Provavelmente, não haverá figura mais interessante de analisar do que a do treinador, particularmente no papel que representa para os adeptos. Diria que é uma figura especialmente útil para a relação que os adeptos mantêm com o jogo, ajudando-os a conseguir extrair alguma recompensa emocional de um fenómeno a que se entregam apaixonadamente mas que tantas vezes não os recompensa de forma correspondente. O adepto "clubista", que precisa de acreditar no potencial infinito das suas cores, tem no treinador a oportunidade de manter essa crença: afinal, pode ser sempre apenas por culpa daquele personagem que melhor patamar não foi atingido pelo seu clube. O adepto "especialista", por seu lado, pode manter a sua crença na sua própria sabedoria: julgar as decisões do treinador depois do jogo, oferece-nos sempre a possibilidade de pensar que se fossemos nós a decidir, teríamos feito diferente, e forçosamente melhor.
Esta descrição, tal e qual está feita, pode parecer pouco abonatória para todos nós, mas entendo-a como sendo tão normal como útil para a própria dinâmica do fenómeno. Afinal, os adeptos precisam de se sentir bem consigo próprios e com as suas crenças, e o futebol precisa, mais do que tudo, dos seus adeptos. No meio de tudo isto, não creio que os treinadores (pelo menos os dos principais escalões) fiquem a perder, porque todo este frenesim em seu redor dá-lhes importância e isso reflecte-se também nas recompensas, materiais e não só, que acabam por receber...
Que efeito podemos, realmente, esperar de um treinador?
Na sombra de todo este misticismo que existe em torno da figura do treinador, sobra a pergunta: Afinal, qual a real importância da figura para o sucesso das equipas? Não é uma questão propriamente fácil de responder, e eu próprio tenho vindo a alterar a minha visão à medida que vou constatando certas situações e reflectindo continuadamente sobre ela. Aqui fica um pouco do que hoje é a minha visão...
A questão sobre o treinador e a sua importância é levantada no livro "Soccernomics" (que li na sequência da discussão de há alguns dias), embora centrada no contexto britânico, onde a problemática é bem mais suave do que nos países latinos. O que o argumento desse livro advoga e que eu tenho de corroborar, é que a influência do treinador, podendo ser decisiva, está longe o ser, como regra.
Podemos precisar? Felizmente, creio que sim. Há cerca de 1 ano analisei o desempenho dos diferentes treinadores na liga portuguesa ao longo de 10 anos, comparando os pontos conseguidos em relação à expectativa pontual que realisticamente existia em cada jogo. Entre os treinadores com mais de 100 jogos, apenas 4 tiveram um aproveitamento superior a +10% do que a expectativa global. Sendo este um nível que já se pode considerar muito acima da média, +10% pode fazer a diferença numa determinada zona da tabela, mas não é, seguramente, suficiente para que se considere expectável que um treinador possa fazer milagres por si só. A isto há que acrescentar ainda a possibilidade do efeito inverso, ou seja, o efeito que um clube pode ter na potenciação do desempenho de um treinador. O caso do Porto, por exemplo, é elucidativo, porque se tem sido decisivo para o clube saber escolher os respectivos treinadores, também terá seguramente sido favorável para os próprios as condições que encontraram no clube. Os exemplos de Robson, Mourinho, Fernando Santos ou Jesualdo Ferreira são claros a este nível, porque todos eles trabalharam noutros "grandes", mas só no Porto tiveram sucesso. Ou seja, podemos estimar +10% como expectativa de um desempenho acima da média de um treinador (na verdade, bastante acima da média, se considerarmos que em 10 anos apenas 4 treinadores o conseguiram ao fim de 100 jogos), mas não podemos nunca dissociar o papel das condições do próprio clube para que este patamar seja atingido.
O que pode diferenciar os treinadores?
Talvez o ponto mais marcante da conclusão anterior seja a escassez de treinadores que efectivamente conseguem superar as expectativas de forma continuada. São raros em Portugal, mas não tenho evidência de que o sejam menos noutros locais, tendo em conta análises semelhantes que já fiz sobre outros países. A pergunta seguinte, é: o que pode diferenciar os treinadores?
A primeira conclusão que me parece simples de retirar, é que ao contrário do que denunciam quase sempre os debates entre adeptos, a diferença não se faz pela concepção de jogo ou pelas metodologias utilizadas. Ou seja, pode fazer-se, mas é improvável que essa vantagem possa perdurar muito no tempo. O raciocínio é simples: num tempo onde a informação circula a grande velocidade e em que podemos ver continuadamente qualquer equipa em qualquer parte do mundo, se aparecer um treinador com imenso sucesso pelo simples facto de ter introduzido ideias melhores do que as dos seus pares, facilmente essas ideias serão identificadas, copiadas e, logo, anulada a diferenciação. O mesmo se aplica, embora com maior dificuldade de réplica, às metodologias já que métodos inovadores tendem a ser abordados e debatidos no meio, sendo, no limite, um segredo identificável por aqueles que em determinado momento trabalharam com um treinador de sucesso, e que depois passam a liderar eles próprios equipas técnicas, podendo reproduzir as mesmas metodologias e, logo, reduzindo ou anulando a diferenciação.
