreira por clubes belgas, particularmente no Anderlecht onde foi ídolo (aliás foi o melhor jogador do campeonato belga nesse ano).
Nota, finalmente, para a prestação portuguesa. Uma selecção onde pontificavam Damas, Humberto Coelho, Nené, Toni, Octávio, Vitor Baptista ou João Alves, confirmava aquilo que também se passava ao nível de clubes na década de 70: uma grande incapacidade de afirmação internacional. Os portugueses até começaram de forma prometedora com um empate a zero em Wembley. Mas a ilusão começou a desfazer-se no jogo seguinte com a derrocada (5-0) em Praga. Os portugueses apenas conseguiriam vencer a mais fraca formação do grupo, o Chipre, ficando pelo terceiro lugar, atrás de Checoslováquia e Inglaterra.

Fase Final
Tendo palco as cidades de Zagreb e Belgrado, esta prova ficou marcada pelo enorme equilíbrio entre as formações, sendo que nos 4 jogos disputados houve lugar a prolongamento. Na primeira meia final, em Zagreb, houve um protagonista especial: Anton Ondrus. O capitão da Checoslováquia começou por ser decisivo ao dar a vantagem à sua formação ainda no primeiro tempo, mas já perto final foi o próprio Ondrus a marcar na própria baliza, originando o empate holandês que forçou o prolongamento. Nos 30 minutos suplementares, os checoslovacos garantiriam um lugar na final. A equipa da casa actuou em Belgrado frente à detentora do título e poderosa Alemanha Ocidental. O inicio de jogo prometia uma noite gloriosa para os anfitriões. Ao intervalo venciam por 2-0 com golos de Popivoda e Dzajic. Flohe reduziu à entrada da última meia hora, mas o minuto mais importante na história deste jogo é o 79’. Um tal de Muller, que não o famoso Gerd, entrou para o lugar de Wimmer e 3 minutos depois empatou, levando o jogo para prolongamento. Aí Dieter Muller tornou-se numa das estrelas da competição, marcando 2 golos que colocaram a Alemanha Ocidental na final da prova.
Um dia depois da Jugoslávia ter desperdiçado no prolongamento o esforço da recuperação que anulou os dois golos que os holandeses conseguiram de vantagem no inicio do jogo, disputou-se em Belgrado a final da competição. Pela terceira vez em quatro jogos, registou-se um empate a 2 no final dos 90 minutos, com Muller a marcar mais um golo e os alemães a conseguirem evitar a derrota no minuto 89. Só que desta vez o prolongamento não teve golos e, pela primeira vez na história da competição, a decisão teve de ser feita por penaltis. Todos converteram, até que Hoeness falhou oitava cobrança, colocando nos pés de Panenka a possibilidade de garantir a conquista da competição. Perante o categorizado Sepp Maier, Antonín Panenka protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história do futebol, iludindo o guardião germânico e dando a vitória à Checoslováquia com uma execução que se encarregaria de imortalizar o seu nome: o penalti “à Panenka”.

Meias finais
Checoslováquia 3-1 Holanda (1-1 no final dos 90 minutos) (Vídeo Parte1 e Parte2)
Jugoslávia 2-4 Alemanha Ocidental (2-2 no final dos 90 minutos)
3º/4º Lugar
Holanda 3-2 Jugoslávia (2-2 no final dos 90 minutos)
Final
Checoslováquia *2-2 Alemanha Ocidental ((2-2 no final dos 90 minutos e 5-3 nas grandes penalidades)

Equipas

Checoslováquia (Campeã)
Orientada por Vavlav Jezek, a Selecção Checoslovaca tinha credenciais de respeito no futebol europeu, nem que fosse pelo comportamento na qualificação, onde deixou para trás a Inglaterra e União Soviética. No entanto, esta Selecção que falhou os mundiais de 74 e 78 às custas da Escócia estava longe de se constituir como um candidato à vitória final. A nível de clubes, o Slovan Bratislava vivia os seus tempos aureos depois de ter conquistado uma Taça das Taças em 69 e alguns campeonatos durante o inicio da década de 70. Precisamente o Slovan era o principal fornecedor de jogadores para esta Selecção. Na formação que iniciou a final 6 jogadores eram do Slovan, sendo estes sobretudo representantes do sector defensivo.

Alemanha Ocidental
Helmut Schoen comandou a única selecção a entrar numa fase final de um Europeu como campeã Europeia e Mundial em título. Uma boa parte da equipa fazia parte do elenco que triunfara em 72, mas também houve várias ausências. Da Selecção que entrou na final, Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Wimmer e Hoeness repetiram a titularidade de 4 anos antes. No conjunto de jogadores escolhidos por Schoen, havia agora muito mais diversidade de clubes de origem, com o Bayern de Munique e Monchengladbach a serem, sem surpresa, os maiores representantes com 4 jogadores. Esta final representa a última em grandes competições para uma geração de jogadores como Beckenbauer, Hoeness ou Maier. Nomes como Gerd Muller ou Paul Breitner não figuraram neste Europeu por terem decidido deixar de representar a Selecção, apesar de continuarem bem activos nos seus clubes. No caso de Muller, foi uma decisão sem retorno, mas Breitner (que em 76 tinha apenas 25 anos) regressaria mais tarde à Selecção para jogar o Mundial de 82.

Holanda
George Knobel
foi o sucessor de Rinus Michels após o Mundial de 74. O seu primeiro teste foi comandar esta equipa de estrelas no Euro 76 e, se se pode dizer que não desiludiu na qualificação, o mesmo não se pode dizer da fase final. Esperava-se a qualificação da Holanda para a final, numa hipotética repetição da final do Mundial 2 anos antes. A Checoslováquia, no entanto, foi um adversário que se mostrou à altura desta potencia mundial da altura, e na vitória no playoff para o terceiro lugar já não jogaram figuras como Cruijff, Neeskens e Rep. Esta foi a primeira Selecção de um Europeu a ter um conjunto de estrelas a actuar fora do seu país: No Barcelona, Johan Neeskens e Johan Cruijff, no Valencia, Johnny Rep e no Anderlecht Rensenbrink. Nota para a realidade da altura no futebol Holandês. Os tradicionais gigantes, Feyenoord e Ajax viviam períodos baixos depois de gloriosas equipas, com destaque para a saída das estrelas do Ajax que conquistaram o tri campeonato europeu. Na Holanda vivia-se uma experiência nova mas que se repetiria diversas vezes após os anos oitenta: uma fase de domínio do PSV. Nos de Eindhoven, destaque para uma dupla de gémeos que fez história também nos Mundiais de 74 e 78: os médios René e Willy Van de Kerkhof.

Jugoslávia
Uma das decisões que talvez pudesse ter ajudado a equipa Jugoslava seria escolher Split como cidade anfitriã. É que, apesar do campeão em 76 ter sido o Partizan, o Hajduk Split vivera tempos de domínio no futebol Jugoslavo do inicio da década e Ante Mladinic escolhera para o seu elenco sobretudo jogadores do Split, 6 deles com honras de titularidade. Aqui, importa lembrar que Mladinic era, ele próprio, croata e ex-jogador do Hajduk, não se sabendo até que ponto a rivalidade com os Sérvios e os clubes de Belgrado condicionaria as suas opções. Na Selecção Jugoslava, destacam-se ainda alguns jogadores que actuavam em clubes estrangeiros. Katalinski (Nice), Popivoda (Eintracht Braunschweig), Oblak (Schalke 04) e Dragan Dzajic (Bastia).

