O menos culpado, ou o mais culpado?
O termo “culpado” é exagerado e incorrecto, mas o seu uso generalizado compreende-se bem. É a tal natureza humana de que tantas vezes falo, que anseia por estabelecer relações directas e lineares entre efeitos e causas – “culpas”. Seja como for, as análises dividem-se. Desde os que defendem que o treinador não era o “único culpado” (La Palisse não diria melhor), até aos que vêem na sua falta de capacidade um condimento essencial para o insucesso.Pessoalmente, e como já várias vezes escrevi, defendo que o treinador é uma peça fundamental de qualquer estratégia desportiva. Talvez a distinguisse, até, como a mais fundamental de todas, pelo menos no curto prazo (não faltarão exemplos que sustentem esta tese). O plantel do Sporting não é tão forte como o dos outros 2 “grandes”? Certo. Mas também é para mim uma evidência que o seu valor é bem maior do que aquilo que o seu rendimento hoje faz parecer.
Em suma, se o Sporting 2010/11 teve a história que teve, entendo que nenhum factor teve tanto peso relativo como a escolha insuficiente que fez para o seu comando técnico.
O risco de fazer pior, para o Sporting, é bem real. Por 2 motivos: primeiro, porque o nível dos adversários é, nesta fase, muito elevado. Há mais investimento, melhores soluções, e também muita competência em termos de orientação técnica. Depois, porque o clube vive um momento em que coincidem o trauma do insucesso e o fervor eleitoral. Uma combinação que potencia soluções populistas e diagnósticos pouco lúcidos. É, dentro deste cenário, provável que se cometam vários erros.
O processo eleitoral ainda está em fase de definição - e, para ser sincero, estou ainda muito pouco familiarizado com as propostas já apresentadas - no entanto, os indícios deixados nos perfis definidos para o próximo treinador serão desde logo relevantes para aferir sobre o que será o futuro próximo do Sporting. Bons treinadores (como maus), há em todo o lado, mas Portugal tem a particularidade de ser, muito provavelmente, o país que mais bons valores revela neste particular. Ora, se quem escolhe não for capaz de identificar esse valor cá dentro, que probabilidade haverá de que o identifique lá fora?!
Em suma, se o Sporting 2010/11 teve a história que teve, entendo que nenhum factor teve tanto peso relativo como a escolha insuficiente que fez para o seu comando técnico.
Impossível fazer pior?
A ideia de que se bateu no fundo advém do dramatismo próprio do fenómeno clubístico. Mas, o fundo, normalmente, é muito pior do que aquilo que se pode imaginar. Exemplos? O próprio Sporting, e a transição da época anterior para esta. Parecia impossível fazer repetir, mas aconteceu, e talvez até pior. O Besiktas, na Turquia, que investiu loucuras em talentos de inegável valor e colocou um treinador de renome à sua frente – Schuster. O resultado? 6ºlugar na liga turca e uma eliminação com goleada da Liga Europa. O Feyenoord – talvez o caso mais extremo – um “grande” da Holanda e com valores mais do que suficientes para se bater pelas primeiras posições, muitos deles oriundos da sua boa formação. Onde está? A 6 pontos da linha de água, tendo já perdido por 10-0 em Eindhoven na presente época. Estes exemplos, note-se, são diferentes, mas ambos têm contextos competitivos – Turquia e Holanda – semelhantes ao português.O risco de fazer pior, para o Sporting, é bem real. Por 2 motivos: primeiro, porque o nível dos adversários é, nesta fase, muito elevado. Há mais investimento, melhores soluções, e também muita competência em termos de orientação técnica. Depois, porque o clube vive um momento em que coincidem o trauma do insucesso e o fervor eleitoral. Uma combinação que potencia soluções populistas e diagnósticos pouco lúcidos. É, dentro deste cenário, provável que se cometam vários erros.
O sucessor: a importância de saber escolher
Não há nada mais decisivo para o futuro imediato do Sporting do que a escolha do treinador. Mais do que Presidentes, modelos e fundos de investimento. Saber escolher é, como sempre tenho referido, o factor de sucesso mais decisivo para qualquer gestão desportiva, e a próxima direcção do Sporting não será excepção.O processo eleitoral ainda está em fase de definição - e, para ser sincero, estou ainda muito pouco familiarizado com as propostas já apresentadas - no entanto, os indícios deixados nos perfis definidos para o próximo treinador serão desde logo relevantes para aferir sobre o que será o futuro próximo do Sporting. Bons treinadores (como maus), há em todo o lado, mas Portugal tem a particularidade de ser, muito provavelmente, o país que mais bons valores revela neste particular. Ora, se quem escolhe não for capaz de identificar esse valor cá dentro, que probabilidade haverá de que o identifique lá fora?!


