17.8.11

Twente - Benfica, a minha visão sobre 3 golos...

ver comentários...
Não irei fazer uma análise ao jogo, mas ficam aqui alguns apontamentos, partindo de 3 dos golos do jogo de ontem. Curioso como se recuperam tantos temas que aqui tenho abordado recentemente...

Golo 1 - O espaço entre sectores! Não só entre as linhas média e defensiva, o caso mais evidente e grave, mas também entre a primeira e segundas linhas de pressão. Recupero, sucintamente 2 ideias: 1) O Benfica defende pior em 442, do que em 4132, e isso continuará seguramente a ter consequências. 2) O problema principal não é o número de jogadores, mas a coerência de comportamentos, de sector para sector. Daí o "espaço entre sectores"...


Golo 2 - A importância da presença de Aimar, na primeira linha do pressing! Não é um pormenor, é decisivo. Sei que não é tão divertido falar disto como poetizar sobre o que os jogadores fazem, ou não, com a bola nos pés, mas, lamento, o futebol define-se em aspectos objectivos, e não em prosas criativas. Encarando Cardozo e Saviola como as alternativas em equação, não há como não pensar que a presença de Aimar na primeira linha de pressão é fundamental. Não apenas por estes exemplos mais flagrantes, mas por muitos outros, que determinam o constrangimento da saída de bola contrária. Outro plano para que havia alertado tem a ver com a importância de Cardozo, como elemento decisivo, pela capacidade goleadora que tem, e que não encontra paralelo no plantel encarnado. Cardozo deve ser potenciado, sim, e pode-se-lhe exigir muito mais, mas enquanto não houver quem garanta a sua capacidade concretizadora, é muito complicado tirá-lo. Felizmente, para o Benfica, que Jesus percebe bem o valor de ter quem "tem golo".

Golo 3 - Lançamentos laterais! Um tema recorrente nos últimos tempos, porque, de facto, têm acontecido muitos desequilíbrios a partir deste tipo de situações. Criando-se uma zona de atractividade junto à lateral, é fundamental, para quem defende, não deixar sair a bola dessa zona de controlo. Particularmente, se vier para dentro, para o espaço "entrelinhas", o preço pode ser enorme. No Twente, destaque, primeiro, para a pouca preocupação que o jogador, que divide o inicio do lance com Witsel, tem para controlar o espaço interior. Roda no sentido contrário, da linha, e isso determina que fique fora do rota da jogada, que o centro como destino. Depois, várias incongruências no comportamento da linha defensiva, que são típicas do futebol holandês, muito débil neste particular. Um central fecha dentro, o outro baixa na profundidade, sem respeitar a linha colectiva para recorrer a uma tentativa de fora de jogo que, neste caso, devia ser trivial. O lateral mais distante demasiado aberto, e, aparentemente, pouco importado com a coerência colectiva do seu posicionamento.
Outro pormenor, claro, é a qualidade de Witsel. Satisfaz-me, confesso, que se tenha confirmado o valor que previra. Finalmente, nota para Nolito. É um caso diferente, obviamente, mas, tal como Cardozo, enquanto se mostrar sustentadamente decisivo, não há como questionar a sua utilidade. Gostava de o ver testado na frente, em determinadas situações. Tenho curiosidade (e incerteza, também...) sobre a sua capacidade de resposta, desde que o analisei no Barcelona.

Ler tudo»

ler tudo >>

16.8.11

Guimarães - Porto: opinião

ver comentários...
- O cenário da primeira jornada assemelha-se de tal forma ao da época passada, que são inevitáveis os paralelismos. Acreditar em profecias, porém, pode ser um tremendo erro. Como já escrevi, é de todo improvável que o cenário da época passada se repita. Não só a nível europeu, mas também a nível interno. E isto não tem, sequer, a ver com mudanças. Tem a ver com a complexidade do jogo, e com a sucessiva adaptação dos protagonistas. Por tudo isto, diria, o melhor é desconfiar. E o jogo mostrou motivos para tal, mesmo se o volume de oportunidades criadas poderia, e deveria, ter conduzido a outro conforto no jogo.

- Tenho de começar pelo inicio do jogo. Pelos primeiros minutos, e pelo condicionamento que o Vitória fez ao jogo do Porto. Machado manteve os protagonistas, mas não a organização perante a construção contrária. Colocou, desta vez, uma linha de 4 no meio campo, e as dificuldades do Porto foram enormes, ausentando-se da área contrária durante quase 30 minutos, apesar de ter tido sempre a bola. A colocação de mais elementos na linha média do Vitória, impediu que o Porto fizesse a ligação que gosta de fazer com os extremos, quer através do mesmo corredor de saída, quer através das ligações entre central/médio e o corredor oposto, que tanto se havia visto no jogo da Supertaça. O Porto não conseguiu introduzir as suas dinâmicas habituais, trazer os médios para a construção, ou usar a atractividade com bola dos centrais. Por mérito do Vitória, e, também, algum demérito próprio.

- Este cenário ditou, em parte, um óptimo posicionamento do Vitória para provocar a surpresa. Porque, se o Porto tinha a bola, isso era concedido, fazia parte da ideia de Machado. O que não fazia parte da ideia de Vitor Pereira era ter bola e não conseguir progredir. Porque, ter bola, estar aberto e sempre na zona de construção, implica prolongar um risco de perda e sucessiva transição. Aqui, tenho de sublinhar o "em parte" do inicio do parágrafo. Porque se o Vitória bloqueou o Porto, em termos de construção, foi absolutamente incapaz de finalizar com qualidade a proposta que trazia para o jogo. A transição, e o primeiro passe após a recuperação, foram quase sempre maus. Algo que espanta, porque as equipas de Machado costumam ter, nesse momento, a sua grande virtude. Mas há, neste Vitória, uma invulgar bipolaridade técnica em muitos jogadores, que torna as acções sempre muito instáveis.

