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24.2.11

Benfica, Sporting e Braga na Liga Europa (Breves)

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- Em Alvalade, a instabilidade do Sporting dava para esperar tudo. Mesmo com um resultado favorável. Mesmo com um adversário acessível. Aliás, se o problema da falta de qualidade da equipa não é de agora, agora, nem a força anímica vale ao Sporting. O treinador "desistiu", como já venho explicando, e essa falta de ânimo reflecte-se agora dentro do terreno de jogo. Porque, caso contrário, mesmo o Sporting de Paulo Sérgio - o "mau" Sporting de Paulo Sérgio! - chegaria para este adversário. Recordo as palavras de José Guilherme, aquando da sua demissão da Académica, no fim de semana: dizia o treinador que a equipa precisava de um "abanão". Atitude humilde, palavras sábias...

- E não é que o Benfica ganhou mesmo na Alemanha! Na verdade, e apesar do resultado e exibição, devo dizer que discordo da abordagem que Jesus fez ao jogo, logo no discurso pós-derbi. Salientar a possibilidade do desgaste físico afectar a equipa é começar a desgastar mentalmente os jogadores, mesmo antes do tempo. E, se há coisa que estamos fartos de ouvir, é que o desgaste não é apenas físico. Enfim, o Benfica ganhou, porque foi melhor, porque teve uma "armada argentina" inspirada - outra vez! - e porque não deixou que a sua ineficácia deixasse vivo o adversário. E esse é muitas vezes o problema em jogos entre adversários de valor: não materializar os períodos de superioridade e deixar "vivo" o adversário. O Porto quase pagou essa factura ontem, e, desta vez, o Benfica pôs-se a salvo.

- Problemas, dificuldades, desilusão? O facto é que o Braga está a fazer a sua melhor campanha europeia de sempre e pode voltar a fazer uma das melhores temporadas da sua história, assim se qualifique para Europa na Liga. Facto, também, é que, apesar de tantas dificuldades, Domingos será, em termos muito objectivos, o melhor treinador da história do Braga. Renovação?! A mim espanta-me, por exemplo, como é que Domingos não é tema de conversa na campanha eleitoral do Sporting...

- Um comentário em relação ao que se segue e aos adversários das 3 equipas. CSKA, equipa muito difícil, cheia de qualidade individual e com um factor casa muito complicado. O Porto é melhor, mas tem de ter inspiração e muita concentração. PSG, uma incógnita. Porquê? Porque as equipas francesas desvalorizam muito a Liga Europa (o PSG e Lille jogaram sem as principais figuras). Uma coisa será o PSG com Nene e Hoarau, por exemplo, outra será sem eles. Em qualquer caso, o Benfica é superior, mas o equilíbrio será muito diferente. Finalmente, Liverpool, pode ser o melhor adversário para o Braga. A pressão é nula, a motivação é muito maior e o desnível pode não ser tão grande quanto os nomes podem sugerir.

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7.8.08

CSKA Moscovo: Uma complicada viragem de ciclo

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Com 3 títulos em 4 anos (2003, 2005 e 2006) e, claro, a tal Taça Uefa “roubada” ao Sporting em 2005, o CSKA ganhou o estatuto de maior potência russa desta década. Desde esse último campeonato conquistado em 2006, no entanto, a formação orientada por Valery Gazzaev tem passado por uma série de contra tempos que vêm precipitando uma viragem de ciclo, provavelmente bem mais abrupta do que aquilo que seria pretendido. Lesões e saídas de jogadores importantes, determinam que o CSKA esteja hoje a meio da tabela do campeonato, com apenas 1 vitória desde o regresso após o Euro 2008. Para esta modesta campanha terão contribuído, numa primeira fase, as lesões de Daniel Carvalho e Dudu Cearense e, mais recentemente, as saídas destes 2 importantes (para Internacional e Olimpiacos, respectivamente), assim como do seu compatriota Jô (Manchester City).

