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4.6.10

2006: A última sinfonia de 'Zizou'

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Todos o davam como acabado. E, afinal, o próprio já havia avisado que iria dar os últimos passos nos relvados do Alemanha-2006. Zidane, porém, era um "vintage", daqueles que se tornam melhores com a idade. A força do seu futebol nunca foi a velocidade ou a explosão e, por isso, foi-se tornando cada vez melhor a decidir, cada vez melhor a executar. Zidane será sempre lembrado por aquela final de 1998 e pelos golos com que vergou o Brasil. A importância histórica não está em causa, mas escolher 2 cabeçadas como ponto alto da carreira de Zidane parece-me um claro contra senso. É por isso que, entre todas as suas exibições em mundiais, não teria dúvidas em destacar uma outra, 8 anos mais tarde contra o mesmo opositor.

Para enquadrar o cenário, importa lembrar que não foi só Zidane a aparecer desvalorizado nesta competição. Toda a equipa francesa foi rotulada de "velha", com nomes como Barthez, Thuram, Makelele ou Vieira a juntarem-se aos 34 anos de "Zizou" para compor um onze base com uma média de idades acima dos 30 anos. "Os Dinossauros", apelidaram os mais críticos.

A suposta incapacidade da equipa francesa pareceu confirmada na fase de grupos, quando num grupo com a Suiça, Togo e Coreia do Sul, os franceses não fizeram melhor do que o 2º lugar. Aqui terá entrado um dos mais comuns erros de apreciação nestas competições - e que provavelmente se repetirá em todos os mundiais. Avaliar uma equipa por jogos de características diferentes daquelas que terão na fase decisiva. E assim foi. A França podia não ter grandes rasgos para bater defesas muito fechadas, mas era uma equipa consistente e com qualidade para se bater com as melhores, em jogos mais divididos. Provou-o, primeiro, afastando uma entusiasmante Espanha. Depois o favorito Brasil e, finalmente, Portugal. Tudo, sempre, em velocidade moderada e com grande classe. O estilo Zidane.

A França esbarrou na final e acabou por não proporcionar o grande final ao seu capitão. Zidane voltou a marcar uma final de um mundial à cabeçada, mas desta vez não na bola, mas sim no peito de Materazzi. Um pecado final cujo preço nunca saberemos qual foi exactamente. O que sabemos, contudo, é que a caminhada para a final justificava outro desfecho em Berlim. Como a bola é redonda, ganhou a Itália que teve a sorte que lhe faltou em 94. Para quem viu aquele mundial com olhos de ver, não hesitará em destacar a França e Zidane como os melhores da prova.

Sobre o 10 francês, não há muito para dizer. Nunca houve. Aliás, o que distinguiu Zidane nunca foram os feitos ou os números. Nem mesmo a eficácia das suas acções. O que o distinguiu foi sempre a sua arte e o seu estilo. E é precisamente por isso que para perceber o impacto de Zidane não chega qualquer descrição, é preciso ver. Um artista na forma de jogador, como poucos o foram. E é por essa especificidade que Zidane merece, a meu ver, um lugar de enorme destaque entre os mais importantes da História do Jogo.



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30.12.06

Melhores 5 jogos Nacionais de 2006

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Tal como prometido, os 5 jogos de 2006 que destaco sob a perspectiva Nacional...
O destaque vai para o momento futebolístico nacional do ano... os penaltis contra a Inglaterra. Ainda hoje emociona ver este que foi um dos momentos de maior intensidade da história da Selecção!

- Benfica 1-3 Sporting (O primeiro clássico do ano foi histórico para o Sporting e para Liedson)
- Liverpool 0-2 Benfica (O grande momento Europeu do Benfica dos últimos anos)


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Melhores 5 jogos Internacionais de 2006

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O final do ano traz também à memória os melhores momentos da temporada...
Porque vale a pena relembrar, deixo aqui os 5 melhores jogos internacionais do ano com destaque para a fantástica final da FA Cup jogada entre West Ham e Liverpool (os 'Reds' venceram, com Gerrard em grande).
Amanhã farei igual destaque, mas segundo uma perspectiva Nacional...

