16.10.14

Dinamarca - Portugal (II): análise individual

ver comentários...
Patrício - Um jogo de muito pouco trabalho, sobretudo pela boa protecção defensiva que teve. Sem grandes reparos, a única nota menos positiva vai para a baixa eficácia nas reposições longas.

Cedric - Foi um jogo de grande exigência, onde nem tudo foi perfeito mas onde respondeu globalmente bastante bem. Aliás, foi o jogador português com mais passes completados e acções defensivas, o que o projecta inevitavelmente para um patamar de destaque entre as várias exibições da equipa.

Eliseu - Comparativamente com Cedric, protagonizou um jogo mais modesto a todos os níveis, mas nem por isso comprometedor.

Ricardo Carvalho - Não foi um jogo especialmente exigente para os centrais, que tiveram a sua tarefa bastante facilitada pela protecção da linha média e pela forma mais ligada como a Dinamarca abordou o seu jogo ofensivo, com poucas solicitações para a zona central da defesa portuguesa. Ainda assim, respondeu bem nas solicitações que teve, sem problemas de registo.

Pepe - Na mesma linha de Ricardo Carvalho, com mais intercepções mas também com uma má abordagem defensiva num lance que depois recuperou, perante Bendtner. Como escrevi ontem, parece-me que as qualidades dos centrais portugueses (e de Pepe, em particular) permitiriam equacionar uma abordagem mais arrojada do processo defensivo, mas ao que tudo indica com Fernando Santos abrir-se-á uma fase de maior protecção para a linha defensiva e, em particular, para os centrais.

William - Ganha, evidentemente, quando se lhe pede uma missão mais posicional e menos exigente em termos de extensão do terreno que tem para percorrer. Por outro lado, ganha também quando se lhe exige apenas que faça a bola circular, retirando-a das zonas de pressão dos adversários, em vez de ser um protagonista ao nível do passe, na primeira fase de construção. Neste sentido, este foi um jogo de características ideiais para William, onde não se deu mal, mas onde esteve longe do patamar exibicional que já se lhe viu. Em destaque, alguma irregularidade em termos técnicos, o que se reflectiu numa percentagem de passe relativamente baixa para a posição que ocupa.

Moutinho - Sem surpresa, foi o médio com maior envolvimento no jogo colectivo, tanto ao nível defensivo como no que respeita à presença em posse. Ainda assim, não foi uma exibição ao nível de várias que protagonizou ao serviço da Selecção. As suas características provavelmente seriam melhor enquadradas no anterior modelo da equipa, onde era um jogador com uma missão muito exigente no processo defensivo, tendo capacidade para o fazer. Provavelmente terá de se habituar a uma missão mais posicional no novo trio de médios da Selecção, mas haverá outros jogos, com outras características, e também a possibilidade de jogar noutras posições.

Tiago - Notoriamente preocupado em fechar o corredor esquerdo, no auxílio a Eliseu, manteve-se sempre muito prudente no seu posicionamento. O resultado é positivo, porque Portugal conseguiu controlar globalmente bem as iniciativas dinamarquesas por aquele corredor e Tiago foi sempre um jogador com grande intervenção a esse respeito. Com bola, ofereceu qualidade à circulação, no entanto e tal como Moutinho, sem grande envolvimento no último terço de campo.

Nani - Jogou mais a partir do corredor central e conseguiu um bom envolvimento no jogo ofensivo da equipa. Aliás, dos 3 da frente era o que havia tido mais participação na altura em que saiu. Foi também um protagonista em termos de finalização, com 3 tentativas, com destaque para o cabeceamento que errou por pouco, na primeira parte. As suas maiores dificuldades terão sido no capítulo defensivo, onde teve muitos problemas em retirar utilidade dos posicionamentos que foi assumindo. Claramente, será um aspecto a rever no desempenho desta função...

Danny - Tal como Ronaldo e Nani, conseguiu uma boa envolvência ofensiva, o que ajudou a equipa ter bola dentro do bloco contrário. Foi protagonista de algumas jogadas de maior potencial, com especial destaque para aquela que terminou com Ronaldo isolado na frente de Schmeichel.

Ronaldo - Fica-me a sensação de que se não tivesse marcado, muitas criticas lhe seriam apontadas. No entanto, seria a meu ver muito injusto para a exibição que fez. Em posse, conseguiu um bom envolvimento, com uma eficácia muito elevada, acima dos 80% e apenas superada pelos centrais, o que para um jogador da sua posição é francamente notável. Depois, e mais importante, foi o denominador comum das principais jogadas ofensivas da equipa, com destaque para a excelente jogada que criou para Nani finalizar, na primeira parte. Mas, para não ficarem dúvidas, ainda foi a tempo de marcar o golo da vitória, mostrando mais uma vez a sua extraordinária apetência para jogar (também!) na zona de finalização. Tudo somado, sem dúvida e como de costume, o melhor jogador da Selecção!

ler tudo >>

15.10.14

Dinamarca - Portugal (I): aspectos colectivos

ver comentários...

Jogo equilibrado - No futebol, e na minha análise, o sucesso faz-se muito pela capacidade (talvez "felicidade" seja um melhor termo) que as equipas têm de extrair bons resultados, mesmo quando a exibição não os torna absolutamente evidentes. Portugal foi, a este nível, muito penalizado frente à Albânia, mas acaba agora por resgatar alguma fortuna, num dos jogos mais dificeis que o calendário lhe reservava, e onde a vitória nunca foi um cenário evidente, pelas dificuldades que a Dinamarca lhe colocou. Aqui, e para além do resultado, haverá sempre margem para ver o copo, meio-cheio ou meio-vazio, em função da perspectiva de cada um, e sobretudo em função da valorização que se dê ao adversário. Pessoalmente, penso que a Dinamarca é um adversário muito complicado de contrariar, especialmente em sua casa, e se os resultados recentes de Portugal em Copenhaga ajudam a sustentar esta opinião, há outras características no jogo dinamarquês que me parecem ter bastante qualidade e que previsivelmente criariam problemas a Portugal. Em particular, a capacidade da Dinamarca para assumir o jogo em posse, chamando a si boa parte do tempo de jogo. Portugal acabou por responder com bastante prudência, preferindo proteger-se nas zonas essenciais, mesmo que para isso tivesse de abdicar de ter a bola durante longos períodos. Como nem a Dinamarca conseguia penetrar no último terço português, nem Portugal conseguia inverter a tendência de maior domínio e presença em posse da Dinamarca, o jogo foi tendendo naturalmente para o nulo, sendo este apenas desfeito por aquilo que, afinal, determina o maior potencial da equipa portuguesa: a qualidade individual. Ter 3 pontos nesta altura não é ideal, mas é apesar de tudo melhor que estes tenham sido conseguidos frente a um adversário directo, do que frente à Albânia.

