21.4.14

Manter Jesus, o Ovo de Colombo de Vieira

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Consideremos o seguinte cenário:
- Numa determinada época, 2 clubes apresentam-se claramente mais fortes do que toda a concorrência, acabando separados na classificação final por apenas 1 ponto.
-  Na preparação da época seguinte, um desses clubes perde 2 das suas unidades de maior qualidade e importância, e substitui ainda o seu treinador. Por contraponto, o outro clube mantém o seu elenco praticamente inalterado, tanto relativamente aos principais jogadores, como ao nível da sua liderança técnica.

Qual o desfecho que se apresenta mais provável para a época seguinte?

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O problema, exposto desta forma, parece ser bastante trivial, mas com certeza que não serão precisos grandes apelos à memória para relembrar como poucos o viram de maneira bem diferente assim que terminou a época passada.

Não era obviamente um dado adquirido que o Benfica conseguisse chegar ao título mantendo a equipa técnica, nem tão pouco que não atingisse igualmente esse objectivo caso tivesse mudado de treinador. Mas, face às mudanças encetadas pelo seu principal rival, era lógico que as hipóteses se balanceavam favoravelmente para o Benfica, sendo que qualquer mudança no próprio elenco só poderia acrescentar risco indesejável a esta equação.

No futebol, e como já diversas vezes escrevi, a componente emocional é um factor omnipresente e que a meu ver não pode nem deve ser ignorado. Neste sentido, será errada uma gestão que permaneça autista perante a relevância dos sinais emocionais que lhe são dados a partir do exterior. Um equívoco maior, porém, será a sobresensibilidade ao domínio emocional, nomeadamente permitindo que este distorça aquela que é a lógica natural das coisas.

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18.4.14

Benfica - Porto (II): Análise individual

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Por falta de tempo, ficam apenas comentários às exibições de alguns jogadores...

Individualidades (Benfica)
Maxi - Muito bom jogo, saindo claramente vencedor do duelo travado com Quaresma, onde fez valer os seus níveis de intensidade e agressividade. Ofensivamente muito discreto, obviamente condicionado pela inferioridade numérica da equipa neste particular.

André Almeida - Foco para o lance do golo portista, onde tem responsabilidades óbvias. Ainda assim, na minha opinião não é justo isolá-lo nas criticas a esse lance. Aliás, se o Benfica foi eficaz defensivamente pela solidariedade colectiva e coberturas permanentes a todos os duelos individuais que o Porto forçou, foi precisamente nesse aspecto que a equipa mais pecou no lance do golo que esteve quase a deitar tudo por terra.

André Gomes - A grande figura mediática do jogo, pelo trabalho que foi realizando no meio-campo e sobretudo, claro, pelo golo decisivo que marcou. Fez, de facto, um bom jogo, coroado com a jogada de belo efeito. Mas não partilho de alguma euforia que se instalou em torno dos seus 90 minutos. Por exemplo, ao nível do trabalho defensivo, e embora tenha estado globalmente bem, não foi de todo uma exibição extraordinária, mantendo-se num plano muito mais modesto do que o seu parceiro de sector, Enzo Perez.

Enzo Perez - Não valorizo muito o golo que marcou, pelo facto de ter sido obtido de penálti. Ainda assim, não deixou de ser uma grande exibição - mais uma! - do médio argentino, na minha opinião e com alguma distância, o melhor em campo se considerássemos apenas o trabalho defensivo e a presença em posse.

Gaitan - Mais uma boa exibição de uma das figuras da temporada, com excelente presença defensiva e o habitual contributo criativo. O que o separa de uma exibição mais exuberante foram as dificuldades em conseguir ser mais eficaz nas suas aparições no jogo com bola, um problema que deriva muito da dificuldade em que estas ocorreram e que, por exemplo, foram também sentidas no corredor contrário, por Salvio.

Salvio - Teve um jogo até pouco conseguido na gestão da posse, muitas vezes por alguma precipitação no critério, é verdade, mas a meu ver sobretudo pelo grau de dificuldade que lhe foi imposto e que decorreu da densidade de jogadores do Porto na sua zona. No entanto, foi sem dúvida o jogador mais determinante na construção do resultado, o que fará dele o candidato a meu ver mais lógico para a sempre subjectiva eleição de melhor em campo. Em particular, destaco a sua capacidade de movimentos sem bola e a contundência com que ataca zonas de finalização, virtude que lhe vale a capacidade decisiva que se lhe conhece e que não é muito normal num extremo. Já no Dragão havia sido o único a tentar movimentações de rotura que aproveitassem a exposição da defesa portista, e se nesse jogo não foi bem sucedido, pode dizer-se que na segunda mão teve uma preponderância enorme nesse tipo de acções. Começou por ganhar a frente do lance a Mangala, no primeiro aviso do Benfica no jogo, marcou um golo de enorme mérito numa finalização de grau de dificuldade elevado e acabou por conquistar o penálti que relançou a equipa no jogo, mais uma vez surpreendendo a defesa portista pela rapidez com que atacou o espaço.