Três casos que considero ser paradigmáticos de como este tipo de factores não podem ser diferenciadores durante muito tempo num contexto tão competitivo como o futebol actual:
(1) Mourinho. Foi estudado intensivamente no universo do futebol português, primeiro, e mundial, depois. Falou-se de métodos de treino, de ideias e estratégias de jogo, de perfil de comunicação, etc etc. No entanto, e apesar de tudo isto, o sucesso do treinador continua com o tempo e nunca foi reproduzido por ninguém. Porquê? Provavelmente, porque o sucesso do treinador tem a ver com a natureza do próprio e esse será o factor verdadeiramente diferenciador, por não ser replicável.
(2) Barcelona. As ideias de jogo do Barça, o "tiki-taka", são adorados em todo mundo. Todos os adeptos admiram e estudam a forma como jogam, mas nenhum foi capaz de a reproduzir em parte nenhuma do mundo. Porquê? Provavelmente, porque o sucesso do seu modelo de jogo tem uma contextualização especifica e foi potenciada por uma formação de excelência e orientada para essa mesma ideia de jogo. Ou seja, o Barça, no seu estilo e qualidade, não será irreplicável, mas para consegui-lo provavelmente é preciso bem mais do que a simples implementação de uma ideia de jogo. Por isso, o Barça permanece uma equipa fortíssima e diferenciada de todas as outras, apesar de todos desejarem jogar da mesma forma.
(3) Oakland Athletics. Volto ao caso do filme/livro "Moneyball", onde uma abordagem de avaliação de jogadores distinta do convencional marcou a diferença num contexto de enorme exigência e competitividade. O ponto sobre os Oakland A's difere dos dois anteriores, porque o sucesso desta equipa apenas pôde perdurar enquanto as restantes equipas não adoptaram, elas próprias, a mesma metodologia. Ou seja, o método apenas foi diferenciador temporariamente.
Ou seja, "porque é que alguns treinadores se diferenciam positivamente dos outros?" é uma pergunta tão difícil de responder como o "porque é que Mourinho tem um sucesso tão continuado e os outros não?". Constata-se, mas não se saberá materializar exactamente a razão...
Estes factores que, por serem transmissíveis, podem não ser "positivamente diferenciadores" num meio de informação quase perfeita como é o futebol de mais alto nível, mas serão seguramente "negativamente diferenciadores", sendo esse o motivo pelo qual alguns treinadores se vêem ultrapassados após vários anos de sucesso. Recorrendo de novo a um exemplo positivo, temos o caso de Alex Ferguson, que conseguiu manter-se no topo do futebol graças a uma constante adaptação a métodos e ideias conforme foram surgindo no jogo. Assim, mantendo-se actualizado, aquilo que o diferenciou positivamente nos anos 80 continuou a fazê-lo 20 anos mais tarde. A este nível, já agora, parece-me importante o papel da equipa técnica como um todo, devendo esta ser heterogénea na sua composição e possivelmente pouco estática ao longo dos anos, para permitir diferentes visões e abordagens aos mais variados aspectos. Por exemplo, parece-me favorável que um treinador que seja ex-jogador seja suportado por uma equipa com uma componente de formação mais académica, e vice versa...
Finalizando, a minha conclusão é que, os factores que classifiquei de "não positivamente diferenciadores" são necessários mas não suficientes para um sucesso diferenciador no tempo, sendo que a característica complementar que garante a diferenciação de um treinador será provavelmente a sua capacidade de liderança, que tem muito a ver com a natureza do próprio e não é replicável de pessoa para pessoa.
Domingos e o Sporting
Não fosse o futebol tão emocional e o treinador um personagem com a receptividade que descrevi inicialmente, e penso que o volume das recentes criticas ao treinador não faria sequer sentido discutir, assim como a inclusão deste capítulo no texto. Não que pense que Domingos não tenha cometido erros, ou que não discorde de algumas das suas opções. Aliás, discordei bem cedo na temporada. O que me parece descabido é a relação de causalidade entre essas discordâncias e as dificuldades que sente nesta altura o Sporting.
Domingos faz parte dos 4 treinadores que abordei anteriormente e o seu trajecto até ao Sporting não é apenas bom, mas excepcional, encontrando pouco paralelo aonde quer que seja, e não precisando sequer da final da Liga Europa para chegar a esta conclusão. 6 meses difíceis não seriam em qualquer circunstância suficientes para colocar 5 anos de sucesso em causa mas, logicamente, só haveria uma conclusão possível a retirar quando a junção de um treinador de sucesso a um clube com dificuldades não resulta: é que as dificuldades do clube são muitas e não que o treinador, afinal, não presta. Mais uma vez, só a irracionalidade tão própria do futebol pode sugerir que a lógica contrária surja como primeira hipótese para o problema.
