28.2.11

Sporting, Paulo Sérgio e a importância de saber escolher

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Se há uma coisa perigosa e que devemos sempre desconfiar é da generosidade da nossa memória. Nomeadamente em relação ao acerto das nossas projecções passadas. No caso de Paulo Sérgio, porém, encontro uma grande identificação actual com aquilo que escrevi aquando da sua entrada. Ainda assim, e em boa verdade, posso dizer que esperava um pouco mais do treinador em termos de qualidade táctica. Quer em termos de ideias, quer em termos de capacidade de imposição das mesmas. Enfim, mais do que o passado, importa contextualizar o futuro, e, sobre isso, deixo alguns tópicos de opinião.

O menos culpado, ou o mais culpado?
O termo “culpado” é exagerado e incorrecto, mas o seu uso generalizado compreende-se bem. É a tal natureza humana de que tantas vezes falo, que anseia por estabelecer relações directas e lineares entre efeitos e causas – “culpas”. Seja como for, as análises dividem-se. Desde os que defendem que o treinador não era o “único culpado” (La Palisse não diria melhor), até aos que vêem na sua falta de capacidade um condimento essencial para o insucesso.


Pessoalmente, e como já várias vezes escrevi, defendo que o treinador é uma peça fundamental de qualquer estratégia desportiva. Talvez a distinguisse, até, como a mais fundamental de todas, pelo menos no curto prazo (não faltarão exemplos que sustentem esta tese). O plantel do Sporting não é tão forte como o dos outros 2 “grandes”? Certo. Mas também é para mim uma evidência que o seu valor é bem maior do que aquilo que o seu rendimento hoje faz parecer.

Em suma, se o Sporting 2010/11 teve a história que teve, entendo que nenhum factor teve tanto peso relativo como a escolha insuficiente que fez para o seu comando técnico.

Impossível fazer pior?
A ideia de que se bateu no fundo advém do dramatismo próprio do fenómeno clubístico. Mas, o fundo, normalmente, é muito pior do que aquilo que se pode imaginar. Exemplos? O próprio Sporting, e a transição da época anterior para esta. Parecia impossível fazer repetir, mas aconteceu, e talvez até pior. O Besiktas, na Turquia, que investiu loucuras em talentos de inegável valor e colocou um treinador de renome à sua frente – Schuster. O resultado? 6ºlugar na liga turca e uma eliminação com goleada da Liga Europa. O Feyenoord – talvez o caso mais extremo – um “grande” da Holanda e com valores mais do que suficientes para se bater pelas primeiras posições, muitos deles oriundos da sua boa formação. Onde está? A 6 pontos da linha de água, tendo já perdido por 10-0 em Eindhoven na presente época. Estes exemplos, note-se, são diferentes, mas ambos têm contextos competitivos – Turquia e Holanda – semelhantes ao português.

O risco de fazer pior, para o Sporting, é bem real. Por 2 motivos: primeiro, porque o nível dos adversários é, nesta fase, muito elevado. Há mais investimento, melhores soluções, e também muita competência em termos de orientação técnica. Depois, porque o clube vive um momento em que coincidem o trauma do insucesso e o fervor eleitoral. Uma combinação que potencia soluções populistas e diagnósticos pouco lúcidos. É, dentro deste cenário, provável que se cometam vários erros.

O sucessor: a importância de saber escolher
Não há nada mais decisivo para o futuro imediato do Sporting do que a escolha do treinador. Mais do que Presidentes, modelos e fundos de investimento. Saber escolher é, como sempre tenho referido, o factor de sucesso mais decisivo para qualquer gestão desportiva, e a próxima direcção do Sporting não será excepção.

O processo eleitoral ainda está em fase de definição - e, para ser sincero, estou ainda muito pouco familiarizado com as propostas já apresentadas - no entanto, os indícios deixados nos perfis definidos para o próximo treinador serão desde logo relevantes para aferir sobre o que será o futuro próximo do Sporting. Bons treinadores (como maus), há em todo o lado, mas Portugal tem a particularidade de ser, muito provavelmente, o país que mais bons valores revela neste particular. Ora, se quem escolhe não for capaz de identificar esse valor cá dentro, que probabilidade haverá de que o identifique lá fora?!
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Benfica, Sporting e a jornada (Breves)

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- O sofrimento levado ao extremo! Domínio habitual, mas desta vez sem eficácia. O Benfica mereceu, obviamente, e acabou mesmo por ganhar. Há, porém, algumas reflexões que valerão a pena sobre a dificuldade como a vitória acabou por ser conseguida. A primeira, tem a ver com a importância dos detalhes no sucesso de uma época discutida entre competidores equilibrados: O Benfica fez mais do que suficiente para ter resolvido mais cedo o jogo, mas não o fez. 2 pontos nesta altura fariam toda a diferença para a manutenção da esperança. 2 pontos hoje, como 3 pontos no inicio da época. O Benfica, com um pouquinho mais de felicidade, poderia ter conseguido um desses 3 pontos que perdeu na fase inicial. Hoje o cenário seria diferente, mas a competência e valor da equipa, esses, seriam os mesmos. A segunda tem a ver com o pensamento indutivo e com algumas conclusões discutíveis que nos são tantas vezes "vendidas" como verdades absolutas: O Benfica sofreu o golo no último quarto de hora e, uma reviravolta em tão curto espaço de tempo depende sempre de algo mais do que o mérito. O que aconteceria se a reviravolta não tivesse sucedido? Lá teríamos de ouvir o discurso do desgaste físico e do efeito inevitável do jogo de quinta feira. O desgaste físico existe, sim, mas é, antes de qualquer outra coisa, uma boa desculpa mental.

- Na Choupana, o último capítulo antes da "era Couceiro". O Sporting, pela qualidade que tem, não se pode queixar muito da sorte. Perdeu e até podia ter sofrido mais, mesmo com 10. Ainda assim, é um facto que perdoou de mais. Há muito que projectei uma eventual luta pela garantia do terceiro lugar. É verdade que o cenário não é exactamente aquele que previra - há bem mais candidatos - mas a projecção confirma-se e trará algum interesse para a recta final do campeonato.

- Falta ainda o Naval-Braga, relevante para 2 patamares da tabela. A jornada começou com a estreia feliz de Ulisses Morais. Uma felicidade que foi mesmo isso, dado o caudal do jogo. Seja como for, isolados alguns de sorte e azar, o Vitória de Machado está dentro dos parâmetros do de Paulo Sérgio, na época anterior. A todos os níveis. O agora ex-treinador do Sporting pode ter mostrado carências para a missão que lhe foi proposta, mas devem contar com ele para ser novamente bem sucedido perante outras realidades e outros objectivos. Outras equipas que começam a reflectir melhor a realidade do seu valor em termos classificativos, são Leiria e Rio Ave. Finalmente, em pólos opostos estão Setúbal - que volta a arriscar a descida - e Paços de Ferreira - que continua a beneficiar muito do "momento" para impressionar toda a gente.

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27.2.11

Triunfo portista e o "fim" de Paulo Sérgio (Breves)

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- Em Olhão, o Porto começou por dar seguimento ao desperdício de Quarta Feira. E, no futebol, já se sabe, a ineficácia pode não ser apenas uma forma de falhar golos. Um golo falhado no inicio do jogo pode desencadear várias más decisões na fase terminal dos mesmos. Da ineficácia resulta ansiedade e desta a perda progressiva de lucidez. Pode ser uma interpretação caótica do jogo, mas quantas vezes já vimos acontecer?! O Porto não chegou lá, mas podia. Micael estava para entrar e, provavelmente, Belluschi para sair. Eis que, de repente, a sorte se inverte e o argentino resolve antecipar-se à placa com o seu número, com um número digno de placa. Grande golo, e, com ele, o fim da malapata. É que, não só o jogo ficou mais fácil, como a própria empatia com as balizas pareceu regressar. Seja como for, uma vitória que foi sofrida, mas inteiramente justa.

- Mais cedo, a notícia do afastamento de Paulo Sérgio. Abordarei o tema com mais detalhe em breve, nomeadamente em relação às expectativas de futuro. Para já, apenas, 2 notas. Uma para recordar o que havia referido há poucas semanas: apesar de, nem Sporting, nem Paulo Sérgio terem a intenção de forçar este desfecho, no futebol, a pressão externa é sempre um factor a ter em conta. A segunda, para referir que, ao contrário do que se diz muitas vezes, a saída dos treinadores não é sempre um mau acto de gestão. Um treinador é, antes de tudo, um líder. A energia e crença no sucesso do trabalho não é uma condição suficiente, mas é uma condição absolutamente necessária para o mínimo de sucesso. Quando um treinador deixa de acreditar, o melhor é afastar-se. Em termos gerais, isto não tem nada a ver com competência técnica, mas com liderança e dinâmica de grupo. Paulo Sérgio, como líder, devia ter-se demitido quando deixou de acreditar. E, como fui aqui escrevendo nos últimos jogos, eram já muitos os indícios de que tinha desistido.

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25.2.11

Polga, a "incompetência", e a "qualidade táctica"

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Tenho deixado aqui várias criticas à forma como algumas opiniões injustas se generalizam sobre o rendimento de jogadores. O caso dos argentinos do Benfica no início de época. O caso de muitos jogadores do Sporting em toda a época. Alguns, absolutamente gritantes. Fala-se de "incompetência", mas, nestes casos, a incompetência está na forma como as opiniões são formuladas, muito mais do que na performance individual dos visados.

Um exemplo vem do jogo frente ao Rangers e da forma como Polga é - e continuará a ser em muitas conversas de café - responsabilizado pelo primeiro golo. Não é um filme novo. Na verdade, é apenas mais uma sequela daquilo que tantas vezes se viu ao longo da época (e que pontualmente foi aqui abordado): a exposição individual pelos erros colectivos.

A jogada não é rápida e acontece em situação de organização. Ou seja, não há motivos para desequilíbrios posicionais. Não há, mas eles acontecem. A primeira linha de pressão não é inexistente mas inútil, a proximidade e agressividade sobre os jogadores que recebem a bola é ausente, e o ajuste posicional é lento e incorrecto. Uma simples combinação e a bola chega ao espaço entre linhas, sem pressão sobre o portador da bola e expondo os centrais. O lateral oposto (Abel) está afastado e o central mais próximo (Torsiglieri) é obrigado a fazer contenção. Restam Polga, Diouf e toda a área para proteger. O avançado faz o movimento nas costas, Polga tem de manter o contacto visual com a bola e com a posição de Torsiglieri (linha defensiva). Ou seja, quando a bola sai, e saindo bem, resta-lhe pouco mais do que... rezar. Só que, neste caso, rezar, não chegou.

Há um pormenor neste jogada que se repete no segundo golo e em muitas outras jogadas em que o Sporting, incompreensivelmente, abre espaços entre as suas linhas: A mudança de flanco. A equipa sente uma dificuldade enorme a ajustes posicionais perante uma circulação em largura, normalmente sobrando para os seus centrais a resolução desses problemas.