Rodrigo - Provavelmente o grande prejudicado pela expulsão de Siqueira. Até aí estava a ser uma das chaves do jogo, através dos seus movimentos interiores, que aproveitavam as costas dos médios portistas e expunham o isolamento de Fernando, entrelinhas. Jogando mais fixo na frente, não conseguiu o mesmo impacto, em parte por alguma infelicidade em alguns momentos, mas também pelo acréscimo de dificuldade que essa missão representou para si. Nota para a forma como se envolveu na missão defensiva, baixando várias vezes até zonas muito perto da área, onde conseguiu ser por diversas vezes um elemento importante para o sucesso defensivo da equipa.

Individualidades (Porto)
Fabiano - Não lhe atribuo responsabilidades em qualquer dos golos, mas fica a nota para a quebra de eficácia nos últimos tempos. E não quero com isto fazer-lhe qualquer critica, apenas alertar para o facto de ser praticamente impossível para um guarda-redes - qualquer que seja - manter os níveis de intervenção em lances decisivos que Fabiano vinha tendo. Para já, continua a ser uma época muito boa e prometedora, mas será preciso mais tempo para isolar completamente a aleatoriedade da amostra.

Reyes - Ganhou muitos duelos, nomeadamente no jogo aéreo, mas voltou a cometer uma série de erros comprometedores, dando sequência a uma tendência recente. Percebe-se que há uma tentativa de apostar no jogador, mas no caso dos defesas - e como será fácil de sustentar através de diversos exemplos - a afirmação está sempre muito dependente do contexto colectivo. Não ajuda, neste sentido, o momento da equipa e a exposição defensiva que esta assume. Reyes tem errado, talvez até mais do que outros, mas é interessante notar todos os centrais utilizados também vão repetindo deslizes a cada jogo que passa. Um sinal claro de que o foco do problema poderá não residir na componente individual.

Fernando - Foi o jogador com mais intervenção directa no jogo, entre todos os que pisaram o relvado. Não se escondeu do jogo e conseguiu manter um nível razoável de eficácia nas suas acções, apesar de ficar muitas vezes isolado à frente da linha defensiva. Isto não significa, porém, que não tenha tido também dificuldades em alguns lances de grande importância.

Herrera - Mais um jogo de grande impetuosidade, parecendo ser capaz de percorrer uma área assinalável do terreno, mas por outro lado sem emprestar grande qualidade - e critério - às suas aparições com bola. Um problema que, para um médio, tem muita relevância.

Varela - É um jogador relativamente mal-amado, e se posso concordar que não é um fora-de-série capaz de transportar a equipa para outra dimensão, também preciso de fazer notar que é dos mais regulares e daqueles que vai oferecendo competência à equipa numa cadência mais regular. Por exemplo, estava a ter um desempenho incomparavelmente superior ao de Quaresma, não apenas pelo excelente golo que marcou - o único rasgo de toda equipa no jogo, assinale-se - mas pela sequência em posse e utilidade no trabalho defensiva. Mas, como referi no inicio, é um mal-amado, e isso por vezes conta muito.

Quaresma - Foi um jogo de grande dificuldade para si, quer pela forma solidária como o Benfica defendeu, quer pela agressividade com que teve de se deparar. Na primeira parte ainda conseguiu arrancar algumas faltas, mas caíu por completo de rendimento na segunda. Quando não consegue desequilibrar, como foi co caso, a sua utilidade não se torna apenas escassa, mas praticamente nula. Como já escrevi, pareceu-me um erro a sua manutenção em campo.

Jackson - É um excelente avançado, e a meu ver muito completo. No entanto, parece perder muita da sua preponderância quando se lhe pede que ataque o espaço e não faça um jogo tão posicional. O Porto conseguiu abrir-lhe algumas possibilidades para que se tornasse protagonista, mas Jackson não conseguiu nunca dar boa sequência. Acabou também por ser vitima da dificuldade da equipa em entrar na muralha defensiva do Benfica, acabando por oferecer mesmo muito pouco à equipa.

Josué - Nota para a sua entrada, que pareceu oferecer um raio de lucidez à posse da equipa, nomeadamente atraindo a linha média do Benfica para fora da sua zona de conforto, em vez de ser o Porto a tomar sucessivamente a iniciativa da progressão, dando vantagem à acção defensiva numa situação em que paradoxalmente o relógio corria a favor das aspirações portistas. Infelizmente, para ele e para a equipa, a consistência defensiva acabou por anular o propósito da sua missão nesse papel específico. Com tantas oportunidades a serem dadas a Defour, Herrera e Carlos Eduardo, confesso que não vejo nenhum motivo pelo qual não possa jogar mais tempo.

