Não houve surpresas, mas não se pode dizer que tenha sido uma mera formalidade. Pelo menos, para o Porto, que teve um jogo de grande incerteza e muito pouco controlo. Mais um sinal de que o momento não faz antever um grande conforto na recta final, ao contrário do que aconteceu em boa parte da prova. Cumpre-se este fim de semana a 10ª jornada em 2012 e, mesmo descontando o jogo entre ambos, foram mais as jornadas em que pelo menos 1 dos dois perdeu pontos do que aquelas em que, como nesta semana, ambos conseguiram vencer. Veremos o que acontece à medida que a pressão aumenta...
Nem 20 dias passados, jogar-se-á outro Benfica-Porto. O lado mais interessante deste segundo jogo, pelo menos para mim, tem a ver com a diferença de contexto para o primeiro. Ou seja, no jogo para o campeonato, os 90 minutos eram encarados quase que como uma final do campeonato. E o campeonato, quer para um lado, quer para o outro, pode significar muito mais do que uma mera organização das festas de Maio. Pode ter implicações nas carreiras de muitos dos protagonistas, sobretudo dos treinadores. Agora, por outro lado, Benfica e Porto trocariam um resultado na meia final da Taça da Liga por 2 pontos ganhos em mais uma importante jornada (ambos jogam fora) que terá lugar alguns dias depois do reencontro na Luz. É claro que quando a bola começar a rolar, e estando vermelho e azul frente a frente, muito de tudo isto passa para segundo plano. Muito, mas não tudo...
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Já havia comentado sobre a importância do sorteio para as aspirações do Benfica no sonho da Champions. E a sorte não quis muito com o Benfica. Deixa espreitar para a meia final, mas por essa curta brecha mostra o Barcelona. As probabilidades de vitória do Benfica na prova são nesta altura estimadas em 1,5%. Pode parecer pouco, mas quantas vezes, desde que a Champions permite mais do que um clube por país, é que um clube português atingiu as meias finais?
Na Liga Europa, o Sporting teve melhor sorte (não que sejam comparáveis as hipóteses de um "bom sorteio"). O Metalist mantém o mesmo problema de 2008, quando calhou em sorte ao Benfica. É sempre subestimado. Trata-se da 3ª potência do futebol ucraniano, onde perde sobretudo por não ter tanta capacidade no mercado interno, e por isso não chega à Champions, onde entram equipas com bem menos qualidade. Mas na Liga Europa, está farto de surpreender quem deles duvida, inclusivamente o próprio Benfica nessa experiência de 2008. Entre os sul americanos, que conheço quase todos bem, destaco os argentinos Sebastian Blanco e Cristaldo, que aprecio bastante e gostaria de ter visto no futebol português. Há um outro pormenor a ter em conta no Metalist, é que ao contrário do que pode sugerir a proveniência longínqua, esta equipa tem um registo europeu estranhamente positivo nos jogos fora. E não é deste ano. Os espanhóis lideram o ranking das expectativas (eu acredito que a mentalidade do Bilbao pode fazer deles o principal candidato, nesta altura). Ao Sporting, é creditada uma probabilidade de 8% de erguer a Taça. É pouco, mas para o Sporting as baixas expectativas também não têm sido um problema...
História
A última meia hora retira algum brilho e a possibilidade de uma vitória que, a acontecer, teria sido uma das mais improváveis (aqui, probabilidade não é minha) da História do clube. Mas não retira o essencial, uma qualificação que será também ela histórica e certamente relembrada (há muito que o Sporting não eliminava um adversário deste calibre). Muito mérito durante 150 minutos e um súbito desnorte, que quase deitou tudo a perder, durante 30 minutos. Interessante o contraste, e a forma como durante tanto tempo o Sporting manteve o City relativamente longe do golo e, de repente, pareceu ser incapaz de passar 5 minutos sem um sobressalto. A importância que um golo teve na atitude dos jogadores! Sobre os minutos finais, em destaque a "oferta" de dois golos, o primeiro numa má abordagem no desarme, e o segundo num pontapé de canto onde o Sporting repetiu o erro algo básico de não sair para a linha da bola na sequência do canto. Já em Alvalade sofrera dois sobressaltos por lapsos semelhantes. E são lapsos, porque o posicionamento sugere exactamente esse comportamento. Recupero a dúvida hipotética, na sequência do que já deixara para o Benfica: o que precisa exactamente de fazer o Sporting nas restantes competições para "salvar" um eventual 4º ou 5º lugar na liga?
