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15.2.10

Leixões - Porto: Pressão, o denominador... incomum!

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De há algum tempo que venho alertando para a novidade desta barreira no percurso do “Dragão”. A pressão de não ir à frente, de sentir que o peso de não poder errar. É difícil, ou mesmo impossível, quantificar como seria de outra forma, mas a verdade é que numa fase em que confirmou algum crescimento no seu jogo, o Porto fez paradoxalmente coincidir a perda de 4 pontos potencialmente decisivos. Frente ao Leixões, tal como já acontecera com o Paços, o tempo pareceu atrofiar a lucidez de uma equipa que no campo se revelou manifestamente superior à oposição, mas que foi repetidamente tremendo à frente da baliza. E assim, tudo contabilizado, as contas estão verdadeiramente difíceis para que o "penta" seja uma realidade...

O Porto até nem fez um grande jogo no Mar. Começou especialmente mal e acabou em perda de lucidez na recta final. A verdade, porém, é que as diferenças entre as 2 equipas são abismais, quer em termos colectivos, quer em termos individuais, e com a maior das naturalidades, o Porto assumiu um domínio enorme ao qual deveria ter correspondido com maior eficácia.

Começando, então, pelo enganador inicio de partida. Talvez pelo acidentado estado do terreno, talvez pela determinação e agressividade do Leixões, ou até por uma boa dose de culpa própria, o Porto teve 25 minutos manifestamente fracos onde ameaçou, até, tremer perante a oposição. Isso, afinal, provou-se um engano. O Leixões não tinha qualidade para tanto, deu demasiados espaços entre linhas e os jogadores portistas, facilmente, acabaram por impor um grande domínio, sustentado pela mobilidade implícita no seu modelo e por uma forte reacção à perda de bola que fez com que o Leixões se eclipsasse em termos ofensivos. Nesta sequência, que terá durado até ao fim do jogo, ainda que com manifesta perda de lucidez a partir de determinado ponto, Belluschi, Mariano, Varela, Micael e Falcao desperdiçaram, alguns mais do que 1 vez, boas oportunidades. Todas elas... desperdiçadas.

Resta, e sem querer entrar no capítulo individual, falar das substituições de Jesualdo. Recentemente tenho defendido não haver razão lógica para uma obrigatoriedade de se fazer todas as alterações. Jesualdo apenas utilizou 2, mas, tendo em conta as que fez, diria que mais valia não ter feito nenhuma. Retirar Belluschi para colocar Tomás Costa? Ainda para mais numa altura em que o Porto parecia próximo do golo? Tudo isto, implicando uma alteração na estrutura que, 15 minutos volvidos, seria novamente alterada com a entrada de um descrente Orlando Sá (que falta faz Farias!). Francamente, para mim, as substituições têm sobretudo importância do ponto de vista emocional e se não for para esse fim, raramente vale a pena mexer. Ainda assim, não consigo ser muito critico em relação ao treinador. Basta pensar no que se diria caso resolvesse simplesmente não mexer...



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11.1.10

Sporting - Leixões: Xanax exibicional!

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Se a partida se fez rodear de alguma expectativa pelas novidades individuais, foi pelo lado colectivo que o Sporting surpreendeu. A vitória não teve números generosos, nem sequer fugiu ao sofrimento de outras ocasiões, mas o futebol, esse, foi sem dúvida diferente. O melhor da época em Alvalade, mesmo considerando a inegável modéstia do adversário. Nem tudo foi óptimo, ou não teria sido preciso esperar tanto para sentir perto os 3 pontos, mas foi, seguramente, um excelente sinal para Carvalhal e... um Xanax para as bancadas!

As melhorias na construção não são de hoje, vêm desde a entrada do actual técnico e desde sempre as referenciei. Uma diferença, mais do que tudo, de concepção de jogo que não teve, porém, sempre a melhor interpretação. Desta vez, no entanto, o Sporting conseguiu finalmente apresentar um futebol de grande fluidez, envolvendo por completo o adversário que, face à sucessiva movimentação da bola e adversários nunca conseguiu encontrar o tempo e a ocasião para pressionar. O resultado foi, como se viu, um enorme domínio do Sporting, com o Leixões a ficar sem grandes hipóteses para recuperar e sair em transição.

O senão, e ele existe, é que o Sporting, apesar de toda essa fluidez de jogo, não esteve assim tão perto do golo nos primeiros 45 minutos. Um problema que, obviamente, tem de ser analisado, já que é fundamental que a qualidade nas primeiras fases ofensivas tenha seguimento igualmente expressivo no último terço. Pessoalmente, o motivo que encontro tem sobretudo a ver com a dupla de atacantes. Postiga e Saleiro são morfologicamente semelhantes, fortes no apoio que dão à circulação, longe da baliza, mas não tão capazes de desequilibrar quando o jogo se aproxima da baliza. Postiga, com maior qualidade global do que Saleiro, vive um período terrível em termos psicológicos, motivado pela seca de golos, e isso afecta-o assim que se aproxima da área contrária. Saleiro, apesar de viver um bom momento de confiança, é essencialmente um jogador posicional, sem explosão para criar outro tipo de embaraços. Particularmente, porque era importante pela forma como o Leixões defendeu, nem um nem outro são especialmente fortes nos movimentos em profundidade e isso terá sido decisivo para a tal “falta de baliza”, apesar de toda a qualidade de jogo apresentada.

Individualidades e... João Pereira

O principal sinal de uma melhoria colectiva é dado quando existe uma melhoria individual generalizada. E isso aconteceu. Praticamente todos os jogadores leoninos estiveram em bom plano e casos como Grimi ou, especialmente, Vukcevic terão realizado mesmo as melhores exibições desde há muito.

Entre todos, claro, o destaque maior vai para João Pereira. Não é por 90 minutos que fica sentenciado o seu percurso de leão ao peito, mas é inegável que acrescenta uma grande qualidade ao futebol do Sporting e a melhoria geral não pode ser dissociada do impacto da sua entrada na equipa. Jogos mais difíceis virão, mas o que espero, e já esperava, de João Pereira é precisamente o que rendeu frente ao Leixões. Ou seja, o suficiente para resolver um problema individual que claramente existia no jogo da equipa.

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15.9.09

Análise vídeo: lances da jornada

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Perto da perfeição – Em organização ofensiva é mais difícil. Ou melhor, normalmente, porque de quando em vez surgem estes exemplos de jogadas que fazem parecer tudo muito fácil. Foi o caso do primeiro golo portista. A velocidade é fantástica, mas o que realmente destrói a estrutura defensiva é a coordenação entre os movimentos de cada um dos jogadores.

Várias notas. A começar por Hulk que, sem tocar na bola, tem provavelmente o papel mais determinante. Depois Alvaro Pereira, que se começa a tornar num caso sério pela forma como capitaliza os bons movimentos que acontecem no seu flanco, atacando a profundidade. Raul Meireles, como sempre impecável sem bola. A sua acção é preponderante para a resposta ao cruzamento no centro da área, e é-o porque, mais uma vez, Raul chega a tempo de importunar na zona de finalização. Finalmente, Varela. O seu movimento é corretíssimos, confirmando o seu crescimento em termos de movimentações sem bola, tornando-o em mais do que um extremo agarrado à linha. O facto de vir de trás dá-lhe vantagem sobre os defesas e ele aproveita isso para os surpreender. O único reparo vai para a menor sincronia entre o seu movimento e o de Falcao. O ideal seria serem complementares e não coincidentes. 

Aproveitar o momento... com qualidade – Um central marcar não é comum. Numa jogada que acontece em ataque organizado, então, é mesmo uma raridade. Fê-lo Rolando em mais uma jogada que evidencia o bom movimento ofensivo portista, mas que revela também os problemas por que passou o Leixões, em particular depois do segundo golo.
Começo por destacar algo que também esteve na origem do primeiro golo, a falta de pressão sobre os centrais quando são estes quem organiza. Penso ser fundamental para conseguir uma boa pressão colectiva, mas várias vezes ela é inexistente em equipas que se procuram defender demasiado atrás. Depois, e quando Rolando se decide pela progressão, é visível a total ineficácia dos 3 jogadores que se aproximam. Não condicionam a decisão nem o momento de passe e, mais importante ainda, não limitam linhas de passe. E, ali bem perto, Hulk estava livre. Aliás, sobre Hulk, mais uma vez o destaque para o seu papel na criação de um lance ofensivo, inteligentemente encontrando mais um ataque de Alvaro Pereira à profundidade. Nota nesse passe para a forma como a bola atravessa a largura do campo no meio do bloco matosinhense. Isto acontece porque o Leixões definiu poucas linhas defensivas, o que aliás é bem visível na segunda imagem realçada no lance. Outro problema da criação de poucas linhas defensivas (no caso duas) é a distância que se cria entre elas. E isso foi fundamental para que a linha média chegasse sempre tarde à área na resposta aos cruzamentos.