- Neste contexto, que se gerou na primeira parte, reside o alerta para o Porto. A equipa conseguiu as suas oportunidades, até mais do que o Vitória, mas não teve o jogo sob o seu controlo, sendo mesmo o adversário quem usufrui das ocasiões mais soberanas. Um sinal do que pode suceder no futuro, e do tipo de condicionalismo que poderá enfrentar. Ainda sobre o papel do Vitória, uma palavra para Machado, que é uma espécie de vilão do futebol português, pelo menos neste meio "cibernauta". Realmente, discordo de muitas abordagens do treinador, mas não me revejo em alguns tons de agressividade que encontro recorrentemente. Não em relação ele, nem em relação a qualquer profissional. Não sem contraditório, e não perante alguém que tenha um leque de experiências e elementos a que eu não tive acesso.

- Mas o Porto, levou realmente a melhor no jogo, e, até, deveria ter conseguido maior conforto, bem mais cedo. Há uma intenção clara de potenciar o papel dos extremos nesta equipa. Quer pela tentativa de os libertar no 1x1, quer pelas dinâmicas em construção, que os trazem para o corredor central, onde podem aproveitar o facto de jogarem, habitualmente, com o "pé trocado". E foi assim que o Porto criou as suas primeiras ocasiões. Com Varela e Hulk, a partir de lançamentos laterais, a libertarem-se no espaço "entrelinhas". Isto, na primeira parte.

- Na segunda parte, o jogo foi diferente. O Vitória apareceu mais agressivo e mais desorganizado, o que possibilitou, agora sim, um ascendente evidente do Porto. Não tanto pelo domínio territorial, mas pela proximidade que passou a ter com o golo. Como não marcou, o Vitória foi continuando a acreditar, acabando por forçar um final de jogo de maior risco para os portistas. Não se pode elogiar a organização do Vitória, mas pode-se elogiar a sua atitude, que, conseguiu, pelo menos, prolongar alguma dúvida até ao fim.

- No campo individual, o destaque tem de ir para Hulk. É, de resto, a primeira grande exibição da liga, com o jogador a ser a grande fonte de desequilíbrios da equipa. Não é pelo golo, de penalti, mas pelo facto de ter criado 6 oportunidades, nas quais só finalizou 1. Não é para todos. Em sentido oposto, uma estreia pouco auspiciosa de Guarin, algo inconsistente em posse, e ajudando a que a equipa não se encontrasse nos minutos iniciais. Defensivamente, Souza (outra vez) e Otamendi, merecem notas de realce. E Hélton, claro.
Ler tudo»

ler tudo >>

15.8.11

Sporting - Olhanense: opinião

ver comentários...
- Começo com uma reflexão em torno de "jogar bem" e "ganhar". "Eu quero é que a equipa jogue bem!", ouve-se e lê-se, com frequência da parte dos adeptos. Mas, será mesmo que uma boa exibição seja mais satisfatória do que uma vitória? A resposta, a meu ver, é óbvia. Para os adeptos (pelo menos, para a maioria), e para os protagonistas, uma boa exibição, sem vitória, traz frustração. Uma vitória, sem boa exibição, traz, no mínimo, alívio. "Ganhar" é o objectivo do jogo, e "jogar bem" é o garante de que se está mais próximo de atingir esse objectivo, com regularidade. Por isso, "jogar bem" é o objectivo dos treinadores no inicio das temporadas, e "ganhar" é o objectivo das finais, e do jogo-a-jogo. Ou alguém já ouviu algum adepto ou protagonista abordar uma final apontando "jogar bem" como principal objectivo? "As finais são para ganhar!", foi a frase que Mourinho celebrizou, e o verbo não é um pormenor. Enfim, o ponto (que recupero de outras reflexões recentes...) é que o Sporting, como qualquer equipa, tem de começar por se preocupar em "jogar bem", sim, mas não pode esquecer certos pormenores, se quiser realmente "ganhar".

- Mantendo-me no mesmo âmbito - da eficácia - parto para os casos específicos deste jogo, alertando, porém, que 1 jogo não serve para fazer generalizações. Aliás, se é certo que o Sporting não repetirá com facilidade jogos em que exerça tanta supremacia, é também evidente que só por muito azar terá outro exemplo de tão grande desnível de eficácia. E aqui, na eficácia, importa abordar os 2 extremos do campo, porque se é improvável que se faça apenas 1 golo em tantas ocasiões, é-o também, e bastante, que se sofra algum, perante tão escassa produtividade ofensiva do adversário.

- Começando pelo lado defensivo, diria que o golo não parece ser, de todo, indefensável. O remate é muito forte e tem uma trajectória difícil, porque a bola desce rapidamente, mas parece ser, também, uma grande distância, havendo uma margem considerável (1 metro?) para o poste mais próximo, relativamente à zona em que a bola entra na baliza. Juntando estes 2 factores, parece-me claro que a reacção de Patrício não é tão rápida como seria desejável, mas admito poder estar a ser injusto para o guarda redes. Nesta altura, é-me difícil fazê-lo, mas durante este ano farei uma avaliação mais consistente da resposta do guarda redes, neste aspecto...

- Relativamente ao capítulo ofensivo, que é aquele sobre o qual mais tenho escrito, quero começar por reforçar a ideia acima levantada. Ou seja, não é por um jogo que se podem analisar tendências, ou, tão pouco, que o meu ponto se revela correcto. Postiga podia ter feito, facilmente, 2 ou 3 golos neste jogo e isso não faria dele uma grande solução, a prazo, para o papel que lhe foi destinado (finalização). Entendo a avaliação que faço como extremamente sólida por ser baseada em factos de longo prazo, e é no longo prazo que ela se aplica, também. No fundo, é a lei dos grandes números, pode-se ganhar ou perder no imediato, mas, a prazo, será a tendência a prevalecer. Mas há uma coisa que estava correcta na minha avaliação (e que, creio, poucos anteciparam no inicio da temporada), desde que analisei Wolfswinkel: Postiga seria o mais sério candidato a partir para a temporada como principal referência ofensiva.