O 4-4-2 losango - O nome dos sistemas, 4-3-3 e 4-4-2, acaba por dar uma ideia trocada daquilo que realmente se passa em campo. Na sua última versão do 4-3-3, Portugal tendia a defender com uma linha média de 4 elementos, ou por vezes mesmo 5. Neste novo 4-4-2, e olhando para a disposição real da equipa, identificam-se, 4 defesas, 3 médios e 3 jogadores mais adiantados. Ou seja, ao contrário do que o nome sugere, é neste 4-4-2 que Portugal está mais desprotegido na sua linha média, libertando mais unidades na frente. É claro que não tem de ser forçosamente assim e haverá várias formas de defender e atacar dentro do mesmo sistema, mas esta parece-me ser a forma de Fernando Santos interpretar este sistema, pelo que também não me parece que se devam esperar muitas modificações relativamente ao que se viu. Quais serão então, as implicações de tudo isto, e qual será a nova identidade da Selecção? Do ponto de vista defensivo, com Paulo Bento a Selecção era notoriamente arrojada em termos de presença pressionante, adiantava muito a sua linha defensiva e tentava condicionar os seus adversários em praticamente toda a extensão do terreno (todos se lembrarão dos custos que isto teve no calor do Mundial!). Com Fernando Santos, o cenário é praticamente oposto. Apesar de ter 3 elementos mais adiantados, Portugal tem mais relutância em subir como um bloco, porque os médios sentem-se pouco confortáveis em sair da sua posição quando estão permanentemente a ser solicitados para defender na largura, acabando por se encostar à linha defensiva e fazer o bloco baixar. Ou seja, Portugal é uma equipa defensivamente mais expectante, com um pressing mais baixo mas com menor envolvimento numérico em zonas mais baixas. Se isto é melhor ou pior? Depende dos gostos de cada um e, naturalmente, das características da equipa. Pessoalmente, parece-me que Portugal tem centrais com capacidade para jogar uns metros mais à frente, havendo nesse aspecto algum desperdício de potencialidades. Por outro lado, ao libertar unidades como Ronaldo, Danny e Nani, Portugal ganha um grande potencial no momento de transição, o que no entanto ainda não foi devidamente potenciado. Seja como for, é preciso pelo menos manter alguma coerência, e se Portugal não consegue ter uma linha média pressionante, então o melhor mesmo é que a sua linha defensiva se proteja na profundidade baixando o bloco, como fez neste jogo.
No que respeita ao jogo com bola, a principal nota já foi referida por Fernando Santos e tem a ver com a necessidade de trabalhar a complementaridade dos movimentos dos 3 jogadores da frente, nomeadamente de forma a garantir presença na zona de finalização. Este modelo, com estes jogadores, garante a Portugal um grande potencial para circular dentro do bloco contrário. É um tema que eu já discuti várias vezes, sendo que muitas vezes me parece sobrevalorizado o contributo do papel do elemento mais adiantado em sistemas de apenas 1 avançado, quando quase sempre a influência real (número de vezes em que efectivamente intervem) desse jogador no jogo colectivo é muito reduzido. Com este modelo e estes jogadores, porém, as coisas podem ser verdadeiramente diferentes a esse nível, e isso viu-se neste jogo, onde Ronaldo, Nani e Danny conseguiram níveis de participação bastante elevados e com boa percentagem de eficácia. E é muito por isto que tendo a ser favorável a este tipo de solução de 2 avançados mais móveis, desde que se trabalhe bem a tal questão da zona de finalização, evidentemente.

A circulação baixa da Dinamarca - Por cá, o preconceito em relação à forma de jogar dos diversos países em nada mudou nos últimos 20 anos, mas na prática o que vemos é que frequentemente isso não se verifica. Por exemplo, continuamos a achar que nos países nórdicos se joga um futebol com pouca valorização da componente técnica e muito directo. A Dinamarca é um excelente exemplo de como esses preconceitos podem ser um enorme equivoco. Por exemplo, neste jogo - e novamente, porque é algo que faz parte da identidade desta equipa - a Dinamarca foi muito mais competente do que Portugal na sua fase de construção, assumindo o risco de querer sair sempre de forma apoiada e a partir de trás, e fazendo-o com grande qualidade, jogando a 1-2 toques com grande mobilidade e bom disposição posicional dos seus jogadores. Por isso, a Dinamarca foi sempre superior a Portugal em termos de presença em posse, mesmo tendo Portugal feito um bom jogo a nível de eficácia no passe. É comum elogiar e valorizar quando vemos as melhores equipas do mundo fazer este tipo de circulação e em envolvimento na sua fase de construção, mas parece-me bastante mais justo que se reconheça o mérito a quem o faz com qualidade, mas com recursos bem mais modestos. É o caso da Dinamarca, que em vários momentos do jogo (em especial na primeira parte, porque na segunda Portugal "encaixou" melhor), deu um verdadeiro recital de como circular e envolver o pressing adversário. Já agora, e numa altura em que se tem mediatizado tanto o tema dos centrais (a meu ver com grande exagero), fica a nota para o contraste entre as ligas nórdicas e sul americanas. Por muito que seja contraditório com a ideia pré concebida, é no Norte da Europa que se encontram mais equipas a valorizar a construção a partir de trás e também onde se encontram linhas defensivas a arriscar mais em termos de adiantamento. Na América do Sul, o recurso ao jogo directo é normalmente mais frequente, e as linhas defensivas mais baixas, com mais espaços entre sectores. Quer isto dizer que os centrais são melhores num sítio do que no outro? Claro que não!

ler tudo >>

13.10.14

Os desequilibradores da Liga

ver comentários...
Como complemento da análise às 7 primeiras jornadas, deixo a tabela dos 20 jogadores que mais desequilibraram neste inicio de campeonato. Mais concretamente, a tabela refere-se aos jogadores que mais participaram em ocasiões claras de golo das respectivas equipas, e segundo análise que venho mantendo. Aqui ficam algumas notas de análise pessoal...

Melhor marcador, uma luta mais apertada - Há um ano, e apesar do espectacular inicio de época de Montero, não tive grandes duvidas em projectar o claro favoritismo de Jackson na corrida ao título de melhor marcador da liga. O motivo prendia-se com o facto de Jackson ter muito mais ocasiões do que Montero, estando a veia goleadora do seu compatriota mais ligada ao bom momento de eficácia que havia tido, e sendo a eficácia um indicador muito mais volátil no curto prazo. Este ano, e atendendo às indicações deste inicio de temporada, a tarefa de Jackson poderá não estar tão facilitada. O problema não tem tanto a ver com o rendimento do goleador colombiano, que mantém uma enorme importância na finalização das ocasiões criadas pela equipa, o problema é que este ano o Porto promete criar para Jackson bem menos do que aconteceu na época anterior, e se assim continuar a ser os números do colombiano serão seguramente mais modestos do que nas épocas anteriores. Isto, claro, numa perspectiva de golos marcados por tempo jogado, e excluindo a influência das grandes penalidades, que propositadamente ignoro nesta análise. Entre os rivais de Jackson nesta corrida, destacaria Lima e Slimani. Lima não teve um arranque muito positivo em termos de aproveitamento das ocasiões de que desfrutou, e a sua influência (que tem sido muito boa, registe-se) não parece ser tão orientada para as acções de finalização, mas se o Benfica se mantiver com o registo ofensivo até aqui apresentado, e sobretudo se conservar a diferença face ao Porto a esse nível, então Lima será um nome a ter em conta na corrida ao estatuto de melhor marcador. Talvez a maior ameaça para o "reinado" de Jackson venha mesmo do outro rival de Lisboa, mais particularmente na figura de Slimani. O argelino realizou um inicio de época fantástico, e mesmo levando menos minutos por ter falhado os primeiros 2 jogos, é o jogador com mais ocasiões finalizadas nestes primeiros 7 jogos. Se o Sporting mantiver a capacidade ofensiva revelada até aqui, então será mesmo muito difícil de bater Slimani nesta corrida, porque o argelino dificilmente deixará de garantir uma grande influência em termos de zona de finalização. Tendo sido dos que duvidou dele no inicio, não é também a primeira vez que o elogio, sendo para mim claro que a intensidade com que joga o torna numa das principais mais valias para o Sporting actual, e num sério candidato a ultrapassar as marcas de todos os goleadores que o clube teve na última década. Veremos se o confirma...
Por fora, e a meu ver, correm todos os outros jogadores, mesmo aqueles que estão bem colocados nesta altura, como é o caso de Talisca. O motivo é simples, não se afiguram probabilidades razoáveis de que venham a usufruir de tantas ocasiões de golo como Lima, Jackson ou Slimani. Aqui, talvez a principal dúvida resida em Jonas, que se vier a ter uma utilização mais regular, facilmente poderá entrar também nestas contas.

