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17.6.08

Alemanha: Uma força mental histórica

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Está confirmado que será a Alemanha o nosso adversário nos quartos de final. Esta é uma selecção que, creio que como mais nenhuma, suscita uma enorme divisão entre as análises qualitativas que lhe são feitas, sendo apontada, paralelamente, como uma das favoritas e uma equipa banal técnica e tacticamente. A verdade é que, de facto, dificilmente uma análise técnico-táctica à história do futebol germânico poderia alguma vez fazer alguém equacionar que esta nação tivesse no seu palmarés 3 títulos de campeão do mundo em 7 finais, tendo sido igualmente 3 vezes campeã da Europa, em 5 finais.

Olhando à história do futebol germânico, facilmente se comprova que, mesmo tendo os seus momentos negativos, os alemães parecem transformar a sua aparente frieza emocional numa qualidade que os tem catapultado ao longo dos anos para resultados que superam claramente o talento e qualidade das sucessivas gerações. Realmente, os alemães raramente falharam em grandes competições quando tiveram grandes equipas e, pelo contrário, foram protagonistas de alguns feitos bem acima daquilo que a qualidade futebolística dos seus protagonistas poderia fazer esperar. Outro aspecto revelador desta característica mental germânica é o histórico de reviravoltas que os alemães conseguiram protagonizar em jogos decisivos. Das 6 finais vencidas pelos alemães, 3 aconteceram depois de terem estado em desvantagem no marcador e 1 (1980, 2-1 frente à Bélgica), não tendo estado em desvantagem, o golo decisivo foi marcado apenas no minuto 90.

Os dois mais famosos exemplos da superação germânica nas horas de dificuldade estarão bem patentes na história dos mundiais de 54 e 74, onde a força mental alemã privou 2 das mais célebres equipas da história de se sagrarem campeãs mundiais, Hungria e Holanda:

O milagre de Berna (1954)
Depois da II guerra mundial esta foi a primeira aparição alemã ao mais alto nível. No comando desta formação estava um dos mais obcecados homens por futebol de que reza a história (no seu diário, os dias dramáticos vividos durante a guerra relatavam, quase exclusivamente, pensamentos... futebolísticos!): Sepp Herberger. A verdade é que os planos de longa data que Herberger tinha feito para a ressurreição da Selecção não convenciam ninguém à partida para a Suíça. A imprensa duvidava dos jogadores e da equipa e anunciava, de antemão, o seu colapso na prova. Tudo começou como se esperava: com muitas dificuldades. Derrota por 8-3 frente à colossal Hungria de Puskas na fase de grupos e uma qualificação obtida através de um playoff com os turcos. O panorama mudou radicalmente nos 2 jogos seguintes, com a qualificação para a final, graças a vitórias frente a Jugoslávia e Áustria.

Uma coisa, no entanto, era chegar à final. Outra, completamente diferente era... bater a Hungria. Aos 8 minutos, os húngaros já venciam por 2-0 e, reza a lenda, um tal de Morlock terá pegado na bola após o 2º golo dos húngaros e gritado para os seus “Agora, vamos a eles!”. Com 2-0 e a experiência recente dos 8-3, estas palavras só poderiam soar a delírio, mas a verdade é que 2 minutos depois estava Morlock a reduzir para 2-1, antes de, 8 minutos volvidos, Rahn empatar. O “milagre de Berna”, como ficou este jogo conhecido, ficou consumado aos 84 minutos com novo golo de Rahn. O mundo ficou em choque, a Alemanha em delírio (por razões que têm a ver também com uma afirmação de recuperação nacional no pós-guerra) e a o espírito vencedor da Mannschaft terá, diz-se, nascido naquele dia 4 de Julho de 1954!

Munique (1974)
Pode perguntar-se porquê que se considera este torneio, ganho em casa, como um feito notável dos Alemães? A verdade é que a história deste mundial esconde uma série de peripécias que, normalmente, faria qualquer equipa sucumbir.

Primeiro, os prémios de jogo. Não foi só em Saltillo que aconteceu uma revolta. Em 1974, os jogadores da Alemanha Ocidental estiveram perto de se retirar da prova. Uma discussão entre Beckenbauer (o capitão) e a federação alemã deu origem a uma votação que resultou num empate. Ou seja, metade da equipa considerava que os 70.000 marcos oferecidos em caso de vitória eram insuficientes, preferindo não participar na competição (Selecções como a Itália e Holanda iriam receber verbas acima dos 100.000 marcos). Foi Beckenbauer quem, finalmente, acabou por convencer os seus companheiros a continuar em prova apesar da discordância com a Federação.

Segundo, o jogo com a Alemanha de Leste. Embora esta surpreendente derrota por 1-0 da Alemanha Ocidental tenha até sido positiva por ter evitado o confronto com Brasil e Holanda na fase seguinte, provocou um sério choque psicológico na equipa, particularmente no seu líder. Helmut Schoen era originário de Dresden (Alemanha de Leste) e aquele jogo representava mais para ele do que muitos embates decisivos. Nos dias seguintes ficou fechado no seu quarto, deprimido, e chegou a ser equacionada a sua substituição em plena prova. A solução acabou por ser, mais uma vez, a liderança de Beckenbauer que se aproximou do treinador, tendo sido responsável por algumas decisões que, à partida, não caberiam a um jogador.

