26.3.15

Notas da semana (Benfica, Porto, superclásico, Bayern)

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- Começo pela derrota do Benfica em Vila do Conde, que abriu um pouco mais a luta pelo título, ainda que bem menos do que à partida se poderia supor. O Benfica não fez, de facto, um jogo muito bom em termos ofensivos, ainda assim não partilho de todo do pessimismo em torno da exibição da equipa encarnada, uma ideia que como sempre me parece ter grande influência da carga emotiva que o desfecho negativo acarreta consigo. Há, na exibição do Benfica, alguns pontos que me parecem interessantes de analisar, desde a forma como a equipa não produziu o que seria desejável em termos ofensivos, até às dificuldades defensivas que acabaram por ditar a surpreendente reviravolta na segunda parte. E é mais sobre este último ponto que me quero debruçar, porque ao contrário do que seria normal os vários desequilíbrios a que a defensiva encarnada foi exposta não resultam tanto de uma grande dificuldade do bloco defensivo, como um todo, mas de um estranho mau desempenho individual de alguns dos seus jogadores, com os centrais em destaque. De resto, e retirando aqui o lance do primeiro golo, o Benfica começa por sentir dificuldades de controlo na resposta aos pontapés longos ("longos", neste caso até soa a eufemismo!) de Ederson, o que não deixa de ser uma abordagem ofensiva primária e em princípio fácil de anular, por muito invulgar que seja o alcance do pontapé do guarda redes brasileiro. Estranho, portanto, as dificuldades sentidas neste ponto específico, assim como estranho a forma como Luisão se deixou bater por Zeegelaar, também numa abordagem ofensiva relativamente primária, e que acabou com Del Valle isolado na frente de Júlio César, ou a forma como a defesa do Benfica não reagiu de forma coordenada (como é seu hábito, note-se) no lance que culmina na expulsão de Luisão. Por fim, era perfeitamente evitável, também, a precipitação de Maxi no lançamento lateral que está na origem do segundo golo. Seria interessante trazer a visualização de todos estes lances, mas por falta de tempo não o vou poder fazer, ficando no entanto a minha nota pessoal em relação à importância que me parece ter tido o mau desempenho individual dos defensores encarnados nesta derrota.

- Uma nota sobre o jogo que se seguiu à derrota do Benfica, com o Porto também a perder pontos na sua deslocação à Choupana. O Porto foi superior ao Nacional, mas outra coisa não seria de esperar tendo em conta as diferenças de recursos das equipas. A questão está mais, a meu ver, nas dificuldades de controlo defensivo da equipa de Lopetegui, o que contrasta bastante com o registo característico da equipa, em especial no plano interno. Referência, a este propósito para o lance do golo do Nacional (corro aqui o risco de sobrevalorizar um lance pontual), e para a importância que em parece ter Casemiro em termos defensivos para a equipa. Já referi há muito que o brasileiro tem uma capacidade de intervenção notável e que isso ajuda muito o Porto a filtrar as iniciativas ofensivas contrárias, tanto mais que o trabalho defensivo dos seus extremos não é propriamente o mais abnegado.

- Incontornável, nesta semana, o "superclásico". Há sempre inúmeras formas de olhar para um jogo de futebol e este não será excepção, mas eu não consigo começar por destacar outra coisa que não seja o entretenimento que estas duas equipas proporcionam aos vastos milhões de espectadores que param para os ver actuar. Talvez mais do que nunca, um duelo entre Real e Barça é um jogo equilibrado, de parada e resposta, e com superioridade constante dos ataques relativamente às defesas, o que faz deste não só um jogo de desfecho imprevisível, mas igualmente com uma expectativa muito elevada de golos. Ora, estas são características que raramente se vêm combinadas de forma tão expressiva num campo de futebol. Talvez Real e Barça pudessem ser melhores enquanto colectivo - ainda que me pareçam as duas equipas mais fortes do futebol actual - mas quanto ao entretenimento não me parece que fosse justo pedir mais!

- Uma nota também sobre a derrota do Bayern, que decorre obviamente de uma combinação improvável de factores. Ainda assim, nota para as dificuldades da equipa de Guardiola na abordagem ao último terço, não conseguindo ser consequente relativamente ao domínio territorial que impôs. Não se pode, aqui, dissociar deste facto a ausência de Ribery ou a saída por lesão de Robben, com menos de 25 minutos de jogo. Sem maior capacidade individual ao seu dispor, o Bayern protagonizou uma chuva de cruzamentos exteriores, alguns mesmo de posições frontais e sem grande presença na área. A equipa de Guardiola continua a parecer-me uma das mais fortes, mas não a consigo colocar ao nível de Barça e Real em termos de recursos individuais e esse, como sempre, parece-me o ponto que mais diferença pode fazer...

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19.3.15

Liga 14/15: Probabilidades para a classificação final

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A 9 jornadas do final, deixo aqui mais uma projecção das probabilidades relativamente à classificação final do campeonato. Apesar de cada equipa ainda ter ao seu dispor 27 pontos, e de acordo com esta análise, grande parte das decisões do campeonato parecem já bastante condicionadas e o mais provável é que tenhamos poucas alterações de maior até ao final da prova. Ora, isto não quer dizer que o campeonato venha a perder interesse mediático nesta recta final, até porque como bem sabemos a emotividade da crença dos adeptos sobrepõe-se invariavelmente à racionalidade de análises como a que estou a partilhar. Aqui ficam algumas notas sobre cada um dos "pontos quentes" da tabela... 