Os que mais criam - Gaitan foi o destaque da época passada, e parece ser de novo o maior candidato nesta temporada a ser o jogador com maior presença criativa em ocasiões claras de golo. Entre os nomes que poderão rivalizar a este nível com o 10 do Benfica, projectaria Salvio, Nani, Carrillo, Brahimi e Quintero. Salvio será mais um candidato a ser dos jogadores com mais participação directa em ocasiões de golo, criando ou finalizando, mas em princípio não terá a mesma vocação criativa do que Gaitan. No Sporting, surgem também dois candidatos a rivalizar com Gaitan neste plano. O primeiro é, claro, Nani, sendo um jogador que, sozinho, mudou o jogo ofensivo da equipa de Marco Silva, pela sua influência, qualidade e capacidade para ter bola em zonas interiores. Desde que jogue, Nani continuará a ser seguramente um dos principais protagonistas do campeonato. Do outro lado, aparece Carrillo, que teve um inicio de época muito bom, mas cuja regularidade não pode ser projectada com a mesma segurança. Se mantiver o rendimento de até aqui, será certamente uma das figuras da prova e merecerá inclusivamente mais tempo de jogo. Será desta? No Porto, o destaque mais óbvio é Brahimi. Tal como para o caso de Jackson, porém, a grande dúvida estará mais no rendimento colectivo, já que se a equipa não melhorar a sua proximidade com o golo, como um todo, será muito complicado a qualquer dos seus jogadores assumir um grande protagonismo individual. Ainda no Porto, não consigo deixar de mencionar Quintero, porque caso venha a ter uma utilização mais regular (e enquadrada às suas características, já agora), estou em crer que Quintero rapidamente se tornará num dos principais desequilibradores do campeonato, até porque será dos jogadores que mais facilidade natural tem para assumir esse estatuto.
Como nota final, sublinhar que esta análise não considera os lances de bola parada, naturalmente para não favorecer os jogadores que são protagonistas das respectivas equipas a bater cantos e livres indirectos.

As revelações - Naturalmente, será muito difícil a qualquer jogador que não actue num dos 3 grandes ser um protagonista individual, em termos de golos marcados, assistências ou ocasiões criadas e finalizadas. Simples e trivialmente, porque a produção colectiva é tendencialmente inferior. Ainda assim, há jogadores a merecer destaque. No Belenenses, Deyverson fez um arranque de época muito bom, e promete atrair rapidamente atenções de clubes com maior capacidade financeira. No Estoril, e apesar do mau desempenho colectivo, Kuca tem tido um impacto muito bom, especialmente considerando que se trata de um jogador vindo de escalões inferiores. No Paços, destaque para Cícero e Urreta. O primeiro com baixo aproveitamento das ocasiões de que desfrutou, é verdade, mas com uma grande influência nas principais movimentações ofensivas da equipa. O segundo, com um enorme impacto no pouco tempo que jogou, prometendo ser uma mais valia indiscutível para Paulo Fonseca. No Marítimo, também dois nomes, Fransérgio e Ruben Ferreira. Fransérgio, sobretudo pela capacidade de aparecer em zonas de finalização, assumindo um protagonismo que no passado não tinha tido. O lateral esquerdo Ruben Ferreira, por seu lado, conseguiu inúmeros cruzamentos de elevado potencial, estando inclusivamente presente em vários golos da equipa. Em Braga, Rafa é um destaque menos surpreendente, tendo sido uma revelação da última temporada, mas Zé Luis teve uns primeiros minutos muito prometedores, o que poderá ser uma excelente notícia para Sérgio Conceição. Finalmente, nota para 2 jovens do Guimarães, Bernard, talvez a principal revelação dos primeiros jogos, e Tomané, que vai mantendo uma presença discreta mas muito regular e útil no ataque do Vitória. O tempo dirá quais destes jogadores serão capazes de manter uma bitola alta para o seu rendimento, e que outros virão a justificar destaque...

ler tudo >>

8.10.14

14/15 vs 13/14: 3 grandes à 7ª jornada

ver comentários...
Tal como havia anunciado no post anterior, como complemento ao ponto de situação que fiz sobre o rendimento das equipas nestas primeiras 7 jornadas, deixo uma análise comparativa relativamente ao mesmo período da época anterior, para os 3 grandes. Aqui ficam algumas notas...

Benfica - Jesus afirmou, há algumas semanas, que o Benfica está melhor do que estava nesta altura na época passada, e no que respeita ao campeonato isso parece relativamente incontestável. Sobretudo a nível ofensivo, o rendimento tem sido muito melhor do que aquilo que foi nas primeiras 7 jornadas da época passada, confirmando-se essa ideia em praticamente todos os indicadores. Do ponto de vista defensivo, curiosamente nesta altura da época passada havia um grande alarmismo em relação à vulnerabilidade defensiva da equipa, mas como na altura adverti tal se devia sobretudo a uma eficácia anormal por parte dos adversários, algo que depois se veio a confirmar ao longo da época. Seja como for, o Benfica este ano conseguiu um controlo defensivo não muito distante do verificado na época anterior, sendo no entanto de notar o facto de ter concedido mais ocasiões claras de golo em menos finalizações, o que indica uma menor eficácia do processo defensivo.

Sporting - A nível pontual o cenário poderá não ser tão favorável, mas olhando à generalidade dos indicadores apresentados, facilmente se percebe que tal não sucede por uma menor qualidade do futebol do Sporting, em face àquilo que apresentou na época anterior. Sobretudo a nível ofensivo, onde praticamente todos os indicadores foram melhorados, relativamente a 13/14, com a excepção da eficácia, que era anormalmente elevada nesta altura do ano anterior e que explicava o elevado número de golos marcados. No que respeita ao plano defensivo, e embora a equipa tenha consentido mais ocasiões de golo, também não há grandes sinais de preocupação face ao cenário em 13/14, já que nesta altura o Sporting já defrontou os dois rivais. O Sporting, note-se, tem dado sinais negativos relativamente ao seu processo defensivo, mas sobretudo em jogos de maior grau de dificuldade, não sendo esses problemas tão visíveis perante adversários de menor potencial. Ainda assim, e tal como no caso do Benfica, o facto do Sporting ter concedido mais ocasiões em menos finalizações (e no caso, menos ataques também), revela a maior vulnerabilidade do seu processo defensivo face a 13/14.