- Passando a outros capítulos do jogo, começo por realçar as diferenças de qualidade entre a oposição que o Sporting teve nos últimos 3 jogos da pré época, e aquela que encontrou no primeiro dia da temporada. Nada a ver. O Olhanense foi uma equipa submissa em termos de presença pressionante, baixou demasiado as linhas e permitiu que o Sporting chegasse ao meio campo ofensivo. Um erro, ou uma incapacidade? Não sei ao certo, mas o facto é que, com a reactividade à perda que o Sporting tem, isso determinou uma diferença avassaladora no domínio do jogo. A reacção na transição ataque-defesa, é um primeiro sinal da qualidade acrescida que o Sporting 2011/12 terá. Um sinal relevante, e que tem origem na natureza organizativa e colectiva da equipa. Ainda assim, quero destacar a característica dos 2 centrais do Sporting (omito o óbvio, Rinaudo), porque são, talvez com Otamendi, os 2 jogadores que melhor jogam em antecipação em Portugal. E, como já referi anteriormente, jogar com linha alta não serve apenas para aumentar a estatística do fora de jogo. Serve para criar condições para pressionar no espaço reduzido.

- Ao nível da construção, como já escrevi, o Olhanense pareceu não ter grande preocupação em condicionar essa fase de jogo, ou potenciar o erro. Ainda assim, o Sporting surgiu bem, diversificando pontos de saída, e com boa dinâmica. Destaco 2 movimentos que, sem grande pormenor na análise, me pareceram intencionais. 1) A colocação de Rinaudo, descaído para a esquerda dos centrais, e 2) a ligação directa de Polga para Evaldo, aproveitando a boa capacidade de passe do central, para fazer, repentinamente, variar o ponto de saída. Há, ainda assim, que continuar a evoluir, destacando-se o potencial da ala direita.

- Ao nível dos corredores laterais, alguma assimetria de potencial. À direita, Jeffren parece confirmar-se como um excelente mais valia, dando ao Sporting a tal capacidade no 1x1 que faltava. Para além disso, a presença de João Pereira pode significar uma ala direita de grande dinâmica e qualidade, num entendimento que pode, e deve, conhecer evolução. Isto, apesar de não me parecer um grande inicio de temporada do lateral, abaixo do que pode fazer. À esquerda, por outro lado, Evaldo não tem a mesma capacidade, e não me parece, tão pouco, ser o melhor complemento para Djaló, nas dinâmicas do corredor. O português tem uma óptima relação com o golo, mas não pode ser explorado em acções junto à linha, porque tem uma má capacidade de transporte e gestão da posse. Como já referi noutras ocasiões, é uma solução que tem características diferentes das de Capel ou Jeffren, mas tem de ser devidamente enquadrado, o que não me parece ter acontecido.

- Foi, enfim, uma boa estreia, no sentido em que o "jogar bem" promete poder fazer a equipa "ganhar" mais vezes. Não há surpresa, é algo que a chegada de Domingos já prometia, fosse qual fosse o contexto. Sobre isso, e porque escrevi noutras ocasiões que o plantel não me parecia mais forte do que o de há 1 ano, quero aproveitar para rectificar a opinião, após as contratações de Capel e Jeffren (posteriores a essa avaliação). Há, de facto, mais qualidade, também no capítulo individual. Mesmo se continuo a pensar que se mexeu demasiado, e menos bem em alguns sectores (Onyewu e Wolfswinkel parecem dar-me razão), e que faz muita diferença, para quem quer "ganhar", ter ou não ter um Liedson. Mas, para isso, também há remédio...
Ler tudo»


ler tudo >>

Gil Vicente - Benfica: opinião

ver comentários...
- O caminho que o jogo tomou até ao empate final talvez não tenha sido o mais provável, mas, combinadas todas as incidências, o resultado não pode ser considerado uma surpresa. Porque o Benfica começou por tirar partido da eficácia, numa primeira parte onde não conseguiu, em boa verdade, uma superioridade condizente com as expectativas. E porque, depois, acabou por ser traído, precisamente, por um golpe de eficácia, numa segunda parte onde, finalmente, havia sido capaz de garantir, pelo menos, um forte domínio territorial.

- Na revisão que havia feito da pré temporada, destaquei o aspecto emocional e dificuldade que a equipa vem sentindo em ser consistente, mantendo-se à margem de sobressaltos inesperados. Ora, logo na primeira jornada, se constata a perda de 2 pontos quando já poucos esperariam. Talvez seja o lado ofensivo que mais mereça correcção no jogo, mas, se o Benfica sofreu 2 golos, eles surgiram de erros individuais evitáveis (Ruben no primeiro e, menos grave, Javi no segundo). Mais do que jogadores ou investimentos, seria fundamental que o Benfica corrigisse o problema da concentração competitiva e da consistência emocional, porque, sem isso, dificilmente atingirá os objectivos a que se propõe.


- No que respeita à história do jogo, houve, de facto, duas partes de tendências distintas. Na primeira, o jogo foi mais repartido, com o Benfica a ter muitas dificuldades em instalar-se no último terço. Para uma equipa como o Benfica, é fundamental conseguir que o adversário "encoste", porque a equipa pode, depois, exercer um domínio continuado, através da boa reacção à perda, que tem. Quantos golos vimos durante a "era Jesus" a partir de recuperações imediatas, no último terço? Como não conseguiu levar a melhor na luta das primeiras bolas, nem conseguiu uma boa resposta em construção, o Benfica teve de dividir o jogo, na primeira parte. A vantagem ao intervalo, ainda que por 1 golo, era já um excelente resultado face ao que se tinha passado até aí.

- Na segunda parte, foi diferente. Houve a troca de Aimar por Witsel, e a alteração de sistema, mas não creio que tenha sido esse o principal motivo da mudança. Parece-me que o Gil passou a ter mais problemas posicionais, baixando demasiado, ou tornando-se pouco compacto quando tentava subir a sua primeira linha de pressão. Resultado? O Benfica chegou com facilidade ao último terço, passou a dominar o jogo pela resposta em transição ataque-defesa, e o Gil deixou de chegar à frente, durante longos períodos, mesmo do meio campo. Ainda que essa superioridade fosse pouco efectiva em termos ofensivos, deve ser reforçado que, na fase em que aconteceu, o golo do Gil foi um acidente.