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17.4.14

Benfica - Porto (I): Aspectos colectivos

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- O jogo não fugiu muito do que havia escrito na antevisão. Não quanto ao desfecho, claro, já que aí entramos num campo de maior imprevisibilidade, mas no que à abordagem estratégica das equipas diz respeito. O Benfica evidentemente mais agressivo e intencionalmente pressionante desde o primeiro minuto, já que entrava em desvantagem nesta 2ª mão. O Porto, respondendo também com poucas alterações específicas, nomeadamente tentando assumir o jogo em posse e mantendo uma zona pressionante bastante alta, confirmando a ideia de que Luís Castro não muda quase nada independentemente do adversário ou do contexto que a equipa tem pela frente. Também ao nível da vantagem que as equipas poderiam retirar de alguns aspectos do jogo e da eliminatória, se confirmaram as projecções a meu ver mais previsíveis. Ou seja, o Benfica bastante melhor, retirando partido do seu momento psicológico, que lhe era francamente favorável a todos os níveis, e também da exposição ao erro por parte do adversário, tanto ao nível do risco em posse, como de alguma negligência na protecção dos espaços essenciais. O Porto, por seu lado, conseguiu algum condicionamento do comportamento pressionante da linha média do Benfica, com a projecção dos seus médios interiores (um dado tacticamente muito relevante na primeira mão), mas estando sobretudo amparado pelo bom resultado que trouxera do Dragão, e que lhe permitiria retirar grande partido de uma qualquer incidência a seu favor, o que no caso acabou por acontecer através de uma expulsão.

- Do lado do Benfica, foram muito conseguidos os primeiros minutos, com boa intensidade e um bom aproveitamento das costas dos médios interiores portistas, que se adiantavam muito e isolavam Fernando como única protecção a uma linha defensiva já de si muito exposta em termos posicionais. Aqui, destaque para os movimentos de Rodrigo, preponderantes na afirmação do jogo encarnado até à expulsão de Siqueira. Depois, e mesmo quando esteve em desvantagem, o Benfica foi pragmático na sua abordagem estratégica, baixando linhas e assumindo a impossibilidade de discutir o jogo pela posse com o seu adversário. Dentro deste condicionalismo, é notável que a equipa tenha conseguido criar mais ocasiões do que o Porto, embora na minha perspectiva o Benfica tenha estado sobretudo bem a defender, já que o Porto não só não criou ocasiões claras de golo, como nem sequer se aproximou de tal feito (a única é excepção é mesmo o lance do golo). Aqui, há que destacar a solidariedade e capacidade defensiva de toda a equipa, com os 9 jogadores de campo a trabalharem muito para garantir o equilíbrio dos espaços essenciais. Depois, o resultado e a qualificação explicam-se pelo aproveitamento das ocasiões criadas, não sendo de forma nenhuma uma inevitabilidade. À posteriori tudo parece uma fatalidade, mas raramente é assim no futebol, e este jogo foi mais um que, dentro dos mesmíssimos parâmetros, poderia ter tido um desfecho igualmente lógico mas completamente diferente (no que diz respeito à eliminatória e não ao jogo, bem entendido), apenas com a alteração de alguns pormenores.

- Talvez o ponto que mais me tenha chamado à atenção na diferença entre as equipas tenha sido o comportamento estratégico de ambas os lados em relação à situação em que a eliminatória se foi encontrando. A este respeito, de resto, o contraste não poderia ser maior. O Benfica, a partir do momento em que se viu em desvantagem numérica, teve sempre como prioridade o controlo defensivo, mesmo quando a eliminatória passou a estar a uma distãncia de 2 golos. O Porto, ao invés, mesmo com tudo a seu favor, manteve uma postura de grande exposição ao risco, nomeadamente na pouca protecção à sua linha defensiva. Quem lê o que escrevo saberá bem o que penso da diferença entre estas duas abordagens - uma adaptável, a outra imutável - embora reconheça que tudo depende sempre da eficácia com que cada equipa seja capaz de implementar as suas ideias. No caso do Porto, e muito claramente, não existe eficácia minimamente suficiente para que a equipa possa assumir tanto risco nos seus comportamentos. Perante qualquer adversário (ainda pode haver tempo para maiores dissabores na Liga), mas especialmente frente àqueles de maior valia, como é o caso do Benfica.