Título: A vantagem com que o Benfica entra para esta recta final do campeonato afigura-se, sem surpresa, como bastante difícil de anular por parte do Porto. Não impossível, obviamente, mas difícil. Note-se que a análise apresentada pressupõe que os dois rivais têm uma valia desportiva idêntica, o que é naturalmente discutível. Referência ainda para o elevado número de pontos destas duas equipas, sendo possível que se bata o recorde pontual do campeonato português (naturalmente, a comparação é apenas relevante para os campeonatos com 3 pontos por vitória e com 18 equipas).
Champions: Se a luta pelo campeonato tem um favorito claro, para que o destino dos lugares que dão acesso à Champions League do próximo ano se alterem será preciso pouco menos do que um milagre. O destino do Sporting parece ser irremediavelmente o terceiro posto, sendo de notar que a equipa de Marco Silva poderá ainda atingir a marca pontual da última equipa equipa do Sporting a sagrar-se campeã, em 2001/02, algo que na minha leitura diz bem do pronunciado desequilíbrio da liga portuguesa. No mesmo sentido, também ao Braga parece destinado ao quarto posto da tabela, sendo muito difícil que esse destino possa ser alterado no que resta jogar do campeonato.

Europa: Esta parece ser a corrida mais aberta nesta fase do campeonato, tanto mais que se adivinha a possibilidade do sexto posto dar também acesso europeu. Mesmo com a quebra de rendimento recente, o Vitória de Guimarães é a equipa claramente mais bem colocada para garantir o quinto posto, no entanto, e ao contrário do que se passa nas disputas mais acima da tabela, essa vantagem não é suficiente para que se atribua um grande favoritismo à equipa de Rui Vitória. No que respeita às restantes equipas, o Paços é aquela que mais condições terá para ameaçar o quinto lugar, ou mesmo garantir um eventual acesso europeu através do sexto posto, não só pelos pontos que já conquistou, mas também por ter um calendário à partida mais favorável do que, por exemplo, o Beleneneses. A luta europeia parece, portanto, bastante em aberto, sobretudo se se confirmar a possibilidade do sexto posto também dar acesso à Liga Europa.

Descida: A questão não está, de forma nenhuma, fechada, mas é claro quem tem o cenário mais complicado pela frente. O Penafiel tem a missão mais espinhosa, sendo a sua salvação um cenário bastante improvável nesta altura. Para o outro lugar de descida, os principais candidatos são o Gil Vicente e o Arouca, sendo que a equipa de Pedro Emanuel tem a seu favor não só a ténue vantagem pontual de que nesta altura usufrui, mas também um calendário à partida mais favorável, o que torna significativamente mais complicada a tarefa da equipa de Barcelos. Entre os restantes candidatos ao destino mais indesejado da Liga, o Setúbal será aquela sobre a qual paira a maior ameaça, ainda que as suas perspectivas de sobrevivência sejam claramente favoráveis. 

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12.3.15

Notas da Champions (Porto, Chelsea e Real Madrid)

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Porto - A passagem aos quartos-de-final, carimbada com uma expressiva goleada, e os resultados frente a Sporting e Braga, vieram mudar por completo o estado de ânimo em torno da equipa. Escrevo "resultados" e não tanto exibições, porque mais uma vez me parece que são estes que verdadeiramente influenciam a percepção mediática (e não só...). É que vejo na equipa de hoje essencialmente as mesmas virtudes do que naquela que foi derrotada em casa pelo Benfica ou na Madeira pelo Marítimo, sendo que já nessa altura e apesar dos resultados, o Porto denotava uma invulgar capacidade para dominar territorialmente os seus adversários, o que motivou o meu confessado optimismo para a caminhada europeia da equipa. Ora, se essas minhas perspectivas se têm confirmado no geral, tenho de manter também as reservas que apresentei na sequência do jogo contra o Sporting, a propósito de alguns aspectos em que Lopetegui não conseguiu fazer evoluir o seu conjunto. Os movimentos no último terço são um caso - que já penalizou muito as aspirações da equipa na liga interna -, mas a nota mais problemática no que respeita à caminhada europeia parece-me ser a dificuldade que a equipa denota no seu inicio de construção, algo muito visível nos primeiros 30 minutos da recepção ao Sporting, mas também por exemplo na primeira parte do jogo de Braga, com a bola a entrar sucessivamente no lateral sem que este tivesse qualquer solução para dar continuidade à jogada, oferecendo todas as condições para o sucesso do pressing adversário. Os erros cometidos a este propósito podem não ter tido grandes custos, mas é bastante provável que os tenham se forem repetidos nos quartos-de-final da Champions, porque aí, e seja qual for o opositor que calhe em sorte ao Porto, a capacidade para explorar rapidamente o espaço e a profundidade será certamente muito maior. A este propósito e de forma breve, parece-me que não ajuda nada a disposição posicional da equipa, nomeadamente com 4 elementos (laterais e extremos) permanentemente colados às linhas, o que facilita muito a neutralização dos pontos de apoio para a saída da bola a partir dos elementos mais recuados. Em suma, mantenho a minha ideia de que este Porto será capaz de levar para os pormenores, um eventual confronto contra a generalidade das equipas ainda em prova (não todas, evidentemente), mas não acompanho o recente crescimento da onda de entusiasmo em torno das aspirações europeias da equipa, e por 3 motivos fundamentais: 1) porque a minha expectativa já era elevada desde há uns tempos a esta parte; 2) porque, e apesar dos bons resultados, a equipa não deu sinais de que tenha corrigido alguns aspectos em que me parecia importante ser capaz de evoluir; 3) porque a diferença das principais equipas para as outras é, por estes dias e na minha opinião, avassaladora.

