11.5.10

As escolhas de Queiroz e... as minhas!

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Queiroz escolheu e agora cada um de nós pode discordar das suas opções. Também não vou prescindir desse "gozo", mas antes quero reforçar que o mais essencial está por fazer: as tais 3 semanas. É na qualidade desse trabalho que se definirão as possibilidades de Portugal em chegar ao título. Muito mais aí, e muito pouco (mesmo muito pouco!) nas dúvidas e discordâncias que possam existir nesta lista.

Antes de deixar a “minha lista”, quero enquadra-la. Ela está pensada para um modelo em 4-4-2 losango, com 2 laterais agressivos e capazes de dar profundidade, com 1 “pivot” posicional e forte no jogo aéreo, com um meio campo criativo e um ataque móvel. É essa estrutura que julgo ser a ideal para Portugal, dentro das características dos seus jogadores. Uma equipa alta e pressionante, que tenha na bola uma ambição.


Porque penso que qualquer Selecção deve partir de um onze, parto (ou partiria) deste:  
Eduardo; Miguel, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Coentrão; Pepe, Tiago, Nani, Deco; Ronaldo, Liedson.


Por fim, dizer que quando penso num motivo válido para Portugal não se encarar como um candidato ao título, encontro... nada!

A "minha" lista:
Guarda Redes: Eduardo, Quim, Patrício
Defesas: Miguel, João Pereira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Carriço, Coentrão, Duda.
Médios: Pepe, Meira, Moutinho, Meireles, Tiago, Veloso, Deco, Nani, Simão
Avançados: Ronaldo, Liedson, Hugo Almeida, Danny

Guarda redes: Não é muito relevante, mas é algo difícil de perceber a opção por Daniel Fernandes. Tem 26 anos e jogou emprestado no Iraklis desde Janeiro. Talvez o seleccionador tenha uma boa explicação, mas eu não a consigo imaginar.

Laterais direitos: Sem dúvida, levaria João Pereira em vez de Paulo Ferreira. Primeiro pelo perfil que idealizo para esta posição, que o lateral do Chelsea não preenche. Depois porque não tenho dúvidas de que João Pereira tem mais qualidade em termos globais. Espero que Miguel não volte a ter problemas físicos. Lembro-me sempre da final do Euro...

Laterais esquerdos: Levaria os mesmos que Queiroz levou. Mas tenho dúvidas que eles venham a cumprir o que Queiroz quer deles. Particularmente Coentrão. Se não lhe der ordens para defender alto e pressionar ao longo do corredor, se lhe pedir que fique preso aos centrais... Coentrão poderá ter muitos problemas. As dúvidas são tão claras que o próprio Queiroz levou um outro lateral esquerdo: Ricardo Costa. E vamos ver se não é ele quem vai jogar...

Centrais: Não há grande importância nas opções porque é indiscutível quem deve jogar e a qualidade das opções que haveria para levar como alternativa é bastante próxima. Já agora, parece-me óbvio que Zé Castro será o preterido se Pepe estiver em condições.

Médios defensivos: Porque não levaria Pedro Mendes? Porque no modelo que estou a idealizar neste exercício é preciso um “pivot” forte em termos aéreos. Pepe é a opção óbvia e a única alternativa dentro do mesmo perfil é Meira. Se não for para ser primeira opção, não me parece útil a presença de Pedro Mendes que é menos polivalente e fiável fisicamente do que Amorim e Moutinho, por exemplo.

Médios ofensivos: A principal critica que tenho a fazer é não levar Moutinho. Parece-me um jogador de enorme fiabilidade e polivalência que, para ser uma alternativa, mereceria mais confiança do que Veloso ou mesmo Meireles (que termina a época em muito mau momento). Dentro do modelo que estou a idealizar, seria uma alternativa útil para qualquer uma das 4 posições do meio campo. De resto, não me parece que haja muitas dúvidas.

Avançados: Apenas uma referência para Danny, que me parece ter sido uma opção importante de Queiroz. A sua polivalência e qualidade poderão fazer dele um joker importante para o Mundial.



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10.5.10

Benfica: "making of" do novo campeão

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O título confirma-se no fim, mas nesta altura já há pouco a dizer. Pelo menos, algo que acrescente realmente alguma coisa. Para fugir a discursos de circunstância, proponho um “flashback” sobre algumas coisas que fui escrevendo sobre o Benfica e que, afinal, marcam a caminhada do novo campeão...