Finalmente, a final. É verdade que a Alemanha era uma excelente equipa, mas a grande formação daquele tempo era comandada por Johan Cruyff. A Holanda começou a final a ganhar e a sua superioridade era quase unânime. Tão unânime que gerou alguma displicência dos holandeses, fatal, mais uma vez, perante a mentalidade alemã. Os holandeses reconheceram, depois, que queriam humilhar o seu adversário, e o preço dessa pequena arrogância deu-se no resultado: 2-1 para Alemanha.
O sinal da desordem que reinava por trás desta conquista alemã ficou patente nos festejos do título, com os jogadores a afastarem-se do plano organizado pela federação e com 4 jogadores (incluindo Muller e Breitner) a retirarem-se precocemente do futebol de Selecções.
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Esta força mental aparenta estar presente nos momentos de maior dificuldade e este é um dos motivos pelos quais a avaliação das capacidades germânicas não se deve ficar por uma análise estritamente técnico-táctica. Está dado o sinal de aviso para uma grande desconfiança em relação à oposição de Quinta Feira...

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3.5.08

História do Europeu - Jugoslávia 1976

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Enquadramento Futebol Português
Em 1976, o Benfica conquistava o segundo título do último tri campeonato da sua história. Pela mão do carismático Mario Wilson, que abandonaria o comando técnico dos encarnados no final dessa época para dar lugar à primeira passagem de John Mortimore pela Luz. Na equipa do Benfica estavam nomes como José Henrique, Vitor Baptista, Shéu, Toni ou Nené. Mas o destaque vai para dois homens. Chalana que com apenas 17 anos chegava ao Benfica, vindo do Barreirense, e Jordão, melhor marcador com 30 golos, o que justificou o interesse e a contratação por parte do Saragoça no avançado.
Ao triunfo do Benfica, juntou-se uma época desastrada de Sporting e FC Porto. No caso do Sporting, o pior resultado de sempre no campeonato, 5º lugar, o que lhe valeu a primeira ausência da Europa em 76/77. Na equipa de Juca, a nota positiva vai para os 26 golos do estreante Manuel Fernandes, chegado da CUF. No Porto, o 4º lugar foi particularmente amargo, por ter sido ficado, inclusive, atrás do seu rival da cidade, o Boavista. Nos dragões, no entanto, este seria o último 4º lugar até aos dias que correm, e a época de viragem estava prestes a começar. António Oliveira já era o artista nas Antas, que serviu de apoio à melhor época do goleador Peruano Cubillas no clube (28 golos). Cubillas não voltaria a repetir tamanho exito em Portugal e a época seguinte abriria o ciclo de um novo goleador azul e branco: Fernando Gomes (tinha 20 anos em 1976).
Tal como acontecera em 1972, é obrigatório falar de um clube de menor dimensão, neste caso, o Boavista. A coincidência entre o Boavista de 76 e o Setúbal de 72 está num nome: José Maria Pedroto. Pedroto, com João Alves entre os seus jogadores, foi o timoneiro da equipa que ficaria conhecida como “Boavistão”, pelo 2ºlugar conseguido 2 finais da Taça seguidas, culminando com a vitória na prova precisamente em 1976, batendo o Guimarães por 2-1. No final dessa época, Pedroto daria mais um passo para marcar o futebol português, transferindo-se para o FC Porto e criando as bases, não só para interromper o longo jejum de campeonatos em 1979, como para iniciar um novo ciclo no futebol português, que Pinto da Costa e FC Porto se encarregariam de prolongar até aos dias de hoje.
Nota final para a representação fraca dos clubes portugueses nas provas europeias, sem grandes brilharetes para registo. Aliás, a década de 70 seria uma das piores em termos de representação nacional na Europa.

Enquadramento do Futebol Europeu
No futebol europeu, 1976 marcou o último dos 3 títulos conseguidos pelo Bayern Munique na Taça dos Campeões. A Europa do futebol, aliás, entrava num período de domínio Anglo-Germânico em termos de competições europeias. Em Inglaterra, o principal destaque vai, claramente, para ascenção do Liverpool. Os “Reds” entraram nos anos 60 no segundo escalão do futebol, mas a contratação do “Boss” Bill Shankly revelou-se determinante. Shankly, não só devolveu o clube ao primeiro escalão, como o colocou rapidamente como principal emblema do país vencendo o título em 64 e repetindo-o em 73, quando juntaria uma Taça Uefa. Shankly abandonaria em 74, tendo criado as bases para aquele que foi o mais bem sucedido dos treinadores que Anfield alguma vez viu: Bob Paisley. Paisley conseguiu ultrapassar o fantasma de Shankly e ganharia 6 campeonatos, 1 Taça Uefa e 3 Taças dos campeões Europeus. Paisley foi regenerando a equipa que herdou de Shankly e, sempre no seu 4-4-2, encontrou figuras emblemáticas do clube como os Hansen, Thompson, Souness e Dalglish.
Na Alemanha, nota para o Monchengladbach, finalista em 77 da Taça dos Campeões Europeus e vencedor da Uefa em 75 e 79. O Borussia foi o grande rival interno do poderoso Bayern de Beckenbauer e conseguiu mesmo mais títulos do que os bávaros nos anos 70 (5 contra 3). Nesta rivalidade, destaca-se o nome de um treinador: Udo Lattek. Lattek começou por estar ligado à Selecção Alemã, como treinador adjunto de Schoen em 66. Em 1970 foi aconselhado por Beckenbauer para treinador do Bayern, causando alguma controvérsia a sua falta de experiência. Mas a qualidade, como sempre, é o principal factor de sucesso de um treinador, e Lattek levou o clube a 3 campeonatos e uma Taça dos Campeões Europeus. Em 1975, no entanto, o Bayern precipitar-se-ia ao dispensar o treinador no seguimento de uma crise interna. O clube seria campeão europeu mais 2 anos sob o comando Dettmar Cramer, mas não voltaria a ser campeão até 1980. Lattek, por seu lado, serviu fria a vingança, transferindo-se para o Monchengladbach, onde conquistaria 2 campeonatos (76 e 77), chegaria a uma final da Taça dos Campeões Europeus (77) e conquistaria uma Taça Uefa (79). Lattek voltaria mais tarde ao Bayern para ser o protagonista de mais uma época de sucesso dos bávaros, agora nos anos 80. 3 Bundesliga e 2 Taças em 4 anos marcaram o sucesso desta passagem, apenas amargurada pela final perdida em 1987 para o FC Porto. Lattek é, a par de Trapattoni, o único treinador que, até hoje, venceu os 3 troféus Europeus, tendo-o conseguido por 3 clubes distintos (Bayern Munique, Monchengladbach e Barcelona). Feito que, dada a extinção da Taça das Taças, se torna muito difícil de igualar.