- Entre mérito de uns e demérito de outros, parece-me lógico enfatizar-se a importância do que o Porto não fez para confirmar a sua presença no Jamor. Não se trata aqui de retirar crédito aos jogadores do Benfica, mas quando uma equipa está com vantagem de 2 golos e superioridade numérica, com pouco mais de meia-hora para jogar, parece-me muito claro de que lado está o ónus de chamar a si a responsabilidade sobre o destino do jogo. Neste sentido, há muito a questionar naquilo que fez o Porto. Desde logo, a forma como a equipa tardou a perceber (aconteceu com a entrada de Josué, já depois do 2-1) que a partir do momento em que Varela empatou o jogo a sua presença em posse era um elemento importante para fazer passar o relógio, não fazendo sentido arriscar a perda sem esperar pelo desposicionamento da linha média do Benfica. Não menos relevante (aliás, foi mesmo decisivo) foi a falta de controlo dos espaços defensivos, que deveria ser uma prioridade perante a vantagem na eliminatória, mas que mesmo assim não evitou a sucessiva exposição da linha defensiva através de movimentos rotura dos elementos do Benfica que partiam de trás. Finalmente, não é muito fácil de entender também a permanência de Quaresma no jogo, numa segunda parte de grande improdutividade do extremo (aparentemente estaria até mal disposto) e quando a partida entrava numa fase em que era preciso maior objectividade e eficácia em todos os capítulos do jogo. Enfim, esta tem sido uma época muito interessante do Porto (ainda que não da perspectiva dos seus adeptos, evidentemente), a tentar encontrar sucessivamente soluções para os seus problemas, mas a meu ver sempre a caminhar no sentido contrário ao pretendido, vivendo nesta altura provavelmente a sua pior versão, entre todas aquelas que assistimos desde agosto. Coisas que acontecem, no futebol.

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16.4.14

Benfica - Porto: Pontos de antevisão

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- Do ponto de vista estratégico, a grande dúvida está do lado do Porto. No caso do Benfica, a desvantagem na eliminatória e o facto de jogar em casa deverão determinar uma postura semelhante àquela que a equipa adopta perante qualquer adversário. Ou seja, linhas subidas para pressionar a primeira fase de construção contrária e, em posse, a tentativa de forçar a progressão apoiada, tendo sempre como ponto de partida a largura na sua circulação baixa, com 3 apoios na primeira linha e os laterais mais projectados ofensivamente.

- Quanto ao Porto, não antevejo também grandes novidades relativamente àqueles que são os traços gerais da sua estratégia habitual, e por dois motivos: O primeiro, tem a ver com aquilo que a equipa fez em situações semelhantes, nomeadamente nos segundos jogos das eliminatórias frente a Nápoles e Sevilha, onde sentiu grandes dificuldades, mas sempre pelos problemas causados pelos adversários e não por uma alteração de fundo na sua abordagem estratégica; O segundo motivo, porém, é mais interessante, e tem a ver com aquela que me parece ser a orientação filosófica de Luís Castro. Com ele, o Porto assume sempre a intenção de pressionar alto os seus adversários, nomeadamente adiantando os dois médios interiores ao longo do corredor central, e assume também a disponibilidade de sair a jogar curto a partir de trás, mesmo quando isso representa um risco assinalável para a sua segurança (e tem representado muitas vezes!). Para já, este perfil tem determinado jogos de grande entretenimento, com várias ocasiões em ambas as balizas. O problema, da perspectiva dos adeptos portistas, é que este entretenimento não tem sido propriamente um exclusivo azul-e-branco, e ver os outros ganhar não é algo que divirta muito os adeptos, seja lá de que maneira for. Do todo modo, este será um teste para esta rigidez estratégica (ou coerência ideológica, dependendo do ponto de vista) do treinador do Porto.

- Se o Porto, como penso que possa acontecer, mantiver a sua abordagem, teremos uma grande probabilidade de ter um jogo de assinalável exposição ao risco, nomeadamente no que respeita à saída de bola de qualquer das equipas. A probabilidade de perda em zona de construção será, dentro deste cenário, uma ameaça constante, e como se sabe essa é uma eventualidade para a qual nenhuma equipa está verdadeiramente preparada em termos posicionais, pelo que a reacção defensiva é sempre muito complicada. O Benfica terá do seu lado o momento emocional, já que o Porto tem acusado muitos problemas precisamente em jogos com este registo e fora do seu estádio. O factor-casa, aliás, parece ser um aliado importante dos encarnados, já que o próprio Benfica tem-se revelado bem mais competente na circulação baixa em jogos disputados na Luz. Basta verificar, por exemplo, a resposta contrastante que a equipa deu perante o pressing contrário frente ao Sporting (campeonato, casa) e Porto (taça, fora), ou Académica (casa) e Braga (fora).

- Os dados, de acordo com o que escrevi acima, não parecem muito favoráveis às aspirações portistas, no entanto há alguns aspectos que poderão jogar a seu favor. Primeiro, o capítulo táctico, com o Porto a ter muito mais presença no corredor central do que o seu adversário. Este foi um factor que me pareceu determinante na primeira mão, e com o qual o Benfica de Jesus historicamente não lida bem. Depois, o factor emocional, já que se é verdade que o Benfica iniciará o jogo com um grande capital de confiança, motivado tanto pelo ambiente do próprio estádio como pelo momento de euforia que a equipa vive, também não se pode esquecer que o Porto traz da primeira mão uma vantagem importante, e que terá a seu favor tanto o cronómetro como a ameaça que um só golo representa para as aspirações do seu adversário nesta eliminatória. Neste sentido, qualquer tendência positiva no jogo a seu favor, poderá rapidamente transformar-se numa montanha emocional para o Benfica e todos os seus adeptos.

