17.4.15

Notas da semana (Champions e Premier League)

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- Há alguns meses partilhei aqui as minhas expectativas elevadas relativamente ao desempenho do Porto nesta fase terminal da Champions, e depois deste jogo acredito que a equipa de Lopetegui já terá superado aquilo que praticamente todos esperavam dela nesta competição. Pessoalmente não faço uma valorização excessiva do jogo, que foi de facto muito bem conseguido por parte da equipa portista, nomeadamente no aproveitamento de algumas fragilidades especificas do Bayern, mas que na minha leitura foi também muito marcado por dois lances no arranque da partida e que definiram a vantagem azul-e-branca. Relativamente à eliminatória, diria que o Porto conseguiu para já o difícil feito de anular o favoritismo bávaro, mas não iria mais longe do que a divisão de possibilidades para que cada equipa esteja presente nas meias-finais. Vencer o Bayern foi já de si um grande feito, mas sobra ainda ao Porto a difícil tarefa de sobreviver à segunda mão frente a uma equipa que, é bom não esquecer, era colocada por muitos como a principal favorita ao título europeu, nomeadamente à frente de super equipas como Barça e Real. Espera-nos um grande jogo, portanto!

- Ainda sobre o Bayern, havia escrito aqui a propósito da recente derrota frente ao Monchengladbach, onde a equipa revelou enormes dificuldades, sobretudo após a saída de Robben. No mesmo sentido, também já havia partilhado aqui as minhas dúvidas relativamente aos riscos que o modelo de jogo da equipa assume, nomeadamente por me parecer que a competição interna pode não servir de teste para os desafios que o nível de exigência da fase final de Champions. No entanto, não posso deixar também de escrever que a equipa realizou um excelente jogo no fim de semana, na minha opinião dos mais conseguidos por parte da equipa de Guardiola esta temporada, mesmo sem ter Robben e Ribery. Ao contrário do que acontecera na tal derrota frente ao Borussia, o Bayern foi capaz de criar alternativas à ausência dos seus principais desequilibradores, nomeadamente usando mais o corredor central, parecendo estar a responder bem às ausências importantes que afectam a equipa nesta altura. E isto serve tanto para reforçar o mérito do Porto, como para alertar de novo para a exigência da segunda mão. É evidente, porém, que por muito bem que a equipa reaja colectivamente, será sempre muito complicado manter o potencial e a capacidade de desequilíbrio perante a privação de duas unidades como Robben e Ribery, e isso parece-me uma ideia praticamente incontornável.

- Ainda nos quartos-de-final da Champions, nota para o duelo madrileno. O caso do Atlético nos tempos mais recentes é excepcional a todos os níveis, e coloca-nos também perante algumas questões interessantes e bastante invulgares. Por exemplo, que importância poderíamos atribuir aos vários duelos que estas equipas já travaram esta época, onde o Atlético saiu sempre por cima, na projecção desta eliminatória? Normalmente, o Real seria um favorito indiscutível, se tivermos em conta a diferença de potencial ofensivo que as equipas revelam semana após semana, mas será mesmo assim tão claro? Uma coisa é certa, pouca gente se dirá surpreendida se a equipa de Ancelotti sair já de cena nesta prova, e aqui incluo também aqueles que menos apreciam o futebol da equipa colchonera. Sobre o momento das duas equipas em causa, diria que não pode surpreender o ascendente do Real na primeira mão, tanto mais que a presente fase do Atlético não me parece ser a melhor. Ainda assim, e volto de novo ao que escrevi acima, não seria uma grande surpresa se o Atlético conseguisse aquilo que para quase todos é uma tarefa praticamente impossível, ou seja neutralizar um dos ataques mais poderosos da história do jogo.

- Uma referência, ainda, para o duelo entre Mónaco e Juventus, cuja primeira mão não pude acompanhar com detalhe. Primeiro, para fazer notar que a equipa de Leonardo Jardim me parece hoje mais forte do que numa fase mais inicial da temporada. Aliás, numa das últimas vezes que escrevi sobre a equipa, referi que dificilmente iria entrar na luta pelos 3 primeiros lugares da Ligue 1, e a verdade é que me terei equivocado nessa projecção. Em parte, pela tal evolução da equipa, que hoje me parece mais capaz do que há alguns meses, e também pela quebra do Marselha, que é também uma equipa interessante, por bons e maus motivos. Sobre a Juventus, infelizmente hoje não basta ser claramente a melhor equipa italiana para que se seja também um dos mais fortes candidatos ao título europeu. Já lá vai esse tempo...

