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13.8.09
22.4.09
Eis que o impensável se repete, 8 dias depois!
De tão invulgar que é, parecia inigualável, irrepetível. 8 dias depois, porém, o impensável aconteceu e voltamos a ser brindados com um incrível 4-4. Desta vez a competição era diferente, por pontos e sem decisões imediatas. Este deveria ser um dado suficiente para que os jogadores não perdessem tão rapidamente o controlo emocional, mas tal não aconteceu... definitivamente!
Muita entrega, excelentes executantes, mas sobretudo uma série de erros imperdoáveis a este nível estão na base de um resultado que faz as delicias dos adeptos mas que, seguramente, trará mais reparos do que elogios dos treinadores às suas equipas.
Para a história, e isso é o que mais conta, fica um fantástico espectáculo de emoção e incerteza no resultado, com um protagonista especial: Arshavin. Um “póquer” não é para todos, muito menos numa visita a Anfield. Os adeptos dos “Gunners” deverão lamentar-se de não poder contar com esta arma na recta final da Champions, enquanto que para o Liverpool, o 4-4 ameaça tornar-se numa maldição espectacular. É que depois de ter sido eliminado da Champions com esse resultado, poderá muito bem ter perdido a Liga com o mesmo resultado, 8 dias depois.
Muita entrega, excelentes executantes, mas sobretudo uma série de erros imperdoáveis a este nível estão na base de um resultado que faz as delicias dos adeptos mas que, seguramente, trará mais reparos do que elogios dos treinadores às suas equipas.
Para a história, e isso é o que mais conta, fica um fantástico espectáculo de emoção e incerteza no resultado, com um protagonista especial: Arshavin. Um “póquer” não é para todos, muito menos numa visita a Anfield. Os adeptos dos “Gunners” deverão lamentar-se de não poder contar com esta arma na recta final da Champions, enquanto que para o Liverpool, o 4-4 ameaça tornar-se numa maldição espectacular. É que depois de ter sido eliminado da Champions com esse resultado, poderá muito bem ter perdido a Liga com o mesmo resultado, 8 dias depois.
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3.2.09
O mercado, Veloso, Quaresma e Arshavin...
Não que tivesse sido uma projecção visionária, mas a primeira abertura de mercado em era de crise confirma o que aqui escrevi no último dia de 2008. A escassez de capacidade de investimento parece afectar todos mas, no imediato, noto particularmente o abrandamento dos clubes de leste. Algo que também era previsível devido à dependência destes emblemas das fortunas dos magnatas, tão afectadas com o colapso bolsista. Sobre este tema mantenho alguma reticência sobre o futuro. Se a retoma tardar poderemos assistir, na minha perspectiva, a 2 cenários possíveis. O primeiro foi aquele que se assistiu agora, mas com um impacto muito maior caso aconteça no Verão. Ou seja, a redução drástica do número de aquisições de passes. A segunda poderá passar pela queda dos valores pedidos pelos jogadores. Este último cenário poderá beneficiar em particular os menos afectados pela crise e prejudicar desportivamente os clubes que acusem mais problemas de liquidez financeira (nomeadamente aqueles que estão mais habituados a viver das vendas).
3 casos merecem nota:
Veloso: Terá sido seguramente uma decisão difícil para o Sporting. Pelo que referi anteriormente, a situação é instável e o Sporting terá esse risco de ver os valores de mercado caírem no futuro, congelando a hipótese de fazer um encaixe significativo com Miguel Veloso. A isto juntam-se 2 factores. O primeiro tem a ver com o aspecto humano e com a própria vontade de Veloso rumar a uma liga mais competitiva (embora me pareça que no seu caso a Premier e o Bolton podem não ser a melhor solução). O segundo tem a ver com a própria equipa. É que Veloso ocupa uma posição que, apesar de algumas criticas que considero completamente infundadas, tem muitas alternativas de qualidade no plantel. Um encaixe financeiro agora, permitiria ao Sporting antecipar de forma mais segura o próximo mercado, não pondo muito em causa a sua qualidade colectiva. Neste caso, parece-me, pesou mais o “escaldão” de vendas passadas, hoje vistas como precipitadas pelo Universo sportinguista. O futuro dirá sobre a correcção da decisão.