A hipótese que avançara no inicio desta fase a eliminar confirmou-se, e não foi preciso esperar muito. De novo, os favoritos mais mediáticos caem na Liga Europa. Por muito que Mancini o contrarie, e mesmo que o pense (deverá ter pensado mesmo, pela gestão que fez dos recursos), é muito difícil manter níveis de motivação quando os jogadores quereriam era estar na Champions, e por isso mesmo é que este "fenómeno" se continua a repetir. O único dos oito qualificados que mantém aspirações a um título interno é o AZ, e isso talvez seja mais contributo para que possa ser o mais desejado dos adversários.
A hipótese que avançara no inicio desta fase a eliminar confirmou-se, e não foi preciso esperar muito. De novo, os favoritos mais mediáticos caem na Liga Europa. Por muito que Mancini o contrarie, e mesmo que o pense (deverá ter pensado mesmo, pela gestão que fez dos recursos), é muito difícil manter níveis de motivação quando os jogadores quereriam era estar na Champions, e por isso mesmo é que este "fenómeno" se continua a repetir. O único dos oito qualificados que mantém aspirações a um título interno é o AZ, e isso talvez seja mais contributo para que possa ser o mais desejado dos adversários.
Goleadas tangenciais
Stamford Bridge pode não ser o palco que mais memórias guarda no que respeita à história das competições europeias. Nos últimos anos, porém, tem assumido um protagonismo especial a esse nível, e esta terá sido mais uma noite a contribuir para isso. Talvez a primeira desta edição da Champions, mas certamente que não a última. O jogo foi bom, pela emoção e pela divisão permanente do ascendente. O Chelsea terá sido mais forte, mais experiente, ou apenas mais feliz, dependendo do ponto de vista. Eu, diria que foi sempre mais incisivo quando conseguiu entrar na área contrária e que isso foi, como não raras vezes acontece, decisivo. Mas, claramente, terá contado com o cinismo da eficácia, ou pelo menos eu não sou capaz de concordar com uma separação de 3 golos entre as equipas como resultado mais fiel daquilo que vi. E aqui, nos 3 golos de diferença, chego ao ponto que mais me interessa...
3 golos de diferença no marcador, mas dificilmente 3 golos de diferença na cabeça de quem quer que fosse. Adeptos e protagonistas. Todos o viram como um jogo de resultado tangencial. Viram e, mais importante, jogaram. Dos 5 golos marcados, nenhum foi conseguido em situação de vantagem. Ou seja, todos foram marcados como reacção a uma situação de necessidade. Ora, é certo que o jogo teve sempre uma boa atitude de ambos os lados, é certo também que se tratou apenas de um jogo, que não é representativo para conclusão alguma e que tudo pode ter sido apenas um acaso. Mas é também certo que este fenómeno da diferença de atitude em função do resultado está perfeitamente identificado, não só no futebol, mas no desporto em geral. Por regra, não se trata de algo voluntário ou consciente, não há - como tantas vezes reclama o desespero dos adeptos - uma atitude premeditada de treinadores ou jogadores. Simplesmente acontece e se alguém soubesse porquê, seria capaz de contrariar a tendência, o que não se verifica. O futebol é um jogo de humanos...
3 golos de diferença no marcador, mas dificilmente 3 golos de diferença na cabeça de quem quer que fosse. Adeptos e protagonistas. Todos o viram como um jogo de resultado tangencial. Viram e, mais importante, jogaram. Dos 5 golos marcados, nenhum foi conseguido em situação de vantagem. Ou seja, todos foram marcados como reacção a uma situação de necessidade. Ora, é certo que o jogo teve sempre uma boa atitude de ambos os lados, é certo também que se tratou apenas de um jogo, que não é representativo para conclusão alguma e que tudo pode ter sido apenas um acaso. Mas é também certo que este fenómeno da diferença de atitude em função do resultado está perfeitamente identificado, não só no futebol, mas no desporto em geral. Por regra, não se trata de algo voluntário ou consciente, não há - como tantas vezes reclama o desespero dos adeptos - uma atitude premeditada de treinadores ou jogadores. Simplesmente acontece e se alguém soubesse porquê, seria capaz de contrariar a tendência, o que não se verifica. O futebol é um jogo de humanos...