"Qualidade táctica" - e esta é a minha versão da definição - é a velocidade e organização com que as equipas se ajustam às diversas alterações e circunstâncias do jogo. O Sporting não tem problemas de incompetência individual, tem problemas de "qualidade táctica".

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24.2.11

Benfica, Sporting e Braga na Liga Europa (Breves)

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- Em Alvalade, a instabilidade do Sporting dava para esperar tudo. Mesmo com um resultado favorável. Mesmo com um adversário acessível. Aliás, se o problema da falta de qualidade da equipa não é de agora, agora, nem a força anímica vale ao Sporting. O treinador "desistiu", como já venho explicando, e essa falta de ânimo reflecte-se agora dentro do terreno de jogo. Porque, caso contrário, mesmo o Sporting de Paulo Sérgio - o "mau" Sporting de Paulo Sérgio! - chegaria para este adversário. Recordo as palavras de José Guilherme, aquando da sua demissão da Académica, no fim de semana: dizia o treinador que a equipa precisava de um "abanão". Atitude humilde, palavras sábias...

- E não é que o Benfica ganhou mesmo na Alemanha! Na verdade, e apesar do resultado e exibição, devo dizer que discordo da abordagem que Jesus fez ao jogo, logo no discurso pós-derbi. Salientar a possibilidade do desgaste físico afectar a equipa é começar a desgastar mentalmente os jogadores, mesmo antes do tempo. E, se há coisa que estamos fartos de ouvir, é que o desgaste não é apenas físico. Enfim, o Benfica ganhou, porque foi melhor, porque teve uma "armada argentina" inspirada - outra vez! - e porque não deixou que a sua ineficácia deixasse vivo o adversário. E esse é muitas vezes o problema em jogos entre adversários de valor: não materializar os períodos de superioridade e deixar "vivo" o adversário. O Porto quase pagou essa factura ontem, e, desta vez, o Benfica pôs-se a salvo.

- Problemas, dificuldades, desilusão? O facto é que o Braga está a fazer a sua melhor campanha europeia de sempre e pode voltar a fazer uma das melhores temporadas da sua história, assim se qualifique para Europa na Liga. Facto, também, é que, apesar de tantas dificuldades, Domingos será, em termos muito objectivos, o melhor treinador da história do Braga. Renovação?! A mim espanta-me, por exemplo, como é que Domingos não é tema de conversa na campanha eleitoral do Sporting...

- Um comentário em relação ao que se segue e aos adversários das 3 equipas. CSKA, equipa muito difícil, cheia de qualidade individual e com um factor casa muito complicado. O Porto é melhor, mas tem de ter inspiração e muita concentração. PSG, uma incógnita. Porquê? Porque as equipas francesas desvalorizam muito a Liga Europa (o PSG e Lille jogaram sem as principais figuras). Uma coisa será o PSG com Nene e Hoarau, por exemplo, outra será sem eles. Em qualquer caso, o Benfica é superior, mas o equilíbrio será muito diferente. Finalmente, Liverpool, pode ser o melhor adversário para o Braga. A pressão é nula, a motivação é muito maior e o desnível pode não ser tão grande quanto os nomes podem sugerir.

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Porto irónico e a jornada europeia (Breves)

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- A ironia do futebol! Villas Boas preparou a abordagem ao jogo pela correcção de alguns aspectos em que a equipa não havia estado bem em Sevilha. O resultado? O Porto, que, mesmo com erros, havia ganho em Sevilha, melhorou, sim, mas... perdeu. Não poderia haver melhor exemplo de como, no futebol como na vida, o factor aleatório joga um papel relevante no curto prazo. Dentro disto, fica-me a dúvida, eternamente indesvendável, sobre a relação entre eficácia e pressão: teria o Porto desperdiçado tanto se não tivesse entrado em campo com uma vantagem tão confortável? Seja como for, a exibição e a resposta foi excelente e é bom que, no final e apesar da derrota, a equipa se reforce positivamente pelo que fez.

- Na Champions, os oitavos de final levantam-me um comentário sobre o actual estado de coisas na elite do futebol europeu: a meu ver, e mesmo numa prova vulnerável aos caprichos de 180 minutos, dificilmente o título escapará ao eixo Barcelona-Real Madrid. Parecem-me, muito claramente, num patamar superior a tudo o resto. Mesmo que Chelsea e Milan contem com uma abundância quase exagerada de qualidade individual. A constatação mais importante, porém, tem que ver com a aproximação do nível médio das ligas francesa e alemã em relação aos 3 campeonatos tradicionalmente mais fortes. É possível que a tendência se acentue nos próximos anos, especialmente no que respeita ao futebol alemão.

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22.2.11

Sporting - Benfica: Análise e números (Benfica)

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Notas colectivas
Um pouco à imagem do que escrevi sobre o Sporting, creio que o resultado e a natureza do jogo conduzem a mais elogios do que aqueles que a equipa realmente merece. Isto, note-se, numa perspectiva relativa, ou seja, tendo em conta as expectativas e aquilo que já conhecíamos das equipas.

O Benfica venceu e confirmou, desde o primeiro minuto, a sua maior qualidade. Mas não foi um jogo especialmente bem conseguido ou de grande inspiração. Pelo contrário. Colectivamente, e sendo melhor como é, o Benfica permitiu que o Sporting encontrasse o caminho para recuperar alguma esperança, mesmo já estando em vantagem. Individualmente, e no plano ofensivo, poucos foram os jogadores realmente inspirados na equipa de Jorge Jesus. Salvou-se Gaitan e pouco mais.


A vitória foi construída um pouco à semelhança do que acontecera no Dragão. Ou seja, o pressing alto provocou dificuldades ao adversário e permitiu ao Benfica jogar a partir de recuperações rápidas na linha média. O domínio inicial garantiu-se assim, e o primeiro golo também.

Confesso, porém, que esperava mais do Benfica a partir do 0-1. Não imediatamente, porque a equipa começou por manter a mesma toada, mas, mais perto do intervalo, quando a equipa permitiu ao Sporting um jogo de mais espaços e de maior dependência da inspiração individual. Se uma equipa é mais forte colectivamente e está em vantagem, tem tudo a ganhar com relegar o jogo (e o adversário) para os momentos de organização, evitando os de transição. Porque é nos momentos de transição que há menos organização e, por consequência, mais incerteza no destino das jogadas. O Benfica permitiu-o e colocou-se a jeito de um volte face no jogo. Sem necessidade.

Importa também comentar a situação de inferioridade numérica. Em relação à substituição e à opção por Saviola, nada de surpresas. Parece-me lógico que se abdique de um avançado, mas discutível que seja Saviola em vez de Cardozo. Essa é, porém, sempre a opção de Jesus. Resta saber exactamente porquê: Cardozo não garante maior capacidade defensiva, nem melhor aproveitamento da profundidade. Pelo contrário, a equipa perde nessas 2 componentes. Garante, sim, maior capacidade de choque perante a marcação e maior presença nas bolas paradas, mas entre as duas hipóteses parece-me discutível que se privilegia esta última.

De resto, o Benfica beneficiou – do mal o menos – de ter tido a expulsão à beira do intervalo. O descanso serviu para evitar o risco de um descontrolo emocional e a equipa regressou consciente do seu papel em termos tácticos. Regressou, até, mais lúcida do que quando jogou com 11. Não é uma surpresa, porque se há coisa onde este Benfica é forte é na sua capacidade posicional. É, porém, importante salientar também a relevância da eficácia ofensiva para o controlo do jogo. O Benfica controlou sempre bem o adversário, mas poderia ter sofrido bem mais não fosse o golo de Gaitan (na única oportunidade clara da equipa depois do 0-1, diga-se). Uma coisa seria encarar a recta final com 1 golo de desvantagem, outra foi, como aconteceu, fazê-lo tendo pela frente um adversário emocionalmente derrotado. Assim, tudo pareceu muito mais fácil.

Notas individuais
Maxi – Continua a confirmar a sua subida de forma. É, aliás, um dos jogadores em melhor momento.

Luisão – Outro que continua num rendimento elevadíssimo. Impecável.

Javi Garcia – Um dos melhores jogos da temporada. Muita presença sem bola, quer no meio campo, quer no apoio aos centrais. Não foi forçado a construir com muita frequência e isso é um alívio porque costuma ser nesse capítulo que mais compromete.

Carlos Martins – Um exemplo de como, apesar da vitória, o Benfica não esteve especialmente inspirado.

Salvio – Marcou e foi útil defensivamente. Mas esteve longe de fazer um grande jogo.

Gaitan – O melhor em campo, sem qualquer dúvida. Cumprindo defensivamente, como é hábito, e sendo a grande fonte de inspiração da equipa em termos ofensivos. Quer nas combinações e iniciativas sobre o seu flanco, quer nos cruzamentos que foi tirando.

Cardozo – Teve poucas ou nenhumas oportunidades, mas trabalhou sempre bem sem bola, confirmando a tendência de ser mais útil nos grandes jogos.



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Sporting - Benfica: Análise e números (Sporting)

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Notas colectivas
As marcas emocionais de um derbi levam sempre a que se retirem grandes conclusões dos 90 minutos. Ou melhor, mais do que dos 90 minutos, do resultado desses 90 minutos. Porque é em cima do resultado que se constroem a generalidade das análises. A verdade é que nem este foi um jogo especialmente mau para o que a equipa vem fazendo, nem – muito menos! – é preciso esperar pelo resultado do jogo para concluir sobre os defeitos de uma equipa que já vai em dezenas de jogos disputados. Bem vistas as coisas, aliás, este foi um jogo que facilmente poderia ter tido outro destino.


Importa, a meu ver, comentar a abordagem estratégica do jogo e fazer uma comparação com a opção tomada por Paulo Sérgio frente ao Porto. Na altura, o treinador surpreendeu o seu adversário com definição de uma estratégia que tirava partido do facto do Porto ir, seguramente, tentar o domínio do jogo. Uma estratégia de maior controlo espacial e menor risco. Desta vez, não o fez. Mesmo sabendo que era o adversário quem – muito mais do que o Porto na outra ocasião – tinha de arriscar. Porque não o fez? Paulo Sérgio terá a resposta, mas, a meu ver, é mais uma prova da “desistência” do treinador.

Dirão os adeptos do Sporting que a equipa tem de se impor pelo domínio, especialmente dentro de casa. Pois é, mas pior do que a incapacidade é a inconsciência da mesma. E foi isso que começou a ditar a derrota do Sporting. Ao assumir um jogo em posse desde a construção, o Sporting propôs-se fazer algo que não faz bem e pagou por isso. Não que tenha cometido muitos erros, mas porque não tem qualidade colectiva para contornar um pressing alto de forma apoiada. Foi assim que o Benfica garantiu uma melhor entrada e foi assim que iniciou a jogada do seu primeiro golo.

Em boa verdade, e dentro das competências que a equipa tem demonstrado, o Sporting até deu uma boa resposta. Nunca conseguiu dominar ou levar a melhor em situações de organização, mas encontrou momentos em que conseguiu esticar o jogo, quer em situações de ataque rápido, quer no aproveitamento de algum espaço entre linhas que o Benfica pontualmente ofereceu. Em situações de organização seria impossível retirar algo do jogo, mas com algum caos, foi o Sporting quem se mostrou mais inspirado – Matias! – e determinado. Não lhe valeu um golo, mas valeu-lhe um homem a mais e alguma esperança num volte face.