Estrelas
Ivo Viktor (Checoslováquia) – Fica ligado à história desta competição por uma memorável exibição frente à Holanda nas meias finais. Era já veterano, com 34 anos, e havia passado a carreira “escondido” no Brno e Dukla Praga, mas em 1976 a Europa ficou convencida com as suas exibições, ao ponto de ter sido terceiro na eleição para Bola de Ouro da France Football nesse ano.

Anton Ondrus (Checoslováquia) – Central do Slovan de Bratislava e capitão da selecção vencedora, ainda que não fosse o mais experiente dos seus elementos. Ondrus fica marcado pela peculiaridade de ter marcado os dois golos do tempo regulamentar frente à Holanda na meia final, só que um em cada baliza. De resto teve uma actuação que revelou as suas potencialidades, nomeadamente no jogo aéreo.

Antonin Panenka (Checoslováquia) – Naturalmente a figura da prova, por aquele gesto mitico que fica gravado na história do futebol como qualquer grande momento de Maradona ou Pelé. Sobre o penalti, Panenka confessou tratar-se de uma invenção sua para ganhar apostas nos treinos com o guarda redes da sua equipa. A técnica foi desenvolvida depois em treinos e jogos de menor importância até surpreender Maier com a execução vitoriosa. Panenka era um médio ofensivo, dotado tecnicamente que jogou até aos 45 anos de idade. O seu clube era o Bohemians de Praga (onde hoje é Presidente), mas mais tarde jogou também no Rapid Viena. Participaria ainda no Europeu 80 e Mundial 82 (já com 33 anos).

Zdenek Nehoda (Checoslováquia) – Um dos maiores avançados da história do futebol Checo, jogou 90 vezes pela Selecção, marcando 31 golos. Em 1976 foi figura importante na conquista do título, destacando-se o golo que marcou no prolongamento da meia final frente à Holanda. Ponta de lança forte no jogo aéreo mas também dotado tecnicamente.

Berti Vogts (Alemanha O.) – Para os mais jovens este nome é sobretudo conhecido pelos feitos como treinador, nomeadamente pela conquista do Euro 96. A verdade é que Vogts foi um dos melhores (talvez o melhor) lateral direito da história do futebol germânico. “Der Terrier” era assim conhecido pela sua entrega ao jogo. Faria quase 100 jogos pela Selecção, o mais famoso dos quais, a final do Mundial 74, onde marcou Cruijff. Fez toda a carreira no Monchengladbach.

Franz Beckenbauer (Alemanha O.) – Pode não ter ganho o título colectivo, mas isso não impediu que fosse, mais uma vez, nomeado Bola de Ouro pela France Football. Uma distinção que diz tudo sobre as qualidades de “Der Kaiser”, também neste Europeu. Um episódio curioso aconteceu na final – na sua centésima internacionalização – quando ninguém parecia querer marcar os penaltis. A demora foi tanta por parte dos alemães que o público reagiu, assobiando. Foi aí que apareceu a liderança de “der Kaiser”, nomeando ele próprio os eleitos.

Dieter Muller (Alemanha O.) – Independentemente da sua importância como goleador no futebol alemão, esta competição está para a carreira internacional de Muller como os mundiais de 90 ou 82 estão para Schilacci ou Rossi. É que Muller marcou apenas 9 golos na sua carreira pela Selecção, em 12 aparições... 4 deles foram neste jogo, destacando-se o facto de nem ter sido titular no primeiro jogo, entrando aos 79’, a tempo de fazer um hat-trick na sua estreia com a camisola da Selecção. Goleador de várias equipas, mas sobretudo do Colónia e, mais tarde, do Bordéus, Muller tem o maior registo de golos num jogo da Bundesliga, 6 frente ao Werder Bremen em 77. Em mais um episódio curioso da sua carreira, o registo não ficou gravado porque... os “camaramen” estavam de greve!

Ruud Krol (Holanda) – Um defesa que é um dos marcos do ‘Futebol Total’ dos anos 70. Defesa polivalente e de grande classe, Krol usava a sua versatilidade para desempenhar várias funções ao longo dos jogos. Jogador do Ajax durante grande parte da carreira, onde foi capitão, já depois da saída de Cruijff. Seria o terceiro melhor jogador europeu em 79.

Johan Crujff (Holanda) – Falar de Cruijff é, obviamente, falar de um dos maiores génios de sempre. A verdade, no entanto, é que Crujff estava já na fase descendente da sua carreira quando, com 29 anos, disputou esta competição. Depois de 3 títulos europeus pelo Ajax, Crujff juntou-se a Rinus Michels no Barcelona. A verdade é que a armada holandesa apenas conseguiu uma liga em 74 (apesar da importância por ter sido a única entre 60 e 85), em 5 anos de Barça. Também na Selecção, Cruijff invocaria problemas com ameaças à sua familia para abdicar da Selecção em 77, não participando no Mundial 78.

Johan Neeskens (Holanda) - Médio criativo foi a “sombra” de Crujff em grande parte da carreira. Isto partilhou com o génio holandês as experiências no Ajax e no Barcelona – onde se juntou um ano após o ingresso de Cruijff – bem como o Mundial de 74 e o Euro 76. Neeskens jogaria, no entanto, o Argentina 78. Tal como Cruijff apenas jogou a meia final.

Rob Rensenbrink (Holanda) – Fez grande parte da carreira na Bélgica, tornando-se uma glória do Anderlecht após ter entrado no país para jogar no rival Club Brugge. Em 76 foi jogador do ano na Bélgica e segundo mais votado na eleição de Melhor Europeu do Ano para a France Football. Dois anos mais tarde, após um brilhante Mundial 78, voltou a constar entre os 3 mais votados numa eleição ganha por Kevin Keegan. Rensenbrink era um canhoto dinâmico e goleador. As suas funções na Selecção holandesa não foram facilmente incorporadas, primeiro pela sobreposição de funções com Cruijff e, depois, pelo facto de não ser originário do Ajax ou Feyenoord, bem mais rotinados com a novidade do ‘Futebol Total’. Com o abandono de Cruijff, Rensenbrink tornar-se-ia numa das principais estrelas da “Laranja”.

