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14.3.12

Contrastes...

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- Quando o sorteio ditou o confronto entre Bayern e Basel (curiosamente, partilham a abreviatura FCB), imediatamente imaginei um passeio para os alemães. É que, para além da diferença evidente de valores, não havia qualquer contraste de estilos ou choque de culturas. Houve, no entanto, da minha parte uma subvalorização do Basileia actual. O seu momento é tremendo, pulverizando a liga interna e atingindo patamares de confiança que permitem a exacerbação do potencial colectivo, reflectido em feitos como foram, por exemplo, as vitórias caseiras frente a United e a este mesmo Bayern. O mais curioso é verificar o que pode acontecer quando o escudo da confiança é repentinamente retirado por um gigante insaciável como é, culturalmente, o Bayern. Não pode deixar de vir à memória o caso do Sporting em 2009 que, num episódio muito semelhante ao do Basileia (mas ainda mais penoso, porque teve direito a repetição), foi devorado por este mesmo adversário sem que houvesse qualquer relação com a consistência da equipa, quer no seu percurso europeu até aí, quer no próprio momento interno (as goleadas sofridas pelo Sporting coincidiram, paradoxalmente, com o arranque para um excelente ciclo de resultados internos). Não há grande lógica nisto, apenas Fragilidade.

- Do outro apurado do dia, não se pode traçar perfil mais contrastante com o do Bayern. Não tem grande explicação esta modéstia dos clubes franceses. São uma das potências económicas da Europa ocidental, têm dimensão, condições e formação para serem uma potência também ao nível de clubes. Mas não são, e vivem um bastante traumatizados por isso. Talvez a próxima década lhes seja mais favorável e Paris veja, finalmente, uma equipa corresponder à sua importância em todas as restantes áreas sociais e económicas. Refiro-me ao PSG, é claro. Para já, fica apenas o alerta para algo que venho repetindo: os franceses podem não ser uma potência, mas têm o seu valor também algo menosprezado. Porque desprezam a Liga Europa e não têm unhas para a Champions, acabam sempre longe das finais, parecendo por isso mais fracos do que realmente são. Mas, há muita qualidade e, atenção, porque ao contrário da Liga Europa, eles darão tudo por um brilharete na Champions.

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19.3.10

Marselha - Benfica: Na rota da História

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Já o venho referindo, mas faço questão de o reforçar nesta hora. Entre todas as competições que o Benfica disputa nesta temporada, só uma lhe dará direito a um lugar de destaque na História. A Liga Europa. Numa semana difícil e em que, verdadeiramente, não privilegiou esta competição, o Benfica sai de forma épica do Velodrome. O que me parece, e clarifico este ponto antes de abordar com mais detalhe a partida, é que se estiver garantida margem de erro no campeonato, a Liga Europa merece ser tratada como a prova prioritária. Porque, como digo, só assim se poderá fazer, desta, uma época especial na História e, também, porque dificilmente alguma equipa chegará à final se não der prioridade a esta prova.

Em crescendo
O Benfica pode ter sido a equipa que esteve mais próximo do golo durante todo o jogo, mas não da mesma forma. Ou seja, na primeira parte, sobretudo durante os primeiros 30 minutos, foi o Marselha quem mais vantagem tirou do jogo. Criou dificuldades à construção do Benfica e manteve-se muito pressionante, o que lhe valeu algum ascendente. Valeu ao Benfica algum desacerto francês no último terço e, também, um grande jogo da sua linha mais recuada.

Apesar destas dificuldades, diga-se, o Benfica realizou sempre um jogo de grande intensidade e concentração, e isso acabou por provar-se decisivo com o passar do tempo. O Marselha foi perdendo capacidade e, passados alguns minutos da segunda parte, o Benfica dominava já completamente as operações. A tal intensidade foi determinante na velocidade com que a equipa e cada jogador reagia às incidências do jogo (aquilo que no passado chamei de qualidade táctica), por contraponto com um Marselha progressivamente mais baixo, menos pressionante e mais errático. Por tudo isto, o 1-0 foi, na altura, uma enorme injustiça.