- Entrando nos aspectos tácticos, há apenas que realçar os problemas ofensivos, já que o Gil não conseguiu potenciar, de forma continuada, eventuais lacunas na resposta defensiva do Benfica. As suas 3 ocasiões resultam, 2 de erros individuais, e 1 de pontapé longo do guarda redes. No que respeita ao capítulo ofensivo, de facto, a produção do Benfica foi demasiado escassa para o que a equipa se deve exigir. Não em termos de posse e domínio territorial, mas em termos de proximidade real com o golo. Em particular, espanta a incapacidade da equipa no último quarto de hora, já depois do empate. Com pleno domínio, e perante um adversário claramente mais frágil, o Benfica não criou 1 única ocasião para regressar à vantagem. Aqui, nota para o facto de Jesus não ter alterado nada a partir do banco, quando lhe faltava 1 substituição. Irónico, se considerarmos o enfoque dado ao "maior número de soluções", no discurso do treinador.

- No que respeita à construção, voltou a notar-se, em especial na primeira parte, uma tendência para baixar Javi e organizar a partir dos centrais. De novo, e tal como venho salientando, a saída pelos corredores, através dos laterais foi a solução dominante, e previsível. Aqui, o principal ponto a notar vai para as características do flanco esquerdo. Emerson é um jogador claramente defensivo (e tem dado boa resposta, aí), havendo, por outro lado, um aproveitamento muito inferior das potencialidades de Nolito quando solicitado a partir do seu flanco, e não em diagonal (quer no espaço, quer no pé). Ora, isto facilita, por exemplo, a estratégia de qualquer equipa, sabendo que se condicionar a saída de jogo pela esquerda, poderá reduzir drasticamente o potencial ofensivo do Benfica. Cabe a Jesus trabalhar as alternativas de saída, através dos movimentos interiores dos alas e dos avançados, e não fazer depender tanto a saída, dos laterais.

- Individualmente, nota positiva para Saviola. Vinha alertando para a sua quebra de rendimento, mas em Barcelos voltou a estar influente ofensivamente, sendo mesmo o protagonista que mais problemas trouxe ao adversário, com a sua movimentação no espaço "entrelinhas". Relativamente ao ponto anterior, Saviola, pela sua qualidade de movimentos, pode ser uma parte importante da solução. Basta que todos queiram. De resto, destacaria aqueles que foram os "vilões" do jogo, Ruben e Javi. Estiveram negativamente ligados aos golos sofridos, mas tiveram um desempenho de muito bom nível, em praticamente todo o jogo.
Ler tudo»

ler tudo >>

13.8.11

Inicio de empates e a eficácia (Breves)

ver comentários...
Primeiro Benfica, depois Braga e, acabado há pouco, o Sporting. 3 empates, que deixam os favoritos insatisfeitos. Não estou a tentar "meter todos no mesmo saco", porque, realmente, merecem análises distintas. Distintas, mas que têm como denominador comum o factor mais difícil de trabalhar no futebol: a eficácia.

Voltarei ao tema (sobre Benfica e Sporting), possivelmente recuperando ideias recentemente debatidas. Para já, é impossível não deixar de pensar em quem sobra deste inesperado inicio de empatas. Será que, 1 ano depois, o Porto vai ganhar vantagem logo à primeira jornada? Em 24 horas saberemos...



... entretanto, a Selecção de sub20 acaba de se qualificar para as meias finais do Mundial. À minha nota de satisfação, acrescento outra, de surpresa...

Não que eu fizesse qualquer juízo da competência, ou valia, da equipa - fazê-lo, seria banalizar a minha opinião, já que não tenho acompanhado com rigor suficiente para tal. Mas, porque, de facto, tenho encontrado muitas criticas ao que se vai passando na Colômbia. Não posso, pela mesma falta de fundamentação, avaliar da justiça de tanto pessimismo, mas posso congratular-me por ele, seja porque motivo for, não se ter concretizado...

Uma pergunta para aqueles que se lembram do entusiasmo gerado, não só em 91, mas também de 89: que grau de entusiasmo gerará, hoje, uma eventual presença de Portugal na final?

ler tudo >>

12.8.11

Benfica 2011/12: balanço de pré época

ver comentários...
Chamo-lhe "balanço de pré época", mas, na verdade, a análise é centrada nos últimos 3 jogos, 2 deles já oficiais. O que pretendo, e tal como fiz para o Sporting, é fazer uma análise dos sinais que são dados nesta altura, e a poucas horas (mesmo poucas!) de se iniciar a prova mais importante do calendário competitivo.

Melhor ou pior? - Raramente vemos algum responsável dizer que a "equipa está mais fraca", assim de forma directa. Por aqui argumento que o "este ano estamos mais fortes" que, invariavelmente, ouvimos antes do arranque oficial de cada temporada, tem, na prática, um valor muito reduzido, para não dizer mesmo nulo. A pergunta é: está o Benfica realmente mais forte? Que tem "mais soluções", como tanto salienta Jesus, é inequívoco, mas, no futebol, só jogam 11 de cada vez, e também é verdade que, quando olhamos para o melhor 11 da época anterior, perdeu 3 unidades de que não abdicaria por motivos estritamente técnicos: Coentrão, David Luiz e Salvio. Mas, e porque o futebol não se resume a um simples contar de espingardas, há, a vários níveis, uma série de incógnitas sobre aspectos decisivos e que não têm a ver, apenas, com o potencial individual. De todo o modo, e basta recordar o sentimento global de há 1 ano (o Benfica era campeão e favorito à revalidação do título), para perceber que a expectativa de hoje, não é de uma época mais fácil do que a anterior. Ou seja, para ser mais bem sucedido, o Benfica terá de ser substancialmente mais competente, seja com que jogadores for.


Baliza, uma evolução valiosa - Escrevi-o na antevisão à sua contratação, e mantenho a ideia de que os problemas na baliza serão resolvidos com Artur. Mesmo com Eduardo, regressar-se-á, pelo menos, a um rendimento de mínima estabilidade. Este pormenor pode não ser irrelevante, se atentarmos ao impacto negativo que tiveram os desempenhos dos guarda redes encarnados na época anterior.

