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29.9.10
Braga e as dores de crescimento (Breves)
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21.5.09
A qualidade individual do Shakhtar, no último capítulo da Taça Uefa...
Confirmando as suspeitas de um feito ucraniano na despedida da Taça Uefa, o Shakhar levou a melhor na final de Istambul. Acabou por ser um triunfo normal, da melhor equipa na partida, perante um Bremen notoriamente carente da influencia de Diego no processo ofensivo. Para mim, para além da maior qualidade individual do Shakhtar, o ponto decisivo nesta final esteve na forma como os ucranianos não caíram no erro de pressionar cegamente, como acontecia no inicio de temporada. Em vez disso, a equipa procurou sempre reorganizar-se posicionalmente antes de pressionar e isso acabou por retirar mais espaço ao Bremen que não teve grandes hipóteses de se lançar em ataques rápidos. Sem Diego, a capacidade criativa dos alemães fica francamente limitada e por isso, sentiram tantas dificuldades. A hipótese seria tentar solicitar Pizarro e Rosenberg mais directamente na zona central, onde claramente ganhavam vantagem sobre uma defesa ucraniana que tem muitas dificuldades em se impor. Isso não foi feito e, por isso, as ocasiões de golo ficaram muito limitadas às situações de bola parada. Na verdade, o jogo até nem correu mal aos alemães. O Shakhtar é uma equipa que, apesar da qualidade dos seus jogadores, exagera no principio do alargamento do campo ofensivo, mantendo muitas vezes os jogadores demasiado distantes uns dos outros e não promovendo zonas onde tenta criar combinações em apoio. Por isso, o Shakhtar torna-se particularmente forte a actuar em transição, onde coloca muita gente a aparecer rapidamente no ataque e, claro, encontra mais espaço. Para que pudesse jogar assim, era fundamental estar a ganhar, e não é por acaso que as suas melhores ocasiões aconteceram após os golos que marcou. Estou convencido de que se Naldo não tivesse restabelecido tão rapidamente o empate, o jogo se teria aberto muito mais, com benefício para o lado ucraniano. Os golos 1-0 (Luiz Adriano): O passe não intencional e a zona central da defesa é surpreendida. Há um grande mérito de Luiz Adriano na rapidez com que reage e roda em direcção à baliza (para além da classe com que finaliza, claro) e não se pode falar em lentidão de Naldo, que é um central rápido. O problema esteve no desleixo dos centrais em relação à presença do avançado entre os 2. Para mim, é também um exemplo claro como as referências individuais são fundamentais para quem joga mais perto da baliza. 2-1 (Jadson): Um dos principios que se viu muito no jogo foi a preocupação de variar o flanco por parte do Shakhtar. Várias vezes isso aconteceu, mas raramente as situções ofensivas tiveram sequência porque quem recebia estava sempre desapoiado. Esta situação resulta de mais uma variação de flanco e a diferença está na inteligência de Srna (um dos melhores laterais direitos do futebol europeu, na minha opinião). O croata levanta a cabeça e percebe que Jadson surge numa linha atrás dos defesas, cruzando para esse espaço. O Bremen tem 4 jogadores em linha para 3 do Shakhtar. O problema, mais uma vez, foi a perda da referência individual, com Jadson a ficar livre.
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8.5.09
Taça Uefa: Definidos os finalistas e... a ausência de Diego!
A coisa não foi fácil, mas acabou por confirmar-se o meu palpite inicial. Shakhtar e Bremen vão disputar a final de Istambul.
Num caso, o do Shakhtar, creio que o factor casa terá sido fundamental. Conseguido o empate fora, o Shakhtar fez valer a sua força em casa numa eliminatória que não surpreendeu em relação ao conhecimento que tinha das 2 equipas. O Shakhtar tem uma qualidade individual enorme e que passa despercebida à maioria dos adeptos europeus, mas não tem uma grande organização. Pelo contrário, o Dinamo, não tendo tão bons recursos individuais, ganha vantagem em termos de organização colectiva.