Chelsea - Terá sido a única surpresa entre as eliminatórias até agora terminadas, especialmente tendo em conta o curso que levou esta segunda mão. Na verdade, o que o jogo mostrou - e independentemente do desfecho que teve - acaba por ir ao encontro de duas ideias que havia deixado a propósito destas equipas. Sobre o Chelsea, a sua incapacidade para se afirmar claramente e com regularidade nos jogos que disputa, deixando a sua decisão muitas vezes para os pormenores. Este era um aspecto que, a meu ver e claramente, distinguia Chelsea de outros candidatos mais fortes nesta prova, precisamente porque estaria muito mais dependente dos pormenores que não são fáceis de controlar. Sobre o PSG, a ideia de que se trata de uma equipa com capacidade rara em termos técnicos, o que lhe permitiu nomeadamente ser capaz de dividir o jogo, em termos de domínio e presença territorial, mesmo num contexto tão complicado como aquele que encontrou. Mais uma vez, parece-me absurdo que esta equipa não tenha outra capacidade de afirmação no plano interno, e que não seja também um candidato mais forte a uma eventual presença na final de Berlin, mas isso é algo sobre o qual os seus milionários responsáveis deverão ter de reflectir. Voltando ao Chelsea, de notar que há agora a forte probabilidade de não termos qualquer equipa inglesa nos quartos-de-final da Champions, o que não poderá deixar de se considerar estranho tendo em conta a dimensão que tem a Premier League. O problema, na minha leitura, tem acima de tudo a ver com as principais equipas e não tanto com a liga como um todo. A este propósito, é interessante como o futebol inglês, e apesar de toda a sua capacidade de investimento, não tem conseguido segurar as suas principais figuras, com Ronaldo, Bale e mais recentemente Suarez a deixarem a competição. Ora, como é óbvio, quem quer ter as melhores equipas, não pode deixar sair os melhores jogadores. Talvez falte à Premier League, alguém que consiga elevar a fasquia, aumentando assim o grau de exigência interno, ago que até certo ponto, Mourinho e o Chelsea conseguiram fazer nesta temporada, mas como está bom de se ver esse não é ainda um patamar suficiente para rivalizar de igual para igual com os melhores dos melhores.

Real Madrid - Uma quase surpresa, que a acontecer teria sido muito mais do que isso, tendo em conta o desnível entre as equipas e a vantagem com que o Real entrou para a segunda mão. A propósito do Real Madrid, já partilhei aqui o meu parco entusiasmo em relação ao seu desempenho colectivo. No entanto, parece-me também que será um enorme equívoco que se sobrevalorize o actual registo de resultados recentes, nomeadamente desconsiderando as probabilidades de revalidação do titulo europeu do Real. O seu potencial individual é tremendo e faz com que o Real continue a ser, na minha leitura, um dos 3 principais candidatos ao troféu, sendo que me parece inclusivamente uma equipa mais talhada para este tipo de prova, porque se o compromisso colectivo dos seus jogadores não é o ideal, ele certamente cresce assinalavelmente nos momentos de maior atenção mediática, como será o caso das eliminatórias finais desta competição. Ainda a respeito das perspectivas a ter sobre quem poderá vencer a prova, parece-me que a eliminação do Chelsea é um dado que joga a favor daqueles que me parecem ser os 3 principais candidatos ao título: Barcelona, Real Madrid e Bayern. Não porque o Chelsea seja muito melhor do que o PSG, mas porque me parece uma equipa com maior capacidade de sofrimento e capacidade para se adaptar a um cenário em que defronte um adversário tecnicamente mais forte. Neste mesmo sentido, poderá ser uma excelente notícia para estas equipas se o Atlético ficar também de fora já nesta fase, porque é outra equipa com grande capacidade de resistência em contextos de maior dificuldade - aliás, e ainda que não me pareça tão forte como no ano passado, continuaria a distingui-la como a formação mais forte nesse registo. Ou seja, e se os sorteios não o impedirem, pode tornar-se cada vez mais provável que de entre Real, Barça e Bayern, não saia apenas o vencedor da edição 2015, mas os dois finalistas.

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2.3.15

Porto-Sporting, notas do clássico

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- Começando pelo Porto, e arriscando ir um pouco em contraciclo relativamente àquilo que me parece ser a percepção geral, devo dizer que não fiquei especialmente impressionado com a exibição da equipa de Lopetegui, antes pelo contrário houve alguns aspectos que me pareceram preocupantes. Para contextualizar melhor, devo relembrar que, conforme venho escrevendo há algum tempo, as minhas expectativas sobre a equipa eram já muito elevadas antes deste jogo, e dizer também que concordo que o domínio que esta conseguiu foi de facto avassalador, a partir da meia hora de jogo. Ora, o meu problema é precisamente com esses primeiros 30 minutos de jogo. É que nesse período o Porto fez uma entrada bastante fraca no jogo, voltando a comprometer muito na primeira fase de construção, acumulando erros que lhe poderiam ter custado muito caro e dado um rumo completamente diferente à partida. Por exemplo, penso que o que o Porto fez nesse período foi pior do que aquilo que fez no jogo da Taça, só que ao contrário desse jogo desta vez o Porto não foi penalizado por isso. O ponto aqui tem a ver com o desempenho num contexto de jogo em que a equipa se tem de assumir em posse, pretendendo incluir algum risco nesse processo, sendo que os sinais dados foram muito negativos. O domínio que o Porto exerceu aconteceu apenas quando o jogo lhe ofereceu um contexto diferente, podendo jogar a partir da recuperação de bola e da reacção à perda. Não é um problema novo no Porto 2014/15, mas confesso que esperava que a equipa tivesse nesta altura outra capacidade de resposta. De resto, Lopetegui continua a ter razões para estar satisfeito com a resposta da equipa em vários planos, não me parecendo no entanto que esta vitória se deva à vertente estratégica do jogo, antes sim com a qualidade e eficácia de alguns dos seus princípios base.