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15.4.14

Desequilibradores portugueses na Liga 13/14

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Em ano de Mundial, é normal que se olhe mais às soluções nacionais a jogar no campeonato. No caso do actual momento da Selecção, o exercício tornar-se-ia ainda mais pertinente, tanto devido aos problemas físicos de vários dos jogadores que à partida seriam convocáveis, como à necessidade de encontrar novos valores que no médio prazo possam substituir as principais figuras do actual elenco. Acima, utilizei o tempo verbal "tornar-se-ia", porque a principal conclusão desta análise é, precisamente, que há muito poucas soluções a emergir da principal competição interna. Indo mais concretamente ao exercício proposto, seleccionei os 5 jogadores portugueses de posições mais ofensivas com mais presença ocasiões de golo das respectivas equipas.

Extremos/Alas: Comparativamente com as restantes posições analisadas, é aqui que existe mais aposta em jogadores portugueses, numa posição onde o futebol português é tradicionalmente forte e terá também mais qualidade para oferecer aos seus clubes. No topo surge sem surpresa Varela, que a meu ver continuará a ser a solução mais evidente para a Selecção. Segue-se Rafa, uma das grandes novidades do campeonato, e um dos poucos casos onde se pode perspectivar a possibilidade de um grande futuro. Neste top5, o caso a suscitar maior discussão relativamente a uma inclusão na Selecção será o de Bebé. O seu aproveitamento concretizador recente tem sido muito bom, sendo um jogador ainda jovem e com uma capacidade individual assinalável. Bebé tem a vantagem de poder jogar como extremo ou avançado mais móvel (onde tem, inclusivamente, actuado), mas tem também a enorme desvantagem das suas características serem demasiadamente centradas em acções individuais, o que dificulta a sua inserção num modelo de jogo para competir num patamar qualitativo superior, e onde a capacidade de desequilíbrio individual não fará tanta diferença. Um problema muito semelhante ao de outro extremo que não está presente nesta lista por ter entrado nas contas do campeonato apenas em Janeiro, Ricardo Quaresma. São dois casos que suscitarão grande reconhecimento mediático (sobretudo Quaresma, claro) pela visibilidade das suas principais jogadas, o que levará muita gente a sugerir a sua presença no Brasil.

Avançados: É quase assustadora a falta de aposta em jogadores portugueses para esta posição, sendo que os poucos que têm merecido essa oportunidade têm estado muito longe de se exibirem ao nível que a Selecção exige. Os casos de Eder e Edinho, ambos no Braga, serão aqueles que mais probabilidade terão de estar no Mundial. Edinho é o caso mais interessante, porque conseguiu muitas ocasiões no pouco tempo que lhe foi dado, mas não teve felicidade na concretização, o que valeu a sua dispensa. A meu ver, uma gestão equivocada por parte do clube minhoto e que mais uma evidencia como a eficácia no curto prazo continua a ser francamente sobrestimada no futebol, com Edinho a rumar à Turquia e a viver um período completamente oposto àquele que viveu em Braga. Também no Braga, Eder vinha sendo uma presença mais normal nos eleitos de Paulo Bento antes das lesões que o afectaram. É um jogador de perfil completamente diferente do de Edinho, menos forte na área (e a meu ver com muitas dificuldades em duelos mais físicos), mas com bons movimentos para fora da zona de finalização. O facto é que o rendimento de Eder, mesmo considerando o tempo jogado, foi bastante modesto, destacando-se mais pela capacidade de proporcionar lances de finalização a outros jogadores do que propriamente a chamar a si muitas ocasiões de golo, o que vai de encontro às características que lhe identifiquei. Referência ainda para Tomané, uma das boas revelações do campeonato.

Médios interiores: Esta é outra posição onde não abundam soluções para Paulo Bento. Aqui, porém, há alguns candidatos a emergir do campeonato português, embora me pareça discutível até que ponto oferecerão garantias para a actual exigência da Selecção, numa posição que é nuclear e muito exigente. A especificidade de cada caso, nesta posição, é também maior. Por exemplo, Miguel Rosa e Josué jogaram também como extremos, e André Martins actua também ele numa posição mais ofensiva do que Adrien, o que influencia a probabilidade de cada um destes jogadores conseguirem ser protagonistas nas principais jogadas de golo das respectivas equipas. Aqui, pessoalmente, parece-me que o Josué será o jogador com mais para oferecer à Selecção, tendo mais capacidade criativa do que Adrien e André Martins, por exemplo, e sendo um jogador com boa capacidade de trabalho. Ainda assim, parece-me que precisará ainda de alguma evolução, nomeadamente na capacidade para ter bola no corredor central, mas tem idade e margem de progressão para justificar essa aposta. Adrien, que tem sido o caso mais contestado pela ausência das contas do seleccionador, tem feito uma época muito sólida em termos defensivos, mas sem grande complemento em termos de capacidade de afirmação com bola, o que se reflecte no baixo número de ocasiões criadas em jogo corrido, apesar do elevado número de minutos jogados. O mesmo poder-se-á dizer de André Martins, que tem tido uma época a meu ver algo agridoce, por um lado acumulando muitos minutos de jogo, mas por outro actuando numa posição que não parece ser a ideal para as suas características (e que não existe no actual modelo da Selecção, já agora). No topo desta lista surge Miguel Rosa, a fazer uma temporada notável se considerarmos todas as condicionantes, o que vem evidenciar o potencial do jogador e a péssima gestão que fez da sua carreira, prestando provas no principal campeonato apenas aos 25 anos. Fora desta lista (ainda que não por muito), há ainda o caso de Ruben Micael, com uma época de muitas lesões, poucos minutos e também sem a preponderância que dele se esperava.