É claro que os problemas da equipa não passaram minimamente em claro. Para além da construção, houve também a dificuldade de parar as combinações entre Gaitan e Coentrão, à esquerda, e, já na segunda parte, uma evidente falta de qualidade colectiva na abordagem ao último terço do campo. Incrível como o Sporting não promove quaisquer situações de combinação no flanco, isolando o portador da bola, mesmo em superioridade numérica. Nada de novo, porém.

Notas individuais
João Pereira – Solícito e participativo, mas ainda desinspirado, tal como acontecera em Olhão. Voltou a perder uma bola decisiva, que deu origem ao livre do segundo golo. Mas, pese a desinspiração, não lhe falta qualidade, falta-lhe é mais apoio colectivo.

Grimi - Foi mau. Muito. Mas prometeu pior e poderia ter sido, de facto, muito pior.

Pedro Mendes – Não sei por onde começar, se pela sua exibição, se pela sua substituição. Foi, enquanto esteve em campo, o jogador mais participativo do jogo, especialmente em termos defensivos, recuperando um número enorme de bolas. Não tem a qualidade de passe de Maniche, mas tem uma presença fantástica em termos posicionais no meio campo. Vendo bem as coisas, é já uma sorte para o Sporting que Pedro Mendes não tenha a aparência “redonda” de Maniche. Em vez de substituído, ainda acabaríamos por vê-lo junto a Maniche no banco. Se os tirarem todos do campo, é normal que, de facto, as soluções sejam fracas...

Matias – Se o Sporting encontrou os seus momentos no jogo, é a ele que os deve. Esteve disponível e inspirado, ficando muito perto de virar o rumo do jogo. Matias não sido um caso de sucesso e a responsabilidade não é apenas dos outros. É um jogador com enorme talento, mas que não encontrou ainda o enquadramento certo para o aplicar, ressentindo-se especialmente quando os espaços entre linhas se reduzem, mas também não sendo capaz de se tornar mais útil nesses momentos. É outro que precisa urgentemente de um novo ciclo.

Cristiano – As suas primeiras exibições têm mostrado mais vontade e dedicação do que talento. É certo que não ajuda os poucos apoios que são criados...

Djalo e Postiga – Esforçados? Sim. Mas a nível de produtividade, conseguiram muito pouco.



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21.2.11

Centrais, bolas paradas e a mais valia do Benfica

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Em dia de derbi, trago aqui um assunto que – diz-se... – nestes jogos costuma ser decisivo: as bolas paradas.

Os dados dizem apenas respeito à influência ofensiva dos centrais de cada um dos “3 grandes” em jogos para a liga, mas parte-se do princípio – que creio ser facilmente aceite – de que esse dado está fortemente correlacionado com o aproveitamento destes jogadores nos lances de bola parada.

Os resultados são extremamente claros: em relação aos seus rivais, o Benfica consegue extrair dos seus centrais uma força muito mais forte em termos de capacidade ofensiva. Porto e Sporting, por seu lado, têm resultados próximos, sendo que o Porto beneficia de uma maior eficácia, particularmente pela inspiração recente de Otamendi. Uma inspiração que, segundo estes dados, terá muito poucas hipóteses de se prolongar no tempo.

A importância dos lances de bola parada – e aqui faço uma leitura pessoal que já defendi noutras ocasiões – têm uma importância que vai para além da sua influência directa nos golos que se marcam. As situações de bola parada, mesmo que não tenham eficácia na concretização, podem servir para criar lances de maior proximidade com o golo. Lances que mexem com as bancadas, motivam quem ataca e abalam a confiança de quem defende. No caso, e mesmo não marcando, por várias vezes o Benfica pareceu beneficiar desta mais valia para obter vantagem emocional em determinados períodos dos seus jogos.

A força encarnada neste tipo de lances, em boa verdade, não começou com Jorge Jesus. Já com Quique Flores (e mesmo outros treinadores), as bolas paradas eram um ponto forte do Benfica. Ver no trabalho de uns, o mérito de outros é, normalmente, um exercício tão básico como intelectualmente desonesto. O crédito é devido a quem trabalha e apresenta resultados em cada momento: treinadores e jogadores.

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18.2.11

"O Benfica nunca ganhou na Alemanha..."

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Permitam-me um desvio, uma saída de campo, para abordar esta frase. Não tem a ver especificamente com o Benfica, com a Alemanha ou com o futebol. Tem a ver, isso sim, com a generalização - este é apenas um caso mais óbvio - de diversos erros de raciocínio que levam a análises e conclusões ilusórias, mas que acabam por ser geralmente aceites. Tem, também, a ver - e daí aproveitar o exemplo - com o tipo de abordagem a que me proponho fugir neste blogue. Uma proposta que, embora aparentemente simples, tem na natureza humana um obstáculo enorme.

O ponto não está na constatação: "O Benfica nunca ganhou na Alemanha". Isso é factual. O ponto está, isso sim, no que se está a sugerir ao relembrar esse dado. É que, quer em termos lógicos, quer em termos estatísticos, o facto do Benfica nunca ter ganho na Alemanha é totalmente irrelevante.

Em termos lógicos, é bastante fácil perceber. Que diferença fará para o rendimento de jogadores como Roberto, Maxi, Gaitan, Sidnei, ou qualquer outro que o Benfica não tenha ganho os jogos que disputou na Alemanha nos anos 70, 80 ou 90? Obviamente, nenhuma.

É, porém, o lado da interpretação estatística que motiva o erro e a sua repetição noutros temas e áreas da sociedade, levando a raciocínios errados e conclusões que, com alguma probabilidade, também o serão. O problema é, neste caso, que se confunde a improbabilidade de o Benfica não ganhar pelo menos 1 jogo num determinado país, com probabilidade de haver 1 país em que o Benfica não tenha ganho pelo menos 1 jogo. Esse país é a Alemanha e não há nada de especial ou improvável nisso.

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17.2.11

Liga Europa (Breves)

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- Como explicar a bipolaridade do jogo e, em particular, da exibição encarnada? Talvez seja uma boa forma de, em 90 minutos, resumir a identidade da própria equipa. Já aqui referi várias vezes: as equipas alemãs não têm comparação com o campeonato português e o sua valia em termos de recursos apenas pode ser superada, em Portugal, pelos 3 "grandes". Isto, mesmo para um dos últimos classificados. Jesus recusou a ideia de uma diferença de atitude, mas, chame-se-lhe "atitude" ou outra coisa qualquer, o facto é que não houve da parte do Benfica uma abordagem correcta ao jogo. Isso, mesmo tendo recuperado a vantagem, custar-lhe-á pelo menos a incerteza com que entra na segunda mão. Uma incerteza e insegurança obviamente desnecessárias. Enfim, este é, também, um bom sinal de alerta e que serve para mostrar que os problemas do inicio de época poderão voltar no futuro...

- Uma pena esta fase do Braga. A neve serve de atenuante, sim, a eliminatória está em aberto, também, mas o Braga não dá grandes sinais de estabilização nesta fase da época. Perdeu muitos jogadores, tem muitas lesões e não parece capaz de recuperar os índices de confiança que fariam desta equipa, uma equipa com possibilidades de sonhar nesta prova. Pena pelo Braga, e pena pelo futebol português que tem, como poucas vezes, uma excelente condição para ficar com este troféu. Pode ser que Domingos ainda consiga reencontrar carris mais estáveis.

- Um pouco à imagem do Braga, é pena que este Sporting esteja como está. A competitividade desta prova abre caminhos amplos para sonhar e isso vê-se, por exemplo, na diferença de valores e potencial entre Sporting e Rangers. Mais bola, mais qualidade de circulação, mas raras combinações no último terço e uma enorme incapacidade para oferecer resistência às verticalizações, típicas dos britânicos. Resgatou um empate valioso, mas que garante pouco para uma equipa tão instável. Como no futebol tudo é possível, também o Sporting tem legitimidade para sonhar com esta competição.

- Finalmente, o melhor resultado. Temos sempre a tendência para desvalorizar o valor dos adversários que nos calham. Provavelmente por haver uma sobrevalorização interna das nossas competições. O Porto é melhor equipa que o Sevilha? Claro. Com valores idênticos, talvez melhores, mas seguramente com muito melhor organização e qualidade colectiva. O Sevilha era acessível? Obviamente que não. É das poucas equipas que, em Espanha, têm possibilidade de causar problemas aos 2 "gigantes" espanhóis, como não poderá ser um adversário de respeito?! Levou a melhor o Porto, pela organização e, muito, pelo aproveitamento da excessiva sede de vitória do Sevilha. A eliminatória está bem encaminhada, mas não definida. Uma equipa com o potencial ofensivo do Sevilha pode sempre estragar a festa a qualquer equipa num bom dia. Cabe ao Porto não deixar renascer esse potencial.

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16.2.11

Olhanense - Sporting: Análise e números

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Na alegoria do “boxeur”, utilizada pelo treinador recentemente, Paulo Sérgio continua em ringue e, segundo o próprio, disposto a “levar porrada”. O que se constata, porém, é que Paulo Sérgio já só está mesmo em ringue para “levar porrada”. O próprio deixou de acreditar na sua capacidade de inverter o sentido do combate, e limita-se agora a esbracejar e resistir sem sentido ou estratégia. Ficar de pé e esperar por um milagre é tudo o que lhe resta.

Murros e combates à parte, a desistência de Paulo Sérgio vê-se na forma como a equipa deixou de tentar interpretar a filosofia que o próprio treinador havia definido no inicio de época. E o jogo de Olhão foi apenas mais um exemplo.


Notas colectivas
É sempre triste para um clube com a vivacidade do Sporting ter uma equipa mais crente na sua impotência do que na sua capacidade. Mais triste se torna quando isso acontece com 2 troféus e tantos jogos ainda por disputar. O maior problema desta fase do Sporting é que não está a ser feito um diagnóstico correcto da situação. Há uma focalização excessiva na componente individual, uma incapacidade de reconhecer as mais valias e de identificar potencial nas soluções existentes.

Pede-se e prepara-se, quase seguramente, uma revolução no plantel. Quase sempre, esse tipo de revoluções acontecem quando não há noção do que está mal. Opta-se por uma espécie de exercício de fé: muda-se tudo e reza-se para que se acerte.

Sobre o jogo, volto a salientar alguns aspectos que denunciam a má preparação colectiva da equipa do Sporting:

Primeiro, a filosofia. Conformista com uma posição submissa, quando no inicio de época o Sporting tinha como objectivo, declarado e anunciado, o domínio permanente do jogo. Nada pode denunciar mais a falência de crença do que esta constatação.