Sistema, haverá novidades? - Há, nesta altura, fortes indícios de uma tentativa de mudança de sistema base. Porque Jesus reconhece a necessidade de oferecer mais apoio posicional à zona do pivot, e porque, talvez mais relevante ainda, Witsel se revela como uma mais valia incontornável, tendo sido como médio que o treinador projectou a sua integração na equipa.
Já escrevi que o Benfica faria bem em ter um modelo base em que se sentisse seguro para todos os jogos e não, apenas, para os considerados mais acessíveis. Pode ser o 4-4-2, que Jesus tem ameaçado, pode ser uma variante mais próxima do 4-1-4-1, como pareceu tentar na recta final frente ao Arsenal, ou pode ser, mesmo, o 4-1-3-2, garantindo outro tipo de resposta em termos defensivos. Mas, e este é o ponto principal, não basta mudar, ou pensar que, mudando apenas a estrutura, se garante mais qualidade. Por exemplo, o 4-4-2 que Jesus vem tentando parece ter muitos mais problemas de resposta defensiva do que o 4-1-3-2 habitual. Mais sobre a minha visão sobre isto, adiante...

Problemas defensivos - Começando pelo 4-1-3-2 actual. Existe um problema base, que tem a ver com estrutura aberta dos alas, a liberdade do 10 e, consequentemente, a exposição do pivot. Este problema é, supostamente, contornado pela agressividade do pressing. Se a equipa for agressiva e reactiva a pressionar, seja em organização, seja em transição, o pivot não tem de ser exposto. Porque, se o adversário for condicionado na sua construção, a linha defensiva tem condições para subir, fechar o espaço e adoptar, ela própria, uma postura pressionante. O problema do Benfica é que a equipa tem perdido, progressivamente, reactividade e agressividade defensivas. Primeiro, pela saída de Di Maria e Ramires, e, depois, pela passividade crescente de Saviola e Cardozo, na primeira linha.
O 4-4-2, por outro lado, revela-se, a meu ver, ainda mais problemático, nesta altura. Os problemas já foram realçados no vídeo sobre o jogo com o Arsenal, e têm a ver com o comportamento do corredor central. A equipa pressiona em 3 linhas, não parecendo haver a melhor prioridade na acção de pressão, partindo cada linha para a pressão activa, sem cuidar, primeiro, da coerência posicional em relação ao sector que actua nas suas costas. O resultado, tem sido o espaço entre sectores que ditou, não apenas as jogadas já revistas contra o Arsenal, mas a construção da melhor ocasião que o Trabzonspor teve na Luz. Há, aqui, um jogador que ajuda a corrigir este problema, Aimar. Revela, não só uma agressividade e efectividade muito maior do que Saviola e Cardozo, mas revela, também, uma permanente preocupação com o espaço nas suas costas.
Outro problema defensivo, vem da época anterior, e tem origem no critério da equipa em posse. O Benfica acumulou muito mais perdas de risco do que Porto e Sporting na liga passada, e, embora não me pareça (sublinho, "pareça"!) que tenha sido, este devia ser um tema prioritário para esta época.

Comportamentos ofensivos - O primeiro ponto a explorar, é a tendência actual da equipa para colocar 3 jogadores na primeira linha de construção, com Javi a baixar para a zona dos centrais. Esta solução é identificada, por exemplo, no Barcelona e no Porto, mas tem, no Benfica, uma consequência completamente diferente. Enquanto que, nos exemplos referidos, a ideia passa por colocar os laterais em profundidade, fazendo os restantes jogadores criar linhas de passe interiores, no Benfica verifica-se, uma predominância da ligação central-lateral, para primeiro passe se saída. Não é exclusivo, já que se vê, também, movimentos interiores dos extremos (Gaitan e Perez, sobretudo), mas é normalmente o que sucede. Por exemplo, a influência de Aimar e Saviola tem sido menor em situações de ataque posicional.
A consequência, é uma convergência para espaços mais fechados e uma dependência da capacidade dos protagonistas para "forçar" a penetração. Aqui, surge a mais grave consequência da saída de Coentrão, para a efectividade das saídas pelo corredor esquerdo.
Pessoalmente, diria que o Benfica pode trabalhar melhor o papel dos centrais, tanto mais que Garay se tem revelado num reforço significativo para a capacidade de construção. Assim, poderia também potenciar os movimentos de Aimar e Saviola no corredor central. Mas, qualquer evolução depende, primeiro, da definição da estrutura base da equipa.

Instabilidade emocional - Se, para Domingos, destaquei a resposta das suas equipas em termos de estabilidade e resposta emocional, no caso de Jesus, esse será, provavelmente, o detalhe que mais condicionará o sucesso das suas equipas. Basta pensar que, numa época, protagonizou a pior entrada na Liga de que há memória, sofreu uma goleada histórica no Dragão e perdeu de forma impensável em Israel, ou comprometeu uma final de Taça, sofrendo 3 golos em 11 minutos, sendo que, ao mesmo tempo e na mesma época, esteve às portas de uma final europeia, e protagonizou a maior série de vitórias da história do clube. Tudo isto, podia até ser um atípico caso acidental, mas não depois de todos os indícios do passado (eu próprio já tinha escrito sobre esta característica, na época anterior).