De todo o modo, e apesar da irracionalidade "per se" do raciocínio anterior, o mais interessante é ir à especificidade do caso. Em particular, há dois pontos que são, para mim, avassaladores na relativização das responsabilidades de Domingos no momento actual da equipa. O primeiro é a composição heterogénia da sua equipa técnica: muito mais provável do que os problemas diagnosticados (a meu ver, muitas vezes correctamente) pelos adeptos não serem percepcionados por quem está dentro, é que os pormenores dos problemas não sejam percepcionados por quem está de fora.
O segundo ponto é mais relevante, e tem a ver com as condições que o próprio teve nestes primeiros meses. A equipa sentiu dificuldades iniciais, mas assim que conseguiu estabilizar apresentou um rendimento bastante elevado e praticamente nivelado com o dos rivais. A regressão que aconteceu nos últimos dois meses tem uma explicação fundamental, que para mim é óbvia, e que está relacionada com as lesões a que o plantel tem vindo a ser sujeito, em jogadores que inicialmente se pensavam ser nucleares. Uma equipa, mesmo que individualmente medíocre, pode ser colectivamente potenciada se tiver fiabilidade, mas se não a tiver, o seu total será inevitavelmente muito próximo da soma das suas partes (se as partes estão sempre a mudar, que hipóteses há para a evolução do todo?!)...
Na sombra de todo este misticismo que existe em torno da figura do treinador, sobra a pergunta: Afinal, qual a real importância da figura para o sucesso das equipas? Não é uma questão propriamente fácil de responder, e eu próprio tenho vindo a alterar a minha visão à medida que vou constatando certas situações e reflectindo continuadamente sobre ela. Aqui fica um pouco do que hoje é a minha visão...
A questão sobre o treinador e a sua importância é levantada no livro "Soccernomics" (que li na sequência da discussão de há alguns dias), embora centrada no contexto britânico, onde a problemática é bem mais suave do que nos países latinos. O que o argumento desse livro advoga e que eu tenho de corroborar, é que a influência do treinador, podendo ser decisiva, está longe o ser, como regra.
Podemos precisar? Felizmente, creio que sim. Há cerca de 1 ano analisei o desempenho dos diferentes treinadores na liga portuguesa ao longo de 10 anos, comparando os pontos conseguidos em relação à expectativa pontual que realisticamente existia em cada jogo. Entre os treinadores com mais de 100 jogos, apenas 4 tiveram um aproveitamento superior a +10% do que a expectativa global. Sendo este um nível que já se pode considerar muito acima da média, +10% pode fazer a diferença numa determinada zona da tabela, mas não é, seguramente, suficiente para que se considere expectável que um treinador possa fazer milagres por si só. A isto há que acrescentar ainda a possibilidade do efeito inverso, ou seja, o efeito que um clube pode ter na potenciação do desempenho de um treinador. O caso do Porto, por exemplo, é elucidativo, porque se tem sido decisivo para o clube saber escolher os respectivos treinadores, também terá seguramente sido favorável para os próprios as condições que encontraram no clube. Os exemplos de Robson, Mourinho, Fernando Santos ou Jesualdo Ferreira são claros a este nível, porque todos eles trabalharam noutros "grandes", mas só no Porto tiveram sucesso. Ou seja, podemos estimar +10% como expectativa de um desempenho acima da média de um treinador (na verdade, bastante acima da média, se considerarmos que em 10 anos apenas 4 treinadores o conseguiram ao fim de 100 jogos), mas não podemos nunca dissociar o papel das condições do próprio clube para que este patamar seja atingido.
O que pode diferenciar os treinadores?
Talvez o ponto mais marcante da conclusão anterior seja a escassez de treinadores que efectivamente conseguem superar as expectativas de forma continuada. São raros em Portugal, mas não tenho evidência de que o sejam menos noutros locais, tendo em conta análises semelhantes que já fiz sobre outros países. A pergunta seguinte, é: o que pode diferenciar os treinadores?
A primeira conclusão que me parece simples de retirar, é que ao contrário do que denunciam quase sempre os debates entre adeptos, a diferença não se faz pela concepção de jogo ou pelas metodologias utilizadas. Ou seja, pode fazer-se, mas é improvável que essa vantagem possa perdurar muito no tempo. O raciocínio é simples: num tempo onde a informação circula a grande velocidade e em que podemos ver continuadamente qualquer equipa em qualquer parte do mundo, se aparecer um treinador com imenso sucesso pelo simples facto de ter introduzido ideias melhores do que as dos seus pares, facilmente essas ideias serão identificadas, copiadas e, logo, anulada a diferenciação. O mesmo se aplica, embora com maior dificuldade de réplica, às metodologias já que métodos inovadores tendem a ser abordados e debatidos no meio, sendo, no limite, um segredo identificável por aqueles que em determinado momento trabalharam com um treinador de sucesso, e que depois passam a liderar eles próprios equipas técnicas, podendo reproduzir as mesmas metodologias e, logo, reduzindo ou anulando a diferenciação.