- Sobre o Sporting, obviamente a análise tem de ser contrastante com a do seu opositor. Ou seja, a equipa apresentou-se relativamente bem nos primeiros minutos, denotando no entanto uma enorme incapacidade para explorar os erros que potenciou, perdendo-se completamente após a desvantagem, acumulando erros, tanto colectivos como individuais. E, a este respeito, vou optar por me centrar em algumas exibições individuais, que me parecem ter sido decisivas para as aspirações da equipa (os problemas colectivos vêm de trás, e já escrevi bastante sobre eles). Começando por Jonathan, que terá ficado com a cruz das análises pós-jogo, mas que não me parece ter tido responsabilidade clara em nenhum dos golos (ainda que tenha cometido outros erros). Ainda no que respeita à defesa, nota para as enormes dificuldades de Tobias, que cometeu inúmeros erros a todos os níveis. Tanto a sair com bola, como no controlo do seu espaço de acção (antecipação e profundidade). Como já escrevi, parece-me que faz muito mais sentido ao Sporting apostar num jogador como Tobias do que pagar milhões por um currículo, mas também que me parece que talvez fosse melhor para o jogador ter outro tipo de rodagem antes de ser lançado a este nível (ainda para mais, com a saída de Maurício passou a ser praticamente a única opção viável numa fase decisiva da temporada). Também Cedric foi diversas vezes arrastado por movimentos sem bola, perdendo a sua referência posicional com a restante linha defensiva, um problema que o próprio Paulo Oliveira denotou pontualmente, embora este me pareça ter feito um jogo muito mais positivo do que os seus companheiros de sector. No meio campo, Adrien voltou a ter um péssimo desempenho técnico com bola num jogo grande, algo que é recorrente na sua carreira e que se torna algo complicado de explicar, sendo certo que tal limitação torna muito mais difícil a afirmação da equipa no jogo. Na frente, nota para Montero e para o entendimento limitado que tem do jogo, penalizando muito a equipa sempre que tem pela frente um contexto em que é fundamental ser agressivo no ataque à profundidade (e é neste contexto que mais falta faz Slimani, e não perante equipas com um bloco mais baixo). O colombiano é obviamente um jogador muito dotado tecnicamente, o que o torna muito complicado de controlar em certas situações, mas por outro lado denota uma espécie de autismo perante certos contextos de jogo, negligenciando constantemente a oportunidade e importância que podem ter os seus movimentos sem bola. Na minha perspectiva, teve tudo para assumir um papel decisivo na fase inicial da partida, onde a equipa potenciou várias situações onde tinha tudo para atacar rapidamente a profundidade, mas a sua referida limitação na leitura de jogo nesse tipo de situações, transformaram o seu contributo numa completa nulidade.

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27.2.15

Notas da Champions

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- Começo pelo jogo entre Man City e Barcelona, talvez o mais aguardado dos oitavos de final. Mais do que o resultado, não surpreende a superioridade dos catalães, um pouco na linha do que venho escrevendo nas últimas semanas. Não surpreende, mas é surpreendente que não surpreenda. Isto é, não há nenhum motivo pelo qual se possa considerar normal que um projecto com o investimento que tem tido o Man City se encontre, tantos anos e milhões de libras depois, tão longe do ponto mais alto do futebol europeu. Não sendo um admirador especial do futebol de Pellegrini, também me parece que as suas ideias têm muito mais conteúdo do que as que tinha Mancini. No entanto, isto não quer dizer que Pellegrini esteja a representar um avanço significativo relativamente ao seu antecessor. É que por muito que não se gostasse daquilo que fazia a equipa de Mancini, parece-me indiscutível que com ele o City evolui muito mais do que com o seu sucessor. Porquê? Basicamente, porque com Mancini - e mesmo se nem todos os reforços foram bem sucedidos - os milhões foram canalizados para unidades como Aguero, David Silva, Nasri ou Yaya Touré, que continuam a ser ainda hoje as principais unidades da equipa. Com Pellegrini, a torneira não secou, mas os milhões passaram a ser canalizados para jogadores como Mangala, Fernandinho, Alvaro Negredo ou Jovetic (Referencio propositadamente estes 4 porque, incrivelmente, o valor total despendido na sua aquisição é mais ou menos o mesmo do que aquele que foi preciso para contratar os outros 4, acima mencionados). Talvez o óbvio seja pouco interessante, mas no futebol ninguém pode fazer - nem de perto, nem de longe - tanta diferença como os jogadores, e por isso as escolhas que são feitas a esse nível continuam a ser o que mais e melhor define o sucesso ou insucesso das equipas.