Porto - O calendário, menos favorável em 14/15, talvez ajude a explicar algumas das diferenças, mas no que respeita às primeiras 7 jornadas, o investimento feito na equipa ainda não teve tradução numa melhoria relativamente à época anterior. No entanto, o Porto 13/14 havia sido bastante competente neste período, tendo caído bastante posteriormente, não sendo previsível que tal possa acontecer na presente temporada. De todo o modo, e sem surpresa, o que mais sobressai são as diferenças em termos de desempenho ofensivo, onde a equipa de Lopetegui apenas conseguiu melhorar os indicadores de posse de bola, denotando muito menos objectividade nas suas acções ofensivas. Do ponto de vista defensivo, não há muitas diferenças relativamente ao que se passava por esta altura na época anterior. Foi a nível defensivo que o Porto mais quebrou de rendimento em 13/14, mas como já escrevi acima, não é expectável que tal possa acontecer de novo esta época (aliás, também não era expectável há um ano).

ler tudo >>

7.10.14

Análise Liga Portuguesa 14/15 (7ªjornada)

ver comentários...

Aproveito a paragem no campeonato, para fazer um ponto de situação em relação ao que foi até aqui o rendimento das equipas, do ponto de vista dos mais variados indicadores estatísticos, tanto ofensivamente como defensivamente. Ainda esta semana, apresentarei uma comparação com o que se verificava nesta mesma altura em 13/14, relativamente aos 3 grandes. Aqui ficam algumas notas sobre a minha leitura pessoal:

Benfica - Se pontualmente o Benfica conseguiu uma vantagem importante em apenas 7 jornadas, do ponto de vista estatístico há pouco por onde questionar esse estatuto. Sobretudo ao nível das ocasiões de golo, onde o Benfica foi a equipa com maior proximidade com o golo e melhor controlo defensivo. De resto, confirma-se o perfil tantas vezes identificado para a equipa sob o comando de Jorge Jesus, ou seja sendo bastante objectiva do ponto de vista ofensivo, e não alicerçando tanto (em termos relativos, obviamente) as suas aspirações na sua presença em posse. Também defensivamente este perfil se identifica, já que o Benfica consegue o melhor registo defensivo em termos de ocasiões consentidas, mas sem ter uma presença em posse especialmente elevada, o que reflecte a qualidade do seu processo defensivo.

Porto - À 7ªjornada é já possível termos uma tradução objectiva do perfil de jogo que Lopetegui idealizou para o Porto 14/15. Desde logo, sobressai a elevada presença em posse, com uma distância considerável mesmo para os principais rivais. Por outro lado, porém, esta presença em posse não teve para já correspondência ao nível de outros indicadores. Ofensivamente, a bola que o Porto tem tido não tem tradução numa vantagem no número de ataques, finalizações ou - mais importante, ainda - no número de ocasiões claras de golo. Daí o número de golos marcados, relativamente modesto mas condizente com aquilo que a equipa produziu. Uma nota ainda para o número de cantos, que é significativamente mais elevado do que o de qualquer outra equipa, o que pode ter a ver, não só com a elevada presença em posse, como também com a tendência da equipa para procurar os corredores laterais como forma de chegar ao golo. Defensivamente, até certo ponto o mesmo problema, ainda que a este nível a presença em posse tenha uma correspondência num maior número de indicadores. Ou seja, o Porto foi até agora a melhor equipa defensiva em quase todos os indicadores estatísticos, havendo porém a relevante excepção do número de ocasiões claras de golo, o que pode estar relacionado com algumas perdas de bola na fase de construção e que permitiram aos adversários algumas jogadas muito rápidas, mas de elevado potencial. Nota para o facto do Porto ter tido, até ao momento, uma boa capacidade de sobrevivência às ocasiões consentidas, o que explica fundamentalmente o melhor registo da liga em termos de golos sofridos. Com uma melhoria ainda que ligeira na sua segurança em posse, o Porto facilmente se tornará numa equipa muito difícil de bater, tendo em conta o controlo que a sua presença em posse lhe oferece. Neste sentido, o Porto apresentar-se-á nesta altura e na minha perspectiva, como o principal candidato a melhor defesa da Liga. Por outro lado, em termos ofensivos, Lopetegui parece ter algum trabalho pela frente...

Sporting - Os indicadores estatísticos destas primeiras 7 jornadas traduzem um pouco as ideias que tenho partilhado recentemente sobre a equipa. Ou seja, o Sporting 14/15 tem um potencial ofensivo muito elevado e dentro dos patamares de um candidato real ao título, estando os problemas essencialmente no processo defensivo. Ofensivamente, o Sporting conseguiu, a par do Benfica, o maior número de ocasiões de golo, não tendo porém a mesma eficácia, o que explica o menor número de golos do que o seu rival. No entanto, o Sporting apresentou maior expressividade do que o Benfica noutros indicadores, como a presença em posse, finalizações e ataques. Defensivamente, porém, o cenário é menos optimista para as aspirações da equipa de Marco Silva. A equipa conseguiu um bom registo em vários indicadores, mas acabou bastante exposta em termos de ocasiões claras de golo. A primeira nota, aqui, vai para o facto do Sporting já ter defrontado Porto e Benfica, representando estes dois jogos mais de 50% das ocasiões consentidas pela equipa. Analisando de forma um pouco mais detalhada e explorando as principais situações de golo consentidas ressalta à vista o elevado número de situações na sequência de ataques rápidos ou perdas de bola (transição ataque-defesa), o que poderá indicar algum trabalho a fazer do ponto de vista colectivo, e muito concretamente no que respeita à preparação da equipa para responder a este tipo de situações.

Outras equipas - Uma primeira nota para o Braga, que no ano passado havia sido uma equipa especialmente vulnerável defensivamente, mas que este ano e para já, tem-se apresentado bastante consistente a esse nível. Muito prometedor, e como também já havia alertado antes das duas recentes vitórias, parece ser o campeonato do Paços de Ferreira, de novo com Paulo Fonseca ao comando. Entre as desilusões deste arranque de temporada, evidenciam-se Estoril e Nacional. No caso do Estoril, são evidentes os problemas de controlo defensivo, havendo ainda assim sinais positivos na performance da equipa e que indicam que terá tudo para ficar pelo menos na primeira parte da tabela. Menos certa, à luz desta análise, será a capacidade de reacção do Nacional, sendo de sublinhar que qualquer destas duas equipas foi penalizada por um aproveitamento excepcionalmente elevado das ocasiões criadas pelos seus adversários.

ler tudo >>

2.10.14

Notas da Champions #2

ver comentários...