- Nota final para a Premier League, cujas principais equipas ficaram de fora das contas finais da Champions. O jogo grande da semana foi o derby de Manchester, cujo resultado me parece exagerado para aquilo que as duas equipas fizeram. De novo, não pude deixar de reparar na forma como o City se defende, parecendo alicerçar todo o seu processo defensivo no nervo da sua última linha. A opção é sempre aguentar a linha e esperar que o adversário se deixe apanhar no fora-de-jogo, exista ou não pressão sobre o portador da bola. Questionável, no mínimo. De resto, a esse nível também do outro lado se viram alguns lances em que a linha defensiva foi exposta ao mesmo problema, denotando semelhantes dificuldades de comportamento. É interessante este pormenor entre as principais equipas da Premier League, porque o Chelsea tem uma abordagem comportamental bem diferente, tendo-se dado bastante melhor com ela ao longo da época (o que não prova nada, note-se). A propósito, a equipa de Mourinho fez uma exibição sofrível do ponto de vista ofensivo - o que não é tão invulgar como a classificação faz crer - frente ao QPR, mas ao contrário do que tem acontecido aos seus principais rivais, soube também manter-se relativamente a salvo de grandes sobressaltos defensivos e acabou por resgatar os 3 pontos num já improvável golo tardio onde a mais valia individual dos seus jogadores veio ao de cima.

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9.4.15

Análise Bolas Paradas, Liga 14/15

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Partilho uma análise sobre as ocasiões criadas através de lances de bola parada, na Liga Portuguesa 14/15.
O primeiro e mais óbvio destaque vai para a diferença do aproveitamento do Benfica para os mais directos rivais neste aspecto específico do jogo. Aliás, a diferença é de tal forma expressiva que poderemos considerar este um ponto chave na vantagem que a equipa de Jesus conseguiu materializar na tabela classificativa, sobretudo relativamente ao Porto, mas também relativamente ao próprio Sporting. Isto, no capítulo ofensivo, como é evidente.
Como nota comparativa, e relativamente à época anterior, ficam os valores dos 3 grandes nos 30 jogos do campeonato de 13/14: Benfica, 30 ocasiões, 9 golos; Porto, 27 ocasiões, 12 golos; Sporting, 26 ocasiões, 13 golos. Ou seja, nesta comparação o Benfica é também quem fica mais a ganhar face ao aproveitamento de 13/14, onde já havia sido a equipa com mais ocasiões criadas por esta via, mas desta vez com um aproveitamento efectivo bastante superior. Quanto a Porto e Sporting, o aproveitamento tem sido francamente inferior, como os números bem documentam.

Por fim, duas notas mais sobre esta análise e a leitura que na minha opinião deve ser feita dela. Primeiro, relativamente ao facto de ser normal que equipas com menos capacidade de imposição nos restantes momentos do jogo acabem por ter maior % de ocasiões de golo por esta via (ainda que em termos absolutos, sejam as equipas mais dominadoras que mais vantagem teórica têm). Depois, para o facto de ser obviamente importante o trabalho colectivo que é feito em cada clube, e em particular para o trabalho dos treinadores, com Jesus a merecer uma nota de realce pela grande qualidade e versatilidade que a sua equipa apresenta nestes esquemas tácticos (não é fácil de encontrar melhor, mesmo no plano europeu). No entanto, é também muito importante o papel dos jogadores, e a título de exemplo fica o caso de Marco Silva, que no ano anterior tinha conseguido no Estoril equiparar-se ao Benfica no número de ocasiões criadas através de lances de bola parada, mas que este ano não evitou um desempenho muito modesto a este nível, no Sporting.

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2.4.15

Liga 14/15 - Ranking desequilibradores (J26)

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Já em plena recta final do campeonato, deixo aqui o ranking dos jogadores que mais desequilibraram na prova até ao momento. Sobre a tabela apresentada, nota para o facto de ela estar centrada em ocasiões claras de golo criadas ou finalizadas, e que a classificação considera dados absolutos, ou seja que não relativizam o tempo de jogo ou o contexto colectivo de cada o jogador. Como medida de prestação relativa, introduzi dois indicadores, que oferecem uma ideia da frequência de desequilíbrio e participação directa em golos de cada jogador, por cada período de 90 minutos jogados (OC+OF/90' e A+GM/90').