Dragan Dzajic (Jugoslávia) – Figura já destacada no Euro 68, Dzajic voltou a brilhar em 76, agora com 30 anos. Nesta altura havia já abandonado o seu clube de origem, o Estrela Vermelha, para ingressar num Bastia que se preparava para atingir o topo da sua história. Dzajic marcou 2 golos na prova, distinguindo-se, mais uma vez, pela qualidade sublime do seu pé esquerdo que o notabilizou como um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol e o nome escolhido pela Federação Sérvia como jogador do século, no Jubileu da Uefa.

ler tudo >>

1.5.08

Champions: Duelo interno prolongado para Moscovo

ver comentários...
Chelsea 3-2 Liverpool
(resumo)
A única surpresa nas opções dos treinadores foi a presença de Benayoun sobre a esquerda do meio campo, no lugar que vinha sendo ocupado por Babel. De resto, o 4-4-1-1 do Liverpool, frente ao 4-3-3 dos “Blues”, esperando-se uma atitude semelhante e cautelosa de ambas as formações, apesar do Liverpool entrar em desvantagem na eliminatória.
O jogo confirmou essas mesmas intenções cautelosas de ambas as formações, arriscando pouco em posse e definindo zonas de pressão apenas à entrada do meio campo respectivo. Ainda assim, os primeiros minutos mostraram uma diferença importante na forma como as equipas encaravam as suas jogadas ofensivas. Enquanto que o Liverpool garantia que o Chelsea não pudesse actuar em transição, recorrendo ao jogo directo que buscava, ora Gerrard, ora Kuyt, o Chelsea variava a sua abordagem, entre o recurso directo a Drogba e um jogo que tentava a troca de bola dinâmica entre os seus jogadores. Esta última opção, acabou por revelar dois aspectos que determinaram uma melhor primeira parte do Chelsea. Primeiro, a clarividência com que trocava a bola, virando muitas vezes o flanco e fazendo uso de Essien para criar alguma superioridade no “miolo”. Estas viragens de flanco revelaram o outro aspecto a realçar, a menor capacidade de ajustamento posicional do bloco do Liverpool. Este foi um pormenor particularmente em evidência numa ocasião que Drogba conseguiu, após vir ao espaço entre linhas, aproveitando o espaço libertado, precisamente, por uma viragem de flanco. Resta, finalmente, referir que apesar desta ousadia do Chelsea para tentar penetrar no bloco do Liverpool em posse de bola, foram raros os momentos de transição dos “Reds” no primeiro tempo. A excepção foi o primeiro lance de perigo do jogo, numa finalização de Torres após uma jogada em que Gerrard foi sempre a referência na zona central.
O golo chegou aos 32’, para o Chelsea e em transição. Não se pense no entanto que havia algum desequilíbrio posicional do Liverpool na jogada. Pelo contrário, quando Lampard recebe a bola após a recuperação de Carvalho, há 6 jogadores do Liverpool atrás da linha da bola. O problema é que, tal como referi, esta não foi uma grande noite em termos posicionais para a formação de Benitez. Não só Lampard não teve a pressão de um dos médios centro do Liverpool (Mascherano e Alonso), como ainda Arbeloa permitiu que se criasse uma linha de passe na zona interior que é sempre o lado que os defensores devem esconder. Não marcou Kalou, mas fê-lo Drogba na recarga e o Chelsea chegava à vantagem, não havendo grandes alterações no jogo até ao intervalo.
No segundo tempo, mudou a abordagem do Liverpool e o posicionamento do Chelsea, que baixou as suas linhas. O Liverpool passou a apostar mais num jogo apoiado que tinha em Xabi Alonso a grande referência para a construção. A qualidade de passe do espanhol fez estragos e a primeira ameaça surgiu logo aos 48’, quando Kuyt falhou a conclusão após uma jogada aérea que teve em Alonso e Gerrard os outros protagonistas. O grande problema do Chelsea neste período foi a incapacidade para sair em transição, com o pressing a provocar poucos erros ao Liverpool. Ainda assim as coisas pareciam estar a melhorar para os “blues” que passaram a impedir Alonso de jogar tão livremente. Foi nesse período que surgiu o golo do Liverpool, numa rara troca de flancos entre Kuyt e Benayoun, aproveitada pelo Israelita para “inventar” um golo que Torres concluiu.
O jogo voltou rapidamente às coordenadas iniciais, destacando-se a subida das linhas do Chelsea que forçaram e, mais uma vez, a um recurso exagerado a um jogo mais directo por parte do Liverpool. Essien foi o protagonista do lance mais perigoso deste ascendente do Chelsea que, depressa, de esfumou perante as cautelas que se apoderaram do jogo com o aproximar do prolongamento.
Os últimos 30 minutos do jogo foram de uma intensidade louca. Primeiro ameaçou o Liverpool, depois o Chelsea, que marcou mesmo, levando meio mundo a pensar que Essien tinha dado nova vantagem aos “Blues”. Não passou de um engano, mas se o lance não teve efeitos no marcador, teve-o no balanceamento do jogo que caiu totalmente para o lado de Chelsea. Hyypia cometeu logo a seguir um duplo erro imperdoável. Primeiro dominando mal a bola numa zona proibida e, depois, arriscando um corte numa jogada que não o justificava. De penalti o Chelsea chegou-se à dianteira, sabendo pouco depois aproveitar o momento de desorientação do Liverpool para dobrar a vantagem. Para que não se perdesse a emoção, Babel ainda tirou partido da desconcentração de Cech, mas havia pouco tempo para que o Liverpool voltasse a garantir uma final da Champions.

---
Devo confessar que esperava uma exibição mais capaz do ponto de vista colectivo do Liverpool, particularmente nos momentos em que o jogo esteve empatado. Neste sentido, provou-se a importância da energia de Anfield para os momentos decisivos, funcionando Stamford Bridge, desta vez, em sentido contrário. No Liverpool fica a incógnita de qual poderá ser o futuro e, nesse aspecto, não posso deixar de notar a dificuldade que teve Benitez para trazer outra capacidade desde o banco (à excepção de Babel que é normalmente titular), apesar dos largos milhões despendidos.
Uma pergunta que muitos se puseram foi sobre qual seria o adversário mais desejado por Ferguson. Se a resposta Liverpool é aquela que mais sentido faz, tendo em conta o passado recente dos confrontos entre Ferguson e Benitez, creio que o contexto da temporada dará a Ferguson e ao Manchester a sensação de uma maior igualdade de circunstancias, dividindo as duas equipas energias entre o plano interno e a Champions. De qualquer forma, este Chelsea que se viu nos últimos 2 jogos é uma equipa temível, aparecendo com vários jogadores em grande momento de forma (Essien, Ballack, Drogba...).
Uma questão que muitos se colocam é como poderá Avram Grant conseguir o que Mourinho não conseguiu em 06/07. Sem retirar mérito ao Israelita, recordo que nessa comparação deverá constar o importante facto de Grant não ter tido uma época tão fustigada por lesões como havia tido Mourinho (para não falar da decisiva “prenda” de Riise) e que o Chelsea teve mais jogos em 06/07, fruto da melhor prestação nas competições a eliminar no plano interno.

ler tudo >>

23.4.08

Champions: Liverpool - Chelsea

ver comentários...
A meia final “do costume” não teve em termos estratégicos uma história muito diferente do passado, isto apesar da ausência de Mourinho. Sem surpresas em termos de sistema (4-4-2 do Liverpool, com Gerrard a fazer a ligação entre o meio campo e Torres, e o 4-3-3 do Chelsea onde sobressaia a ausência do “pulmão” Essien) e também em termos de abordagem ao jogo.

Os primeiros minutos foram marcados, como no passado, por uma preocupação mutua pelo controlo do jogo. Em termos práticos, isto significou, sem bola, dois blocos que definiam a linha de meio campo como o inicio da sua zona de pressão, que esperava por um passe mais arriscado para dar inicio a uma transição. Claro que ambas as equipas estavam alertadas para esta “ratoeira” e por isso a posse de bola era marcada por muitas cautelas, mais valendo o recurso ao jogo directo do que o risco de um passe vertical para a respectiva zona. Como um jogo de xadrez, a partida seguiu dentro destas coordenadas à espera de um desequilíbrio pontual que o mudasse. Aqui é fundamental um aspecto: a concentração.

