Mostrar mensagens com a etiqueta Otamendi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Otamendi. Mostrar todas as mensagens

9.1.12

Sporting - Porto: opinião

ver comentários...
- Ficou a zeros e, não sendo um jogo mal jogado, foi um jogo que ficou um pouco aquém das expectativas. Pelo menos para as minhas. O equilíbrio foi a nota dominante, tanto no empate, como na proximidade no número de oportunidades, como em termos de domínio e presença territorial. O Sporting mais em organização, o Porto mais em transição, mas sempre com pouca diferença.

- Alguma estranheza, sobretudo do lado do Porto. Optou por uma abordagem pouco pressionante sobre a primeira fase de construção, permitindo que o Sporting, sobretudo por Polga, chegasse facilmente até à linha média antes de ter de definir o primeiro passe. Ora, é certo que Polga não é um jogador que se sinta muito confortável na condução em posse, mas é também certo que é um jogador forte na definição do passe, e o Sporting tirou partido disso na primeira parte, ligando facilmente o seu jogo pelo corredor esquerdo. Há aqui outro pormenor que me parece importante: permitir que Polga progredisse tanto espaço sem oposição obrigou o bloco portista a ir baixando no terreno, o que dificultou depois a presença pressionante no destinatário do primeiro passe do central.


- Outro detalhe sobre o jogo portista tem a ver com alguma tendência excessiva para verticalizar no momento da recuperação e, sobretudo, com a dificuldade de encontrar qualquer ligação útil à excepção de Hulk. Vitor Pereira reajustou o meio campo, dando outra característica à segunda parte, mas voltei a ficar com a sensação da maior utilidade de Defour no meio campo, sobretudo pela simplicidade do seu jogo e pela utilidade dos seus movimentos sem bola. Isto, claro, sem retirar daqui uma dose excessiva de conclusões, porque por muito tentador que seja fazê-lo, raramente o que vemos como resultado de substituições ou alterações dentro de um jogo tem um grande nível de relevância conclusiva.

- 3 notas individuais do lado do Porto: (1) Hulk no meio continua a dar sinais notáveis no que respeita à mobilidade e utilidade do seu jogo. Muito mais útil e consequente do que nas alas, onde tem muito mais tendência para para forçar o drible, e incomparavelmente mais útil do que qualquer 9 do nosso futebol. Por exemplo, comparando Hulk com Wolfswinkel, neste jogo, Hulk completou 28 passes contra apenas 9 do holandês, foi o terceiro mais interveniente em termos de posse ofensiva na sua equipa, enquanto Wolfswinkel foi o que menos interveio entre os titulares do Sporting (para contextualizar, é normal que o ponta de lança seja o menos interventivo, o que não é normal é a utilidade que Hulk acrescenta a partir dessa posição). Que não haja grande complementaridade com os seus movimentos, estou de acordo, mas isso não tem nada que ver com qualquer desajuste ou subrendimento do 12 nesta posição, pelo contrário. (2) Djalma, um pouco na continuação do que escrevi sobre Hulk, não parece poder fazer muita falta ao Porto. Aliás, será uma oportunidade para tentar integrar outro jogador que ofereça mais à equipa em termos ofensivos. É um jogador capaz tecnicamente, muito forte fisicamente e com excelente capacidade de trabalho (até se pode imaginar uma tentativa de adaptação a lateral), mas a sua produtividade neste período em que foi titular foi manifestamente insuficiente para as exigências do Porto. (3) Otamendi... impressionante a sua capacidade de antecipar e intervir no espaço. O Sporting sentiu-se tentado a forçar o duelo entre Wolfswinkel e o argentino, mas Otamendi dominou completamente o avançado do Sporting. Continuo a ver como um erro enorme que se forcem duelos com Otamendi em vez de Rolando, seja no ar ou pelo chão. O problema do central argentino, por outro lado, é que continua a revelar uma enorme propensão para o erro, constituindo-se assim como a perfeita antítese do seu colega de sector.

- Quanto ao Sporting, fica difícil exigir-se muito mais. Quem vê o talento de Matias e Izmailov a emergir do banco e para um pivot remendado terá de pensar que esta não é nem pode ser a equipa que o Sporting idealizou para a sua época. Ainda assim, o Sporting, tal como na Luz, voltou a dividir o jogo por completo, estando até mais perto de o ganhar, se contarmos as oportunidades claras de golo. Como expliquei acima, creio que o Porto não teve a melhor abordagem ao jogo e que o Sporting acabou por beneficiar disso, mas, ainda assim, ficou a sensação de que poderia ter feito mais...

- Há um nome que me parece incontornável neste jogo, que é Wolfswinkel. Não tanto pelas oportunidades claras que não converteu (pode acontecer a todos), mas pelas jogadas que não foi capaz de dar melhor sequência e que poderiam ter terminado em mais oportunidades. Não posso deixar de pensar que há uma ligação entre a falta de golos e os restantes capítulos do jogo do holandês, que já viram melhores dias. É que um avançado vive de golos e, regra geral, o seu momento a esse nível transfere-se também para a confiança com que interpreta as restantes situações de jogo. O que escrevi sobre Wolfswinkel e Bojinov quando chegaram ao Sporting, escreveria hoje de novo, praticamente sem qualquer alteração. Ou seja, não creio que as suas características foram muito bem percepcionadas aquando das respectivas aquisições. Nomeadamente, Wolfswinkel não é um jogador forte nos duelos dentro da área (muito longe disso) e Bojinov não é um jogador móvel ou versátil como se disse que era (naturalmente, desconheço se internamente era esta a ideia que se tinha, mas para cá para fora foi a ideia que passou). Talvez venha a partilhar mais ideias sobre as movimentações dos avançados em situação de cruzamento, porque me parece um tema interessante de analisar, tal a diversidade de casos que existem...

- Sobre as lesões, que tanto afectam a qualidade e estabilidade deste Sporting, há que referir que se devem distinguir situações. Uma coisa, são casos como o de Rinaudo, outra são as situações de Rodriguez, Matias, Izmailov e Jeffren. Todos estes jogadores tinham um histórico de lesões que não garantia qualquer confiança em relação à fiabilidade da sua disponibilidade ao longo da época. Para ser campeão em Portugal, nos dias que correm, é preciso fazer uma prova praticamente imaculada e, nesse sentido, é fundamental que não se cometam alguns erros de planeamento como os que foram cometidos. Se o Sporting tem motivos para estar esperançado com a evolução da sua equipa, o próximo passo só poderá ser dado se não se repetirem certos lapsos perfeitamente previsíveis na formulação do plantel (e escrevo "previsíveis", porque os enunciei a todos na pré época, tanto a aposta em Postiga como referência concretizadora, como a volatilidade da disponibilidade física de alguns elementos nucleares).

- Um último ponto sobre Renato Neto e a opção para pivot. Não foi um jogo mau, mas também não foi suficiente para que se possa imaginar estar ali uma grande solução para o lugar. Excelente capacidade física e boa presença posicional garantiram um bom jogo do ponto de vista defensivo, mas em posse nem se apresentou como solução, nem revelou a consistência exigível para o lugar. Foi uma estreia, porém. Não deixa de ser difícil de compreender para quem está de fora que André Santos tenha baixado tanto na consideração de Domingos, isto se nos lembrarmos que chegou a tirar o lugar a Rinaudo no inicio de temporada. Isto, para quem vê de fora, repito...
Ler tudo»

ler tudo >>

12.12.11

Beira Mar - Porto: opinião e estatística

ver comentários...
- Creio que se pode afirmar agora com mais segurança: há, tacticamente, um novo Porto. Não que a equipa que iniciou a época não fosse diferente da anterior. É-o sempre. Mas era uma equipa que jogava em bases de quase absoluta continuidade com o modelo anterior, com algumas 'nuances' corrigidas ou alteradas, mas sem nenhuma verdadeira rotura. Agora, e ao que tudo indica, há mesmo roturas que vieram para ficar. A inversão do triângulo de meio campo não é apenas uma manobra de xadrez, e a presença de Hulk como elemento central do ataque também não constitui uma mera opção técnica, como aconteceu no ano anterior aquando das ausências de Falcao. Há implicações na dinâmica cujo saldo entre perdas e ganhos se medirá a prazo e em função da própria evolução da equipa. Para já, pelo menos para mim, a novidade constitui-se, em si mesmo, um interesse acrescido...

- Em relação ao jogo, faço um balanço de impressões contrastantes. Por um lado, o Porto esteve muito bem na afirmação do seu domínio no jogo. Não um domínio consentido, como aquele que se verificou em Olhão, por exemplo, mas um domínio autoritário e com condições para garantir outro tipo de tranquilidade na obtenção da vitória. Essencialmente, isso aconteceu pelas virtudes desta nova variante do 4-3-3 portista. A equipa é capaz de verticalizar com mais propósito e frequência, tem maior mobilidade nos elementos da frente, envolve melhor Álvaro Pereira, e reage muito bem à perda, com Moutinho e Fernando a manter a bola continuadamente no meio campo ofensivo. Mas, e apesar de tudo isto, surge o contraste: é que o Porto não teve uma grande proximidade com o golo, no sentido em que não criou um grande número de oportunidades claras para o conseguiu. Por outro lado, e apesar do controlo em grande parte do jogo, o Beira Mar fez um golo e permitiu-se ainda algumas aproximações perigosas nas escassíssimas chegadas que conseguiu ao último terço. Fica a dúvida, por isto, em relação à segurança defensiva da equipa, sobretudo em alguns problemas no controlo da profundidade.

- Há outra mudança na gestão de Vitor Pereira, em relação ao período inicial da temporada, e esta ainda mais radical: a rotatividade. Depois de um inicio de época em que todos jogavam e deixavam de jogar, eis que Vitor Pereira fixa um onze e só muda quem é mesmo obrigado a mudar. Desta opção sobram algumas dúvidas e, como sempre, várias criticas, relativamente a certas opções. Pessoalmente, creio ser evidente o desajuste de casos como o da colocação de Maicon à direita, mas não acho que se possa ser demasiado critico em relação a um treinador que opta por tentar estabilizar uma dinâmica colectiva vencedora, mesmo que para isso tenha de assumir alguns elos mais fracos. Não entendo que tenha de haver um 8 ou 80 nesta matéria, mas acho que é, ainda assim, preferível este tipo de gestão do que aquele que marcou o inicio de temporada.