Sporting - Chelsea
Esta passagem de Mourinho por Alvalade fez-me lembrar a popular fábula de La Fontaine, do corvo e da raposa. Mourinho, qual raposa, queria roubar o queijo (3 pontos) ao Sporting, e para tal resolveu começar por elogiar a coragem do seu adversário, convidando-o a cantar, que é como quem diz a "jogar para ganhar". Ou seja, sugeriu Mourinho que o Sporting jogasse de forma aberta perante um adversário mais forte, coisa que como sabemos bem ele próprio não faz em idênticas circunstâncias. Seja ou não pelo incitamento da raposa, a verdade é que o Sporting, tal e qual como o corvo, cantou. Abriu o bico, e ao fazê-lo facilitou de sobremaneira a tarefa à raposa. Mas há uma diferença fundamental entre esta história e a de La Fontaine. É que ao contrário da ave necrófaga na fábula, o Sporting não se achou iludido pela raposa, culpando ao invés a má fortuna do queijo lhe ter caído do bico enquanto cantava, como se fosse provável que outra coisa tivesse acontecido. E, assim, tudo acabou em bem, a raposa satisfeita com o queijo e o corvo conformado com a má sorte, mas agradecido à gentil raposa por tão simpáticas palavras na sua visita.
Não quero com isto dizer, obviamente, que o Sporting devesse ter tido grandes ilusões neste jogo, mas estou em completo desacordo com os elogios à prestação da equipa. O ponto mais grave - e é grave! - tem a ver com as dificuldades e debilidades reveladas no processo defensivo. O Sporting pode resignar-se à sorte de não ser capaz de vencer uma equipa que lhe é indiscutivelmente superior, mas o mesmo não deverá fazer relativamente à qualidade dos seus comportamentos defensivos. Já havia antecipado aqui dificuldades específicas para este jogo no que respeita ao controlo da profundidade, mas ainda assim tenho de me confessar surpreendido pela vulnerabilidade da equipa nesse ponto particular. E aqui estendo a minha critica à opção estratégica, que abordei no primeiro parágrafo, porque se o Sporting tinha tantos problemas no controlo da profundidade e ia jogar perante uma equipa cuja principal força residia precisamente no bom aproveitamento que faz do espaço, então não se pode entender que faça sentido algum abordar este jogo assumindo tanto risco no adiantamento do bloco e da última linha. Não admira que Mourinho tenha sugerido que o Sporting jogasse "para ganhar"! Há obviamente aspectos positivos a retirar da exibição, e continuo a pensar que existe esta época maior potencial, nomeadamente em termos ofensivos, mas o Sporting só poderá ser uma equipa na plenitude das suas potencialidades - e isso poderá até não chegar para se bater com o Chelsea de igual para igual, ou até para ombrear pelo título até ao fim - se tiver patamares de organização mais elevados do que os actuais. E, a este respeito, a tendência mediática é e tem sido para olhar para o lado individual da questão e crucificar, um a um e a gosto de cada qual, os diferentes protagonistas. Ora, a mim essa parece-me uma perspectiva meramente destrutiva de ver as coisas, e por duas razões. Primeiro, porque se é inquestionável que existem lacunas do ponto de vista individual, o que se detecta é uma dificuldade transversal de todos os jogadores para interpretar alguns dos comportamentos que lhes são pedidos (alguns desses comportamentos parecem-me, em si mesmo, questionáveis). Depois, porque no que respeita ao processo defensivo o peso da componente colectiva é enorme e muito maior do que no processo ofensivo, não faltando exemplos de jogadores que, de uma época para outra, apresentam níveis exibicionais completamente diferentes, apenas por mudar de contexto colectivo. Ou seja, os problemas defensivos não me parecem um fado pelas limitações individuais, mas sê-lo-ão seguramente se  colectivamente não houver capacidade para corrigir estes aspectos. Por fim, deixo uma questão sobre a exibição de Rui Patrício: em média, qual a probabilidade de um jogador isolado perante o guarda-redes (1x0) fazer golo? Talvez não seja tanto quanto à primeira vista se possa pensar...

Shakhtar - Porto
Lopetegui pode ter conseguido resgatar um resultado positivo da Ucrânia, mas receio que o seu estado de graça esteja definitivamente encerrado com as opções que tomou para esta partida. Aliás, os golos de Jackson têm esse duplo efeito de, por um lado, salvarem o treinador da derrota, e por outro reforçarem o erro que terá sido deixar o colombiano de fora. Mas, terá sido mesmo um erro? É que Lopetegui diz que o jogador tinha problemas físicos, e sendo assim não haverá muita margem para críticas. E relativamente a Marcano? Pois, já sabemos que existe o preconceito negativo, entre adeptos e crítica, relativamente ao uso de defesas centrais nessa posição, talvez por dar uma imagem muito defensiva, mas a verdade é que os factos acabam por dar razão ao treinador espanhol nesta sua opção. Marcano teve, efectivamente, uma exibição irrepreensível, com boa capacidade de intervenção defensiva na sua zona e praticamente sem mácula do ponto de vista da presença em posse, como o próprio Lopetegui salientou.
Bem vistas as coisas, o Porto fez um bom jogo na Ucrânia, perante um adversário complicado, e se esteve tão perto da derrota isso nada teve que ver com alguma perda de controlo defensivo, porque tudo o que o Shakhtar criou foram as duas situações de golo, e ambas na sequência de erros individuais. A maior crítica, na minha perspectiva, deve estar novamente orientada para o futebol algo estereotipado da equipa, que voltou a procurar incessantemente os corredores laterais (excepto após a entrada de Quintero, claro) e que raramente conseguiu, em organização, aproveitar o potencial que a equipa tem.
Algumas notas mais sobre a exibição do Porto. Primeiro, sobre a ausência de Ruben Neves, que não me parece assim tão surpreendente depois das dificuldades que o jogador denotou frente ao Sporting. Depois, sobre os erros em posse, um ponto que tende a ganhar peso quando o patamar competitivo se eleva e a sublinhar a importância da segurança em zonas mais recuadas. Daí, discorde do ênfase que é dado à qualidade técnica dos centrais, quando o foco deve estar essencialmente no critério em posse. Finalmente, nota para a importância decisiva que tem tido a qualidade transversal do plantel nos momentos de dificuldade da equipa. Frente ao Sporting, Lopetegui fez entrar Tello e Oliver, mudando o jogo, agora introduziu Jackson, Quintero e Adrian, não só oferecendo à equipa características diferentes, como acrescentando-lhe até qualidade, relativamente ao que já tinha em campo. Não é comum.