- Argentina 2-1 Mexico (Oitavos do Mundial com o golão de Maxi Rodriguez no Prolongamento)
- Middlesbrough 4-2 Steaua (Reviravolta histórica na meia final da Taça Uefa)


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19.12.06

Fabio Cannavaro 'Fifa World Player'

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Não é surpresa sobretudo após o 'Ballon d'Or', mas não pode deixar de constituir um facto assinalável a primeira nomeação de um defesa para este prémio...
O melhor do mundo? Para mim não há dúvidas: O Ronaldinho de Camp Nou é o génio do nosso tempo! Mas, será assim tão injusto tendo em conta o ano de 'Il Capitano'?





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16.7.06

O Alemanha 2006 em "post scriptum"

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1 Mês de emoção

Para que uma prova como um campeonato do mundo possa ser bem sucedida na sua plenitude em termos de emotividade são necessárias duas componentes fundamentais: 1- a espectacularidade do futebol praticado: basicamente muitos e bons golos, mas também jogadas, passes, finalizações ou defesas... 2 – a incerteza e ansiedade em torno das partidas: confrontos de resultado imprevisível entre grandes equipas com grandes jogadores. Neste contexto, o Alemanha 2006 correspondeu aos dois requisitos, ainda que em fases distintas (na fase de grupos os golos: muitos e bons, nas elimitórias os grandes confrontos e as grandes emoções). Perante o “fantasma” que resultou de 2002 com o afastamento precoce de grandes selecções, o Alemanha 2006 terá sido um verdadeiro alívio para os adeptos e... para a FIFA.



Mundial Luso

Se houve lugar no mundo onde este Mundial foi vivido de forma apaixonada e intensa, terá sido em Portugal. A atitude, entrega e determinação dos jogadores portugueses em cada minuto dos seus jogos “arrastou” um país de futebol mas com pouco culto de selecção (pelo menos até ao Euro 2004). Depois da “clubite”, estará finalmente implantada a “Portugalite”?

Qualidade inextinta

Os “dinossauros”, como eram apelidados pelos próprios media franceses, afinal ainda não estavam extintos. Superaram à justa a fase de grupos e depois cumpriram o mais duro trajecto até à final, derrotando Espanha, Brasil e Portugal. Tendo em conta o percurso facilitado que os italianos tiveram até às meias-finais e o balanceamento dos 120 minutos finais, não tenho dúvidas em afirmar que se a justiça fizesse parte do jogo os franceses teriam vencido os penaltis. Para história ficam o último episódio de uma das mais bem sucedidas gerações de sempre e... uma cabeçada!

Jejum dos goleadores
Tivemos golos, muitos e bons, é uma evidência. Porém, quando as coisas apertaram, quando contou verdadeiramente para a história, foram as defesas que invariavelmente levaram a melhor. Rarearam as reviravoltas (na segunda fase foram apenas duas e ambas nos oitavos: o Espanha – França e o México – Argentina) e ao contrário do que é tradição foram poucos os homens-golo que decidiram partidas (apenas Klose logrou marcar 5 golos). A pergunta faz-se: haverá uma crise de goleadores no futebol mundial? A resposta, estou em crer, é não. O que se passou na Alemanha tem a ver com as estratégias adoptadas: O sistema mais utilizado foi o 4x5x1 (até a Inglaterra, tão fiel ao 4x4x2 o utilizou) o que deixa os ponta de lança mais sós na área. Os blocos defensivos tinham como prioridade defender junto da sua área e não conceder quaiquer espaço nas suas costas, o que é uma tortura para avançados que gostam de jogar “no erro”, como Henry, Pauleta, Ronaldo ou Rooney. Para além disto houve uma preocupação comum das equipas que lograram o sucesso: o equilibrio nas transições defensivas como requisito fundamental para se conseguir eficácia defensiva e controlar os jogos (o Brasil que o diga!).