- Relativamente a alguns casos individuais, destacar sobretudo Hulk. Não sei o que o futuro nos vai mostrar, mas para já Hulk tem dado uma resposta tremenda na nova posição. É, até, um jogador mais consequente do que na ala, porque não se depara tantas vezes com a tentação de ir para o 1x1. Com a sua mobilidade e havendo complementaridade para os movimentos que faz, o Porto ganha porque não tem um jogador tão escondido do jogo como acontece com os 9 habituais, porque mantém como referência mais adiantada um jogador fortíssimo para o momento de transição, e porque se o tal entrosamento colectivo for bom, há maior imprevisibilidade de movimentos nos jogadores da frente. Resta saber se continuará a decidir onde é importante ter gente que saiba decidir, na área, mas para já não pode haver ponta de critica a levantar. Depois, referência para Belluschi, que foi novidade no tal espaço "entrelinhas", trazendo uma característica diferente de Defour. O argentino não surge tão bem como Defour nos espaços, mas tem a particularidade de ser temível na frente da área. Não lhe saiu bem neste jogo, mas pode vir a fazer estragos dali. Sobre Álvaro Pereira, fazer referência para o seu muito maior propósito nos envolvimentos ofensivos, sendo solicitado em zonas mais próximas da área e com maior possibilidade de sucesso para os seus famosos cruzamentos. Finalmente, Otamendi, que acrescenta muito em termos de zona de intervenção dos centrais, quer em relação a Rolando, quer em relação a Mangala. As suas instabilidades mantêm-se, mas ninguém é mais forte no jogo de antecipação do que ele, e por isso é que tem uma capacidade de intervenção defensiva superior a todos os outros.
Ler tudo»

ler tudo >>

7.11.11

Olhanense - Porto: opinão

ver comentários...
- Várias vezes ouvimos ou lemos sobre a complexidade no futebol. A verdade, porém, é que raramente essa característica fundamental do jogo é respeitada na hora de olhar mais concretamente sobre os acontecimentos reais, particularmente na explicação de momentos negativos. E é natural que assim seja, porque, afinal, enquanto ser humano evoluímos com o instinto de reduzir a complexidade e não linearidade a relações lineares causais. Foi esse instinto que nos trouxe até aqui, e por isso somos totalmente incompetentes quando nos propomos inverter a orientação deste raciocínio. Para o caso, a "crise" do Porto será alvo das mais variadas reduções, cada qual ao melhor gosto do seu analista. O jogador "A" ou "B", a substituição "C" ou "D" ou a opção "E" ou "F". Analisando cada uma destas reduções possíveis, porém, facilmente se concluí sobre a sua inviabilidade explicativa. Qualidade individual não falta, e as orientações tácticas são boas e as mesmas que conduziram ao sucesso no passado, e, por muito que se possa discutir pormenores em cada um destes planos, não são esses pormenores que explicam o contraste de rendimento entre a realidade actual e o passado recente. O Porto viverá o problema do tenista (que recupero de outras ocasiões) que, depois de ganhar um set por 6-0, se vê na eminência de perder o seguinte. Ora, se o tenista não é capaz de explicar a si próprio este fenómeno, como seremos nós capazes de explicar as oscilações de momento num contexto muito mais complexo como é o futebol? Não somos. No fim de tudo isto, porém, vem a conclusão de que o mais provável será que, mais tarde ou mais cedo o momento negativo se desvaneça. Acompanhado de vitórias, seguramente, mas partindo com o mesmo mistério com que chegou. Isso, enquanto nos entretemos a encontrar relações causais, que nos parecem trivais e óbvias, mas que realmente explicam muito pouco. É sempre assim...

- Talvez no papel não o parecesse, mas pelos motivos que expliquei no comentário ao Benfica-Olhanense, este não seria o jogo ideal para uma equipa intranquila. O Olhanense ir-se-ia sempre defender muito e bem, sem grandes probabilidades de marcar, é certo, mas com boas hipóteses de resistir durante uma boa parte do tempo sem sofrer golos e espevitar ainda mais os índices de ansiedade dos portistas. Por isso, e mais do que nunca, o penalti madrugador era uma oportunidade de ouro, mas como ditará o corolário de uma qualquer lei de Murphy, também esse era um momento destinado ao fracasso. Assim sendo, o mais provável seria termos o que acabamos por ter. Ou seja, não forçosamente o nulo, mas um Porto incapaz de se encontrar de forma continuada enquanto o golo não aparecesse. E como ele não apareceu...

- Em termos de abordagem táctica, houve alguns pontos de interesse no jogo. Para mim, o mais interessante era ver James voltar a coexistir com Hulk e, em particular, até que ponto veríamos as suas dinâmicas por zonas mais interiores. Na primeira parte, essa mobilidade aconteceu, mas esta teve também um complemento do outro lado do campo, com Moutinho a abrir mais claramente à esquerda quando James abandonava o corredor. Uma complementaridade que me parece essencial para que o movimento faça sentido, não se perdendo a largura ofensiva com o apelo à mobilidade de James, que foi o que aconteceu várias vezes no passado. Na segunda parte, porém, a sua simetria com Hulk foi mais clara, e este tipo de movimentos interiores não se repetiu com tanta frequência. Foi um jogo pouco conseguido por ambos, especialmente por James, que não conseguiu nenhum desequilíbrio e se expôs em algumas perdas de maior risco pela sua propensão para aparecer mais cedo no jogo colectivo. De todo o modo, diria que descontando o momento colectivo e a sua pouca inspiração, me agradaram mais os movimentos dos extremos do que em outros jogos. Especialmente pela tal questão da preocupação com a manutenção com a largura e pela menor obcessão de trazer sempre James para dentro.

- A dificuldade que o Olhanense representa, em termos defensivos, tem a meu ver muito a ver com o bom bloqueamento lateral assim que a bola entra no bloco. Aqui, parece-me que houve alguma diferença de abordagem entre a primeira e segundas partes. Ou seja, na primeira parte, o Porto foi obrigado a ligar os corredores pela sua linha mais recuada, o que está perfeitamente previsto pela organização do Olhanense, conseguindo esta sempre um bom ajustamento lateral à circulação. Assim, o Porto raramente conseguiu chegar em boas condições ao último terço, na primeira parte. Na segunda, por outro lado, houve uma melhor circulação lateral, muitas vezes tentando ligações mais directas com os laterais, outras tentando ligar dentro do bloco algarvio, mas sempre com a preocupação de dar maior intensidade ao movimento. Creio que, depois, poderia ter sido explorada mais vezes a combinação nos corredores e o espaço entre o lateral e o central. O Porto conseguiu algumas boas situações de cruzamento com essas iniciativas, mas tentou-o poucas vezes. Há dois factores que me parecem ter contribuído para que o Porto não tivesse tido outro aproveitamento apesar desta melhoria na segunda parte. O primeiro tem a ver com a característica de Maicon, e o segundo, mais importante, com a própria ansiedade da equipa perante o correr do relógio, perdendo-se lucidez e qualidade.

- Abordar, finalmente, da aposta em Mangala. Percebe-se o potencial do jogador, pela idade, pela capacidade física e técnica. Percebe-se que jogar com um canhoto do lado esquerdo pode ser uma vantagem (ainda que a sua qualidade em posse não o justifique totalmente), e que é uma referência já para os lances de bola parada. Mas, pelo menos pelas observações que tenho, não posso concordar que represente uma mais valia em relação às opções do passado, Maicon e Otamendi. Em particular, à margem da estatura não me parece que represente qualquer mais valia em relação ao argentino. Aliás, o que Otamendi tem de pior, a propensão para o erro, Mangala partilha. Por outro lado, e embora seja menos talentoso, Maicon é mais sóbrio do que qualquer um dos dois, oferecendo mais garantias de estabilidade. Não será por aqui que se explicam os problemas, mas parece-me justo fazer esta referência porque, no meio de tanta rotatividade, o belga parece ter ganho um lugar bastante estável entre as primeiras opções.
Ler tudo»

ler tudo >>

6.10.11

Académica - Porto: opinião

ver comentários...
- O jogo acabou por não corresponder às expectativas relativamente à pressão e dificuldades que o Porto poderia experimentar, em face quer do momento menos positivo, quer da própria qualidade do adversário. Os 3 pontos ficaram cedo encaminhados, mas nem por isso este deixou de ser um jogo interessante do ponto de vista da análise. O Porto leva o mérito de ter sabido resolver um jogo potencialmente difícil, a Académica fica com o crédito de apresentar uma proposta de jogo com arrojo e qualidade suficientes para justificar uma discussão invulgar no nosso campeonato...

- Abordando o inicio do jogo, o período em que este se viria a definir, a Académica apresentou-se com os seus comportamentos habituais, mas com uma estratégia mais cautelosa nos momentos de organização. No fundo, a ideia foi reduzir o risco: em construção, com bola, saindo longo e evitando a exposição à perda. Sem bola, e perante a construção contrária, uma postura expectante sobre a primeira linha, não adiantando a pressão. A consequência mais visível foi aquela posse baixa e repetitiva do Porto, que todos constatamos, sobretudo após o 0-2. Vitor Pereira respondeu com uma circulação que tinha a intenção de ser paciente e trazer os médios para a construção. Sobre a paciência, ela nem sempre existiu, especialmente enquanto o jogo esteve com o placar equilibrado. Sobre a opção de trazer os médios para a construção, pelo menos de forma tão marcada, tenho as minhas dúvidas que fosse a melhor estratégia para o jogo em causa. Isto, porque frente ao Benfica, a Académica se havia mostrado vulnerável perante uma circulação mais larga na primeira linha, que fizesse a mudar rapidamente de corredor antes de entrar no bloco, pelas laterais. Aliás, nos primeiros minutos, voltou a mostrar essa dificuldade, mas depois o Porto passou a centralizar as suas saídas, a revelar alguma ansiedade e a cair na tentação de forçar a rotura nas costas da linha defensiva contrária. Esse espaço, o das costas da linha defensiva da Académica, era claramente aquele que tinha de ser explorado. A questão era, por onde?

- A resposta à pergunta com que terminei o ponto anterior parece ser, pelo menos na minha leitura, os corredores laterais. Já fora por aí que o Benfica construíra a sua vantagem frente a esta mesma equipa e foi por aí, também, que o Porto viria a abrir o seu caminho para os 3 pontos. Há nos 2 primeiros golos a semelhança de conseguir um primeiro passe na profundidade, no corredor, fazendo depois um passe atrasado que cria dificuldades de comportamento à linha de fora de jogo da Académica. Sobre os problemas da 'briosa' alongar-me-ei mais à frente, para já fica apenas a nota para este movimento normalmente mais detectável noutras ligas.