No que respeita à outra meia final, creio que acabou por falar mais alto o desgaste que a sobrecarga de jogos decisivos teve nesta equipa do Hamburgo. Este era, aliás, o motivo pelo qual me pareceu que o Bremen fosse mais capaz de estar na final. Nota óbvia para a ausência da grande figura da Taça Uefa 08/09, Diego. É um condicionalismo grande para o Bremen numa final que não contará também com Hugo Almeida depois de uma infantilidade incrível quando a equipa tinha o apuramento praticamente garantido...
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17.4.09
Taça Uefa - O fantástico 3-3 e as meias finais
Já tinha confessado também algum desapontamento pela performance da Udinese na primeira mão da eliminatória, sobretudo no que respeita à eficácia. Os italianos acabaram por pagar cara essa factura e nem o bom esforço protagonizado no segundo jogo valeu para compensar a desvantagem trazida da Alemanha. Este foi, de resto, um jogo altamente emocionante com menos golos mas com bem oportunidades do que o tão elogiado 4-4 de Terça Feira. Na Udinese, na ausência de Di Natale, destacou-se o espectacular Quagliarella, num jogo que teve apenas o esboço de um promissor e talentoso Alexis Sanchez. No Bremen, fantástico Diego que, exagerando, pode dizer-se que qualificou sozinho a sua equipa. De resto, os alemães confirmaram a sua assumida vocação ofensiva, bem expressa no contraste entre a incapacidade para controlar minimamente o adversário e o notório poderio no último terço, responsável por 6 golos em 2 jogos. Terá sido seguramente um dos jogos do ano nas competições europeias.
Meias finais
Os duelos podem favorecer Bremen e Dinamo. A razão para isto é a menor preocupação com as competições domésticas, já que ambas as equipas têm a sua classificação praticamente definida. Ao contrário, Hamburgo está envolvido na acesa luta pelo título e acesso directo à Champions, ao passo que o Shakhtar, fruto de uma péssima campanha interna, ainda terá de garantir o segundo lugar. Ainda assim, se pedirem um prognóstico, arriscaria Bremen e Shakhtar na final, com uma meia final com muitos golos entre os alemães.
Uma coisa é certa, a Taça Uefa pode não ser a competição mais mediática pelo afastamento dos grandes emblemas europeus, mas é uma competição extremamente interessante, com o equilíbrio e imprevisibilidade a serem muito mais vincados do que na Champions.
Dinamo Kiev 3-0 PSG
Marselha 1-2 Shakhtar
Man City 2-1 Hamburgo
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10.4.09
Taça Uefa: Notas da 1ª mão dos quartos
PSG - Dínamo Kiev – No outro jogo entre ucranianos e franceses, também um bom resultado para o Dínamo em Paris embora o nulo possa, como já se provou, ser um presente envenenado para a segunda mão. Este novo nulo caseiro do PSG traz à memória a caminhada do Rangers no ano anterior, tirando partido da ansiedade do adversário com o passar do tempo na segunda mão. Qualquer semelhança entre esse Rangers e este PSG é, no entanto, pouco mais do que coincidência. Ainda assim, novo favoritismo Ucraniano para esta eliminatória, pelos mesmos motivos que enunciei para o Shakhtar – Marselha.
Werder Bremen 3-1 Udinese – Dois resultados idênticos para os alemães ainda em prova. Mais surpreendente para mim o do Bremen, devido à boa qualidade da Udinese que tinha tudo para marcar mais golos nesta primeira mão. A Udinese é a última esperança do futebol Italiano para ter 1 equipa nos últimos 8 das provas europeias e é também uma desilusão da Serie A, apesar da qualidade que se lhe reconhece. A eliminatória não está terminada e vai haver uma reacção forte em Udine seguramente, mas aqueles 2 golos consecutivos (o de Diego vale a pena ver) e as oportunidades desperdiçadas por Quagliarella poderão ter sido decisivos.