 (13-02-2009) "Todos os anos há equipas que conseguem boas carreiras no campeonato, mas é preciso um grande exercício de memória para encontrar uma equipa que se tenha afirmado com um modelo de jogo com as características deste Braga."


(14-07-2009) "As diferenças são, no entanto, enormes ao nível da qualidade do modelo táctico e este ano ver-se-á seguramente um Benfica bem mais forte nesse aspecto."

(03-08-2009) "As indicações não devem enganar e o Benfica 09/10 não vai ser parco em bons momentos e em bons jogos."

(11-08-2009) "Impressiona a presença que alguns jogadores têm no jogo. Há quem fale de uma forma física acima dos níveis médios para esta altura da época. Errado. A diferença de performance não é física, mas táctica. Esta intensidade e este domínio, no entanto, não vão deixar de existir quando os jogos forem a sério."

(2-10-2009) "É um momento confuso para quem vê as coisas de uma perspectiva mais resultadista, sendo susceptível de levantar questões sobre se estará aqui um ponto de inflexão no futebol encarnado. Não está. Euforias e estádios cheios à parte, o futebol do Benfica tem uma qualidade adquirida, que não é apenas individual mas também colectiva."

(2-11-2009) "O Benfica é, até ao momento, a melhor equipa do futebol nacional, com uma qualidade fantástica. Uma vitória em Braga poderia ter tido um efeito mental enorme, quer na própria equipa, quer na concorrência. É uma oportunidade perdida, mas deste jogo não resulta nenhum indicio especialmente preocupante."

(13-11-2009) "É que essa evidente diferença qualitativa não tem reflexo na tabela classificativa, liderada pelo Braga, graças à vitória no duelo da “Pedreira”. Um registo que se estranha mas que, por outro lado, é coerente com algo que vem marcando a carreira de Jorge Jesus. A incapacidade de ter registos pontuais que correspondam à qualidade que se vê no relvado..."

(21-12-2009) "Resumir “táctica” a uma questão sistémica é algo que vai para além do redutor. “Táctica” é, essencialmente, a qualidade da acção colectiva nos diversos momentos do jogo. Ora, mais do que em qualquer outra coisa, é nessa “qualidade da acção colectiva” que o Benfica marca hoje a diferença no futebol português."

(19-03-2010) "Já o venho referindo, mas faço questão de o reforçar nesta hora. Entre todas as competições que o Benfica disputa nesta temporada, só uma lhe dará direito a um lugar de destaque na História. A Liga Europa."

(02-04-2010) "O vulgar “jogo-a-jogo” é uma ideia simpática e, até, uma via não impossível. A realidade, porém, é que as hipóteses só são realmente boas se houver jogos mais importantes do que outros para quem define o planeamento. É isso, de resto, que nos diz a história recente da competição e é isso que não deve ser ignorado na hora de pensar o “assalto” europeu."

(09-04-2010) "Um desperdício, reforço eu, porque a qualidade deste Benfica merecia mais ambição. É evidente que a eficácia foi essencial e até se pode aceitar algum sentimento de injustiça pela volumetria do resultado final. Não menos evidente, porém, é a desvalorização drástica desta equipa aos olhos do mundo. É que para quem vê de fora, a prova dos nove faz-se é nestes jogos."



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7.5.10

As probabilidades do título...

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Semana decisiva em Portugal e nos vários campeonatos europeus. Campeões em aberto, sim, mas quanto realmente há por jogar? A resposta, objectivamente, só os “especialistas de segunda feira” poderão responder. Acertar sempre foi com eles. Como eles estarão fechados até ao final do fim de semana, resta-nos fazer contas que, tristemente, não podem resultar me mais do que percentagens. Aqui, sigo a doutrina das tão populares agências de rating e distancio-me de opiniões pessoais para confiar apenas naqueles que mais motivos têm para não se deixar levar pelas emoções. As casas de apostas, claro. Toda a fé é legítima e a partir daqui cada um acredita no quiser...