Contrastes...
- Quando o sorteio ditou o confronto entre Bayern e Basel (curiosamente, partilham a abreviatura FCB), imediatamente imaginei um passeio para os alemães. É que, para além da diferença evidente de valores, não havia qualquer contraste de estilos ou choque de culturas. Houve, no entanto, da minha parte uma subvalorização do Basileia actual. O seu momento é tremendo, pulverizando a liga interna e atingindo patamares de confiança que permitem a exacerbação do potencial colectivo, reflectido em feitos como foram, por exemplo, as vitórias caseiras frente a United e a este mesmo Bayern. O mais curioso é verificar o que pode acontecer quando o escudo da confiança é repentinamente retirado por um gigante insaciável como é, culturalmente, o Bayern. Não pode deixar de vir à memória o caso do Sporting em 2009 que, num episódio muito semelhante ao do Basileia (mas ainda mais penoso, porque teve direito a repetição), foi devorado por este mesmo adversário sem que houvesse qualquer relação com a consistência da equipa, quer no seu percurso europeu até aí, quer no próprio momento interno (as goleadas sofridas pelo Sporting coincidiram, paradoxalmente, com o arranque para um excelente ciclo de resultados internos). Não há grande lógica nisto, apenas Fragilidade.
- Do outro apurado do dia, não se pode traçar perfil mais contrastante com o do Bayern. Não tem grande explicação esta modéstia dos clubes franceses. São uma das potências económicas da Europa ocidental, têm dimensão, condições e formação para serem uma potência também ao nível de clubes. Mas não são, e vivem um bastante traumatizados por isso. Talvez a próxima década lhes seja mais favorável e Paris veja, finalmente, uma equipa corresponder à sua importância em todas as restantes áreas sociais e económicas. Refiro-me ao PSG, é claro. Para já, fica apenas o alerta para algo que venho repetindo: os franceses podem não ser uma potência, mas têm o seu valor também algo menosprezado. Porque desprezam a Liga Europa e não têm unhas para a Champions, acabam sempre longe das finais, parecendo por isso mais fracos do que realmente são. Mas, há muita qualidade e, atenção, porque ao contrário da Liga Europa, eles darão tudo por um brilharete na Champions.
- Do outro apurado do dia, não se pode traçar perfil mais contrastante com o do Bayern. Não tem grande explicação esta modéstia dos clubes franceses. São uma das potências económicas da Europa ocidental, têm dimensão, condições e formação para serem uma potência também ao nível de clubes. Mas não são, e vivem um bastante traumatizados por isso. Talvez a próxima década lhes seja mais favorável e Paris veja, finalmente, uma equipa corresponder à sua importância em todas as restantes áreas sociais e económicas. Refiro-me ao PSG, é claro. Para já, fica apenas o alerta para algo que venho repetindo: os franceses podem não ser uma potência, mas têm o seu valor também algo menosprezado. Porque desprezam a Liga Europa e não têm unhas para a Champions, acabam sempre longe das finais, parecendo por isso mais fracos do que realmente são. Mas, há muita qualidade e, atenção, porque ao contrário da Liga Europa, eles darão tudo por um brilharete na Champions.
Ao sétimo dia...
O nível de detalhe da minha informação não vai tão longe, mas duvido que o Benfica tenha tido na Liga um período tão difícil como os primeiros 10 minutos da segunda parte. O jogo teve tudo para ficar, se não resolvido, pelo menos a bom caminho desse destino. Terá havido um efeito de deslumbramento do Paços, perdendo o foco naquela que seria a sua prioridade para a segunda parte? Certezas nunca as teremos, mas a brevidade com que todo o cenário se inverteu, dá pelo menos para especular sobre essa hipótese. De todo o modo, excelente período de jogo, especialmente pela velocidade e oscilação que atingiu. Mérito para o Paços (algumas exibições individuais muito boas), demérito para o Benfica (transição defensiva e concentração com bola). Não deixa de ser interessante que Jesus tenha abdicado de Saviola e Nolito numa altura em que precisava de dar a volta ao resultado. Escrevo "interessante", porque é um luxo fazê-lo sem ter necessariamente de perder capacidade de desequilíbrio. Enfim, uma coisa parece-me clara: se o Benfica chegar ao título, este vertiginoso inicio de segunda parte merecerá um lugar de destaque entre os momentos mais decisivos...