Podia o golo de Niang ter virado a tendência do jogo e, eventualmente, ditado o destino da eliminatória. Mas não. Não, porque, por um lado o Benfica manteve-se em pleno no jogo, e porque - e isto é incontornável – apareceu o rasgo de felicidade que até aí tinha faltado, impedindo uma eventual quebra anímica na recta final. Com Aimar e com a injecção de confiança, trazida pelo pontapé de Maxi, o que se seguiu foi um verdadeiro assalto ao golo por parte do Benfica. Consequência de uma enorme diferença organizacional entre as 2 equipas. Na verdade, podia não ter acontecido, mas o 1-2 apenas evitou um prolongamento que seria um contraste com as indicações que o jogo ia dando.

O melhor Benfica?
A vitória, pela dificuldade e forma como foi conseguida, pode ser associada a uma das melhores exibições da época. Na verdade, não estou de acordo com essa ideia. Mesmo levando em conta a estupenda recta final. Que o Benfica é uma equipa de enorme qualidade, mesmo à escala europeia, é algo que já havia concluído desde a pré temporada. Mas também já há muito que me parece claro que esta equipa precisa de alguns requisitos para estar no seu pleno. Primeiro, a intensidade mental dos jogadores que lhes permite um melhor desempenho técnico e táctico. Isto, como defendi acima, não faltou em Marselha. O que faltou foi a presença em pleno de algumas individualidades chave. Em particular, claro, Aimar. Já tantas vezes me referi a este ponto da função 10 que penso ser redundante repetir a ideia.

Assim, concluo apenas dizendo que a entrada do argentino teve um impacto fantástico, para mais num jogo em que Saviola não esteve tão bem. Se em vez de ter jogado – e mal – na Madeira, tivesse sido poupado para esta decisão, talvez não tivesse sido preciso esperar por tão tardia resolução. Sem querer voltar ao inicio, talvez esteja aqui um ponto a rever para o que resta da caminhada europeia.



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12.3.10

Benfica - Marselha: É melhor repensar...

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Dificilmente alguém esperaria tantas dificuldades. Eu próprio, confesso, saio algo surpreendido com os problemas que o Benfica teve para se impor. Uma prova de qualidade do Marselha, é certo, mas também a evidência de um jogo pouco conseguido por parte do Benfica e, parece-me também, mal preparado. É a conclusão que retiro de alguns pormenores do jogo. Uma coisa é certa, no entanto: com o desfecho – cruel mas absolutamente justo – da primeira mão, só um Benfica para melhor resgatará do Velodrome a qualificação. Tem a palavra Jesus no planeamento da próxima semana, ficando para mim muito claro que seria um desperdício que este Benfica, com tanta qualidade, saísse tão cedo desta competição.

O pormenor de Brandão
Provavelmente não será referido nas crónicas da partida, mas foi um detalhe importante e que marcou, pelo menos, o inicio do jogo. Os pontapés longos do Marselha, com que se iniciaram várias jogadas do jogo, tiveram sistematicamente como destino o versátil avançado brasileiro, que invariavelmente ganhava o duelo aéreo com Maxi. O resultado foi que o Marselha conseguiu sair a jogar repetidamente destas situações, já no meio campo encarnado, dificultando assim o trabalho do pressing do Benfica. Jesus corrigiu este detalhe com cerca de 25 minutos de jogo, encostando Ramires a Brandão nestas situações, mas foi um detalhe que ajudou a encaminhar o Marselha para o bom jogo que fez.

Por outro lado, claro, sendo esta uma rotina da equipa do Marselha (como era do Shakhtar, aliás), denota também uma má preparação do Benfica para a especificidade do adversário.

O mérito do Marselha e o mau jogo encarnado
O pormenor da utilização de Brandão para as primeiras bolas, ajudou a pintar o jogo de azul celeste. Mas não é apenas por aí que se explicam as dificuldades encarnadas em ser tão autoritário como é hábito. Primeiro, há que referenciar a qualidade do Marselha. Boa equipa colectivamente e com óptimas individualidades, competentes a executar e com personalidade e confiança suficiente para não serem facilmente condicionados pelo pressing. E sabe-se como o pressing é importante para o jogo do Benfica.

Mas, se o Marselha esteve bem, o Benfica podia ter feito muito melhor. Não teve capacidade no pressing, errou bastante mais do que é hábito em termos técnicos e, com isto, foi perdendo também confiança táctica. Ou seja, deixou de se posicionar tão alto, de tentar ser autoritário tacticamente, resguardando-se mais e, consequentemente, dando espaço ao Marselha para ter bola.

Isto não quer dizer que o Benfica tenha estado por baixo no jogo. Ou, pelo menos, não sempre. Teve períodos bons, mais coincidentes com o seu potencial, mas foram escassos para aquilo que se exigia.