Quanto aos resultados, sem surpresa o destaque vai para Jackson, que repete o protagonismo da época passada neste tipo de análise. No mesmo sentido do que sucedeu em 13/14, ao avançado colombiano do Porto segue-se um conjunto de jogadores do Benfica, com as prestações relativas de Gaitan e Jonas em destaque. No que respeita ao Sporting, destaque para Slimani, que foi o segundo jogador com mais ocasiões de golo finalizadas, apesar de ter uma quantidade muito reduzida de minutos, e para Carrillo que se tem conseguido aproximar de Gaitan no que ao número de ocasiões criadas diz respeito. Nota, finalmente, para o facto de constarem nesta lista vários jogadores que se destacaram na primeira metade da temporada, mas que entretanto abandonaram as respectivas equipas, o que diz bem da dificuldade das equipas médias da liga portuguesa em manter os principais jogadores, mesmo dentro da mesma temporada. 

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26.3.15

Notas da semana (Benfica, Porto, superclásico, Bayern)

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- Começo pela derrota do Benfica em Vila do Conde, que abriu um pouco mais a luta pelo título, ainda que bem menos do que à partida se poderia supor. O Benfica não fez, de facto, um jogo muito bom em termos ofensivos, ainda assim não partilho de todo do pessimismo em torno da exibição da equipa encarnada, uma ideia que como sempre me parece ter grande influência da carga emotiva que o desfecho negativo acarreta consigo. Há, na exibição do Benfica, alguns pontos que me parecem interessantes de analisar, desde a forma como a equipa não produziu o que seria desejável em termos ofensivos, até às dificuldades defensivas que acabaram por ditar a surpreendente reviravolta na segunda parte. E é mais sobre este último ponto que me quero debruçar, porque ao contrário do que seria normal os vários desequilíbrios a que a defensiva encarnada foi exposta não resultam tanto de uma grande dificuldade do bloco defensivo, como um todo, mas de um estranho mau desempenho individual de alguns dos seus jogadores, com os centrais em destaque. De resto, e retirando aqui o lance do primeiro golo, o Benfica começa por sentir dificuldades de controlo na resposta aos pontapés longos ("longos", neste caso até soa a eufemismo!) de Ederson, o que não deixa de ser uma abordagem ofensiva primária e em princípio fácil de anular, por muito invulgar que seja o alcance do pontapé do guarda redes brasileiro. Estranho, portanto, as dificuldades sentidas neste ponto específico, assim como estranho a forma como Luisão se deixou bater por Zeegelaar, também numa abordagem ofensiva relativamente primária, e que acabou com Del Valle isolado na frente de Júlio César, ou a forma como a defesa do Benfica não reagiu de forma coordenada (como é seu hábito, note-se) no lance que culmina na expulsão de Luisão. Por fim, era perfeitamente evitável, também, a precipitação de Maxi no lançamento lateral que está na origem do segundo golo. Seria interessante trazer a visualização de todos estes lances, mas por falta de tempo não o vou poder fazer, ficando no entanto a minha nota pessoal em relação à importância que me parece ter tido o mau desempenho individual dos defensores encarnados nesta derrota.

- Uma nota sobre o jogo que se seguiu à derrota do Benfica, com o Porto também a perder pontos na sua deslocação à Choupana. O Porto foi superior ao Nacional, mas outra coisa não seria de esperar tendo em conta as diferenças de recursos das equipas. A questão está mais, a meu ver, nas dificuldades de controlo defensivo da equipa de Lopetegui, o que contrasta bastante com o registo característico da equipa, em especial no plano interno. Referência, a este propósito para o lance do golo do Nacional (corro aqui o risco de sobrevalorizar um lance pontual), e para a importância que em parece ter Casemiro em termos defensivos para a equipa. Já referi há muito que o brasileiro tem uma capacidade de intervenção notável e que isso ajuda muito o Porto a filtrar as iniciativas ofensivas contrárias, tanto mais que o trabalho defensivo dos seus extremos não é propriamente o mais abnegado.

- Incontornável, nesta semana, o "superclásico". Há sempre inúmeras formas de olhar para um jogo de futebol e este não será excepção, mas eu não consigo começar por destacar outra coisa que não seja o entretenimento que estas duas equipas proporcionam aos vastos milhões de espectadores que param para os ver actuar. Talvez mais do que nunca, um duelo entre Real e Barça é um jogo equilibrado, de parada e resposta, e com superioridade constante dos ataques relativamente às defesas, o que faz deste não só um jogo de desfecho imprevisível, mas igualmente com uma expectativa muito elevada de golos. Ora, estas são características que raramente se vêm combinadas de forma tão expressiva num campo de futebol. Talvez Real e Barça pudessem ser melhores enquanto colectivo - ainda que me pareçam as duas equipas mais fortes do futebol actual - mas quanto ao entretenimento não me parece que fosse justo pedir mais!