Opções individuais - Começando por uma referência aos reforços, sou da opinião de que o Benfica deve estar satisfeito em termos e qualidade, sendo que investiu muito, quer em valor, quer em quantidade. A questão da quantidade, porém, pode trazer 2 tipos de problemas. O sub aproveitamento de algum potencial por explorar (não pode haver revelações, sem oportunidades), e uma eventual dificuldade de gerir expectativas do grupo, ao longo da época (já escrevi sobre isto, no "Letra1").
Nas laterais, Emerson tem revelado uma excelente resposta a nível defensivo, denotando, porém, o tal problema já referenciado da dificuldade em corresponder às exigências da equipa, em termos ofensivos. Do outro lado, Maxi volta a rivalizar com Amorim, sendo que o português revelou alguns problemas neste seu regresso.
No centro, se Garay confirmar o rendimento e solidez reveladas (não analisei previamente), será uma grande notícia, sendo que lhe falta maior identificação com o comportamento posicional da linha defensiva, relativamente ao fora de jogo. Por outro lado, Jardel parece-me uma alternativa aos titulares mais consistente do que era Sidnei, há um ano.
No meio campo, Witsel tem confirmado em absoluto a minha análise prévia, sendo apenas indefinido o seu papel na equipa, já que seria um desperdício não o aproveitar (acabou o jogo com o Arsenal a lateral direito?!). Entre as novidades há, ainda, Matic. Foi um jogador muito elogiado no inicio da pré época e que, com franqueza, não conheço ainda o suficiente para considerações muito convictas. Do que vi, parece-me um jogador com mais potencial do que Javi em todos os aspectos do jogo, mas que não tem, ainda, o critério correcto para a posição onde joga. Se o adquirir (e se confirmar o meu prognóstico), poderá, realmente, ser uma ameaça para o espanhol.
Nas alas, muitas soluções. Gaitan, parece ser um indiscutível, face à sua confiança crescente e, claro, ao seu potencial. De Gaitan, porém, já escrevi suficiente. Entre as restantes opções, Perez parece-me a mais consistente (reparem na quantidade de faltas que consegue ganhar, assemelhando-se muito a Figo, na forma como protege a bola dos adversários). Mais "consistente", mas não necessariamente a melhor. Nolito tem revelado uma enorme capacidade para ser decisivo e, se a continuar a confirmar, não há forma de o riscar das melhores soluções. Sobre o espanhol, de notar o desenvolvimento de um movimento, aproveitando o ângulo do seu pé preferencial (direito), para fazer passes de rotura, que tem criado problemas aos adversários. Se incluirmos, ainda, a possibilidade de Jesus utilizar apenas 1 destes jogadores, parece sobrar muito pouco espaço para projectar Bruno César, ou quem quer que seja.
Na frente, a dúvida sobre o papel de Aimar. Reafirmo que, defensivamente, deve estar na primeira linha e que não deve ser o elemento mais próximo do pivot. Pelo menos com que isso, actualmente, implica. Noutro sentido, e tal como já escrevi, entendo estar Saviola. Não precisa de marcar para ser determinante, porque tem a capacidade de criar imenso, talvez mais do que qualquer outro. Foi isso que se passou, por exemplo, em grande parte da época anterior. A partir de certa altura, porém, essa capacidade desequilibradora evaporou-se, assim como a sua agressividade sem bola. Será pelo facto da equipa incidir cada vez mais nos corredores laterais? Talvez. O que é certo, é que, e na minha avaliação, o seu rendimento actual está muito longe de fazer dele o indiscutível e a mais valia que já foi.
Finalmente, Cardozo. Vou contrariar o que escrevi durante algum tempo, no inicio da época passada, porque, realmente, tendo a ver as coisas de outra forma. Cardozo tem uma relação com o golo que mais nenhum jogador do plantel garante (nem é fácil ir ao mercado encontrar). Se essa característica potencia, a prazo, a efectividade da equipa, que contra argumentos se podem utilizar? O facto, ainda assim, é que Cardozo tem oscilações de rendimento enormes, parecendo ser vulnerável à motivação de cada jogo, e cada momento. Diria que, em vez de tentar arranjar uma alternativa a Cardozo, o mais importante mesmo seria potenciar Cardozo, motivando-o.
Ler tudo»

ler tudo >>

11.8.11

A ver os outros jogar...

ver comentários...
Não será fácil encontrar equipas que, durante a época, criem tantos problemas à organização defensiva dos "grandes" portugueses. Porque, infelizmente, não há por cá qualidade a esse nível. Sendo assim, aproveito os últimos raios de sol desta pré época para, no caso, chamar a atenção para os problemas que Malaga e Arsenal causaram à organização defensiva de Sporting e Benfica, respectivamente...

Malaga - Sporting - Foi o principal problema da equipa e, em nenhum como neste jogo, o Sporting sentiu tantas dificuldades em organização defensiva. O problema deriva, primeiro (e este é o ponto a destacar), da intencionalidade estratégica do Malaga para atrair os alas para o interior (sobretudo, Cazorla) e abrir espaços nos corredores para a entrada dos laterais. Chamo a atenção para o pormenor da estratégia "atracção no centro, liberdade nos corredores", porque, somos mais vezes confrontados com a intenção inversa, ou seja "atracção nos corredores laterais, liberdade ao centro". A meu ver, e este é um bom exemplo, é errado generalizar-se para o que é certo, ou não, fazer. Ou seja, o corredor central não tem de ser o "destino". O único "destino" no futebol, é a baliza.


Relativamente ao Sporting, não há, na minha análise, nada errado nos comportamentos posicionais colectivos. Há um encurtamento de espaços entre sectores e jogadores, e uma boa densidade do bloco. O que não há, porém, é capacidade agressiva no espaço. O Sporting cria zonas de pressão, mas o Malaga sai sucessivamente delas, em posse. Destaque, neste plano, para a linha média, que (sem Rinaudo) volta a denotar um mal da época anterior, e para Onyewu, que não consegue por várias vezes pressionar o avançado que recebe à sua frente. Porque não se joga alto apenas para aumentar a estatística dos fora de jogo. Joga-se alto para pressionar no espaço que se encurta, e esse é um papel muito importante dos centrais (veja-se Rodriguez, por exemplo).

Não conseguindo, mesmo sendo denso, ser agressivo no espaço, naturalmente que o Sporting sofreu as consequências do seu défice de presença nessa zona. Domingos corrigiu na segunda parte, com a colocação de mais 1 médio, e as coisas melhoraram (também porque entrou Rinaudo, assinale-se, que tem uma capacidade interventiva completamente diferente de Schaars ou André Santos)

Benfica - Arsenal - Dois casos que quero explorar, na primeira parte deste jogo...

Primeiro, sobre o comportamento defensivo do Benfica. Já havia alertado para o facto de o Benfica denotar alguns problemas de adaptação aos comportamentos posicionais, jogando com 2 médios, lado a lado. Aqui, e porque fica sempre um jogador do Arsenal livre no corredor central, pode-se levantar o problema da inferioridade numérica. Mas, se a referência principal é a zona, logicamente, nunca podemos começar por analisar a questão do ponto de vista da presença individual. E, olhando para o espaço, vemos que o Benfica (ao contrário do Sporting, no exemplo anterior) não dá prioridade à preservação dos espaços entre sectores no seu comportamento pressionante.
Ou seja, não me parece ser necessariamente inviável jogar com 2 médios na zona central, o que entendo é que, para tal, é preciso que a equipa garanta sempre boa proximidade entre sectores e que os jogadores (médios ou avançados) não saiam em movimentos pressionantes sem que o bloco esteja devidamente compacto. Primeiro, deve-se garantir a coerência colectiva e, só depois, pressionar. Mas não foi isso que aconteceu em alguns casos.