Leverkusen - Benfica
Jesus afirmou no final do jogo que já esperava o tipo de jogo que o Leverkusen impôs e que a equipa perdeu simplesmente porque o seu adversário lhe foi superior. Confesso que, ao ver o jogo, fiquei com uma ideia diferente. Aliás, uma ideia fortemente reforçada pela agitação do treinador na linha lateral logo nos primeiros minutos, nomeadamente pedindo à equipa que deixasse de sair de forma apoiada a partir de trás. Se não foi surpreendido pelo pressing do Leverkusen, pelo menos foi surpreendido pela efectividade com que este foi implementado. Enfim, surpreendido ou não, a verdade é que o Benfica foi praticamente atropelado pela verticalidade e intensidade do seu adversário, não se apresentando devidamente preparado para fazer face a algumas das suas especificidades. Há a tal questão da construção, onde o Benfica não conseguiu soltar-se do pressing através de um jogo mais apoiado, nunca conseguindo encontrar espaços para fazer passes interiores, e solicitando quase sempre os laterais quando o Leverkusen estava preparado para pressionar os corredores. Neste particular, se o Benfica queria sair de forma apoiada (e Jesus rapidamente deixou de o querer), teria a meu ver de fazer mais uso do guarda redes para não ter de verticalizar quando e para onde o adversário queria. Não o fez. Outra opção passava por construir de forma longa, usando Derley como referência para a primeira bola, mas o problema aqui é que o Benfica nunca se posicionou bem para este tipo de solução, nomeadamente com os dois médios a baixar para receber e o próprio Talisca a aproximar-se muito de Enzo. Naturalmente, foi o Bayer quem ficou quase sempre com as segundas bolas e, tudo somado, o Benfica acabou encurralado no seu meio campo. Mas há ainda o processo defensivo, porque se o Benfica não se preparava para as segundas bolas ofensivamente, também não o fez no processo defensivo. A equipa pressionava a saída de bola do Leverkusen, que ficava sem linhas de passe para sair curto, mas colocava muitas unidades nas costas dos médios do Benfica, e por isso acabava quase sempre por ficar com a segunda bola, acelerando rapidamente e com boa presença numérica para abordar o último terço. Nota, ainda no que respeita ao desempenho defensivo, para o tempo que o meio campo levou para pressionar o portador da bola em diversas situações, deixando exposta a linha defensiva a situações muito complicadas de controlar. Um problema que tem acontecido com alguma recorrência recentemente.
O Benfica podia ser o primeiro cabeça de série do grupo, mas na prática há muito equilíbrio entre estas 4 equipas. Talvez o Benfica não esteja ainda num patamar que lhe permitisse bater-se de forma mais competente pelo apuramento - com Jesus, o "ponto de rebuçado" costuma vir mais tarde -, ou talvez a forma como a equipa abordou os jogos não o tivesse permitido, nomeadamente ao dar prioridade clara ao campeonato. O certo é que o Benfica é neste momento o mais forte candidato do grupo a ficar fora da Europa em Dezembro, e por isso esse é um cenário que nesta altura não deve estar fora das contas de ninguém, por muito que possa custar. A este respeito, o Benfica está neste momento numa posição oposta à do Porto, já que no campeonato usufrui de uma vantagem que lhe pode ser muito útil na luta pelo título e na Europa as contas estão muito complicadas. A boa notícia para Jesus é que, como bem sabemos, no final é quase sempre o campeonato que mais conta...

ler tudo >>

30.9.14

Sporting - Porto (II): performance individual

ver comentários...

Sporting
Rui Patrício - Mais uma exibição de grande nível, com defesas decisivas e sem mácula no que respeita à generalidade das suas intervenções. Tem-se falado muito sobre a falta de eficácia do Sporting em termos ofensivos e, como já escrevi, também concordo com o peso dessa má fortuna neste inicio de época, mas é bom também notar que a equipa tem beneficiado de um patamar de eficácia bastante reduzido dos seus adversários, sendo o jogo do Belenenses a única excepção. Aqui, e tal como na época passada, Rui Patrício tem-se revelado como uma mais-valia fundamental.

Cedric - Não tem tido os mesmos problemas de Esgaio do ponto de vista defensivo, mas esperava-se mais neste seu regresso à equipa, tendo para já contribuído com exibições muito modestas sobretudo no capítulo técnico, parecendo algo desinspirado. Espera-se que possa recuperar o patamar qualitativo da época passada, bastante diferente do que vem apresentando.

Jonathan Silva - O herói improvável. Deu-se muito bem, na primeira parte, com a postura pressionante da equipa, intervindo quase sempre em antecipação e em zonas muito adiantadas. No entanto, o jogo foi revelando várias debilidades, cometendo alguns erros de abordagem individual no 1x1 com os adversários. Do ponto de vista ofensivo, também esteve em níveis bastante modestos, com baixa participação com bola, e baixa percentagem de eficácia no passe. Também ao nível dos cruzamentos, não conseguiu emprestar grande qualidade, verificando-se nesse particular uma diferença considerável para Jefferson. Aliás, tudo somado e apesar do golo, parece-me ainda distante do que o brasileiro oferece à equipa.

Maurício - Não foi um jogo à sua medida, porque o Porto força pouco os duelos na sua zona, mas apesar disso deu-se bastante bem no confronto com Jackson (que era um adversário naturalmente difícil). Foi o jogador da equipa que conseguiu mais duelos/intercepções (17), o que revela mais uma vez a sua aptidão para dominar o espaço à sua frente. Os problemas defensivos que sentiu resultam mais de comportamentos colectivos a rever (nomeadamente a questão do controlo da profundidade) do que propriamente de dificuldades de abordagem individual. Com bola, recorreu muito ao jogo directo, o que não me pareceu descontextualizado da intenção colectiva perante o pressing adversário, já que poucas soluções de apoio foram apresentadas à primeira fase de construção.

Sarr - Acaba por ficar marcado pelo lance do golo, que é sobretudo uma infelicidade. Ainda assim, parece-me que poderia ter antecipado o previsível passe de Tello para Danilo, fechando mais o ângulo de cruzamento. Antecipação e leitura do jogo, porém, não são o seu forte, e sempre que tem de sair da sua zona fá-lo com vísivel insegurança. Por isso, e como já escrevi, acaba por não ter a capacidade de intervenção defensiva ideal, sendo esse o ponto em que me parece mais urgente que evolua. Nota positiva para a sua presença nos lances de bola parada defensiva, onde fez valer a sua estatura. Com bola, teve dificuldades semelhantes às de Maurício, sendo de notar porém que não comprometeu a segurança da equipa. 

William - Numa época que vem sendo pouco conseguida, voltou a exibir-se em muito bom plano, sendo de longe o jogador com mais intervenções positivas (com e sem bola) da equipa. Não se deve, a meu ver, descontextualizar o seu bom desempenho com o tipo de jogo que realizou, exigindo-se-lhe essencialmente que retirasse a bola das zonas de pressão e as entregasse de forma útil, em vez de ser um protagonista ao nível do passe, como tem tentado ser. Uma evidência, na minha perspectiva, que a diferença de William da época transacta para esta tem sobretudo a ver com as exigências do contexto colectivo, que são menos ajustadas aos seus pontos fortes. Sem bola, não venceu muitos duelos, mas foi o jogador com mais recuperações posicionais na partida, contribuindo decisivamente para o domínio do Sporting ao nível das bolas divididas na zona média.

Adrien - Mais um jogo grande e mais um jogo discreto do ponto de vista da influência em posse e presença criativa, por parte de Adrien. Mais uma vez, também, esteve melhor do ponto de vista defensivo, onde mantém níveis de intensidade/agressividade bastante elevados. Cada vez mais me parece que poderia evoluir como médio mais defensivo.

João Mário -Tinha escrito não conhecer suficientemente o jogador para perceber que mais valia poderia representar relativamente a André Martins, mas a verdade é que este jogo oferece-me uma perspectiva bastante optimista a esse respeito. Muito maior capacidade de intervenção em posse e uma capacidade técnica que lhe permite também melhor percentagem de eficácia de desempenho. Se a isto juntarmos a sua boa capacidade de desequilíbrio (para já ainda tem poucos jogos para ser conclusivo), podemos ter aqui um verdadeiro reforço relativamente a esta posição específica. Veremos como evolui, mas para já é sem dúvida prometedor.