- A segunda parte seria diferente, com a Académica a inverter a sua estratégia, saindo mais em apoio e pressionando em zonas mais subidas. De novo, porém, a exploração das costas da linha defensiva viria a ser a chave para o terceiro golo, retirando intensidade e interesse conclusivp ao que se viu na última meia hora. Nesse golo, destaque para a abertura de Helton, que teve grande precisão e com o pior pé. Mais uma demonstração da qualidade do guarda redes a jogar com os pés. De resto, no campo individual, duas notas: uma para Walter, para voltar a assinalar a importância de um jogador que seja forte na área e que "tenha golo". Não digo que se tenha de jogar com um jogador de área, mas penso que é preciso medir muito bem quando se decide abdicar de um. Depois, sobre Otamendi, que teve um jogo preocupante. Acumulou erros a defender, más abordagens, e mesmo com bola foi possivelmente o mais ansioso e menos consistente de todos.

- Finalmente, então, a Académica. O primeiro elogio vai para o que a equipa faz com bola. Em transição é muito lúcida e capaz, usa Eder como referência para primeiro apoio frontal, mas a intenção é sempre tirar a bola da zona de pressão, se possível progredindo em largura e não imediatamente de forma vertical. Em Portugal, não vejo muitas equipas "pequenas" fazer isto. Vejo a tentativa de potenciação das características individuais e do espaço, mas poucas vezes com este critério e intencionalidade. Em organização, igualmente muitas coisas positivas. Intenção de dar amplitude ao jogo num segundo momento ofensivo, de abrir lateralmente o adversário antes do cruzamento, de abrir os médios, de potenciar o 1x1 dos extremos (Sissoko, sobretudo). Os problemas (e as minhas dúvidas) vêm dos momentos defensivos. Primeiro, e como já escrevi, creio que não há um bom condicionamento do ponto de saída, na primeira linha, e que isso cria dificuldades de controlo na fase subsequente. Depois, a última linha. O posicionamento base é muito agressivo, e como se viu frente ao Porto os jogadores nem sempre parecem confortáveis com ele. Dou o exemplo do segundo golo (no momento antecedente à combinação já abordada): o passe largo de Otamendi em direcção à ala (James) tem como resposta um recuo instintivo de alguns jogadores. Ora, sendo o passe tão largo e para uma zona lateral, estariam criadas todas as condições para que se tentasse o fora de jogo. Porquê que isso não acontece? Não posso responder, mas parece-me claro que esta forma tão agressiva de defender na última linha não tem ainda consistência suficiente para ser uma opção de sucesso frente a equipas tão fortes. Veremos como Pedro Emanuel faz evoluir este aspecto do jogo, porque me parece ser a questão mais urgente que tem em mãos...
Ler tudo»

ler tudo >>

3.8.11

Lançamentos laterais...

ver comentários...
Não é normal. Em 2 jogos, 5 golos com origem em lançamentos laterais. Aconteceu, e como tal, é também uma boa oportunidade para rever este tipo de situação, nomeadamente no que respeita a Sporting e Porto. O meu destaque mais geral vai para o posicionamento base de ambas as equipas, mas há pormenores que dão um interesse especial a cada uma das situações.

Sporting - Valência (golo 1) - Não é claro que seja intencional, mas é provável que o seja. O Valência atrai 3 jogadores para a zona lateral à área e depois opta por um lançamento longo, onde, obviamente, há mais espaço e, particularmente, um 2x2 na frente de Patrício. O pormenor que define o lance, a meu ver, tem a ver com a abordagem de Carriço. Consegue controlar o adversário, mas perde noção da trajectória da bola, fazendo-se a ela, ainda assim. É perfeitamente notório o movimento de João Pereira, que inicialmente tenta controlar o espaço entre ele e o central, mas, de repente, abre deliberadamente, como que antevendo a acção deste. O mesmo se passa com Patrício, que demora a sair, precisamente porque espera pela acção de Carriço. Ainda que se possa considerar um excesso de confiança (nomeadamente de João Pereira), tem lógica o comportamento destes jogadores, porque, antevendo a iniciativa do colega, o ressalto seguinte nunca cairia imediatamente nas suas costas, mas em zonas mais afastadas. Neste cenário, definido em fracções de segundo, houve apenas um jogador que apostou no falhanço de Carriço. O problema, para o Sporting, é que não vestia de verde e branco.


Sporting - Valência (golo 2) - Diria, o golo mais interessante de todos. Desde logo, distingue-se pela zona onde nasce, completamente diferente dos outros casos. Se alguém duvidava da preparação do Valência para o aproveitamento do espaço nas costas, está aqui um belo exemplo. Delicioso o pormenor do jogador do Valência antes do lançamento, como que anunciando de forma não verbal o que se iria passar. Mais à frente, quem percebeu tudo muito bem e de forma telepática, foi Soldado. Repare-se como parte muito antes de um passe que não era evidente. Evidentemente preparado, foi o que foi. É natural que o Sporting não tenha feito um estudo muito especifico do jogo, dada a sua natureza pré competitiva. Ainda assim, ficam 2 notas gerais sobre aspectos importantes para quem quer defender com tanto espaço nas costas. Na frente, e embora os jogadores avançados estejam habitados a "folgas" no que respeita a defender, não há margem para perdas de intensidade. O lance devia, fundamentalmente, ter sido controlado na pressão sobre o jogador que recebe o lançamento. Não foi, porque Postiga não teve intensidade suficiente no lance. Depois, a colocação dos apoios de Onyewu. Nota-se que há um antecipação do passe nas costas, brevíssimos instantes antes dele sair. No entanto, a forma como o central americano parte para o lance compromete qualquer possibilidade de reacção face a Soldado. É muito importante que os jogadores ajustem correctamente o ângulo dos pés, precavendo uma eventual necessidade de corrigir rapidamente o espaço nas costas. Se Onyewu ficou a milhas de Soldado, foi porque partiu tarde, e não por questões de velocidade. Bem melhor esteve Carriço, que conseguiu, pelo menos, importunar Soldado. Como o mérito do avançado prevaleceu, e foi Carriço a ficar no "foto-finish", é provável que, para muitos, tenha sido ele o culpado...

Sporting - Valência (golo 3) - A nota principal do lance vai para a falta de preparação dos jogadores para o detalhe do fora de jogo. O posicionamento defensivo é estabelecido como se a lei do fora de jogo vigorasse neste tipo de situações, o que é normal, dado que a equipa quer estar assim posicionada no momento seguinte ao lançamento. Mas, porque, de facto, não há fora de jogo no acto do lançamento, é preciso uma atenção extra, porém, completamente ausente do lance. Sobretudo de João Pereira, que é quem está mais próximo do lançamento, não pode "apertar" a marcação quando tem espaço nas costas. Esse é o lapso mais importante para o desenvolvimento do lance, mas não se pode dizer que o lateral fique herdeiro solitário de toda a responsabilidade. Há uma perda de intensidade geral, que continua em Rinaudo, visivelmente pouco prevenido para a possibilidade de ter de dobrar junto à linha, e se estende até à área, onde Onyewu volta a perder o controlo de uma marcação, que devia ser facilmente anulável, dada a escassa presença de jogadores espanhóis na área.

Porto - Lyon (golo 1) - Tal como na generalidade dos lances do Valência, nada parece ser um acaso no golo do Lyon. Foco em Gomis, bola em Lisandro. O Porto é notoriamente surpreendido, notando-se a proximidade de Souza ao avançado francês. No entanto, há aqui um pormenor, que me parece fundamental no desenvolvimento do lance. Há alguma diferença entre o posicionamento base da equipa, em jogo corrido, e neste tipo de situações. Em particular, no posicionamento estratégico dos médios e na "folga" que é dada no espaço à frente dos centrais. Por ser concedido esse espaço, é importante que exista um encurtamento rápido da linha defensiva, assim a bola comece a progredir paralelamente à linha frontal da área. O problema, diria decisivo, é que Otamendi fica preso com Gomis, impedindo-o de recuperar a sua posição, para pressionar na frente de área. Isso e, claro, a qualidade de Lisandro.

Porto - Lyon (golo 2) - Tudo muito semelhante ao primeiro golo, mas com desenvolvimento completamente oposto. Aqui, fica mais claro o posicionamento dos médios, e o porquê do mesmo. Em situações de jogo corrido, é, muitas vezes, o médio que fecha na ala, ficando o extremo mais livre para a transição. Aqui, ficam os 2 médios preparados para o momento de transição, como que tendo a certeza do mesmo. E assim foi, golo em transição com os médios como protagonistas. Tudo previsto, portanto.
Ler tudo»

ler tudo >>

19.5.11

Porto - Braga: Estatística e Opinião

ver comentários...
1- Tinha a expectativa sobre a estratégia de Domingos. Iria ser especifica, perante a qualidade do adversário? Se tivesse de apostar, diria que não, mas o facto é que essa especificidade se confirmou. O Braga jogou em 4-1-4-1, e, na minha perspectiva, foi uma boa opção. Porquê? Porque permitiu um controlo permanente do espaço entre linhas (Vandinho) e permitiu também que houvesse uma pressão mais estratégica sobre o meio campo portista, nomeadamente, anulando/limitando a influência de Moutinho em posse, em vez de lançar 2 homens numa pressão mais alta, menos discriminante, e, previsivelmente, sem apoio grandes possibilidades de apoio da linha média (aqui, pelo efeito do tal posicionamento organizacional do Porto, em posse).

2- A alteração organizacional do Braga é importante na definição do balanceamento do jogo (não foi tanto para o resultado), porque, ao alterar, o Braga criou, de facto, problemas de penetração ao Porto, que ainda encontrou alguns espaços em passes largos nos primeiros minutos, mas que foi progressivamente perdendo essa capacidade. É importante, também, porque permite especular - nunca saber exactamente - sobre o peso que terá tido a mudança especifica no rendimento do próprio Braga. É que, se em termos defensivos a equipa conseguiu grande parte do seu objectivo, foi também evidente o seu rendimento abaixo do normal em transição. Muito mérito para a qualidade que o Porto tem na resposta a esse momento táctico (Moutinho, Fernando e Otamendi, em destaque), muito demérito para a desinspiração individual de várias individualidades arsenalistas, mas... até que ponto houve influência de uma menor identificação com o posicionamento base adoptado? Na minha opinião, diria os dois factores que elenquei primeiro serão bem mais decisivos.

3- Mas, se da parte do Braga houve um rendimento abaixo do esperado, também do lado do Porto isso aconteceu, como, aliás, Villas Boas teve a lucidez de reconhecer. O treinador lamentou o facto, deu o mérito ao Braga e mostrou compreensão pelo sucedido, dada a natureza do jogo. De facto, foi um jogo bem abaixo do rendimento habitual da equipa, em vários parâmetros, nomeadamente ao nível da sua ligação ofensiva. É mais normal que tal tenha acontecido na primeira parte, onde, de facto, havia pouco espaço para jogar, mas esperar-se-ia mais, sobretudo quando o Braga arriscou mais em termos de zonas de pressão. Dentro das atenuantes, claramente, a organização do Braga é aquela que me merece mais relevância.