O primeiro tempo reservou alguns momentos que poderiam ter rompido esta espécie de pacto estratégico. Um notável passe de Xabi Alonso que encontrou na perfeição a diagonal do extremo Kuyt, um erro de Arbeloa que reagiu erradamente a um momento de pressão do Chelsea, efectuando um passe que deu inicio a uma rara e perigosa transição do Chelsea. Uma transição defensiva menos conseguida pelo Chelsea, não controlando uma jogada que se iniciou com um 1x1 de Babel e que terminou com Torres na cara de Cech após alguns ressaltos que o Chelsea não conseguiu ganhar. Até que, finalmente (aos 42’), surgiu o lance que mudaria as coordenadas para o segundo tempo, o golo de Kuyt. A jogada surge de um duplo erro de Lampard. Primeiro, deixando que o Liverpool cobrasse rapidamente um livre a meio campo, com a sua defensiva desposicionada (o que lhe diria Mourinho se fosse treinador!). Depois, facilitando à entrada da área e numa posição pouco favorável para sair a jogar. Finalmente, nota para a forma acidental como a jogada foi construída, o que terá também contribuído para a abordagem disparatada de Makelele que possibilitou que Kuyt ganhasse condições para finalizar.

A segunda parte tinha de trazer, forçosamente, mudanças da parte do Chelsea. Elas sentiram-se num recurso mais declarado ao jogo directo, tendo sempre Drogba como referência. Cech, por exemplo, passou a colocar permanentemente a bola no costa marfinense. Outro aspecto foi o carácter menos posicional do bloco perante a posse de bola do Liverpool. A verdade é que foi o Liverpool quem mais partido tirou destas alterações. Primeiro porque controlou sempre o recurso a Drogba e, depois, porque foi inteligente e capaz em posse de bola, fazendo um bom uso dos espaços (lateralmente) e ultrapassando sempre o primeiro “pressing” do Chelsea. Mas o Liverpool não saberia manter este controlo na partida. Aos 66’ acontece um lance que marca os 20 minutos seguintes, invertendo a tendência do jogo. Algo irracionalmente, o Liverpool passou a tentar pressionar alto a partir de certas jogadas, criando um espaço entre linhas que a boa qualidade de circulação de bola do Chelsea passou a saber explorar e que proporcionou, nessa altura, uma ocasião flagrante a Malouda. Por estranho que parecesse, o Liverpool perdera parte do controlo do jogo por permitir que o Chelsea fosse ameaçador em transição, mostrando-lhe um caminho alternativo à solução Drogba.

Se a eliminatória frente ao Arsenal havia tido uns 10 minutos finais atípicos, Anfield foi novamente palco de uma oscilação de emoções, agora desfavorável ao seu público. A tal tendência ascendente do Chelsea foi perdendo gás e parecia completamente evaporada quando dois erros em posse de bola (1 sob pressão, o outro num passe precipitado de Makelele) proporcionaram, primeiro a Gerrard, depois a Torres dar outro rumo à eliminatória. Para que o golpe de teatro fosse ainda maior, Anfield terá sentido alguma injustiça um pouco antes do minuto final, quando Torres falhou mais uma oportunidade, após ficar livre num canto que ilustra a queda de concentração do Chelsea nos últimos minutos. Eis que, então, surgiu o tal golpe de teatro – uma novidade em relação às meias finais entre estas 2 equipas – com Riise a medir mal o efeito que a bola ganhou ao bater na relva e, com isso, um cruzamento desesperado de Kalou num precioso empate.

...

Contas feitas, o Chelsea conseguiu um golpe de felicidade quando menos o merecia, num jogo em que o Liverpool parecia, mais uma vez, levar a melhor com a sua estratégia do “erro minímo”. Para a segunda mão, creio estar tudo em aberto. Há uma nuance importante e que foi determinante nesta fase da competição em 2007. O Chelsea joga uma partida decisiva no fim de semana, ao contrário do Liverpool e isso deverá ser determinante para as condições de ambas as equipas no segundo jogo.

ler tudo >>

9.4.08

Champions: Liverpool - Chelsea... outra vez!

ver comentários...
Liverpool 4-2 Arsenal
O resultado positivo que o Liverpool trouxe para Anfield terá feito Benitez apostar numa estratégia que fazia de Crouch e de uma abordagem mais directa ao jogo um recurso essencial. Gerrard foi colocado como médio esquerdo, mas a sua missão não era dar largura ao flanco, antes sim juntar-se a Torres para fazer das segundas bolas o ponto de partida as suas jogadas perigosas. Benitez pretenderia “saltar” o meio campo, criando dificuldades a um Arsenal que iria assumir o jogo com “esticões” que não permitissem a recuperação do seu meio campo. Quem viu o inicio do jogo, percebeu facilmente como esta estratégia falhou. O Liverpool não só pareceu refém da solução Crouch como cometeu erros em posse de bola quando não tentava recorrer à estatura do seu avançado. Tudo isto foi aproveitado pelos “Gunners” para entrar bem no jogo, chegando a uma vantagem que justificou.
Tal como em Londres, no entanto, o Liverpool foi feliz, conseguindo o empate praticamente à primeira tentativa, em mais um exemplo do notável jogo aéreo de Hyppia. O efeito do empate foi notório no jogo. Afinal, a eliminatória estava completamente empatada e, agora, ninguém tinha vantagem. O Liverpool foi quem mais ganhou com esta alteração e os últimos 15 minutos da primeira parte foram apenas uma antevisão do que se assistiria no inicio da segunda. O Liverpool pareceu finalmente perceber que o jogo teria de passar pelo confronto do meio campo e encarou essa discussão com grande determinação, ganhando um ascendente que durou até aos 60 minutos. Aqui, há que contextualizar uma alteração importante no jogo, a lesão e Flamini. Gilberto é um médio mais posicional e não consegue fazer de “sombra” de Fabregas como faz Flamini. O Arsenal demorou tempo a adaptar-se, mas quando Hleb passou a jogar mais próximo do talento espanhol voltou a ter novo ascendente no jogo. Curiosamente, quando os “Gunners” estavam melhor, surtiu efeito o “recurso Crouch”. Bola para o “gigante”, a sobrar para Torres que, com uma definição fantástica, deu uma vantagem ingrata ao Liverpool.
Restavam 20 minutos, Wenger mexeu e introduziu mais capacidade de desequilíbrio às alas. O Arsenal chegou a ser perigoso, mas depressa o Liverpool passou a controlar o jogo, parecendo até ser mais capaz de dilatar a vantagem. Os minutos finais foram loucos. Primeiro um lance genial de Walcott criou o lance que deu nova vantagem na eliminatória ao Arsenal, curiosamente da maneira mais imprevisível, em transição. O entusiasmo foi tanto que 1 minuto depois Touré não conseguiu ser menos impulsivo no despique com Babel, dando a Gerrard a oportunidade de repor a vantagem. O jogo terminaria com o desespero – já pouco lúcido do Arsenal – punido por Babel, sentenciando a eliminatória.
O Liverpool passou de novo às meias finais e, de novo defrontará o Chelsea. Antevejo eu que poderá repetir nova final. Tal como em edições anteriores esta é a principal competição em que o Liverpool está envolvido e prevejo um maior enfoque na preparação da eliminatória do que no caso do Chelsea, ainda envolvido na luta pelo título.
Quanto ao Arsenal, cai uma equipa jovem e brilhante, que faz pensar como parece fácil criar uma equipa de topo, que pratica um futebol tão positivo e é capaz de ombrear com qualquer um sem recorrer a contratações milionárias. O Arsenal cai de pé e ficará com a sensação que o seu futebol precisa de ser um pouco mais maduro, o que se compreende, para tirar melhor partido dos largos períodos de superioridade que consegue nas suas partidas. A boa notícia para os seus adeptos é que as derrotas de hoje não apagarão a qualidade do trabalho que está a ser desenvolvido, arriscando-se esta equipa a grandes feitos no futebol europeu, caso saiba crescer a partir do que já existe.