- A grande surpresa veio, sem dúvida, do Emirates. Não vou falar muito do jogo, porque não o vi com detalhe, mas posso falar das equipas, porque as acompanho com bastante regularidade. Começando pelo Arsenal, que é o caso que mais me intriga, não vou dizer que se tenha tratado de um desfecho previsível (o Arsenal tem obviamente muito melhores recursos do que o Mónaco!), mas posso sem dúvida afirmar que esta enésima versão que Wenger montou nos Gunners, será das mais desapontantes de sempre. Desapontante, porque é impossível não reconhecer qualidade a jogadores como Ozil, Alexis ou Cazorla, mas ao mesmo tempo o Arsenal de hoje deverá ser também dos que mais dificuldades têm em assumir o domínio territorial do jogo, mesmo no plano interno. Por exemplo, no fim de semana passado a equipa fez um jogo horrível no derby com o Crystal Palace, vencendo é certo, mas passando quase todo o tempo a ser remetida para o seu extremo wreduto por uma equipa que lhe é francamente inferior. A reputação herdada do passado faz com que ainda vejamos o Arsenal a ser retratado como uma equipa de futebol atractivo e ofensivo, mas a verdade é que a equipa de Wenger não faz sequer juz ao potencial técnico que tem ao seu dispor, e hoje é obrigada a defender com muito mais frequência do que se poderia esperar, fazendo-o com muita gente envolvida, mas nem sempre necessariamente bem.
Quanto ao Mónaco, Leonardo Jardim tem de facto feito um trabalho fantástico, nomeadamente na Champions. No entanto, esta não é nem por sombras uma equipa brilhante. Mesmo a nível interno, o Mónaco tem muitas dificuldades em superiorizar claramente em relação à generalidade das equipas da Ligue 1, tendo quase sempre de trabalhar muito para conquistar os pontos que ambiciona. Diria que o Mónaco é uma equipa que se organiza bem e tem uma boa atitude competitiva e que por isso sabe sofrer quando precisa, sem dúvida, mas diria também que sofre mais do que aquilo que seria desejável, e que por isso dificilmente poderá lutar por um lugar no top 3 do seu campeonato interno, por muitos elogios que a sua trajectória europeia possa merecer.

- Continuando na onda das surpresas, ainda que esta seja na minha leitura apenas meia surpresa, tivemos ainda a vitória do Leverkusen, que complicou muito o apuramento do Atlético. Digo meia surpresa, porque mesmo se era do lado dos madrilenos que estava o favoritismo, claramente não me parece que fosse razoável esperar que o Atlético conseguisse uma grande superioridade frente a uma equipa cujo nível técnico não é assim tão diferente do seu. Já o escrevi - inclusivamente no ano anterior - que por muito mérito que os extraordinários feitos do Atlético possam ter, não se pode descontextualizar a verdadeira realidade da equipa, colocando-a por exemplo no mesmo patamar que Real Madrid ou Barcelona. E, a este respeito, recupero aqui boa parte do raciocínio que partilhei acima a propósito do Man City e da sua evolução qualitativa. No caso do Atlético, a sua organização e intensidade deverão continuar a servir de garantia de qualidade para o futuro, mas a equipa só poderá verdadeiramente aproximar-se dos melhores se for conseguindo paralelamente melhorar o seu plantel, particularmente com jogadores que lhe permitam ter mais tempo a bola e com qualidade. Ora, se o Atlético tem conseguido substituir relativamente bem os jogadores que têm saído - mesmo que algumas diferenças existam - tem também sentido muitas dificuldades em acrescentar aos seus quadros jogadores que possam contribuir para o tipo de evolução a que me estou a referir. Em concreto, parece-me que a equipa continua a depender em demasia do rendimento de Arda Turan para conseguir aumentar a sua qualidade de envolvimento com bola, e quando o turco não está ou não está bem, não há mais ninguém, o potencial do Atlético diminui significativamente. Mais uma vez, são os jogadores e a sua qualidade que podem determinar, ou não, a grande parte da evolução de cada equipa. Mesmo no caso que possivelmente mais contraria esta ideia...

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20.2.15

Notas da semana (Porto, Champions e Sporting)

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- Em Basileia, o Porto terá realizado uma exibição que me parecer dizer muito daquilo que é, e tem sido, a equipa de Lopetegui. Grande capacidade para se impor no jogo, dominando o adversário quase que por completo, num registo que julgo ser muito meritório e ao alcance de um número não muito extenso de equipas. Por outro lado, este domínio não tem correspondência na capacidade criativa da equipa no último terço, sobrando a ideia de que as suas dinâmicas poderiam oferecer mais a esse nível. O já muito discutido problema jogo interior (ou melhor, da falta dele), claro, mas não apenas isso, como também já escrevi. Há, porém, outro ponto que vem marcando muito a trajectória desta equipa, e que tem penalizado de forma decisiva as suas aspirações. Refiro-me, à facilidade com que a equipa sofre golos, perante tão pouca exposição defensiva. Foi assim frente ao Benfica, frente ao Marítimo e agora também em Basileia, complicando uma eliminatória que poderia nesta altura estar já muito mais bem encaminhada. É difícil perceber até que ponto este é um problema que deriva da simples aleatoriedade do jogo, ou de algo que possa denunciar uma tendência da própria equipa, mas eu tendo a valorizar mais a primeira hipótese...