4- Há um ponto que importa salientar (não será a primeira vez que o faço) na estratégia do Braga e, em particular, na dificuldade que o Porto sentiu em encontrar espaços. Artur repôs a bola em jogo por 31 vezes, mas apenas por 1 vez não bateu a bola longa para o meio campo contrário. Ora, isto impede o Porto de pressionar e de ganhar a bola mais vezes no meio campo contrário. Obriga a uma primeira "batalha" (que o Porto venceu muitas vezes, diga-se) e nem sempre permite uma saída em boas condições para as acções ofensivas. Se juntarmos a esta preocupação estratégica, a qualidade do Braga em organização defensiva, fica fácil perceber porque é que o Porto teve tantas dificuldades em encontrar os espaços para ser mais perigoso ofensivamente. Mesmo, se poderia ter feito mais.

5- Feito o esboço do que foi o jogo, não admira muito que o jogo tenha sido definido da forma que foi: ou seja, no aproveitamento de um lapso (raro) de uma das equipas. Aliás, também o Braga o poderia ter feito numa situação do mesmo tipo. Perante isto, teria de ser a eficácia a decidir e foi o Porto a levar a melhor, muito porque, realmente, teve do seu lado o único rasgo de alguma inspiração que o jogo conheceu.

Ler tudo»

ler tudo >>

29.4.11

Porto - Villarreal: Estatística e Análise

ver comentários...
1- Tenho de começar por abordar a atipicidade do jogo. É que, sendo objectivo, a goleada encontra a sua principal justificação na enorme diferença de eficácia entre as duas equipas, e não no número de oportunidades que estas construíram, que, tudo somado, foi muito próximo. Não posso, portanto, concluir que o Porto foi substancialmente mais competente do que o seu adversário na interpretação da proposta que trazia para o jogo, e a forma mais correcta que encontro para tentar explicar o sucedido é através do recurso a uma expressão utilizada pelo próprio Villas Boas: "a transcendência dos jogadores". Se, para além da eficácia, constatarmos ainda que a maioria dos lances de perigo eminente do Villarreal foram salvos por jogadores portistas, e não apenas desperdiçados pelos adversários, então fica clara a conclusão de que o resultado, sendo a consequência de um diferencial de aproveitamento, é também o reflexo da diferença da capacidade de superação dos jogadores nos momentos chave do jogo. Mérito para eles, portanto.

2- O jogo começou com intenções claras de parte a parte. O Porto, percebendo a natureza do adversário e a sua disponibilidade para sair em apoio praticamente de qualquer zona do campo, arriscou no potenciamento do erro, subindo linhas e tentando roubar a bola em zona alta. O Villarreal, por seu lado, trouxe um 4-2-3-1 muito assimétrico, disposto a tentar tirar partido da profundidade à direita (Nilmar) e do apoio interior vindo da esquerda (Cani). O momento de transição seria, assumidamente, a sua aposta. O facto é que, perante este balanceamento foram os espanhóis quem conseguiram maior aproveitamento qualitativo das suas intenções, e de longe. Por 4 vezes nos primeiros 50 minutos Helton teve jogadores contrários isolados na sua frente, num registo provavelmente sem paralelo nesta temporada. O Villarreal sai goleado do Dragão, e nada servirá de prémio de consolação perante este desaire, mas fica, para quem viu, o registo da equipa que mais problemas causou ao Porto no seu estádio esta temporada. Mais do que os vencedores Benfica, Sevilha ou Nacional.


3- Ainda sobre os problemas do Porto na primeira parte, é verdade que a maioria dos lances aconteceu sobre a direita, mas mais relevante do que distinguir o lado dominante para o desfecho das acções, parece-me ser identificar a origem das mesmas. E, aí, a meu ver, entram três factores. A zona de perda da bola (muito baixa, com alguns erros na primeira parte), o risco da linha defensiva ("batida" várias vezes na tentativa de jogar alto e encurtar espaços) e o mérito do Villarreal (jogadas simples, por vezes condicionadas, mas que, mesmo assim, encontraram o tempo e definição certas). Sobre este último ponto, volto a lembrar algo que referi há tempos a propósito de um golo sofrido pelo Benfica nesta prova: nota-se uma grande diferença no aproveitamento que fazem jogadores de ligas como a espanhola ou alemã da "armadilha" do fora de jogo. Uma diferença que tem muito a ver com o hábito de jogar contra este recurso defensivo nesses campeonatos.

4- Da parte do Porto, o seu mérito tem muito a ver com a manutenção da intencionalidade e indiferença à adversidade. O jogo demorou a sair, mas quando saiu teve um impacto tremendo em termos mentais no jogo. Aliás, se houve equipa que mudou o jogo através de alterações próprias foi o Villarreal, retirando três dos seus melhores jogadores no jogo, e desfazendo a estrutura inicial. A reacção táctica ao impacto emocional da momento portista acabou por ser contraproducente, a equipa perdeu ordem, identificação e qualidade, acabando o "submarino" por afundar-se completamente. Foi, usando uma imagem do boxe, uma vitória por KO, e não aos pontos.

5- Nota para o segundo golo, provavelmente o que mais impacto teve no jogo. A jogada, com Hulk a abrir no flanco e Guarin a entrar no espaço entre o central e o lateral, é uma espécie de "clássico" desta época. Na goleada ao Benfica, por exemplo, esteve em foco o mesmo tipo de movimentação, então com Belluschi como protagonista.

6- Algumas notas individuais:
Sapunaru e A.Pereira - estrategicamente pouco participativos numa primeira fase, tentando levar com eles os extremos e deixando as despesas da construção para o corredor central. O costume. No último terço, e também num movimento habitual, Alvaro Pereira foi solução repetida para os cruzamentos, mas foi uma noite pouco inspirada.

Rolando e Otamendi - Um jogo muito difícil para ambos, tendo de jogar alto e assumir o risco de saber que se tem muito espaço atrás de si. Creio que não é por acaso que jogou Otamendi, que tem uma capacidade de reacção e recuperação muito maior do que Maicon. Se assim foi, Villas Boas acertou, porque foram decisivas as intervenções que ambos conseguiram em recuperação. De resto, e como é hábito, Otamendi muito mais interventivo defensivamente, Rolando muito mais certo com bola.

Fernando - Um jogo terrível para ele. Cometeu vários erros em posse, não conseguiu ser influente como é seu hábito e viu vários passes de rotura a serem protagonizados na sua zona.

Moutinho e Guarin - Dentro do melhor que se pode esperar deles. Moutinho, foi o mais influente e certo com bola, a melhor garantia da posse, e destacando-se pela excelente reacção à perda. Guarin foi outra vez o "homem bomba" da equipa, e uma espécie de barómetro da equipa. As suas primeiras tentativas foram um completo falhanço, mas quando acertou, teve um enorme impacto.

Falcao - De novo, a mesma referência. É repetitivo fazer-lhe os mesmos elogios, mas ele não deixa outra hipótese. Ou seja, é um temível finalizador dentro da área e a equipa tem tirado enorme partido dessa sua capacidade.

Ler tudo»

ler tudo >>

21.4.11

Benfica - Porto: Estatística e Análise

ver comentários...

- Surpreendeu-me a abordagem ao jogo de Jesus. Esperava que voltasse às duas linhas de quatro e à colocação de Peixoto junto a Garcia, repetindo a "fórmula" do Dragão. Não sei se não o fez por mera opção estratégica, ou se abdicou dessa opção apenas devido às ausências de Gaitan e Salvio. Seja como for, estou em crer que o treinador estará arrependido de não ter introduzido essa opção no jogo, não digo de inicio, mas no inicio da segunda parte.

- Também estranhei a abordagem do Porto ao jogo. A pressão incidiu mais no bloqueamento da zona média e não esteve especialmente agressiva sobre o tempo de passe na zona de construção. Com bola, o Porto raramente utilizou Fernando na primeira parte e notou-se uma tendência para recorrer mais directamente a Falcao. Talvez Villas Boas também estivesse à espera de outra estratégia do Benfica, mas a verdade é que a equipa teve dificuldades em ser dominadora no jogo, como aconteceu na segunda parte.

- Com a combinação das duas posturas, o jogo na primeira parte foi relativamente fraco. Pouco risco em posse, várias solicitações directas de parte a parte e poucas situações de ataque rápido. Esteve melhor o Benfica durante boa parte do tempo, conseguindo ter mais bola e chegar mais perto da baliza contrária, especialmente através de vários livres nas imediações da área. Apesar disso, foi também sempre o Benfica quem esteve mais propenso ao erro, e acabou por conceder a principal ocasião da primeira parte, precisamente num lapso de Jardel.

- A segunda parte foi realmente diferente, embora se deva dizer que o Porto conseguiu um notável aproveitamento das ocasiões criadas, já que não foram muitas mais do que os golos que marcou. A principal alteração no jogo teve a ver com o domínio, sendo que na segunda parte foi o Porto quem tomou conta do jogo, invertendo a posse de bola e passando a actuar como mais gosta, ou seja, em ataque posicional, dando fluidez à circulação e com uma forte reacção à perda.


- Há dois momentos que me parecem decisivos no jogo. A alteração de Micael por James, e o primeiro golo. O efeito da alteração não teve a ver com a prestação de James, que até foi, a meu ver, bem inferior à de Micael, mas com a alteração táctica e com a presença de mais um elemento na ligação meio campo-ataque, no corredor central. O domínio, aí, acentuou-se de forma clara. Depois, o golo, com o Benfica a acusar claramente o momento, a ter dificuldade em organizar-se defensivamente, em se manter agressivo sobre a posse contrária e em sair do "colete de forças", nessa altura claramente observável. Foi tudo muito rápido, mas provavelmente Jesus poderia e deveria ter sido mais lesto a reagir.

- A reacção do Benfica à súbita inversão de situação foi boa. A entrada de Aimar trouxe mais qualidade e energia e a equipa parecia ser capaz de voltar a crescer no jogo. As substituições posteriores podem retirado organização e quebrado o momento de reacção após o 1-3. Nunca saberemos o que teria acontecido, mas a verdade é que fica a ideia que colocar mais gente na frente apenas partiu a equipa e lhe retirou consistência.

- Em suma, o Porto foi claramente feliz pelo aproveitamento que conseguiu na sua melhor fase, já que o jogo esteve muito tempo longe de parecer fora do controlo para os dois golos de vantagem que o Benfica trazia da primeira mão. Ou seja, o seu mérito é incontornável na forma como impôs o seu domínio durante os primeiros 30 minutos da segunda parte, mas para quem tinha de recuperar dois golos, é também verdade que a primeira parte não foi bem conseguida. Quanto ao Benfica, e como referi ontem, voltou a não conseguir gerir o jogo e a vantagem muito confortável que trazia, sucumbindo claramente assim que o jogo começou a ameaçar escapar-lhe.