Depois, a incapacidade da equipa construir de forma planeada e organizada. Não é uma equipa que tenta jogar directo por opção, mas que acaba frequentemente por ser obrigada a tal. Isto porque quem tem a bola em zona de construção fica frequentemente sem opções seguras de passe, expondo-se ao pressing. Para além disso, a movimentação na zona criativa continua a ser apenas intuitiva. Dentro disto tudo, pode o Sporting congratular-se por ter feito golo praticamente na única jogada que conseguiu fazer em apoio, na primeira parte.

Finalmente, e em termos defensivos, jogar Torsiglieri ou Polga faz toda a diferença. Com Torsiglieri, a equipa tenta com mais frequência o fora de jogo, com Polga muito menos. Porquê? Porque não há uma orientação colectiva clara e bem definida. De resto, vários erros, quer em posse (João Pereira), quer em termos posicionais (Carriço), numa equipa que foi especialmente fustigada à esquerda (intencional?) e que continua a fazer da presença numérica o factor mais decisivo para o sua eficácia defensiva.

Ainda sobre o Sporting, será curioso ver os próximos jogos. Não é liquido que tenham desfechos negativos, apesar do momento e de algumas ausências relevantes. Há qualidade individual, experiência e haverá também mais motivação por parte dos jogadores. Também para o treinador poderá ser um “alívio” poder montar estratégias mais conservadoras e com jogadores mais motivados a interpreta-las. Para ver...

Notas individuais
João Pereira – Foi talvez o jogo mais desastrado da temporada. Desconcentrado com bola, tomou algumas decisões incompreensivelmente más, nomeadamente uma, que desencadeia o desequilíbrio no segundo golo.

Evaldo – Foi invulgarmente participativo, muito porque foi “obrigado” a isso pelo Olhanense. Não se saiu especialmente bem, mas também não especialmente mal. Como quase sempre, aliás. Desde que Grimi não recupere para o jogo do Benfica, pode até nem ser uma má notícia a sua ausência...

Carriço – Não é pelo auto golo que mais merece criticas. E se as merece! Esteve ligado à reacção e recuperação do Olhanense, com posicionamentos estranhos e que abriram por 2 vezes caminho a finalizações na cara de Patrício. Nesses lances pareceu demasiado agarrado a referências individuais e perdeu completamente a noção do seu enquadramento posicional. É estranho nele, mas nesta equipa, com esta organização, já nada se estranha...

Torsiglieri – O Sporting tem aqui um bom valor, sem dúvida. Tranquilo e seguro com bola e muito forte no choque. Precisa de um treinador e de uma organização diferente, que o ajude a evoluir posicionalmente e que, por exemplo, não o obrigue a olhar para trás para perceber se estão todos a respeitar uma linha de fora de jogo que ele está a definir. Precisa ele e muitos outros...

Pedro Mendes – Fez um jogo em crescendo, acabando por ser dos melhores da equipa, como, aliás, não podia deixar de ser. Com Maniche, pode fazer um meio campo de grande qualidade e critério.

Maniche – O melhor exemplo do absoluto desnorte nos diagnósticos que são feitos a esta equipa? Maniche. Haverá poucos jogadores com a qualidade e regularidade do seu rendimento, mas Maniche é sempre apontado como um “problema”. Enfim, outra vez o mais influente com bola, um pouco aquém do que é hábito em termos de eficiência defensiva e interveniente também em termos de acções de desequilíbrio.

Postiga – Foi o destaque do jogo e de facto esteve inspirado nas suas acções ofensivas. A apontar-lhe apenas a completa ausência em termos defensivos. Um problema que é sobretudo colectivo e que com Liedson ficava mais disfarçado.

Cristiano – Jogou pela primeira vez mais tempo e, não se podendo dizer que foi uma estreia auspiciosa, foi pelo menos uma exibição com boa entrega e sem qualquer excesso de individualismo – critica que lhe é normalmente feita. Aliás, se há coisa que lhe faltou foi individualismo numa jogada em que devia ter sido mais expedito a finalizar e que acabou por se perder numa tentativa de assistência.


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15.2.11

Benfica - Guimarães: Análise e números

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Avassalador! Haverá certamente outros adjectivos para classificar a exibição encarnada, mas não é adjectivação que me parece mais importante no balanço, quer do jogo, como do momento da equipa. Tem sido um ano realmente interessante do ponto de vista da análise: uma equipa que era – como agora volta a ser – demolidora, quebra subitamente os seus níveis de performance, voltando depois a recuperar os níveis mais altos, com uma série de vitórias. Salvo novas evidências – e continuarei obviamente a acompanhar – o “caso Benfica” está para mim encerrado. O seu problema nunca foi táctico ou individual – os motivos que, como tanto tentei explicar, erradamente foram mais apontados. O seu problema foi sempre emocional. É que este Benfica de Jesus, tacticamente forte e tecnicamente rico, é “confiançodependente”!

Notas colectivas
A importância da confiança no jogo do Benfica explica-se pela forma como a equipa privilegia a velocidade sobre o critério nas suas acções. Ou seja, os jogadores tentam sempre imprimir um ritmo muito elevado no jogo, verticalizando o mais rapidamente possível, mesmo que esse nem sempre seja o caminho mais seguro para avançar. A importância da confiança está nos índices de sucesso de cada acção: isto é, quando a equipa está bem, torna-se muito difícil de parar porque é muito forte em termos técnicos e tácticos. Quando está mal, porém, os riscos que assume tornam-se uma ameaça tremenda para o seu equilíbrio e recuperação defensivas.

Em relação ao jogo propriamente dito, há 3 aspectos que quero destacar na forma como o Benfica conseguiu a sua superioridade.

O primeiro tem a ver com a agressividade e capacidade reactiva à perda de bola. Muito agressiva toda a equipa, mas especialmente o corredor central. Javi e Aimar estiveram – como poucas vezes esta época – muito fortes na reactividade à perda, ganhando quase todos os duelos e dominando um corredor onde nem sempre estiveram em superioridade numérica. Este aspecto foi muito importante, obviamente, para manter a bola no meio campo ofensivo e não deixar o Vitória jogar.

O segundo aspecto tem a ver com a opção de utilizar quase exclusivamente os corredores laterais em ataque posicional. Javi baixou para a zona dos centrais, dando maior largura à circulação nessa linha, e Aimar apareceu poucas vezes a construir e muito mais a jogar a partir de posicionamentos mais adiantados (caso do 2ºgolo). A bola entrava quase sempre nos corredores laterais e nos extremos. Foi fundamental para o Benfica a produtividade destas combinações, quase sempre bem sucedidas. Há muito mérito da movimentação colectiva, algum demérito da falta de agressividade do Vitória, mas um também notável desempenho técnico dos jogadores, que conseguiram, muitas vezes, sair com bola de situações pouco favoráveis – mais uma vez, está aqui bem presente a importância da confiança.

O terceiro aspecto tem a ver com as bolas paradas. O Benfica é uma equipa com uma qualidade extraordinária neste plano. Extraordinária! A importância deste aspecto não está apenas circunscrito aos golos que consegue, mas estende-se também ao impacto emocional que os lances de perigo podem ter no jogo. Por serem situações emocionalmente intensas (de golo eminente) podem afectar os jogadores, positiva e negativamente, fazendo-os sentir mais confiantes ou inseguros, consoante o caso. Neste caso, isso pareceu-me importante. O Benfica, mesmo antes do golo (por sinal, conseguido de canto), fora ameaçador de bola parada e isso terá contribuído para o entusiasmo dos adeptos, para a confiança dos seus jogadores e para a insegurança do adversário. Isso reflectiu-se na grande diferença no desempenho técnico dos jogadores.

Sobre o Vitória, finalmente, importa dizer apenas que a equipa não esteve à altura das adversidades que lhe foram colocadas e sucumbiu à pressão a que foi submetida. Em termos tácticos, Machado optou por um 4-3-3 largo e pouco profundo, mas não foi por isso que o Vitória perdeu. Quando os jogadores não são capazes de controlar zonas em que têm superioridade, de dividir duelos directos e de manter um desempenho técnico que garanta, no mínimo, a segurança em posse, não há táctica ou estratégia que lhes possa valer...

Notas individuais
Maxi – Está num óptimo momento, crescendo com a equipa e, também, com o entendimento com Salvio. Já em Setúbal tinha sido dos melhores.

Sidnei – A influência decisiva é óbvia e suficiente para ofuscar, quase por completo, qualquer outro aspecto. Ainda assim, foi também um jogador importante a jogar em antecipação na fase em que a equipa exerceu maior domínio. Foi bom para ele entrar neste momento positivo, dá-lhe - a ele e à equipa - maior margem na integração.

Javi Garcia – Esteve mais junto dos centrais em posse, o que lhe valeu maior presença e também mais segurança com bola. Sem bola, esteve também bem e sobretudo melhor do que é hábito, contribuindo de forma relevante para o "sufoco" da primeira parte.

Aimar – Indiscutivelmente o melhor em campo, combinando influência decisiva com um desempenho táctico bem acima do que lhe vem sendo hábito. Porém, convém não confundir grandes exibições com grande rendimento continuado. Aimar vai oscilando o óptimo com o insuficiente e esse é o seu problema desta temporada. Por exemplo, em Setúbal, tinha tido uma prestação bastante fraca, com muita insegurança em zona de construção.

Gaitan – Marcou em Setúbal e vem assumindo maior protagonismo mediático. Digo, porém, que o seu rendimento nos últimos 2 jogos foi inferior ao que era hábito. Particularmente, quando o jogo fica fácil, Gaitan torna-se displicente. É giro, porque torna-se uma espécie de “show” individual, com calcanhares e pormenores deliciosos. A equipa é que não ganha muito com a atitude.

Salvio – Um rendimento global fantástico. Desequilibra, trabalha e ainda consegue manter níveis de concentração muito elevados a cada posse de bola. Dificilmente o Benfica arranjará outro jogador com este rendimento e com a sua idade.

Cardozo – Uma nota para ele, porque, apesar de não ter marcado e de ter desperdiçado um penalti, apareceu mais solicito no jogo colectivo. Algo que acontece muito raramente. É que, apesar de algumas considerações em sentido contrário, Cardozo trabalha normalmente muito pouco para a equipa, para além dos golos que marca. Acredito que muito menos do que aquilo que pode e deve fazer.



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14.2.11

Braga - Porto: Análise e números

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À campeão! Pode ainda ser cedo para o encomendar das faixas, mas a expressão encaixa bem na exibição portista.. O momento não dava boas indicações e o grau de dificuldade da deslocação, muito menos. O carácter dos campeões vê-se, porém, na capacidade que têm para responder na medida certa, nos momentos certos. Foi isso que aconteceu. Ou seja, quando mais se exigia, o Porto, respondeu e regressou subitamente aos melhores níveis de performance da temporada. Por tudo isto, perceber-se-á, concordo mais com Villas Boas no puxar do mérito para o lado azul e branco. Não posso, porém, deixar de dar também razão a Domingos: o Braga não esteve como tinha de estar para poder discutir o jogo. O problema deste Braga, porém, é que é complicado pedir-se muito mais quando se é, tão claramente, o campeão... dos contratempos.