Sistema táctico e opções
A grande revolução ao nível táctico aconteceu depois da saída de Jô, no início do Verão. Gazzaev aproveitou a saída deste promissor jogador para encetar uma mudança drástica no seu modelo de jogo, abdicando do 3-5-2 que marcou os tempos de sucesso do CSKA. Ficando apenas com Vagner Love na frente, Gazzaev tem tentado rotinar a sua equipa num 4-2-3-1 que, no entanto, se revela ainda demasiado estático.
Ao nível das opções individuais, A defesa tem sido muito estável, vindo a ganhar alguma eficácia como comprovam os 3 nulos consecutivos da equipa. Esta estabilidade tem-se verificado também ao nível do quarteto mais adiantado, com o jovem Dzagoev a ser a aposta mais visível desta nova fase. As dúvidas no que respeita ao onze base têm, por isso, aparecido essencialmente no “duplo pivot” do meio campo. Dudu Cearense era, sempre que disponível, o elemento mais importante, mas a sua recente saída para o futebol grego abre, ainda mais, a luta que existe por um lugar naquela zona. Para já Rahimic, experiente médio bósnio de 32 anos, e Semberas, o polivalente lituano de 29 anos, têm sido os mais utilizados, mas é provável que surjam com maior frequência novas soluções numa equipa que, notoriamente, tem apostado na contratação de jovens com futuro. Aqui, saliência para Pavel Mamaev, jovem russo de 19 anos que poderá vir a ter uma importância maior na equipa.

Como defende?
Apesar de ter melhorado bastante a sua eficiência nos últimos jogos a equipa do CSKA tem algumas lacunas do ponto de vista defensivo. Em organização defensiva, a equipa apresenta-se num bloco médio-baixo onde a pressão nem sempre tem a agressividade e organização desejável. Ainda assim, a experiência da sua linha mais recuada e, claro, a estabilidade posicional do seu “duplo-pivot” garante alguma protecção à baliza de Akinfeev. Em transição defensiva, o CSKA confia na pouca mobilidade do seu duplo pivot para garantir o equilíbrio numérico que compensa a subida dos laterais, particularmente Obiah. Mas, mais uma vez, nota-se alguma falta de capacidade pressionante também neste momento.

Como ataca?
A fraca mobilidade ofensiva condiciona muito a qualidade da equipa na fase ofensiva. Os jogadores tentam tirar partido da largura táctica para fazer a bola circular de flanco para flanco, contando com o apoio dos laterais (sobretudo Obiah), mas a forma como o faz nem sempre leva a rapidez desejada, havendo igualmente uma ausência de movimentos rotinados entre os jogadores. Ainda assim, destaque para a função de Dzagoev no espaço entre linhas e para algumas diagonais de Krasic que, ao contrário de Zhirkov, procura criar superioridade em zonas distantes do seu flanco.
Em transição ofensiva o objectivo passa por servir, tão rapidamente quanto possível, Vagner Love, muitas vezes apoiado por Dzagoev. A intenção é dar profundidade rapidamente, mesmo que isso implique algumas perdas de bola.

Treinador
Valery Gazzaev – É uma figura incontornável do futebol russo e, muito particularmente, do CSKA. Ligado à melhor fase do clube, passa agora por um período muito mais complicado e, ao mesmo tempo, desafiante. Chegou ao clube em 2002, conquistou os 3 títulos do clube nesta década, assim como a taça Uefa. Pelo meio teve uma passagem pela selecção russa.

5 estrelas
Igor Akinfeev (Guarda redes, 22 anos) – Visto como o melhor guarda redes russo da actualidade e um dos mais promissores do futebol europeu, Akinfeev é também o capitão da equipa apesar dos 22 anos. A sua qualidade não está em causa, mas no regresso do Euro 2008 tem-se revelado um pouco mais errático do que aquilo que seria de esperar...

Yuriy Zhirkov (médio esquerdo, 24 anos) – Depois de ser uma das sensações do Euro, regressou à Rússia para um desafio diferente. A extremo e não a lateral, Zhirkov tem sentido mais dificuldades em se destacar. Recebendo muitas vezes apertado e com pouco espaço para “explodir”, Zhirkov parece confirmar que a sua vocação é como lateral ou ala num sistema de defesa a 3.

Milos Krasic (médio direito, 23 anos) – Tal como Zhirkov, Krasic passou a jogar mais adiantado no campo com o 4-2-3-1. A sua adaptação tem sido mais positiva do que a de Zhirkov, mostrando-se mais móvel e ousado na exploração de zonas mais interiores. É, igualmente, referência para as primeiras bolas aérea, sendo o mais alto dos 4 da frente.