Qualificação
A fase de qualificação para o Euro 76 não foi das mais surpreendentes. Afinal, Checoslováquia, Alemanha Ocidental, Jugoslávia e Holanda eram das mais fortes Selecções do contexto europeu da altura.
Ainda assim, na fase de grupos, destaque para a eliminação da Inglaterra que foi segunda no grupo ganho pela Checoslováquia e onde constava ainda Portugal. Os ingleses, dominadores do panorama europeu de clubes passavam por uma década negra no que respeita a grandes competições, falhando igualmente as presenças nos mundiais de 74 e 78. Os ingleses lamentar-se-ão dos dois empates concedidos frente a Portugal (particularmente o 0-0 de Wembley), bem como da derrota em Bratislava por 2-1, depois de terem começado a vencer por 0-1 num jogo que durou 2 dias devido ao nevoeiro.
Outro grupo que importa destacar é da Holanda, Polónia e Itália, com os holandeses a levar a melhor. Em segundo ficou uma forte formação polaca (que havia sido terceira classificada em 74), enquanto que a Itália ficou-se pelo terceiro lugar, apesar de ter derrotado os holandeses em Roma com um golo solitário de Capello.
Nos quartos de final que definiram os 4 finalistas da prova, a Checoslováquia derrotou a formação com mais tradição até aqui em fases finais de Europeus, a União Soviética. Uma vitória em Bratislava (2-0) e um difícil empate em Kiev (2-2), carimbaram o passaporte para aquela que seria a mais gloriosa página do futebol Checoslovaco. A Jugoslávia, que seria anfitriã da prova, eliminou o País de Gales com um concludente 3-1 no total dos dois jogos. Mas as eliminatórias mais interessantes foram as outras duas... Num duelo de campeões europeus, a Alemanha Ocidental confirmou o seu momento de superioridade em relação à Espanha. Santillana deu vantagem aos Espanhóis em Madrid, mas o golo de Beer no segundo tempo determinou um muito positivo empate a uma bola (Vídeo) com que os germânicos encararam o jogo decisivo no estádio Olímpico de Munique. Aí, os alemães foram superiores, vencendo por 2-0. Nos países baixos disputou-se mais um acesso aos 4 finalistas. Numa espécie de maldição que impediu uma muito interessante formação belga de estar presente nas grandes competições do final dos anos 70, a Holanda foi mais uma vez o carrásco dos seus vizinhos e rivais. Algo que já acontecera na qualificação para o Mundial de 74 e que se repetiria no acesso ao Argentina 78. Nesta eliminatória a superioridade holandesa foi inequívoca. 5-0 na banheira de Roterdão e 1-2 em Heysel. Destaque para o hat-trick de Rensenbrink, um holandês que fez a sua carreira por clubes belgas, particularmente no Anderlecht onde foi ídolo (aliás foi o melhor jogador do campeonato belga nesse ano).
Nota, finalmente, para a prestação portuguesa. Uma selecção onde pontificavam Damas, Humberto Coelho, Nené, Toni, Octávio, Vitor Baptista ou João Alves, confirmava aquilo que também se passava ao nível de clubes na década de 70: uma grande incapacidade de afirmação internacional. Os portugueses até começaram de forma prometedora com um empate a zero em Wembley. Mas a ilusão começou a desfazer-se no jogo seguinte com a derrocada (5-0) em Praga. Os portugueses apenas conseguiriam vencer a mais fraca formação do grupo, o Chipre, ficando pelo terceiro lugar, atrás de Checoslováquia e Inglaterra.

Fase Final
Tendo palco as cidades de Zagreb e Belgrado, esta prova ficou marcada pelo enorme equilíbrio entre as formações, sendo que nos 4 jogos disputados houve lugar a prolongamento. Na primeira meia final, em Zagreb, houve um protagonista especial: Anton Ondrus. O capitão da Checoslováquia começou por ser decisivo ao dar a vantagem à sua formação ainda no primeiro tempo, mas já perto final foi o próprio Ondrus a marcar na própria baliza, originando o empate holandês que forçou o prolongamento. Nos 30 minutos suplementares, os checoslovacos garantiriam um lugar na final. A equipa da casa actuou em Belgrado frente à detentora do título e poderosa Alemanha Ocidental. O inicio de jogo prometia uma noite gloriosa para os anfitriões. Ao intervalo venciam por 2-0 com golos de Popivoda e Dzajic. Flohe reduziu à entrada da última meia hora, mas o minuto mais importante na história deste jogo é o 79’. Um tal de Muller, que não o famoso Gerd, entrou para o lugar de Wimmer e 3 minutos depois empatou, levando o jogo para prolongamento. Aí Dieter Muller tornou-se numa das estrelas da competição, marcando 2 golos que colocaram a Alemanha Ocidental na final da prova.
Um dia depois da Jugoslávia ter desperdiçado no prolongamento o esforço da recuperação que anulou os dois golos que os holandeses conseguiram de vantagem no inicio do jogo, disputou-se em Belgrado a final da competição. Pela terceira vez em quatro jogos, registou-se um empate a 2 no final dos 90 minutos, com Muller a marcar mais um golo e os alemães a conseguirem evitar a derrota no minuto 89. Só que desta vez o prolongamento não teve golos e, pela primeira vez na história da competição, a decisão teve de ser feita por penaltis. Todos converteram, até que Hoeness falhou oitava cobrança, colocando nos pés de Panenka a possibilidade de garantir a conquista da competição. Perante o categorizado Sepp Maier, Antonín Panenka protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história do futebol, iludindo o guardião germânico e dando a vitória à Checoslováquia com uma execução que se encarregaria de imortalizar o seu nome: o penalti “à Panenka”.