O outro pormenor não é tão relevante, mas é curiosa a diferença de atitude identificada em 2 casos, entre Garay e Luisão, relativamente à linha de fora de jogo. No primeiro caso, Garay opta por tentar controlar o movimento de Gervinho, não respeitando o posicionamento de Luisão, à sua frente. Na repetição, fica claro que o marfinense ficaria em fora de jogo, caso o central tivesse mantido a coerência da linha, por Emerson também o fez. No outro caso, minutos mais tarde, Luisão, perante uma situação de incerteza com o controlo de Van Persie, tem a opção inversa, ou seja, tenta preservar o posicionamento colectivo. O esforço de Luisão foi inglório e tardio (Amorim estaria a colocar em jogo Van Persie, de qualquer maneira), mas o ponto que quero focar vai para a diferença de comportamentos entre os dois jogadores, o que se explicará pela presença ainda recente de Garay, na Luz.
Ler tudo»

ler tudo >>

9.8.11

Sporting 2011/12: balanço de pré época

ver comentários...
Ponto prévio, incerteza: Qualquer projecção futura tem, por definição, uma incerteza inerente. Chegar a graus de probabilidade mais elevados é um desafio bem mais árduo do que a maioria das pessoas supõe, mas é esse o desafio que me interessa e aquele que justifica toda a dedicação que destino ao "tema futebol". O caso do Sporting 2011/12, e neste timing concreto, é especialmente interessante, porque pode-se fazer a análise de 2 perspectivas. Uma, mais pessimista, centrada em elementos de pré época e noutros problemas que, a meu ver, são evidentes. Outra, mais optimista, centrada essencialmente nas projecções que se podem fazer a partir dos trabalhos passados de Domingos. Por motivos que adiante explicarei, estou mais inclinado para a segunda, a mais optimista, arriscando numa melhoria substancial de rendimento face aos 2 anos anteriores. O grau de sucesso, não quero aqui precisar porque, em competição, nunca se depende apenas de si próprio. Ainda assim, e sem deixar de assumir as minhas leituras para critica futura, faço questão de começar por confessar alguma insegurança nos elementos que estou a utilizar.

Que sistema? - 4-1-3-2, 4-4-2, 4-2-3-1, 4-3-3... já se falou de tudo um pouco. A diferença, bem vistas as coisas, não é muita. Os princípios são os mesmos, e os comportamentos mudam, essencialmente, num jogador, aquele que joga mais próximo do avançado, podendo ser "mais avançado", ou "mais médio". Em relação ao 4-2-3-1 que se viu em Braga, há uma alteração comportamental no meio campo, perdendo-se a simetria e com um médio (Rinaudo) a assumir uma postura mais posicional. Depois, se o elemento de ligação com o avançado for assumidamente mais próximo deste (como frente à Juventus ou ao Valência), há uma distinção entre o seu papel e o do outro médio, que necessita de fazer a aproximação entre os avançados e o médio mais posicional. Este papel foi interpretado por Schaars. A partir da segunda parte do jogo com o Málaga, houve uma aposta numa estrutura comportamental mais próxima do 4-3-3, com o papel entre os 2 elementos ligação a ser mais simétrico, e com a presença junto do avançado, no pressing, a alternar em função do lado da bola. O papel dos alas no equilíbrio ao centro também fica afectado, já que há, por norma, mais presença, mas o comportamento global da equipa não se altera em nenhum momento. Ainda assim, creio que seria benéfico Domingos encontrar um sistema base, bem como os seus principais protagonistas. Aliás, creio ser essa a intenção do próprio. Arriscaria que, com Matias, o 4-3-3 ganhará maior probabilidade, mas sem o chileno (e sem Aguiar e Izmailov), essa hipótese pode estar mais condicionada.

Aspectos defensivos - Talvez possa ser estranho, mas sou da opinião que um dos aspectos positivos desta pré época, vai para o que se viu da linha defensiva. E, aqui, distingo aquilo que é o posicionamento em altura de 4 jogadores, do produto do sistema defensivo, como um todo. Houve coerência na posicionamento, com poucos exemplos de jogadores a ceder à tentação de desfazer a coerência da linha com acompanhamentos individuais, e com muitos fora de jogo a serem tirados, ao contrário do que aconteceu no ano passado, onde, perante o mesmo tipo de intenção, muito mais erros aconteciam.
Por outro lado, também não vi demasiado espaço entre centrais e laterais, ou mesmo entre sectores, como foi denunciado em diversas opiniões. Vi, isso sim, dificuldade da linha média em controlar o tempo de passe e em controlar zonas de pressão, de onde a bola não deve sair, uma vez entrada. Vi erros individuais em posse, que potenciaram transições muito complicadas de controlar. Vi jogadas estrategicamente trabalhadas para colocar a bola nas costas do lateral (mas raramente não entre este e o central). Vi, por fim, erros individuais em situações de bola parada, e más saídas pontuais dos médios (Rinaudo), na ânsia de corrigir o que a primeira linha do pressing não conseguiu neutralizar (mas não espaçamento estrutural entre sectores).
Várias coisas, portanto, mas não tudo, nem tudo o que se disse. Aqui, e para finalizar, reforço um problema que me parece essencial e que tem a ver com a agressividade da linha média e avançada no trabalho defensivo. Algo que me parece ter convergido para o reforço da linha média a partir da segunda parte do jogo com o Málaga.