Três casos que considero ser paradigmáticos de como este tipo de factores não podem ser diferenciadores durante muito tempo num contexto tão competitivo como o futebol actual:
(1) Mourinho. Foi estudado intensivamente no universo do futebol português, primeiro, e mundial, depois. Falou-se de métodos de treino, de ideias e estratégias de jogo, de perfil de comunicação, etc etc. No entanto, e apesar de tudo isto, o sucesso do treinador continua com o tempo e nunca foi reproduzido por ninguém. Porquê? Provavelmente, porque o sucesso do treinador tem a ver com a natureza do próprio e esse será o factor verdadeiramente diferenciador, por não ser replicável.
(2) Barcelona. As ideias de jogo do Barça, o "tiki-taka", são adorados em todo mundo. Todos os adeptos admiram e estudam a forma como jogam, mas nenhum foi capaz de a reproduzir em parte nenhuma do mundo. Porquê? Provavelmente, porque o sucesso do seu modelo de jogo tem uma contextualização especifica e foi potenciada por uma formação de excelência e orientada para essa mesma ideia de jogo. Ou seja, o Barça, no seu estilo e qualidade, não será irreplicável, mas para consegui-lo provavelmente é preciso bem mais do que a simples implementação de uma ideia de jogo. Por isso, o Barça permanece uma equipa fortíssima e diferenciada de todas as outras, apesar de todos desejarem jogar da mesma forma.
(3) Oakland Athletics. Volto ao caso do filme/livro "Moneyball", onde uma abordagem de avaliação de jogadores distinta do convencional marcou a diferença num contexto de enorme exigência e competitividade. O ponto sobre os Oakland A's difere dos dois anteriores, porque o sucesso desta equipa apenas pôde perdurar enquanto as restantes equipas não adoptaram, elas próprias, a mesma metodologia. Ou seja, o método apenas foi diferenciador temporariamente.
Ou seja, "porque é que alguns treinadores se diferenciam positivamente dos outros?" é uma pergunta tão difícil de responder como o "porque é que Mourinho tem um sucesso tão continuado e os outros não?". Constata-se, mas não se saberá materializar exactamente a razão...
Estes factores que, por serem transmissíveis, podem não ser "positivamente diferenciadores" num meio de informação quase perfeita como é o futebol de mais alto nível, mas serão seguramente "negativamente diferenciadores", sendo esse o motivo pelo qual alguns treinadores se vêem ultrapassados após vários anos de sucesso. Recorrendo de novo a um exemplo positivo, temos o caso de Alex Ferguson, que conseguiu manter-se no topo do futebol graças a uma constante adaptação a métodos e ideias conforme foram surgindo no jogo. Assim, mantendo-se actualizado, aquilo que o diferenciou positivamente nos anos 80 continuou a fazê-lo 20 anos mais tarde. A este nível, já agora, parece-me importante o papel da equipa técnica como um todo, devendo esta ser heterogénea na sua composição e possivelmente pouco estática ao longo dos anos, para permitir diferentes visões e abordagens aos mais variados aspectos. Por exemplo, parece-me favorável que um treinador que seja ex-jogador seja suportado por uma equipa com uma componente de formação mais académica, e vice versa...
Finalizando, a minha conclusão é que, os factores que classifiquei de "não positivamente diferenciadores" são necessários mas não suficientes para um sucesso diferenciador no tempo, sendo que a característica complementar que garante a diferenciação de um treinador será provavelmente a sua capacidade de liderança, que tem muito a ver com a natureza do próprio e não é replicável de pessoa para pessoa.
Domingos e o Sporting
Não fosse o futebol tão emocional e o treinador um personagem com a receptividade que descrevi inicialmente, e penso que o volume das recentes criticas ao treinador não faria sequer sentido discutir, assim como a inclusão deste capítulo no texto. Não que pense que Domingos não tenha cometido erros, ou que não discorde de algumas das suas opções. Aliás, discordei bem cedo na temporada. O que me parece descabido é a relação de causalidade entre essas discordâncias e as dificuldades que sente nesta altura o Sporting.
Domingos faz parte dos 4 treinadores que abordei anteriormente e o seu trajecto até ao Sporting não é apenas bom, mas excepcional, encontrando pouco paralelo aonde quer que seja, e não precisando sequer da final da Liga Europa para chegar a esta conclusão. 6 meses difíceis não seriam em qualquer circunstância suficientes para colocar 5 anos de sucesso em causa mas, logicamente, só haveria uma conclusão possível a retirar quando a junção de um treinador de sucesso a um clube com dificuldades não resulta: é que as dificuldades do clube são muitas e não que o treinador, afinal, não presta. Mais uma vez, só a irracionalidade tão própria do futebol pode sugerir que a lógica contrária surja como primeira hipótese para o problema.
