12.6.15

Liga 14/15: Dados individuais finais (desequilibradores)

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Deixo os dados finais da análise que fui mantendo ao longo da temporada, mais concretamente no que respeita aos jogadores com mais influência nos lances mais perigosos da liga portuguesa 14/15. Há alguns pontos que se mantêm desde 13/14, como o destaque máximo justificado por Jackson, o peso muito relevante da dupla ofensiva do Benfica (com Jonas em 14/15, em vez de Rodrigo em 13/14), e Gaitan como o jogador com maior influência criativa da competição. Dentro das novidades, nota para o campeonato excepcional de Marco Matias e para a menor distância entre as principais unidades do Sporting, relativamente às de Benfica e Porto.

Fazendo uma ponte com a actualiadade, esta análise pode também servir de ponto de partida para as perspectivas relativamente ao que poderá ser 15/16, e mais concretamente à importância que poderão ter os movimentos do defeso, relativamente a posições e nomes chave dos três "grandes". Começando pelo Porto, a perda de Jackson será certamente difícil de colmatar, dentro destes parâmetros de rendimento, juntando-se a ela a saída de Danilo, que na sua posição específica conseguia acrescentar uma capacidade de desequilíbrio importante. Ainda assim, a substituição do ponta-de-lança, a confirmar-se a saída de Jackson, será claramente o ponto fulcral do defeso azul-e-branco.

Num patamar bem mais complexo, e interessante já agora, surge o caso do Benfica. Em 14/15, tal como em 13/14, o Benfica conseguiu dominar as presenças no topo desta tabela, o que diz bem do rendimento elevado de várias unidades ofensivas nas equipas que conquistaram o bicampeonato. Começando pela frente, o Benfica contou com um elevado rendimento dos seus dois atacantes, e se na transição de 13/14 para 14/15 era a saída de Rodrigo que representava uma ameaça, desta vez as atenções estão centradas na mudança técnica, já que com a saída de Jesus dificilmente o Benfica manterá o mesmo modelo e as mesmas dinâmicas entre os seus dois avançados, com todos os proveitos que estas trouxeram. Ou seja, se como tudo indica houver mudanças estruturais com a sua chegada, Rui Vitória terá a difícil tarefa de fazer com que isso não prejudique um rendimento muito elevado de Jonas e Lima, que em princípio se manterão nos quadros do clube. Depois, e num plano mais individual, surgem as ameaças em torno das saídas de Gaitan e Sálvio. Os dados são claros e reflectem bem o desafio que o Benfica terá no mercado, caso os dois argentinos abandonem mesmo a Luz. Porque uma coisa são as capas de jornal que os seus substitutos poderão conseguir, outra será ser capaz de participar em quase 50 ocasiões claras de golo, como fizeram Gaitan e Sálvio em 14/15. E isso, não será nada fácil...

Finalmente, o Sporting. A primeira boa notícia para o Sporting reside nos avançados, que conseguiram um rendimento muito elevado (é importante relativizar com o tempo de utilização de cada um) em 14/15. Com Jesus, o Sporting deverá passar a actuar com 2 avançados, e ter Montero e Slimani retira desde já algum peso ao clube, no que ao mercado diz respeito. Se ambos se mantiverem, Jesus terá um ponto de partida prometedor, ainda que outros jogadores possam entrar nesta equação. Mais problemática, porém, poderá ser a questão dos extremos. Nani, Carrillo e mesmo Mané conseguiram um rendimento bastante bom e próximo das melhores unidades dos rivais. Se pudesse também contar com estas unidades, Jesus teria certamente pouco com que se preocupar, mas Nani será baixa certa, Carrillo tem um processo de renovação complicado e que pode obrigar também a uma saída já neste Verão e o próprio Mané parece poder abandonar o clube. Se assim for, o Sporting terá neste mercado um desafio semelhante àquele que me parece ter o Benfica, relativamente às anunciadas saídas de Gaitan e Salvio. Ou seja, não será nada fácil encontrar alguém que consiga manter o mesmo rendimento individual, havendo ou não maior investimento por parte do clube de Alvalade. E aqui está, a meu ver, o grande desafio para o defeso do Sporting, e para a criação de condições reais para o ataque ao título.

Uma nota final para os guarda redes, não tendo havido em 14/15 motivos para grandes destaques na liga portuguesa. Ainda assim, referência para os 4 nomes que, jogando pelo menos 1000 minutos conseguiram uma percentagem de eficácia em ocasiões de golo (isto é, ocasiões defendidas sobre total de ocasiões enquadradas com a baliza) superior a 50%. Foram eles Júlio César (Benfica), Fabiano (Porto), Assis (Guimarães) e Matt Jones (Belenenses).