Saviola, fura defesas – É fácil apontar o dedo à defesa azul no “solo” de Saviola. E as criticas são justificadas porque bem mais deveria ter sido feito. Mas o destaque que faço justifica-se pela capacidade de progressão de Saviola em velocidade, com toques muito curtos o que dificulta muito a vida a quem tenta definir um momento para tentar o desarme. Realmente, esta jogada não tem nada de estranho na carreira do jogador. É tudo muito característico. Quer essa capacidade de conduzir em velocidade, quer, depois, a forma como não tem receio de forçar alguns ressaltos dentro da área.

Ramires, em transição – A carreira de Ramires está a corresponder em absoluto às expectativas que dele tinha. Um jogador com uma notável capacidade física, de processos simples e práticos, mas também sem grande criatividade em organização ofensiva. O seu protagonismo ganha outra dimensão em transição, onde é muito veloz, com e sem bola, e tem sempre a zona de finalização como destino. Já era assim no Cruzeiro e é por isso que a segunda parte do jogo com o Belenenses foi o período onde mais se evidenciou de águia ao peito.

O cruzamento... decide – Liedson foi de novo o herói mas não é sobre ele que quero falar. É, antes, sobre o cruzamento de Moutinho. O facto de ter sido efectuado de primeira é decisivo. O passe atrasado faz com que a defesa inicie um movimento de subida e isso torna-a menos apta a responder à trajectória da bola. É um tipo de execução que, por exemplo, rendia muitas assistências a Rodrigo Tello e que potencia avançados que, como Liedson, se distinguem pela reactividade e não pelo poder físico entre os centrais. Se, como acontece frequentemente, Moutinho tivesse preparado a bola para cruzar, provavelmente o golo nunca teria acontecido.

Lampard avisa – Fantástico o trabalho de Lampard. Primeiro, abre linha de passe, depois recebe com grande qualidade e, finalmente, faz a assistência visionária para Drogba. Um aviso claro para o Porto em vésperas da visita a Londres. No lance, ainda, uma outra nota que vai para o papel do jogador que defende Drogba. Não só o deixa rodar, como ignora em absoluto a possibilidade de colocar o marfinense em fora de jogo.

Catalisador da crise – Talvez tenha sido o golo com maiores consequências na jornada. É verdade que a seguir o Leiria marcou mais 3, mas para quem quer reagir psicologicamente, o primeiro golo é particularmente importante. Não vou comentar o jogo, obviamente, nem sequer a carreira do Setúbal porque só vi a derrocada da Luz. Assim, porém, é impossível.

Lançamento & remate – Os 2 últimos lances falam por si. Um lançamento tão suicida que se torna caricato. E uma jogada que, não fosse a trave, era candidata a bater qualquer golo de Eusébio. Fica para a próxima, Alan!




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14.9.09

Porto – Leixões: meio jogo... chega

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Normalmente diz-se nestes jogos que antecedem jornadas europeias que importa resolver cedo. Francamente, não me parece muito correcto essa linha de pensamento devido à importância que têm os aspectos mentais no futebol actual. Fosse, ou não, esse o entendimento de Jesualdo, a verdade é que o Porto bem que podia ter feito as malas para Londres no intervalo do jogo. Um contraste absoluto com o que aconteceu há 1 ano...
O inicio do jogo não escondeu um Leixões algo vulnerável. O que não se suponha é que tal viesse a dar em 4 golos nos primeiros 45 minutos. Aqui, parece-me, o primeiro golo foi essencial. O Leixões sentiu-o e, logo a seguir, pagou com outro. Uma machadada demasiado forte para uma equipa que, em seguida, se perdeu por completo no jogo. Perdeu organização e agressividade. Aliás, como bem se viu nos últimos 2 golos sofridos. Para os de Matosinhos, pode dizer-se, valeu a palestra de Mota ao intervalo para escapar a maior embaraço.

Num jogo de pouco tempo de utilidade para ser análise, o Porto revelou boa capacidade de construção. Com dinâmica, com rotinas consolidadas e com alguns jogadores a demonstrar-se bastante familiarizados com o que devia ser feito. Foi o caso, por exemplo, de Alvaro que se juntou a Meireles para compor um lado esquerdo com boa qualidade e por onde a equipa saiu sempre melhor, fosse qual fosse o extremo que por lá caísse. Do outro lado, Belluschi continua a revelar problemas para aparecer em jogo sem ser vindo junto dos centrais para recolher a bola. Foi um teste naturalmente positivo do Porto mas inclusivo em relação a vários aspectos, tal foi a rapidez com que o jogo se tornou um treino autêntico.
 

Mantenho as minhas reservas em relação ao pressing portista. Não é por este jogo, mas parece-me que ainda não tem o nível exigido para mais altos voos. Um grande teste para este e outros aspectos será o jogo de Stamford Bridge...

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6.4.09

Leixões – Sporting: Como ajuda estar a ganhar!

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Frente a uma das equipas mais “chatas” da liga e com uma série de ausências muito importantes, sobretudo num sector onde não abundam soluções de qualidade no plantel, o Sporting tinha um teste muito complicado em Matosinhos. O balanço é, no final, francamente positivo. Pela vitória, obviamente, mas também pela segurança com que geriu o jogo, conseguindo inclusive alguns períodos de muito boa qualidade.

O efeito do golo – O Sporting marcou cedo, mas a sua vantagem no jogo só foi justificada pelo que fez depois de a conseguir. A entrada em jogo foi melhor do Leixões, com grande agressividade nas disputas a meio campo e com o Sporting a demorar muito tempo a definir linhas de passe, permitindo sempre que o Leixões pudesse interferir nas jogadas. O golo de Derlei, no entanto, tudo mudou. Talvez pelo efeito psicológico do golo, talvez pela própria adaptação dos ‘leões’ à partida, o Sporting passou a partir desse momento a dominar por completo o jogo, realizando uma primeira parte confortável e de muita qualidade. Destaque para oscilação entre uma posse mais apoiada, com aberturas longas e inteligentes que repetidamente tiraram partido do espaço nas costas de Angulo. O Sporting chegou várias vezes em situação privilegiada à área, sempre pelas laterais, e só uma má definição individual do último passe permitiu que a equipa não tivesse traduzido em ocasiões mais flagrantes a sua superioridade nesse período.

Segunda parte – Se na primeira parte, o golo dividiu períodos marcadamente distintos, na segunda, embora não tão claramente, houve novo acontecimento que deu ao Sporting maior conforto no jogo, após uma entrada novamente forte do Leixões. Desta vez foi Mota a ajudar, introduzindo Rodrigo Silva e retirando ligação ao seu jogo. É um erro comum, em que o treinador parece pensar como adepto e comete um erro táctico pensando que está a tornar a equipa mais ofensiva. O meio campo do Sporting passou, a partir daí, a controlar o jogo no lado contrário do campo e longe da sua baliza. Não o fez com a mesma qualidade da primeira parte, nem com as mesmas jogadas de envolvência, mas foi sempre o Sporting a mandar nesse período, terminando o jogo sem que o Leixões tivesse alguma vez, sequer, ameaçado o empate.


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10.3.09

Compensar a pressão e a solução Reyes

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Pressionar alto não é para todos
Todos os anos temos equipas sensação, não só em Portugal, mas em qualquer campeonato. O que é bem mais raro é termos equipas capazes de se manterem organizadas, jogando no campo todo. As 2 primeiras jogadas do vídeo são muito semelhantes e explicam o porquê dessa dificuldade. Subir unidades para pressionar zonas mais adiantadas pressupõe, não só uma grande capacidade de ser eficaz na zona que se quer pressionar como, depois, ser capaz de manter um bom equilibrio nas zonas mais recuadas, sendo para isso necessário que haja um comportamento colectivo que compensa as zonas mais vitais. Para o caso, Paços e Leixões podem-se queixar da qualidade do adversário, mas terão também de reflectir sobre a forma como reagem colectivamente. Em particular, este é o motivo pelo qual o crédito que dou ao Leixões não é o mesmo que atribuo ao Braga. A qualidade individual é menor, mas há também diferenças no comportamento colectivo que importa não ignorar.
Sobre estas jogadas, destaco ainda outro aspecto comum. O papel do avançado. A zona central fica, nos 2 casos desguarnecida, sendo que tal acontece pela forma como, Derlei num caso e Farias noutro, atraem a marcação para zonas interiores. No caso do “Ninja”, a jogada permite ainda perder a marcação, finalizando a jogada. No caso do Porto, não há sequência mas mais uma vez fica evidente a percepção de Lucho, iniciando a jogada e atacando depois o espaço aberto pelo “Tecla”.