Hamburgo 3-1 Man City – Em Hamburgo, o jogo começou com uma fantástica combinação entre Ireland e Robinho (notável controlo e definição da jogada), mas seria muito dificil o City escapar de uma derrota neste jogo. O Hamburgo será provavelmente o mais sério candidato à bundesliga e terá tido no Galatasaray um opositor bem mais difícil do que o City. A equipa inglesa não tem no colectivo a mesma qualidade individual e, sobretudo, está muito mais concentrada na sua prestação interna. A sua falta de consistência foi “denunciada” na segunda mão frente ao Alborg. Em casa tudo é ainda possível, mas prevejo que Olic (grande jogo!) e Guerrero possam ser suficientes para marcar golos decisivos na segunda mão.
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8.11.08
Jogadas da Champions
O golo do Dínamo, que deu, na altura, ao jogo um sabor de injustiça após uma boa entrada portista resulta de um posicionamento deficiente na zona mais recuada portista. Rolando começa por sair da sua zona para disputar um lance aéreo com Milevsky, mantendo-se adiantado em relação à linha mais recuada. Neste tipo de situações são os laterais que têm responsabilidade de se juntar ao central que sobra para fechar a zona central. Foi o que fez, inicialmente, Sapunaru.
O problema surge depois. Se é verdade que Rolando perde o controlo da zona (e de Milevky), o erro maior é de Sapunaru que, incompreensivelmente abriu o seu posicionamento sobre a direita. A perda de controlo desse espaço e de Milevsky acaba por deixar Bruno Alves entre dois jogadores, mal a bola é passada verticalmente. A combinação e definição são obviamente excelentes não dando tempo para que o erro fosse corrigido, mas tal só foi possível pelo lapso posicional que se verificou momentaneamente.
As opções de Hulk
Num curto espaço de tempo, duas transições semelhantes, dois destinos diferentes. O deslumbramento ucraniano levou a uma postura kamikaze no final do jogo e o Porto tirou frutos, explorando o espaço em transição. Primeiro em mais uma prova que a utilidade de Lucho não se resumo aos momentos com bola – inteligentíssimo a pressionar no momento certo e a lançar Hulk em transição. Com a defesa do Dínamo em recuperação, Hulk tinha várias opções mas, como noutros casos, optou pela que menos se aconselharia, forçando um despique individual pelo centro e afunilando a jogada, em vez de a abrir rapidamente em Lisandro. O resultado foi, obviamente, a perda de bola.
2 minutos depois tudo começa num alivio que cai nos pés de Lisandro. De novo a defesa do Dínamo em recuperação do espaço que deixou de controlar, de novo a bola é colocada em Hulk. Agora, no entanto, a opção foi outra. 1 toque, bola no espaço para Lisandro e... golo de Lucho!
De novo o pressing
Depois do Rio Ave, o Sporting esteve perto de matar o jogo em mais um roubo de bola frente ao Shakhtar. Mais uma vez, há o demérito de um jogador adversário mas, mais uma vez também, tal só sucede porque o pressing do Sporting potenciou a situação.
O mérito do pressing começa num alívio do Shakhtar. A segunda bola não é ganha, mas nem por isso totalmente perdida. Uma pressão imediata retira possibilidade a Willian de progredir e obriga a um passe para o seu guarda redes, permitindo ao Sporting subir de novo as suas linhas e iniciar o pressing mais à frente. Foi isso que aconteceu. Fernandinho – talvez pela urgência provoca pelo tempo e resultado – procurou a todo custo um passe em progressão, mas a linha de passe não surgiu porque o Sporting cortou todas. O jogador hesitou, perdeu o tempo de decisão e também a bola, roubada por Izmailov. Do lance só não surgiu o segundo golo porque a definição de Moutinho não foi a mais adequada para a superioridade numérica existente.