Alan Dzagoev (médio ofensivo, 18 anos) – Jovem franzino tem um pé direito de muita qualidade (bate livres e cantos), sentindo-se muito bem num jogo de apoios curtos no espaço entre linhas. Claramente uma aposta de Gazzaev para se tornar numa referência da equipa no futuro. Para já, vai vivendo os seus primeiros tempos na primeira equipa, ficando claro o seu potencial.

Vagner Love (avançado, 24 anos) – É o resistente da fornada de jogadores brasileiros que nos últimos anos colocaram o CSKA no principal mapa futebolístico europeu, estando em aberto, neste momento, a possibilidade da sua saída. É a grande referência ofensiva da equipa, sendo um jogador que tem muita qualidade nas suas movimentações e, igualmente, um notável faro pelo golo. Embora mais isolado neste sistema, não perdeu a influência no jogo, tornando-se agora mais importante o seu acerto como finalizador.

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4.7.08

Jô: Mais um resgate brasileiro feito a leste

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Tal como acontecera com Elano há um ano atrás, o Man City confirmou a contratação de um brasileiro vindo do leste. O seu nome é Jô e, se a operação Elano custou cerca de 12 milhões de Euros, a de Jô representou um novo recorde do clube azul de Manchester, ultrapassando a verba paga pelo jogador então contratado ao Shakhtar.

Este sinal de disponibilidade financeira do City pode deixar a entender uma tentativa de assalto às primeiras posições da Liga nos próximos tempos, sendo que, claro, para lá chegar é preciso um pouco mais do que o simples investimento. Por exemplo, pode questionar-se como é que no meio de tantos investimentos (e numa altura em que se fala em Ronaldinho) em busca de mais valias, se opta por contratar Mark Hughes, um treinador que é “mais do mesmo” na Premier League...

Quanto a Jô, é mais uma das curiosidades que a liga inglesa nos reserva. Há muito nas bocas do mundo pela sua aparição precoce, Jô só espanta por ter ainda 21 anos. Trata-se de um jogador que no CSKA de Moscovo confirmou os predicados que se lhe apontavam quando despontou no Corinthians, parado apenas por algumas lesões, que apareceram com maior regularidade do que era desejável. A Premier League pode ser agora o palco certo para Jô se afirmar como um dos candidatos ao 9 da canarinha, uma camisola aparentemente sem dono após o eclipse de Ronaldo. Quanto às suas características, dir-se-ia que o 1,89m de altura não impede que o pé esquerdo e mobilidade sejam os maiores atributos de um jogador que, um pouco à imagem de Kanu ou Adebayor, se encaixa no “estilo Saci Perere”!

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17.7.07

Dawid Janczik: O "Rooney Polaco"

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A prova ainda não terminou e são muitos os nomes que, de uma forma mais ou menos intensa, têm dado nas vistas. Sem querer fazer comparações com outras estrelas da prova, há um destaque que julgo ser merecedor de ser feito: O polaco Dawid Janczik.

Janczik – nome que avancei como um dos destaques na antevisão da prova – confirmou no Canada os pergaminhos que trazia, quer das selecções mais jovens, quer do campeonato polaco, onde actuava no Legia de Varsóvia... Digo “actuava” porque as exibições do 11 polaco deram frutos. Entre alguns interessados no seu concurso, foi o CSKA de Moscovo quem levou a melhor, fechando um acordo-recorde para o futebol polaco – por 4,2 Milhões de Euros Janczik, tornou-se no mais caro jogador a sair do seu país...

Como jogador, Janczik não é muito alto (1,81m), mas é um avançado poderoso, juntando à sua velocidade uma força considerável para a idade que o torna muito possante. O que impressiona em Janczik é, precisamente, o facto de ser tão completo: Capaz de se bater fisicamente com os centrais pelas primeiras bolas e, depois, de protagonizar arrancadas difíceis de parar que criem condições para a sua arma letal: a finalização com o pé direito.

Pena, digo eu, que tenha rumado ainda mais a leste, mas creio que, para 19 anos, 4 Milhões não terão sido muitos para as qualidades que apresenta. Dawid Janczik, ou o “Rooney Polaco”, fica um nome para acompanhar...