Chelsea 2-0 Fenerbahce
Estava curioso em ver este jogo, mais pelo Fenerbahce que não tinha ainda oportunidade de ver jogar (considere-se isto na análise que faço à equipa).
O jogo desiludiu-me bastante, pelas duas equipas. Começou bem o Chelsea, num confronto de 4-3-3 distintos até na disposição dos jogadores. Muito pressionantes os “Blues” foram avassaladores no inicio, vulgarizando o Fenerbahce que não teve qualidade nem capacidade para anular essa intenção inicial do Chelsea. Ainda assim, e apesar do mérito, o Chelsea teve a felicidade de marcar cedo, podendo repetir o feito durante o primeiro quarto de hora. O jogo evoluiu depois para uma fase francamente negativa. De um lado o Chelsea apostado em pressionar apenas nos momentos em que o seu bloco não estava organizado, impedindo a saída em transição dos turcos. Neste aspecto, o Fenerbahce revelou-se altamente insuficiente, a demorar uma eternidade para tirar a bola da zona de pressão, inviabilizando qualquer hipótese dar seguimento a esse momento. Quando os turcos podiam organizar, o Chelsea posicionava-se no seu meio terreno, cortando linhas de passe que, também num registo negativo dos turcos, nunca conseguiram ser feitos para dentro do bloco inglês. Juntando a isto uma transição pouco frequente do Chelsea (o Fenerbahce arriscou muito pouco em posse), temos o 1-0 a subsistir até meio do segundo tempo.
Pode dizer-se que o Chelsea se pôs a jeito de ver fugir a eliminatória perante um adversário manifestamente inferior (pelo menos pelo que revelou neste jogo). Zico arriscou na etapa final do jogo, quando a equipa a crescer também em termos anímicos, colocando mais gente na frente e dando a Alex um papel mais central na construção e a verdade é que os turcos tiveram as suas oportunidades. Obviamente, este adiantamento tinha o seu risco, e é por aí que se explica o segundo golo de Lampard que acabou por terminar animicamente com a esperança turca – apesar de se manterem a 1 golo do prolongamento...
Uma nota sobre o Fenerbahce. Por aquilo que vi neste jogo, creio que qualquer um dos grandes portugueses poderia fazer melhor figura em Stamford Bridge – e não estou a falar do resultado. Com um trio de meio campo pouco dinâmico e uma posse de bola excessivamente especulativa, não sendo capaz de contornar os momentos de pressão do adversário, o Fenerbahce raramente esticou o jogo até à área do Chelsea, com excepção, como disse, dos últimos 20 minutos...

ler tudo >>

3.4.08

Champions: Confronto filosófico em solo britânico

ver comentários...
Arsenal 1-1 Liverpool
Se este é o embate que mais reflecte o domínio inglês na Champions, será igualmente aquele que melhor ilustra o carácter cosmopolita das formações da Premier League. Trata-se, por isso, de uma ascenção das equipas inglesas, mas não do estilo britânico. De facto, entraram em campo apenas 2 ingleses e, se o esquema táctico era comum tanto às 2 equipas como à própria escola britânica, pode afirmar-se que o 4-4-2 clássico não foi mais do que uma coincidência pois Liverpool, Arsenal e escola britânica não têm nada de comum em termos de filosofia futebolística.
Ao contrário do que habitualmente acontece quando se chega a este nível, este foi um jogo sem estratégias especiais de nenhuma das equipas. De um lado, o estilo ofensivo e móvel do Arsenal a lembrar a escola holandesa, do outro, o estilo mais “italiano” do Liverpool, fazendo da competência do seu bloco defensivo o principal alicerce para o seu jogo, antes de soltar as transições que tentam tirar o melhor partido da qualidade das suas unidades mais avançadas.
O jogo começou sob estes pressupostos, com um ritmo elevado mas sem desequilíbrios ofensivos. Perto dos 20 minutos o Arsenal esteve perto de marcar em 2 ocasiões resultantes de jogadas construídas de forma diversa. Van Persie, nas duas ocasiões, não conseguiu dar uma vantagem aos ‘Gunners’ que, no entanto, chegaria logo a seguir na sequência de um pontapé de canto onde a defesa do Liverpool pareceu “congelar” permitindo a Adebayor um cabeceamento invulgarmente fácil. O jogo parecia ter descaído para um dos lados, mas o Arsenal mal teve tempo de usufruir dos efeitos anímicos do seu golo. Gerrard começou por impedir uma transição de Flamini e, depois, soltou o seu génio criando sozinho o empate para Kuyt concluir. Até ao intervalo, o Liverpool tirou partido do efeito positivo deste rasgo do seu capitão, garantindo o controlo das ofensivas do Arsenal.
O segundo tempo mostrou um jogo com as mesmas regras, ou seja, iniciativa do Arsenal, expectativa do Liverpool. Os ‘Gunners’ conseguiram ser avassaladores durante 15 minutos, criando oportunidades suficientes para justificar a vantagem, mas o Liverpool escapou e, à excepção desse período, conseguiu sempre controlar as operações. O ponto mais negativo da equipa de Benitez terá mesmo sido a incapacidade para ser perigoso em transição, permitindo que o Arsenal controlasse sempre as suas ofensivas apesar do balanceamento do jogo.
Para Anfield vai um empate favorável ao Liverpool mas nem por isso uma eliminatória minimamene fechada. Este Arsenal é capaz de vencer seja onde for e nem o facto de ser forçado a ter a iniciativa do jogo pode ser visto como um handicap já que é mesmo assim que a equipa se sente melhor.

Fenerbahce 2-1 Chelsea
Infelizmente não assisti à partida – a Sporttv resolveu privar-nos de assistir a dois jogos, não repetindo qualquer um dos dois confrontos do dia, em algum dos seus 2 canais. Lamento. Por isso posso apenas salientar o notável golo de Deivid, assim como a reacção surpreendente de uma equipa que é a única a ameaçar uma surpresa nos Quartos. Ainda assim, em Stamford Bridge o jogo será outro...

ler tudo >>

12.3.08

Sotaque Inglês na Champions

ver comentários...

Com uma semana de atraso em relação aos restantes jogos, o Inter-Liverpool definiu o oitavo clube a qualificar-se para os quartos de final da Champions, confirmando-se o que já se previa: o apuramento do Liverpool.