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6.5.10

1990: A "apresentação" de Roberto Baggio

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Talvez seja estranho destacar-se um jogo com uma importância tão residual na prova. A verdade é que foi no último jogo da fase de grupos, entre duas equipas já apuradas – Itália e Checoslováquia – que se terá dado um momento importante, quer para a prova em si, quer para a própria história do futebol italiano. Depois de dois jogos com exibições “abaixo do par”, frente a Austria e Estados Unidos, Vicini resolveu trocar a pouco produtiva dupla Carnevale-Vialli pelo inspirado Schillaci e pelo talentoso Baggio. Ora, se “Toto” viria a ser o goleador máximo da prova, Baggio terá iniciado aí uma carreira lendária com a camisola “azzurra”. E de que forma a começou!

Roberto Baggio tinha apenas 23 anos, ainda não usava o seu famoso rabo de cavalo, e estava às portas de um defeso marcado pela já anunciada troca de emblemas. Da Fiorentina para a Juventus, onde conheceria o seu melhor período ao nível de clubes.

Baggio era um talento enorme, com uma invulgar capacidade para decidir, que jogava como falso avançado centro. Partia dessa posição, mas deambulava depois, à procura dos espaços por onde pudesse desequilibrar. Foi assim que chegou ao prémio de melhor do mundo em 1993 e que apenas não repetiu em 1994 por causa de uma série de grandes penalidades que tão famosamente lhe foi desfavorável nos Estados Unidos.
As grandes penalidades... Baggio terá marcado um número infindável delas na sua carreira, mas seguramente haverá poucos jogadores tão amaldiçoados por esse tipo de decisão. Para além da final de 94, Baggio caiu também desta forma em 90 e 98, mundiais que facilmente poderia ter ganho se esses desempates tivessem conhecido outro destino. E é isso – um título Mundial – que, creio, separa Baggio de uma imortalidade ainda maior, ou mesmo de uma consagração unânime como o melhor jogador italiano de sempre, ou como o melhor jogador europeu da sua geração.

Sobre o mundial de 90, resta acrescentar que depois desta fabulosa exibição, coroada com um dos melhores golos da História dos Mundiais, Baggio agarrou a titularidade... Ou melhor, agarrou até à meia final, quando Vicini resolveu devolver a Vialli a titularidade. Curiosamente, ou não, esta é outra marca da carreira de Baggio. Mais tarde, em 1998, Cesare Maldini haveria de repetir a opção de deixar o jogador de fora, desta vez em favor de Del Piero. Tal como na meia final de 1990, a Itália foi eliminada por penaltis e, tal como nesse jogo, ficou a sensação de que com Baggio desde o inicio, a história poderia ter sido outra.



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5.5.10

Nicolas Gaitan

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Na observação que fiz no último semestre de 2009, não tive dúvidas em destacá-lo como um dos nomes mais interessantes do futebol argentino. Por isso recomendei-o aqui em Dezembro (comparando-o precisamente a Di Maria), depois de o ter retratado no Talented Football. Se me pedissem um jogador para poder substituir Di Maria, não tenho dúvidas, era ele que apontaria. É por tudo isto que a chegada de Nicolás Gaitan a Portugal desperta em mim uma satisfação e curiosidade especial.

A perfeita alternativa a Di Maria
Não foi ainda dado como adquirida a saída de Di Maria, mas é normal que o clube tente capitalizar o momento do jogador através de uma transferência milionária. Normal e, na minha opinião, recomendável.

Facilmente se percebe que este é o contexto da aquisição de Nicolás Gaitan. O agora reforço encarnado tem de facto várias semelhanças com o seu compatriota. Canhoto, destaca-se sobretudo pela velocidade com que serpenteia com a bola colada ao pé. Um desequilibrador nato.

Arriscando, diria mesmo que Gaitan terá um requinte superior ao próprio Di Maria e que, neste sentido, pode superar a não muito longo prazo aquilo que faz o camisola 20. Talvez Di Maria seja mais forte no 1x1, mas Gaitan parece-me mais adaptável a zonas interiores. Ainda assim, Gaitan tem um caminho a percorrer. No Boca joga frequentemente como avançado móvel, solto de grandes responsabilidades tácticas e com pouca pressão para não errar. Em Portugal e na Europa, no entanto, Gaitan só pode ser extremo, e no modelo encarnado deverá jogar mais atrás, com mais responsabilidade na certeza de decisão e com uma missão mais global do ponto de vista táctico. Vai ter de jogar sem bola, de defender e de pressionar. O meu optimismo em relação à sua adaptação reside muito no mesmo motivo que explica a “explosão” de Di Maria em 09/10: o modelo táctico de Jesus. Gaitan terá a sua função definida e as suas decisões facilitadas pela qualidade do modelo. Cabe-lhe a ele, agora, a palavra final. Aquela que poderá fazer dele, ou não, uma estrela do futebol português no curto prazo.