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6.3.07

Os outros jogos do fim de semana

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Não passam nos resumos das nossas televisões mas futebolisticamente nada ficam a dever em intensidade e qualidade a muitos dos jogos das princípais ligas. Aqui ficam os resumos dos Derbies que se jogaram a leste neste fim de semana:


- Olympiakos 0-1 Panathinaikos
- Besiktas 2-1 Galatassaray
- CSKA Moscovo 4-2 Spartak Moscovo

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22.11.06

CSKA X Porto - Dragão adulto

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O panorama não podia ser animador. À deslocação à Russia, onde frio e ambiente são barreiras históricas, juntava-se a obrigatoriedade de vencer para não ficar de calculadora na mão. Ao Porto pedia-se memória e que pelo menos repetisse a singularidade da vitória conseguida há 2 anos sob circunstâncias curiosamente idênticas...
Sem surpresas, Jesualdo voltou a escalonar o “triangulo dos jogos dificeis” composto por Assunção, Meireles e Lucho. De resto, a única alteração menos previsivel em Moscovo foi mesmo a reentrada de Fucile – um destro que vai ganhando espaço à esquerda, num claro torcer de nariz às capacidades de Cech.

Ao sempre afortunado mérito de quem marca cedo, o Porto juntou uma superioridade que diferenciou as equipas nos restantes 88 minutos da partida. Não bastasse a própria classe, o Porto ainda contou com os pés dos jogadores Russos, quais cubos de gelo no trato da bola durante o primeiro tempo. Os dragões perceberam, ganharam confiança, subiram o bloco (inicialmente disposto em posicionamento médio-baixo) e acrescentaram-lhe a agressividade que se exigia. Assim e contrariando o termómetro, o jogo prosseguiu em toada morna com os azuis-e-brancos a acrescentar oportunidades ao dominio territorial exercido. Ao intervalo o resultado surpreendia apenas pela avareza do placard.
Talvez ferido no seu orgulho de recém sagrado bi-campeão russo, o CSKA apareceu mais esclarecido no segundo tempo. Face a uma posse de bola mais precisa, o bloco portista voltou ao posicionamento original, temendo quaisquer ameaças russas junto de Hélton... Os indicios de dificuldades duraram apenas 15 minutos, altura em que “El Comandante” doou à equipa a tranquilidade para uma exibição de “Lucho” com mais uma pranchada à entrada da área. Ao resto do jogo a performance do Porto retirou o tempo e no final, mais uma vez, o resultado foi apenas escasso...
Como nota final acrescentar apenas dois pontos:
1- A qualidade da posse de bola do Porto. É, talvez, o principal mérito da equipa: Quando conquista a bola o Porto decide normalmente bem, ora lateralizando para buscar o espaço para jogar, ora progredindo para dar profundidade à transição. Por isso, quando funciona sem bola, o Porto se torna tão forte.
2- Se o crescimento exibicional do Porto se deve em boa parte à crescente capacidade da equipa em ser agressiva sem bola, não se deve ignorar os progressos no último terço do campo. Quaresma desequilibra a cada jogo, atraindo opositores para depois cruzar no espaço que fica livre. Postiga aparece finalmente confiante na hora de rematar e acrescenta ao jogo as suas qualidades a jogar como “pivot”. Por último, Lisandro tem conseguido dar complementaridade a uma entrega que tantas vezes pareceu insipiente.

Lance Capital – A inteligência de “El Comandante”
No lance do segundo golo há dois aspectos que saltam à vista. Um tem a ver com a capacidade atractiva de Quaresma, fazendo-se rodear de adversários para depois solicitar espaços em que estes, naturalmente, não estão (reparem, por exemplo que no primeiro golo frente à Académica sucede exactamente o mesmo)... O outro, e o que aqui trago, relaciona-se com a notável leitura que Lucho Gonzalez faz no jogo ofensivo. É a sua qualidade por excelencia e o aspecto que torna “El Comandante” num médio goleador.





Num primeiro momento, enquanto Quaresma trabalha a bola, Lucho tem duas áreas de possível desmarcação. A primeira e mais previsivel por ser mais próxima da baliza (assinalada a vermelho) vai ser ignorada em favorecimento de uma segunda que, estando desocupada irá ser fundamental.



No segundo momento, é evidente o fantástico trabalho de Quaresma (neste momento estão 5! defensores a cobrir a área em seu redor) que se prepara para cruzar. Neste momento Lucho já recuou e Lisandro parece preparado para assistir o seu compatriota, num exercicio quase premonitório.



Finalmente, completando um movimento atipico e que define a inteligência de um jogador, Lucho finaliza com qualidade a assistência de Lisandro.
(Note-se que à semelhança do que aconteceu frente à Académica, Postiga está solto ao segundo poste).






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