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Números uso muito, mas sobre numerologia não sei praticamente nada. Sei, no entanto, que 7 é um número especial para muita gente e que provavelmente Sá Pinto será uma dessas pessoas. Ora bem, ao sétimo jogo, Sá Pinto viu o seu Sporting, finalmente, atingir os patamares que o próprio certamente idealizou. Não chegou aos 7 golos, mas nem precisava de chegar tão perto, porque toda a exibição denotou desde cedo um nível qualitativo muito superior ao que até aqui se vira (e desconsidero aqui a exibição com o City, que teve um contexto diferente das outras). Ora, a não ser que haja mesmo alguém com fé na numerologia, não me parece fácil arranjar-se explicações para este súbito acréscimo de rendimento, especialmente no culminar de uma semana de grande sobrecarga competitiva e que começou como começou. Sem querer estar eu próprio a entrar em dimensões explicativas que considero absurdas, devo sublinhar a importância da qualidade individual de que o Sporting dispôs. E aqui faço uma distinção dos jogadores que decidem, dos que aproximam a equipa do golo. De forma clara e sem sofismas. O Sporting, na minha opinião, tem dois que seriam, com Matias, as suas principais mais valias a esse nível tão relevante para o sucesso: Izmailov e Jeffren. Julgo que a diferença que qualquer um dois faz nesta equipa está à vista de todos, mas a pergunta que eu penso que se deve fazer não tem a ver com o potencial, mas com a fiabilidade. Será que têm condições para competir de forma contínua ao longo de uma época? Talvez seja esta, de novo, uma pergunta essencial no planeamento da próxima época.
Já agora, em relação ao jogo, fica a nota para a utilização de Elias e Schaars no inicio de construção. Não sei se Sá Pinto o equacionou estrategicamente, mas este Vitória teria uma postura previsivelmente diferente do outro, de Setúbal, com que o Sporting se deu mal. Este iria tomar a iniciativa de subir para pressionar e não apenas de esperar para o fazer. Fá-lo em qualquer parte, e fá-lo-ia com enorme probabilidade também em Alvalade. Ou seja, para o Sporting era decisivo sair de forma útil da primeira linha de pressão, não apenas pela óbvia questão da segurança, mas porque depois seria muito mais fácil encontrar espaços. Elias e Schaars parecem-me ter sido importantes neste detalhe, Izmailov e Matias agradeceram.
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Números uso muito, mas sobre numerologia não sei praticamente nada. Sei, no entanto, que 7 é um número especial para muita gente e que provavelmente Sá Pinto será uma dessas pessoas. Ora bem, ao sétimo jogo, Sá Pinto viu o seu Sporting, finalmente, atingir os patamares que o próprio certamente idealizou. Não chegou aos 7 golos, mas nem precisava de chegar tão perto, porque toda a exibição denotou desde cedo um nível qualitativo muito superior ao que até aqui se vira (e desconsidero aqui a exibição com o City, que teve um contexto diferente das outras). Ora, a não ser que haja mesmo alguém com fé na numerologia, não me parece fácil arranjar-se explicações para este súbito acréscimo de rendimento, especialmente no culminar de uma semana de grande sobrecarga competitiva e que começou como começou. Sem querer estar eu próprio a entrar em dimensões explicativas que considero absurdas, devo sublinhar a importância da qualidade individual de que o Sporting dispôs. E aqui faço uma distinção dos jogadores que decidem, dos que aproximam a equipa do golo. De forma clara e sem sofismas. O Sporting, na minha opinião, tem dois que seriam, com Matias, as suas principais mais valias a esse nível tão relevante para o sucesso: Izmailov e Jeffren. Julgo que a diferença que qualquer um dois faz nesta equipa está à vista de todos, mas a pergunta que eu penso que se deve fazer não tem a ver com o potencial, mas com a fiabilidade. Será que têm condições para competir de forma contínua ao longo de uma época? Talvez seja esta, de novo, uma pergunta essencial no planeamento da próxima época.