Notas colectivas
O jogo começou com uma visível intenção de ambas as equipas fazerem da organização e agressividade os instrumentos para conseguir ascendente no jogo. Neste particular, a zona central ganhava uma importância grande, com o “encaixe” entre os 2 triângulos de meio campo. O Porto no seu típico 1-2, com Fernando mais recuado, o Braga no 2-1, com Mossoró mais próximo de Lima.

Porque ganhou tão claramente o Porto este duelo? Em termos muito simples: porque foi substancialmente melhor. Melhor na resposta que deu em situações de pressão, contrastando com um mau desempenho técnico do Braga, e melhor na organização e critério que teve com bola. É um facto que raramente encontrou situações de liberdade em zonas privilegiadas, mas é também um facto que esteve praticamente imaculado ao nível da segurança em posse e que, combinando esse dado com uma óptima pressão sem bola, isso lhe valeu um domínio asfixiante na primeira parte. No Porto, há 2 aspectos que quero abordar (embora perceba que teriam mais utilidade com imagens)...

O primeiro tem a ver com a organização com bola. A opção – que me parece mais pronunciada nos últimos jogos – de colocar os laterais num posicionamento mais profundo e aberto teve como consequência um delegar de responsabilidades de construção para o corredor central, mas com a vantagem de afastar os extremos do Braga dessa zona (na primeira parte Alan e Hélder Barbosa pareciam defesas), aumento assim o espaço para construir. Não dá para dizer que o Braga tivesse estado “mal” na resposta que deu, ao nível do pressing, mas acabou por ser impotente perante a dinâmica dos médios (excelente!) e o critério dos centrais (Otamendi!). Acabou, também – e tal como referiu Domingos – por cair na ratoeira do "campo grande" portista, afastando muito as suas linhas entre si. Particularmente, e para além do tal arrastamento dos alas, as linhas mais recuadas não se aproximaram suficientemente da zona de Mossoró, acabando por pagar o preço dessa distância com chegadas fora do tempo ao portador da bola.

O segundo aspecto tem a ver com resposta da equipa sem bola. É frequente ler e ouvir longas dissertações sobre o que os jogadores fazem ou deviam fazer com bola. Pessoalmente, e não é a primeira vez que o refiro, não consigo desligar as 2 situações – com e sem bola – e discordo de tal focalização no que se faz “com bola” como factor determinante de sucesso. Um exemplo é o Porto (todas as boas equipas o são) e o seu meio campo. Fernando, Belluschi e Moutinho são jogadores de uma agressividade e reactividade excepcional, um trio como há poucos no mundo, nesse plano. Isto, em combinação com uma boa compreensão posicional, permite à equipa ter uma presença muito forte em termos de pressão e reacção. Este factor foi determinante no condicionamento dos bracarenses sempre que estes ganhavam a bola. Daí a asfixia territorial no primeiro tempo.

Por fim, nota para o Braga. Há aspectos em que a equipa poderia denotar mais qualidade colectiva, mas é impossível exigir mais a Domingos com as adversidades que teve ao longo da época – aliás, neste jogo também. Há outra coisa que importa referir sobre o Braga: é absurdo comparar-se a qualidade dos seus recursos com as dos “grandes” – qualquer deles. Isso foi perceptível, por exemplo, no desempenho técnico dos seus jogadores na primeira parte. Alan merece, de novo, uma menção positiva, estando acima dos demais.

Notas individuais
Fucile – Regressou e, não comprometendo com os seus erros frequentes, justifica a milhas a titularidade em relação a Sereno, Emídio Rafael ou mesmo Sapunaru. Tem níveis de participação muito mais elevados do que estes jogadores, sendo muito mais útil quer ofensivamente, quer defensivamente. Não fossem os tais erros...

Otamendi – Um jogo praticamente perfeito. Quando foi contratado alertei para a sua má gestão do risco, e, mesmo se isso já se notou várias vezes, dá para dizer que está bem “domesticado”. É mais um exemplo de como um grande central se faz pelas qualidades “brutas” que tem e pela “afinação” que lhe é dada. Por isso, ganha muito mais bolas do que Rolando, por exemplo, e por isso é o melhor central da equipa. Para mais... marcou 2 golos!

Fernando – Os jogadores não recuperam mais ou menos bolas por acaso. Fernando é um bom exemplo disso. Tem uma boa compreensão do jogo posicional, mas complementa isso com uma excepcional agilidade e capacidade de recuperação, que faz dele um “pivot” anormalmente útil em missões de equilíbrio e recuperação. Vinha denotando alguns problemas em termos de concentração e critério com bola, mas corrigiu, fazendo um jogo muito bom.

Belluschi – Na primeira parte foi dos melhores. Reactivo e agressivo – quase eléctrico – sem bola e muito prestável ao jogo quando a equipa a ganhava. Na segunda parte caiu muito e acabou por fazer um jogo que, para os seus níveis, foi “abaixo do par”.

James e Varela – São jogadores diferentes e tiveram exibições diferentes também. A nota sobre eles vai para o facto da equipa precisar de mais arrojo e capacidade de desequilíbrio das suas intervenções, sob pena de ficar demasiado dependente do que Hulk consegue arrancar. Têm qualidade e essa capacidade, mas precisam de encontrar a forma de conseguirem aproximar a equipa do golo com mais regularidade.

Hulk – Voltou às exibições habituais, sendo o mais desequilibrador da equipa. A nota sobre Hulk vai para um pormenor raramente realçado: Hulk tem uma capacidade de trabalho sem bola muito boa e muito acima de outros casos de posições semelhantes. Uma comparação que faço quer com os elementos do próprio plantel, quer com os dos rivais.

Alan e Mossoró – São 2 jogadores habitualmente elogiados pela sua capacidade técnica, mas o seu desempenho, neste jogo, foi absolutamente díspar. Alan quase sempre com boa qualidade e critério, Mossoró um dos responsáveis pela “prisão” da equipa no seu meio campo, durante a primeira parte.



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10.2.11

Argentina - Portugal: Análise e números

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Tal como escrevi ontem, estes jogos, apesar de amigáveis, ficam bem vincados no registo histórico. É aí que começa o sentimento de alguma frustração pela derrota averbada. Uma frustração que se justifica também pelas outras conclusões do jogo. Ou seja, Portugal pode ter defrontado uma das potências do futebol mundial, mas não se mostrou inferior ou com menos possibilidades de poder sair vencedor. Pelo contrário, aliás, creio que mostrou mais qualidades do que o seu adversário. Mais consistência colectiva e menos dependência da sua “estrela”. Messi, de resto, é um personagem fundamental na história do jogo, e não pela penalidade decisiva.

Notas colectivas
A “nuance Messi” começou por marcar o jogo e definiu, também, o único período em que Portugal não foi melhor no jogo: a primeira meia hora.

Messi apareceu a jogar como falso “9”, partindo do meio dos centrais, mas raramente jogando perto destes. Ou seja, ao baixar, Messi criou um problema zonal ao bloco português. Os centrais ficavam sem referência de marcação e o meio campo com uma constante desvantagem numérica, um problema agravado pela qualidade de Messi sempre que tinha a bola. O que fazer?

A resposta é simples. Encurtar os espaços entre sectores, particularmente entre a linha média e a mais recuada. Portugal não o fez imediatamente e, por isso, sentiu algumas dificuldades em controlar os espaços dentro do seu bloco nos primeiros 30 minutos. Quando juntou mais as linhas, Messi teve de baixar progressivamente no campo, recuando para zonas onde o seu protagonismo não tem a mesma consequência.

Aqui, há outro aspecto a abordar, e onde creio que Portugal não esteve tão bem: o pressing. Não era muito fácil, perante o “problema Messi”, subir a linha média para pressionar, mas era importante definir uma zona pressing agressiva e organizada, que diminuísse o tempo de decisão à primeira fase de construção contrária, até pela características incisiva dos extremos – Di Maria e Lavezzi – fortes no aproveitamento das costas. Portugal melhorou na segunda parte, onde subiu linhas com mais critério e menos compromisso dos espaços interiores, mas não teve a agressividade do jogo com a Espanha, por exemplo.

Tudo somado, Portugal perdeu o jogo por algum défice de concentração na recta final, mas foi na parte inicial que menos conseguiu controlar a estratégia argentina. Assim que corrigiu comportamentos e retirou espaço a Messi, Portugal foi claramente a melhor equipa, mais organizada e clarividente em termos tácticos e, também, mais próxima do golo.

Perdemos mas, em definitivo, esta parece-me uma equipa com sérias possibilidades de discutir o título europeu.

Notas individuais
João Pereira – As atenções mediáticas estavam centradas do outro lado do campo, em Coentrão, mas foi João Pereira quem arrancou mais uma excelente exbição. É um grande lateral, com algumas lacunas, é certo, mas não me parece que haja muitas Selecções com alguém melhor do que ele na sua posição.

Coentrão – Não foi, de facto, o melhor jogo para demonstrar o seu valor. Di Maria e Zanetti são um corredor duro de enfrentar. Coentrão bateu-se bem, mas não conseguiu o protagonismo habitual. A pintura, porém, só ficou mesmo borrada no último minuto.

Meireles – Tinha feito um grande jogo com a Espanha e neste não se pode apontar-lhe nada em termos de atitude e entrega. Acontece que foi uma das grandes vitimas da tal liberdade de Messi. Teve sempre mais do que um jogador a cair na sua zona e isso condicionou-lhe a acção de forma determinante. Para mais, acabou por cometer alguns erros invulgares em posse na segunda parte. Note-se, porém, que é um médio de grande qualidade e um indiscutível da Selecção, seja em que posição for do meio campo. A sua valia, aliás, fica bem clara na rapidez com que se impôs no Liverpool.

Hugo Almeida – Todos lhe apontarão o dedo pelos 2 golos que falhou – particularmente o segundo. No entanto, Hugo Almeida teve uma acção preponderante em termos ofensivos. Teve em todos os desequilíbrios da equipa, fez 1 assistência e ainda enviou 2 bolas à barra. Outro aspecto onde esteve bem foi no domínio das primeiras bolas. É importante, porém, que haja um melhor aproveitamento da equipa no posicionamento das segundas bolas, porque poucas foram as vezes em que as suas acções, nesse capítulo do jogo, tiveram consequência.

Messi vs Ronaldo – Aparentemente será um disparate valorizar este duelo. Em termos práticos, porém, a história diz-nos que não é assim. Um particular entre Argentina e Brasil dos anos 80 tem interesse por causa de Zico e Maradona. Nos anos 60, Brasil e Portugal poderiam jogar “a feijões”, que Pelé e Eusébio seriam sempre um ponto de interesse. Se há motivo pelo qual este jogo pode ser relembrado no tempo, é por este duelo e nada mais.
Messi terá levado a melhor, sobretudo pela vitória argentina e pela sua influência directa na mesma. Mas é uma vantagem que se torna irrelevante porque ambos estiveram em grande nível e, claro, porque Ronaldo jogou apenas 2/3 do jogo.