- Em relação à Champions 2015, que arranca agora para a sua fase decisiva, a minha perspectiva é que existem três equipas com mais hipóteses de sair vitoriosas do que as outras. Em primeiro lugar, o Barcelona, que como já escrevi me parece claramente a melhor equipa do futebol europeu nesta altura, e depois Bayern e Real Madrid. O Bayern, pelo potencial técnico, mas também pela mais valia que representa ter Guardiola na liderança, o que faz com que dificilmente alguma equipa poderá dominar um jogo contra os bávaros (teria a curiosidade de ver um confronto Bayern-Barça, a este propósito). O Real, porque apesar de ser uma equipa a meu ver não muito optimizada do ponto de vista colectivo, tem simplesmente um conjunto de jogadores fantástico, com quem apenas o Barcelona rivalizará. Há, na minha leitura, duas ou três formações que se poderiam aproximar bastante deste trio, dado o potencial técnico que possuem, mas que não creio que estejam colectivamente preparadas para tal. Casos de PSG ou Man City, por exemplo. Assim, fora dos três candidatos que distingui, parece-me que pode haver um grande equilíbrio, incluindo aqui também o Porto, que me parece ter a consistência suficiente para se bater de igual para igual (ou muito próximo disso) com a generalidade das formações ainda em prova.

- Em foco na semana, e sobretudo por resultados menos positivos, esteve o Sporting. Como os dois jogos me parecem bastante diferentes, penso que fará sentido separá-los, começando pelo do Restelo. Estou de acordo, e parece-me pouco discutível, que o Sporting terá feito um jogo pouco inspirado, mas também não me sobram grandes dúvidas de que a veemência das criticas à equipa resultam essencialmente do resultado, e não tanto da exibição. No futebol, e apesar de sistematicamente ouvirmos o contrário, são os resultados que ditam praticamente tudo, e nem os próprios protagonistas conseguem fugir à sua influência. O exemplo, é a própria análise de Marco Silva ao jogo, assim como as suas substituições ao intervalo, a meu ver sem grande justificação para tal. Será que se Montero ou William tivessem convertido as boas oportunidades de que desfrutaram nesse período, Marco Silva teria sido tão cáustico na sua análise ao desempenho da primeira parte, e teria feito as substituições que fez? Mesmo estando num domínio apenas conjectural, eu arriscaria claramente que não. Assim como não me parece que houvesse grandes criticas à equipa se esta tivesse sido mais eficaz relativamente às ocasiões criou. Não foram muitas, é certo, mas também é inegável que o Sporting conseguiu ser uma equipa bastante dominadora num jogo frente a um dos adversários mais fortes do contexto nacional, e que a exibição que produziu não terá sido assim tão inferior a outras que terminaram com os 3 pontos para a equipa de Marco Silva. O resultado, reforço, dita quase tudo no que respeita aos sentimentos e análises pós-jogo.
O jogo frente ao Wolfsburgo foi, obviamente, diferente. O Sporting revelou capacidade para ter bola, não se submetendo a um domínio demasiado acentuado em termos de presença territorial, mas é por outro lado uma equipa que se continua a revelar muito frágil em termos defensivos. Seria, a meu ver, bastante mais desculpável se a equipa tivesse sido exposta em situações de bola parada ou transição, que podem sempre acontecer num determinado jogo, mas o que se passou foi que o Wolfsburgo conseguiu de forma demasiado fácil expor o Sporting no momento de organização, onde normalmente quem defende encontra mais condições para ser bem sucedido. Nomeadamente, os movimentos de De Bruyne foram sempre mal controlados pelo bloco defensivo, que repetidamente permitiu que o belga recebesse em zonas onde tinha condições para criar vantagem, pagando o Sporting bastante caro por essa e outras fragilidades. É um mal que acompanha o Sporting desde o inicio de temporada, e aquele que na minha leitura mais prejudicou as aspirações da equipa em todas as frentes onde jogou. O Sporting é uma equipa que consegue ter bons períodos de posse de bola e que por isso não tem de defender muito (especialmente a nível interno, onde o diferencial técnico é enorme para a generalidade das equipas), mas consente demasiadas ocasiões para o tempo que passa no processo defensivo e, como referi, isso tem sido o seu maior e mais custoso pecado em toda a época, tendo a ver na minha perspectiva com a qualidade dos seus processos colectivos e não com as qualidades dos individuais dos seus jogadores, que me parece ser a teoria mais em voga.

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13.2.15

5 jogadas (Intensidade, Atlético-Real, Sporting-Benfica)

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Jogada 1 - O primeiro golo do Atlético, na surpreendente goleada aplicada ao Real, é um bom exemplo de como a equipa de Simeone envolve várias unidades no processo ofensivo, mesmo sendo uma equipa muito forte na transição defensiva. Este é um aspecto que me parece interessante na análise que deve ser feita a esta equipa, que tanto sucesso tem tido e durante tanto tempo. Isto porque o que vemos várias vezes é as equipas envolverem mais ou menos jogadores nos momentos de organização, ofensivo ou defensivo, conforme o enfoque que pretendem dar ao momento de transição subsequente. Um desses casos será o do Real Madrid, que tende a envolver menos gente no processo defensivo, tentando tirar depois partido do momento de transição ofensivo. O objectivo, segundo este paradigma, é defender/atacar melhor com menos jogadores nos momentos de organização, para depois tirar partido do momento de transição seguinte. Por aqui se percebe a diferença do Atlético a este respeito, já que sendo uma equipa reconhecidamente muito forte nos momentos de transição, não deixa de envolver normalmente muita gente nos dois momentos de organização, o que ajuda a explicar o porquê do seu sucesso transversal, tanto perante equipas mais fortes como na generalidade dos jogos da liga interna. A resposta está, evidentemente, na intensidade, que é também a chave de quase todas as jogadas que estão neste vídeo. Já agora, fica a minha questão sobre este tema: será que é mesmo possível defender/atacar bem e sustentadamente com menos unidades? Ou será que o melhor que se pode conseguir é defender/atacar menos mal? Se olharmos apenas para os casos de Real e Atlético, claramente é esta segunda tese que sai reforçada...