Quaresma: O Inter tornou-se depressa num pesadelo. Mourinho não resolveu os problemas que se conheciam em Quaresma que, claramente, falhou na adaptação rápida a um futebol extremamente exigente e a uma equipa que não gravita em seu redor. O Chelsea também não fará de Quaresma a sua unidade mais importante, mas em Inglaterra, apesar da velocidade do jogo, há mais espaço e menos rigor defensivo dos opositores. A sua evolução no plano decisional começa a parecer cada vez mais improvável, mas talvez se torne numa daquelas lendas que não decidiram campeonatos mas ainda hoje permanecem nos álbuns de ouro da Premier League pela beleza que conseguiam colocar em algumas das suas jogadas.
Arshavin: O caso de sucesso do mercado. O Zenit vende finalmente a sua estrela à elite do futebol europeu e, para sorte dos adeptos e do próprio Arshavin permite que o destino seja o Arsenal. É um destino lógico pelas características, mas igualmente invulgar pelo mediatismo que não costumam ter os reforços de Wenger. Para que se perceba porque é que o Arsenal não compra nos grandes portugueses, apesar da qualidade técnica dos seus jogadores, basta olhar para o valor da transferência. Tal como acontecera com Nasri no Verão, não passa dos 15 milhões. Ficamos à espera!
3 casos merecem nota:
Veloso: Terá sido seguramente uma decisão difícil para o Sporting. Pelo que referi anteriormente, a situação é instável e o Sporting terá esse risco de ver os valores de mercado caírem no futuro, congelando a hipótese de fazer um encaixe significativo com Miguel Veloso. A isto juntam-se 2 factores. O primeiro tem a ver com o aspecto humano e com a própria vontade de Veloso rumar a uma liga mais competitiva (embora me pareça que no seu caso a Premier e o Bolton podem não ser a melhor solução). O segundo tem a ver com a própria equipa. É que Veloso ocupa uma posição que, apesar de algumas criticas que considero completamente infundadas, tem muitas alternativas de qualidade no plantel. Um encaixe financeiro agora, permitiria ao Sporting antecipar de forma mais segura o próximo mercado, não pondo muito em causa a sua qualidade colectiva. Neste caso, parece-me, pesou mais o “escaldão” de vendas passadas, hoje vistas como precipitadas pelo Universo sportinguista. O futuro dirá sobre a correcção da decisão.
Quaresma: O Inter tornou-se depressa num pesadelo. Mourinho não resolveu os problemas que se conheciam em Quaresma que, claramente, falhou na adaptação rápida a um futebol extremamente exigente e a uma equipa que não gravita em seu redor. O Chelsea também não fará de Quaresma a sua unidade mais importante, mas em Inglaterra, apesar da velocidade do jogo, há mais espaço e menos rigor defensivo dos opositores. A sua evolução no plano decisional começa a parecer cada vez mais improvável, mas talvez se torne numa daquelas lendas que não decidiram campeonatos mas ainda hoje permanecem nos álbuns de ouro da Premier League pela beleza que conseguiam colocar em algumas das suas jogadas.
Arshavin: O caso de sucesso do mercado. O Zenit vende finalmente a sua estrela à elite do futebol europeu e, para sorte dos adeptos e do próprio Arshavin permite que o destino seja o Arsenal. É um destino lógico pelas características, mas igualmente invulgar pelo mediatismo que não costumam ter os reforços de Wenger. Para que se perceba porque é que o Arsenal não compra nos grandes portugueses, apesar da qualidade técnica dos seus jogadores, basta olhar para o valor da transferência. Tal como acontecera com Nasri no Verão, não passa dos 15 milhões. Ficamos à espera!
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27.6.08
Espanha: A confirmação do favoritismo!