Notas individuais (Benfica)
Jardel - Conseguiu algumas intervenções vistosas, mas no geral foi pouco para os erros que cometeu. Ainda assim, este era um jogo de elevado grau de dificuldade e Jardel parece-me uma opção nesta altura claramente mais fiável do que o super instável Sidnei. O que não se pode esperar é que se torne, de repente, numa solução ao nível de Luisão ou David Luiz.

Peixoto - Continua-se a querer ver nele uma solução que não oferece, nem nunca ofereceu durante toda a época. Ou seja, sempre que joga no corredor, Peixoto tem grandes dificuldades em impor-se, quer em termos de agressividade/intensidade, quer em termos de capacidade criativa. As suas melhores exibições foram como médio, em posições interiores, onde parece dar-se bem melhor. Devia ter saído mais cedo no jogo (ou mudado de lugar), porque a jogar onde estava, nunca deu muito à equipa.

Jara - Lutou, é verdade, e até conseguiu alguma consequência em situações pontuais, mas nas intervenções mais importantes, quando era possível acelerar o jogo e tentar situações de ataque rápido, decidiu quase sempre mal. A principal das quais, no lance que terminaria com o golo de Moutinho. Jara tentou forçar sozinho e acabou por retirar à equipa a possibilidade de surpreender o adversário, num lance que ilustra bem as suas dificuldades em lances do género.

Aimar - Obviamente que devia ter entrado mais cedo. Numa situação em que Gaitan e Salvio estão indisponíveis, não parece muito compreensível que se reserve tão pouco tempo para Aimar.

Notas individuais (Porto)
Otamendi - Cometeu em erros em posse - o que lhe é hábito - mas revelou-se fantástico nos momentos de transição. Quer em recuperação, quer em antecipação do primeiro passe de transição, Otamendi sobressaiu claramente dos restantes jogadores.

Fernando - A sua exibição é um pouco a imagem da equipa. Ou seja, na primeira parte esteve ausente do jogo (não por culpa sua), mas na segunda cresceu muito, atingindo os parâmetros habituais do seu rendimento. Com mais presença em posse, ainda que com erros, e sobretudo muito forte no controlo defensivo da sua zona, nomeadamente na reacção à perda.

Micael - Saiu, mas até esse momento tinha sido provavelmente o melhor jogador da equipa. Seguramente, foi aquele que mais participação e influência teve em posse, e também com uma presença importante na recuperação (capítulo onde tem dificuldades).

Moutinho - Tal como contra o Sporting, voltou a ser decisivo ofensivamente, mas menos correcto e influente com bola, em relação àquilo que é o seu traço habitual. Ainda assim, há claramente uma explosão de rendimento com a alteração táctica e com o golo que marcou. A partir daí "encheu" o campo, com a sua presença elástica e extensível a todas as situações do jogo.

Ler tudo»

ler tudo >>

5.4.11

Benfica - Porto: estatística e notas individuais (Porto)

ver comentários...
Falcao – Foi perdulário, mas decisivo. Ou seja, pode-se criticar Falcao pelos golos que perdeu, mas tem de se lhe dar o mérito de ter chamado a si os principais momentos da equipa. Sou da opinião de que é na área e no ataque às zonas de finalização, que Falcao é mais forte. Este não era um jogo propício para isso, mas, porque Falcao é um jogador completo, isso não impediu que representasse uma mais valia para a equipa.

Guarin – Dá para dizer que é um dos melhores do campeonato? Na minha opinião, sem dúvida. Tem tempo e rendimento suficiente para isso. Esta é uma época excepcional, porém, porque não se pode esperar de um jogador da sua posição que desequilibre tanto e com tanta frequência. Ou melhor, eu pelo menos não espero. E é no capítulo ofensivo que Guarin mais destaca. Tem capacidade de trabalho, sim, mas Belluschi e Moutinho também a têm, e em níveis que, na minha opinião, não são menos elevados.

Moutinho – Continuo a pensar que o seu rendimento é crescente ao longo da época. Foi o jogador com maior influência na posse da equipa e esteve até perto de proporcionar o golo a Falcao, após um roubo de bola. Na segunda parte caiu um pouco, perdendo protagonismo com o encolhimento da equipa, após a expulsão. É que, para um jogador com a intensidade de Moutinho, o jogo fica melhor quando o “campo aumenta”.

Rolando – Não sou um "entusiasta" de Rolando. É um jogador seguro e forte tecnicamente, também com bons atributos defensivos que deveriam fazer dele um central de eleição. Mas falta-lhe muitas vezes agressividade e uma atitude mais dominadora na sua zona. Desta vez – e tem melhorado, diga-se – esteve mais próximo da personalidade que se exige a um herdeiro de uma já longa linhagem de centrais marcantes na história do clube e do próprio futebol português.

Otamendi – Um pouco às avessas de Rolando, falta-lhe em sobriedade o que lhe sobra em personalidade e atitude. Cometeu alguns erros, mas teve também várias intervenções importantes no jogo. Apesar de ser por vezes imprudente nas suas acções, desta vez creio que foi mais vitima da má fortuna do que qualquer outra coisa...

ler tudo >>

1.3.11

Olhanense - Porto: Análise e números

ver comentários...
E o título ao virar da esquina... Não foram muitas as vezes em que o Porto demorou tanto a ganhar vantagem num jogo, e esse constituiu-se, desde logo, como um ponto de interesse para a reacção da equipa. A resposta foi positiva e, mais importante de tudo, foi suficiente para garantir os 3 pontos e encurtar ainda mais o caminho que falta para fechar o campeonato. E já falta pouco! De resto, talvez a nota mais surpreendente do jogo seja o elevado número de ocasiões permitido pelo Olhanense. É que a equipa de Daúto Faquirá havia sido, até agora, das que menos desequilíbrios havia permitido frente aos “grandes”. Algo que se explica por vários factores...

Notas colectivas
A meu ver, o melhor período portista deu-se nos primeiros minutos. Uma atitude fortíssima, com uma posse dinâmica e com critério e com uma óptima reacção à perda de bola. O Olhanense não pagou, nesse período, a factura em golos, mas mal respirou. De resto, a vulnerabilidade dos algarvios, nessa fase, encontrou-se no espaço entre centrais e laterais e em algumas perdas de bola no inicio de transição que expuseram a equipa.

O facto é que o Porto foi perdendo essa capacidade com o tempo. Menos critério em posse e menos controlo do primeiro passe de transição do Olhanense. O jogo tornou-se mais físico e mais dividido, e Villas Boas resolveu alterar na segunda parte, mexendo e dando-nos uma novidade em termos estruturais: o losango.

A intenção, pareceu-me, passou por tentar ter uma presença mais constante nas costas dos médios do Olhanense, obrigando os centrais a fazer aquilo que a estratégia de Faquirá tanto parece querer evitar: sair da sua zona. Tudo isto pressupõe, igualmente, mobilidade ofensiva e maior largura dada pelos laterais – daí a entrada de Fucile.

O Porto colheu os frutos na etapa complementar do jogo, mas, em boa verdade, não posso dizer que foi aí que esteve globalmente melhor. É que foi nesse período também em que o jogo se esticou mais e em que houve menos controlo por parte do Porto. De todo o modo, será interessante perceber até que ponto esta opção táctica – que gosto, particularmente – será desenvolvida no futuro.

Sobre o Olhanense, também um comentário. Será, provavelmente, a equipa tacticamente mais conservadora do campeonato. Organiza-se bem, mas sempre à custa de um risco mínimo em termos de desposiccionamento táctico. A linha defensiva está quase sempre baixa e os centrais muito protegidos, quase nunca sendo obrigados a sair da sua posição. Daí tornar-se uma equipa difícil de bater, não sendo mais porque acontecem também alguns erros individuais com frequência. De resto, em termos ofensivos tem alguma qualidade individual – nomeadamente a capacidade de retenção de bola de Paulo Sérgio – mas não se viu uma transição muito capaz de fazer a equipa subir no terreno e respirar melhor. Também por mérito do Porto, obviamente.

Notas individuais
Sapunaru – Não me parece que tenha sido pela sua produção que foi substituído, porque creio que estava a fazer um bom jogo. Penso que terá sido mais pelas suas características.

Otamendi e Rolando – De novo espelhadas as diferenças entre os dois. Otamendi muito mais interventivo e dominador nas suas acções. Rolando muito mais seguro e menos exposto ao erro individual.

Belluschi – Marcou um grande e importante golo, mas fez um dos piores jogos em termos de intensidade nos momentos defensivos do jogo. Esteve longe de ser uma das suas melhores exibições em termos globais.

Moutinho – Um pouco ao contrário de Belluschi, não foi decisivo nem desequilibrador (normalmente não é), mas teve um papel importantíssimo no jogo da equipa, quer em termos de posse, quer em termos de equilíbrio e recuperação.

Falcao – Não começou bem, mas acabou por ir crescendo no jogo e acabar por ser o homem do jogo. Trabalhou bem fora da zona de finalização e, dentro desta, fez a diferença.

James Rodriguez – Foi a “chave” do jogo, segundo a generalidade das leituras. Obviamente que discordo do exagero, porque se o Porto materializou a sua vantagem na segunda parte, já o poderia ter feito também antes. Ainda assim, esteve inegavelmente em bom plano, decidindo sempre bem (característica que se mantém), estando disponível no jogo e com participação decisiva. Será que o veremos mais vezes nas costas dos avançados a partir de agora?
Ler tudo»

ler tudo >>

14.2.11

Braga - Porto: Análise e números

ver comentários...
À campeão! Pode ainda ser cedo para o encomendar das faixas, mas a expressão encaixa bem na exibição portista.. O momento não dava boas indicações e o grau de dificuldade da deslocação, muito menos. O carácter dos campeões vê-se, porém, na capacidade que têm para responder na medida certa, nos momentos certos. Foi isso que aconteceu. Ou seja, quando mais se exigia, o Porto, respondeu e regressou subitamente aos melhores níveis de performance da temporada. Por tudo isto, perceber-se-á, concordo mais com Villas Boas no puxar do mérito para o lado azul e branco. Não posso, porém, deixar de dar também razão a Domingos: o Braga não esteve como tinha de estar para poder discutir o jogo. O problema deste Braga, porém, é que é complicado pedir-se muito mais quando se é, tão claramente, o campeão... dos contratempos.

Notas colectivas
O jogo começou com uma visível intenção de ambas as equipas fazerem da organização e agressividade os instrumentos para conseguir ascendente no jogo. Neste particular, a zona central ganhava uma importância grande, com o “encaixe” entre os 2 triângulos de meio campo. O Porto no seu típico 1-2, com Fernando mais recuado, o Braga no 2-1, com Mossoró mais próximo de Lima.