Reyes, a solução individual
Terá sido a única ocasião do Benfica em jogo corrido e com a participação de mais do que 1 jogador. No caso 2. O enquadramento do lance no jogo, leva a um destaque que se torna evidente no Benfica de Quique. Ou seja, são evidentes as dificuldades da equipa em encontrar soluções de construcção ofensiva, acabando a equipa por protagonizar movimentos pouco naturais, ao apelar à participação de Reyes em momentos bem mais atrasados do que seria suposto. O motivo é simples e o lance explica-o bem. Reyes, apesar de ser um extremo, é o jogador que melhor consegue valorizar a posse de bola, quer pela forma como a protege quer pela qualidade e inteligência com que a entrega.

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9.3.09

Leixões - Porto: Não era preciso acentuar as diferenças

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Mais do que os erros – Volto ao que tantas vezes faço questão de destacar. O impacto emocional que certos momentos têm nos jogos. Assim se explica que, no mesmo jogo, possamos ter tido tamanho contraste entre o que se viu nos primeiros 15 minutos e na segunda parte. Para que o cenário se tenha invertido de tal forma contribuiu de sobremaneira a tendência suicida dos jogadores matosinhenses (com erros daqueles não há estratégia que resista), mas a diferença qualitativa entre as equipas esteve bem para além desses deslizes individuais. O Porto foi e é uma equipa melhor, não só pelas individualidades, mas pela qualidade colectiva. A vontade do Leixões foi notória mas para repetir os brilharetes da primeira volta não basta querer.

Leixões – Já se suspeitava que o Leixões fosse sofrer bastante com a perda de Wesley. Para além da qualidade individual o ex-Paços tinha também um efeito relevante em termos tácticos. Mas o Leixões revelou também outros problemas que a confiança do passado havia escondido. Foi uma equipa com muita vontade, que rematou muito e ganhou muitas bolas divididas nos primeiros 15 minutos mas que depressa indicou as dificuldades que iria ter ao tentar discutir o jogo sem resumir as suas iniciativas a saídas em transição. A equipa mostrou vulnerabilidade no posicionamento defensivo quando teve de responder às saídas rápidas portistas, destacando-se alguns erros posicionais e a dificuldade para retirar o espaço para as explosões de Hulk. A goleada tem de ser explicada pela forma como foram oferecidos os 2 primeiros golos, mas pode também dizer-se que o Leixões errou estrategicamente ao não se preocupar em esconder as suas debilidades colectivas.


Resposta – Jesualdo, por necessidade, voltou a mexer num jogo de algum risco antes de uma decisiva partida européia. A resposta, diga-se, foi muito boa, mesmo tendo em conta que o jogo correu de forma positiva para os portistas. Podia destacar-se várias exibições bem conseguidas, mas penso que o maior realce deve ir para aqueles que não são figuras habituais. Tomás Costa deu a ideia de ter sido uma oportunidade desperdiçada contra o Sporting, Mariano foi importante no inicio do jogo, aparecendo móvel e dinâmico e, finalmente, Farias deve ter feito o seu melhor jogo pelo Porto. São destaques individuais mas surgem na sequência de uma boa resposta colectiva e esse é o indicador mais relevante antes da Champions.

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2.3.09

Benfica – Leixões: Valeu a atitude

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No rescaldo das visitas leixonenses no Dragão e em Alvalade falei de um denominador comum que esteve na base dessas vitórias. Independentemente da boa performance da equipa de Matosinhos nesses duelos, houve também uma grande dose da tão indispensável felicidade. Pois bem, essa felicidade não acompanhou a equipa na visita a Luz, apanhando-se a perder com um golo muito consentido aos 15 minutos, a estratégia do Leixões foi invertida. Ter de correr atrás do resultado e não se poder refugiar no tempo como catalisador de ansiedade para o adversário torna as coisas bem mais difíceis. O Leixões passou a mandar territorialmente e até conseguiu boas fases, mas essa foi sempre uma situação aceite pelo Benfica que, afinal, se sente melhor a jogar com espaço. Essa foi a maior virtude do Benfica no jogo, não querer forçar um domínio e deixar que fosse o adversário a correr os maiores riscos. O prémio desta estratégia não foi imediato mas, com paciência, lá chegou com o 2-0 que parecia ter sentenciado o jogo. Um golpe de má sorte lançou uns 15 minutos finais de aperto para o Benfica mas, na verdade, o intenso domínio leixonense nunca teve lucidez para por em causa a vantagem encarnada que, tudo somado, se justificou.

Atitude em 2 momentos – Voltou a não ser uma exibição com grande qualidade e voltaram a ver-se os problemas que tantas vezes já aqui (e noutros sítios) foram abordados. Ainda assim, o Benfica merece destaque essencialmente pela a atitude em 2 fases distintas do jogo. Primeiro, na abertura do jogo um pressing forte impediu o Leixões de jogar, empurrando o jogo para perto da área de Beto e, mesmo se não conseguiu grandes ocasiões até ao 1-0, o Benfica teve sempre o mérito de se manter completamente por cima no jogo. Depois, na parte final do jogo, quando após golpe azarado a vitória ficou em causa, a equipa reagiu novamente muito bem, aceitando o domínio do Leixões mas fechando-se sempre de uma forma suficiente para impedir que o adversário fosse realmente perigoso.

Leixões – O grande mérito desta equipa leixonense é a forma como se organiza sem bola, fechando os espaços ao adversário. Isso o Leixões conseguiu fazer mas, desta vez, faltou-lhe maior esclarecimento no resto da estratégia. Quer pela forma errada de gerir a bola, permitindo muitas recuperações ao pressing encarnado, quer pela forma errática e desconcentrada como Laranjeiro e Elvis abordaram o lance do golo, o Leixões teve uma má entrada que condicionou as suas aspirações no jogo. De resto, quero apenas expressar a estranheza pela não utilização de Chumbinho em vez Braga e a má definição das jogadas no último terço de campo, quer por más decisões dos jogadores, quer pela ausência de diagonais dos extremos que tornassem as chegadas ofensivas mais incisivas.

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29.1.09

Porto - Leixões: Em frente, mas sem facilidades

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Bom Jogo – Um pequeno passo atrás no tempo até ao duelo entre os 2 conjuntos para o campeonato, leva-nos a um começo de jogo completamente contrastante com o que aconteceu agora, no mesmo palco, com os mesmos intervenientes. Goste-se ou não dessa realidade, no futebol para se ganhar também é preciso ter felicidade e, tal como essa noite sucedera com o Leixões, desta vez foi o Porto que a teve, na forma fácil como chegou à vantagem. Esse, provar-se-ia, foi um momento muito importante para um jogo muito interessante, mas também equilibrado e dividido, sem que os portistas tivessem conseguido controlar propriamente o adversário, ou, eles próprios, conseguido um ascendente ofensivo significativo. Tudo isto, claro, durante 80 minutos, porque quando José Mota fez de adepto e colocou Sandro na frente, perdeu o meio campo e, logo aí, quaisquer hipóteses que ainda lhe restavam para discutir o jogo.