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14.4.14

Jogo Directo na Rádio Nova ("A bola é nossa")

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Para quem estiver interessado em ouvir, pode fazê-lo aqui:

O meu agradecimento em particular ao Ivo Costa pelo interesse e destaque.

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12.4.14

Sevilha - Porto: Estatística e opinião

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Já com alguns dias de atraso - não me foi possível fazê-lo mais cedo - deixo alguns pontos de opinião e a análise estatística ao jogo de Sevilha, que determinou a eliminação portista da Liga Europa.

- Na sequência do jogo da 2ª mão da eliminatória com o Nápoles havia escrito sobre a importância da eficácia no apuramento da equipa, numa exibição que facilmente poderia ter culminado num desfecho radicalmente diferente. Desta vez, em Sevilha, a equipa viu o capricho da eficácia vestir as cores do seu adversário, e mesmo estando longe de ter tido o volume ofensivo do Nápoles naquela ocasião, o Sevilha conseguiu fazer o que os italianos já haviam ameaçado: não só colocar o Porto fora das contas europeias, mas fazê-lo com um resultado volumoso.

- Na verdade, e mantendo-me dentro deste registo comparativo com o jogo de Nápoles, creio até que o Porto seja hoje uma equipa com menos fragilidades do que era nessa altura. Nomeadamente, a equipa parece hoje menos vulnerável no controlo das costas da sua defesa, relativamente ao que acontecia há umas semanas a esta parte. Mas há outros aspectos na ideia de jogo portista que continuam a ter uma eficácia bastante questionável, com especial evidência para o risco em posse, na primeira fase de construção. A equipa tenta forçar a saída, quase a todo custo, em apoio a partir de trás, mas frequentemente não se revela capaz de apresentar soluções para as dificuldades que o pressing contrário coloca, assumindo um nível de risco nada aconselhável, o que resulta na sucessão de sobressaltos a que todos podemos assistir. Há, aqui, um aspecto que acrescenta algum interesse - pelo menos, para mim - a este problema, e que tem a ver com o efeito aparente do factor casa, com claro prejuízo para o desempenho em jogos fora de portas, onde a equipa tem sentido muito mais problemas neste particular. É claro que poderá haver aqui diversas explicações para esta diferença de desempenho, desde a tradicional aleatoriedade do jogo, à própria diferença de postura dos adversários quando jogam no seu reduto. Seja como for, é mais um alerta a ter e conta, e um que terá novo teste naquele que se configura agora no grande desafio da equipa para o pouco que já resta da temporada: a 2ª mão da meia-final da Taça, a jogar no estádio da Luz.

- Ainda do ponto de vista das opções colectivas, parece-me interessante explorar a estratégia da equipa enquanto em vantagem numérica, condição de que usufruiu durante um dilatado período de tempo, mas da qual não foi capaz de retirar partido, criando muito poucas ocasiões de golo. Parecem-me questionáveis as alterações feitas na equipa, que incidiram no reforço da criatividade individual a partir de zonas exteriores e negligenciaram por completo a possibilidade de aumentar a presença na área. Por exemplo, não creio que ofensivamente a equipa tivesse ganho muito em retirar Danilo para ter Ricardo como lateral-direito, deixando no banco Licá, que na ausência de Jackson era o recurso mais óbvio para acrescentar presença junto de Ghilas. O Porto tentou forçar a criação de espaços numa zona muito densa, e abdicou por completo de cruzar. Mais uma vez, e tal como no capítulo da construção, a equipa pareceu querer agarrar-se à ideologia de evitar a todo custo uma abordagem mais directa, mas também aqui não revelou qualquer eficácia no caminho alternativo. O resultado foi que, em vez de cruzar, o Porto acabou a tentar sucessivas finalizações exteriores, também elas de probabilidade de sucesso muito reduzida (isto, apesar do golo ter acontecido precisamente por essa via).