- Uma nota também sobre a derrota do Bayern, que decorre obviamente de uma combinação improvável de factores. Ainda assim, nota para as dificuldades da equipa de Guardiola na abordagem ao último terço, não conseguindo ser consequente relativamente ao domínio territorial que impôs. Não se pode, aqui, dissociar deste facto a ausência de Ribery ou a saída por lesão de Robben, com menos de 25 minutos de jogo. Sem maior capacidade individual ao seu dispor, o Bayern protagonizou uma chuva de cruzamentos exteriores, alguns mesmo de posições frontais e sem grande presença na área. A equipa de Guardiola continua a parecer-me uma das mais fortes, mas não a consigo colocar ao nível de Barça e Real em termos de recursos individuais e esse, como sempre, parece-me o ponto que mais diferença pode fazer...

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19.3.15

Liga 14/15: Probabilidades para a classificação final

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A 9 jornadas do final, deixo aqui mais uma projecção das probabilidades relativamente à classificação final do campeonato. Apesar de cada equipa ainda ter ao seu dispor 27 pontos, e de acordo com esta análise, grande parte das decisões do campeonato parecem já bastante condicionadas e o mais provável é que tenhamos poucas alterações de maior até ao final da prova. Ora, isto não quer dizer que o campeonato venha a perder interesse mediático nesta recta final, até porque como bem sabemos a emotividade da crença dos adeptos sobrepõe-se invariavelmente à racionalidade de análises como a que estou a partilhar. Aqui ficam algumas notas sobre cada um dos "pontos quentes" da tabela... 

Título: A vantagem com que o Benfica entra para esta recta final do campeonato afigura-se, sem surpresa, como bastante difícil de anular por parte do Porto. Não impossível, obviamente, mas difícil. Note-se que a análise apresentada pressupõe que os dois rivais têm uma valia desportiva idêntica, o que é naturalmente discutível. Referência ainda para o elevado número de pontos destas duas equipas, sendo possível que se bata o recorde pontual do campeonato português (naturalmente, a comparação é apenas relevante para os campeonatos com 3 pontos por vitória e com 18 equipas).
Champions: Se a luta pelo campeonato tem um favorito claro, para que o destino dos lugares que dão acesso à Champions League do próximo ano se alterem será preciso pouco menos do que um milagre. O destino do Sporting parece ser irremediavelmente o terceiro posto, sendo de notar que a equipa de Marco Silva poderá ainda atingir a marca pontual da última equipa equipa do Sporting a sagrar-se campeã, em 2001/02, algo que na minha leitura diz bem do pronunciado desequilíbrio da liga portuguesa. No mesmo sentido, também ao Braga parece destinado ao quarto posto da tabela, sendo muito difícil que esse destino possa ser alterado no que resta jogar do campeonato.

Europa: Esta parece ser a corrida mais aberta nesta fase do campeonato, tanto mais que se adivinha a possibilidade do sexto posto dar também acesso europeu. Mesmo com a quebra de rendimento recente, o Vitória de Guimarães é a equipa claramente mais bem colocada para garantir o quinto posto, no entanto, e ao contrário do que se passa nas disputas mais acima da tabela, essa vantagem não é suficiente para que se atribua um grande favoritismo à equipa de Rui Vitória. No que respeita às restantes equipas, o Paços é aquela que mais condições terá para ameaçar o quinto lugar, ou mesmo garantir um eventual acesso europeu através do sexto posto, não só pelos pontos que já conquistou, mas também por ter um calendário à partida mais favorável do que, por exemplo, o Beleneneses. A luta europeia parece, portanto, bastante em aberto, sobretudo se se confirmar a possibilidade do sexto posto também dar acesso à Liga Europa.

Descida: A questão não está, de forma nenhuma, fechada, mas é claro quem tem o cenário mais complicado pela frente. O Penafiel tem a missão mais espinhosa, sendo a sua salvação um cenário bastante improvável nesta altura. Para o outro lugar de descida, os principais candidatos são o Gil Vicente e o Arouca, sendo que a equipa de Pedro Emanuel tem a seu favor não só a ténue vantagem pontual de que nesta altura usufrui, mas também um calendário à partida mais favorável, o que torna significativamente mais complicada a tarefa da equipa de Barcelos. Entre os restantes candidatos ao destino mais indesejado da Liga, o Setúbal será aquela sobre a qual paira a maior ameaça, ainda que as suas perspectivas de sobrevivência sejam claramente favoráveis. 