No primeiro jogo da fase de grupos, a Rússia lançou-se de forma tão determinada como descompensada nas suas acções ofensivas. O resultado, foi a exposição dos seus elementos mais recuados que, com erros individuais, não conseguiram remediar (e digo remediar porque não houve nesse jogo uma prevenção colectiva para o equilíbrio no momento da transição defensiva) as transições espanholas. Desta vez, e tal como contra a Holanda, houve uma postura mais comedida no adiantamento das unidades russas quando em posse de bola. O jogo ficou por isso menos propenso a transições, quer de um lado quer do outro (os espanhóis deixam sempre 4 a 5 jogadores atrás da linha da bola no momento da perda) e, consequentemente, definido pelos momentos de organização ofensiva e defensiva. Foi precisamente aqui que os espanhóis ganharam, desde cedo, ascendente no jogo.
O pressing russo: O erro de Hiddink
Não há dúvida dos méritos de Hiddink na composição desta formação russa, mas não me parece que tenha sido uma formação isenta de erros estratégicos esta Rússia. Contra a Espanha, houve uma reprodução da postura posicional do bloco russo, em organização defensiva, em relação ao jogo com a Holanda. Ou seja, o pressing era sobretudo feito pelo quarteto de meio campo. Arshavin e, sobretudo, Pavlyuchenko permaneceram com uma atitude muito passiva e nada perturbadora para a saída de bola adversária. Se perante a Holanda, devido à pouca mobilidade do seu duplo pivot e incapacidade ofensiva de Boulahrouz, a acção dos 4 de meio campo foi mais do que suficiente, frente à incomparável maior qualidade espanhola nesse momento do jogo deveria ter havido outra precaução. Sem Pavlyuchenko e com muito pouco Arshavin a pressionar, facilmente a construção espanhola fazia da posse de bola um engodo para o pressing russo que subia as suas linhas, sendo incapaz de cortar as linhas de passe e abrindo espaços na sua zona entre linhas. Esta tendência ainda foi suavizada enquanto se manteve o 4-4-2 espanhol, mas com a saída de Villa e entrada de Fabregas, tornou-se depressa evidente que o desnorte do pressing russo – sempre em inferioridade numérica na zona intermediária – acabaria por ter consequências drásticas para a formação russa. Hiddink não rectificou, o duo da frente não alterou o seu comportamento e a Espanha chegou a uma vantagem que conduziu o jogo para uma espécie de reedição da segunda parte do primeiro confronto. O resultado foi o mesmo, um passeio espanhol, desta vez com a final como destino.
Coincidências tácticas para a final
Para a final a Espanha parte como favorita, mas deverá ter na Alemanha uma oposição bem diferente desta Rússia. Curioso que chegam à final duas formações que foram trabalhadas no 4-4-2 clássico (o sistema, claramente, da moda neste Euro), mas que provavelmente se apresentarão em 4-5-1 nesse embate final. Outra curiosidade, particularmente debatida em Portugal (e com pouco rigor, em minha opinião), é o facto de 2 das 4 equipas que marcam zonalmente nas bolas paradas atingirem a final. Aqui, mais um detalhe: A Espanha, uma equipa baixa tal como Portugal, marca à zona mas tem definido acompanhamentos individuais aos jogadores mais perigosos do adversário (normalmente 2). Não será por acaso...
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22.6.08
Rússia: Apresentação da candidatura
Fantástico! Este é o adjectivo que me ocorre para classificar a exibição russa frente à Holanda. Depois de algumas reticências em relação à oscilação russa nos primeiros jogos, Hiddink deixou bem claro que esta uma selecção com maturidade suficiente para fazer ajustamentos estratégicos, fundamentais para quem vencer uma competição com estas características. Disse desde o inicio que as selecções mais capazes de vencer estas provas são aquelas que vão evoluindo com a competição, muito mais do que aquelas que aparecem bem preparadas no seu inicio. A Rússia encaixa perfeitamente nesta ideia (ao contrário da Holanda), e julgo dever ser considerada como uma dos principais candidatos à vitória. Para já, e apesar do tal preconceito em relação à equipa holandesa, quem gosta de futebol ofensivo fica claramente a ganhar com o apuramento russo, ainda que fique agora a certeza de que a Rússia pode ser bem mais do que um simples "entertainer" deste Euro.