Individualidades: de David Luiz a Aimar...
Começando pelo 10. Já várias vezes me referi à sua importância no jogo do Benfica. De facto, o Benfica precisava de um Aimar em pleno, presente e competente em todos os momentos do jogo. Provavelmente pelas limitações físicas, isso não foi possível e, claro, o jogo do Benfica ressentiu-se... em todos os momentos.

Do outro lado, em termos de qualidade exibicional, 2 nomes. Saviola, que não fez uma exibição especialmente exuberante, mas que esteve em muito bom plano, dentro da valia que se lhe reconhece. E, claro, David Luiz. Não vale a pena falar muito, porque a sua qualidade já dispensa elogios. Basta ver...

França
Uma nota final para o futebol francês. É comum desvalorizar-se o futebol que se pratica naquele país, o que é chocante vindo de Portugal. O futebol francês é um mar de talentos e joga-se sob uma grande intensidade física e técnica, num nível absolutamente incomparável com aquele que se pratica em Portugal. Em breve falarei de algumas individualidades desse interessante campeonato...



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9.11.09

2x5 !!

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1.7.09

Lucho no Marselha: Fuga de cérebros...

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Quem acompanhou com alguma assiduidade as análises que aqui fui fazendo ao longo dos últimos 3 anos sabe o que penso de Lucho Gonzalez. Qualquer um é capaz de perceber que se trata de um grande jogador, mas para se perceber, realmente, o alcance do futebol de Lucho é preciso um olhar um pouco mais atento. A forma como se move, como antecipa as jogadas, como lê e joga com os espaços é altamente invulgar, mesmo rara a um nível planetário. Pode, por tudo isto, perceber-se que mais do que qualquer outro aspecto, o futebol português perde, com a saída de “El Comandante”, inteligência.



Grande negócio!
A cedência de Lucho é um golpe evidente na qualidade do futebol portista que, arrisco eu, se poderá sentir mais nos grandes jogos. Mas esse é um problema que faz parte do modelo portista. Os jogadores, mesmo os melhores, têm, se tudo correr bem, um ciclo dentro do clube, onde chegam, valorizam-se e partem deixando uma mais valia financeira para o clube. É este ciclo de valor que, como já várias vezes aqui expliquei, compensa o desajuste dos custos em relação às receitas operacionais.
Aqui, mais uma vez, o Porto voltou a surpreender. 18 milhões (para já) por um jogador a caminho dos 29 anos é algo muito difícil de conseguir, seja com que jogador for. Aliás, Lucho arriscava-se a ser um caso diferente de outros que saíram também a troco de vários milhões, dada a sua idade. O Porto conseguiu o encaixe que procurava e agora há menor pressão para vender. Com a excepção de Cissokho, que creio ser de todo o interesse ser vendido, todos os outros jogadores poderão ser mantidos sem que isso represente um problema para as contas da SAD.

E agora?
Naturalmente que a saída de Lucho abrirá um novo capítulo no mercado portista. É preciso contratar um novo valor para ser, primeiro, uma mais valia desportiva e, depois, financeira. Não será fácil substituir Lucho, mas o perfil está identificado. Jogador jovem e talentoso para jogar numa posição do meio campo. O preço poderá ir até cerca dos 10 milhões de euros (100% do passe). Aceitam-se apostas...


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17.4.09

Taça Uefa - O fantástico 3-3 e as meias finais

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No inicio desta eliminatória tinha falado da supresa pelas presenças de Marselha, PSG e Man City, antecipando uma provável sensação ucraniana na prova. Confirmou-se a eliminação destas 3 equipas, uma consequência, em muito boa parte, da concentração que todas depositam nas suas competições internas. Confirma-se também um finalista ucraniano que, aliás, até poderiam facilmente ser 2 caso Kiev e Shakhtar não se cruzassem já.

Já tinha confessado também algum desapontamento pela performance da Udinese na primeira mão da eliminatória, sobretudo no que respeita à eficácia. Os italianos acabaram por pagar cara essa factura e nem o bom esforço protagonizado no segundo jogo valeu para compensar a desvantagem trazida da Alemanha. Este foi, de resto, um jogo altamente emocionante com menos golos mas com bem oportunidades do que o tão elogiado 4-4 de Terça Feira. Na Udinese, na ausência de Di Natale, destacou-se o espectacular Quagliarella, num jogo que teve apenas o esboço de um promissor e talentoso Alexis Sanchez. No Bremen, fantástico Diego que, exagerando, pode dizer-se que qualificou sozinho a sua equipa. De resto, os alemães confirmaram a sua assumida vocação ofensiva, bem expressa no contraste entre a incapacidade para controlar minimamente o adversário e o notório poderio no último terço, responsável por 6 golos em 2 jogos. Terá sido seguramente um dos jogos do ano nas competições europeias.