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5.11.08
Sporting - Shakhtar - Maturidade
Controlo imperfeito – Foi evidente para todos que o controlo que o Sporting pretendia ter no jogo não foi sempre bem conseguido. O Sporting teve períodos em que conseguiu jogar menos do que seria desejável, sendo empurrado para zonas demasiado próximas da baliza de Patrício. Vejo, para explicar esta constatação, uma parte de mérito do Shakhtar e outra de demérito leonino. O mérito do Shakhtar pela tal dificuldade que cria sempre que chega com a bola à sua zona ofensiva. Não é um jogo colectivamente brilhante mas conta com bons jogadores e, sobretudo, coloca muita gente no último terço de campo, tornando-se difícil de controlar. Outro aspecto tem a ver com a pressão. O Shakhtar faz uma pressão alta e agressiva que tem referências sobretudo individuais mas que cria dificuldades à construção adversária. Esta pressão tem outro efeito, o desgaste. Não é por acaso que o Sporting se apresentou melhor nos últimos 20 minutos do jogo, onde foi notória a incapacidade de alguns jogadores laranja em readaptar tão rapidamente o seu posicionamento no jogo. Do lado do Sporting, a principal critica vai para as perdas de bola que, embora potenciadas pela pressão do Shakhtar, contaram também com uma boa dose de precipitação. Este foi um aspecto que já havia sido decisivo na última derrota frente ao Porto e que, tal como nessa partida, se foi dissipando com o tempo.
Ponto de situação – Tinha falado aqui da evidência do crescimento defensivo do jogo do Sporting e da importância deste aspecto no sucesso do modelo de Paulo Bento. Essa ideia, apesar das dificuldades acima referidas, voltou a sentir-se, destacando na defesa do Sporting o excelente jogo posicional (apesar de alguns erros e limitações noutros aspectos) de Caneira, Polga e Grimi. Em 13 jogos oficiais nesta época, o Sporting conseguiu manter as suas redes invioláveis por 9 vezes, o que é notável. Se a equipa conseguir crescer no tal segundo momento ofensivo – tal como referi após o jogo do Rio Ave – tornar-se-á muito difícil de parar, sobretudo, obviamente, a nível interno.
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23.10.08
Shakhtar - Sporting: Maturidade e felicidade
Shakhtar – Tal como ontem o referi sobre o Dinamo, repito-o para este Shakhtar. Para se analisar a exibição do Sporting tem de se compreender primeiro o que fez este Shakhtar. Ao contrário dos seus rivais internos, o Shakhtar é uma equipa que não é bem organizada, não defende bem e é susceptível ao erro. No entanto, e tal como descrevi anteriormente, o Shakhtar procura um futebol baseado num forte pressing (mesmo que não muito bem organizado) e numa atitude muito ofensiva quando ganha a bola, nomeadamente pela forma como adianta os seus laterais e como mantém sempre a intenção de atacar a profundidade em transição. A isto há que juntar a intenção de Lucescu em recorrer a um jogo mais directo, juntando Brandão a Moreno na frente, em vez de manter o 4-2-3-1 que vinha sendo utilizado na Champions. Todas estas características condicionaram a qualidade do jogo (particularmente no primeiro tempo) e a própria postura do Sporting, claramente pouco habituado a este perfil de jogo. Curiosamente, o Shakhtar foi mais perigoso no inicio do segundo tempo, quando passou a apostar mais numa lateralização do seu jogo, em vez da tal abordagem mais directa aos avançados.
As dificuldades – Na análise individual aos jogadores do Sporting, facilmente se encontrarão melhores notas dadas aos centrais, em contra ponto com os médios. Esta constatação resulta das próprias características do jogo que teve um grande espaço entre sectores, provocando maior desgaste aos médios e dificultando a sua tarefa em controlar o jogo. Por outro lado, o jogo directo do Shakhtar solicitou muito mais a intervenção dos centrais, com a bola a ser directamente jogada para a sua zona de acção e saltando o meio campo. Este foi o perfil de jogo procurado pelo Shakhtar e que, mesmo se não trouxe grande qualidade, perturbou a estratégia do Sporting. Mas porque é que o Sporting o permitiu? A meu ver a resposta prende-se com algum receio no posicionamento da sua linha mais recuada. Com os avançados a pressionar mais alto era necessário que a linha defensiva do Sporting se mantivesse alta. Ora, com os avançados do Shakhtar a ameaçar a profundidade, parece-me que os defesas do Sporting não tiveram confiança suficiente para encurtar o campo, recuando e abrindo o tal fosso no meio campo. Aqui é importante referir alguma pouca capacidade de recuperação de alguns jogadores que não se sentem tão confortáveis em jogar alto – Polga será o caso mais evidente.