Para a partida tinha a curiosidade de ver qual a postura dos russos que, tal como referi, deveriam ser mais cautelosos nas suas abordagens, frente a uma Holanda que se havia revelado muito pragmática e eficaz no aproveitamento dos desequilíbrios (tanto na profundidade como no espaço entre linhas) dos seus adversários. Hiddink alterou ligeiramente o a disposição da equipa, introduzindo Saenko para uma função menos interior (provavelmente para “tapar” Van Bronckhorst), compondo um esquema não totalmente simétrico, com Arshavin a manter-se como jogador livre nas costas de Pavlyuchenko mas sempre partindo desde a esquerda. Mas a alteração mais importante esteve nos comportamentos e não no sistema. Com um bloco médio baixo a dificultar muito os passes holandeses para o espaço entre linhas, notou-se uma menor participação ofensiva dos laterais em relação aos jogos anteriores, havendo maior liberdade para Semak, normalmente mais preocupado com os equilíbrios defensivos para integrar acções ofensivas (foi ele quem desceu até à esquerda para fazer o cruzamento para o primeiro golo).
Com a Holanda a não surpreender, mantendo-se sempre muito preocupada com os riscos, quer no posicionamento, quer na posse de bola, a primeira parte foi pautada pelo equilíbrio, embora se nota-se sempre maior qualidade russa, sobretudo pela forma como dava maior mobilidade e dinâmica à sua posse de bola. Esta mobilidade acabou por estar na origem do primeiro e merecido golo russo e, a partir daí, tudo mudou! Já havia falado das 2 faces holandesas mas frente à Rússia veio ao de cima uma outra face que se revelou na primeira vez que Holanda esteve em desvantagem neste Euro. Grande falta de ideias ofensivas, com Snejder a tentar recorrentemente a meia distância e, por outro lado, uma enorme incapacidade nas transições defensivas (apesar do inegável mérito russo). Talvez fosse por isso que Van Basten revelou sempre tanta preocupação em prevenir-se das transições dos adversários...
O jogo ainda foi para prolongamento, e aqui ficam os 2 reparos que é importante fazer à equipa russa. Primeiro, a finalização: houve várias e boas ocasiões para chegar ao segundo golo e com este nível de eficácia, a Rússia poderá vir a ter problemas. Segundo, e mais importante, as bolas paradas. Fez lembrar Portugal a forma permissiva como se defenderam os livres indirectos (face ao que se tinha visto, não custava nada antecipar o golo do empate quando foi marcado um livre indirecto). A Rússia foi feliz porque só sofreu um golo, mas arriscou-se, tal como Portugal, a ver fugir o pássaro por um capítulo do jogo em que é obrigatório ser-se mais forte.
Ainda assim, e apesar deste sofrimento evitável, a Rússia tirou partido da maior frescura física no prolongamento, que se notou na incapacidade holandesa em se organizar de forma minimamente eficaz. Mais uma vez, o segundo golo tardou em demasia numa fase em que o desnível era enorme.
Nota final para Arshavin. Começa a arriscar-se seriamente a ser o melhor jogador do Euro...
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21.6.08
Rússia: Risco ofensivo
A forma como Zhirkov e Anyukov aparecem permanentemente na frente como se fossem extremos (repare-se que foram os 2 laterais a fazer as assistências para os golos frente à Suécia), tendo em Semak uma espécie de contra peso para este balanceamento ofensivo faz-me lembrar a tendência táctica que acontece hoje no Brasil, onde a propensão ofensiva dos laterais é compensado, ou por um terceiro central, ou por um médio muito posicional. De resto, esta equipa russa, à imagem do futebol da ex-união soviética é particularmente forte em transições e ataques rápidos, colocando sempre muita gente em acção ofensiva, criando rapidamente situações de superioridade numérica. O outro lado desta “manta” está naturalmente algo destapado. Mais ainda, pode dizer-se que a Rússia junta alguma exposição posicional em posse de bola a algumas dificuldades individuais dos seus defensores, o que faz da sua fase defensiva (sobretudo a transição) o mais fraco dos seus pontos. Aliás, esse risco russo ficou bem claro frente à Espanha...