Meias finais
Os duelos podem favorecer Bremen e Dinamo. A razão para isto é a menor preocupação com as competições domésticas, já que ambas as equipas têm a sua classificação praticamente definida. Ao contrário, Hamburgo está envolvido na acesa luta pelo título e acesso directo à Champions, ao passo que o Shakhtar, fruto de uma péssima campanha interna, ainda terá de garantir o segundo lugar. Ainda assim, se pedirem um prognóstico, arriscaria Bremen e Shakhtar na final, com uma meia final com muitos golos entre os alemães.
Uma coisa é certa, a Taça Uefa pode não ser a competição mais mediática pelo afastamento dos grandes emblemas europeus, mas é uma competição extremamente interessante, com o equilíbrio e imprevisibilidade a serem muito mais vincados do que na Champions
.

Dinamo Kiev 3-0 PSG
Marselha 1-2 Shakhtar
Man City 2-1 Hamburgo

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10.4.09

Taça Uefa: Notas da 1ª mão dos quartos

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Shakhtar 2-0 Marselha - Tinha feito a previsão de uma surpresa ucraniana e a hipótese vai ganhando forma. Em Donetsk, o Shakhtar foi feliz mas creio que acabou por vir ao de cima 3 factores importantes. A qualidade individual já realçada nos embates com o Sporting, o relevante factor casa e, finalmente, a tal importância dada à prova por parte dos ucranianos, em relação a um Marselha envolvido numa luta pelo título que lhe diz, pelo menos para já, muito mais.

PSG - Dínamo Kiev – No outro jogo entre ucranianos e franceses, também um bom resultado para o Dínamo em Paris embora o nulo possa, como já se provou, ser um presente envenenado para a segunda mão. Este novo nulo caseiro do PSG traz à memória a caminhada do Rangers no ano anterior, tirando partido da ansiedade do adversário com o passar do tempo na segunda mão. Qualquer semelhança entre esse Rangers e este PSG é, no entanto, pouco mais do que coincidência. Ainda assim, novo favoritismo Ucraniano para esta eliminatória, pelos mesmos motivos que enunciei para o Shakhtar – Marselha.

Werder Bremen 3-1 Udinese – Dois resultados idênticos para os alemães ainda em prova. Mais surpreendente para mim o do Bremen, devido à boa qualidade da Udinese que tinha tudo para marcar mais golos nesta primeira mão. A Udinese é a última esperança do futebol Italiano para ter 1 equipa nos últimos 8 das provas europeias e é também uma desilusão da Serie A, apesar da qualidade que se lhe reconhece. A eliminatória não está terminada e vai haver uma reacção forte em Udine seguramente, mas aqueles 2 golos consecutivos (o de Diego vale a pena ver) e as oportunidades desperdiçadas por Quagliarella poderão ter sido decisivos.

Hamburgo 3-1 Man City – Em Hamburgo, o jogo começou com uma fantástica combinação entre Ireland e Robinho (notável controlo e definição da jogada), mas seria muito dificil o City escapar de uma derrota neste jogo. O Hamburgo será provavelmente o mais sério candidato à bundesliga e terá tido no Galatasaray um opositor bem mais difícil do que o City. A equipa inglesa não tem no colectivo a mesma qualidade individual e, sobretudo, está muito mais concentrada na sua prestação interna. A sua falta de consistência foi “denunciada” na segunda mão frente ao Alborg. Em casa tudo é ainda possível, mas prevejo que Olic (grande jogo!) e Guerrero possam ser suficientes para marcar golos decisivos na segunda mão.


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12.7.08

Nasri no Arsenal: o que é preciso para ser um 'Gunner'?

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Aos meus olhos é uma boa notícia para quem gosta de conjugar futebol e entretenimento (não lhe chamo “bom” futebol porque o termo tem sempre uma subjetividade adjacente). Nasri no Arsenal.