Porto – O Porto vem assumindo um perfil de jogo que me cria alguma incerteza. Por um lado a equipa vem conseguindo resolver muitos jogos de maior grau de dificuldade, essencialmente pela explosividade que tem no seu ataque. Por outro, começa a ser característico assistir-se a uma enorme dificuldade em dominar os jogos com a mesma facilidade de épocas anteriores. Frente ao Leixões, mais uma vez (aconteceu não só em Braga mas, por exemplo, frente à Académica), houve enormes dificuldades em impedir períodos de tempo em que o Leixões teve continuamente a bola, empurrando o Porto para a sua área e conseguindo vários cruzamentos muito perigosos. Esta dificuldade foi mais notória na primeira parte, sendo corrigida com o tempo e sobretudo na segunda parte. A melhoria não esteve tanto na capacidade colectiva sem bola, antes sim na gestão que passou a fazer dos momentos em que teve a bola. Em particular, o recurso aos laterais e o apoio de Lucho a Fucile no inicio da segunda parte dificultaram a recuperação de bola do Leixões, estendendo o jogo com maior frequência até à área contrária.
Por fim 2 notas individuais. Primeiro para Lucho que permanece distante da inspiração do ano passado (tal como Lisandro) mas que volta a ter um papel muito relevante e útil no jogo com a colocação de Hulk sobre uma das alas. No lance do golo, foi fundamental o seu posicionamento. A outra nota vai para Hulk. Depois de tanto destaque e debate neste espaço e também de ter dito que fizera o seu melhor jogo em Braga, é justo dizer que frente ao Leixões esteve muito abaixo do exigível. Teve 1 ou outra arrancada com sucesso, mas no geral esteve desinspirado e, também, equivocado nas opções. Um exemplo que confirma a ideia que, se vem melhorando em jogos de mais espaço, há muito para fazer no que respeita a situações recorrentemente mais apertadas.

Leixões – O pós-Wesley marcará um período diferente, como se esperava. Para já, José Mota não desfez o papel estrategicamente relevante daquela posição, mas Chumbinho (esteve muito bem) não tem o mesmo perfil. Tecnicamente é excelente, mas não se torna num avançado (não ataca com a mesma qualidade as zonas de finalização) quando a equipa tem a bola nem tem a mesma capacidade no jogo aéreo. Este último aspecto, aliás, terá contribuído para o facto do Porto ter saído a jogar de quase todos os pontapés longos dos guarda redes. De resto, o Leixões permanece uma equipa muito lúcida em campo. Quer quanto às prioridades defensivas, quer quanto ao destino que dá à bola, destacando-se a qualidade técnica dos jogadores e a capacidade da equipa em encontrar boas situações para cruzar com perigo. O Porto sentiu muitas dificuldades no jogo, mas aqui dou muito mérito à qualidade do Leixões que permanece, sem dúvida, uma das equipas mais interessantes da Liga.

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15.12.08

Leixões - Benfica: equilíbrio até ao último penalti

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Inevitável – Talvez seja uma palavra demasiado radical para um jogo de futebol, mas é um pouco esta a sensação que fica quanto ao destino de uma eliminatória em que ambas as equipas tiveram muito poucas oportunidades para evitar o nulo ao fim de 120 minutos. O jogo foi equilibrado mas respeitando sempre uma ordem natural. O Benfica actuando mais em organização ofensiva e o Leixões tentando chegar ao perigo em transição. A verdade é que tanto o Benfica não foi capaz de furar o bloco Leixonense, mesmo quando, na segunda parte, conseguiu um período de maior domínio territorial, como o próprio Leixões poucas vezes conseguiu por em sobressalto a defesa encarnada, apesar de alguns cruzamentos perigosos, especialmente no primeiro tempo.

Melhor? – Quique não resistiu a uma comparação com o jogo do campeonato para defender a ideia de um Benfica melhor em relação a esse jogo de há uns meses. Até posso concordar que o Benfica esteve melhor em alguns aspectos, sobretudo defensivos, mas não parece nada razoável fazer essa comparação. A razão é simples. Desta vez o Benfica não esteve em vantagem sendo, por isso, incomparável este jogo com aquela segunda parte em que o Leixões corria à procura do empate. Desta vez, no entanto, o Benfica acabou por se revelar incapaz ofensivamente, nunca conseguindo ultrapassar em bola corrida o bloco matosinhense e sendo apenas ameaçador através dos muitos livres nas imediações da área. Não foi uma má prestação mas também não me parece que possa ser apelidada de “boa”, ficando o Benfica fora da Taça num campo difícil.

Leixões – Foi das exibições que mais gostei no Leixões. Não porque o seu futebol foi de excelência, como nunca foi neste surpreendente arranque de época, mas porque foi extremamente sóbrio e concentrado ao longo dos 120 minutos. Defensivamente a equipa passou por fases diferentes. Umas vezes mais perturbadora para a posse encarnada, outras menos, como no segundo tempo em que a sua saída em transição acumulou erros, não conseguindo ter bola e acabando encostado à sua área durante largos períodos. O mérito está em nunca perder a concentração e agressividade defensivas e foi isso que manteve o Benfica sempre distante do golo, mesmo nesses períodos de maior sofrimento. Depois, com bola, a equipa foi, de novo, pragmática. Quando não pode sair a jogar, opta por uma via mais directa o que nem sempre evita a perda de bola mas, pelo menos, diminui as hipóteses do adversário sair em transição. Nota ainda para a forma menos esclarecida como foram conduzidas as transições, sempre procurando as faixas e tirando pouco partido do tal espaço entre linhas em que o Benfica é vulnerável. Por aqui se explica também a segurança defensiva encarnada ao longo do jogo.
Finalmente, note-se como Suazo foi completamente neutralizado. O segredo não está na marcação individual mas sim na forma como se condiciona a utilização da profundidade. Através da pressão imediata sobre a saída em transição e do restabelecimento posicional rápido após a perda de bola. Será que Lori Sandri e Cajuda viram o jogo?

Reyes & Wesley – Dois jogadores à parte do jogo. Wesley foi-se apagando com o jogo, pelo desgaste mas foi um festival de pormenores deliciosos durante muito tempo. No texto sobre goleadores que saiem da zona de finalização podia perfeitamente ter falado no seu caso. Teve e tem uma missão táctica muito relevante e diferenciadora neste Leixões. Se o plano é integrar um 9 fixo para o substituir é só esperar para ver como a equipa vai baixar de rendimento. E não é só pela questão individual.
Reyes será provavelmente o melhor jogador do Benfica desta época. Não é um jogador naturalmente influente mas começa a sê-lo porque à falta de um plano para fazer a bola sair em construção, percebe-se que entregá-la ao espanhol é sinónimo de grande segurança e, quase nunca, de perda. Domina sempre bem, temporiza, protege e entrega quase sempre da melhor forma. Depois tem esse aspecto decisivo no jogo do Benfica. Arranca um sem número de faltas nas imediações da área contrária pela forma como protege a bola e convida a oposição a derrubá-lo. Livres em que o Benfica é forte, também, porque é Reyes quem os marca.

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17.11.08

Sporting - Leixões: É tão fácil perder...

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Perder é fácil – O jogo sensação da jornada acaba por ser uma estranha demonstração de como é possível perder um jogo sem que se jogue particularmente mal. Para tal, e é isso que o caso demonstra, basta juntar a uma pequena dose de inspiração alguns erros individuais no tempo certo. Foi assim que o Leixões conseguiu as suas 2 ocasiões em torno do minuto 60 que acabaram por lhe dar a vantagem necessária para inundar Alvalade de uma insegurança capaz de condicionar o resto da performance caseira.
A verdade é que o Sporting chegou a ter momentos positivos com todos os ingredientes necessários para extrair do jogo os 3 pontos. Domínio do jogo, controlo das transições do adversário e algumas ocasiões soberanas. Tudo isto à base de uma exibição voluntariosa mas com pouca inspiração de muitas individualidades, de um futebol ofensivo por vezes demasiado dependente de Romagnoli na primeira parte e de alguma dificuldade em levar a bola durante mais tempo à área adversária. Não vinha sendo brilhante mas suficiente para que, pelo menos, não se pensasse em tamanhos dissabores. O Sporting não esteve mal colectivamente, mas alguns detalhes individuais foram-lhe totalmente fatais.

Leixões – Até onde irá este Leixões?! A designação de “equipa sensação” aplica-se em pleno a esta formação. É que o Leixões, apesar de respirar confiança (como não!), apesar de saber o quer de cada jogo e apesar de ter algumas individualidades capazes de desequilibrar, está longe de ter a qualidade que justifique esta posição. Aliás, é verdadeiramente sensacional a forma como a equipa conseguiu arrancar vitórias no Dragão e em Alvalade em 2 jogos em que, como nunca, os adversários foram tão rigorosamente punidos pelos erros individuais que cometeram. Esta onda vitoriosa e os méritos que atrás apontei deverão ser suficientes para entrar na luta europeia mas, tal como no rescaldo do jogo do Dragão, não me peçam para dizer coisas que não são verdade...