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12.3.15

Notas da Champions (Porto, Chelsea e Real Madrid)

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Porto - A passagem aos quartos-de-final, carimbada com uma expressiva goleada, e os resultados frente a Sporting e Braga, vieram mudar por completo o estado de ânimo em torno da equipa. Escrevo "resultados" e não tanto exibições, porque mais uma vez me parece que são estes que verdadeiramente influenciam a percepção mediática (e não só...). É que vejo na equipa de hoje essencialmente as mesmas virtudes do que naquela que foi derrotada em casa pelo Benfica ou na Madeira pelo Marítimo, sendo que já nessa altura e apesar dos resultados, o Porto denotava uma invulgar capacidade para dominar territorialmente os seus adversários, o que motivou o meu confessado optimismo para a caminhada europeia da equipa. Ora, se essas minhas perspectivas se têm confirmado no geral, tenho de manter também as reservas que apresentei na sequência do jogo contra o Sporting, a propósito de alguns aspectos em que Lopetegui não conseguiu fazer evoluir o seu conjunto. Os movimentos no último terço são um caso - que já penalizou muito as aspirações da equipa na liga interna -, mas a nota mais problemática no que respeita à caminhada europeia parece-me ser a dificuldade que a equipa denota no seu inicio de construção, algo muito visível nos primeiros 30 minutos da recepção ao Sporting, mas também por exemplo na primeira parte do jogo de Braga, com a bola a entrar sucessivamente no lateral sem que este tivesse qualquer solução para dar continuidade à jogada, oferecendo todas as condições para o sucesso do pressing adversário. Os erros cometidos a este propósito podem não ter tido grandes custos, mas é bastante provável que os tenham se forem repetidos nos quartos-de-final da Champions, porque aí, e seja qual for o opositor que calhe em sorte ao Porto, a capacidade para explorar rapidamente o espaço e a profundidade será certamente muito maior. A este propósito e de forma breve, parece-me que não ajuda nada a disposição posicional da equipa, nomeadamente com 4 elementos (laterais e extremos) permanentemente colados às linhas, o que facilita muito a neutralização dos pontos de apoio para a saída da bola a partir dos elementos mais recuados. Em suma, mantenho a minha ideia de que este Porto será capaz de levar para os pormenores, um eventual confronto contra a generalidade das equipas ainda em prova (não todas, evidentemente), mas não acompanho o recente crescimento da onda de entusiasmo em torno das aspirações europeias da equipa, e por 3 motivos fundamentais: 1) porque a minha expectativa já era elevada desde há uns tempos a esta parte; 2) porque, e apesar dos bons resultados, a equipa não deu sinais de que tenha corrigido alguns aspectos em que me parecia importante ser capaz de evoluir; 3) porque a diferença das principais equipas para as outras é, por estes dias e na minha opinião, avassaladora.

Chelsea - Terá sido a única surpresa entre as eliminatórias até agora terminadas, especialmente tendo em conta o curso que levou esta segunda mão. Na verdade, o que o jogo mostrou - e independentemente do desfecho que teve - acaba por ir ao encontro de duas ideias que havia deixado a propósito destas equipas. Sobre o Chelsea, a sua incapacidade para se afirmar claramente e com regularidade nos jogos que disputa, deixando a sua decisão muitas vezes para os pormenores. Este era um aspecto que, a meu ver e claramente, distinguia Chelsea de outros candidatos mais fortes nesta prova, precisamente porque estaria muito mais dependente dos pormenores que não são fáceis de controlar. Sobre o PSG, a ideia de que se trata de uma equipa com capacidade rara em termos técnicos, o que lhe permitiu nomeadamente ser capaz de dividir o jogo, em termos de domínio e presença territorial, mesmo num contexto tão complicado como aquele que encontrou. Mais uma vez, parece-me absurdo que esta equipa não tenha outra capacidade de afirmação no plano interno, e que não seja também um candidato mais forte a uma eventual presença na final de Berlin, mas isso é algo sobre o qual os seus milionários responsáveis deverão ter de reflectir. Voltando ao Chelsea, de notar que há agora a forte probabilidade de não termos qualquer equipa inglesa nos quartos-de-final da Champions, o que não poderá deixar de se considerar estranho tendo em conta a dimensão que tem a Premier League. O problema, na minha leitura, tem acima de tudo a ver com as principais equipas e não tanto com a liga como um todo. A este propósito, é interessante como o futebol inglês, e apesar de toda a sua capacidade de investimento, não tem conseguido segurar as suas principais figuras, com Ronaldo, Bale e mais recentemente Suarez a deixarem a competição. Ora, como é óbvio, quem quer ter as melhores equipas, não pode deixar sair os melhores jogadores. Talvez falte à Premier League, alguém que consiga elevar a fasquia, aumentando assim o grau de exigência interno, ago que até certo ponto, Mourinho e o Chelsea conseguiram fazer nesta temporada, mas como está bom de se ver esse não é ainda um patamar suficiente para rivalizar de igual para igual com os melhores dos melhores.