De todo o modo, e apesar da irracionalidade "per se" do raciocínio anterior, o mais interessante é ir à especificidade do caso. Em particular, há dois pontos que são, para mim, avassaladores na relativização das responsabilidades de Domingos no momento actual da equipa. O primeiro é a composição heterogénia da sua equipa técnica: muito mais provável do que os problemas diagnosticados (a meu ver, muitas vezes correctamente) pelos adeptos não serem percepcionados por quem está dentro, é que os pormenores dos problemas não sejam percepcionados por quem está de fora.
O segundo ponto é mais relevante, e tem a ver com as condições que o próprio teve nestes primeiros meses. A equipa sentiu dificuldades iniciais, mas assim que conseguiu estabilizar apresentou um rendimento bastante elevado e praticamente nivelado com o dos rivais. A regressão que aconteceu nos últimos dois meses tem uma explicação fundamental, que para mim é óbvia, e que está relacionada com as lesões a que o plantel tem vindo a ser sujeito, em jogadores que inicialmente se pensavam ser nucleares. Uma equipa, mesmo que individualmente medíocre, pode ser colectivamente potenciada se tiver fiabilidade, mas se não a tiver, o seu total será inevitavelmente muito próximo da soma das suas partes (se as partes estão sempre a mudar, que hipóteses há para a evolução do todo?!)...


17 comentários:
Utilizando o teu raciocínio, não estará também o sucesso do Domingos no Braga relacionado com a estrutura que encontrou no clube?
Por outro lado, e mesmo concordando com a tua última frase, não houve já tempo para potenciar a equipa colectivamente? É que mesmo na melhor fase do Sporting, sempre me pareceu muito mais uma soma de individualidades do que um colectivo... E não te revoltou no último jogo o Renato Neto estar em campo e o André Martins no banco? Eu nem sou adepto do Sporting mas fiquei no mínimo indignado. É que sendo uma soma de individualidades, ao menos que sejam as melhores a actuar em cada jogo...
Sei que não gostas de analisar erros individuais e pontuais, mas as ultimas opções de Domingos têm sido fatais e de alguem que nao compreende onde está a errar (porque pior que errar é nao perceber o erro). E vou só dar 3 exemplos:
- Capel à direita: quando ele já mostrou que nessa posição não dá nada à equipa. Do lado esquerdo ainda faz uns cruzamentos e umas entradas na area que ao menos, assustam os defesas;
- Matias no flanco: felizmente acabou com este erro mas só após muitas jornadas. Demais até para alguem que é suposto conhecer bem os jogadores;
- Por ultimo este mais genérico: a forma de atacar que o SCP usa, que é sempre feita pelos flancos. Domingos parece que não planeou uma (ou várias) forma alternativa para a equipa atacar. Resultado: as equipas fecham os flancos com superioridade numérica e só um desequilibrio individual (em vez de se usar o desequilibrio coletivo) pode resolver.
São pequenos pormenores que definem o sucesso e nisso Domingos está a falhar. Especialmente no futebol, não se deve inventar muito durante a competição (para isso temos a pré-época) e Domingos já o fez diversas vezes.
Em relação ao Braga, não há dúvida sobre o crescimento do clube neste século, o que faz com que seja hoje em dia um quarto grande em termos de condições. Mas, o Braga não está condenado a ser um clube tão forte como tem sido nos últimos anos. Por exemplo, nos 2 anos anteriores à chegada do Domingos, o Braga ficou fora dos 4 primeiros. E o sucesso do Domingos estende-se igualmente a Leiria e Académica, não apenas ao Braga. E isso é que é tão fora do normal, porque boas e más épocas todos os treinadores têm, mas é extremamente raro um treinador ter 5 boas épocas consecutivas...
Sobre ao trabalho no Sporting, sou critico em relação a algumas opções e à dificuldade que teve em substituir o Rinaudo. Mas entendo que a equipa foi bem potenciada até Novembro e enquanto pode manter uma equipa base durante algum tempo, o rendimento era bastante bom. Agora, e como digo no texto, não me parece possível consolidar nada sem fiabilidade dos jogadores disponíveis. Isso para mim é bastante claro.
Em relação ao jogo de Olhão, não posso ter a certeza do motivo exacto da opção, mas vejo com grande probabilidade que que tenha a ver com a especificidade do jogo aéreo. Isto é, o Domingos tinha um plano para o jogo em que assumia algum risco de estatura do meio campo para a frente, sendo previsível que iria utilizar o Schaars como referência para as primeiras bolas. Ficando o Schaars indisponível, ele tinha a hipótese de substituir outro jogador (Jeffren, por exemplo) e incluir uma referência para as primeiras bolas (Ribas ou Rubio), mas isso iria ser relativamente ingrato para o jogador que tivesse de sair. Ele optou pelo Renato Neto, que sem surpresa foi a referência para as primeiras bolas enquanto esteve em campo, e quando o substituiu (não me parece coincidência), colocou o Rubio em campo ao mesmo tempo, passando a ter outra referência para as primeiras bolas. Estas coisas raramente são abordadas pela critica, mas têm um peso relativamente grande no jogo e os treinadores têm muita atenção a elas...