Pormenores ou "pormaiores" – Por tudo o que disse, percebe-se a importância que atribuo ao lance do golo. É uma vantagem que não se justificava, nem pelo que o jogo revelara até então, nem pelo lance em si. Aqui tenho de falar de dois erros, mas de um em particular. Izmailov abordou mal o lance, mas o remate era perfeitamente defensável.
No futebol os "pormaiores" definem a competência e os pormenores a excelência. Há uma excepção, o guarda redes. Para o guarda redes não há pormenores, só "pormaiores". Paulo Bento teve uma opção arriscada (como aqui comentei na altura) em apostar em Patrício. A coisa até estava a correr bem mas basta um erro para a avaliação se inverter. O Sporting até pode ganhar um guarda redes (que tem melhorado a olhos vistos), mas que preço pagará na época de 08/09?

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27.10.08

Porto - Leixões: Crise total

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Qualidade? – 2-3 e um jogo emocionante e imprevisível. Estamos de acordo. Um bom espectáculo? Claro, pela emoção. Um bom jogo? De forma nenhuma! O improvável Porto – Leixões foi um jogo de equívocos e erros do campeão nacional e de um aproveitamento, meritório sim, mas sem o brilhantismo que tanto se gosta tanto de fazer passar. O Leixões chegou ao 0-2 em 3 oportunidades, sem que nenhuma delas resultasse de uma jogada de bola corrida e apenas na fase final da partida fez chegar com maior assiduidade as suas jogadas à área contrária. De resto, pode dizer-se sim, que foi guerreiro, concentrado e inspirado – sobretudo Braga, com aquele golão que fica na história do Leixões.

Desastre táctico! – Tenho sempre aqui deixado uma opinião bem diferente daquelas que teimam em apontar o dedo a Jesualdo sempre que um resultado adverso acontece. Desta vez, porém, só posso ser critico em relação às opções do “professor”, em particular no que respeita à surpreendente nova estrutura apresentada – 4-4-2 clássico. Não consigo entender, nem a mudança, nem o seu timing. Primeiro, pelo que sempre defendi aqui. Ou seja, que o Porto tem modelo bem definido e com resultados mais do que evidentes, devendo resolver a sucessão de algumas individualidades com uma evolução que mantenha o que existe de positivo e não esquecendo tudo o que foi feito. Depois, porque se Jesualdo sempre afirmou que acreditava nos seus “processos” e que a equipa precisava de evoluir para os desempenhar com uma qualidade mais consistente, então porque é que resolveu abdicar deles na ressaca de um momento negativo? Que confiança transmite para os jogadores ver o seu treinador duvidar de uma ideia de jogo que ele próprio tenta transmitir aos seus jogadores?
Com a sua linha de 4 no meio campo, o Porto perdeu os papeis referência de Lucho (sobretudo este) e Meireles e perdendo também capacidade a ordem e organização que os jogadores reconhecem no momento de sair com bola e pressionar. O resultado foi uma equipa sem capacidade para criar e pressionar, e que facilitou de sobremaneira a tarefa defensiva ao Leixões. O Porto limitou-se a viver dos rasgos individuais dos seus jogadores (e da acção de Lisandro) e da energia trazida pelos momentos emocionais do jogo. É verdade que para explicar a derrota tem de se falar na forma como foram consentidos os 2 primeiros golos e da desconcentração que neles existiu. É igualmente verdade que sem essas desconcentrações, o Porto poderia muito provavelmente ter vencido o jogo mas esta critica à alteração táctica realizada – que teve um efeito enorme na qualidade de jogo portista – não está dependente do resultado do jogo.

Há agora a curiosidade para ver o que vai fazer Jesualdo no próximo jogo. Mas, digo-o, como já o havia dito, 4-4-2 parece-me um erro. Se o Porto mudar a sua estrutura passará por um processo de transformação bem mais longo e arriscado do que se tentar evoluir dentro do modelo anterior.

José Mota – Vencer no campo dos 3 grandes não é para todos. O inicio de temporada que está a fazer também não. Não sou – tal como muitos – um grande apreciador do modelo de jogo de José Mota, mas há duas coisas que quero realçar. Primeiro que há um enorme mérito na forma como tem, ao longo dos anos, construído os seus planteis, particularmente com a contratação de jogadores desconhecidos que se tornam repentinamente revelações do campeonato (Braga é o caso actual). Segundo, e mais importante, dizer que o trabalho e qualidade de um treinador não se mede apenas pelo qualidade do seu modelo de jogo. Neste aspecto, os resultados de trabalhos de longo prazo são como o algodão... não enganam!
Golos:

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7.10.08

Leixões - Benfica: O empate não foi o pior...

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Ainda o Nápoles – Tive a oportunidade de ver o jogo durante o fim de semana com maior rigor. De facto terá sido, nesse jogo visto por menos do que os desejáveis, que o Benfica realizou a sua melhor exibição da temporada. O Nápoles dividiu as oportunidades até ao primeiro golo, é certo, mas o Benfica conseguiu um domínio avassalador na primeira parte (curiosamente só ganharia na segunda quando até vinha perdendo o seu ascendente), baseado numa forte reacção à perda de bola e numa atitude muito intensa no jogo. A minha curiosidade para o encontro com o Leixões era por isso maior. Não esperava o mesmo nível num jogo de motivação e realidades diferentes. O que se assistiu, porém, foi uma grande desilusão face àqueles 35 minutos iniciais de Quinta Feira.

A pior exibição – Se o Nápoles foi a melhor exibição do Benfica, esta foi, em termos relativos, a pior. De facto, em Matosinhos viram-se 90 minutos de muito pouca qualidade do Benfica, que começou numa primeira parte sem superioridade mas com um golo que até parecia ter dado um outro rumo ao jogo. A verdade é que os efeitos emocionais do golo foram progressivamente desaparecendo e terminando num empate devolveu justiça a uma segunda parte preocupante do Benfica.
No modelo de Quique parece cada vez mais clara a importância do pressing. Se este não funcionar, o Benfica raramente consegue ser forte ofensivamente. Isto porque o seu futebol é orientado para um ataque rápido e não elaborado, que procura tirar partido da largura da equipa mas que precisa de se iniciar numa recuperação de bola para ter mais espaço. Em organização o Benfica permanece, tal como desde a pré temporada, sem ideias. O facto do pressing quase nunca ter sido suficientemente agressivo explica a incapacidade ofensiva durante os 90 minutos. O problema agudizou-se na segunda parte com a equipa a ceder à tentação de recuar perante o assalto leixonense e a proximidade do final do jogo. O problema é que o Benfica nem sequer soube baixar o bloco convenientemente, deixando os avançados demasiado adiantados (e sem qualquer utilidade defensiva) e uma linha defensiva muito baixa, deixando o meio campo com demasiados metros para defender. Ora, jogando numa só linha de 4, ou os médios encostavam na defesa, ou eram ultrapassados facilmente pelo adversário (com 1 linha e espaço, basta 1 passe vertical para ultrapassar o meio campo). Qualquer dos casos permitia ao Leixões chegar à área do Benfica sem grandes dificuldades e foi isso que sucedeu. A este cenário de má postura defensiva há ainda que juntar a evidente incapacidade para fazer da posse de bola uma arma de gestão do tempo e do jogo.

Leixões – Confesso que tinha algumas reservas em relação ao Leixões no inicio de época. Não pelo plantel que, tal como no ano passado, tem valores mais do que suficientes, mas porque José Mota me pareceu uma escolha com algum risco, já que era um treinador cuja fórmula estava muito orientada para a realidade de um clube, o Paços de Ferreira. A verdade é que, apesar da simplicidade dos seus métodos (criticáveis), Mota tem conseguido reproduzir a fórmula em Matosinhos, com bons resultados. É uma equipa aguerrida e difícil que tem uma referência individual para o colectivo. Wesley.
O que se passou em Matosinhos tem de ser visto, sobretudo, pela parte do demérito do Benfica que rendeu muito menos do que devia, mas o Leixões parece estar a preparar-se para ser um adversário incómodo, seja qual for o oponente.