Modelo de preparação

O campeonato do mundo é uma competição que se desenrola num curto período de tempo o que tradicionalmente torna difícil a consolidação dos habituais alicerces que sustentam as equipas enquanto colectivo. Creio que há 3 condições fundamentais para a que o sucesso das selecções possa ter lugar neste tipo de competições: 1 – Qualidade individual dos jogadores; 2 – Prioridade para a concepção e consolidação de um modelo de jogo e não para criação de um “melhor onze”; 3 – Criação de um espirito de grupo sólido. Entre as 3 condições elencadas uma, a primeira, tem caracter “genético” e as restantes um “carácter comportamental”, ou seja podem ser desenvolvidas através de um processo de aprendizagem. Naturalmente, quanto mais tempo se der a esse processo, maior serão as possibilidades de assimilação por parte do grupo e é por isso que a preparação destas competições deve ser feita ao longo de 2 anos e não nas 3 semanas imediatamente precedentes. E assim se explica, por exemplo, o sucesso de Scolari e o insucesso de Aragones ou Parreira.

'Paper Samba'
No papel teriam sido campeões de caras, mas mal se viu o primeiro jogo percebeu-se que o Brasil não passava daquilo que era no papel, ou seja o melhor conjunto de jogadores que existia na prova. Enquanto equipa o Brasil foi sempre desequilibrado e pouco concentrado, tendo sido apenas conseguido o resgate de uma eliminação mais humilhante pela qualidade individual dos seus jogadores e (não tenho dúvidas) por alguma fortuna de circunstancia. Parreira criou um onze com talento, mas sem principios de jogo ofensivos (por exemplo, quando Ronaldinho recebia a bola não havia movimentos sistemáticos que pudessem aproveitar a sua qualidade de passe), incapaz de fazer transições defensivas eficazes e com uma pressão “mole” que não complementava o bloco alto em que procurava defender. Não tenho nada contra o Brasil, mas enquanto apreciador de futebol, modalidade colectiva sinto-me aliviado que não tenha chegado mais longe... Seria uma má mensagem para quem pensa que o futebol são apenas 11 contra 11.

Avô cantigas

Poucos países preenchem tantos requisitos como a Espanha no que respeita a condições para ganhar um campeonato do mundo. Jogadores em qualidade e quantidade para todas as posições, um dos campeonatos mais competitivos e exigentes do mundo e um país com uma mentalidade descomplexada (em tudo excepto precisamente no que respeita à sua selecção). A selecção com o trauma “dos quartos” desta vez nem passou dos oitavos depois de, e mais uma vez, ter iludido meio mundo com o talento dos seus jogadores a vir ao de cima nos jogos de menor exigência. Os espanhóis encararam a sua eliminação como mais um sinal da “assombração” que se apoderou da sua selecção, uma inevitabilidade divina, no entanto não terá passado do desfecho mais natural para uma competição mal preparada. A Espanha iniciou a preparação para o mundial sem sequer ter definido um sistema de jogo, tendo sido convocados apenas dois avançados e vários extremos para, finalmente, fazer evoluir um 4x3x1x2 com muita troca de bola, pressão e bloco altos, mas sem largura ofensiva para criar soluções de passe e com muitas lacunas no processo defensivo (particularmente no papel dos avançados). Enfim, não foi o disparate táctico do Brasil mas apenas o resultado de uma preparação claramente mal feita por seleccionador com visão e métodos evidentemente ultrapassados.