De facto, e apesar da qualidade indesmentível do Inter, o Liverpool tem uma capacidade defensiva quase impar na Europa que faz com que o 2-0 da primeira eliminatória parecesse uma barreira demasiado elevada para ser superada em 90 minutos de futebol, perante aquele bloco de 2 linhas vermelhas. O que se viu em San Siro foi precisamente mais uma imagem desse Liverpool de betão que Benitez moldou e que se torna sistematicamente um legítimo candidato à vitória de qualquer prova a eliminar. Ao Liverpool falta apenas uma capacidade ofensiva mais demolidora, sendo uma equipa que depende em demasiada das boas individualidades que possui e daquele movimento de solicitação ao “pivot” para libertar Gerrard no espaço entre linhas. A fórmula vencedora do Liverpool na Champions passará sempre pelo impulso emocional da “Kop” para obter a força necessária para chegar à vantagem nas eliminatórias. Do lado do Inter, a aposta passou pela mobilidade de Stankovic, pelos movimentos interiores de Cruz e Zlatan (um dos melhores do mundo da actualidade, sem dúvida) e por algumas roturas do bravo Zaneti e de Maicon sobre a direita. O golo não apareceu nas poucas oportunidades criadas e a crença foi-se afastando, agravada pela inferioridade numérica. O Inter junta mais uma frustração ao seu passado recente Europeu, mas devo dizer que não acredito em julgar “dimensões Europeias” pela análise simples do resultado de 1 ou 2 jogos. As provas a eliminar não distinguem forçosamente os melhores e é bom que isso não seja esquecido.

Três notas adicionais que resultam deste jogo:
- A curiosidade de, no mesmo ano, 2 equipas inglesas terem vencido Inter e Milan em San Siro. Não sei se é a primeira vez, mas dada a forma como foram conseguidas, parece-me que não deve ser considerado um simples acaso.
- 4 equipas inglesas nos quartos de final da Champions é algo inédito mas completamente sintomático. É uma discussão sobre a qual me tenho pronunciado com grande convicção. O futebol Inglês, pela capacidade de investimento que tem conseguido, tem melhorado enormemente a sua qualidade e, ou o modelo competitivo europeu dá uma grande volta, ou estamos apenas no inicio de um domínio avassalador de uma liga que de inglesa já só tem a origem, porque a sua dimensão é planetária.
- Mancini vai sair do Inter no final da temporada, abrindo-se o lugar para Mourinho. Face ao que escrevi antes, percebe-se facilmente que sair de Inglaterra me parece um passo no sentido errado (apesar do desafio inequívoco que representa o Calcio). Mas isso também se inverte sem problemas. Basta querer!


ler tudo >>

26.10.07

Confrontos do fim de semana

ver comentários...
Liverpool – Arsenal (Premier League, Domingo 16h)
Um confronto que marca o contraste do momento destes dois gigantes do futebol Inglês. Curiosamente, apesar de parecer aquele que mais “desinvestiu” – em contraste com os milhões despendidos em Anfield – o Arsenal é o clube que melhor arranque protagonizou em Inglaterra... e não só! 1 empate apenas levam os “Gunners” entre Premier League e Champions e este confronto será o primeiro grande teste interno à capacidade da equipa de Wenger.
No campo estarão dois 4-4-2, mas também duas equipas muito diferentes, sobretudo na hora de atacar. Benitez prefere o futebol mais vertical e rígido, enquanto que Wenger, já se sabe, promove o futebol de movimentação constante e toque curto protagonizado por jogadores que gostam da bola junto ao relvado. Nota ainda para a crescente pressão existente sobre Benitez e para o confronto entre, provavelmente, os dois melhores médios da Liga: Fabregas e Gerrard.
Palpite: Liverpool

Milan – Roma (Seria A, Domingo 14h)
Milan e Roma protagonizam um embate que, à nona jornada pode tornar o Scudetto numa miragem para ambas as equipas. Apontados como candidatos ao título, Milan e Roma têm, cada um a seu jeito, desiludido, estando a 10 e 5 pontos, respectivamente, do Inter. Este é, curiosamente, um embate entre dois adversários de portugueses na Champions e, por isso, estas são equipas já nossas conhecidas.
O Milan, no 4-3-2-1 de Ancellotti parece levar vantagem para esta partida, já que a Roma se encontra muito afectada por lesões – Aquilani, Totti, Perrota e Taddei estiveram indisponíveis nos últimos dias.
Palpite: Milan

Sevilha – Valencia (La Liga, Domingo 20h)
Dois “outsiders” ao título juntam-se num embate especialmente importante para o Sevilha que teve uma entrada áquem das expectativas na Liga. A equipa atravessou uma fase negra de 4 impensáveis derrotas consecutivas na Liga e afastou-se dos primeiros lugares, tendo agora um importante caminho a percorrer. Do outro lado, um Valência que, apesar de ter já perdido 2 jogos em casa, soma por vitórias os confrontos fora de portas – algo invulgar numa competição deste calibre.
Palpite: Sevilha

ler tudo >>

19.10.07

Destaques do fim de semana

ver comentários...
Rangers – Celtic (SPL, Sábado, 12h30)
O embate de ‘Old Firm’ tem, como é sabido, uma importância que vai bem além do plano desportivo, para a comunidade local. O duelo de Glasgow é, de resto, um dos mais reveladores exemplos do relevo que tem o futebol como fenómeno social, num embate que divide protestantes e católicos e que é também o momento mais importante de uma rivalidade centenária e que nem sempre foi tão saudável quanto a beleza do jogo mereceria.
O Celtic, dominador do futebol Escocês no passado recente, lidera a prova ao cabo de 9 jornadas, com 3 pontos de avanço sobre o seu rival. Entre os dois está, note-se, um dos casos interessantes do futebol europeu neste arranque de temporada, o Hibernian, única formação imbatível na SPL deste ano, tendo já derrotado ambos os colossos do país. Os católicos contam com um leque de bons valores estrangeiros como o guarda redes polaco Boruc, os médios Donati, Jarosik e Nakamura (tem perdido alguma da influência neste inicio de temporada), e o avançado Hesselink. A estes juntam-se o capitão defesa central McManus (25 anos) e a jovem promessa do momento em Celtic Park, o irlandês Aiden McGeady (extremo rápido de 21 anos).
Do outro lado, a formação de Ibrox é composta um pouco mais à base de jogadores escoceses onde se destacam o experimentadissimo defesa David Weir (37 anos) e sobretudo o capitão e motor da equipa, Barry Ferguson. De resto, a velocidade e explosão de DaMarcus Beasley (extremo norte americano ex-PSV), Darcheville (experiente e possante avançado francês) e Thomas Buffel (veloz extremo belga de 26 anos) são as armas mais relevantes.
Palpite: Rangers