Meio campo – Os comentários passaram grande parte da transmissão a elogiar Yebda. Reconhecendo a sua mais valia física, quer no choque, quer na área que percorre, tenho alguma dificuldade em me rever em tão rasgados elogios ao francês, a quem julgo faltar alguma inteligência e capacidade técnica para ser, realmente, um grande jogador. Aliás, creio que o meio campo do Benfica ganha sobretudo com Katsouranis, que é o jogador mais inteligente posicionalmente. Com o grego, e ao contrário do que acontecia com a dupla Martins-Yebda, há uma maior protecção do espaço entre linhas, isto porque Katso percebe melhor a importância dessa zona, mantendo-se mais posicional perante a maior propensão de Yebda para se aventurar em terrenos mais adiantados.
Ainda no que respeita ao meio campo, importa assinalar a evolução negativa de Martins que, na minha opinião, fica aquém de Ruben Amorim na função de médio direito.
Golos:

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2.8.08

Porto - Leixões - Confirmação de virtudes e... problemas

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Depois da desilusão da apresentação frente ao Celtic, o Porto regressou aos testes de pré temporada como se nada tivesse acontecido. De facto, o jogo contra o Leixões não trouxe grandes novidades para além de um reforço das ideias já anteriormente tiradas. Ou seja, este Porto mantém grande parte das qualidades colectivas que fizeram dele um campeão inquestionável mas, do ponto de vista individual há ainda alguns problemas por resolver.

Primeira parte – a importância da pressão
Pressão alta. Este foi e continua a ser o grande factor de sucesso para o jogo portista. Quando a pressão funciona, quando o adversário não consegue pensar, então o Porto tem o jogo na mão e o mais provável é vermos golos construídos a partir de recuperações de bola, ou seja, através das famosas transições. Nos primeiros 15 minutos do jogo este aspecto do jogo portista funcionou em pleno, tirando depois partido de um Leixões desorganizado a um ponto quase primário (o primeiro golo surge de um contra ataque iniciado por Nuno que, incrivelmente, é conduzido completamente pelo corredor central). 1-0 foi pouco para o que se viu nesse período, mas o jogo não se manteve no mesmo ritmo e o que se seguiu mostrou um Porto menos capaz de tirar partido da pressão para impedir o Leixões de respirar.

Segunda Parte – Mais uma versão diferente de modelo alternativo
No segundo tempo, algumas alterações, destacando-se a entrada de Hulk (o que se viu é ainda pouco para constituir uma amostra significativa) e, mais importante, a saída de Lucho. Abdicando do seu jogador referência, o Porto não mudou o esquema no papel, mas mudou a sua dinâmica. Deixou de ter um jogador de meio campo a invadir em permanência o espaço entre linhas e passou a jogar com um trio de médios com um posicionamento mais simétrico, menos profundo e mais largo. Aqui, notou-se a intenção, nem sempre conseguida, de dar maior liberdade aos laterais, compensados pelo médio que actuava nesse flanco. Este é um esquema que o Porto utilizou com frequência no primeiro ano de Jesualdo e a sua alteração possibilitou, no ano passado, uma subida de rendimento e protagonismo a Lucho, menos preso à ala e mais liberto para invadir o espaço entre linhas.
Este foi, desta vez, o modelo alternativo de Jesualdo. Depois do 4-2-3-1 e do 4-4-2 clássico, dá a ideia que o “professor” não tem bem ideia da melhor solução a trabalhar como modelo alternativo. Nada como esperar para ver.

Notas relevantes
Posição 6 – Este parece ser o mais relevante quebra cabeças de Jesualdo. Desta vez, Guarin nem a 6 jogou. Foi Meireles. O resultado foi o que se esperava, Meireles faz melhor de Assunção, mas Guarin faz muito mal de Meireles. De facto o colombiano parece ser um jogador interessante em termos técnicos mas vem denotando uma grande lentidão em integrar-se nas rotinas do meio campo. O seu posicionamento foi muito mau, não fazendo os equilíbrios às movimentações de Lucho e Meireles e relevando dificuldades em criar linhas de passe relevantes. Ainda não está resolvido, longe disso, o problema e dei por mim a pensar porque é que, neste plantel, Kaz não mereceu uma oportunidade na pré época. Entre Bolatti e Guarin, o sentido posicional do polaco é incomparavelmente melhor.

Laterais – Aqui, parece-me, o Porto está mesmo condenado às diferenças qualitativas não havendo grande esperança em relação a grandes evoluções (a excepção poderá ser Sapunaru, mas sempre num registo bem diferente de Bosingwa). Fucile voluntarioso mas errático, tal como na época passada e Benitez com mais para mostrar mas ainda pouco para levar alguém a pensar que possa ser uma solução de qualidade.

Centrais – Rolando pode não entrar de inicio mas estou certo que, no momento certo, terá a sua oportunidade. Este não foi o melhor teste para aferir da sua evolução mas conhece-se o seu potencial em determinadas características, restando perceber como evoluirá noutros aspectos. Para isso, nada melhor do que a pressão dos jogos “a doer”. Para já, foi curioso ver, na primeira parte, ver Rolando e Pedro Emanuel trocar de posição, ocupando cada um metade do tempo a posição mais à direita. Esse será, precisamente, o lugar em disputa, ao lado de Bruno Alves.

Extremos – Claramente Rodriguez deverá ser uma boa aposta. Ainda não completamente integrado – Mariano, por exemplo, movimentou-se melhor do ponto de vista colectivo – mas a revelar evolução nesse aspecto, juntando vários apontamentos individuais que prometem fazer dele um desequilibrador de relevo (algo importante se Quaresma sair). Mesmo tendo em conta o preço elevado da sua contratação, o uruguaio parece vir a confirmar a margem de evolução que se previa. Se assim for, pode dizer-se que o Porto pagou, não só por um bom reforço para as próximas épocas mas também pela privação de um bom valor para um rival.

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14.4.08

Jornada 26: Para além da Luz...

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Setúbal 1-2 Porto
Pelas opções de ambos, quer no arranque da partida, quer durante a mesma, a primeira nota que fica é que este não terá sido mais do que um aperitivo para Terça Feira.
Nesse aspecto, devo dizer que o aperitivo serviu bem para abrir o apetite em relação ao que poderá ser essa meia final. E não o digo apenas pelo que o Vitória fez no segundo tempo, onde teve outra atitude ofensiva, é verdade, mas encontrou também um Porto enganador em relação à sua real valia. Dito isto, perceber-se-á que não concordo minimamente com a afirmação ouvida e lida várias vezes no rescaldo do jogo: que o Vitória terá oferecido o inicio do jogo ao Porto. Quem o afirma não percebe uma das estratégias possíveis e onde é de facto forte (afinal, foi assim que conquistou, por exemplo, a Taça da Liga). Na verdade, frente ao Porto o bloco baixo do Vitória terá sido infeliz porque, apesar do domínio que evidentemente ofereceu, conseguiu controlar o Porto que não havia tido grandes oportunidades – ao contrário do que é costume – antes do golo de Lisandro. Não tenho dúvidas que o Vitória voltará com esta estratégia na Terça e, se conseguir ter a qualidade defensiva dos seus primeiros 30 minutos, poderá tornar a tarefa um pouco mais difícil ao Porto.
A tudo isto, resta-me uma dúvida: a capacidade de transição do Vitória. Carvalhal apresentou uma frente de ataque de recurso no primeiro tempo, pelo que a amostra não serve de exemplo. Fica assim a dúvida de como a equipa reagirá nesse momento do jogo, já com as presenças de unidades determinantes do lado portistas como Meireles ou Assunção.
Do lado do Porto, e mantendo uma espécie de projecção para Terça a partir deste jogo, não se espera mais do que aquilo que a equipa vem fazendo. Mobilidade ofensiva – fundamental como se viu no desequilíbrio criado por Kaz no primeiro golo – e, mais determinante ainda, capacidade na transição defensiva. Se o Porto for forte nesse momento tornará o jogo num sufoco – um pouco à imagem do primeiro tempo de Sábado – e quase inevitável o aparecimento de um golo. Nota para dois aspectos. O primeiro tem a ver com as dificuldades que Lucho teve para respirar na densidade do bloco Sadino (não que tenha, longe disso, feito um mau jogo). O segundo tem a ver com Quaresma. A festa do “tri” parece ter-lhe feito bem... a confirmar.