Mais difícil de explicar, por exemplo, é o caso do André Santos, mas aí é como digo no texto, o que me parece mais provável é que eu não conheça os pormenores do problema...
Mike,
- Eu partilho da opinião de que o Capel rende mais à esquerda e o Carrillo à direita, mas ouço muitas vezes durante os jogos as pessoas defenderem o contrário, pelo que não me parece matéria assim tão consensual. Mas ele só utilizou o Capel estritamente à direita contra o Braga, em que teve de recorrer ao Insua como médio. Nos outros jogos, os extremos vão trocando ao longo dos jogos.
- Acho redutor, sinceramente, que a discussão seja colocada nessa forma. Cada jogador tem a sua especificidade, e no caso do Matias é mais difícil de controlar não se estiver forçosamente no meio, mas se tiver mobilidade para aparecer em várias zonas. Ele é muito forte nas dinâmicas sobre os corredores, também. Concordando que ele beneficia quando não fica limitado a partir de 1 lado, acho que se devem discutir dinâmicas e não posições. Por exemplo, em Espanha ele jogava a partir da ala.
- Um pouco como no ponto anterior, eu não acredito em leis para jogar ("tens de jogar assim, por aqui, ou por ali"). Não acredito, não por fé, mas porque vejo várias equipas e há infinitas maneiras de jogar bem e infinitas maneiras de jogar mal. Cada equipa tem a sua ideia e o importante é que o faça bem. O Domingos pensou numa equipa que potenciasse as dinâmicas pelas alas, e por isso, por exemplo, colocava os médios mais próximos do avançado. Se revires os jogos da melhor fase da equipa, vais ver que as equipas tinham muita dificuldade em contrariar algumas dinâmicas, porque a equipa conseguia mudar com alguma fluidez o flanco de jogo (creio que o jogo com o Gil Vicente foi o melhor a esse nível). Acho que a principal limitação da equipa está na característica dos jogadores da primeira fase de construção e isso acabou por ser exacerbado depois da lesão de Rinaudo e daí eu ser sobretudo critico em relação à forma como foi substituído.
Mas (e o meu ponto no texto é este...), eu não penso que a equipa técnica do Sporting esteja à margem destas discussões e destes problemas. O mais provável é que eu esteja à margem de todas as questões e não o contrário...
Eu percebo a importância das primeiras bolas, mas daí a abdicar de jogar futebol... É que, pelo menos a mim quer-me parecer, que os benefícios ganhos com o Renato Neto nas primeiras bolas, não se sobrepõem a perda de criatividade e inteligência que o André Martins poderia trazer ao jogo do Sporting em detrimento do primeiro...
Filipe,
Só faz sentido trocar extremos ao longo de jogo para confundir os defesas, certo?
Que confusão é que o Capel causa quando está à direita? Nenhuma, porque o defesa sabe sempre o que ele vai fazer, pois não tem pé direito. É como te digo, não tem qualquer utilidade. O Carrillo do lado direito ainda confunde porque o defesa não sabe se ele vai fintar, tentar a linah de fundo ou furar para dentro.
Quanto ao Matias eu queria dizer que agora que ele está mais liberto, pode dar mais ao jogo da equipa. Quando estava "preso" na lateral não dava grande coisa.
O meu problema com o Domingos é ele estar sempre a inventar em vez de usar os jogadores nos seus devidos lugares. Neste ultimo jogo foi demais. Jeffren a avançado? Que experiencia tem ele nessa posição? Renato Neto e Carriço contra o poderoso meio-campo do Olhanense?
Não concordo com quase nada do que escreves neste post. Achar que uma ideia de jogo ou uma metodologia de treino podem ser copiadas porque estão disponíveis a toda a gente é mais ou menos o mesmo que esperar que alguém seja capaz de fazer cirurgias só porque na net há sites com artigos científicos sobre o assunto e que na wikipedia estão os órgãos humanos todos...
Há um diferença substancial entre saber como os outros fazem e saber como se faz!
Depois há ainda a mistura que fazes entre números (que deviam ser objetivos mas aos quais acrescentas uma subjetividade tremenda, como por exemplo quantificar a 'expectativa pontual' de um determinado jogo...) e conceitos concetualmente subjetivos como o modelo de jogo e a sua operacionalização.
Um cirurgião nasce de longos anos de estudo e teorização que, posteriormente associa a muitos anos de prática, conceptualização, operacionalização e re-teorização. O processo é semelhante para treinadores e para outra qualquer profissão de exigência que seja baseada sobretudo em ciência e em processos de conhecimento.
O Domingos, do pouco que conheço, está ainda numa fase inicial do processo de aprendizagem. Para além disso tem um plantel curto e, nesta fase, com pouca qualidade (como bem referes, aliás).
Fica o meu singelo contributo...