- Passsando para o domínio das prestações individuais, o caso mais interessante é, de novo, Quaresma. É curioso como as suas exibições são tão idênticas e pouco dependentes do desempenho colectivo. Quaresma cria invariavelmente ocasiões de golo, sendo regularmente bem sucedido no objectivo de marcar ou assistir, e fazendo-o frequentemente através de lances de grande grau de dificuldade, o que lhe acrescenta uma boa dose de mérito, concordo, mas não numa dimensão proporcional ao impacto mediático que essas acções lhe conferem. Negar o valor dessa capacidade é, do meu ponto de vista, tão injusto como ignorar a quase nulidade do seu contributo em tudo o resto. Quer ao nível das suas decisões em situações menos favoráveis para o desequilíbrio individual, quer ao nível do desempenho defensivo. Já seria muito difícil encontrar jogadores com características tão extraordinárias, quer num sentido quer noutro, mas no caso de Quaresma todo este contraste fica reunido num só jogador, o que faz dele um caso quase único. E daí que não surpreenda toda a pluridade de opiniões sobre o jogador.

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10.4.14

Champions, quartos-de-final (IV)

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Atl.Madrid - Barcelona
No seu mais recente livro, Malcolm Gladwell oferece uma perspectiva diferente ao episódio bíblico do combate entre David e Golias. A ideia é que, embora de uma perspectiva simplista o duelo pareça profundamente desigual tal a desproporcionalidade de forças entre os dois intervenientes, um olhar mais atento aos pormenores de cada um competidores pode oferecer uma explicação bem mais lógica para o surpreendente desenlace final. Aliás, torna-o até bastante previsível, segundo o autor. Ora, recorrendo a esta analogia, eu não irei ao exagero de afirmar que era previsível que o Atlético eliminasse o Barcelona (até porque estaria a contradizer-me, relativamente a outros escritos recentes). O Barça era o favorito, e sê-lo-ia de novo se a eliminatória se voltasse jogar agora. O ponto aqui, porém, é que se este poderia ser um desfecho inimaginável se comparássemos, apenas e linearmente, o potencial de cada uma das equipas, certamente que o deixaria de ser quando consideramos a qualidade colectiva que o Atlético há muito revela. Aliás, na primeira vez que escrevi sobre a equipa de Simeone, em outubro passado, já a havia projectado como uma das 5 melhores do futebol europeu, pelo que, para mim como para muitos outros, existirá alguma previsibilidade por detrás desta surpresa.

Como se não bastasse a qualidade do Atlético, creio que há aqui alguma felicidade no ajustamento específico às características do Barcelona. Em particular, o Atlético é especialmente forte no controlo dos espaços interiores, que é precisamente o foco de todo jogo do catalão. A maior vulnerabilidade da equipa de Simeone, aliás, esteve sempre nos cruzamentos, onde o Barça não é tão forte, mas sendo um ponto onde os 'colchoneros' poderão encontrar outras dificuldades se enfrentarem equipas como o Real Madrid ou Bayern. A este respeito, queria abordar o papel dos alas do Atlético, que me parece ser dos pontos mais interessantes do ponto de vista táctico, tanto ofensivamente como defensivamente. Ao contrário da generalidade das equipas que defendem neste sistema (4-4-2), o Atlético apela a que a referência posicional dos seus alas seja o médio interior mais próximo, fechando nas suas costas ao invés de se manter aberto e em função da projecção ofensiva laterais contrários. Este parece-me um aspecto decisivo para que a equipa mantenha a capacidade de controlo de espaços interiores, jogando apenas com 2 médios no corredor central. Por outro lado, é também esse pormenor que faz com que exista frequentemente espaço para cruzar quando a bola circula à largura e encontra o ala a fechar por dentro. São opções, mas pessoalmente parece-me bem mais razoável tentar controlar um cruzamento largo do que correr o risco de exposição no corredor central. Ofensivamente, os alas também se apresentam por dentro, residindo neste comportamento um factor essencial para que o Atlético consiga ter quase sempre boa presença numérica na zona da bola. A largura é oferecida pelos laterais, frequentemente projectados ofensivamente, com o papel de equilíbrio posicional a depender muito dos médios interiores e, claro, dos centrais. Finalmente, e no que respeita ao Atlético, comentar o paradoxo a que assistimos em quase todas as transmissões da equipa, com os comentadores, ora a sublinhar o pressing sufocante que a equipa faz a todo o campo, ora a questionarem-se se não estaremos perante um "autocarro" defensivo, tal a profundidade e densidade numérica que a equipa apresenta em certos momentos. Se estivermos distraídos, poderemos até pensar que não se está a falar da mesma equipa. Evito, propositadamente, usar o termo "inteligência" nos meus comentários, porque me parece que se tornou moda fazê-lo para falar de futebol, o que acaba por vulgarizar e esvaziar grande parte do valor que o adjectivo deveria ter. Ainda assim, inteligência, para mim, é isto: ser capaz de reconhecer e reagir de forma adequada a diferentes contextos. As ideias e os comportamentos até podem ter sentido e algum interesse, mas se forem aplicados de forma repetitiva, dogmática e sem ter em conta o contexto, na minha interpretação, não têm absolutamente nada de inteligente. Muito do carácter excepcional do sucesso deste Atlético deve-se a esta inteligência colectiva, que é rara, mas que pode ser encontrada, ainda que de formas diferentes, em conjuntos como o Chelsea ou o Bayern. E daí o meu apreço especial por qualquer destas 3 equipas ainda em prova.