Sporting 2-0 Leixões
Começo pelo Leixões. Digo-o sem qualquer problema. É neste momento, e após o “tiro no pé” que foi o timing da saída de Carlos Brito uma das mais frágeis oposições que existem nesta liga. Pode, como em Alvalade, ter períodos em que o seu jogo ilude, mas o risco – e falta de segurança – com que adianta a sua linha mais recuada torna a equipa numa formação incapaz de ter, em qualquer momento que seja, o controlo do jogo. Veremos onde para, mas arrisca-se fortemente a uma despromoção quando parecia ter as coisas mais ou menos controladas...
Depois do que afirmei, fica evidente o que penso da primeira parte do Sporting – muito fraca. Má em termos defensivos, onde o seu pressing voltou a não ser suficientemente forte, mas o problema nem foi por aí. Frente a um bloco denso mas alto como o do Leixões, o Sporting teria apenas de conseguir sair do primeiro momento de pressão do seu adversário para estar em condições de explorar o espaço que este oferecia nas suas costas. Acontece porém que o primeiro momento de construção esteve francamente ineficiente. Pouca mobilidade dos jogadores ofereciam poucas soluções de passe. A excepção a isto, ainda assim, foi Liedson, mas o “Levezinho” acabava invariavelmente concluir com perdas de bola os apoios que conseguiu oferecer à construção. O resultado foi um jogo largamente disputado à frente do bloco Matosinhense, ou seja, à entrada do meio campo do Sporting. Ainda assim, e a comprovar o que comecei por dizer, foi o Sporting quem esteve mais perto do golo no primeiro tempo, precisamente pela exploração dos erros cometidos pela linha de fora de jogo Leixonense.
No segundo tempo, a história foi diferente, particularmente após o primeiro golo. Aliás, estou em crer que Alvalade acabaria por assistir a uma estranha goleada, por força da menor cobertura defensiva a que o Leixões iria incorrer. A expulsão de Ronny, no entanto, encarregou-se de mudar esse destino e o jogo poderia ter visto mais golos, mas em qualquer das balizas.
Sobre o Sporting, dizer que se assistiu a mais uma prova da desinspiração de alguns elementos da equipa, manifestamente afectados pela sobrecarga de jogos (Moutinho é um exemplo). Sobre isso, acrescento que o Sporting pode e deve melhorar a partir do momento em que tenha apenas 1 jogo por semana e que é melhor que o faça. É que não se ganham sempre jogos com exibições como aquelas protagonizadas frente a Braga e Leixões... antes pelo contrário!

Guimarães 1-0 Boavista
Uma referência para dizer o que penso deste Vitória e que, no fundo, é o espelho de exibições como a de Sábado.
Cajuda tem uma equipa que com muito mérito está onde está, mas que não é o espectáculo que muitos apregoam... É uma equipa que valoriza sobretudo a segurança defensiva, desequilibrando-se muito pouco e tendo elementos que, lá atrás, falham ainda menos (Nilson é o espelho disso mesmo, com uma época fantástica). Depois, ofensivamente, existe um sistema e alguns movimentos simples mas suficientes para criarem embaraços aos adversários. O resto é alma, acreditar e ambição. Lembra-me o Boavista de 2001, pelas vitórias de 1-0 que consegue, controlando o adversário e tendo depois a força mental suficiente para acreditar que o seu jogo será suficiente para que este quebre pelo menos uma vez.
Resulta, é realista, inteligente e eficaz, mas não digam que é brilhante, porque não o é. Outro aspecto fundamental no sucesso do Vitória está na possibilidade que Cajuda tem (e fá-lo quase sempre) de repetir, semana após semana o mesmo onze. Ajuda muito a criar entrosamento e tal dinâmica de vitória. Para isso, tem de se referir a escassez de jogos noutras competições e a ausência de lesões.
Está de Parabéns o Vitória, dê no que dê, por saber criar uma fórmula vencedora dentro dos seus recursos.

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17.3.08

Jornada 23

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Leixões – Porto
Foi uma vitória mais sofrida do que se esperaria face às incidências iniciais do jogo. O Leixões apareceu com uma estratégia de circunstância que visava utilizar uma defesa reforçada na zona central e assumir o risco do fora de jogo como forma de parar a superioridade portista. Se o objectivo era aproximar linhas e impedir que a posse de bola do Porto tivesse dificuldades em aproximar-se da área Matosinhense, então falhou redondamente. Ainda assim, o Leixões conseguiu o mais difícil, não só resistindo ao ascendente do adversário como sendo eficaz no aproveitamento de uma situação ofensiva que resultou de um invulgar erro de Lucho quando tentava lançar a transição. O Porto arriscou e Jesualdo voltou a utilizar Meireles como falso defesa esquerdo, tal como frente ao Schalke. O empate chegou merecidamente mas já um pouco tarde no jogo e o Leixões tinha tudo para ser mais inteligente na preservação de um empate que lhe era favorável por todos os motivos. Sofrer um golo em transição e a tentar fazer fora de jogo na linha tão perto do meio campo parece-me um erro primário para quem estava tão perto de um resultado positivo. O Porto venceu com toda a justiça um jogo em que o Leixões não soube aproveitar a felicidade dos acontecimentos.

Sporting – Nacional
Começo por fazer uma referência elogiosa à sobriedade de Paulo Bento no final da partida. Uma vitória expressiva poderia ser aproveitada para fazer uma análise menos realista da partida. O treinador não o fez, reconhecendo erros e uma exibição que não foi de forma nenhuma perfeita, sobretudo em termos defensivos. Demonstra mais, mais uma vez, lucidez.
O Sporting teve, de facto, dificuldades em controlar o jogo e a posse de bola do Nacional. Mérito para os Madeirenses que sabem trocar muito bem a bola, incorporando um princípio elementar mas muitas vezes ignorado por muitas equipas: fazer a bola percorrer lateralmente o terreno, mudando o flanco de ataque. Esta opção é particularmente eficaz perante um bloco intermédio do Sporting que utiliza muita a basculação lateral dos médios para fazer pressão junto às alas. Quando a bola “foge” para o outro lado, e mesmo que não haja progressão, o Sporting concede espaços pelo tempo que a equipa demora a reorganizar-se. Neste aspecto tenho uma nota: parece-me que o Sporting deveria definir melhor a sua zona de pressão quando o adversário tem a bola. Juntar mais as linha média da linha mais recuada poderia muitas vezes ser uma opção mais segura do que tentar fazer um pressing mais alongado no campo mas com mais espaços entre os sectores. Ainda assim o Nacional criou as suas situações no primeiro tempo sobretudo em erros do Sporting. Quer em posse de bola (Pereirinha numa ocasião), quer na reacção tardia à perda de bola após um canto.
Ofensivamente parece-me que o Sporting fez sempre um bom jogo, criando oportunidades e dificuldades ao bloco do Nacional com movimentos interiores (curiosamente desta vez não muito lateralizados). O futebol tem coisas curiosas e o Nacional sofreu pelo segundo ano consecutivo um “vendaval” de golos num curto espaço de tempo que resolveu completamente o jogo. É impossível não destacar, mais uma vez, João Moutinho. Repito, será um erro enorme (penso eu) não o colocar nas contas do Europeu.

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1.2.08

E se os jogos tivessem 45 minutos?

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O futebol é um jogo de 90 minutos e esse é o único limite temporal que conta para estratégias e reacções de protagonistas. Sem desfazer este facto indesmentível torna-se curioso comparar a performance das equipas entre os primeiros e segundos 45 minutos desta liga...

A primeira coisa que se constata é que a superioridade do FC Porto se verifica também nesta tabela, sendo esta particularmente marcante em relação a Benfica e Sporting. Os portistas têm, de resto, uma performance espantosa nos primeiros tempos das suas partidas, chegando 11 vezes ao intervalo a vencer e tendo sofrido apenas 2 golos nesse período do jogo – precisamente os 2 “encaixados” na última jornada em Alvalade. Fica ainda a curiosidade de, nos últimos 5 jogos, o FC Porto ter invertido esta tendência, tendo chegado em apenas 1 desses jogos em vantagem ao intervalo.

Ao contrário do Porto, os outros 2 grandes, Benfica e Sporting têm tido performances bem abaixo do esperado nos primeiros tempos das suas partidas. Se no caso dos encarnados o registo não é famoso, no Sporting a coisa torna-se quase desastrosa. De resto, esta tabela é a confirmação em números das más entradas dos leões nas suas partidas, conseguindo apenas metade dos pontos do FC Porto. Este é um problema que já foi abordado pelo próprio Paulo Bento e que, curiosamente, contrasta profundamente com o Sporting da última metade da época passada. Em termos relativos, o Sporting é a pior equipa da liga no primeiro tempo (o que é também um elogio às suas reacções no segundo tempo).