Já agora, em relação ao jogo, fica a nota para a utilização de Elias e Schaars no inicio de construção. Não sei se Sá Pinto o equacionou estrategicamente, mas este Vitória teria uma postura previsivelmente diferente do outro, de Setúbal, com que o Sporting se deu mal. Este iria tomar a iniciativa de subir para pressionar e não apenas de esperar para o fazer. Fá-lo em qualquer parte, e fá-lo-ia com enorme probabilidade também em Alvalade. Ou seja, para o Sporting era decisivo sair de forma útil da primeira linha de pressão, não apenas pela óbvia questão da segurança, mas porque depois seria muito mais fácil encontrar espaços. Elias e Schaars parecem-me ter sido importantes neste detalhe, Izmailov e Matias agradeceram.
A Liga que ninguém quer ganhar...
"Demos 45 minutos de avanço!" O diagnóstico foi feito por Vitor Pereira, mas teria sempre eco em grande parte dos adeptos portistas. Na realidade este é, aliás, um dos comentários mais comuns entre os adeptos, seja de que clube for e, em geral, resulta de uma ilusão. É que o futebol tem, por norma, mais golos nas segundas partes do que nas primeiras, e as equipas tendem a convergir para os resultados que lhes interessa. Assim, é apenas normal que uma equipa favorita ataque mais numa segunda parte em que precisa de um resultado. Nem tem de ser necessariamente mau, lembro-me por exemplo do Chelsea de Mourinho, que durante algum tempo manteve essa característica de resolver os jogos nas segundas partes. Seja como for, no caso do Porto, é inequívoco que não é normal que a equipa acumule tantos jogos consecutivos em que entra na segunda parte sem ter ganho vantagem no marcador. Não é normal, sobretudo, porque os adversários são de uma valia muito inferior e a expectativa é que a sua resistência não chegue para tanto. Aqui, claramente, pensar em Feirense ou Leiria, não é o mesmo que pensar na Académica que, como já aqui deixei a opinião, é das equipas tacticamente mais interessantes do campeonato. De todo o modo, e mesmo que já não pareça nada depois do jogo, este era um dos jogos onde a perda de pontos seria menos provável...
O empate portista vem acentuar uma tendência estranha na Liga. Durante muito tempo este parecia ser um campeonato para ser decidido no pormenor, e com muito poucas perdas de pontos. De repente, eis que se sucedem resultados inesperados, primeiro de Benfica, e agora de Porto, para mais na condição de líderes, o que é ainda mais estranho porque o factor confiança - recorrentemente decisivo neste tipo de situações - deveria contar a favor. Dir-se-ia que esta é uma liga que ninguém quer ganhar. Se continuarem com tantas gentilezas, Benfica e Porto poderão continuar a lutar ponto a ponto... correm é o risco de não estar a lutar pelo lugar que pensavam...
Um pormenor no golo da Académica, que vem na sequência de algo que já escrevi aqui há algum tempo. Este tipo de cruzamentos, tirados ao segundo poste, tem a particularidade de tornar muito mais difícil a tarefa aos guarda redes (não conseguem definir o posicionamento ideal para a abordagem à finalização). Estranhamente, denoto pouca intencionalidade na procura deste tipo de movimento.
O empate portista vem acentuar uma tendência estranha na Liga. Durante muito tempo este parecia ser um campeonato para ser decidido no pormenor, e com muito poucas perdas de pontos. De repente, eis que se sucedem resultados inesperados, primeiro de Benfica, e agora de Porto, para mais na condição de líderes, o que é ainda mais estranho porque o factor confiança - recorrentemente decisivo neste tipo de situações - deveria contar a favor. Dir-se-ia que esta é uma liga que ninguém quer ganhar. Se continuarem com tantas gentilezas, Benfica e Porto poderão continuar a lutar ponto a ponto... correm é o risco de não estar a lutar pelo lugar que pensavam...