Mas também com bola o Sporting não esteve tão bem como certamente Paulo Bento pretenderia. Primeiro há que falar no pressing do Shakhtar, sempre muito intenso sobre o jogador que recebia a bola. Depois, importa falar de alguma falta de discernimento na decisão de passe dos jogadores do Sporting. Na primeira fase de construção, nem sempre a decisão privilegiou uma saída em maior segurança, o que era importante para manter melhor controlo sobre os ritmos do jogo – as melhores fases neste capítulo foram os últimos 15 minutos de cada parte. Na segundo momento, raramente se viram as jogadas de envolvência que a equipa normalmente utiliza para chegar com perigo à área contrária. Aqui terá havido uma menor concentração (e, porque não dize-lo, tranquilidade) do que seria desejável.
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21.10.08
Shakhtar Donetsk: Crise e qualidade
Campeão por 3 vezes nos últimos 4 anos, esta é a grande potência do futebol recente na Ucrânia. O Shakhtar vive, no entanto, a seu momento mais débil dos últimos 10 anos com um inicio de época horrível (está em 8º a 13 pontos do Dinamo Kiev) e inexplicável para o valor individual do plantel. Esta crise de resultados tornou claro que o reinado de Mircea Lucescu está a chegar ao fim, estando anunciado o seu abandono assim que a equipa saia da Champions League. A crise do Shakhtar deve, no entanto, ser olhada com alguma desconfiança. Por dois motivos essenciais. Primeiro porque por detrás deste insucesso recente não está nenhuma perda de qualidade individual da equipa. Pelo contrário, o Shakhtar continua a reforçar-se com os milhões do seu dono, o magnata Rinat Akhmetov, tendo um plante de luxo, com uma aposta particularmente direccionada para o mercado brasileiro de onde importa qualidade e potencial, proporcionando um “salto” que desvia muitos jogadores de grande qualidade de uma rota mais mediática. O segundo motivo é a própria prestação europeia. Ao contrário do seu passado recente, onde os falhanços externos contrastaram com as conquistas internas, este ano o Shakhtar tem estado bastante bem na Europa, vencendo e dominando o jogo com o Basileia e ficando a poucos minutos de conseguir uma vitória com o Barcelona.
Em termos de jogo, destaque para o contraste entre a qualidade individual e alguma anarquia colectiva, o que explica o mau inicio de temporada. Outra nota vai para a facilidade com que Lucescu altera o sistema – contra o Sporting e com as ausências de Luiz Adriano e Ilsinho é ainda incerto se Lucescu irá ou não alterar este 4-2-3-1.
Sistema táctico e opções
Em termos de sistema táctico, a novidade de Lucescu para esta temporada foi o 4-2-3-1, depois de nos últimos anos ter adoptado sistemas com 2 avançados (a diferença está no posicionamento de Brandão que passou a jogar sobre a esquerda em vez de estar fixo como avançado). A verdade é que Lucescu tem experimentado outros sistemas nos últimos jogos e frente ao Sporting poderá apresentar novidades como forma de contornar as ausências de Luiz Adriano e Ilsinho. Um 4-4-2 ou mesmo um 3-5-2, com Srna a médio, são as hipóteses.
Em termos de individualidades há um leque impressionante, com jogadores muito cotados (e caros) a nem sequer entrar nos eleitos de Lucescu para a maioria dos jogos – casos de Willian (ex-Corinthians) e Marcelo Moreno (ex-Cruzeiro).
Na baliza, o titular é o internacional Andriy Pyatov (24 anos).
Na defesa, Darijo Srna, o capitão, joga na lateral direita (mas poderá subir no terreno com a lesão de Ilsinho), Shevchuk (29 anos) na esquerda e Chyhrynskyi (21 anos) e Ischenko (25 anos) formam a dupla de centrais. Entre as alternativas destaque para o internacional ucraniano Kucher para o centro e o internacional romeno Rat para a esquerda.