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8.7.06

Itália - uma paixão eminentemente táctica

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No âmbito desportivo e no futebol em particular, os italianos nunca deixaram que a sua paixão e espírito competitivo passassem em claro... Futebolisticamente falando, os italianos são reconhecidos como “mestres” da táctica, sendo esta vocação muitas vezes confundida com uma capacidade inexplicável para vencer jogos de forma cínica... Na Alemanha, em 2006, a Italia aparece orientada por mais um nome consagrado do seu futebol, o estudioso e metódico Lippi, que criou um modelo de jogo ímpar nesta competição, baseado num futebol directo que busca rupturas constantes na extrema defesa adversária em vez da mais usada valorização da posse de bola.
País latino, de temperamento quente a Itália marca presença em praticamente todos os capítulos da história civilizacional. Também no âmbito desportivo e no futebol em particular, os italianos nunca deixaram que a sua paixão e espírito competitivo passassem em claro, sendo hoje um país em que o “Calcio” se confunde por entre as tradições mais ancestrais da sua cultura e costumes.
Embora seja tricampeã mundial e uma das nações de maior tradição em fases finais de grandes competições, a verdade é que a selecção italiana tem tido dificuldade em materializar em vitorias as suas consecutivas participações nesses grandes eventos, apesar de apresentar à partida e por norma colectivos de irrefutável valia.
Futebolisticamente falando, os italianos são reconhecidos como “mestres” da táctica, sendo esta vocação muitas vezes confundida com uma capacidade inexplicável para vencer jogos de forma cínica, tendo este ultimo adjectivo sido amplamente ligado ao futebol transalpino desde a década de 80. De todo modo e embora o “cinismo” possa não passar de uma personificação futebolística de quem não encontra melhor explicação para o fenómeno, não deixa de ser verdade que existe na cultura do futebol italiano uma forte índole táctica. Sacchi ficou famoso por “criar” a defesa à zona no Milan, Trapattoni ligado ao “Catenaccio” e Cappelo ao 4-4-2 tacticamente perfeito em que faz evoluir as suas variadas equipas. A verdade, no entanto é que para a “I Azzurri” não têm sobrado mais do que treinadores em pré-reforma, reconhecidos pelos seu passado mas ignorados pelos grandes clubes italianos. Foi assim com Sacchi, Maldini, Zoff e Trapp, resultando as prestações nacionais da Itália sob o comando destes homens em sucessivas desilusões desprovidas de qualquer feito à altura das exigentes expectativas do seu povo.
Na Alemanha, em 2006, a Italia aparece orientada por mais um nome consagrado do seu futebol, o estudioso e metódico Lippi cujo sucesso recente apenas pode ser rivalizado, no que respeita a técnicos italianos, por Cappelo. Embora já não seja um novato, Lippi, de quem Alex Ferguson disse um dia apenas bastar olhar nos seus olhos para que se perceba o domínio que tem sobre o que faz, está bem ciente das complexidades e exigências do futebol moderno, não caindo na vulgaridade do jogo exageradamente defensivo (com que o futebol italiano está conotado), mas fazendo uso das capacidades físicas, técnicas e sobretudo tácticas de que dispõe nos seus jogadores para criar um modelo de jogo ímpar nesta competição, baseado num futebol directo que busca rupturas constantes na extrema defesa adversária em vez da mais usada valorização da posse de bola.