Aspectos ofensivos - O que mais surpreende será, talvez, a pouca capacidade da equipa em situações de transição defesa-ataque. Não nas transições curtas, produto de recuperações altas do pressing, mas nas recuperações mais profundas, de onde a equipa raramente se desdobrou com qualidade. A surpresa tem a ver com aquilo que o Braga era capaz de fazer neste momento, e com a valorização estratégica que o próprio Domingos lhe dava.
Ao nível da organização e ataque posicional, também a maior presença de médios (4-3-3) pareceu fazer evoluir a equipa. Particularmente, no jogo com o Valência e primeira parte com o Málaga, a equipa teve muitas dificuldades em construir. O contra-exemplo mais representativo é mesmo a segunda parte frente ao Málaga, já que, quer Udinese, quer Juventus, não apostaram num condicionamento tão forte sobre a fase de construção.
A questão individual torna-se decisiva na melhoria da equipa em toda a sua vertente ofensiva. Os aspectos ofensivos devem ser potenciados em especificidade, partindo das características dos jogadores para as dinâmicas previstas. Aqui, em termos de potencial, parece-me que há um maior condicionalismo na saída em construção. Por um lado, porque se prevê um decréscimo de qualidade na capacidade dos centrais neste plano (será o ponto fraco de Rodriguez, e Onyewu é o mais limitado dos 4). Por outro, não se vê ainda uma grande capacidade na resposta às primeiras bolas aéreas, uma alternativa que o Braga explorava muito em jogos de maior grau de dificuldade.
Tal como referido acima,torna-se importante que Domingos encontre rapidamente a sua estrutura base, para poder evoluir em especificidade.

Competição, precisa-se! - Há um aspecto que não foi avaliado - nem podia - na pré época. Dois, na verdade, mas ambos têm a ver com a competição onde "ganhar" é o objectivo. O lado estratégico do jogo, e a resposta mental da equipa. Estas 2 vertentes foram, indiscutivelmente a grande força das equipas de Domingos, e a grande justificação para os resultados extraordinários que continuadamente o treinador vem conseguindo. Por exemplo - e isto não serve para extrapolações lineares - o Braga havia perdido os seus jogos de apresentação nas 2 épocas sob o comando de Domingos, tendo feito, depois, um arranque fulgurante na época oficial. Este é, já agora, o capítulo que justifica alguma perspectiva de uma época acima das expectativas, por parte dos Sportinguistas. Aliás, com Domingos, e até agora, foi sempre assim, "acima das expectativas"...

Lesões, uma preocupação - Se projectarmos um onze ideal, dentro das actuais soluções, dificilmente alguém excluirá Rodriguez, Matias e Izmailov. Ora, também dificilmente projectará uma época imaculada em termos de lesões para qualquer dos 3. Dito isto, e acrescentando o risco de outras unidades padecerem desse mesmo mal, é bastante provável que o Sporting 2011/12 seja (ou continue a ser) uma equipa com um departamento médico atarefado. Que consequências terá?

Opções individuais - Já várias vezes me expressei sobre algumas unidades, pelo que não quero cair na redundância, neste texto. Exploro, ainda assim, alguns casos.
Primeiro, os centrais. Especula-se sobre a hipótese de o Sporting procurar outro jogador para esta posição. Sendo ou não verdade, entendo que será prudente fazê-lo. Porque Rodriguez, um titular previsível, tem o tal problema do histórico de lesões, e porque Onyewu também o tem, não sendo, por outro lado, uma opção muito credível, a meu ver. E fundamento-me em 2 aspectos principais para a critica ao americano: capacidade em posse (não o critério, mas a falta de capacidade de arrojo mínimo, que se tornará um "alvo" óbvio para qualquer adversário), e capacidade de resposta em zonas onde é necessário antecipar e reagir (jogando alto e de forma mais pressionante). Ou seja, seria, a meu ver, mesmo aconselhável ter outra solução...
No meio campo, o tal problema da falta de reactividade, onde se exclui o caso do incrível Rinaudo. Aqui, destaco as dificuldades, mais previsíveis, de Schaars e André Martins, e mais surpreendente (ainda que reincidente), de André Santos. Creio que nestas contas pode entrar Izmailov, um acréscimo de valor e bom complemento para Rinaudo. Melhor do que Schaars, parece-me, ainda que holandês seja também um bom valor.
Mais à frente, creio que, seja qual for o sistema, Domingos apostará entre Matias, André Martins , Aguiar ou Postiga, sendo Izmailov outra possibilidade eventual. Com Postiga, dificilmente a opção passará por um 4-3-3, ficando, nessa hipótese, a solução muito dependente da disponibilidade de Matias ou Izmailov, já que não entendo haver grande mais valia em Aguiar ou (para já) André Martins.
Nas alas, a boa notícia é a capacidade de trabalho de todas as opções, algo fundamental para quem quer manter-se alto e agressivo no jogo. Djalo é o caso mais forte neste plano, e aquele que garante um estilo diferente dos outros. Mais incisivo e forte em zonas de finalização, e menos fiável em posse. Dos outros, o tempo para opiniões muito vincadas ainda é curto. Jeffren parece poder acrescentar algo em termos de 1x1, algo em que o plantel se encontrava carente. Ele, e Carrillo, uma das surpresas da pré época. Carrillo será, até, o que mais mostrou dos novos extremos, mas fica-me a dúvida sobre a sua resposta no último terço, em termos de definição. Um extremo não pode precisar de 2 "toques" entre si e o golo. Falta ver mais, para estes e para Capel.
Finalmente, na frente. Sobre Postiga, estamos conversados. Podia trazer mais análises de desempenho passado, mas parece-me tão trivial o ponto sobre a improbabilidade do seu rendimento como principal finalizador, que me vou dispensar desse trabalho. Wolfswinkel é a aposta óbvia. Afinal, quem dá 5 milhões não abdica da aposta por 1 pré época. Compreendo a coerência dessa medida, mas, na leitura que já havia deixado, o holandês dificilmente será um finalizador muito eficaz (ainda que valha mais do que o que mostrou). Tinha tudo para ser um problema, não fosse... Rubio. A sensação da pré época pode ser uma das melhores aquisições dos últimos anos. Tem óptima abordagem à zona de finalização, mas foi também o que melhor resposta deu em termos de agressividade defensiva e jogo aéreo (primeiras bolas), não ficando a perder em termos de jogo de apoio, pelo menos face ao que os outros mostraram. Já havia deixado as minhas suspeitas, e, tudo somado, dificilmente a pré época terá sido um engano. A idade e o estatuto? Pois claro, esses serão os seus obstáculos para uma aposta séria e no imediato. Porque mais nada o justifica. Resta Bojinov, que deu muito boa resposta frente à Juventus, jogando de costas para a baliza. Na minha leitura, será entre Rubio e o búlgaro...
Ler tudo»

ler tudo >>

AddThis