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Selecções e Costinha (Breves)

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- Para as ilações a tirar, estou de acordo que o resultado interessa pouco. Mas, para a História - e estes jogos têm um lugar nada irrelevante na História - o resultado é tudo menos irrelevante. Serve esta constatação para lamentar uma derrota que classificaria como desnecessária. Não injusta, mas desnecessária. É verdade que o empate seria mais fiel ao equilíbrio do jogo, mas também é um facto que a Argentina se manteve mais forte na recta final, depois de um inicio de segunda parte onde Portugal esteve melhor e falhou 3 golos "feitos". Analisarei melhor o jogo, mas, num primeiro balanço fica a ideia de que Portugal, e apesar da derrota, confirma a recuperação de um nível mais de acordo com o seu potencial. Ou seja, capaz de jogar de igual para igual com qualquer selecção do mundo, e com idênticas possibilidades de sair vencedor. Isto, apesar das dificuldades que o meio campo luso sentiu, em especial na primeira parte, para controlar a mobilidade e qualidade de Messi.

- Também jogaram os sub 21. O resultado foi melhor, mas a exibição foi bem menos promissora. Não é sobre o jogo que quero falar mas, antes sim, de um tipo de postura que se começa a impor em relação aos naturalizados. Sempre que se pensa em integrar um cidadão português de origem estrangeira, com 1/3 do seu tempo de vida vivido em Portugal, levantam-se uma série de vozes discordantes. O que me parece difícil de perceber é que, depois de todas essas discussões, os mesmos contestatários aceitem, com a maior naturalidade, que se recuperem cidadãos estrangeiros, e que têm como única ligação ao país a sua ascendência. Aos meus olhos, todos os cidadãos portugueses devem ter os mesmos direitos e é perigoso fazer qualquer tipo de distinção entre eles. Pior, neste caso está-se a aceitar que se use o "sangue" como critério primordial de exclusão. Estou certo que não o fazem com essa intenção, mas quem defende este tipo de exclusões não está a promover outra coisa que não seja a xenofobia.

- Entretanto, e noutras "novelas", chegou ao fim a "era Costinha", no Sporting. Sempre disse que "saber escolher" é a mais importante virtude de qualquer Presidente. Tão importante que me arriscaria - com algum exagero à mistura - a considerar que é a única virtude que realmente interessa. Pois bem, se Bettencourt falhou foi porque não soube escolher, e nenhuma das suas escolhas foi tão obviamente equivocada como a de Costinha. E esta não é uma análise que faço à posteriori, posso garantir. O que me leva a comentar Costinha neste momento, porém, não é o seu trajecto, mas antes a forma como resolveu sair. Podemos chamar-lhe o "método da entrevista kamikaze", ou "método queiroziano". Pessoalmente, considero que o carácter é a última coisa que devemos hipotecar...

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8.2.11

Porto - Rio Ave: Análise e números

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Tenho para mim que estes são os momentos mais difíceis de entender no futebol e, por isso também, os mais interessantes. Momentos de quebra ou superação das equipas. O Porto está a viver um desses momentos, que não é ainda suficiente para que lhe chamemos de “crise”, mas que urge ser invertido sob pena de justificar esse rótulo. A única coisa que podemos garantir é o efeito, já que a causa, essa, é bem mais difícil de identificar. Normalmente assistimos a um desdobramento de explicações que tentam estabelecer uma relação linear entre uma causa e um efeito. Não acredito nesse tipo de visão redutora para um problema que julgo ter na complexidade uma das poucas certezas em relação à sua origem. Ainda assim, acredito na importância de uma palavra em toda esta equação: confiança.


Notas colectivas
Podemos começar pela leitura do que se viu. O Porto foi sempre dominador, sim. Teve até uma % de sequência em posse bastante elevada. Tudo elementos normais e expectáveis num jogo desta natureza, e que normalmente redundam num volume bastante grande de oportunidades. Não foi o caso, e aqui começam os indicadores atípicos em relação ao jogo: poucos desequilíbrios junto da baliza contrária (2, que é um novo mínimo em jogos para o campeonato), e muitas perdas de bola em posse (10, que é um novo máximo da equipa).

Ou seja, o Porto dominou como é costume, apresentou até alguns bons momentos de fluidez na sua posse, mas não teve a mesma capacidade e rendimento em 2 áreas fundamentais do seu jogo. Primeiro, a segurança, com vários erros a serem cometidos em zona de construção, e, depois, no último terço, não encontrando a inspiração e arrojo para ultrapassar a última barreira do adversário, até onde chegou com bastante frequência.

Perante tudo isto, é muito redutor explicar a situação pelas ausências de Álvaro Pereira e Falcao. É verdade que ao Porto faz falta um lateral mais incisivo, que consiga ser uma solução de profundidade no corredor. Também é evidente que a ausência de Falcao, não só retira qualidade, como altera a dinâmica do trio da frente. Também se pode dizer que Belluschi tem uma objectividade no último terço que teria sido uma mais valia neste jogo. Mas, nada disso explica apenas 2 desequilíbrios e 10 perdas de bola num jogo destes.

Importa também falar sobre Hulk. Não é verdade que Hulk jogue estritamente na posição de Falcao. Ou seja, com Hulk nesse papel, há muito mais trocas posicionais com os 2 extremos, pelo que Hulk, e ao contrário do que acontece com Falcao, aparece frequentemente em zonas laterais. O ponto é que, se a sua influência decisiva caiu nos últimos 2 jogos, tal não terá estritamente a ver com o seu posicionamento base, como muitas análises tentam sugerir. Aliás, as primeiras adaptações de Hulk a esta dinâmica não o impediram de continuar a decidir.

Sobre o Rio Ave, também é interessante referir o tema “confiança”. É uma das equipas mais bem organizadas do campeonato e tem bons jogadores em várias posições – lança muitos portugueses! Na minha leitura, muitas das suas dificuldades no campeonato têm a ver com o impacto emocional dos maus resultados iniciais. Ou seja, perdendo a abrir a prova, a equipa teve dificuldade em estabilizar os níveis emocionais e isso ter-lhe-á custado erros e pontos. Caso contrário, não espantaria que esta mesma equipa estivesse no mesmo plano de Leiria ou Olhanense.

Notas individuais
Sapunaru e Sereno – Continuo a pensar que os laterais beneficiam da qualidade do modelo colectivo, que lhes esconde lacunas e potencia virtudes. Mas continuo a pensar, também, que o modelo colectivo beneficiaria com laterais de outra qualidade e características. Tanto vale para um como para outro.

Otamendi – Regressou, mas não teve um jogo ao nível do que se lhe pode exigir. Não tanto defensivamente, mas pelos erros que cometeu com bola.

Fernando – Foi um dos mais criticados no jogo com o Benfica, e de facto errou nessa partida. Neste jogo, porém, esteve muito mais errático do que a meio da semana. Tem uma capacidade física notável e é uma enorme mais valia em termos de recuperação, mas não pode cometer tantos erros em posse na sua zona.

Ruben Micael – Foi o primeiro a oferecer um ataque rápido ao Rio Ave e voltou a repetir o mesmo tipo de erro mais tarde. No entanto, Micael foi, durante boa parte do jogo, o jogador mais influente do meio campo, notando-se a sua disponibilidade para ter a bola e a sua boa capacidade de decisão. É pena não ter outra agressividade e explosão, porque é um jogador com uma noção excepcional do jogo, notando-se na rapidez com que define o destino que deve dar às bolas que por si passam.

Moutinho – Desta vez foi decisivo. De resto, não fez um jogo excepcional, também errou, mas manteve-se dentro do seu registo altamente fiável de rendimento. Tudo somado, parece-me justo que seja o “melhor em campo”.

Varela – Marcou, é verdade, mas foi pouco o que fez depois.

James – Desta vez não teve a clarividência que o tem caracterizado e não deu a melhor sequência a muito do jogo que por si passou. Por outro lado, continua a perceber-se que ainda não é nele que o Porto pode confiar para ser um “abre latas”.

Hulk – Um dado curioso sobre a sua exibição: muitas vezes Hulk decide mas não dá sequência a muito do jogo que por si passa. Desta vez foi ao contrário. A maioria das bolas que passaram por ele tiveram sequência colectiva, o problema é que não foi decisivo. Há dúvidas sobre o que é mais importante?
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7.2.11

Sporting - Naval: Análise e números

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Era suposto ser apenas o último jogo do goleador, mas o curso da partida teve o condão de transformar um aparentemente natural fim de ciclo, numa sensação de perda irreparável. Não que Liedson – este Liedson – não seja, de facto, uma perda para o Sporting – qualquer Sporting. Mas é também uma evidência que a prestação de Liedson só se tornou heróica porque a mediocridade do futebol da equipa assim o permitiu. Tivesse o Sporting uma equipa mais bem preparada e nenhum heroísmo seria necessário, fosse ele de Liedson ou de outro qualquer. Seja como for, o efeito até acabou por ser positivo para um clube em crise não só desportiva: afinal os clubes vivem da emoção que geram, e se há coisa que se viu no final, foi emoção.

Notas colectivas
O jogo não teve nenhuma abordagem estranha por parte das equipas. O Sporting, repetindo a fórmula que lhe deu a última vitória, na Madeira. A Naval, repetindo a abordagem que já tivera em todas as outras partidas sob o comando de Mozer. O mais curioso desta constatação é assistir ao que aconteceu com pouco menos de 30 minutos de jogo: a substituição de Salomão por Zapater, alterando o figurino táctico do Sporting.

Ora, a minha leitura perante a reacção de Paulo Sérgio é simples: nos primeiros minutos o Sporting protagonizou algumas aberturas largas para o corredor direito, onde conseguiu “quebrar” a ratoeira do fora de jogo e libertar Vukcevic. Paulo Sérgio, numa atitude aparentemente lógica, quis ter a mesma presença à esquerda, colocou Salomão e indicou, ali, que o caminho para a vitória passaria por repetir o mesmo tipo de passes para as costas dos laterais contrários.

O que é que isto tem de errado? Primeiro, e sobretudo, o facto desta reacção acontecer num jogo em que, como referi em cima, a estratégia da Naval – nomeadamente no adiantamento da sua última linha – foi exactamente a mesma de jogos anteriores. Ou seja, se era para explorar um movimento específico, Paulo Sérgio deveria tê-lo preparado antecipadamente. O resultado não foi muito diferente do que se poderia prever. Depois, o Sporting deu todas as indicações de que o que estava a fazer não tinha o mínimo de preparo, tal a forma como a Naval se adaptou e conseguiu responder com sucesso às sucessivas tentativas de exploração do espaço nas suas costas (basta ver o número de foras de jogo). Finalmente, o facto do Sporting tentar sempre esta abordagem, não só tornou o seu jogo mais previsível como foi de encontro à própria estratégia do adversário, que subia a sua linha mais recuada para não ser encurralado na sua área.

Resultado de tudo isto? Não só o Sporting não foi capaz de exercer um domínio continuado, como se sujeitou muito mais às consequências do momento de transição. É que, ganhando a bola na linha média, a Naval estava a 2 passes da área contrária.