Princípios de jogo
A Itália proporciona jogos com momentos electrizantes como resultado da notável capacidade dos seus jogadores se movimentarem em bloco e da predisposição que têm para apanhar as defesas adversárias em sobressalto, quer em transição, quer em ataque organizado.
Quando tem a bola a Itália procura as suas referências. Pirlo é um exímio passador, combinando o seu talento no trato da bola com uma invulgar visão de jogo. A outra alternativa, menos utilizada nesta fase de jogo provém do movimento característico de Totti que recua verticalmente no campo (ou seja ao longo corredor central) para tentar ele próprio organizar o jogo a partir dessa posição. Esta redundância de tarefas entre Pirlo e Totti acaba por “tirar” Totti muitas vezes do jogo.Ainda assim, a movimentação do 10 tem sempre a virtude de atrair a marcação para zonas interiores, proporcionando o ambicionado espaço que pode ser aproveitado em diagonais de ruptura por Toni, Perrotta ou Camoranesi. Embora este seja o movimento preferencial do ataque italiano, nem sempre ele é possivel. Como alternativa, a largura é dada pelos laterais que, possantes e rápidos, combinam muito bem com um dos médios ala, menos propensos para atacar a linha e cruzar (Camoranesi fã-lo mais do que Perrota, até porque tem mais características para desequilibrar no 1x1). Este movimento dos laterais constitui uma grande mais valia para os italianos tendo já resultado diversos golos através das suas “galopadas” ao longo das laterais. Uma última nota para as transições ofensivas: os italianos procuram recuperar a bola cedo e esta ambição constitui uma ameaça constante para as equipas adversárias, porque quando o fazem os italianos desdobram-se muito eficazmente em movimentos ofensivos que visam criar e aproveitar momentos de desorganização defensiva.
Sem bola, a Italia “estica e encolhe” em profundidade no campo como mais nenhuma equipa o faz. Totti e Toni pressionam alto, Perrota e Camoranesi fazem o movimento pressionante ao longo das alas, basculando horizontalmente em função da bola e Gattuso e Pirlo estão talhados e rotinados (desde o Milan) para fazer a cobertura de toda a zona central. O movimento destes dois é admirável e importantíssimo para o sucesso do processo defensivo, pois têm sobre a sua responsabilidade uma área de dimensões enormes. Apesar de começar a pressionar alto, a selecção italiana não corre o risco de subir as suas linhas na tentativa de manter o bloco compacto, prefere confiar na capacidade táctica dos seus jogadores e no reagrupamento rápido do bloco quando o adversário avança no terreno. Esta atitude defensiva provoca muito desgaste fisico nos seus jogadores, o que justifica segundas partes com mais dificuldades em termos defensivos. Curiosamente é aqui que normalmente aparece o aparente “cinismo” italiano. É que os italianos têm como característica nunca perderem o seu sentido táctico e a sua organisação. Quando a Itália se torna mais vulnerável na sua pressão, os adversários tornam-se mais ambiciosos e emocionais no seu jogo, concedendo mais espaços para as transições. Os italianos adoram esses espaços e frequentemente cometem a crueldade de os aproveitar, “matando” os adversários precisamente no momento em que estes parecem estar por cima na partida...

Sistema de jogo
4x4x1x1.

Individualidades
Buffon é um autêntico “monstro” na baliza. Domina todos os aspectos do seu “metier” parecendo, por vezes, impossível transpô-lo.
Os laterais Grosso e Zambrotta são rápidos e altos, fecham bem por dentro e, a atacar, percebem muito bem qual o momento para intervir, desequilibrando de forma poderosa quer em penetrações interiores, quer exteriores.
Cannavaro é díficil de adjectivar. Baixo, não perde um confronto aéreo. Tem um sentido posicional impressionante, dobrando na zona central ou na lateral direita, parecendo às vezes que sozinho daria conta de todo recado. Para mim o melhor do mundo e candidato sério a MVP do mundial. O seu parceiro, Matterazzi (na ausencia de Nesta) peca por uma abordagem mais bruta e emocional nas suas actuações. No entanto é um dos melhores intérpretes no jogo aéreo e temível na marcação.
Gattuso é um guerreiro, perfeito na ocupação dos espaços e confortável na distribuição. Pirlo é menos dado ao choque mas tem uma facilidade invulgar de organização e distribuição de jogo. A sua visão de jogo reflecte-se também defensivamente nas inúmeras antecipações e intercepções que consegue.
Perrotta e Camoranesi, os alas, têm um perfil genético diferente. Perrotta é muito evoluído tacticamente, fechando e posicionando-se bem. Ofensivamente é jogador de 1, 2 toques, jogando em apoio ou procurando movimentos em diagonal que explorem as costas da defesa contrária. Camoranesi, sendo um trabalhador incansável, tem maior afinidade com a bola, procurando ocasionalmente desequilibrios no 1x1 sendo mais propenso a tentar a linha.
Totti é o 10, talhado para o desequilibrio ofensivo. Média distância, passes de ruptura e finalizações na área são as mais valias de um jogador que desaparece muitas vezes do jogo (Pirlo retira-lhe algum protagonismo na organização) e que gosta muito pouco de defender.
Finalmente, Luca Toni. Capaz de jogar como pivot, procurando espaços interiores, de atacar nas costas através da sua velocidade ou de procurar as alas dando soluções de passe à construção ofensiva, Toni é um avançado completo e um “mouro de trabalho” que tem na sua potência física a principal característica.