No meio campo, o checo Tomas Hubschman (27 anos) tem sido a revelação aparecendo numa posição diferente da que ocupava anteriormente (central) ao lado de Fernandinho (23 anos). Para este sector há ainda as alternativas do internacional polaco Mariusz Lewandowski (29 anos) ou do sérvio Igor Duljaj (28 anos). Mais à frente Ilsinho (22 anos) , Jadson (24 anos) e Brandão (28 anos) têm sido os mais utilizados. Aqui, Fernandinho pode actuar no lugar de Jadson e há ainda que contar com Willian (20 anos) recentemente contratado ao Corinthians.
Na frente o lugar tem sido de Luiz Adriano (21 anos) mas a sua lesão abre a oportunidade para os cotados Oleks Gladky (21 anos) – melhor marcador da liga ucraniana em 2007 – e Seleznyov (23 anos). Sem tantas oportunidades está para já o boliviano Marcelo Moreno (21 anos). A expectativa criada em seu redor, no entanto, deixa antever futuras oportunidades.
Como defende?
É provável que a estratégia do Shakhtar passe por uma postura muito pressionante e perturbadora para a construção adversária, tentando forçar o erro para sair depois em transições perigosas. Esta pressão tem duas faces. A primeira é a tal dificuldade que cria à construção adversária, a segunda é exposição que provoca na sua zona mais recuada, visto ser uma pressão feita com referências individuais e com muito pouco controlo posicional. Neste Shakhtar há igualmente algum excessivo adiantamento dos laterais – muitas vezes em simultâneo – o que expõe a equipa em transição.
Claramente, se for evitada a tal pressão do Shakhtar há muito por onde aproveitar uma evidente desorganização defensiva dos ucranianos...
Como ataca?
Com bola esta equipa não é uma equipa previsível, podendo optar por um jogo mais directo , tirando partido da estatura dos seus dianteiros (nota para Brandão), ou por um jogo mais apoiado, onde conta com a integração dos laterais e com uma grande mobilidade e qualidade dos médios. Há, no entanto, nestes movimentos ofensivos um excesso de dependência das qualidades individuais e uma menor qualidade das rotinas colectivas – nota para a pouca mobilidade dos avançados em ataque organizado, dando-se muito à marcação. Saliência, para além dos criativos brasileiros, para Chyhrynskyi, um central com grande vocação para ser preponderante na organização ofensiva, particularmente nos lançamentos longos.
A qualidade individual dos jogadores do Shakhtar por contraponto com alguma menor capacidade colectiva, faz com que seja em transição que esta equipa seja mais perigosa, precisamente por usufruir de mais espaço. Outro aspecto a ter em conta é a facilidade com que os médios recorrem à meia distância.
Treinador
Mircea Lucescu (63 anos) – Este veterano romeno está a chegar ao final da sua passagem pelo Shakhtar, iniciada em 2004. Lucescu ficará sempre ligado ao sucesso interno a que conseguiu ligar o Shakhtar, mas tem como grande falhanço as repetidas prestações europeias, aquém do que era pretendido com tanto investimento.
5 estrelas
Darijo Srna (defesa direito, 26 anos) – Quem o vê jogar percebe facilmente o talento que está escondido na Ucrania. Srna é daqueles que poderia jogar em qualquer liga do mundo e, provavelmente, em qualquer clube. Este croata faz de médio na selecção, mas Lucescu tem-no visto quase sempre como lateral, dando-lhe no entanto grande vocação ofensiva.
Dmytro Chyhrynskyi (defesa central, 21 anos) – Destacou-se no Euro sub 21 de 2006 e é hoje uma figura emergente no Shakhtar e na selecção ucraniana. Alto e forte fisicamente é vitima de uma defensiva muitas vezes desorganizada e errática, mas destaca-se quando a equipa ganha a bola, assumindo um papel interventivo na construção.