Telmo Frias
FT,
estamos em desacordo, mas não há problema qualquer nisso. Um modelo de jogo é único, mesmo que a ideia de jogo seja idêntica. A ideia de jogo é uma intenção, um objectivo e não uma concretização prática, logo pode ser o mesmo. As metodologias, sejam elas de que tipo forem, também podem ser idênticas em casos diferentes, o modo como resultam é que será sempre diferente.
Sobre a subjectividade da análise, ela existe, de facto. No entanto, as expectativas são baseadas naquilo que projectaram as casas de apostas antes de cada jogo. Se tu tens expectativas mais objectivas, aconselho-te seriamente que comeces a apostar...
Mike,
Eu não estou a defender as opções do Domingos, porque eu discordo de grande parte delas. Aliás, discordei de opções desde a pré época, como te lembrarás, e isso na altura também levantou grandes criticas ao que escrevi...
Para recentrar no ponto em que estou a tentar vincar, três pontos:
- Perante esta situação, o que é decisivo, parece-me lógico, é o facto do treinador estar sempre a ter que remediar e não a forma como remedeia em si. Acho mais lógico criticar Domingos pela contribuição que teve (embora não saibamos exactamente qual foi) na formação do plantel do que naquilo que aconteceu nos últimos jogos em que não tem extremos, médios ou centrais.
- Do mesmo modo, um clube como o Sporting, que vem com um atraso substancial em relação aos rivais, não pode contratar um treinador que deu provas em tudo o que é sitio para após 6 meses de problemas concluir que é ele o problema dos seus insucessos. Até se pode dar o caso do sucesso do Domingos ter sido o resultado de um altamente improvável golpe de sorte, mas não faz sentido nenhum partir desse princípio. Num paralelismo actual, é um pouco como os adeptos do Real Madrid acharem que não vencem o Barcelona por causa do Mourinho.
- Aquilo que nós pensamos serem evidências depois dos jogos, raramente passam de meras conjecturas. Pode-nos parecer que se um treinador tivesse optado por A em vez de B, que teria ganho ou jogado melhor, mas não há qualquer evidência realista sobre isso para além da nossa própria imaginação. Esta é uma tendência comum nas criticas (e aqui me incluo), mas que penso ser extremamente falaciosa. Por exemplo, eu não conheço bem o Renato Neto nem o André Martins para fazer grandes juizos, nem faço grande nexo de causalidade no que acontece depois das substituições, mas neste jogo o pior período do Sporting foi depois da entrada do André Martins, tendo a equipa só estabilizado depois da entrada do André Santos. Um dos lances do Olhanense nesse período, aliás, resulta de uma intercepção mal feita do próprio André Martins. Agora, todos sabemos que se o Sporting tivesse marcado nesse período, toda a gente estaria a ligar o golo às substituições. Ou seja, eu discordo de várias opções, mas não posso concordar com as análises fatalistas que se fazem depois dos jogos em relação às mesmas.
Filipe,
Eu não tenho expectativas mais objetivas e por isso baseio as minhas análises apenas e só na minha opinião e sobretudo não aposto.
Claro que não há problema nenhuma em estarmos em desacordo, bem pelo contrário. Só tem vantagens para ambos!
"As metodologias, sejam elas de que tipo forem, também podem ser idênticas em casos diferentes, o modo como resultam é que será sempre diferente."
Isto não contraria a tua opinião quando dizes que é possível 'copiar' metodologias, "reduzindo ou anulando a diferenciação"?
FT,
A sugestão sobre as apostas não era literal, apenas queria dizer que, havendo forçosamente subjectividade e até bastante incerteza (isso é outro assunto) nas estimativas, elas são o menos subjectivo e mais preciso que realisticamente se pode conseguir e seguramente mais objectivas do que as opiniões de qualquer pessoa (pelo menos quando estamos a tratar de um número tão grande de jogos). Ou seja, não é realista questionar a subjectividade das expectativas.
De resto, não contraria. As metodologias podem ser as mesmas, e os resultados serem diferentes. A diferenciação pode existir mas não por via da metodologia. Ou seja, dois treinadores podem utilizar o mesmo método e obter resultados diferentes, mas a diferenciação não será pelo método em si. O ponto é que, em contextos onde a informação circula com grande facilidade, as metodologias raramente duram muito tempo como factores diferenciadores...
Filipe,
o que será diferenciador é a capacidade,de cada treinador, para operacionalizar a metodologia. Indo para além da questão da liderança. Não te parece?
Montoya,
Sim, mas vou ao mesmo ponto que referi na resposta ao FT. Ou seja, a metodologia (seja no treino, ou não porque há métodos de preparação de jogadores equipas em vários âmbitos) pode ser a mesma e ter resultados diferentes, havendo uma série de factores que podem contribuir para essa diferenciação, como a própria liderança, o instinto, ou o perfil dos próprios jogadores. Mas aquelas que tendem a perdurar com os treinadores/equipas técnicas como factores diferenciadores são os factores intransmissíveis e não susceptíveis de aprendizagem por parte de outros.