Não se pode falar desta equipa russa sem abordar algumas individualidades. Primeiro Arshavin, um dos destaques do Euro, a aparecer com grande qualidade (e a equipa melhorou claramente com ele) no terceiro jogo da fase de grupos e mostrar que pode vir a ser um dos destaques da competição, pela técnica e inteligência com que se movimenta (quem diz que já não equipas com verdadeiros número 10?). Depois, nota para a qualidade ofensiva dos 2 laterais, Anyukov e Zhirkov, peças fundamentais nos desequilíbrios ofensivos, para a inteligência de Zyrianov e, finalmente, para a qualidade do ponta de lança Pavlyuchenko. Alguns parece que o descobriram agora, mas já há uns bons anos que é o principal atacante russo e, até, já jogou frente ao Sporting...
No jogo com a Holanda a Rússia vai encontrar uma equipa filosoficamente diferente (apesar dos preconceitos sobre esta Holanda). A Holanda tem prioridades bem diferentes dos russos, sendo segura na posse de bola e permanentemente equilibrada, esperando o momento certo para tirar partido das qualidades dos seus jogadores – já o referi, a Holanda é a equipa que melhor sabe interpretar os vários momentos do jogo. Se Hiddink não adaptar a sua estratégia terá muitas dificuldades a escapar “com vida” deste encontro com a selecção do seu país.
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15.5.08
Taça Uefa: Zenit confirma
Rangers 0-2 Zenit
- O jogo até começou com duas acções de algum perigo para ambos os lados. A curiosidade foi a forma como foram construídas, já que resultaram de jogadas que entravam em contradição com a estratégia dos dois conjuntos. Primeiro, Zyrianov a roubar uma bola a meio campo que proporcionou uma transição atípica numa formação tão cautelosa quanto o Rangers. Arshavin falharia, mas esta seria uma espécie de antecipação do lance que, mais tarde, definiria o jogo. Depois, foi o Rangers a conseguir uma chegada com perigo à área russa, numa jogada construída em apoio e que revelou também alguma debilidade dos russos, sempre que o seu espaço entre linhas não era controlado por Tymoschuk, algo que, igualmente, seria mais tarde posto a nu pelos escoceses.
- A verdade é que depois desse período inicial o Rangers voltou a conseguir impor o ritmo que lhe convinha, dando a iniciativa ao Zenit, mas controlando sempre as investidas do adversário. O jogo chegou mesmo a causar o sentimento de “déjà vu” para quem havia acompanhado as outras eliminatórias dos escoceses, mas a segunda parte reservaria uma série de incidências que tornariam o jogo mais emotivo, não sendo estas, por uma vez, favoráveis aos escoceses. O Rangers foi quem primeiro teve a melhor oportunidade para chegar à vantagem, com Davis a sair com a posse de bola sobre a meia direita e explorando a tal dificuldade russa em controlar as iniciativas dos adversários, sempre que Tymoschuk falhava o controlo dessa zona. Este facto resulta sobretudo do grande espaço existente entre os centrais e os laterais muito ofensivos. Darcheville não conseguiu marcar, gastando aí uma das poucas “balas” que os escoceses parecem sempre trazer para os seus jogos. Este aspecto teve um efeito nocivo na habitual concentração posicional do Rangers que, talvez por estar a jogar em solo britânico, se entusiasmou de forma a conceder alguns espaços invulgares em partidas anteriores. Whittaker comprovaria essa maior abertura do jogo escocês ao desperdiçar uma oportunidade construída em ataque organizado fazendo uso de um número invulgar de unidades nesse processo. Estavam decorridos 64 minutos e, logo a seguir, se começaria a perceber o preço deste ligeiro entusiasmo escocês. Na sequência do canto, Arshavin teve caminho aberto para aplicar