É importante notar que nem sempre foi assim a “era Paulo Sérgio”. O treinador começou por ter uma ideia clara do que pretendia fazer em termos de ideia de jogo. Disse-o em várias oportunidades: o “seu” Sporting queria ser dominador e superiorizar-se pela por aquilo que fazia em posse. O facto é que nem as suas ideias para a implementação desse objectivo foram as melhores, nem a equipa foi capaz de evoluir na assimilação das várias rotinas. Problemas que são identificáveis desde a pré temporada, mas que o próprio treinador não parece ser capaz de reconhecer ainda hoje. E esse será o seu maior problema, porque sem consciência dos próprios erros, nunca se pode melhorar.

Sobre a Naval, muito da sua estratégia está descrita acima. Não tem grande qualidade no que faz, mas tem muita determinação e, quando a sua estratégia do fora de jogo resulta, a equipa fica imediatamente mais próxima do golo. É que subindo a linha defensiva, sobe também a sua zona de recuperação, evitando ter de trabalhar muito os seus ataques. Mozer conseguiu inverter o momento psicológico e isso é capaz de ser mesmo o mais importante para qualquer tentativa de salvação.

Notas individuais
Rui Patrício – Há 1 semana escrevia que não eram as grandes exibições que distinguiam os grandes guarda redes. É, antes sim, a regularidade e escassez de erros. Ora, Rui Patrício continua a ser uma aposta ganha do Sporting, mas é também necessário que mantenha os pés na terra.

Abel – A Naval forçou várias vezes o jogo directo para a sua zona e Abel esteve muito bem. Ganhou quase todos os duelos, quer no chão, quer no ar. No entanto, a qualquer avaliação da sua exibição não poderá esquecer os lapsos que teve em alguns momentos. 2 deles na primeira parte e, finalmente, no terceiro golo, foi inadmissível que de uma falta resultasse um cruzamento sem oposição. Embora, aqui, não seja certo que a responsabilidade fosse inteiramente sua.

Evaldo – Até estava a fazer uma das actuações mais participativas da época, mas borrou completamente a pintura no primeiro golo, dando inicio ao descalabro que se seguiu antes do intervalo. Depois, na segunda parte, voltou ao registo habitual. Tudo somado: muito mau!

Carriço – Tal como Abel, teve bastante trabalho pela tendência da Naval em investir pelo seu flanco. Tal como Abel esteve bastante bem na resposta que deu. Tal como Abel, porém, manchou a sua exibição com alguns erros, nomeadamente na forma pouco decidida como abordou uma bola dividida no segundo golo.

Pedro Mendes – Não fez um jogo fantástico – longe disso – mas à semelhança de Maniche sabe bem que terrenos pisa e tem de pisar. Não tem a mesma capacidade de passe e influência ofensiva do outro veterano, mas formaria com ele uma dupla fantástica no meio campo da equipa.

André Santos – Fez um jogo sofrível a confirmar que está em franca perda nesta fase da época. Jogou no meio campo mas, tal como na Madeira, o jogo passou-lhe à frente dos olhos. É preciso perceber que não se pode esperar de André Santos o rendimento de Maniche ou Pedro Mendes. A capacidade posicional e a qualidade de decisão crescem com a experiência e André Santos evoluirá seguramente ao longo do trajecto que tem pela frente. O que não se pode confundir – e repito a ideia – é potencial com rendimento presente.

Vukcevic – A sua reputação entre os adeptos é cada vez menor, mas eu creio que Vukcevic tem mostrado uma disponibilidade muito maior para o jogo do que em fases anteriores. Individualismo? Talvez, mas não se pode queixar de individualismo quem o fomenta, como é o caso de Paulo Sérgio e o seu "modelo de jogo". Admito poder estar errado, mas diria que a resposta de Vukcevic, face às condicionantes, é um bom indício sobre a disponibilidade do jogador para evoluir.

Postiga – Diz-se muito que trabalha bem fora da área, mas essa não é uma verdade indiscutível. Aliás, muitas vezes é mesmo mentira. Neste caso, porém, Postiga fez jus a essa reputação e ao seu potencial técnico: jogou bem e foi influente em termos ofensivos. Um bom jogo, só ofuscado pelo brilho de Liedson.

Liedson – Exceptuando os lances decisivos, não foi sequer um grande jogo para os seus parâmetros. Sem bola, trabalho acima da média, mas normal nele. Com bola, poucas oportunidades para jogar, menos do que o normal. No entanto, esteve em 4 dos 5 desequilíbrios da equipa e isso chegaria para deixar uma óptima última impressão.

João Real – Curioso voltar a acompanhar este jogador depois da exibição do Dragão. Voltou a fazer um jogo na mesma linha, confirmando que tem uma capacidade atlética notável e que, nesse plano, não haverá muitos como ele. Pena o resto.
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Porto, Benfica e a jornada (Breves)

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- No Dragão, não é difícil constatar o que toda a gente viu: o Porto fez uma das mais fracas exibições da temporada e muito se poderá valorizar a eficácia do minuto 7, porque, depois, pouca coisa se viu. Villas Boas valorizou a vitória, mas atirou a responsabilidade da quebra de rendimento para a sobrecarga de jogos. A mim, parece-me que o motivo pelo qual os 3 pontos são importantes é o mesmo pelo qual a sobrecarga de jogos não serve de explicação: a confiança. Enfim, voltarei a este jogo com mais detalhe, mas não quero deixar de comentar que o Rio Ave, e apesar do mau jogo portista, não conseguiu criar ocasiões de golo. Este dado é relevante quando comparamos o mau período portista com a fase menos boa do Benfica, onde as ocasiões dos adversários sucediam-se.

- Em Setúbal, em primeiro lugar, um elogio ao Vitória. São cada vez menos os clubes verdadeiramente populares em Portugal, mas em Setúbal mora um dos últimos resistentes. Também ao nível do jogo, o Vitória enriqueceu o interesse de que se sentou para ver a partida. Poucas equipas no campeonato serão capazes de dar tamanha réplica ao Benfica, nesta altura. Não que o trajecto do Vitória mereça grandes elogios, mas porque Manuel Fernandes tem essa particularidade de fazer as suas equipas parecem melhores do que são nos jogos "grandes". Estratégia e atitude, são os segredos desta característica. A verdade é que não chegou. Porque o Benfica foi melhor e porque o Vitória não conseguiu um elemento fundamental para o sucesso da sua proposta: a eficácia. De resto, os argentinos insistem em desconstruir muitas análises precipitadas que sobre eles foram feitas.

- No resto da jornada, nota para o super entretido e interessante Marítimo-Braga. Uma chuva de ocasiões e muita felicidade para a equipa de Domingos já na recta final. No outro duelo Minho-Madeira, um cenário bem mais pobre. O Vitória mereceu mais, mas não mereceu muito. Mais divertido é ouvir Jokanovic no final dos jogos: "Se houve equipa que merecia ganhar, foi o Nacional". Repete sempre isto, seja qual for a história do jogo. Nota ainda para o facto de Mozer continuar a ser o único protagonista de uma "chicotada" com algum efeito positivo nos resultados das equipas que trocaram de treinador - e aqui reporto-me apenas aos resultados, e não faço qualquer análise a jogos que não vi. Finalmente, em queda livre está o Leiria, desde a viragem do ano. É impossível para mim não recordar a saída de Carlão: era um jogador determinante para o Leiria, e é um desperdício que não tenha continuado a evoluir cá dentro.

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5.2.11

O invulgar Liedson (Breves)

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- O jogo, enquanto tal, serviu apenas para agudizar o estado doentio do futebol do Sporting. Mas dificilmente algum adepto terá dado por mal empregue o seu tempo. Liedson sempre teve o condão de se superar nos grandes momentos, mas talvez seja difícil encontrar paralelismo para aquilo que conseguiu no seu último jogo. Um estádio em pré-revolta, de repente, inverteu o seu estado emocional e... desatou a chorar! De resto, parece que a margem de manobra de Paulo Sérgio é cada vez menor. O treinador diz que não se demite, e é pouco provável que haja qualquer intenção directiva em forçar a sua saída. Nada disto garante, porém, que não tenha de sair antes do dia das eleições...

- Ainda sobre Liedson, o avançado deixa o Sporting como um jogador histórico. Todos falarão dos golos que marcava e da importância de muitos deles. Mas poucos conseguirão explicar bem porque o fazia tantas vezes e em momentos tão importantes. Não é um jogador forte em nenhum dos parâmetros tradicionalmente considerados e, por isso, enquanto uns se limitavam a aceitar os números sem questionar, outros duvidavam sempre do seu valor e utilidade (acontecia sempre que a eficácia baixava). Acontece que, ao fim de 350 jogos, não se é "bom porque se marca", mas "marca-se porque se é bom". Ou seja, não é por as suas virtudes serem mais invulgares que alguma vez deixaram de lá estar. Sempre estiveram.

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4.2.11

Os "alicerces" da vitória do Benfica (vídeo)

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Foram tantas as vezes em que trouxe aqui vídeos do mesmo tipo, mas para explicar derrotas do Benfica, que chega a ser algo irónico que a mais conseguida vitória encarnada tenha por base o mesmo tipo de situação, mas, agora, com prejuízo para o seu adversário. De facto, a vitória do Benfica ficou alicerçada – e que bem alicerçada! – nas dificuldades que a equipa conseguiu provocar na saída de bola adversária. Foram situações atrás de situações, quase todas nos primeiros minutos de jogo, culminando com a definição de uma vantagem que acabaria por prevalecer até ao final. A questão que vem a seguir é a de sempre: mérito de uns, ou demérito de outros?

Na resposta a essa pergunta, os treinadores pareceram concordar:

Jesus não perdeu tempo em elogiar a sua equipa e a pressão de “primeira e segunda linhas”. Fez bem, porque esse foi, de facto, o dado fulcral na definição do jogo e porque o Benfica teve, realmente, mérito na atitude e organização com que se apresentou.

Villas Boas, por seu lado, tentou aliviar a pressão sobre os seus jogadores, recusando individualizar a responsabilidade e, por outro lado, falando do “orgulho” da equipa no seu estilo. Também se compreende o discurso, porque importa reerguer os índices motivacionais e não penalizar ainda mais jogadores que, mais do que ninguém, sentem quando falham.

O facto é que não é o estilo que está em causa, mas interpretação do mesmo. E, aí, certamente que Villas Boas não sentirá orgulho pela falta de segurança da equipa na aplicação do seu próprio estilo, na abertura do jogo. Ou seja, se há mérito do Benfica, é óbvio que uma equipa como o Porto – que, importa não esquecer, vinha mostrando muita qualidade neste particular – tem de exigir muito mais de si própria.



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3.2.11

Porto - Benfica: Análise e números (Benfica)

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Notas colectivas
É mais engraçado falar-se de “vitórias tácticas” e outras coisas que tal. O facto é que os alicerces da vitória encarnada são, a meu ver, três: atitude, eficácia e qualidade. Sendo que a qualidade sempre esteve lá, só que quase sempre, e quase todos, só a vêm depois de saberem o resultado.

Quanto ao lado táctico, na verdade, não há assim tanta novidade. A equipa jogou em 4-4-2 clássico como já fizera em tantas outras ocasiões, nomeadamente nos jogos da Liga dos campeões. Mesmo frente ao Porto, no “pesadelo” do Dragão, havia apresentado uma linha de 4 no meio campo. Mas houve uma diferença, de facto.