O preço
O único “senão” da operação. 8,4 milhões é um valor muito elevado para o futebol português e para o futebol argentino onde, goste-se ou não, Gaitan não tem ainda um rótulo de “super estrela”, como tinham, por exemplo, Lucho ou Belluschi quando de lá saíram. Aqui, acredito em 2 coisas. A primeira é que há 6 meses, quando o referenciei, Gaitan seria bem mais acessível. A segunda é que o Benfica terá pago para não entrar em leilões de Verão e terá também sido vitima do conhecimento que o Boca tinha sobre a eminência de mais valias com Di Maria. Seja como for, o valor pago pode tornar-se insignificante se Gaitan conseguir a evolução que dele se espera.

O vídeo
A acompanhar o texto coloquei um vídeo com a mais recente exibição de Gaitan. Foi frente ao Independiente, numa vitória rara do Boca fora da Bombonera. Gaitan actuou 71 minutos e acabou por não ser um elemento decisivo, apesar de ter tido oportunidades para tal. Ainda assim, creio que foi uma actuação positiva do jogador que, de novo, actuou como avançado ao lado de Palermo.



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4.5.10

Porto - Benfica: estatística individual

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A espantosa jogada com que Belluschi sentenciou o clássico justifica todas as repetições. O que não mostra é a totalidade do impacto do argentino no jogo. De facto, Belluschi merece a distinção de melhor em campo, não só pelo soberbo momento de inspiração (que já se esperava há algum tempo!), mas pelo trabalho que foi desempenhando ao longo do jogo. Em particular na segunda parte, o ex-River Plate apareceu como nunca, participando em quase todos os desequilíbrios ofensivos da equipa e – talvez mais surpreendente – contabilizando um número de intercepções muito elevado, apenas superado por Álvaro Pereira e Fernando entre os dragões. Aqui ficam outros destaques.

A sintomática importância das intercepções
Será o dado mais relevante entre as estatísticas colectivas: o elevado número de intercepções. Em grande parte tal se deve à característica do jogo depois da expulsão, com o Porto mais baixo e o Benfica a correr uma maior dose de risco nas suas iniciativas. Por outro lado, porém, esta era já uma tendência que vinha de trás, explicando-se pela dificuldade que ambas as equipas sentiram em soltar-se do pressing contrário. Aqui, e como realcei na análise de ontem, o Benfica foi quem esteve sempre melhor. Conseguindo melhor circulação, mais passes e maior volume de jogo. Mesmo antes da saída prematura de Fucile.

Os mais interventivos: A importância do 10 e dos laterais
Começando pela posição 10 do modelo encarnado. Desde o inicio da época que venho reforçando a importância desta posição no modelo por ser aquela que mais influência tem no jogo da equipa. Ora bem, os números dizem isso mesmo. Carlos Martins foi o jogador que mais intervenções (passes, intercepções e remates) teve durante a sua passagem pelo jogo e, depois da sua entrada, Aimar passou a ser ele próprio o jogador mais influente. Aqui se percebe facilmente o quão importante pode ser o jogador que Jesus escolhe para esta posição e a diferença que podem dar Carlos Martins e Aimar nesse papel. Algo que o treinador não pareceu valorizar pelos magros minutos que deu ao argentino.

Ainda neste campo, destaque para Fábio Coentrão, um jogador que confirma a sua invulgar capacidade de recuperação, sendo aquele que mais intercepções acumulou em todo o jogo. Aqui, há que contar com a estratégia (falhada, diga-se) de Jesualdo em encostar Hulk ao vilacondense, forçando vários duelos, dos quais Hulk saiu maioritariamente a perder.

Mas se Coentrão foi o mais interventivo em todo o jogo, Maxi não andou longe. Do outro lado, e para confirmar a importância dos laterais, também foi o lateral esquerdo o mais interventivo. Álvaro Pereira. Claramente, nos laterais de ambas as equipas está tudo menos um pormenor do jogo colectivo.