Carrillo - Mais um excelente jogo, intervindo directamente em 3 dos 5 principais lances ofensivos da equipa e dando sequência a um excelente inicio de temporada. Por outro lado, realizou também um jogo de grande intensidade do ponto de vista defensivo. Aparentemente, não havia grandes motivos para ser substituído.

Nani - Será o jogador que mais reflecte as diferenças de performance da equipa, de uma parte para a outra. Na primeira parte, foi um protagonista total, mantendo presença criativa no último terço e também boa capacidade de pressão. Nesse período, beneficiou muito do bom ajustamento do seu posicionamento para zonas interiores, onde se apresentou como elemento extra, tanto na conquista de segundas bolas como na presença em posse. Na segunda parte, perdeu intensidade e foi acumulando uma série de más intervenções, perdendo sucessivamente a bola. Daí, a sua baixa percentagem de eficácia na presença em posse.

Slimani - Muita luta e muita intensidade, dando algum trabalho aos centrais contrários e conseguindo algumas boas movimentações. No entanto, não conseguiu ser o protagonista que certamente desejaria ser no último terço. Outras oportunidades haverá, porque quem joga com esta intensidade dificilmente passa muito tempo sem ter oportunidades.

Porto
Fabiano - Esteve globalmente bem, num jogo bastante mais exigente do que aquilo que é hábito. A excepção é o lance do golo, onde saiu precipitadamente da baliza. Nota para o seu jogo de pés, onde completou mais passes do que alguns jogadores de campo.

Danilo - Um jogo de grande trabalho defensivo, dando-se globalmente bem nos duelos que travou. Como é seu hábito, esteve melhor nas suas aparições no último terço (nomeadamente no lance do golo) do que propriamente na gestão da posse, em fases mais precoces do processo ofensivo.

Alex Sandro - Tal como Danilo, foi bastante solicitado do ponto de vista defensivo, acabando porém por sentir mais dificuldades em lances determinantes, tanto em alguns duelos com Carrillo como a fechar o espaço interior, sendo batido por duas vezes na resposta a cruzamentos. Com bola, esteve também bastante activo, registando uma percentagem de eficácia bastante elevada.

Bruno Indi - Creio que é um detalhe que escapou à maioria das pessoas, mas realizou um jogo bastante modesto do ponto de vista de intervenção defensiva, ficando muito distante dos níveis de participação de todos os outros defensores, particularmente de Marcano. Serão precisos mais jogos para o confirmar, mas isto pode indicar alguma incapacidade de antecipar e ganhar vantagem nos duelos directos. Este perfil de jogo acaba por protegê-lo de uma maior exposição ao erro e eventualmente acaba por contribuir para uma melhor percepção mediática, mas isso não pode ser confundido com um melhor contributo qualitativo, porque na realidade revela precisamente o contrário.

Marcano - Seja pela circunstância do jogo ou pela sua própria capacidade, acabou por protagonizar um jogo completamente diferente de Indi, muito mais interventivo e dominador na sua zona. Aliás, Marcano foi o jogador na partida com mais intervenções positivas. Tal como no caso de Indi, serão precisos mais jogos para ser conclusivo em relação ao seu perfil e capacidade, mas para já ficam indicadores muito bons. Pelo menos para mim, porque aparentemente a percepção generalizada foi diferente.

Casemiro - Numa primeira parte com bastantes dificuldades dos elementos da sua zona, foi na minha perspectiva um jogador que ajudou a minimizar prejuízos. Excelente capacidade de intervenção defensiva e também sem comprometer do ponto de vista da presença em posse. Na segunda parte estava, de novo, a fazer um bom jogo agora com maior auxílio da prestação colectiva. Reyes não manteve, nem de perto, os seus índices de performance, tanto defensivos como ao nível da presença em posse, e por isso fica-me a ideia que a sua saída pode ter sido importante para limitar a reacção da equipa e, eventualmente, as suas aspirações de vitória.

Ruben Neves - É ingrato ser muito critico para um jogador com a sua idade, sendo já fantástico que consiga aparecer tão novo a este nível. Ainda assim, e sendo objectivo, não se pode deixar de assinalar as dificuldades que teve no jogo. Foi dele a perda de bola na origem do primeiro golo e ao longo da primeira parte foi sendo um pouco o espelho das dificuldades da equipa, incapaz de auxiliar na saída de bola e fuga ao pressing adversário, e também com bastantes dificuldades a nível defensivo.

Herrera - Mantém-se como um jogador impulsivo, frequentemente pouco lúcido do ponto de vista da decisão, mas também com uma intensidade impressionante. Dentro deste perfil, facilmente se perceberá que não poderia ter sido ele a solução para os problemas colectivos, na primeira parte, e que se tornou num jogador potencialmente determinante, na segunda.

Quaresma - Não é preciso uma grande capacidade de análise para perceber as dificuldades que sentiu no jogo...

Brahimi - Teve mais dificuldades em desequilibrar, o que é normal num jogo de grau de dificuldade mais elevado, mas voltou a dar sinais muito importantes de qualidade. Em particular, conseguiu uma presença em posse assinalável e com eficácia muito elevada para quem ocupa uma posição tão adiantada. Em destaque a sua presença no momento de transição defesa-ataque, conseguindo 9 ligações positivas em 11 aparições com bola, o que é o melhor registo entre todos os jogadores da partida. Na segunda parte, apareceu mais no corredor central e auxiliou a equipa a encontrar, finalmente, os espaços nas costas dos médios do Sporting. Destaque para o passe para Jackson, logo a abrir a segunda parte.

Jackson - Novamente um jogo difícil em Alvalade, embora desta vez com um contributo muito mais positivo do que na época transacta. Não teve vida fácil nos duelos com Maurício, mas acabou por encontrar a sua oportunidade, que Patrício lhe negou.

Oliver - Está ligado ao crescimento da equipa, embora na minha opinião não tenha feito um jogo excepcional do ponto de vista técnico. Foi, sobretudo, a sua boa movimentação sem bola que foi ajudando a equipa a encontrar linhas de passe para sair de forma útil da zona de construção, o que não havia sucedido na primeira parte.