No jogo para o campeonato, e apesar da tal aproximação de Martins a Garcia, não existiu qualquer preocupação em relação aos movimentos de Belluschi em largura. O argentino libertou-se algumas vezes e nessas ocasiões teve um impacto decisivo. Desta vez, Jesus foi precavido como já devia ter ido para o primeiro jogo. É que esse tipo de movimentos são comuns no Porto. Muito mais do que o nome do jogador, houve a preocupação de o alertar para o que teria de ser feito. O facto de ter jogado Peixoto, o que não é normal, ajuda a realçar a preocupação do treinador, mas ela podia ter existido mesmo mantendo Aimar ou Martins no meio campo.

De resto, e aproveitando a vantagem que conseguiu, o Benfica esteve sempre muito bem e ao seu nível. Conseguiu potenciar o erro do adversário e levar a melhor através da pressão e agressividade que introduziu. Depois, e com o passar do tempo, acabou por ter de assumir uma postura mais posicional, sobretudo após a expulsão. Durante muito tempo conseguiu evitar uma exposição dos centrais e quando o Porto os forçou a abrir mais pelos movimentos de Hulk, eles responderam bem, contando também com uma cobertura solidária da equipa.

É importante, finalmente, destacar o papel fundamental de Sálvio e Gaitan no desempenho táctico da equipa. Há algum tempo que venho escrevendo que os argentinos estão perfeitamente ao nível das exigências defensivas do modelo e que há uma visão tão generalizada como mal fundamentada sobre a sua utilidade táctica. Isso foi mais claro neste jogo, mas não foi novidade nenhuma.

Notas individuais
Coentrão – Espectacular actuação! De tal modo que, mesmo expulso, acho que merece o estatuto de melhor em campo. Discute-se se deve ser defesa ou médio, mas há jogos onde Coentrão parece ser defesa e médio ao mesmo tempo, tal a intensidade que coloca nas suas acções.

Luisão e Sidnei – Estiveram ambos bem. Melhor Luisão, sobretudo porque não cometeu alguns erros do seu parceiro, mas ambos estiveram bem. É certo que protegidos pela equipa, mas corresponderam bem quando foram forçados a sair da sua zona.

Javi Garcia – Marcou um golo importante e esteve bem na sua missão posicional. O facto da equipa não ter assumido um jogo com mais posse, ajuda-o porque claramente não se sente muito confortável nesse momento. Tudo somado, esteve praticamente perfeito em tudo o que fez.

Peixoto – Fez de facto um bom jogo. Cumpriu a missão específica sobre a esquerda e com bola também esteve bem.

Gaitan – As estatísticas indicam-no há muito e aquilo que aqui venho escrevendo deve começar a ser mais evidente com o passar do tempo. Mantém-se sem a intensidade (com e sem bola) que o poderia catapultar para outro rendimento, mas é um jogador de grande qualidade técnica e muito útil tacticamente, porque, simplesmente, se posiciona bem, no local certo e no tempo certo. Recuperou um número muito elevado de bolas apenas e só porque entende a sua missão táctica.

Salvio – Não teve o protagonismo de Gaitan no trabalho defensivo, mas é bom notar que também Salvio se relaciona muito bem com Maxi no corredor. Muito rápido a compensar o lateral e, mesmo que não tenha tido grande impacto no jogo, esteve bem na generalidade das oportunidades que teve para jogar.

Cardozo – A meu ver, não se justificava a sua permanência em campo depois da expulsão de Coentrão. Ainda assim, é de notar o esforço que fez na sua missão, conseguindo muitas vezes ser útil em situações muito complicadas, e quase construindo um golo praticamente sozinho. O ponto sobre Cardozo é que a sua capacidade de trabalho parece aumentar em jogos de maior grau de dificuldade. O que indicia que se lhe pode exigir noutras ocasiões onde até lhe é mais fácil fazer mais.



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Porto - Benfica: Análise e números (Porto)

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Notas colectivas
Não é apenas pela derrota que o Porto se deve preocupar com o que se viu. É certo que tudo começou com uma entrada pouco concentrada, fértil em erros perfeitamente evitáveis e que acabou por ser severamente punida pela eficácia do adversário. A este nível, é sempre um destino a esperar para quem não aborda o jogo sem a atitude indicada. Esse é o primeiro ponto a rever, mas há mais.

O que talvez mais espante na exibição portista é a incapacidade que a equipa revelou para criar oportunidades de golo. Recordando o inicio de temporada, realçava a capacidade mental desta equipa, a sua concentração e a forma como parecia perceber a importância da componente emocional no desempenho da sua proposta de jogo. Frente ao Benfica, porém, o lado emocional portista foi do pior que se poderia esperar. Primeiro, pela tal abordagem sem intensidade ao jogo. Depois, porque, em desvantagem, jogou sempre sob o efeito intenso de uma ansiedade que lhe condicionou amplamente a habitual qualidade do seu jogo em posse. Isso notou-se, quer ao nível do critério – verticalizando precipitadamente – quer ao nível do próprio desempenho individual em várias situações.


Outro ponto em que também importa reflectir e onde há algum espaço para discussão é relativamente às opções de Villas Boas. A grande novidade foi Sereno, que talvez tenha sido escolhido por alguma desconfiança em relação à fiabilidade de Fucile, demasiado ligado a erros decisivos nos jogos em que tem participado. A verdade é que o desempenho do ex-Vitória correspondeu à aposta. Não é, de resto, pelas opções individuais iniciais que o Porto terá perdido o jogo ou, sequer, deixado de o conseguir recuperar.

A verdade é que na primeira parte o Porto ainda conseguiu algum esboço da sua qualidade habitual. Não de forma continuada, é certo, mas conseguiu alguns bons movimentos de envolvimento, com jogadores a conseguirem liberdade, quer no corredor central, quer sobre os corredores. O problema da primeira parte teve muito mais a ver com a abordagem ao jogo do que com opções tácticas. Já na segunda parte, o falhanço das opções tomadas foi bastante mais flagrante.

Villas Boas trocou James por Cristian, parece-me, para tentar libertar Hulk mais vezes nos corredores – não dá para dizer que Hulk jogou numa posição central na segunda parte. Muitas vezes o Porto não criava referências de marcação ao centro, tentando, talvez, atrair os centrais contrários fora da sua zona. A verdade é que essa intenção, quer pela desinspiração de Hulk nas situações de 1x1 no flanco, quer pela incapacidade da equipa de promover maior qualidade à sua posse, nunca resultou. Nem primeiro, com Bellsuchi, nem depois com Guarin, nem sequer com a entrada de Ruben Micael. Mérito do Benfica, é certo, mas foi relamente muito pouco para não se ver uma grande dose de culpa própria no sucedido.

Finalmente, nota para as opções individuais na segunda parte. Estando em desvantagem e com mais 1 jogador, pedia-se outra característica em algumas posições. Alguma capacidade para intervir de fora. O Porto tem essa capacidade no plantel, mas abdicou dela. Como opinião pessoal, creio que se utilizou demasiado tempo laterais mais fortes posicionalmente, como Sapunaru e Sereno, e que a saída de Belluschi é altamente questionável pela intensidade que estava a colocar no jogo e pela característica que tem. Isto, claro, para além de Walter.

Notas individuais
Helton – Para perceber a forma como o Porto entrou, basta ver a exibição de Helton. Pouco decidido e aparentemente pouco concentrado. Não é novidade este tipo de situação num guarda redes que tem características fantásticas.

Rolando – Esteve bastante bem em quase todo o jogo, só que também não deixou de ter uma entrada errática em posse. Não dá para dizer que foi o responsável pelo primeiro golo, mas dá para identificar que foi ele o autor do passe que ditou a perda de bola.

Maicon – Ligado ao primeiro golo pela forma como não protegeu correctamente a sua posição. Para além disso, contribui com alguns lapsos na tal fase errática da equipa, logo a abrir o jogo. Depois acertou, mas o mal já estava feito.

Fernando – Outro que acertou, mas só depois de ter pactuado com os erros que afundaram a equipa. Também não se pode dizer que tenha sido 100% responsável por um golo que aconteceu de tão longe, mas nunca se roda, como rodou, dentro da própria área. Depois, fez um grande jogo, com muita presença em apoio e na recuperação.

Moutinho – Não cometeu os erros de outros, como é hábito, mas também não seria provável que fosse ele a dar o rasgo ofensivo de que a equipa precisava. E não foi. Cresceu muito na segunda parte quando assumiu um papel mais posicional e de apoio. Acabou com uma enorme participação nas acções da equipa o que lhe dá uma avaliação estatística elevada, mas exagerada para o rendimento que teve.

Belluschi – Grande intensidade na abordagem ao jogo, ao contrário dos companheiros. Pareceu poder ser ele o impulsionador da “revolta”, mas não o conseguiu, primeiro, e saiu, depois. Não percebi porquê.

James – Não é ainda um jogador capaz de ganhar um jogo e, desta vez, até nem o conseguiu quando tinha tudo para se tornar protagonista. Não conseguiu ter impacto, mas manteve a sua eficácia com bola e isso deve-se assinalar. Saiu, mas isso não trouxe nada de novo.

Varela – Não esteve sempre bem, mas teve o mérito de ser o protagonista dos 2 lances mais incómodos para a defesa contrária. Faltou a eficácia.

Hulk – Não é por ter jogado no centro que falhou. Até porque Hulk não jogou no centro durante grande parte do jogo. Esteve desinspirado e ansioso como ainda não tinha estado este ano. Como é um jogador que vai sempre para cima e que procura tirar partido das suas qualidades individuais, acabou por perder um número infindável de bolas.



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2.2.11

Desforra encarnada no Dragão (Breves)

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- Num primeiro comentário - uma análise mais detalhada fica para mais tarde - não posso deixar de encontrar semelhanças entre este jogo e o primeiro clássico da época, para a Supertaça. Semelhanças, mas em sentido oposto, obviamente. Não houve, da parte do Benfica, uma estratégia tão específica como a do Porto nessa ocasião, mas houve, isso sim, da parte do Porto, uma atitude idêntica à do seu rival nesse primeiro jogo. É verdade que a eficácia é fundamental e que será uma hipocrisia considerar este desfecho como inevitável ou não dependente do aproveitamento ofensivo, mas parece-me igualmente claro que a diferença de concentração e intensidade foi determinante no curso que o jogo tomou. No futebol, e particularmente entre equipas de valia tão idêntica, não há grande margem para levantar os pés da terra. Essa será, provavelmente, a conclusão mais útil que o Porto poderá tirar deste jogo.

- Como sempre, far-se-á uma correspondência linear entre o resultado e opções de ambos os treinadores. Como quase sempre, também, será uma visão intelectualmente desonesta, porque o resultado e a diferença para outros jogos explica-se por uma complexidade muito maior de factores. Ainda assim, não pode ser por critérios técnicos que Walter é preterido em favor de um leque tão redundante de opções...

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