Fernandinho (médio centro, 23 anos) – Já está no Shakhtar desde 2005 e a Europa pouco conhece deste jogador de grande qualidade. Pode jogar mais recuado ou como 10 e destaca-se pela sobriedade e competência com que se apresenta, tanto a atacar como a defender. Há que realçar, claro, a capacidade goleadora deste médio aparentemente discreto. Um pé direito “bomba” e uma boa capacidade aérea nos lances de bola parada explicam um número considerável de golos. Foi o melhor jogador da liga ucraniana do ano passado.
Jadson (médio centro, 24 anos) – Baixo e muito forte tecnicamente é o coordenador ofensivo da equipa. Tem um pé direito muito preciso e isso faz com que a equipa o procure com bola, sendo ele também o marcador de livres e cantos do Shakhtar.
Brandão (médio ofensivo, 27 anos) – Já está no Shakhtar desde 2002. Apesar de vir jogando adaptado sobre a esquerda, Brandão é claramente um avançado, juntando-se ao centro do ataque sempre que a equipa ganha a bola. Tem uma amplitude de virtudes que fazem dele um jogador forte para diversas soluções. Nesta equipa do Shakhtar, no entanto, torna-se particularmente mais notado quando a equipa recorre a uma abordagem mais directa ao jogo.
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29.8.08
Sortes Champions
Arsenal – não me parece tão positivo quanto, por exemplo, Lyon ou mesmo o Liverpool (mais propenso a tropeções na fase de grupos), entre os “tubarões” do pote 1 será um adversário que não fecha completamente a hipótese de discutir o primeiro lugar. Um dado importante e positivo neste sorteio é a repetição do Porto – Arsenal a fechar o grupo, tal como há 2 épocas. Se os Gunners fizerem o seu papel, deverão chegar a esse momento qualificados e essa pode ser uma vantagem decisiva no caso do Porto precisar do resultado.
Fenerbahce – Os turcos não têm sido clientes muito regulares de um Porto que já experimentou quase tudo nos últimos anos da Champions. Teme-se o seu factor casa, pelas viagens e pelo ambiente mas a experiência do Besiktas retira algum do pessimismo em relação a esses condicionalismos. Este Fenerbahce é, no entanto, diferente do seu rival. Em termos de individualidades é uma equipa com outra experiência e potencial. Muitos internacionais turcos como o guarda redes Volkan Demirel, Kazim Kazim, Boral, Emre (contratado ao Newcastle) e Senturk, a que se junta uma lista de notáveis injecções de qualidade vindas do estrangeiro: Lugano, Roberto Carlos, Edu Dracena, Alex, Deivid, Guiza (ex-Maiorca), Maldonado (ex-Santos) e Josico (ex-Villareal). No que respeita a individualidades nota ainda para a perda de Kezman e, mais importante, Mehmet Aurelio.
Há outro nome que naturalmente importa referir no Fenerbahce e que impossibilita fazer uma grande previsão sobre o real valor desta equipa em 08/09:Luis Aragonês. A chegada do treinador campeão europeu em título significa um corte com o que Zico vinha fazendo e, forçosamente, alguma incerteza em torno desta equipa. Para já a derrota por 1-0 na primeira jornada do campeonato pode ser um bom indicio para os portistas que, jogando com os turcos logo a abrir, podem tirar partido deste aparente arranque menos fulgurante de Aragonês.
Dinamo Kiev – A prestação do ano passado pode ser muito enganadora. Este Dinamo entrou muito forte nesta temporada prometendo um cenário diferente daquele vivido em 07/08. Uma equipa que tem nos avançados Milevsky e Bangoura as principais figuras tem em Yuri Semin um treinador que parece ter reencontrado o caminho do sucesso após a sua chegada no final de 2007. A equipa não lidera a prova doméstica, tendo já perdido um e empatado outro jogo, mas leva já 7 pontos de avanço sobre o campeão e habitual rival Shaktar. Outro indicio da capacidade deste Dinamo é a forma dominadora como afastou o Spartak de Moscovo, com vitórias em ambos os jogos.