Quanto ao Barça, não retiro nada do que escrevi sobre o potencial individual desta equipa, para mim sem paralelo. Neste sentido, é impossível não ficar um sentimento de perda quando a competição perde, de uma assentada e com a eliminação de uma só equipa, tantos jogadores extraordinários, mas essa é uma consequência da natureza e do formato da prova. Aliás, e sem por em causa todo o mérito que o Atlético teve, ninguém estranharia se o Barça tivesse conseguido outro desfecho com um pouco mais de felicidade do seu lado. Interessante abordar a prestação de Messi nesta eliminatória, que praticamente só conseguiu desequilibrar em situações de finalização e dentro da área. Podemos especular sobre as razões do eclipse do astro argentino num período tão dilatado como 180 minutos de jogo, falando do momento físico ou psicológico do jogador. Pessoalmente, e não terei todas as certezas comigo, fica-me a convicção de que o problema tem muito mais a ver com o comportamento táctico do Atlético e com a competência com que a equipa de Simeone consegue controlar os espaços interiores, por onde Messi aparece preferencialmente. Messi é o jogador de maior rendimento no mundo - e muito possivelmente na história do jogo - nos últimos anos, mas para isso contribuiu também decisivamente a qualidade colectiva da equipa onde joga, e que nos dias de hoje não é a mesma. Mais uma vez, parece-me decisivo abordar o contexto para abordar a questão.

Bayern - Man United
Tenho de começar por sublinhar algum desapontamento pela prestação do Bayern na eliminatória. Já o havia escrito na primeira mão e o sentimento é o mesmo: não se trata de justiça ou injustiça no apuramento, mas de um nível de expectativas que é muito elevado e que, no meu caso, não foi completamente correspondido pelas exibições bávaras.

Se defensivamente, não haverá equipa que me desperte mais interesse do que o Atlético, na vertente ofensiva, Guardiola permanece sem paralelo na alta roda do futebol mundial. Nos últimos jogos, comentei aqui sobre o papel interior dos extremos, o foco no espaço entrelinhas, e na projecção ofensiva dos laterais, responsáveis por oferecer largura à equipa. Desta vez, e como se fosse a coisa mais normal do mundo, o Bayern inverteu tudo. Os extremos colados à linha, laterais interiores e mais posicionais, quase como médios interiores quando a equipa tinha a bola. Depois, nuns jogos alinha com um falso 9, sem qualquer apelo à construção longa ou jogo aéreo, e noutros lança Mandzukic para pedir à equipa um tipo de abordagem completamente diferente. Nem nos seus tempos do Barça me lembro de ter assistido a tanta versatilidade táctica por parte de Guardiola, o que torna este Bayern num enigma táctico para qualquer adversário, que pode passar uma semana inteira a preparar-se para um determinado cenário para depois chegar ao jogo e encontrar uma realidade completamente oposta àquela para que se preparou. Aqui, convém realçar dois pontos: o primeiro, é que só é possível fazer isto com um plantel com a qualidade que tem o Bayern, já que não é fácil pedir aos jogadores comportamentos completamente distintos, de um jogo para o outro, e não perspectivar simultaneamente uma perda significativa de eficácia no desempenho; a segunda, é que em qualquer das duas mãos a capacidade de desequilíbrio do Bayern foi inferior àquilo que o seu domínio territorial faria supor, o que abriu inclusivamente uma margem real de possibilidades - ainda que não muito grandes, é verdade - para que o United pudesse provocar a surpresa. A ideia desta vez terá sido potenciar as características dos extremos - Ribery e Robben - nomeadamente nos duelos individuais nos corredores laterais, tendo depois Mandzukic como referência na área, mas também os movimentos de rotura de Gotze e Muller. O posicionamento dos laterais, muito interiores, poderia atrair os alas do United para o corredor central, inviabilizando a sua chegada a tempo de efectuar a cobertura aos laterais, isolando-os no tal duelo individual em que Ribery e Robben são fortíssimos. Esta, pelo menos, foi a minha leitura da estratégia apresentada por Guardiola. Os resultados são contrastantes: por um lado, nem sempre foi fácil potenciar os tais duelos individuais dos extremos - por mérito do United - o que resultou na tal capacidade de desequilíbrio relativamente baixa; por outro, objectivamente foi pela acção dos seus extremos que o Bayern conseguiu os 3 golos que definiram o jogo e a eliminatória.

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