Há muito visto como o herdeiro natural da camisola 10 da Selecção gaulesa, Nasri tem agora, aos 21 anos, o primeiro desafio que pode, ou não, confirmar o as projecções feitas sobre o alcance do seu talento. Numa equipa que já perdeu o nuclear Flamini e se prepara para juntar a esta baixa a saída do polivalente e competente Hleb, a contratação de Nasri pode não ser suficiente para garantir, pelo menos, a manutenção da qualidade até aqui revelada. De toda a maneira é indiscutível que os ‘Gunners’ juntam, agora, dois dos mais promissores médios do futebol mundial: Nasri e Fabregas. Enquanto que noutras paragens se contam centímetros e quilos, para Wenger o critério de recrutamento tem sempre quase como primeira prioridade a qualidade técnica e isso não pode deixar de ser um factor de realce numa equipa que se propõe disputar os mais ambicionados troféus do futebol mundial.

Por fim, uma nota: com 21 anos, Nasri foi vendido por cerca de 15 milhões de Euros. Pergunto-me quanto pediria um grande português por um jogador com a idade, qualidade e reputação de Nasri?...


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25.10.07

Breves da Quarta-Feira Europeia

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Marselha – Porto
- A sensação de superioridade portista foi confirmada na partida. Mais confiante, mais rotinado e com melhores valores, o Porto superiorizou-se durante grande parte do jogo a um Marselha desfalcado e muito dependente do músculo de Niang sobre a direita. Na verdade, a ironia do jogo acabou por nos contemplar com um impensável período em que os portistas pareciam ter deixado escapar a partida, sendo penalizados pela menor mobilidade do seu ataque no segundo tempo, pela eficácia Marselhesa e também por um excessivo recuo territorial a partir dos 55 minutos.
- De Marselha e Istambul resultou caminho aberto para os ambicionados quartos de final. O Porto já não terá de pontuar em Anfield para ficar à frente do Liverpool e, francamente, custa a crer que Marselha ou Besiktas possam ultrapassar os Dragões. Se o Porto for primeiro, pode muito bem ter a vida facilitada nos oitavos e, depois... quem sabe!

Benfica-Celtic
- Confirmaram-se as projecções de uma partida mais difícil do que em 06/07, com um Benfica menos dominador em casa. Ainda assim a vontade e qualidade das águias valeu um vitória merecida e arrancada por uma segunda parte bem mais de acordo com o que o Benfica pode fazer. Há ainda muito caminho até a um futebol consistente, mas é com vitórias que tal objectivo se começa atingir e este jogo foi importante também por isso...
- As contas, essas, continuam complicadas. No inicio projectava-se que o Benfica deveria impor-se na primeira volta por receber os dois “menos fortes” do grupo. Agora, com 3 pontos apenas, é preciso ir ao frio Ucraniano, ao inferno do Celtic Park e ainda receber um Milan que pode até precisar dos pontos na Luz. Não é fácil, mas também é verdade que um brilharete na Escócia pode inverter o panorama e, como se diz do outro lado da segunda circular, convém não esquecer que existe um “segundo objectivo”...

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24.10.07

Noite Champions

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Marselha-Porto
Reviver Marselha para o Porto é lembrar 03/04. Esse será um tónico positivo para uma partida decisiva para o apuramento dos Dragões. É que este Marselha para ser tudo menos previsível e a sua capacidade de surpreender faz-se sentir, quer pela positiva, quer pela negativa. Quanto vale o OM? Os 6 pontos em 2 jogos da Champions ou os 10 em 11 da Ligue1? A forma como os portistas vão interiormente responder a esta pergunta deve ser decisiva para a forma como a partida será encarada e, aqui, é importante não embandeirar em arco antes do tempo. Os Franceses são uma formação débil colectivamente e o perigo vem muito das acções individuais, especialmente do veloz Cisse, do poderoso Niang e do traquejado Zenden (que parece estar a passar um bom momento). Sob o aspecto individual os franceses lamentar-se-ão das baixas na zona de construção, com Nasri e Ziani – os dois mais influentes nessa zona – a ficarem de fora por lesão. Ao Porto pede-se que aguente o ambiente do Velodrome, que deixe a partida “adormecer” e que, tal como fazem as grandes equipas, a saiba “matar” quando o jogo estiver a seu favor.