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5.6.15

Sobre a mudança de Jesus

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- Talvez faça sentido começar pelo impacto mediático dos acontecimentos que marcaram a actualidade nacional dos últimos dias, mais particularmente a mudança de Jorge Jesus, da Luz para Alvalade. É que embora seja geralmente mais lúcido ver as coisas de uma perspectiva distanciada da carga emocional que permanentemente acompanha o futebol, a verdade é que por vezes essa carga emocional se torna, ela própria, uma parte importante dos acontecimentos. E será esse o caso aqui. O futuro poderá dizer-nos o contrário, mas no imediato este processo tem vencedores e vencidos óbvios, não sendo preciso sequer explicar quem são uns e outros. O relevante aqui é que essa carga emocional pode ter, e provavelmente terá mesmo, influência nas decisões de gestão dos próximos tempos.

- Passando à situação concreta de cada um dos clubes, começo pelo Sporting. Contratar Jorge Jesus representa, a meu ver claramente, uma mais valia desportiva para o clube. O Sporting ganhará, nesta perspectiva especialmente, maior rigor e qualidade posicional, sobretudo marcantes no processo defensivo (onde o Sporting deixou bastante a desejar nesta temporada), e também previsivelmente um melhor aproveitamento das situações de bola parada. Disto restam-me poucas dúvidas, não podendo dizer o mesmo de outras questões, todas elas interligadas. Primeiro, quanto representa realmente essa mais valia desportiva? Depois, de que forma é que tudo isto justifica o esforço financeiro realizado? Finalmente, que impacto pode ter esta contratação nas expectativas que serão criadas em torno da equipa?

Este exemplo poderá vir a representar, em si mesmo, um bom caso de estudo mas, como já escrevi aqui, não penso que qualquer treinador possa ser suficiente para que o Sporting seja significativamente mais forte em 15/16, se não houver uma boa capacidade para extrair do mercado qualidade, nomeadamente para a fase criativa. E aqui não estou sequer a pensar numa melhoria das condições face a 14/15, porque me parece que elas eram bastante favoráveis em termos de potencial ofensivo, mas apenas no colmatar das saídas de Nani e, possivelmente, de Carrillo. Se o Sporting o conseguir, com Jesus, será a meu ver claramente mais candidato em 15/16 do que foi em 14/15, mas não será fácil de o conseguir, porque o rendimento de Carrillo e Nani foi muito elevado, e porque mesmo com um investimento significativo não é fácil substituir esse patamar de rendimento. Posto isto, não surpreenderá se disser que tenho dúvidas de que se justifique um investimento tão avultado num treinador (em % do orçamento, entenda-se). Não seria preferível, por exemplo, contratar um bom treinador (que os há muitos e capazes, e não só ao mais alto nível profissional, ao contrário do que se faz crer em termos mediáticos), com custos assinalavelmente mais baixos e com o mesmo dinheiro por temporada garantir 2 ou 3 jogadores capazes de fazer a diferença? Se a gestão for boa, nomeadamente ao nível da prospecção, não tenho dúvidas que sim, mas não foi aparentemente esse o entendimento do Sporting e da sua administração, que preferiu alicerçar grande parte dos seus recursos na figura de um treinador. E daqui parto para a grande ameaça que o Sporting poderá ter pela frente. Porque, posso discordar da estratégia na gestão dos recursos, e da valorização que está a ser dada à figura do treinador, mas não tenho dúvidas de que o Sporting passa a ter em Jorge Jesus uma mais valia, conforme escrevi acima. O problema é que ao estar a apostar tanto num treinador, entregando-lhe paralelamente plenos poderes no futebol, certamente que o Sporting (e, concretamente, a sua direcção) estará também a criar uma expectativa elevada, e que certamente acabará por querer cobrá-la ao próprio treinador. Ora, se como me parece poder acontecer, o Sporting tiver dificuldade em substituir algumas das suas principais unidades criativas no mercado, essas poderão ser expectativas desmesuradas, e inevitavelmente isso acabará por colocar em causa a qualidade do treinador. Um erro (sobrevalorizar o peso do treinador) poderá precipitar outro (colocar em causa a competência e mais valia do treinador), portanto.