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28.6.06

O colectivo "caça-fantasmas"

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Apesar das gerações de futebolistas talentosos que lhe sucederam, o fenómeno Maradona nunca foi superado pela pátria Argentina, tornando a memória do astro numa espécie de “fantasma” sempre presente... Na Alemanha e quando tudo apontava para mais uma aparição do “fantasma Maradona”, a Argentina de Pekerman apresentou-se colectivamente bem organizada, com um sistema de jogo definido e com princípios de jogo adequados e ajustados às características dos seus intérpretes...

País de sangue latino e muito talento futebolístico, a Argentina depressa se tornou num crónico candidato à conquista de qualquer campeonato do mundo, fruto de sucessivas e abundantes gerações de jogadores de qualidade. Embora a dimensão do país, a sua paixão pelo jogo e a evidente empatia genética existente entre os jogadores argentinos e a bola sempre fosse suficiente para compor selecções fortes, a história do Futebol argentino é particularmente marcada por um jogador: Maradona. “El Pibe” tornou-se num Deus do Futebol argentino ao comandar a selecção à brilhante conquista de 86 e ao heróico segundo lugar no Itália 90. Maradona foi a referencia inevitável das selecções que integrou, sendo não só o centro de cada jogada mas a estrela de todos os momentos, numa hierarquia reconhecida e aceite por todos, quer dentro, quer fora do campo.
Apesar das gerações de futebolistas talentosos que lhe sucederam, o fenómeno Maradona nunca foi superado pela pátria Argentina, tornando a memória do astro numa espécie de “fantasma” sempre presente, sobretudo quando as camisolas alvi-celestes subiam ao relvado. A necessidade que a nação tinha em identificar uma figura que pudesse substituir Diego Armando Maradona em talento e protagonismo tornou-se uma obsessão (a alcunha “novo Maradona” foi desmesuradamente atribuída a jogadores como Ortega, Gallardo, Aimar ou Saviola) que passou para segundo plano questões fundamentais para uma eficiente regeneração da selecção, como a implementação de princípios de jogo colectivos que potenciassem o talento das novas gerações. O “fantasma Maradona” assombrou os colectivos argentinos nos anos que marcaram a viragem do milénio fazendo-os parecer órfãos de uma visão colectiva solidificada e demasiado reféns de desiquilíbrios individuais que nunca surgiam quando os momentos decisivos chegavam.
Na Alemanha e quando tudo apontava para mais uma aparição do “fantasma Maradona”, a Argentina de Pekerman apresentou-se colectivamente bem organizada, com um sistema de jogo definido e com princípios de jogo adequados e ajustados às características dos seus intérpretes, sendo por isso e, aos meus olhos, uma séria candidata ao erguer da “Copa”.




Princípios de jogo
A Argentina valoriza a posse de bola, não por uma ânsia “naif” de dominar as partidas mas por uma necessidade lógica de as controlar. A percentagem de posse de bola nem sempre define quem tem o controlo real do que se passa nas quatro linhas e no caso da selecção Argentina é frequente não ter a supremacia desta estatística controlando, ainda assim, as operações.
Quando não tem a bola a Argentina procura criar problemas à primeira fase de construção de jogo dos adversários colocando os dois homens da frente, mais o 10 na primeira linha do bloco (normalmente apenas uns metros acima da linha de meio campo) com o objectivo de reduzir linhas de passe e forçar o erro do adversário. O restante bloco, mais preocupado em manter a segurança defensiva do que em fazer uma recuperação rápida da bola, espera os adversários à frente da sua área, com 2 linhas compostas por 4 + 3 homens que pressionam lateralmente com a preocupação de colocar sempre mais homens na zona bola e evitar quaisquer possibilidade de desiquilíbrios individuais (particularmente os 1x1 nas alas).
Com bola, os argentinos procuram essencialmente duas formas de perigar a baliza contrária. Em transição, com a capacidade de desdobramento rápido dos médios em apoio aos avançados, e em ataque organizado, sem bolas pelo ar, fazendo “campo grande” (em largura e profundidade) e criando espaço para que o 10 (Riquelme) receba a bola e “comande” o ataque. Os argentinos são pacientes e podem trocar a bola repetidamente até porque se sentem confortáveis com ela, no entanto a posse de bola pretende a ser objectiva e a procurar roturas na defesa contrária, quer através de diagonais dos homens que partem das alas, quer pelas entradas nas costas de um dos laterais, procurando o desiquilíbrio na linha de fundo.