Porque ganhou tão claramente o Porto este duelo? Em termos muito simples: porque foi substancialmente melhor. Melhor na resposta que deu em situações de pressão, contrastando com um mau desempenho técnico do Braga, e melhor na organização e critério que teve com bola. É um facto que raramente encontrou situações de liberdade em zonas privilegiadas, mas é também um facto que esteve praticamente imaculado ao nível da segurança em posse e que, combinando esse dado com uma óptima pressão sem bola, isso lhe valeu um domínio asfixiante na primeira parte. No Porto, há 2 aspectos que quero abordar (embora perceba que teriam mais utilidade com imagens)...

O primeiro tem a ver com a organização com bola. A opção – que me parece mais pronunciada nos últimos jogos – de colocar os laterais num posicionamento mais profundo e aberto teve como consequência um delegar de responsabilidades de construção para o corredor central, mas com a vantagem de afastar os extremos do Braga dessa zona (na primeira parte Alan e Hélder Barbosa pareciam defesas), aumento assim o espaço para construir. Não dá para dizer que o Braga tivesse estado “mal” na resposta que deu, ao nível do pressing, mas acabou por ser impotente perante a dinâmica dos médios (excelente!) e o critério dos centrais (Otamendi!). Acabou, também – e tal como referiu Domingos – por cair na ratoeira do "campo grande" portista, afastando muito as suas linhas entre si. Particularmente, e para além do tal arrastamento dos alas, as linhas mais recuadas não se aproximaram suficientemente da zona de Mossoró, acabando por pagar o preço dessa distância com chegadas fora do tempo ao portador da bola.

O segundo aspecto tem a ver com resposta da equipa sem bola. É frequente ler e ouvir longas dissertações sobre o que os jogadores fazem ou deviam fazer com bola. Pessoalmente, e não é a primeira vez que o refiro, não consigo desligar as 2 situações – com e sem bola – e discordo de tal focalização no que se faz “com bola” como factor determinante de sucesso. Um exemplo é o Porto (todas as boas equipas o são) e o seu meio campo. Fernando, Belluschi e Moutinho são jogadores de uma agressividade e reactividade excepcional, um trio como há poucos no mundo, nesse plano. Isto, em combinação com uma boa compreensão posicional, permite à equipa ter uma presença muito forte em termos de pressão e reacção. Este factor foi determinante no condicionamento dos bracarenses sempre que estes ganhavam a bola. Daí a asfixia territorial no primeiro tempo.

Por fim, nota para o Braga. Há aspectos em que a equipa poderia denotar mais qualidade colectiva, mas é impossível exigir mais a Domingos com as adversidades que teve ao longo da época – aliás, neste jogo também. Há outra coisa que importa referir sobre o Braga: é absurdo comparar-se a qualidade dos seus recursos com as dos “grandes” – qualquer deles. Isso foi perceptível, por exemplo, no desempenho técnico dos seus jogadores na primeira parte. Alan merece, de novo, uma menção positiva, estando acima dos demais.

Notas individuais
Fucile – Regressou e, não comprometendo com os seus erros frequentes, justifica a milhas a titularidade em relação a Sereno, Emídio Rafael ou mesmo Sapunaru. Tem níveis de participação muito mais elevados do que estes jogadores, sendo muito mais útil quer ofensivamente, quer defensivamente. Não fossem os tais erros...

Otamendi – Um jogo praticamente perfeito. Quando foi contratado alertei para a sua má gestão do risco, e, mesmo se isso já se notou várias vezes, dá para dizer que está bem “domesticado”. É mais um exemplo de como um grande central se faz pelas qualidades “brutas” que tem e pela “afinação” que lhe é dada. Por isso, ganha muito mais bolas do que Rolando, por exemplo, e por isso é o melhor central da equipa. Para mais... marcou 2 golos!

Fernando – Os jogadores não recuperam mais ou menos bolas por acaso. Fernando é um bom exemplo disso. Tem uma boa compreensão do jogo posicional, mas complementa isso com uma excepcional agilidade e capacidade de recuperação, que faz dele um “pivot” anormalmente útil em missões de equilíbrio e recuperação. Vinha denotando alguns problemas em termos de concentração e critério com bola, mas corrigiu, fazendo um jogo muito bom.

Belluschi – Na primeira parte foi dos melhores. Reactivo e agressivo – quase eléctrico – sem bola e muito prestável ao jogo quando a equipa a ganhava. Na segunda parte caiu muito e acabou por fazer um jogo que, para os seus níveis, foi “abaixo do par”.

James e Varela – São jogadores diferentes e tiveram exibições diferentes também. A nota sobre eles vai para o facto da equipa precisar de mais arrojo e capacidade de desequilíbrio das suas intervenções, sob pena de ficar demasiado dependente do que Hulk consegue arrancar. Têm qualidade e essa capacidade, mas precisam de encontrar a forma de conseguirem aproximar a equipa do golo com mais regularidade.

Hulk – Voltou às exibições habituais, sendo o mais desequilibrador da equipa. A nota sobre Hulk vai para um pormenor raramente realçado: Hulk tem uma capacidade de trabalho sem bola muito boa e muito acima de outros casos de posições semelhantes. Uma comparação que faço quer com os elementos do próprio plantel, quer com os dos rivais.

Alan e Mossoró – São 2 jogadores habitualmente elogiados pela sua capacidade técnica, mas o seu desempenho, neste jogo, foi absolutamente díspar. Alan quase sempre com boa qualidade e critério, Mossoró um dos responsáveis pela “prisão” da equipa no seu meio campo, durante a primeira parte.



Ler tudo»

ler tudo >>

8.2.11

Porto - Rio Ave: Análise e números

ver comentários...
Tenho para mim que estes são os momentos mais difíceis de entender no futebol e, por isso também, os mais interessantes. Momentos de quebra ou superação das equipas. O Porto está a viver um desses momentos, que não é ainda suficiente para que lhe chamemos de “crise”, mas que urge ser invertido sob pena de justificar esse rótulo. A única coisa que podemos garantir é o efeito, já que a causa, essa, é bem mais difícil de identificar. Normalmente assistimos a um desdobramento de explicações que tentam estabelecer uma relação linear entre uma causa e um efeito. Não acredito nesse tipo de visão redutora para um problema que julgo ter na complexidade uma das poucas certezas em relação à sua origem. Ainda assim, acredito na importância de uma palavra em toda esta equação: confiança.


Notas colectivas
Podemos começar pela leitura do que se viu. O Porto foi sempre dominador, sim. Teve até uma % de sequência em posse bastante elevada. Tudo elementos normais e expectáveis num jogo desta natureza, e que normalmente redundam num volume bastante grande de oportunidades. Não foi o caso, e aqui começam os indicadores atípicos em relação ao jogo: poucos desequilíbrios junto da baliza contrária (2, que é um novo mínimo em jogos para o campeonato), e muitas perdas de bola em posse (10, que é um novo máximo da equipa).

Ou seja, o Porto dominou como é costume, apresentou até alguns bons momentos de fluidez na sua posse, mas não teve a mesma capacidade e rendimento em 2 áreas fundamentais do seu jogo. Primeiro, a segurança, com vários erros a serem cometidos em zona de construção, e, depois, no último terço, não encontrando a inspiração e arrojo para ultrapassar a última barreira do adversário, até onde chegou com bastante frequência.

Perante tudo isto, é muito redutor explicar a situação pelas ausências de Álvaro Pereira e Falcao. É verdade que ao Porto faz falta um lateral mais incisivo, que consiga ser uma solução de profundidade no corredor. Também é evidente que a ausência de Falcao, não só retira qualidade, como altera a dinâmica do trio da frente. Também se pode dizer que Belluschi tem uma objectividade no último terço que teria sido uma mais valia neste jogo. Mas, nada disso explica apenas 2 desequilíbrios e 10 perdas de bola num jogo destes.

Importa também falar sobre Hulk. Não é verdade que Hulk jogue estritamente na posição de Falcao. Ou seja, com Hulk nesse papel, há muito mais trocas posicionais com os 2 extremos, pelo que Hulk, e ao contrário do que acontece com Falcao, aparece frequentemente em zonas laterais. O ponto é que, se a sua influência decisiva caiu nos últimos 2 jogos, tal não terá estritamente a ver com o seu posicionamento base, como muitas análises tentam sugerir. Aliás, as primeiras adaptações de Hulk a esta dinâmica não o impediram de continuar a decidir.

Sobre o Rio Ave, também é interessante referir o tema “confiança”. É uma das equipas mais bem organizadas do campeonato e tem bons jogadores em várias posições – lança muitos portugueses! Na minha leitura, muitas das suas dificuldades no campeonato têm a ver com o impacto emocional dos maus resultados iniciais. Ou seja, perdendo a abrir a prova, a equipa teve dificuldade em estabilizar os níveis emocionais e isso ter-lhe-á custado erros e pontos. Caso contrário, não espantaria que esta mesma equipa estivesse no mesmo plano de Leiria ou Olhanense.

Notas individuais
Sapunaru e Sereno – Continuo a pensar que os laterais beneficiam da qualidade do modelo colectivo, que lhes esconde lacunas e potencia virtudes. Mas continuo a pensar, também, que o modelo colectivo beneficiaria com laterais de outra qualidade e características. Tanto vale para um como para outro.

Otamendi – Regressou, mas não teve um jogo ao nível do que se lhe pode exigir. Não tanto defensivamente, mas pelos erros que cometeu com bola.

Fernando – Foi um dos mais criticados no jogo com o Benfica, e de facto errou nessa partida. Neste jogo, porém, esteve muito mais errático do que a meio da semana. Tem uma capacidade física notável e é uma enorme mais valia em termos de recuperação, mas não pode cometer tantos erros em posse na sua zona.

Ruben Micael – Foi o primeiro a oferecer um ataque rápido ao Rio Ave e voltou a repetir o mesmo tipo de erro mais tarde. No entanto, Micael foi, durante boa parte do jogo, o jogador mais influente do meio campo, notando-se a sua disponibilidade para ter a bola e a sua boa capacidade de decisão. É pena não ter outra agressividade e explosão, porque é um jogador com uma noção excepcional do jogo, notando-se na rapidez com que define o destino que deve dar às bolas que por si passam.

Moutinho – Desta vez foi decisivo. De resto, não fez um jogo excepcional, também errou, mas manteve-se dentro do seu registo altamente fiável de rendimento. Tudo somado, parece-me justo que seja o “melhor em campo”.

Varela – Marcou, é verdade, mas foi pouco o que fez depois.

James – Desta vez não teve a clarividência que o tem caracterizado e não deu a melhor sequência a muito do jogo que por si passou. Por outro lado, continua a perceber-se que ainda não é nele que o Porto pode confiar para ser um “abre latas”.