Por tudo isto, a duplo embate com os ucranianos na viragem de Outubro para Novembro será, seguramente, decisivo para ambos os emblemas num grupo cujo equilíbrio exigirá ao Porto algum cuidado.
Grupo Sporting – Oportunidade histórica para a qualificação
Barcelona – Será mais um gigante que o Sporting terá a honra de defrontar nesta sua terceira presença consecutiva na Liga Milionária. Um Barça novo, sem Ronaldinho nem Deco mas com Messi e um enorme talento. Futebol ofensivo, com muita qualidade e posse de bola e... um apuramento quase certo. Jogar no Camp Nau a abrir não será o mais favorável dos sorteios já que a derrota é o mais provável dos desfechos e um atraso pontual pode aumentar a pressão sobre os “leões” que, desta vez, não pensarão em “segundos objectivos”.
Basiléia – Era, entre os possíveis adversários do pote 3, um dos mais acessíveis e, claro, também mais conhecidos. Cabe agora ao Sporting cumprir o seu papel. Para começar é imperial vencer em Alvalade à segunda jornada e, depois, a necessidade de vencer, ou não, em Basiléia será bem clara já que esse será o derradeiro embate nesta fase de grupos. 6 pontos são, evidentemente, possíveis.
Shakhtar – Ao contrário do Dinamo, o Shaktar aparece em fase descendente nesta temporada. A qualidade está lá, com nomes como Jádson, Djuliaj, Fernandinho, Brandão, Luiz Adriano, Marcelo Moreno, Willian e Darjo Srna a serem um complemento de luxo de um plantel que tem uma grande representatividade entre os eleitos da selecção ucraniana. O treinador também é o mesmo, o “velho” Mircea Lucescu, no cargo desde 2002. A época, no entanto, não poderia ter começado pior. À sexta jornada a equipa apenas venceu 1 jogo o que, pode dizer-se, condiciona desde já muito as aspirações do título.
De qualquer forma este será o adversário que mais previsivelmente rivalizará com o Sporting para a qualificação. O duplo confronto na viragem de Outubro para Novembro (que coincide com o do FC Porto contra o Dinamo) será, seguramente, decisivo num grupo que representa uma oportunidade histórica para o Sporting chegar pela primeira vez aos oitavos de final da Champions.
Outros Grupos
Já sabia que que os grupos de Fiorentina e Atlético de Madrid iriam ser, potencialmente, os mais interessantes. Liverpool, PSV, Marselha e Atlético Madrid no grupo D promete não facilitar a tarefa a um Liverpool que quase ficou de fora frente ao Standard. De resto nota para os duelos entre Juventus e Real Madrid, Chelsea e Roma e, por motivos não só futebolísticos, Panathinaikos e Anorthosis Famagusta.
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19.12.07
As curvas no destino de Nery
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5.12.07
Benfica: Para além do frio...
- Sobre o jogo, esperava-se uma deslocação difícil. Pela qualidade do Shaktar mas também pelas condições adversas que o Benfica encontrou. Na realidade, talvez este até tenha sido um bom timing para ir à Ucrânia. Não pelo frio, obviamente, mas pelo momento negativo do adversário. O Shaktar, depois de um inicio fulgurante de temporada, mergulhou num período negativo, marcado pela indisciplina (particularmente da estrela Nery Castillo) e pela invulgar fase negativa no campeonato – com 2 derrotas e 1 empate nos últimos 5 jogos.
- O Benfica sentiu a vertigem do jogo Ucraniano. Dificeis de suster, pela forma numerosa como se lançam na frente e capacidade para atacar de toda e qualquer maneira. Desde jogadas mais trabalhadas a bolas bombeadas para as imediações da área, os Ucranianos tentam tudo, tornando difícil controlar defensivamente as partidas contra este tipo de jogo. O segredo está no aproveitamento da forma invulgarmente displicente como defendem (não melhor amostra do que o impensável primeiro golo oferecido a Cardozo), e foi precisamente assim que o Benfica construiu o seu resultado.
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