Meias finais
Checoslováquia 3-1 Holanda (1-1 no final dos 90 minutos) (Vídeo Parte1 e Parte2)
Jugoslávia 2-4 Alemanha Ocidental (2-2 no final dos 90 minutos)
3º/4º Lugar
Holanda 3-2 Jugoslávia (2-2 no final dos 90 minutos)
Final
Checoslováquia *2-2 Alemanha Ocidental ((2-2 no final dos 90 minutos e 5-3 nas grandes penalidades)

Equipas

Checoslováquia (Campeã)
Orientada por Vavlav Jezek, a Selecção Checoslovaca tinha credenciais de respeito no futebol europeu, nem que fosse pelo comportamento na qualificação, onde deixou para trás a Inglaterra e União Soviética. No entanto, esta Selecção que falhou os mundiais de 74 e 78 às custas da Escócia estava longe de se constituir como um candidato à vitória final. A nível de clubes, o Slovan Bratislava vivia os seus tempos aureos depois de ter conquistado uma Taça das Taças em 69 e alguns campeonatos durante o inicio da década de 70. Precisamente o Slovan era o principal fornecedor de jogadores para esta Selecção. Na formação que iniciou a final 6 jogadores eram do Slovan, sendo estes sobretudo representantes do sector defensivo.

Alemanha Ocidental
Helmut Schoen comandou a única selecção a entrar numa fase final de um Europeu como campeã Europeia e Mundial em título. Uma boa parte da equipa fazia parte do elenco que triunfara em 72, mas também houve várias ausências. Da Selecção que entrou na final, Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Wimmer e Hoeness repetiram a titularidade de 4 anos antes. No conjunto de jogadores escolhidos por Schoen, havia agora muito mais diversidade de clubes de origem, com o Bayern de Munique e Monchengladbach a serem, sem surpresa, os maiores representantes com 4 jogadores. Esta final representa a última em grandes competições para uma geração de jogadores como Beckenbauer, Hoeness ou Maier. Nomes como Gerd Muller ou Paul Breitner não figuraram neste Europeu por terem decidido deixar de representar a Selecção, apesar de continuarem bem activos nos seus clubes. No caso de Muller, foi uma decisão sem retorno, mas Breitner (que em 76 tinha apenas 25 anos) regressaria mais tarde à Selecção para jogar o Mundial de 82.

Holanda
George Knobel
foi o sucessor de Rinus Michels após o Mundial de 74. O seu primeiro teste foi comandar esta equipa de estrelas no Euro 76 e, se se pode dizer que não desiludiu na qualificação, o mesmo não se pode dizer da fase final. Esperava-se a qualificação da Holanda para a final, numa hipotética repetição da final do Mundial 2 anos antes. A Checoslováquia, no entanto, foi um adversário que se mostrou à altura desta potencia mundial da altura, e na vitória no playoff para o terceiro lugar já não jogaram figuras como Cruijff, Neeskens e Rep. Esta foi a primeira Selecção de um Europeu a ter um conjunto de estrelas a actuar fora do seu país: No Barcelona, Johan Neeskens e Johan Cruijff, no Valencia, Johnny Rep e no Anderlecht Rensenbrink. Nota para a realidade da altura no futebol Holandês. Os tradicionais gigantes, Feyenoord e Ajax viviam períodos baixos depois de gloriosas equipas, com destaque para a saída das estrelas do Ajax que conquistaram o tri campeonato europeu. Na Holanda vivia-se uma experiência nova mas que se repetiria diversas vezes após os anos oitenta: uma fase de domínio do PSV. Nos de Eindhoven, destaque para uma dupla de gémeos que fez história também nos Mundiais de 74 e 78: os médios René e Willy Van de Kerkhof.

Jugoslávia
Uma das decisões que talvez pudesse ter ajudado a equipa Jugoslava seria escolher Split como cidade anfitriã. É que, apesar do campeão em 76 ter sido o Partizan, o Hajduk Split vivera tempos de domínio no futebol Jugoslavo do inicio da década e Ante Mladinic escolhera para o seu elenco sobretudo jogadores do Split, 6 deles com honras de titularidade. Aqui, importa lembrar que Mladinic era, ele próprio, croata e ex-jogador do Hajduk, não se sabendo até que ponto a rivalidade com os Sérvios e os clubes de Belgrado condicionaria as suas opções. Na Selecção Jugoslava, destacam-se ainda alguns jogadores que actuavam em clubes estrangeiros. Katalinski (Nice), Popivoda (Eintracht Braunschweig), Oblak (Schalke 04) e Dragan Dzajic (Bastia).