Hulk – Um dado curioso sobre a sua exibição: muitas vezes Hulk decide mas não dá sequência a muito do jogo que por si passa. Desta vez foi ao contrário. A maioria das bolas que passaram por ele tiveram sequência colectiva, o problema é que não foi decisivo. Há dúvidas sobre o que é mais importante?
Ler tudo»

ler tudo >>

24.1.11

Beira Mar - Porto: Análise e números

ver comentários...
Numa conversa entre Mourinho e Maradona, as camâras apanharam uma breve troca de impressões em que o português dizia algo como isto: “uma coisa é teres uma equipa que sabes que, se marcas, ganhas. Outra coisa, é quando, marcas, e mesmo assim não sabes o que se vai passar”. Ora bem, o Porto foi, em absoluto, o primeiro caso levantado por Mourinho. Não era liquido que marcasse na primeira parte de um jogo tão fechado – e é importante que se note o relevo desta eficácia para o destino do jogo – mas, tendo-o feito, soube manter o jogo sempre longe da sua baliza, mesmo que para isso tivesse de arregaçar as mangas e despir o “smoking”. Ossos do ofício para quem percebe bem qual é o verdadeiro objectivo de um jogo de futebol. De resto, e como abordo abaixo, mérito para o Beira Mar por ter condicionado fortemente a mais valia técnica dos portistas.

Notas colectivas
Não é este o tipo de jogo que alguma equipa “grande” deseja enfrentar. Não é, mas é bom que esteja preparada para ele. O mérito é do Beira Mar, que, se não conseguiu pontuar, conseguiu, pelo menos, forçar o Porto a jogar sempre em espaços muito apertados e longe das balizas. Porque é que o conseguiu? Pela conjugação de vários factores. Primeiro, a ideia, a estratégia, que limitou os riscos do seu próprio jogo, não querendo jogar muito em apoio e apostando em lançamentos mais largos para inicio de jogadas. Depois, pela atitude e organização. Atitude, para manter agressividade e reactividade na zona intermédia. Organização, para não permitir que o Porto encontrasse espaços para dar profundidade ao seu jogo. Os números, já agora, confirmam esta característica de um jogo mais disputado do que é comum: este foi, no campeonato e descontando o alagado jogo de Coimbra, o jogo com mais intercepções e menos % de sequência em posse da equipa do Porto.

Perante tudo isto, o Porto respondeu muito bem. Manteve-se concentrado, organizado e agressivo. Não foi fácil encontrar, depois, os tais espaços para chegar próximo do golo, mas o Porto lá os foi conseguindo, através do seu óptimo jogo em posse. Quer por aquilo que o maior ascendente lhe oferecia – mais bolas paradas – quer pela exploração de algumas lacunas posicionais no bloco contrário. A saber, o espaço entre os centrais e laterais aveirenses, nem sempre bem mantido por estes últimos, e o desposicionamento de Djamal, “pivot” defensivo, que sempre que saía da sua zona para pressionar, abria um buraco nas suas costas.

Há que notar, neste jogo, a importância do posicionamento base dos jogadores, quase sempre bem respeitado de parte a parte. Para o Porto, foi um jogo disputado em espaços mais curtos do que é costume. Os jogadores puderam manter distâncias mais próximas entre si e fizeram-no bem. É curioso como esta característica condicionou o tipo de exibição característica de alguns jogadores mais defensivos. No Beira Mar, já destaquei algumas lacunas que foram aparecendo também por mérito do Porto e da sua posse, mas há que realçar a boa organização da equipa, em particular da coerência posicional da sua linha defensiva e da importância dada pelos centrais à conservação de um espaço sempre curto entre eles.

Notas individuais
Emídio Rafael – Dos jogos para o campeonato (os outros não analisei com o mesmo detalhe) foi a sua melhor exibição. O Beira Mar pareceu tentar explorar o seu flanco de forma intencional e o resultado foi que Rafa acabou como o jogador mais interventivo da sua equipa. Defensivamente, esteve bem, beneficiando, parece-me, do tal jogo de referências posicionais mais próximas, ajustando sempre bem o posicionamento, nomeadamente em relação a Otamendi, e mantendo uma boa agressividade na sua zona. Com bola, poucas vezes teve a oportunidade de jogar no campo adversário, mas numa dessas vezes combinou bem com James para uma das melhores ocasiões da equipa. De resto, cometeu um erro que podia ter comprometido, e, talvez por isso, teve uma segunda parte de risco mínimo sempre que a bola passava pelos seus pés. Daí, o menor aproveitamento no capítulo técnico.

Rolando e Otamendi – Invariavelmente, Otamendi é o mais interventivo em termos defensivos, mas desta vez foi ao contrário. Na minha leitura, tem a ver com a característica mais fechada do jogo, sendo que Otamendi é um jogador que sobressai mais quando o jogo é mais esticado e há mais espaço para controlar. Seja como for, e sem terem feito um jogo perfeito, estiveram ambos bem, com Rolando em melhor plano também no capítulo técnico.

Fernando – Villas Boas fez bem em fazer regressar o “polvo” neste jogo. Não teve um jogo de domínio excepcional da sua zona, mas cumpriu perfeitamente a sua missão, quer em termos defensivos, quer em termos de segurança em posse. E isso, raramente Guarin consegue com tanta eficácia.

Belluschi – Não foi influente no último terço, mas, mais uma vez se prova, Belluschi é tudo menos um jogador apenas criativo. É um jogador de grande capacidade defensiva: rápido e reactivo a encurtar espaços e muito agressivo a pressionar. Por isso ganha tantas bolas e por isso é tão útil, mesmo em jogos mais fechados. Creio que é uma característica que continua pouco percepcionada em geral, mas que não escapa à equipa técnica, que, por isso, o mantém quase 90 minutos num jogo destes (Jesualdo, por exemplo, nem o colocava a jogar em jogos mais exigentes em termos defensivos).

James – Há um aspecto que se repete nele, e em jogos bem difíceis para o fazer: a certeza em posse. A sequência que dá às posses que passam por ele é muito acima do que é esperado para um jogador da sua posição e idade, e isso indica uma boa capacidade de decisão que, efectivamente tem. James, porém, precisa ainda de encontrar a sua forma de ser decisivo, porque só assim poderá ser o jogador de excepção que o Porto tanto espera dele. Curiosamente, pareceu melhor quando jogou na direita, intervindo mais em zonas interiores.

Hulk – Há 1 semana escrevia que o momento de Hulk é de tal forma positivo que desequilibraria em qualquer circunstância. Mais um exemplo. Jogo fechado, actuando numa posição onde não se sente tão confortável e, mesmo assim, presente em 2 dos principais desequilíbrios da equipa. A curiosidade de nenhum ter sido pela sua habitual capacidade de desequilíbrio no 1x1, mas em movimentos característicos de um 9.

Cristian Rodriguez – Entrou bem e penso que pode dar muito à equipa se tiver disponibilidade física e oportunidades para tal. A confirmar.

Kanu – Desde a II Liga – e já há alguns anos – que se percebe que tem características para muito mais. É um jogador muito forte em termos físicos, pela velocidade e agilidade invulgares que possui. Por isso, ganha tantas bolas e é tão difícil de bater no 1x1. No capítulo técnico não tenho tanta certeza sobre a sua real valia, mas não será esse o seu principal desafio. Com Leonardo Jardim, já tem tido essa possibilidade de evoluir, mas precisa de ser “formatado” em termos de rigor posicional e risco de decisão. Se o conseguir, será um central muito bom, porque potencial, tem.
Ler tudo»

ler tudo >>

18.1.11

Porto - Naval: Análise e números

ver comentários...
Talvez não pareça, à partida, mas este não foi um jogo de características normais, tendo em conta aqueles que o Porto habitualmente disputa em sua casa. E não o foi, essencialmente, pela postura da Naval, que se apresentou muito agressiva em termos posicionais, dando menos tempo e espaço para a circulação de bola, tão típica no jogo portista. Na prática, o resultado não foi muito bom para a equipa da Figueira, com a qualidade do Porto a ser suficiente para encontrar várias situações de golo ao longo do jogo. Aliás, talvez a Naval se possa dar por satisfeita porque, dado o espaço que concedeu nas suas costas, o resultado poderia ter sido bem mais pesado do que aquele que se observou.

Notas colectivas
Para sustentar o carácter algo atípico do jogo portista, basta atentar a alguns dados muito claros: o Porto realizou, neste jogo, a sua partida em casa com menos passes completados e menor % de sequência dada a cada posse de bola. O motivo para tal constatação, perante uma equipa, em teoria, das mais incapazes de discutir o domínio do jogo, está, como referi antes, na opção estratégica da Naval. A sua linha defensiva teve um comportamento altamente agressivo, subindo muito, abrindo espaço nas suas costas mas também reduzindo substancialmente a zona onde o Porto faz a construção das suas jogadas. A consequência disto foi um tipo de jogo mais verticalizado e menos trabalhado, onde cada jogada precisava de menos passes até chegar à sua conclusão. Quem experimentou estratégia idêntica no Dragão foi o Leiria, mas desta vez o Porto não esteve tão inspirado no aproveitamento do espaço que havia nas costas da defensiva contrária.
Ainda em relação à Naval, importa dizer que a sua atitude agressiva em termos posicionais não teve sempre a melhor organização. Não só na fundamental sincronia da última linha, mas também na forma como, por diversas vezes, o seu curtíssimo bloco não se conseguiu ajustar ao posicionamento da bola para manter uma presença pressionante sobre o portador da bola. E, como se sabe, só é possível jogar-se com espaço nas costas se a pressão sobre a bola for sempre conseguida. Caso contrário, pode ser suicídio.

De resto, e termino por aqui em relação à Naval, a sua qualidade com bola também não foi muito boa, vivendo sobretudo de alguns rasgos individuais de Fabio Júnior que, porém, lhe chegaram a dar uma soberana oportunidade para complicar as contas portistas. Não que chegasse para a surpresa – isso nunca saberemos – mas porque, dadas as circunstâncias, a eficácia era um elemento obrigatório para quem queria sonhar.

Quanto ao Porto, e apesar do tal bloco curto da Naval, é notável a movimentação que existe em ataque posicional, com a equipa a encontrar situações de liberdade, mesmo dentro das apertadas linhas do seu opositor. Foi, creio, um bom jogo da equipa em vários parâmetros, ficando apenas a dever a si própria alguma qualidade de definição no último terço para atingir uma expressiva goleada. É que as condições estavam criadas.