Real Madrid - Uma quase surpresa, que a acontecer teria sido muito mais do que isso, tendo em conta o desnível entre as equipas e a vantagem com que o Real entrou para a segunda mão. A propósito do Real Madrid, já partilhei aqui o meu parco entusiasmo em relação ao seu desempenho colectivo. No entanto, parece-me também que será um enorme equívoco que se sobrevalorize o actual registo de resultados recentes, nomeadamente desconsiderando as probabilidades de revalidação do titulo europeu do Real. O seu potencial individual é tremendo e faz com que o Real continue a ser, na minha leitura, um dos 3 principais candidatos ao troféu, sendo que me parece inclusivamente uma equipa mais talhada para este tipo de prova, porque se o compromisso colectivo dos seus jogadores não é o ideal, ele certamente cresce assinalavelmente nos momentos de maior atenção mediática, como será o caso das eliminatórias finais desta competição. Ainda a respeito das perspectivas a ter sobre quem poderá vencer a prova, parece-me que a eliminação do Chelsea é um dado que joga a favor daqueles que me parecem ser os 3 principais candidatos ao título: Barcelona, Real Madrid e Bayern. Não porque o Chelsea seja muito melhor do que o PSG, mas porque me parece uma equipa com maior capacidade de sofrimento e capacidade para se adaptar a um cenário em que defronte um adversário tecnicamente mais forte. Neste mesmo sentido, poderá ser uma excelente notícia para estas equipas se o Atlético ficar também de fora já nesta fase, porque é outra equipa com grande capacidade de resistência em contextos de maior dificuldade - aliás, e ainda que não me pareça tão forte como no ano passado, continuaria a distingui-la como a formação mais forte nesse registo. Ou seja, e se os sorteios não o impedirem, pode tornar-se cada vez mais provável que de entre Real, Barça e Bayern, não saia apenas o vencedor da edição 2015, mas os dois finalistas.

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2.3.15

Porto-Sporting, notas do clássico

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- Começando pelo Porto, e arriscando ir um pouco em contraciclo relativamente àquilo que me parece ser a percepção geral, devo dizer que não fiquei especialmente impressionado com a exibição da equipa de Lopetegui, antes pelo contrário houve alguns aspectos que me pareceram preocupantes. Para contextualizar melhor, devo relembrar que, conforme venho escrevendo há algum tempo, as minhas expectativas sobre a equipa eram já muito elevadas antes deste jogo, e dizer também que concordo que o domínio que esta conseguiu foi de facto avassalador, a partir da meia hora de jogo. Ora, o meu problema é precisamente com esses primeiros 30 minutos de jogo. É que nesse período o Porto fez uma entrada bastante fraca no jogo, voltando a comprometer muito na primeira fase de construção, acumulando erros que lhe poderiam ter custado muito caro e dado um rumo completamente diferente à partida. Por exemplo, penso que o que o Porto fez nesse período foi pior do que aquilo que fez no jogo da Taça, só que ao contrário desse jogo desta vez o Porto não foi penalizado por isso. O ponto aqui tem a ver com o desempenho num contexto de jogo em que a equipa se tem de assumir em posse, pretendendo incluir algum risco nesse processo, sendo que os sinais dados foram muito negativos. O domínio que o Porto exerceu aconteceu apenas quando o jogo lhe ofereceu um contexto diferente, podendo jogar a partir da recuperação de bola e da reacção à perda. Não é um problema novo no Porto 2014/15, mas confesso que esperava que a equipa tivesse nesta altura outra capacidade de resposta. De resto, Lopetegui continua a ter razões para estar satisfeito com a resposta da equipa em vários planos, não me parecendo no entanto que esta vitória se deva à vertente estratégica do jogo, antes sim com a qualidade e eficácia de alguns dos seus princípios base.