A "ausência" de Cardozo
Outra das grandes notas do jogo é a limitadíssima participação de Cardozo. Algo que já vem de trás e que contrasta com Saviola. Aliás, o argentino teve sensivelmente o dobro da participação do 7 enquanto esteve em campo. Esta característica retira a Cardozo uma maior utilidade no jogo colectivo, apesar de todos os golos que vem marcando.

Já agora, e num caso idêntico, Farias também é conhecido por esta faceta pouco interventiva. Confirmou-o na primeira parte, sendo o jogador menos presente e acabou por ser vitima da situação de jogo no momento em que havia despertado para o jogo. Não só pelo golo, mas por uma entrada no segundo tempo que foi incomparavelmente mais cooperante com os interesses da equipa.

Hulk e Di Maria, os desequilibradores... mas pouco
Di Maria chegou a prometer, com um remate brilhante à barra e até realizou uma primeira parte de bom nível. A segunda, porém, foi de total desacerto. Menos interventivo e, sobretudo, muito mais errático. Essa foi uma das chaves do jogo, coincidindo com a explosão de Belluschi e é também uma contribuição para a ideia de que Di Maria está ainda longe de ter a consistência de um jogador do mais alto calibre.

Não exactamente igual, mas num registo semelhante esteve Hulk. Encostado à direita ao contrário do que vem acontecendo na nova estrutura, tinha o objectivo de “caçar” Coentrão. A verdade é que Hulk acabou... “caçado”. Sempre demasiado ansioso por desequilibrar, Hulk acabou por não o fazer em todo o jogo, mesmo quando este se partiu e criou condições ideais para si. Uma tendência que se repete com demasiada frequência e que urge ser trabalhada sob pena do seu enorme potencial passar verdadeiramente ao lado de um aproveitamento ideal.



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3.5.10

Porto - Benfica: Diferença de carácter

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Mais do que um jogo, era um duelo. Jogava-se a honra de um lado e a afirmação de um estatuto do outro. E a diferença ter-se-á feito pela compreensão do que estava em causa muito mais do que por aspectos técnico-tácticos. É que se o Porto não se conseguiu superiorizar no fluxo normal do jogo, teve outro carácter na hora de puxar dos galões. Talvez seja mesmo a palavra essencial: carácter.

O mérito do dragão
Nestas coisas do futebol é sempre assim. Só há lugar para um. Assim, no final, todos os outros são maus. É o que está a acontecer com este Porto e com Jesualdo. A verdade é que não só o Porto continua a ser uma equipa muito forte – como frequentemente o faz questão de provar – como o trabalho de Jesualdo não sai minimamente debilitado com a época que está a realizar. Pelo contrário.

O Porto, como disse antes, não foi uma equipa mais forte do que o Benfica enquanto o jogo esperava um momento de definição. Equilibrou as operações, é verdade, mas não evitou uma ligeira superioridade do Benfica, espelhada na qualidade de circulação e na capacidade de recuperação, jogada após jogada. Era, de resto, já normal que não o fosse, tendo em conta a força do adversário e, por outro lado, a “frescura” das sua própria estrutura.

Diria, portanto, que no aspecto colectivo, em termos técnico-tácticos, o Porto esteve bem. E apenas “bem”. Onde esteve soberbo foi no carácter. Na capacidade de esperar pelo momento certo para ganhar vantagem. Na alma com que se reergueu de um momento francamente difícil. Na inspiração com que, finalmente, “matou” um adversário.

Ganhar como o Porto ganhou... não é para todos!

As questões de Jesus
Ninguém pareceu muito preocupado com a derrota... afinal o título é praticamente uma evidência. A verdade é que, na minha opinião, o que se passou no Dragão deveria preocupar muito Jorge Jesus. A qualidade do seu modelo é o grande segredo do sucesso desta equipa, aquele que mais merece ser relevado, mas há algo de estranho neste Benfica. Algo que parece afastar os resultados do verdadeiro potencial que a equipa reflecte no campo. Um sintoma que já aqui havia identificado e que parece ser ponto comum das equipas de Jesus.