6 comentários:
Bom dia Filipe.
Antes de mais parabens pelo blog e pelas analises (concordando ou não sõa opiniões que revelam interesse/saber.) Gostava de saber se na tua opinião existe algum treinador português com capacidade para treinar o Sporting neste momento(sendo que momento será a proxima epóca e o planeamento da mesma). OU se estrangeiro quem.
Eu vou dar dois nomes que me parecme pode resultar. Um será o antigo selecionador de sub-20Argentino (Peckerman) com um adjunot português conhecedor da nossa realidade (e aí poderiamos ir pelo caminho da antiga glória - Manuel Fernandes ou do ex-jogador com experiencia de treinador - Paulo Torres ou ou Felipe Ramos). Em alternativa um treinador alemão sendo que ai gostava de destacar o Ralf Rangnick que se demitiu por causa da venda do melçhor jogador a meio da epoca sem serem encontradas alternativas. POrtuguês tirando o Mourinho acho que qq um não ia resistir a critica prematura e ia começar a epoca fragilizado.
David,
Vamos por partes:
- treinadores portugueses: Domingos é um deles. Não tem um modelo tão forte como Jesus, nem tem a capacidade de Villas Boas, mas tem conseguido equipas fortes tacticamente e muito fortes mentalmente (mais fortes do que as dos outros 2, por exemplo). Depois, Leonardo Jardim é um treinador que preciso de analisar melhor em termos de ideias ofensivas, mas é também um candidato. Há outros, mas para oferecer uma opinião definitiva teria de os analisar mais detalhadamente.
- treinadores estrangeiros vs. portugueses: tive algumas discussões semelhantes quando foi a sucessão de Quique Flores, porque muitas pessoas entendiam que não havia treinadores portugueses com capacidade para aguentar a pressão de treinar o Benfica. Eu discordei e discordo. Porque, se os treinadores estrangeiros têm maior estado de graça, têm também menor resistência aos problemas. Porque para um treinador português, um "grande" é a oportunidade de carreira, para um estrangeiro é apenas mais 1 contrato. Ou seja, para mim, os treinadores portugueses ganham neste aspecto em termos de perfil.
- Em relação a treinadores estrangeiros, é difícil encontrar uma "escola" aconselhável. A América do Sul será, quase seguramente, uma ilusão porque o futebol é muito menos rigoroso tacticamente. A Holanda vive um momento horrível e basta ver a falta de qualidade táctica das suas equipas. Em Espanha, há aspectos fortes mas outros muito fracos. Em Itália, o momento também é um dos mais negativos da história em termos de treinadores. Um futebol interessante, nesta altura, é o Alemão, com muitos treinadores novos a aparecer. Ainda assim, cada caso é um caso e só analisando pormenorizadamente filosofias, comportamentos e resultados, poderia dar opinião definitiva. Um treinador que gostaria de analisar, porque tem uma carreira impressionante é o Philippe Montanier do Valenciennes.
Pessoalmente creio que esta opinião
http://videos.publico.pt/Default.aspx?oldId=634345102098906250
está perfeita. E a frase que a conclui é bastante esclarecida e até esclarecedora para quem não quiser ver tudo com o véu incongruente da clubite.
www.contingentetuga.blogspot.com
Se Godinho Lopes vencer as eleições,penso que a escolha do Carlos Freitas recairá sobre Domingos ou Jesualdo.
Filipe,
falando de treinadores, o que pensas sobre Ancelotti e o Chelsea desta época?
Talvez sirva para reflectir sobre factores, extra treinador e jogadores, que podem levar ao insucesso.
Não acompanho o Chelsea com assiduidade e detalhe suficiente para ter uma opinião sustentada.
No ano passado vi alguns jogos no inicio de época, e pareceu-me uma equipa muito dependente dos laterais para ter mais dinâmica ofensiva. Na altura, pensei que talvez acabassem por perder o campeonato mas acabaram por conseguir resistir até ao fim.
No entanto, é uma equipa que se tem sabido renovar com qualidade individual e, nesse aspecto, parece-me das mais fortes da Europa.
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