Benfica-Celtic
É a reedição do “embate dos 3-0” em 06/07. Quem pensar, no entanto, que a coisa se deve repetir engana-se... Até pode acontecer, claro, mas é muito menos provável que tal aconteça este ano e os motivos estão mais do lado encarnado. É que o Benfica de Camacho não é tão explosivo como o de Fernando Santos e dificilmente se conseguirá impor de forma tão clara na Luz. Por outro lado, é mais constante, e também não creio que vá sentir tantas dificuldades quando voltar a Celtic Park. Do Celtic não se esperam surpresas. Actuará no seu “sagrado” 4-4-2 (será que eles conhecem outro sistema?) e praticará um futebol vertical que tem dificuldades em dar-se com a técnica dos latinos. O instinto e o espiríto dos escoceses não deve, no entanto, ser ignorado e quando chega a hora de jogar na área o perigo vem pela certa. Do lado encarnado a procura de um exibição de gala num jogo importante – algo que ainda não se viu com Camacho. A equipa precisa disso para a sua auto estima, já que tarda em mostrar o futebol que se lhe pede. A ver vamos se Camacho mantém a linha de 4 a meio campo – um “pecado” na minha opinião...


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12.4.07

Samir Nasri: O herdeiro seguinte

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Em França, já aqui o referi, há uma preocupação grande em torno da substituição dos jogadores da gloriosa geração que conquistou os títulos no Mundial de 1998 e Europeu de 2000. Zidane, herdeiro de Platini, requer agora também ele alguém que lhe siga as pisadas envergando o “maillot” 10 azul. O primeiro candidato é, por vários motivos, evidente: Samir Nasri.
Tal como Zizou, Samir nasceu em Marselha, sendo igualmente de origem Argelina. Com 19 anos (a sua data de nascimento é também próxima da de Zidane – apenas 3 dias depois), Nasri é já há muito visto como uma grande promessa gaulesa. Formado nas escolas do Marselha, o jovem 10 foi eleito o melhor jogador do campeonato europeu de sub17, vencido pela França com um golo seu na final. Esta é também já a terceira época em que é utilizado com regularidade na primeira equipa do OM, sendo uma aposta de há muito do seu clube. No recente recepção da Selecção Francesa à sua congénere austríaca, Samir foi titular, estreando-se pelos “bleus” e fazendo o passe para o golo do já aqui destacado Karim Benzema.
Não é um goleador e a sua envergadura física – baixo e franzino – dificilmente alguma vez lhe permitirá ter um estilo parecido com o de Zidane. Samir Nasri é, no entanto, um daqueles jogadores a quem bola parece encaixar no pé. Actuando no congestionado espaço central, ele gira, prende, ganha, passa e, acima de tudo, não se perde.


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10.2.07

Dragan Stojkovic - Não se esquece um talento assim!

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Na passada Segunda-Feira o jornal 'ABola' publicou uma extensa entrevista com Carlos Queiroz. Entre os vários temas abordados, emerge a selecção do "onze da minha carreira" numa escolha feita pelo próprio treinador. Entre craques como Figo, Ronaldo, Donadoni, Futre, Raúl ou Zidane aparece um nome a quem é dado todo o destaque por parte do "professor": Dragan Stojkovic!
Lembro-me dele, era o craque e número 10 da selecção Jugoslava que tão boa conta de si deu no Itália 90. Nessa Selecção constavam ainda alguns talentos que haveriam de fazer carreira no futebol Mundial - Suker, Savicevic, Pancev, Prosinecki, Jarni e Boksic... lembram-se deles?
Stojkovic brilhou nesse Mundial (vejam um célebre livre seu frente à Selecção Espanhola) mas a verdade é que nunca deu continuidade a um talento que desde muito cedo se mostrou ao mundo (foi titular no Euro 84 com apenas 18 anos!). Depois de fazer história no Estrela Vermelha, não teve sorte num Marselha de tempos gloriosos (com Pappin ou Waddle). As lesões impossibilitaram-no de ter um rendimento constante no futebol de alto nível e por isso partiu para o Japão com apenas 29 anos. O Nagoya Grampus foi o destino e foi lá que fez história - os Japoneses construiram-lhe até monumentos! No Oriente foi treinado não só por Queiroz mas também por Arsene Wenger e a distância não o impediu de participar no Mundial de 1998 ou no Euro2000 (já com 35 anos) - digamos que um pé direito como aquele não se esquece facilmente!
Actualmente, Dragan encontra-se já bem lançado no dirigismo - depois de ter sido Presidente da Federação Jugoslava é agora o homem forte do clube que o mostrou ao mundo, o Estrela Vermelha de Belgrado!

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