Everton – Liverpool (Premier League, Sábado, 12h45)
Um Derby e uma deslocação muito complicada para os ‘Reds’. Benitez teve o dinheiro que tanto reclamou durante muito tempo, aumentando as expectativas e a responsabilidade voltar a trazer o estatuto de melhor emblema inglês para Anfield, tantos anos depois. A verdade, no entanto, é que as dificuldades ofensivas do Liverpool têm-se mantido com a rotatividade do treinador espanhol a recolher muitas críticas entre os adeptos. 4 empates em 8 jogos voltam a trazer o sabor da frustração para este adversário do FC Porto na CL. Precisamente na mais prestigiada prova europeia, surge o outro problema de Benitez. Com um jogo importante a meio da semana, onde, depois da surpreendente derrota em casa frente ao Marselha, não pode falhar frente ao Besiktas, o Liverpool pode ter aqui uma semana decisiva para a temporada.
O Everton perfila-se, mais uma vez, para uma classificação prestigiada na Premier League. Comandados pelo brilhante Mikel Arteta (como seria interessante vê-lo num clube de maior dimensão!), os orientados de David Moyes têm apenas sentido algumas dificuldades na produtividade ofensiva dos seus avançados neste inicio de temporada... Curiosamente este surge como um problema improvável depois dos ‘Blues’ terem investido fortemente na contratação do possante goleador Yakubu (24 anos, ex-Middlesbrough), juntando-o a Andy Johnson (em baixo de forma) e ao escocês McFadden (que não se mostra tão mortífero como ao serviço da Selecção). Nota ainda em matéria de avançados para os jovens James Vaughan (inglês, 19 anos) e Victor Anichebe (Nigeriano, 19 anos), duas promessas para o futuro. Para esta temporada Moyes conta ainda com os reforços Leighton Baines (jovem lateral esquerdo com um excelente pontapé), o regressado Gravesen e a antiga promessa do Ajax Pienaar.
Palpite: Empate

Espanhol – Real Madrid (La Liga, Sábado, 21h00)
Curioso e atípico são dois adjectivos com que classificaria o inicio de temporada do Real Madrid. Primeiro, uma pré temporada desastrosa com várias derrotas e muitos golos “encaixados”. Pois bem, à sétima jornada o Real comanda a Liga com apenas um empate (em Valladolid) e sendo o melhor ataque e a melhor defesa da prova. Numa formação com muito investimento e várias caras novas – Sneijder tem-se mostrado como a grande aquisição da temporada – encontro ainda espaço, apesar do sucesso inicial, para algumas reticências em torno da equipa de Bernd Schuster. É certo que os campeões também passam por muito sofrimento mas este Madrid conta já com algumas ajudas da tal “estrelinha” nestes jogos iniciais, onde nem sempre se mostrou à altura das exigências (sobretudo uma exibição bastante pobre e incrivelmente feliz frente ao Getafe).
Do outro lado, o Espanhol recebe “Los Blancos” num quinto lugar que diz bastante da qualidade da equipa de Valverde. O que mais espanta na performance da equipa são os resultados recentes, nomeadamente as vitórias fora frente ao Seville e frente ao Valência. O momento parece assim ser o indicado para receber o campeão, naquela que será mais uma prova à capacidade da equipa, agora no seu Montjuic. Da equipa que derrotou o Benfica na brilhante caminhada europeia em 06/07 não há grandes alterações, com uma equipa sobretudo à base de Espanhois de qualidade, onde se destacam De la Pena, Alber Riera, Luis Garcia, Rufete e Tamudo. Para este ano Valverde conta, ainda, com as contratações Valdo (26 anos, ex-Osasuna) e Smiljanic (promessa Sérvia de 20 anos).
Palpite: Empate

São Paulo – Cruzeiro (Brasileirão, Domingo, 19h00)
O embate entre os dois primeiros do campeonato chega talvez um pouco tarde para o Cruzeiro. Com 11 pontos de atraso, a não ser que se assista a um verdadeiro milagre, será apenas uma questão de tempo até que o “tricolor” renove o seu título. Ainda assim este embate tem o interesse de opor aqueles que são, de longe, o melhor ataque (Cruzeiro) e a melhor defesa (São Paulo).
Do lado do São Paulo, o 3-5-2 de sempre, com objectividade e cautelas posicionais que tornam esta um equipa muito difícil de bater. Sem individualidades que se destaquem, esta é uma formação que vale pelo seu todo, mas onde, ainda assim, destaco os papeis dos defesas Alex Silva (o talentoso irmão de Luisão), Breno (atenção a este poderoso e versátil defesa de 18 anos!) e Hernanes (médio posicional de 22 anos, bom tecnicamente).
Na “raposa” uma equipa recheada de talento e gente para acompanhar no futuro. Guilherme (avançado rápido e tecnicista de 19 anos) será o principal destaque, mas há outros como Marcelo Moreno (avançado boliviano alto e concretizador de 20 anos), Kerlon (o famoso “foquinha”), Wagner (o 10 da equipa de 22 anos) ou Thiago Heleno (defesa de 19 anos). No Cruzeiro a opção reside sobre um ataque numeroso e apoiado (muitas vezes em 4-2-4), onde pontifica ainda o ex-Sporting Alecsandro.
Palpite: S.Paulo

ler tudo >>

19.9.07

Porto - Liverpool : 15 minutos

ver comentários...
A história de um jogo nunca se conta pelo que acontece apenas nos seus primeiros 15 minutos mas em muitos casos a diferença entre ganhar e perder fica em grande medida determinada por esse curto período. O Porto entrou forte, determinado a surpreender o Liverpool e essa revelou-se uma opção estrategicamente acertada já que, vistas bem as coisas, foi apenas na abertura que os ‘Reds’ aparentaram perder o controlo sobre as ofensivas portistas. Nestes casos, e ainda mais em jogos deste calibre, é fundamental materializar o ascendente, algo que o Porto conseguiu sendo, no entanto, traído pela sua eficácia mas na baliza oposta, onde concedeu o empate à primeira chegada do Livepool.
Em termos de disposição táctica não houve surpresas, com Jesualdo a reproduzir o 4-3-3 que tem a particularidade de não ter um verdadeiro ponta de lança a fazer de 9. Do lado do Liverpool, Benitez não introduziu o 4-4-1-1 que tantas vezes reservou para os jogos mais complicados e foi ainda mais longe colocando Pennant, Babel e Gerrard no seu 4 de meio campo, deixando o mais posicional Xabi Alonso no banco. Ainda no que respeita às opções iniciais nota para a inclusão de Babel na esquerda o que foi um factor inibidor para Bosingwa, menos dominador do que é costume no seu flanco. Babel, já o referi, é na minha opinião um jogador com todo o potencial para actuar na frente e não sobre o flanco – tem características semelhantes a Henry – mas a sua capacidade física é tão impressionante como a sua técnica e foi por aqui que Bosingwa teve dificuldades em conseguir superioridade.
Após o golo a pressão portista dissipou-se naturalmente e o Liverpool, apesar de nunca ter dominado o jogo, passou a controlar sempre os Dragões, jogando no seu bloco zonal defensivo muito pressionante, que poucas equipas no mundo são capazes de ultrapassar e não permitindo que pudessem aparecer os 1x1 (já o tinha antecipado e contei uma só vez que Quaresma desfrutou para ir para cima do adversário sem que este estivesse auxiliado por um colega), ou que os portistas pudessem aproveitar o espaço entre linhas (por aqui se explica muito da discreta actuação de Lucho um jogador que faz a diferença no bom aproveitamento que faz dos espaços). Quando Pennant foi expulso, os ingleses concentraram-se ainda mais em apenas defender e o Porto passou o resto do jogo a bater contra aquela brilhante muralha defensiva. Não há nada de errado em ter dificuldades para ultrapassar aquela que, para mim, é a equipa que melhor defende no mundo mas o Porto tem alguns pontos a rever na incapacidade ofensiva revelada. Primeiro, o facto de Quaresma ter aparecido particularmente desinspirado nos lances de bola parada, batendo muitas vezes mal livres, directos e indirectos, em que costuma ser perigosissimo. Segundo, a entrada de Farias para jogar com 2 homens na frente. Jesualdo fez o que qualquer um na bancada teria feito em superioridade numérica – meter mais um avançado – mas será que a equipa se mostra adaptada e rotinada para jogar dessa maneira? Parece-me que não. Terceiro, a saída de Tarik. Mariano não trouxe nada de novo, antes pelo contrário, e o que pergunto é se face ao seu rendimento Tarik não foi sacrificado por falta de estatuto. Outro aspecto neste ponto é a necessidade de fazer substituições mesmo que elas não antecipem nenhuma melhoria, muitas vezes os treinadores sentem-se simplesmente pressionados a mexer.
Finalmente, sobre o golo sofrido pelos portistas fica a sensação de que Hyypia deveria ter sido, pelo menos, mais perturbado na hora de fazer o primeiro cabeceamento. Ainda assim, o finlandês é exímio no ar e depois do seu primeiro toque é muito complicado manter a vantagem nas marcações.