Uma nota em relação ao meio campo portista. Parece haver uma intenção de usar as características mais ofensivas de Guarin, dando mais liberdade ao “pivot”, e, para isso, mantendo Moutinho numa posição de maior proximidade com essa zona. Quer no equilíbrio posicional, quer mesmo numa fase de construção, onde Moutinho aparece muito mais do que Belluschi junto dos centrais. Por outro lado, Belluschi tem uma presença mais próxima das linhas ofensivas, aparecendo menos numa primeira fase de construção, mas mais no espaço entre linhas e dando largura à direita em situações de variação de flanco. São comportamentos já vistos noutras ocasiões, mas que creio serem mais notórios e conseguidos nos últimos jogos, com Guarin como “pivot”. Resta saber, porém, se esta opção se manterá noutro tipo de jogos onde, claramente, o colombiano não dá tantas garantias como Fernando em termos de segurança e presença posicional.

Notas individuais
Fucile – Regressou à esquerda, mas não teve muita sorte no ‘timing’ deste regresso. É que o jogo foi mais verticalizado do que é hábito, havendo menos apelo à inclusão dos laterais em termos ofensivos. Ainda assim, o grande reparo que lhe tem de ser feito é para a frequência absurda com que fica ligado a erros decisivos ou a grandes penalidades. Uma tendência para o desastre que se lamenta, porque é forte em quase tudo.

Otamendi – Não pode marcar com tanta frequência como vinha fazendo, mas vem-se revelando como a melhor opção para o lugar, e com alguma distância. Tem uma área de intervenção muito alargada e consegue ser dominador em todo esse espaço. Sente-se que gosta disso e que, por isso, também arrisca mais nas suas intervenções. O segredo para a sua evolução é calibrar melhor as bolas a que deve ir e aquelas em que deve ficar, assim como o risco que assume em cada posse de bola. É, a meu ver, o dilema tradicional dos centrais com maior potencial.

Rolando – Ao contrário de Otamendi, tem uma zona de intervenção curtíssima e impõe-se com muita dificuldade em termos defensivos. Mantém um perfil sóbrio, tem boa presença nas bolas paradas e é fiável com a bola nos pés, o que o faz errar menor e o iliba quase sempre de apreciações mais negativas. A meu ver, porém, o Porto deve pedir mais para esta posição.

Guarin – Voltou a fazer um bom jogo, sobretudo porque tem a capacidade de dar profundidade à sua intervenção. Mas não é – de longe – um jogador muito forte na missão posicional e de segurança que normalmente está reservada para a sua posição. Será interessante ver como Villas Boas gerirá a sua utilização ao longo da época.

Moutinho – Começou por ameaçar uma grande exibição, mas foi perdendo presença e acabou por estar menos participativo na segunda parte. A sua fiabilidade, no entanto, faz com que jogue sempre bem e penso que é boa ideia reservar-lhe uma missão mais focada no equilíbrio e na primeira fase de construção do que esperar dele uma grande influência no último terço.

Belluschi – Não começou bem, mas creio que terá feito uma das suas melhores exibições em termos globais. Esteve bem em posse, conseguiu várias recuperações importantes em zona alta e foi influente também no que a equipa conseguiu no último terço.

Hulk – Voltou a jogar a partir da ala, onde claramente rende mais. O ponto, porém, é que o momento de confiança é de tal ordem que não creio que alguma posição no campo o impedisse de marcar e ser influente. Que época!

João Real – Posicionalmente não dá para tecer grandes elogios, mas a sua capacidade interventiva foi absolutamente incrível. Fez um número absurdo de cortes, muitos deles em recuperação e decisivos. Diria que foi um “guarda redes de campo”, e muito graças a ele, não aconteceram mais golos.



Ler tudo»

ler tudo >>

21.12.10

Paços - Porto: Análise e números

ver comentários...
Tinha tudo para ser um teste difícil, e acabou por sê-lo, mesmo se começou por não parecer. A Mata Real é um marco especial do trajecto das equipas, especialmente das “grandes”. Porque na Mata Real há menos espaço e porque, na Mata Real, mora habitualmente uma equipa que sabe transportar o jogo para uma dimensão mais mais física e menos técnica do que habitualmente acontece. A Mata Real é um campo de futebol directo, e esse é um estilo pouco do agrado de quem tem na técnica uma vantagem competitiva. O problema é que, na Mata Real, quem não se adapta ao estilo, normalmente dá-se mal. Foi isso que quase aconteceu ao Porto. Não porque não se tenha tentado adaptar ao estilo, combatendo-o, mas porque, mesmo assim, teve dificuldades. Valeu-lhe, sobretudo, a madrugada do jogo.

Notas colectivas
Começo pela pergunta que provavelmente mais intrigará quem viu o jogo: porquê que as 2 partes foram tão diferentes? Como sempre, entendo que a complexidade do jogo relega a resposta para uma combinação de vários factores e não para o isolamento de alguns. Ou seja, a atitude do Paços foi diferente, com Rondon mais isolado na primeira parte, e a equipa menos bem posicionada para abordar as segundas bolas. Depois, porque a sua própria pressão foi mais baixa e menos agressiva sobre a primeira fase de construção portista. Ou seja, o Porto, com a sua qualidade em posse, fazia o jogo instalar-se no meio campo adversário e, mesmo quando perdia a bola, podia pressionar imediatamente, impedindo o Paços de subir no terreno – destaco aqui a diferença no primeiro passe de transição do Paços, na primeira parte sempre para trás, na segunda, muitas vezes para a frente.

A estes aspectos, mais de ordem táctica, há que juntar outros, de ordem emocional. Ou seja, o Porto abriu o jogo com uma ocasião a partir de uma bola parada. Isso pode ter condicionado a atitude dos pacenses, encolhendo-se mais perante as dificuldades. O mesmo se pode dizer do Porto da segunda parte. Ou seja, perante os primeiros sinais de reacção do Paços, a equipa não terá tido a resposta mais autoritária, encolhendo-se mais para proteger a zona à frente da sua defesa e sendo cada vez menos capaz de fazer subir o epicentro do jogo.

Talvez esse seja o aspecto que mais mereça reflexão por parte dos portistas: porquê tanto encolhimento? Gostaria de falar de 2 pontos a este respeito: o primeiro tem a ver com a entrada de Souza. A estratégia foi proteger a zona à frente dos centrais, particularmente à esquerda. Compreende-se, dados os primeiros sinais do Paços, com o posicionamento de Di Paula mais próximo de Rondon, mas terá também sido um sinal de recuo lançado à própria equipa, a colocação de um jogador com uma missão estritamente posicional, e com tanto tempo por jogar. O Porto tem jogadores cultos tacticamente e poderia ter mantido a estrutura, pedindo apenas um posicionamento mais prudente à sua linha de 3 médios. Por exemplo, fazendo Moutinho – que tem melhor sentido posicional – jogar pela esquerda e mais próximo de Guarin. Isto leva-me ao segundo ponto, que tem a ver com a saída em transição e com a profundidade da mesma. Ou seja, perdendo um extremo – e contando também com algumas más decisões individuais – o Porto esteve demasiado tempo sem capacidade de se fazer sentir junto da baliza contrária. Isto, aparentemente, pouco terá a ver com as dificuldades de controlo continuado, mas a verdade é que, regra geral, quando uma equipa se sente ameaçada também tem menos confiança nas acções ofensivas posteriores. Era importante que o Porto tivesse conseguido de forma mais regular o aproveitamento do espaço em transição, e isso não aconteceu.

Uma nota sobre o Paços que teve, de facto, muito mérito naquilo que aconteceu na segunda parte. Atitude, agressividade e, em alguns momentos, qualidade. Destaco o trabalho de Rondon, que não sendo um jogador alto, conseguiu servir de referência às primeiras bolas, e também Leonel Olímpio, que é um jogador forte, tanto tecnicamente como em agressividade: um jogador, talvez, a merecer uma análise de clubes de outra dimensão, mesmo tendo em conta a idade.

Notas individuais
Sapunaru – Está, de facto, a fazer uma boa época. Surpreendentemente. Não creio que mereça o estatuto de “titular”, como Álvaro Pereira merece à esquerda, por exemplo, já que Fucile, apesar de alguns erros que recorrentemente repete, é muito mais forte em vários aspectos. Ainda assim, num jogo destas características, não havia dúvidas quanto à maior adequação do perfil de Sapunaru.

Otamendi – Não esteve isento de erros, mas estes foram apenas sombras na exibição que conseguiu. Jogos de luta, a pedir intervenções constantes, são o que mais gosta. Ganhou um número imenso de bolas e deu boa sequência a grande parte do jogo que por si passou - muitas vezes, diga-se, em situações nada fáceis. É curioso comparar-se o nível de intervenção dos 2 centrais. Parece que jogaram jogos distintos, mas não, é sobretudo uma questão de perfil. Algo que, de resto, já venho alertando há bastante tempo.

Guarin – Esteve sempre na “luta” do meio campo, com entrega e carácter. Ganhou muitos duelos, mas teve também alguns erros – demasiados – com potencial prejuízo para a equipa. Não aconteceu, mas quem joga na sua posição tem de garantir mais segurança.

Belluschi – Não fez um jogo extraordinário, sobretudo porque não desequilibrou. Mas, no que respeita à capacidade de trabalho e qualidade, foi mais uma prova de que é muito mais do que um simples criativo. Voltou a não ser tão certo no passe como Moutinho, mas voltou também a mostrar a sua maior capacidade interventiva. Algo que já não pode surpreender quem anda minimamente atento...

Hulk – Voltou a ser o elemento mais determinante nos desequilíbrios ofensivos. A sua capacidade individual é enorme, como facilmente se percebe, e tem também uma boa atitude defensiva. O problema dele continua a ser algum deslumbramento em certas fases do jogo. Por vezes pede-se mais lucidez e objectividade na entrega e se Hulk tivesse sido mais capaz nesse aspecto em algumas transições da segunda parte, talvez o jogo não tivesse sido tão difícil.

James Rodriguez – Teve um enorme aproveitamento do jogo que por si passou e até colocou uma bola soberba, que isolou Falcao – mais uma vez, o seu pé esquerdo é a sua arma. Mas passou demasiado tempo longe do jogo, não sendo muito prestável sem bola, nem muito presente com ela. Este era um jogo em que era preciso mais luta e ele até tem essa capacidade de trabalho. Tem tempo, repito...

Walter – Apenas uma nota para referir que me parece totalmente errado fazer uma associação linear entre a sua presença em campo na segunda parte e as maiores dificuldades sentidas pela equipa. Não que tivesse feito um grande jogo, ou que Falcao não pudesse ter dado mais à equipa. Não é isso. Simplesmente, não foi por ele. Marcou, é verdade, mas continuo à espera das suas “bombas”. Parece retraído, demasiado preocupado em ser generoso, mas quando se tem o seu poder de remate, a meu ver, há que incentivar um pouco mais a sua utilização...



Ler tudo»

ler tudo >>

AddThis