Um pormenor no golo da Académica, que vem na sequência de algo que já escrevi aqui há algum tempo. Este tipo de cruzamentos, tirados ao segundo poste, tem a particularidade de tornar muito mais difícil a tarefa aos guarda redes (não conseguem definir o posicionamento ideal para a abordagem à finalização). Estranhamente, denoto pouca intencionalidade na procura deste tipo de movimento.
A vantagem de não ter que dominar
- A nível interno, não há muito para escolher em termos de opções estratégicas. Para os "grandes", o empate é uma derrota e por isso nada mais resta do que dominar, ou seja, tomar de assalto a bola e o espaço. Na Europa e nesta fase da competição, não é assim. Sabendo-se que realisticamente não poderia ter os dois, Sá Pinto podia escolher entre a bola e o espaço. É claro, todos estaremos conscientes do que se diria de Sá Pinto se as coisas tivessem corrido mal na sequência de uma estratégia especulativa, como aquela que escolheu (ou das substituições que fez, de resto). Não seria um argumento original. Mas o treinador está onde está para ganhar jogos, e não para preparar desculpas para as derrotas, e por isso a sua opção foi a mais acertada, quer tivesse ganho ou não. No campeonato, voltará a ter de atacar as vitórias pelo domínio total, pela bola e pelo espaço, e aí veremos como a equipa vai evoluir. Terei menosprezado as dificuldades que acabou por encontrar na imposição do futebol que idealiza, mas a atitude do treinador e a sua consciência do que é preciso para ganhar, tem correspondido à minha expectativa.
O City, creio, não esperava o Sporting fechado que lhe apareceu pela frente. Nem foi esse o Porto que teve (aliás, foi o City quem jogou no erro na eliminatória anterior), nem as suas observações do Sporting lhe terão dado essa indicação (a última vez que me lembro de algo semelhante, em Alvalade, foi frente ao Porto na época anterior). Por outro lado, parece-me que foi um cenário que trocou as voltas ao treinador italiano em termos de gestão do actual ciclo de jogos. Havia poupado Silva e Aguero para este jogo, e percebe-se pelo calendário que quereria resolver já a eliminatória, uma vez que a segunda mão está entre uma deslocação a Swansea e a recepção ao Chelsea, e a Premier League será sem dúvida a prioridade. São mais boas notícias para o Sporting!
Finalmente, uma nota para os centrais do Sporting, ultimamente muito em foco pela negativa mas que, de repente, aparecem em bom nível num jogo de maior grau de dificuldade. Parece contraditório, mas quando se joga mais baixo, mais protegido e sem trabalhos forçados em construção, é mais fácil não errar.
- No duelo mais interessante da ronda, logicamente que não se pode dizer que se esperava uma derrota do United, mas também nunca esperaria outra coisa que não fosse uma séria relativização do favoritismo dos ingleses. Há dois pontos que quero focar a este respeito. Uma, para o mérito do Bilbao de Bielsa. Trata-se, provavelmente, da grande novidade em termos tácticos das principais ligas deste ano. Uma equipa que consegue o sucesso através de uma abordagem comportamental profundamente atípica. Uma fuga ao paradigma actual, que mostra que no futebol a qualidade não tem de ser monótona. Entre todos, talvez o comportamento que mais espanto crie seja o uso de referências individuais como ponto de partida para o pressing em zonas mais afastadas da sua baliza.
O outro ponto tem a ver com algo que escrevi há algumas semanas, à cerca da Liga Europa e da forma como várias equipas abordam esta competição. Para o Bilbao será um feito eliminar o United, mas para os ingleses não vem grande mal ao mundo se saírem eliminados da prova. Quem sabe, com a ajuda do Sporting, não ficam já pelo caminho os dois gigantes da cidade?
O City, creio, não esperava o Sporting fechado que lhe apareceu pela frente. Nem foi esse o Porto que teve (aliás, foi o City quem jogou no erro na eliminatória anterior), nem as suas observações do Sporting lhe terão dado essa indicação (a última vez que me lembro de algo semelhante, em Alvalade, foi frente ao Porto na época anterior). Por outro lado, parece-me que foi um cenário que trocou as voltas ao treinador italiano em termos de gestão do actual ciclo de jogos. Havia poupado Silva e Aguero para este jogo, e percebe-se pelo calendário que quereria resolver já a eliminatória, uma vez que a segunda mão está entre uma deslocação a Swansea e a recepção ao Chelsea, e a Premier League será sem dúvida a prioridade. São mais boas notícias para o Sporting!