Estrelas
Ivo Viktor (Checoslováquia) – Fica ligado à história desta competição por uma memorável exibição frente à Holanda nas meias finais. Era já veterano, com 34 anos, e havia passado a carreira “escondido” no Brno e Dukla Praga, mas em 1976 a Europa ficou convencida com as suas exibições, ao ponto de ter sido terceiro na eleição para Bola de Ouro da France Football nesse ano.

Anton Ondrus (Checoslováquia) – Central do Slovan de Bratislava e capitão da selecção vencedora, ainda que não fosse o mais experiente dos seus elementos. Ondrus fica marcado pela peculiaridade de ter marcado os dois golos do tempo regulamentar frente à Holanda na meia final, só que um em cada baliza. De resto teve uma actuação que revelou as suas potencialidades, nomeadamente no jogo aéreo.

Antonin Panenka (Checoslováquia) – Naturalmente a figura da prova, por aquele gesto mitico que fica gravado na história do futebol como qualquer grande momento de Maradona ou Pelé. Sobre o penalti, Panenka confessou tratar-se de uma invenção sua para ganhar apostas nos treinos com o guarda redes da sua equipa. A técnica foi desenvolvida depois em treinos e jogos de menor importância até surpreender Maier com a execução vitoriosa. Panenka era um médio ofensivo, dotado tecnicamente que jogou até aos 45 anos de idade. O seu clube era o Bohemians de Praga (onde hoje é Presidente), mas mais tarde jogou também no Rapid Viena. Participaria ainda no Europeu 80 e Mundial 82 (já com 33 anos).

Zdenek Nehoda (Checoslováquia) – Um dos maiores avançados da história do futebol Checo, jogou 90 vezes pela Selecção, marcando 31 golos. Em 1976 foi figura importante na conquista do título, destacando-se o golo que marcou no prolongamento da meia final frente à Holanda. Ponta de lança forte no jogo aéreo mas também dotado tecnicamente.

Berti Vogts (Alemanha O.) – Para os mais jovens este nome é sobretudo conhecido pelos feitos como treinador, nomeadamente pela conquista do Euro 96. A verdade é que Vogts foi um dos melhores (talvez o melhor) lateral direito da história do futebol germânico. “Der Terrier” era assim conhecido pela sua entrega ao jogo. Faria quase 100 jogos pela Selecção, o mais famoso dos quais, a final do Mundial 74, onde marcou Cruijff. Fez toda a carreira no Monchengladbach.

Franz Beckenbauer (Alemanha O.) – Pode não ter ganho o título colectivo, mas isso não impediu que fosse, mais uma vez, nomeado Bola de Ouro pela France Football. Uma distinção que diz tudo sobre as qualidades de “Der Kaiser”, também neste Europeu. Um episódio curioso aconteceu na final – na sua centésima internacionalização – quando ninguém parecia querer marcar os penaltis. A demora foi tanta por parte dos alemães que o público reagiu, assobiando. Foi aí que apareceu a liderança de “der Kaiser”, nomeando ele próprio os eleitos.

Dieter Muller (Alemanha O.) – Independentemente da sua importância como goleador no futebol alemão, esta competição está para a carreira internacional de Muller como os mundiais de 90 ou 82 estão para Schilacci ou Rossi. É que Muller marcou apenas 9 golos na sua carreira pela Selecção, em 12 aparições... 4 deles foram neste jogo, destacando-se o facto de nem ter sido titular no primeiro jogo, entrando aos 79’, a tempo de fazer um hat-trick na sua estreia com a camisola da Selecção. Goleador de várias equipas, mas sobretudo do Colónia e, mais tarde, do Bordéus, Muller tem o maior registo de golos num jogo da Bundesliga, 6 frente ao Werder Bremen em 77. Em mais um episódio curioso da sua carreira, o registo não ficou gravado porque... os “camaramen” estavam de greve!

Ruud Krol (Holanda) – Um defesa que é um dos marcos do ‘Futebol Total’ dos anos 70. Defesa polivalente e de grande classe, Krol usava a sua versatilidade para desempenhar várias funções ao longo dos jogos. Jogador do Ajax durante grande parte da carreira, onde foi capitão, já depois da saída de Cruijff. Seria o terceiro melhor jogador europeu em 79.

Johan Crujff (Holanda) – Falar de Cruijff é, obviamente, falar de um dos maiores génios de sempre. A verdade, no entanto, é que Crujff estava já na fase descendente da sua carreira quando, com 29 anos, disputou esta competição. Depois de 3 títulos europeus pelo Ajax, Crujff juntou-se a Rinus Michels no Barcelona. A verdade é que a armada holandesa apenas conseguiu uma liga em 74 (apesar da importância por ter sido a única entre 60 e 85), em 5 anos de Barça. Também na Selecção, Cruijff invocaria problemas com ameaças à sua familia para abdicar da Selecção em 77, não participando no Mundial 78.

Johan Neeskens (Holanda) - Médio criativo foi a “sombra” de Crujff em grande parte da carreira. Isto partilhou com o génio holandês as experiências no Ajax e no Barcelona – onde se juntou um ano após o ingresso de Cruijff – bem como o Mundial de 74 e o Euro 76. Neeskens jogaria, no entanto, o Argentina 78. Tal como Cruijff apenas jogou a meia final.