Nas restantes equipas, a principal surpresa vai claramente para a U.Leiria. Quintos nesta tabela, os Leirienses são um caso extremo de má performance nos segundos tempos das suas partidas, explicando-se nesse período o último lugar na Liga. Outro caso altamente positivo é o do Maritimo que tem alicerçado o seu campeonato positivo nos primeiros tempos – 7 vezes em vantagem ao intervalo. Pela negativa, destacam-se os minhotos Braga e Guimarães, bem posicionados na tabela global mas muito mais pelo que fazem nos segundos tempos das suas partidas. Curiosamente, as primeiras partes negativas destas 2 equipas foram recentemente evidenciadas nos jogos do Benfica em Guimarães e do Braga no estádio do Dragão.

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15.1.08

A Jornada 16

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- No Dragão o FC Porto mostrou como os tropeções alheios apenas dão à equipa maior confiança. Talvez motivados pelo valor teórico do adversário, os Dragões fizeram um jogo a roçar a perfeição. Equilíbrio colectivo, concentração competitiva e grande eficácia de processos valeram ao Porto uma goleada num jogo em que a equipa personificou em grande medida a racionalidade que caracteriza o perfil ideológico do seu treinador. No futebol não é necessário ser-se exuberante e o essencial é errar pouco e aproveitar melhor os erros adversários. O Porto, neste aspecto, foi de uma eficácia tremenda e resolveu cedo o jogo à custa dos deslizes alheios. Nota para a boa forma argentina de Lucho e Lisandro (Farias também apareceu mas, para já, é demasiado cedo para se falar em brilhantismos) e para a desilusão bracarense. Manuel Machado cometeu a imprudência de estrear Miguelito - sem competição - no mais difícil dos palcos e a equipa deu, em campo, sequência aos lapsos do seu líder.

- Na Luz uma exibição que espelhou o momento da equipa. Se se dizia que o Benfica é uma equipa emocional, o que se poderia esperar de um momento em que o colectivo passa por uma fase moralmente baixa? No que respeita ao jogo, destaque para o emparelhamento de Nuno Gomes e Cardozo na frente. Com Nuno Gomes o 4-2-3-1 torna-se – como já havia sido no início da “era Camacho” – mais próximo de um 4-4-2. Não porque a equipa ganhe novos princípios colectivos, mas porque individualmente Nuno Gomes é obviamente diferente de Rui Costa. Com bola a equipa ressentiu-se da ausência de Rodriguez e da falta de um jogador que soubesse explorar o espaço nas costas da defesa contrária, já que o Leixões é das poucas equipas que em Portugal não receia subir (ainda que ligeiramente) a sua linha mais recuada para encurtar o espaço entre linhas. Como o Benfica procurou, precisamente no espaço entre linhas, as soluções para o seu jogo, sentiu muitos problemas. Defensivamente cometeram-se muito mais erros do que é habitual, aqui com destaque para o jogo anormalmente intranquilo de Luisão, notoriamente afectado pelo incidente com Katsouranis. A solução para a “equipa emocional” está, evidentemente, na própria reabilitação emocional da equipa. Até porque noutros planos Camacho nunca conseguiu introduzir grandes mais valias a esta equipa.

- Sobre o Sporting começo por dizer que, ao contrário do que se tem dito, não me parece que tivesse havido qualquer 4-2-3-1 em Coimbra. O sistema manteve-se, apenas com a novidade de Vukcevic jogar ao lado de Liedson. Moutinho foi quem preencheu o vértice esquerdo do meio campo e, se numa primeira fase Vukcevic descaiu preferencialmente para aquele flanco, a partir dos 30’ passou a ocupar mais zonas do terreno. O Sporting trouxe de Coimbra um empate mas, se souber retirar as melhores ilações do que fez, poderá ter conquistado algo bem mais importante do que os 3 pontos. Para além da melhoria indesmentível de atitude, houve também vários aspectos em que a equipa esteve melhor. O seu meio campo voltou a ser dominador, empurrando constantemente a Académica para a sua área (há muito que não se via esta capacidade no Sporting). Creio que aqui terá que se destacar a importância da passagem de Vukcevic para uma outra posição. Com Moutinho e Izmailov nos vértices do losango, o Sporting ganhou mais capacidade para o jogo em posse, melhorando também muito na transição defensiva. Sem Purovic e com Vukcevic, a equipa conseguiu ter mais mobilidade ofensiva, oferecendo mais soluções e mais qualidade ao jogo no terceiro terço do campo. Sinais importantes e que devem influenciar as próximas decisões de Paulo Bento. Nota para a fase final da partida. Naturalmente que uma equipa tem de ser capaz de segurar o que custou tanto a conquistar, mas parece-me normal que a ansiedade tome come conta dos jogadores, dado o momento da época e do jogo. O que me parece também é que o Sporting voltou a não estar devidamente concentrado num lance de bola parada, um problema recorrente esta temporada.

- O destaque da jornada é, sem dúvida, o Vitória de Guimarães que ascendeu ao terceiro lugar após uma vitória fantástica em Setúbal. Devo confessar a minha surpresa pela época do Vitória (ao contrário do outro, o de Setúbal que, com Carvalhal, era para mim mais previsível). Não sou um fã de Manuel Cajuda mas tenho de reconhecer o mérito a uma equipa a quem projectava um campeonato regular mas ainda (e digo “ainda” pelo potencial que tem o clube) longe destes feitos. A época não terminou e estou curioso para ver até quando este Vitória se vai manter com esta “pedalada”...


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26.11.07

Os jogos dos 3 grandes...

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Porto – Setúbal
Acusar o Setúbal de seja o que for é um absurdo. A equipa tem-se comportado muito bem na liga e Carvalhal até pode (e deve) exigir mais internamente, mas não comparemos recursos e, sobretudo, não se peça a uma equipa que no ano passado foi vulgarizada no Dragão que agora lá chegue e encha o campo. O jogo e as aspirações sadinas foram, de resto, muito condicionadas pelo golo inicial de Lisandro, numa jogada de grande inteligência de Lucho Gonzalez. O Porto preparou muito bem o jogo, respeitou o adversário e num confronto de duas “zonas”, os portistas provocaram erros posicionais importantes no adversário, graças a rápidas movimentações sem bola de Lucho e Lisandro acompanhadas pela velocidade na troca de bola. As debilidades individuais do Setúbal foram expostas mas o Porto tem muito mérito nisso – repare-se como houve bastantes cautelas dos laterais, sabendo-se da propensão do Vitória para usar os extremos. No Porto, nota ainda para o espectáculo individual de Quaresma e Lucho. O “cigano”, particularmente, é um autêntico “show man” e os seus pormenores são do melhor que há no mundo.

Académica – Benfica
O Benfica mantém-se em crescendo, mas sobretudo anímico. A partida de Coimbra foi fortemente condicionada pelas ausências e, também, pelas contrariedades durante o próprio jogo. Mais uma vez veio ao de cima a chama final da águia, mas não se pode falar de uma exibição convincente frente à Académica. Houve muito sofrimento e vários momentos em que os Academistas estiveram por cima no jogo. Se o sofrimento é essencial para fazer um campeão, o Benfica pode estar certo que não é por aí que perderá a Liga! Naturalmente farei uma antevisão do clássico, mas, deixando uma primeira impressão sobre a minha opinião, parece-me que o Benfica parte para o jogo com o factor anímico como principal arma para se conseguir superiorizar...

Leixões – Sporting
A situação voltou a piorar para o Sporting. No entanto, desta vez, pouco pode ser apontado à equipa.O empate surge de um jogo em que, para além das inúmeras oportunidades perdidas, o Sporting se superiorizou sempre, ao ponto do Leixões não ter feito um único remate à baliza de Rui Patrício. Alguma intranquilidade na hora de finalizar e ingenuidade no lance do golo acabaram por ser fatais para o Sporting. Sobre o guarda redes, parece-me um bom timing para o seu lançamento, mas a sua infelicidade e responsabilidade são inegáveis. Outro aspecto que ficou por testar com maior rigor foi o famoso 4-2-3-1. O golo inicial e a alteração de Paulo Bento não deram tempo para que se tivesse um teste fiel ao sistema. No entanto, mais uma vez digo, ao contrário do que se faz querer pensar, um sistema por si só não é solução para nada! O Sporting corre agora o risco de viver sob um frustração constante na Liga. 10 pontos são uma barreira importante e tornam cada jogo um acontecimento de grande pressão. Pergunto se não faz sentido repensar objectivos, para algo mais realista tendo em conta a situação na Liga e a existência de outras competições em que o clube ainda está envolvido?

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