Está escrito no LE:
"Crer que é possível replicar uma metodologia, ou um modelo de sucesso é um erro tremendo."
Parece querer contrariar o que escreveste...
(comments??)
AT,
Realmente, não faço ideia se quer discordar, o que te posso dizer é que o que está escrito, na essência, concorre para o que eu escrevi. Aliás, até utiliza os mesmos exemplos...
Realmente, Mourinho e Barcelona são os exemplos mais claros de como a diferenciação se faz pela especificidade e intransmissibilidade. Mourinho popularizou a periodização táctica, variadíssimos treinadores utilizam essa metodologia, mas o sucesso não vem necessariamente com ela. O Barcelona, por seu lado, popularizou uma forma de jogar, vários treinadores tentam reproduzir comportamentos (alguns clubes, como a Roma, tentaram mesmo comprar a ideia como um todo), mas não há nenhuma evidência de que o sucesso decorra apenas pela tentativa de implementação dessas ideias.
O ponto principal é este, existem metodologias e ideias de jogo, mas diferenciação vem sempre com a especificidade (e, obviamente, intransmissibilidade), e não há nada mais específico (e intransmissível) do que a unicidade das pessoas.
Totalmente de acordo com o teu último comentário, no entanto, o post pode induzir para outros caminhos. Como escreveu o professor José Guilherme no prefácio do livro "O que é a Periodização Táctica?" além da metodologia é preciso saber se a ideia de jogo é boa.
Acho que os 10% que referes são enganadores. Com efeito, as casas de apostas seguem tendências e a avaliação do trabalho do treinador deve ser mais abrangente. Nomeadamente as expectativas iniciais e o que se fez depois.
Por exemplo, se o Paços de Ferreira ganhar 4 jogos seguidos as suas odds vão progressivamente baixar, e até ser considerado favorito em jogos que hoje é impensável. Até pode perder esse 5º jogo mas só o facto de ser considerado favorito já é em si um feito.
Na minha opinião há equipas que por mais que o trabalho seja bom, tenha qualidade, a "estrutura" pode ainda ser de tal forma frágil que uma serie de acontecimentos menos bons (lesões por exemplo) tem um grande impacto. É claro que cabe ao treinador minimizar danos mas é sempre mais complicado.
Dito de outra forma, apesar da competência existem circunstâncias que aparentando ser menores, se todas juntas, podem colocar em causa a continuação do sucesso. Mas a competência não deixa de ser essencial
Um abraço
Tudo verdade, Diogo.
O post, realmente, parece ter causado alguma confusão a julgar por algumas questões anteriormente levantadas, e para alguma surpresa minha até em pontos que são bastante banais. Enfim, eu esforço-me, mas talvez seja um problema da minha comunicação...
A tua dúvida em relação aos 10% é boa (o que saúdo...). As expectativas são ajustadas progressivamente e têm conta todos os factores, o que é excelente porque não deixa perdurar erros de avaliação iniciais por muito tempo, mas, como dizes, neste caso, um treinador acaba por ser confrontado com os efeitos sua própria tendência. Em teoria, se um treinador tiver uma época perfeita, isso vai reduzir significativamente o seu impacto em relação à perspectiva inicial, do mesmo modo e de forma inversa, um rendimento sempre negativo vai tendo expectativas constantemente corrigidas sempre no mesmo sentido. O que acontece, porém, é que os treinadores (e equipas), todos têm fases boas e más, e as tendências acabam por tender a anular-se no tempo. Por isso é que é importante retirar conclusões ao fim de muitos jogos (100 foi o limite que defini).
Mas, não penso que, reflectindo bem, 10% seja um número muito surpreendente. Há sempre uma grande dose de fatalismo em relação à figura do treinador, que é o responsável por tudo, mas em todos os campeonatos vemos que há uma grande estabilidade na distribuição das equipas ao longo das tabelas. Se o efeito médio óptimo fosse de 30%, por exemplo, em tantos anos, era pouco provável que tivéssemos tão grande monotonia nas classificações, porque um ano excepcional de um treinador poderia ser suficiente para fazer variar a muitíssimo a classificação. Já agora, há um estudo no campeonato inglês que conclui que o factor que mais explica a posição das equipas é o orçamento folha salarial (não investimento em aquisições), tendo uma capacidade explicativa de cerca de 90%, o que é arrebatador.
De resto, estou de acordo contigo e é essa a ideia que tento passar no texto: a competência é essencial, mas nunca poderá fazer milagres perante outros factores que podem ser tão ou mais determinantes na definição do sucesso.
É claro que, depois disto tudo, será sempre ele o principal responsável aos olhos do mundo, e a principal critica vai ser que jogadores escolheu ou que substituições fez. É sempre assim, e dificilmente alguma vez deixará de ser (ainda esta semana um treinador foi despedido em plena CAN, porque alguém da federação não concordou com o 11 que ele escolheu)...
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