ler tudo >>

18.9.07

Hora Champions!

ver comentários...
Porto – Liverpool
Para o Porto este pode ser, desde logo, um jogo desbloqueador para a qualificação. Uma vitória na abertura vale, claro está, apenas 3 pontos mas criará um embaraço aos Reds, dando-lhes menos margem de manobra para falhar frente à restante oposição que, por sua vez, parece estar totalmente ao alcance do Dragão. O Liverpool virá ao Porto com a consciência de que um empate é um resultado positivo nas suas aspirações no grupo e Benitez fez descansar Torres e Gerrard no passado Sábado, pelo que os deverá utilizar na partida de hoje. O Liverpool vai apresentar-se com um bloco zonal baixo, muito forte a defender em largura – será dificil ser perigoso através das variações de flanco muito fomentadas por Jesualdo. A defesa à zona deverá estar especialmente atenta aos 1x1 de Quaresma e, por isso, o ‘Harry Potter’ tem de ser inteligente nas suas artes mágicas, libertando a bola para as zonas libertadas pelo seu foco de atracção. Muito perigosas serão as transições dos ‘Reds’. Torres e Kuyt serão sempre lançados a cada recuperação de bola e o apoio de Gerrard poderá ser uma ameaça para os desequilíbrios. Dois aspectos serão fundamentais neste ponto, primeiro a posse de bola tem ser muito eficiente com poucas perdas de bola quando a equipa estiver aberta a atacar e há que prevenir a exposição espacial nas costas da defesa, jogando um pouco mais baixo do que é costume (este será de resto o primeiro teste europeu à defesa sem Pepe). Este será um jogo de concentração, paciência e eficácia – é quase de La Palisse mas é mesmo assim a este nível, um erro pode definir tudo.

Onzes Prováveis:
Porto (4-3-3) –
Nuno; Bosingwa, Bruno Alves, João Paulo, Fucile; Assunção, Meireles, Lucho; Tarik, Quaresma, Lisandro.

Liverpool (4-4-2) – Reina; Finnan, Carragher, Agger, Arbeloa; Pennant, Mascherano, Alonso, Gerrard; Kuyt, Torres.

Estimativas das casas de apostas:
Porto – 28%
Empate – 30%
Liverpool – 42%
Milan – Benfica
O que se deve dizer em primeiro lugar é que este é um começo ingrato para o Benfica. Uma equipa ainda em processo de formação e com baixas de vulto encontra logo na abertura o Milan, perfeitamente identificado com a ideologia de Ancelotti e repleto de estrelas no seu elenco. A boa notícia, naturalmente é que a partir daqui é sobre o Milan que está a pressão da partida – aliás como Camacho fez questão de clarificar. Será precisamente a partir deste ponto que os encarnados deverão encarar o jogo, tentando torna-lo sempre incómodo para o adversário que terá no relógio um factor de enervamento. Escusado será dizer que este tarefa não se prevê fácil, o Milan será provavelmente a formação com mais ‘nervo’ do mundo e é capaz de permanecer num jogo impávido durante vários minutos sem nunca perder o seu sentido no jogo, mantendo-se confiante na sua eficácia. Nos ‘rossoneri’, atenção para as movimentações interiores de Kaka e Seedorf, normalmente aparecendo no espaço criado por Inzaghi. Outro dos movimentos clássicos é o desequilíbrio feito pelas ofensivas dos laterais que aproveitam o facto d os laterais contrários terem a tendência para fechar por dentro já que o Milan actua sem extremos. A terceira ameça (descontando as bolas paradas) vem do ‘rato’ Inzaghi. A melhor lei que do futebol para Inzaghi é a lei do fora de jogo, normalmente uma armadilha para os atacantes, com Inzaghi funciona ao contrário. Do lado encarnado surge a dúvida sobre quem poderá substituir Petit no miolo, com os jornais a lançarem Pereira como hipótese de recurso eleita por Camacho, embora eu espere mais surpresas no onze. De resto, e independentemente de quem jogue, será preciso que o Benfica tenha algo mais do que a habitualmente exigida concentração. Para San Siro vai ser preciso inspiração.

Onzes Prováveis:
Milan (4-3-2-1)
– Dida; Oddo, Nesta, Kaladze, Jankulovski; Ambrosini, Pirlo, Gattuso; Seedorf, Kaka; Inzaghi.
Benfica (4-4-2) – Quim; Luis Filipe, Edcarlos, Katsouranis, Leo; Rodriguez, Pereira, Rui Costa, Di Maria; Nuno Gomes, Cardozo.

Estimativas das casas de apostas:
Milan – 70%
Empate – 19%
Benfica – 11%

ler tudo >>

13.7.07

Ryan Babel: Liverpool leva o "clone" de Henry

ver comentários...

Em Inglaterra e como previsto, o Liverpool continua a preparar-se para entrar de forma mais séria na corrida pelo título. Têm sido muitos (se calhar demasiados) os nomes confirmados em Anfield e o último é um sério candidato a uma longa carreira de sucesso na Premier League: Ryan Babel.

Babel é um jogador que joga como falso ponta-de-lança, descaindo sobre a esquerda, de onde parte com a bola controlada no seu pé direito. Alto, esguio e com arranque extremamente poderoso, Babel é, na minha opinião, actualmente a mais fiel cópia de Thierry Henry. Curiosamente, houve quem dissesse que Babel se ajustaria bem melhor na filosofia de jogo do Arsenal, o que, aos meus olhos faz todo sentido. Fica a dúvida de quais as pretensões de Benitez para o jogador, se a utilização como extremo, se como avançado. Na minha opinião beneficiaria muito mais com a segunda hipótese.

Finalmente um detalhe. Babel é, aos 20 anos, uma das mais promissoras estrelas do futebol europeu. O facto de ter saído por menos de 20 milhões de Euros ilustra o quão valorizados estão os talentos lusos (ou a jogar por cá) na Europa. Babel pode ter também terminado com as hipóteses de Quaresma ou Simão rumarem a Liverpool.


ler tudo >>

AddThis