Tello -  Fica ligado à última ocasião do jogo, sendo obviamente criticável a sua opção pela iniciativa individual em vez do cruzamento. Ainda assim, parece-me justo realçar o impacto positivo que trouxe à equipa, vencendo vários duelos directos com os laterais do Sporting e criando situações de perigo potencial no último terço.

ler tudo >>

29.9.14

Sporting - Porto (I): performance colectiva

ver comentários...
 Sporting
Dir-se-á que este foi um jogo equilibrado e que por isso o resultado lhe assenta bem. Não posso discordar, se considerar o computo geral da partida, mas não posso também deixar de afirmar que equilíbrio foi coisa que nunca existiu no jogo. É o tal paradoxo da média estatística. O jogo foi sempre desequilibrado, mas como o ascendente se dividiu de forma mais ou menos equitativa pelas duas equipas, ele acaba por ser, em média, equilibrado. Enfim, deste contraste de desequilíbrios resulta o grande ponto de interesse do jogo no que a análise diz respeito, e que se prende com a questão de perceber os motivos que podem ajudar a explicar esse tal contraste, de uma parte para a outra.
No caso do Sporting, a primeira parte foi bem conseguida essencialmente pela capacidade de retirar o Porto da sua zona de conforto, através de um pressing muito alto, com grande risco de exposição posicional, que derivava do adiantamento de um número substancial de jogadores para pressionar no meio campo contrário (não raramente, foram 6 ou 7). Isto, para potenciar o momento de transição, porque em relação às suas próprias iniciativas com bola, ou seja em organização, o Sporting jogou quase sempre a partir da segunda bola, aproveitando o previsível adiantamento pressionante do adversário, para esticar o jogo e potenciar depois o espaço que se abria no meio. Ou seja, os seus médios estavam mais projectados e ofereciam menos apoio para que a equipa pudesse sair de trás de forma apoiada, mas depois apareciam melhor colocados para disputar a segunda bola, na frente da linha defensiva portista. Em suma, sendo em transição ou organização, o Sporting usou sempre os duelos no miolo como ponto de partida para acções de ataque rápido que foram criando problemas de controlo ao extremo reduto portista e que, na primeira parte, facilmente lhe poderiam ter valido uma vantagem mais decisiva do que o 1-0 que se verificava ao intervalo.
A grande questão, porém, é porque é que se deu uma descontinuidade tão grande, de uma parte para a outra? Há vários motivos que podem ajudar a explicar essas diferenças. Ainda assim, devo começar por dizer, não creio que houvesse mudanças substanciais em termos de estratégia ou estrutura, por parte dos treinadores, estando a questão mais centrada no desempenho de ambos os lados. Por um lado, o Sporting poderá ter sido vitima do desgaste físico e psicológico que representou correr tanto atrás da bola nos primeiros 45 minutos, perdendo intensidade e eficácia na acção pressionante, na segunda parte. Por outro, o Porto passou também a fazer melhor uso do corredor central, com Oliver a ser mais solícito em termos de apoio à construção, e o próprio Brahimi a aparecer de forma mais clara nas costas dos médios do Sporting. Ora, como ambas as equipas se apresentaram com estratégias de elevado risco, no caso do Porto pelo exacerbar da posse em zonas mais recuadas, e no caso do Sporting pelo adiantamento de tantos jogadores na acção pressionante, é natural que pequenas variações no desempenho colectivo resultassem em importantes consequências ao nível da proximidade com o golo. E foi isso mesmo que aconteceu.
Indo mais concretamente às especificidades do Sporting, volto a destacar, por um lado, o elevado potencial ofensivo da equipa, comparativamente com a época passada. Uma ideia que para já não está traduzida no número de golos, é verdade, mas que rapidamente virá a estar, caso o volume de ocasiões se mantiver no patamar actual. Por outro lado, fortes reticências no que respeita ao desempenho defensivo, e não me estou aqui a prender nas questões individuais que tanto vêm marcando os debates em torno da equipa. Dois pontos a destacar, e ambos repetidos de análises anteriores. Primeiro, a questão do controlo da profundidade por parte da linha defensiva. É um problema que já antecipara quando se confirmou a contratação de Marco Silva, porque já se observava também no Estoril, e que por isso também se torna mais difícil de pensar que possa vir a ser corrigido. Ou seja, a linha defensiva não é sensível à falta de presença pressionante sobre o portador da bola, assumindo assim muito risco perante esse tipo de situação. O outro ponto tem a ver com o momento de transição ataque-defesa. Se observarmos com atenção o jogo, vamos encontrar várias jogadas em que a equipa não consegue pressionar a zona da bola, imediatamente após a perda, o que permitiu ao Porto sair para acções de transição que depois se tornam muito complicadas de controlar defensivamente. Já contra o Benfica, a maioria das ocasiões de golo consentidas aconteceram no momento de transição, voltando a acontecer o mesmo contra o Porto. Este é um problema que não fica muito visível na generalidade dos jogos do campeonato, mas que ganha rapidamente outra relevância assim que a qualidade do adversário aumenta. Urge, portanto, rectificar o jogo posicional da equipa quando em posse de bola. Aliás, todos os alertas deverão estar nesta altura accionados na equipa técnica de Marco Silva, porque este tipo de fragilidades não podiam ir mais ao encontro dos pontos fortes do próximo adversário da equipa, o Chelsea.

Porto
Tal como para o Sporting, importará perceber o porquê do contraste da exibição portista, de uma parte para a outra. No caso do Porto, os problemas da primeira parte repetem-se daqueles já observados em Guimarães. Ou seja, a equipa foi novamente condicionada por um adversário que jogou tudo na obsessão do jogo portista por uma saída em apoio e orientada para os corredores laterais. Só que desta vez os problemas ainda foram mais acentuados, tanto pela maior qualidade do adversário como pelo maior ênfase que este colocou no pressing alto. Aqui, penso que Lopetegui assume algumas responsabilidades do ponto de vista da antecipação da estratégia do adversário. O técnico espanhol, já se percebeu, dará pouca margem a variações na identidade do seu jogo, e quererá sempre assumir o jogo através de uma progressão apoiada. O problema é que o Porto terá também de contar com os adversários, que tenderão a aperceber-se dessa característica vincada do jogo portista e lhe colocarão problemas cada vez mais específicos. Repetindo a ideia que já deixei recentemente, as soluções passam por 1) ser tão forte (leia-se, eficaz) na afirmação do seu jogo que se torne indiferente a estratégia dos adversários, ou 2) encontrar respostas alternativas para os problemas que previsivelmente lhe serão colocados (sem que isto implique o desvirtuar da identidade, claro). Só que 1) é muito mais difícil do que 2), e até o memorável Barça de Guardiola apresentava variantes estratégicas para contrariar os problemas que os adversários lhe tentavam colocar. Ou seja, Lopetegui poderá ter uma equipa teimosa, no sentido em que fará tudo para se afirmar pela posse e progressão em apoio, independentemente da estratégia do adversário, mas dificilmente terá sucesso se transformar essa teimosia em autismo, querendo chegar sempre da mesma maneira e pelos mesmos canais (entenda-se, corredores laterais), quando o adversário se apresenta preparado para os bloquear. A diferença do Porto, da primeira para a segunda parte, reside muito nisto, na diferença entre teimosia e autismo, mantendo após o intervalo a intenção de forçar o jogo apoiado, sim, mas percebendo também que perante a estratégia do adversário, seria muito mais fácil explorar as costas da sua linha média, muito adiantada, do que forçar em permanência a entrada da bola nos corredores laterais.
Se há lição a retirar deste jogo, do meu ponto de vista, é que será fundamental que a equipa (e Lopetegui, em particular) consiga antecipar melhor os problemas específicos que os adversários lhe poderão vir a colocar, até porque como se viu neste jogo, por muito boa que seja a reacção - e foi excelente na segunda parte! - é sempre possível que esta venha a ser insuficiente se os danos forem consideráveis.

ler tudo >>

AddThis