Rob Rensenbrink (Holanda) – Fez grande parte da carreira na Bélgica, tornando-se uma glória do Anderlecht após ter entrado no país para jogar no rival Club Brugge. Em 76 foi jogador do ano na Bélgica e segundo mais votado na eleição de Melhor Europeu do Ano para a France Football. Dois anos mais tarde, após um brilhante Mundial 78, voltou a constar entre os 3 mais votados numa eleição ganha por Kevin Keegan. Rensenbrink era um canhoto dinâmico e goleador. As suas funções na Selecção holandesa não foram facilmente incorporadas, primeiro pela sobreposição de funções com Cruijff e, depois, pelo facto de não ser originário do Ajax ou Feyenoord, bem mais rotinados com a novidade do ‘Futebol Total’. Com o abandono de Cruijff, Rensenbrink tornar-se-ia numa das principais estrelas da “Laranja”.

Dragan Dzajic (Jugoslávia) – Figura já destacada no Euro 68, Dzajic voltou a brilhar em 76, agora com 30 anos. Nesta altura havia já abandonado o seu clube de origem, o Estrela Vermelha, para ingressar num Bastia que se preparava para atingir o topo da sua história. Dzajic marcou 2 golos na prova, distinguindo-se, mais uma vez, pela qualidade sublime do seu pé esquerdo que o notabilizou como um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol e o nome escolhido pela Federação Sérvia como jogador do século, no Jubileu da Uefa.

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18.4.08

História do Europeu - Bélgica 1972

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Enquadramento Futebol Português
Em Portugal, o Benfica mantinha o domínio interno, estando em 1972 a meio do terceiro de quatro tri campeonatos conquistados nas décadas de 60 e 70. Na Europa, no entanto o Benfica já estava longe da preponderância dos anos 60 e, em 1972 conseguiu o feito isolado de chegar às meias finais de uma prova onde, embora continuasse a ser presença quase constante, passou a ter uma importância bem mais modesta. Em 1972, o Benfica de Jimmy Hagan contava com um Eusébio já com 30 anos e uma equipa completamente renovada em relação aquela que entrara em Wembley quatro anos antes. Nas suas fileiras incluíam-se nomes importantes do futebol dos anos 70 e 80 como Nené, Jordão, Humberto Coelho, Artur Jorge, Vitor Baptista ou Toni. Os encarnados venceriam também a Taça de Portugal chegando à final depois de derrotar o FC Porto por 6-0 na meia final. No Jamor o adversário foi o Sporting de Fernando Vaz, derrotado por 3-2 no prolongamento. Os leões contavam, para além do mítico Vitor Damas (na altura com 24 anos), com Yazalde, no entanto ainda longe da veia goleadora de 74.
Mas falar desta época do futebol português é falar do “Senhor” Vitória de Setúbal que foi o principal destaque nacional a nível Europeu. Sob o comando de Pedroto o Vitória espantou a Europa conseguindo entre 69 e 74 estar sempre entre os 4 primeiros do campeonato e chegando, ou aos oitavos de final, ou aos quartos de final da Taça Uefa (antes de 72, Taça das Cidades com Feira). Gigantes como o Inter, Fiorentina ou Leeds United caíram aos pés dos Sadinos que contaram nesse período com individualidades como Jacinto João, Carlos Cardoso ou o experiente José Torres.

Enquadramento do Futebol Europeu
Em termos tácticos a evolução do futebol é marcada por uma crescente percepção da importância dos espaços e na viragem para a década de 70 o futebol de topo experimentou mais um importante passo rumo ao que é hoje, com a filosofia do Totaalvoetbal, ou Futebol Total, a atingir um sucesso esplendoroso com os feitos do Ajax. A ideia era promover a liberdade de movimentos individuais, mantendo sempre uma rigorosa disciplina colectiva que garantia a manutenção dos equilíbrios.
Na realidade o futebol Holandês conseguiu entre 69 e 73 estar presente em 5 finais da Taça dos Campeões Europeus, tendo o Ajax perdido a primeira e ganho as 3 últimas. Pelo meio fica o triunfo do Feyenoord sobre o Celtic em 1970. A final de 1972 fica marcada de forma impar na história do futebol Europeu por marcar também o confronto entre duas filosofias marcantes da história. Nesse dia 31 de Maio de 1972 a banheira de Roterdão assistiu ao grande triunfo do Futebol Total sobre o Catenaccio com a vitória do Ajax por 2-0 (2 de Cruijff) sobre o Inter. Curiosamente, nem o Ajax, nem o Inter eram já orientados por aqueles que ficariam conhecidos como os “mestres” das respectivas filosofias. No Ajax Kovacs sucedera um ano antes a Rinus Michels que partira para Barcelona e, no Inter, Herrera, agora na Roma, havia dado lugar a Giovanni Invernizzi. Nota para o facto de tanto Michels como Herrera terem sido responsáveis pelos primeiros grandes sucessos das respectivas filosofias, mas terem tido, em ambos os casos, inspirações de trabalhos prévios. No caso de Michels, o seu ex-treinador no Ajax, o Inglês Jack Reynolds (treinou antes e depois da II Guerra Mundial) e, no caso de Herrera, Gipo Viani que implementou pela primeira vez em Itália (no Salernitana) um conceito mais defensivo do jogo que, na realidade, foi pela primeira vez aplicado na Suiça.