- Sobre o Sporting, obviamente a análise tem de ser contrastante com a do seu opositor. Ou seja, a equipa apresentou-se relativamente bem nos primeiros minutos, denotando no entanto uma enorme incapacidade para explorar os erros que potenciou, perdendo-se completamente após a desvantagem, acumulando erros, tanto colectivos como individuais. E, a este respeito, vou optar por me centrar em algumas exibições individuais, que me parecem ter sido decisivas para as aspirações da equipa (os problemas colectivos vêm de trás, e já escrevi bastante sobre eles). Começando por Jonathan, que terá ficado com a cruz das análises pós-jogo, mas que não me parece ter tido responsabilidade clara em nenhum dos golos (ainda que tenha cometido outros erros). Ainda no que respeita à defesa, nota para as enormes dificuldades de Tobias, que cometeu inúmeros erros a todos os níveis. Tanto a sair com bola, como no controlo do seu espaço de acção (antecipação e profundidade). Como já escrevi, parece-me que faz muito mais sentido ao Sporting apostar num jogador como Tobias do que pagar milhões por um currículo, mas também que me parece que talvez fosse melhor para o jogador ter outro tipo de rodagem antes de ser lançado a este nível (ainda para mais, com a saída de Maurício passou a ser praticamente a única opção viável numa fase decisiva da temporada). Também Cedric foi diversas vezes arrastado por movimentos sem bola, perdendo a sua referência posicional com a restante linha defensiva, um problema que o próprio Paulo Oliveira denotou pontualmente, embora este me pareça ter feito um jogo muito mais positivo do que os seus companheiros de sector. No meio campo, Adrien voltou a ter um péssimo desempenho técnico com bola num jogo grande, algo que é recorrente na sua carreira e que se torna algo complicado de explicar, sendo certo que tal limitação torna muito mais difícil a afirmação da equipa no jogo. Na frente, nota para Montero e para o entendimento limitado que tem do jogo, penalizando muito a equipa sempre que tem pela frente um contexto em que é fundamental ser agressivo no ataque à profundidade (e é neste contexto que mais falta faz Slimani, e não perante equipas com um bloco mais baixo). O colombiano é obviamente um jogador muito dotado tecnicamente, o que o torna muito complicado de controlar em certas situações, mas por outro lado denota uma espécie de autismo perante certos contextos de jogo, negligenciando constantemente a oportunidade e importância que podem ter os seus movimentos sem bola. Na minha perspectiva, teve tudo para assumir um papel decisivo na fase inicial da partida, onde a equipa potenciou várias situações onde tinha tudo para atacar rapidamente a profundidade, mas a sua referida limitação na leitura de jogo nesse tipo de situações, transformaram o seu contributo numa completa nulidade.

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27.2.15

Notas da Champions

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- Começo pelo jogo entre Man City e Barcelona, talvez o mais aguardado dos oitavos de final. Mais do que o resultado, não surpreende a superioridade dos catalães, um pouco na linha do que venho escrevendo nas últimas semanas. Não surpreende, mas é surpreendente que não surpreenda. Isto é, não há nenhum motivo pelo qual se possa considerar normal que um projecto com o investimento que tem tido o Man City se encontre, tantos anos e milhões de libras depois, tão longe do ponto mais alto do futebol europeu. Não sendo um admirador especial do futebol de Pellegrini, também me parece que as suas ideias têm muito mais conteúdo do que as que tinha Mancini. No entanto, isto não quer dizer que Pellegrini esteja a representar um avanço significativo relativamente ao seu antecessor. É que por muito que não se gostasse daquilo que fazia a equipa de Mancini, parece-me indiscutível que com ele o City evolui muito mais do que com o seu sucessor. Porquê? Basicamente, porque com Mancini - e mesmo se nem todos os reforços foram bem sucedidos - os milhões foram canalizados para unidades como Aguero, David Silva, Nasri ou Yaya Touré, que continuam a ser ainda hoje as principais unidades da equipa. Com Pellegrini, a torneira não secou, mas os milhões passaram a ser canalizados para jogadores como Mangala, Fernandinho, Alvaro Negredo ou Jovetic (Referencio propositadamente estes 4 porque, incrivelmente, o valor total despendido na sua aquisição é mais ou menos o mesmo do que aquele que foi preciso para contratar os outros 4, acima mencionados). Talvez o óbvio seja pouco interessante, mas no futebol ninguém pode fazer - nem de perto, nem de longe - tanta diferença como os jogadores, e por isso as escolhas que são feitas a esse nível continuam a ser o que mais e melhor define o sucesso ou insucesso das equipas.