Há algo de paradoxal num treinador que explode perante um passe errado de um jogador e que, depois, afirma ter dito aos jogadores ao intervalo que não era obrigatório ganhar aquele jogo, que havia mais 90 minutos. Não que isso explique por si só o insucesso da equipa neste jogo concreto, mas porque há indícios de uma desvalorização estranha de objectivos importantes e que estão perfeitamente ao alcance da equipa.

Se o Benfica é melhor – que é! – e se vê perante um adversário em inferioridade numérica, num jogo decisivo e num campo onde ganhar não seria apenas “mais uma vitória”, porque razão será aceitável perder?! Estes, mais do que qualquer outros, são os jogos em que é preciso ganhar. Porque é nestes jogos que se fazem as grandes equipas.

Questões como deixar Aimar de fora e substituir Saviola numa fase crucial do jogo merecem ser levantadas, mas esse nem me parece ser o ponto essencial da questão. O que sobra a este Benfica em qualidade e potencial falta-lhe em capacidade de superação nos momentos chave. Será (seguramente!) campeão porque foi muito melhor, mas esta incapacidade afasta-o do nível de excelência que estava ao seu alcance.



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1.5.10

1986: Nem Deus, nem diabo... Maradona!

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É até escusado introduzir. O México 86 não será nunca um mundial igual aos outros devido a ele. Maradona. A História do futebol diz-nos que não chega o talento. São precisos momentos especiais nos grandes palcos para que os maiores craques virem lendas. E, neste contexto, ninguém terá tido um processo de imortalização como Maradona naquele Mundial. Para a posteridade, como se não bastasse um título praticamente “a solo”, fica um jogo em que teve o condão de protagonizar, em menos de 5 minutos, aqueles que foram, provavelmente, os 2 momentos mais memoráveis na História do Jogo. Dir-se-ia que se, naquela tarde de 22 de Junho, Deus e o diabo desceram ao estádio Azteca, então certamente que se cruzaram!

Na verdade, fazendo uma contextualização cronológica do Jogo, o Mundial de 86 representa uma espécie de retrocesso brusco na evolução da importância do colectivo sobre o individual. De repente, parecia que tudo se definia pela qualidade de 1 só jogador. Maradona era o centro do jogo argentino de uma forma que mais nenhum jogador conseguia ser, e – espante-se! – isso parecia fazer dos argentinos imbatíveis. Digamos que no alinhamento do 11 argentino importava Maradona e tudo o resto era excesso de informação.

No que respeita ao jogo, ele foi, como não podia deixar de ser, ditado pela evolução do próprio 10 argentino na partida. Os ingleses entraram visivelmente temerosos e encolhidos. A tal ponto que se pode dizer que a Argentina dominava territorialmente quase sem fazer nada por isso. O que se passou depois foi um processo de descompressão táctica inglesa, com a equipa a alongar-se progressivamente no campo. À medida que o foi fazendo, porém, foi também criando mais e mais espaços entre linhas, mais e mais oportunidades de transição. E, assim, foi-se criando o "ambiente" para Maradona, até à dupla inspiração do capitão argentino. Depois do 2-0, o jogo mudou radicalmente. A Argentina baixou e os ingleses passaram a dedicar-se a um assalto à área contrário, muitas vezes através do seu célebre pontapé longo. Barnes, uma espécie de “Maradona inglês”, criou de forma soberba o 2-1 que Lineker encostou. A mesma jogada, aliás, voltou a ser protagonizada pelos mesmos pouco depois e quase forçou um empate, na sequência de uma perda de bola de... Maradona.

Sobre Maradona, há algo que queria acrescentar. Desde muito cedo na sua carreira se percebeu que estava ali um talento raro. Aliás, a grande diferença entre a Argentina de 82 e 86 era precisamente a percepção de quem era a sua grande referência. Provavelmente o título de 78 e o protagonismo dos seus heróis terá dificultado esta compreensão e isso impediu outro trajecto no mundial de Espanha. Mas o que quero realçar sobre Maradona, individualmente, é algo que raramente é referenciado. Obviamente que a sua visão e técnica foram os ingredientes que o tornaram especial, mas também no aspecto físico Maradona era excepcional. As suas progressões em posse, as suas mudanças de direcção só foram possíveis pela agilidade e capacidade de equilíbrio que possuía. Algo que se foi tornando menos evidente com o evoluir da carreira, mas que fica muito claro quando se vê Maradona nos seus primeiros anos.



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