Qualificação
A primeira pergunta que deve ser colocada, face ao que se passava ao nível de clubes, é: o que se passou com a Holanda? A Selecção Laranja dava no inicio dos anos 70, com o surgimento do domínio do “Futebol Total” os primeiros passos daquela que é uma história bem aquém do potencial que se reconhece. Depois de terem igualmente falhado a qualificação para o México 70, os Holandeses ficaram em segundo na fase de grupos, atrás da Jugoslávia, finalista da edição de 68 e que a “Laranja” foi incapaz de bater.
Outra baixa de peso foi a Itália, campeã Europeia e finalista no Mundial de 70. Os Italianos dominaram o seu grupo, mas caíram nos quartos de final frente a uma surpreendente Bélgica que conseguiu um notável nulo em San Siro antes de vencer “i azzurri” por 2-1 num jogo dramárico em Bruxelas.
Na qualificação para o Euro 72 viveu-se mais um episódio da rivalidade Anglo-Germânica, que começava a tornar-se traumática para os Ingleses depois da final do Mundial de 66. Depois de terem caído aos pés dos Germânicos nos quartos de final do México 70, os Ingleses eram agora eliminados da fase final do Euro 72, algo particularmente mais embaraçoso após a derrota 1-3 em Wembley, com 2 golos sofridos nos últimos 5 minutos desse jogo.
De resto, os quartos de final ditaram 2 confrontos a leste. A Hungria bateu a Roménia (2-1) no último minuto do tira teimas disputado em Belgrado, os após 2 empates verificados nas 2 mãos da eliminatória. Mais fácil a qualificação da União Soviética, que bateu a Jugoslávia por 3-0 em Moscovo após o nulo obtido em Belgrado.
Quanto a Portugal, 72 foi mais um episódio da frustrante carreira da Selecção no pós 66. Não foi tão mau como havia acontecido na qualificação para o México 70, mas ainda assim foi insuficiente. Os Portugueses foram segundos num grupo com a Bélgica, Escócia e Dinamarca. A Selecção foi apenas eliminada no último jogo, em casa frente à Bélgica. O resultado foi um empate a 1, num jogo em que Portugal teria de vencer por mais do que 2 golos para se qualificar.

Fase Final
A fase final foi disputada na Bélgica mas dominada por uma potência vizinha: A Alemanha Ocidental. Os Alemães começaram por se impor frente à equipa da casa (1-2), com Muller a marcar 2 golos antes de Polleunis reduzir já na etapa final da partida. Na outra meia final, os Húngaros foram incapazes de impedir a terceira final Soviética em 4 edições da prova, perdendo por 1-0 em Bruxelas, num jogo em que desperdiçaram um penalti. Os Belgas conseguiriam o terceiro lugar e, na final de Heysel, a Alemanha afirmava-se definitivamente como uma potência do futebol europeu, batendo os Soviéticos com um concludente 3-0. Muller foi, mais uma vez, o destaque da partida com 2 golos intervalados por outro de Wimmer.

Meias finais
Bélgica 1-2 Alemanha Ocidental
Hungria 0-1 União Soviética

3º/4º Lugar
Hungria 1-2 Bélgica

Final
Alemanha Ocidental 3-0 União Soviética

Equipas
Alemanha Ocidental (Campeã)
Primeira nota para Helmut Schoen, o treinador Germânico que ficaria na história como o primeiro e, até agora, único Seleccionador a ser Campeão Europeu e Mundial. Schoen levou para a Bélgica uma equipa que tinha como base jogadores do Bayern de Munique (campeão esse ano – apenas o seu 3º título!) e da outra potência alemã, o Monchengladbach (haviam sido campeões em 70 e 71). Era uma equipa fantástica com diversos nomes que ficariam para sempre na história do futebol mundial. Fica o onze da final:
Gr - Sepp Maier (Bayern Munique)
Dd – Horst-Dieter Hottges (Werder Bremen)
De – Paul Breitner (Bayern Munique)
Lib – Franz Beckenbauer (Bayern Munique)
Dc - Georg Schwarzenbeck (Bayern Munique)
Mc –Herbert Wimmer (Monchengladbach)
Mc –Uli Hoeness (Bayern Munich)
Mc – Günter Netzer (Monchengladbach)
Ee –Erwin Kremers (Schalke 04)
Ed – Jupp Heynckes (Monchengladbach)
Pl - Gerd Müller (Bayern Munich)

O estilo da equipa era uma versão germânica do “Futebol Total” muito em voga na altura. A liberdade de movimentos dos jogadores – onde se destaca, claramente, a função livre do libero Beckembauer – era um dos princípios elementares da forma de jogar, mantendo ainda assim a equipa a sua ordem colectiva.

União Soviética
Os Soviéticos voltaram a dar cartas numa fase final de um Europeu repetindo nova final. Evidentemente que a equipa Soviética era agora bem diferente daquelas que foram fazendo história ao longo desta prova. O futebol Soviético preparava-se para o domínio do Dinamo Kiev, que marcaria os anos 70 e 80 e a equipa Soviética contava já com 3 titulares do gigante Ucraniano (o guarda redes Rudakov e os médios Troshkin e Kolotov). De resto a equipa era formada por jogadores de diversos clubes, destacando-se o Dinamo Tiblisi e o finalista da Taça das Taças desse ano, o Dinamo de Moscovo.

Bélgica
O nome mais conhecido da Selecção Belga, anfitriã da fase final, será mesmo o seu treinador: Raymond Goethals, que nos anos 90 levaria o Marselha a 2 finais Europeias, a última das quais vencendo o troféu com uma vitória sobre o Milan em 93. De resto, o futebol Belga estava, numa escala um pouco mais modesta que a vizinha Holanda, a protanigozar uma fase de ascendente. Ao nível de clubes, os 3 mais importantes clubes, Anderlecht, Standard e Brugge dominavam internamente e preparavam-se para ser parte importante da história das Taças Europeias nos anos 70. O Anderlecht conseguiria 3 finais consecutivas da Taça das Taças (entre 76 e 78), vencendo 2. Aliás, em 1976 o futebol Belga levaria 2 das 3 Taças, com o Brugge a vencer também a Taça Uefa. Para o Euro 72, Goethals convocou, no entanto, maioritariamente jogadores da geração anterior a estes feitos (jogadores que haviam estado na modesta presença Belga no México 70), explicando-se talvez assim alguma modéstia exibicional, apesar do factor casa. Os Belgas terão, particularmente, sentido a falta do avançado Van Moer que partira a perna no empolgante play off que qualificou surpreendentemente os Belgas frente à Itália.