Jogada 2 - Mais uma vez Tiago, figura principal deste jogo. Aqui, fica realçada a sua intensidade defensiva, na reacção a uma situação de jogo onde o Real Madrid consegue o raro feito de abordar a zona de finalização em muito boas condições para se conseguir aproximar seriamente do golo. Este movimento do médio português pode parecer relativamente trivial, mas a verdade é que é muito comum vermos equipas de topo a não revelar grande relação intersectorial, nomeadamente com os médios a negligenciar os desequilíbrios que são criados pontualmente na linha defensiva. Aliás, já várias vezes trouxe aqui exemplos desse tipo, sendo este mais um ponto por onde se pode perceber o sucesso colectivo do Atlético.

Jogada 3 - De novo, a intensidade dos jogadores do Atlético - com Tiago também novamente em destaque - no ataque às zonas de finalização. Aqui, e já com uma vantagem de 2 golos no marcador, o Atlético não deixa de colocar unidades no processo ofensivo e na zona de finalização, acabando por criar uma vantagem gritante na resposta ao cruzamento. É claro que a expressividade da vitória colchonera não se pode explicar apenas por aqui, sendo nomeadamente de sublinhar a notável e muito rara capacidade para neutralizar o ataque tão poderoso como é o do Real, mas a verdade é que são inúmeros os lances neste jogo a revelar o enorme desnível de intensidade na reacção dos jogadores às mudanças circunstanciais que o jogo ofereceu. Aliás, se da parte do Atlético já não há muito para dizer em relação à capacidade que a equipa tem tido em superar aquelas que seriam as suas expectativas normais (volto a sublinhar aqui o tempo e regularidade com que o vem conseguindo), também devo dizer que não consigo compreender alguns elogios feitos ao trabalho de Ancelotti no Real (sobretudo depois de ter vencido a Champions 2014), que me parece pouco mais do que banal, tendo em conta os recursos ao seu dispor.

Jogada 4 - Sobre o derbi de Lisboa, um primeiro comentário ao facto do Sporting ter conseguido muito poucas ocasiões claras de golo, tendo em conta o ascendente que conseguiu e as jogadas que construiu até à zona de finalização. Aqui, parece-me haver algum demérito da equipa de Marco Silva, sendo no entanto primeiro importante fazer uma contextualização relativamente às dificuldades que o processo defensivo do Benfica criou. Boa parte da qualidade da organização defensiva do Benfica resulta do bom trabalho que a sua linha defensiva realiza na dicotomia entre encurtar o espaço interior e controlar o risco de exposição na profundidade. Neste sentido, é normal e expectável que o Sporting tenha tido dificuldades em fazer uso do seu jogo interior, precisamente porque é isso que a boa organização defensiva consegue condicionar. Face a este cenário, e a lógica continua a ser relativamente trivial, seria importante que o Sporting conseguisse ter boa capacidade de explorar a profundidade, porque esse é precisamente o risco que Benfica assume ao defender desta forma. Fosse de uma forma mais directa, através de lançamentos para as costas da linha defensiva, o que raramente resultou, quer por mérito do Benfica como por algum demérito do Sporting (nomeadamente, parece-me, por algum desajuste das características de alguns dos seus jogadores a esse tipo de movimento), fosse de uma forma mais indirecta, nomeadamente aproveitando o espaço nos corredores laterais para obrigar a linha defensiva a baixar e defender dentro da sua área. E foi precisamente por esta segunda via que o Sporting conseguiu várias vezes causar problemas ao Benfica, encontrando boas condições para colocar a bola na zona de finalização, muitas vezes com a defesa do Benfica ainda a recompor-se posicionalmente. O problema do Sporting, porém, foi que repetidamente - e o lance no vídeo é apenas um dos exemplos deste problema - os seus jogadores não conseguiam ter uma boa presença na área, sobretudo por algum défice de intensidade e agressividade neste tipo de movimentos. O lance incluído no vídeo é um bom exemplo deste problema, no caso com Montero a não conseguir acompanhar a velocidade do lance, apesar de ser à partida o jogador a dar mais profundidade no corredor central, (João Mário era quem estava mais atrasado, nesta ocasião). Não se trata de uma questão de velocidade, mas de concentração e percepção para este tipo de movimentos. Intensidade, portanto. Já agora, no lance do golo do Sporting é bem ilustrada a importância que a profundidade posicional (no caso, de João Mário) pode ter perante uma defesa como a do Benfica, precisamente pelo tipo de risco que esta assume para tentar encurtar o espaço interior do adversário.

Jogada 5 - O lance do dramático golo do Benfica é essencialmente determinado pela aleatoriedade própria do jogo, mas há também alguns registos a ter relativamente à reacção de alguns dos protagonistas. E, de novo, a intensidade com que estes abordam o lance e a sua mudança de circunstâncias, é decisiva. Primeiro, Jonas, que como lhe é característico antecipa a oportunidade do lance, sendo o mais lesto a reagir, e a ganhar vantagem por isso. Depois, a diferença entre William e Jardel, que partem sensivelmente da mesma zona. Enquanto que Jardel parte de imediato para a zona de finalização, William permanece pouco reactivo, acabando por não proteger a zona onde precisamente Jardel acaba por finalizar com sucesso. Mais uma vez, não é uma questão de velocidade, mas de concentração e percepção da importância que a sua reacção pode vir a ter, mesmo não sendo certa a sua utilidade. Há uma semana trouxe o exemplo positivo de Cedric, numa jogada em Arouca, e desta vez foi essa mesma intensidade que faltou a William para que a sua boa exibição nos 90 minutos não tivesse terminado com um amargo empate em cima do apito final.