- A grande surpresa veio, sem dúvida, do Emirates. Não vou falar muito do jogo, porque não o vi com detalhe, mas posso falar das equipas, porque as acompanho com bastante regularidade. Começando pelo Arsenal, que é o caso que mais me intriga, não vou dizer que se tenha tratado de um desfecho previsível (o Arsenal tem obviamente muito melhores recursos do que o Mónaco!), mas posso sem dúvida afirmar que esta enésima versão que Wenger montou nos Gunners, será das mais desapontantes de sempre. Desapontante, porque é impossível não reconhecer qualidade a jogadores como Ozil, Alexis ou Cazorla, mas ao mesmo tempo o Arsenal de hoje deverá ser também dos que mais dificuldades têm em assumir o domínio territorial do jogo, mesmo no plano interno. Por exemplo, no fim de semana passado a equipa fez um jogo horrível no derby com o Crystal Palace, vencendo é certo, mas passando quase todo o tempo a ser remetida para o seu extremo wreduto por uma equipa que lhe é francamente inferior. A reputação herdada do passado faz com que ainda vejamos o Arsenal a ser retratado como uma equipa de futebol atractivo e ofensivo, mas a verdade é que a equipa de Wenger não faz sequer juz ao potencial técnico que tem ao seu dispor, e hoje é obrigada a defender com muito mais frequência do que se poderia esperar, fazendo-o com muita gente envolvida, mas nem sempre necessariamente bem.
Quanto ao Mónaco, Leonardo Jardim tem de facto feito um trabalho fantástico, nomeadamente na Champions. No entanto, esta não é nem por sombras uma equipa brilhante. Mesmo a nível interno, o Mónaco tem muitas dificuldades em superiorizar claramente em relação à generalidade das equipas da Ligue 1, tendo quase sempre de trabalhar muito para conquistar os pontos que ambiciona. Diria que o Mónaco é uma equipa que se organiza bem e tem uma boa atitude competitiva e que por isso sabe sofrer quando precisa, sem dúvida, mas diria também que sofre mais do que aquilo que seria desejável, e que por isso dificilmente poderá lutar por um lugar no top 3 do seu campeonato interno, por muitos elogios que a sua trajectória europeia possa merecer.

- Continuando na onda das surpresas, ainda que esta seja na minha leitura apenas meia surpresa, tivemos ainda a vitória do Leverkusen, que complicou muito o apuramento do Atlético. Digo meia surpresa, porque mesmo se era do lado dos madrilenos que estava o favoritismo, claramente não me parece que fosse razoável esperar que o Atlético conseguisse uma grande superioridade frente a uma equipa cujo nível técnico não é assim tão diferente do seu. Já o escrevi - inclusivamente no ano anterior - que por muito mérito que os extraordinários feitos do Atlético possam ter, não se pode descontextualizar a verdadeira realidade da equipa, colocando-a por exemplo no mesmo patamar que Real Madrid ou Barcelona. E, a este respeito, recupero aqui boa parte do raciocínio que partilhei acima a propósito do Man City e da sua evolução qualitativa. No caso do Atlético, a sua organização e intensidade deverão continuar a servir de garantia de qualidade para o futuro, mas a equipa só poderá verdadeiramente aproximar-se dos melhores se for conseguindo paralelamente melhorar o seu plantel, particularmente com jogadores que lhe permitam ter mais tempo a bola e com qualidade. Ora, se o Atlético tem conseguido substituir relativamente bem os jogadores que têm saído - mesmo que algumas diferenças existam - tem também sentido muitas dificuldades em acrescentar aos seus quadros jogadores que possam contribuir para o tipo de evolução a que me estou a referir. Em concreto, parece-me que a equipa continua a depender em demasia do rendimento de Arda Turan para conseguir aumentar a sua qualidade de envolvimento com bola, e quando o turco não está ou não está bem, não há mais ninguém, o potencial do Atlético diminui significativamente. Mais uma vez, são os jogadores e a sua qualidade que podem determinar, ou não, a grande parte da evolução de cada equipa. Mesmo no caso que possivelmente mais contraria esta ideia...

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