Hungria
Esta seria a última participação Húngara com algum relevo numa fase final de uma grande competição, ficando claro que a magia Magiar era estava a tornar-se cada vez mais uma realidade distante do futebol dos tempos modernos. Ainda assim, não se pode dizer que esta fosse uma formação envelhecida, antes pelo contrário. Comandada, é verdade, pelo veterano Florian Albert (Jogador Europeu do ano em 1967 que fez toda a carreira no Ferencvaros), esta era uma formação maioritariamente composta por jovens que, mais tarde atingiriam a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Munique, no mesmo ano. No que respeita a clubes, Ferencvaros e Upjest dominavam a convocatória.

Estrelas
Franz Beckenbauer
(Alemanha O.) – Em 1972 Beckenbauer ainda não tinha conquistado nenhuma das suas 3 Taças dos Campeões Europeus, nem sequer atingido esse pico de carreira que foi levantar pela primeira vez a então nova Taça de Campeão do Mundo em 1974. Pode espantar um pouco, por isso, que o “ Der Kaiser”, prestes a completar 27 anos, fosse já o capitão daquela que foi por ventura a melhor geração Germânica de sempre. Sobre as suas características é até escusado falar, dada a projecção que atingiu a sua célebre função de “libero”, em que personificava a versão do Futebol Total Germânico, pela liberdade ofensiva que o caracterizava. Foi o futebolista Europeu nesse ano (1972), feito que repetiria 4 anos mais tarde.

Paul Breitner (Alemanha O.) – Na altura tinha apenas 20 anos, prestes a completar 21. Mas Breitner era já um titular da Selecção de Schoen como lateral esquerdo. Breitner ficou conhecido como um dos melhores laterais do seu tempo, que tinha como particularidade características também reconhecidas no seu carácter: imprevisibilidade e irreverência. Era um jogador dotado tecnicamente e que marcava muitos golos, terminando a carreira como médio do Bayern de Munique – onde jogou a maior parte da sua carreira.

Gunter Netzer (Alemanha O.) – Não figura entre os craques que marcaram uma geração gloriosa no Bayern de Munique mas Gunter Netzer era naquela altura uma das figuras do futebol Germânico e Europeu, actuando pelo Monchengladbach, grande rival interno do Bayern nos anos 70. Netzer era um médio vistoso e possante que marcou um penalti decisivo em Wembley no playoff de acesso a esta fase final. O camisola 10 da Selecção jogaria ainda no Real Madrid ao lado de Breitner.
Gerd Muller (Alemanha O.)– A grande estrela da prova, marcando por 4 vezes em 2 jogos. Falar de Muller é falar de um dos mais temíveis goleadores da história do futebol. O “Bombardeiro da Nação” era sinónimo quase certo de golos, tendo batido nesse mesmo ano o recorde de golos na Bundesliga ao serviço do Bayern – 40 golos.

Murtaz Khurtsilava (U.Soviética) – Recentemente considerado o melhor jogador Georgio de todos os tempos, era o capitão da União Soviética. Khurtsilava actuou pelo poderoso Dinamo Tiblisi dos anos 70 e era uma espécie de Beckenbauer soviético. Forte defensivamente mas também capaz de dar inicio às acções ofensivas. Fica a curiosidade de ter sido este o jogador que cometeu o penalti contra Portugal em 66 no jogo de atribuição de terceiro e quarto lugares. Na altura uma mão na área, quando tentava ganhar o lance a Torres.

Evgeny Rudakov (U.Soviética) – Guarda redes Russo – nascido em Moscovo – ficou conhecido por fazer carreira no poderoso e Ucraniano Dinamo Kiev. Rudakov era o sucessor de Yashin e, se é certo que seria difícil atingir a grandeza do seu antecessor, não se pode dizer que Rudakov tivesse desiludido. Na realidade era uma das estrelas do futebol Soviético da altura, tendo sido considerado melhor jogador do campeonato em 1971.

Paul Van Himst (Bélgica) – Na ausência do lesionado Van Moer – estrela do Standard Liége – Van Himst era claramente a figura da equipa. Camisola 10 e capitão, Van Himst foi com 28 anos a principal esperança dos adeptos locais que tinham neste médio criativo do Anderlecht a sua fonte de desequilíbrios ofensivos. Foi 4 vezes votado como jogador do ano na Bélgica e manteve uma média superior a 0,5 golos por jogo nos mais de 450 jogos que realizou pelo seu clube do coração. Van Himst foi o nome escolhido pela Federação Belga como melhor jogador dos últimos 50 anos.

Florian Albert (Hungria) – Os seus melhores dias estavam já ultrapassados em 1972, mas Albert era ainda a principal estrela da Hungria (e do Ferencvaros) e, certamente, a sua figura mais influente. Albert – jogador europeu do ano em 1967 – era um avançado que se distinguia pela elegância do seu futebol. Um herdeiro de Puskas. Com 30 anos foi suplente utilizado na meia final e recuperou a titularidade na final, tendo como missão inspirar uma equipa bastante jovem.

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