Finalmente, uma nota para os centrais do Sporting, ultimamente muito em foco pela negativa mas que, de repente, aparecem em bom nível num jogo de maior grau de dificuldade. Parece contraditório, mas quando se joga mais baixo, mais protegido e sem trabalhos forçados em construção, é mais fácil não errar.
- No duelo mais interessante da ronda, logicamente que não se pode dizer que se esperava uma derrota do United, mas também nunca esperaria outra coisa que não fosse uma séria relativização do favoritismo dos ingleses. Há dois pontos que quero focar a este respeito. Uma, para o mérito do Bilbao de Bielsa. Trata-se, provavelmente, da grande novidade em termos tácticos das principais ligas deste ano. Uma equipa que consegue o sucesso através de uma abordagem comportamental profundamente atípica. Uma fuga ao paradigma actual, que mostra que no futebol a qualidade não tem de ser monótona. Entre todos, talvez o comportamento que mais espanto crie seja o uso de referências individuais como ponto de partida para o pressing em zonas mais afastadas da sua baliza.
O outro ponto tem a ver com algo que escrevi há algumas semanas, à cerca da Liga Europa e da forma como várias equipas abordam esta competição. Para o Bilbao será um feito eliminar o United, mas para os ingleses não vem grande mal ao mundo se saírem eliminados da prova. Quem sabe, com a ajuda do Sporting, não ficam já pelo caminho os dois gigantes da cidade?
Dois mundos e uma sentença
A propósito do Bayer-Barcelona da primeira mão, tive a oportunidade de ler uma antevisão de alguém que havia, alguns dias antes, antecipado dificuldades para os catalães na visita a Pamplona (contextualizando, o Barça perdera o jogo frente ao Osasuna no fim de semana anterior à primeira mão). Escrevia que apesar do mau momento do Barça ser evidente, tal não deveria ser suficiente para que uma vitória confortável estivesse em causa na Alemanha, que o potencial das duas equipas era demasiado dispar, que eram duas equipas de dois mundos completamente diferentes.
Ora, não é pela goleada numa segunda mão de uma eliminatória já resolvida, mas a diferença de valor entre Barça e Leverkusen será mais ou menos a mesma que a diferença entre um "grande" e uma equipa da II Divisao, em Portugal (sublinho que estou a comparar diferenças de valor e não o valor das equipas em si mesmo). São dois mundos completamente diferentes.
Não faltam exemplos que corroborem a ideia de que o sucesso de uma caminhada europeia pode depender muito de sorteios e eliminações surpreendentes. É o mesmo para as aspirações de equipas menos conceituadas (ou sobretudo destas) em taças domésticas, por exemplo. Neste sentido, e em relação ao sonho europeu que se vai reavivando no Benfica, a aleatoriedade do sorteio pode tornar inútil qualquer discussão sobre o assunto, mas não coloca, seguramente, em causa a relevância das sortes que serão tiradas antes dos quartos de final. Aliás, se nos centrarmos nos apurados de hoje, Barcelona e Apoel, o sorteio parecerá mais mesmo uma sentença.
Ora, não é pela goleada numa segunda mão de uma eliminatória já resolvida, mas a diferença de valor entre Barça e Leverkusen será mais ou menos a mesma que a diferença entre um "grande" e uma equipa da II Divisao, em Portugal (sublinho que estou a comparar diferenças de valor e não o valor das equipas em si mesmo). São dois mundos completamente diferentes.
Não faltam exemplos que corroborem a ideia de que o sucesso de uma caminhada europeia pode depender muito de sorteios e eliminações surpreendentes. É o mesmo para as aspirações de equipas menos conceituadas (ou sobretudo destas) em taças domésticas, por exemplo. Neste sentido, e em relação ao sonho europeu que se vai reavivando no Benfica, a aleatoriedade do sorteio pode tornar inútil qualquer discussão sobre o assunto, mas não coloca, seguramente, em causa a relevância das sortes que serão tiradas antes dos quartos de final. Aliás, se nos centrarmos nos apurados de hoje, Barcelona e Apoel, o sorteio parecerá mais mesmo uma sentença.
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