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9.2.15

Notas do Sporting - Benfica

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- Quanto ao jogo creio, julgo que tal como a maioria, que foi uma partida onde foi o Sporting quem mais fez por merecer a vitória, pelo ascendente que conseguiu impor, mas onde o Benfica fez valer também a sua boa organização defensiva, o que culminou numa partida praticamente sem ocasiões à excepção dos próprios golos. 0-0 ou 1-0 talvez fossem os resultados mais certos, mas esse é um conceito que o futebol por natureza tende a desrespeitar.

- Sobre o Sporting, e se tinha dúvidas em relação à capacidade de resposta em alguns aspectos de pormenor mas que poderiam ser decisivos, não me parece de todo surpreendente que a equipa se tenha conseguido superiorizar ao Benfica em termos de ascendente ofensivo. De elogiar, neste sentido, o pouco risco assumido pelos jogadores mais defensivos, o que pode não ter contribuído para uma maior expressividade do jogo ofensivo - nomeadamente, em termos de construção - mas terá certamente sido importante para a seca de acções ofensivas por parte do Benfica, nomeadamente em transição. A este respeito, de resto, dizer que o golo mais não é do que um acidente, de probabilidade muito reduzida nas condições em que ocorreu (na verdade, há que dar também algum mérito a Jonas pela qualidade técnica com que baixou a bola dentro da grande área), e que não vejo qualquer motivo para que se perca muito tempo a discutir o tema. Ainda a propósito da tão abordada questão dos centrais, e mesmo se não concordo com algumas contratações como as de Naby Sarr ou Ewerton (por diferentes motivos, note-se), creio que o Sporting tem abordado correctamente a questão ao não entrar no equívoco de investir muito dinheiro em jogadores com mais currículo e experiência. Já escrevi que pode ser cedo de mais para lançar Tobias, mas é bem mais compreensível esse risco do que canalizar verbas orçamentais importantes para contratar jogadores supostamente experientes para a posição, mas que na verdade pouca diferença fazem em relação à estabilidade defensiva da equipa, que é sobretudo definida pela qualidade do processo defensivo como um todo, e não tanto pela experiência individual dos defensores. Aliás, o próprio passado recente do Sporting é um excelente exemplo disto. Nota menos positiva, claro, para o mau aproveitamento do domínio ofensivo que a equipa conseguiu exercer. A este respeito, duas notas específicas, e ambas que têm a ver com algum défice de agressividade nos movimentos sem bola. A primeira, para a incapacidade dos médios protagonizarem movimentos de rotura que pudessem tirar partido da profundidade que a linha do Benfica oferecia perante a construção do Sporting. A equipa tentou-o várias vezes, e havia de facto essa oportunidade, mas raramente o conseguiu fazer com a eficácia desejada. Ainda assim, e apesar deste primeiro problema, o Sporting conseguiu um número substancial de abordagens em boas condições à zona de finalização, nomeadamente através dos corredores laterais. O que se observou recorrentemente, porém, é que às acções de aceleração que criavam desequilíbrios nas alas, não correspondia depois a mesma velocidade nos movimentos sem bola para garantir presença na zona de finalização. E aqui é incontornável falar-se da ausência de Slimani, nomeadamente por ser este o aspecto na minha opinião mais fraco em Fredy Montero, que com demasiada frequência não se oferece como solução de finalização em acções de ataque mais rápido.

- Sobre o Benfica, a grande nota na minha opinião tem a ver com a qualidade do onze apresentado, que me parece bastante aquém do que a equipa apresentou nos últimos anos. Aliás, fala-se recorrentemente da menor capacidade dos recursos individuais do Sporting, mas francamente parece-me que o Benfica se apresentou com uma equipa em nada superior ao seu rival, antes pelo contrário creio que era o Sporting quem tinha melhores condições individuais para se impor no derbi, e foi isso que acabou por acontecer. E desta constatação não resulta apenas uma ameaça para o presente ou futuro imediato. Se o Benfica conseguiu encurtar a diferença para o Porto nos últimos anos, foi essencialmente (e que não haja equívocos sobre isto!) porque se foi conseguindo reforçar com qualidade no mercado. O que tem acontecido recentemente é que essa capacidade não se tem mantido nos últimos anos, e aos jogadores que têm saído não têm correspondido entradas com a mesma qualidade. E aqui não colhe a justificação das saídas milionárias, primeiro porque não tem sido por falta de investimento que o Benfica não se tem reforçado melhor, e depois porque a natureza do modelo de gestão do Benfica passa precisamente por ser capaz de vender mais caro e comprar mais barato, sem perder qualidade ao longo do tempo. Sem qualidade nas escolhas que são feitas, o modelo estará essencialmente condenado à ruína. Resta, no fim disto tudo, elogiar a qualidade da organização defensiva da equipa - e aqui sim, o Benfica ganha uma vantagem importante sobre o Sporting na corrrida ao título - que tem sobretudo a ver com o cunho pessoal do seu treinador. Veremos, a este respeito também, se essa será uma mais valia com que o Benfica continuará a contar nos próximos anos...

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