Sistema de jogo
Esqueleto em 4x1x2x1x2. Os laterais são os únicos com ordem para “tentar” a linha, explorando as costas dos extremos, que entram por regra em diagonal. O “trinco” (Mascherano) tem como missão, a defender, proteger a zona central e, a atacar, garantir o equilíbrio nas eventuais transições defensivas, bem como a conquista das segundas bolas. Os médios “interiores” têm missões distintas em posse de bola: um abre na ala (Maxi Rodriguez) dando largura ao ataque, o outro fica em zonas mais interiores (Cambiasso), de forma a oferecer linha de passe e dar continuidade à posse de bola ou a criar ropturas através de movimentos verticais. Estes jogadores são fundamentais nas transições, quer no desiquilíbrio que podem criar (transições ofensivas), quer no balanceamento que devem ajudar a garantir (transições defensivas). O 10 tem uma função tradicional, procurando a bola em construção para poder ser a mais valia na distribuição (quer em qualidade, quer em “tempo”). Os avançados pressionam e, em posse de bola, um (Saviola) dá largura colocando-se numa das alas e entrando em diagonal. O outro (Crespo) procura os espaço na zona central, podendo procurar aproveitar o espaços que a estratégia defensiva adversária conceder, seja nas costas dos defesas, seja no espaço interior, funcionando como “pivot”.

Individualidades
- Abbondanzieri é o guarda-redes, quase incógnito para quem “vive” essencialmente o futebol europeu... um potencial ponto fraco.
- Scaloni e Sorin, nas laterais, são dinâmicos a atacar e rápidos a recuperar posições. A debelidade que ambos sentem no 1x1 pode ser um problema, mas é amplamente disfarçada pela movimentação zonal do bloco. Sorin é um exemplo quase único pela diversidade de movimentos ofensivos que protagoniza!
- Também os centrais, Heinze e Ayala beneficiam da boa cobertura lateral desta selecção. São centrais que jogam de “dentes cerrados”, fortes no posicionamento e no desarme, mas sem grande estatura...
- Mascherano é o “trinco”. A dureza, própria dos genes argentinos e o grande sentido posicional são as suas características.
- Cambiasso e Maxi marcam os equilíbrios e desiquilíbrios da equipa. São a principal força do “motor” Argentino. Exemplares no cumprimento das suas funções tácticas, têm excelente sentido de desmarcação e as suas movimentações já resultaram em vários golos.
- Riquelme é um 10 nato, o “timoneiro”. Encanta pela forma “à Zidane” como trata a bola e pelos passes que consegue. Tem como pontos fracos alguma “sonolência” defensiva e alguns momentos em que “absorve” a posse de bola impedindo uma circulação mais dinâmica da mesma.
- Na frente, Crespo é um matador nato e Saviola um jogador fortissimo em espaços curtos, capaz de furar sozinho as defesas. A Saviola faltará naturalidade nas diagonais que lhe são pedidas, já que não é essa a sua função de origem.
- No banco, Pekerman tem alternativas de sobra em todas as posições. Destacam-se Tevez e Messi os jogadores “da moda” desta selecção tal o virtuosismo que sai dos pés dos dois jovens. São alternativas habituais para o ataque e concedem sobretudo mais mobilidade ao ataque.



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