o contra ataque e o seu remate apenas não resultou em golo porque foi tirado em cima da linha. Numa reedição do lance do minuto 4, o Zenit chegou pouco depois ao golo. Denisov foi o protagonista, ao causar o erro adversário, ganhando uma bola no meio campo e iniciando uma transição que tirou partido, primeiro, do pouco equilíbrio momentâneo escocês (pode dizer-se que o Rangers provou do seu próprio veneno) e, depois, da pouca cobertura do espaço entre linhas que permitiu a liberdade a Arshavin para a assistência. Aqui, pode ter havido alguma ilusão de Walter Smith, antevendo um 4-3-3 e não tendo recomendado a Hemdani a preocupação com as costas do meio campo que revelara, por exemplo, frente ao Sporting. Sempre que Arshavin apareceu naquela zona, o Rangers teve dificuldades. A partir do golo, o Rangers passou a ser o Rangers escocês do jogo directo. Smith recorreu primeiro a um 4-3-3, com McCullogh a servir de referência para as primeiras bolas, adptando pouco depois por um risco total e jogando com 3 defesas. Novo ainda podia ter empatado, mas o que era mais previsível acabou acontecer no último minuto, o 2-0.
- É quase um alívio ver este Rangers perder a final. Não critico o pragmatismo da estratégia – que, já o disse, dá que pensar – mas esta é um equipa francamente limitada, quer do ponto de vista individual, quer na sua própria transição ofensiva. É que, ao contrário do que se esperaria, o Rangers não é forte em transição dentro desta estratégia. Limita-se a fazer uso da sua concentração e organização defensiva para esperar pelo erro do adversário, mas sem fazer muito pelas suas próprias oportunidades. Aliás, por paradoxal que pareça, a melhor arma deste Rangers europeu quando ganhava a bola era a sua posse. Não por ser progressiva, mas por ser tão conservadora e com tantos apoios recuados e laterais que acabava por provocar a impaciência do pressing do adversário, que cometia erros. Ainda assim, não se pode deixar de aplaudir a forma como esta equipa se bateu defensivamente. Perdeu a final, mas percebeu-se mais uma vez o quão difícil é ser batida, num jogo que, bem vistas as coisas, até podia ter tido outra história com um pouco da sorte que não lhe faltou noutras alturas.
- No Zenit, a ausência de Pogrebnyak foi importante, sobretudo para a possibilidade de poder ter também no jogo directo uma solução para surpreender o Rangers. A equipa procura sempre Arshavin, a sua mais valia ofensiva, mas o Zenit não foi melhor que os anteriores adversários do Rangers no capítulo do ataque organizado. Aliás esta é uma equipa particularmente mais forte a jogar em velocidade, aproveitando os momentos de algum espaço para progredir em apoio – muito ao jeito soviético. A equipa tentou o uso dos laterais, os movimentos interiores de Arshavin e Fayzulin, a mobilidade de Tekke e a inteligência dos movimentos sem bola de Zyrianov, mas foi quando o jogo se abriu um pouco mais que se tornou realmente mais perigosa. Individualmente, Arshavin foi claramente o homem chave das acções ofensivas, evidenciando a sua qualidade. No meio campo, Zyrianov revelou-se um jogador muito inteligente nas suas movimentações ao longo do jogo (o melhor em campo a par de Arshavin), ao passo que o determinante Denisov servia mais de apoio recuado à posse de bola. Tymoschuk, por seu lado, teve uma postura praticamente só defensiva, não sendo participativo ofensivamente e servindo de contra-peso para a vocação ofensiva dos laterais Anyukov e Sirl. Para quem quer seguir estes russos no Euro, fica a nota, entre os pré convocados de Hiddink estão Malafeev, Anyukov, Shirokov, Zyrianov, Arshavin e Pogrebnyak.
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