- Passando ao Benfica, estamos claramente na viragem de um ciclo. A meu ver, este é um cenário que vem sendo precipitado pela inversão no acerto que o clube teve no mercado durante um bom tempo, mas que deixou de ter desde há alguns anos a esta parte. Sublinhe-se que o Benfica não deixou de investir no mercado, nem de vender bem, mas foi perdendo, e de forma bastante evidente, capacidade de regeneração qualitativa nos últimos anos. Agora, perante a saída de Gaitan e a baixa de Salvio, o problema parece finalmente poder atingir de forma incontornável as primeiras linhas da sua equipa principal, o que faz deste o primeiro, e talvez mais importante, desafio que me parece que o Benfica tem pela frente na preparação da nova temporada. 15/16 já não se afigurava uma época fácil, mesmo com Jesus, mas com a saída do treinador tudo se complica substancialmente. Porque, como escrevi atrás, penso que Jesus era mesmo uma mais valia para o Benfica, e sem ele dificilmente isso deixará de se notar, para além do facto de que a mudança do treinador vai determinar também um processo de adaptação às novas ideias, o que normalmente tem um custo em si mesmo. Neste sentido, mais do que a questão do treinador, o Benfica terá de ser mais competente no mercado do que aquilo que foi nos últimos anos, e creio que só teria a ganhar se não se dispersasse com a carga emocional que este incidente da mudança de Jorge Jesus para o outro lado da barricada inevitavelmente acarreta.

Ainda no que respeita ao Benfica, parece-me haver alguns equívocos relativamente à aposta na formação. Primeiro, relativamente à ideia de que os jogadores singrariam no nível da primeira equipa se houvesse maior aposta neles. Não creio que isso seja garantido, de todo. O normal, aliás, num clube com a exigência do Benfica, é que poucos jogadores por cada geração alguma vez venham a atingir esse patamar qualitativo. Depois, a perspectiva de se ver a formação como um mal necessário, uma exigência financeira, e não uma mais valia desportiva. Finalmente, a ideia de que a aposta na formação tem de ter continuidade na figura do treinador principal. Ora, tudo isto me parece uma maneira errada de ver as coisas, e que provavelmente estará condenada ao fracasso, fundamentalmente por estar desfasada daquela que é a realidade prática dos clubes mais populares, que têm a pressão mediática quase totalmente assente sobre os resultados da primeira equipa. Assim, parece-me que a formação deve ser pensada de baixo para cima, e não de cima para baixo. Ou seja, deve ser trabalhada a partir da base, de forma a que se consiga impor naturalmente na equipa principal, e não porque isso é imposto a partir de fora. Ou seja, é a formação quem tem de servir a primeira equipa, e não contrário, cabendo-lhe o objectivo de se apresentar sobretudo como uma mais valia desportiva e não como uma exigência financeira. Se assim não for, apostar na formação implica quase inevitavelmente uma degradação qualitativa da primeira equipa, com todas as consequências que isso tem ao nivel dos resultados, e que em última análise resultará em contestação mediática e na queda de pessoas e projectos. E todos sabemos como, no futebol e em equipas com a dimensão do Benfica, isso pode ser rápido a acontecer. Esse é o risco que me parece que esta direcção do Benfica está a correr ao tentar impor, de cima para baixo, a formação à primeira equipa, inclusivamente contratando um treinador com esse objectivo e ainda com a contradição de ter já vendido grande parte dos principais talentos que a sua formação produziu nos tempos mais recentes.

- Nota, finalmente, para duas outras perspectivas neste processo. A primeira, de Jorge Jesus. Escapa-me o alcance completo das motivações do treinador nesta sua opção de carreira, que pode não ter sido apenas de ordem racional, mas não tenho dúvidas de que o Sporting representará um desafio tremendo e bem maior do que foi o Benfica, em 2009. Aliás, estou em crer que haverá na Europa poucos clubes mais difíceis para um treinador do que o Sporting. Não digo que é o maior desafio da sua carreira, porque isso seria negligenciar os 20 anos que o treinador demorou até chegar ao topo (é interessante também reflectir sobre isto, num treinador a quem quase todos reconhecem enorme competência), mas que é desportivamente uma prova muito difícil de superar, disso não tenho dúvidas. Depois, a perspectiva do Porto, que ficando de fora de tudo isto me parece ser nesta altura, e claramente, o mais forte candidato ao título de 15/16. O defeso e o mercado ainda poderão inverter este cenário, mas com os dados actuais e mesmo perdendo Danilo, Oliver e Jackson, não me parece difícil ao Porto, pelo menos, repetir o registo pontual de 14/15, o que representaria uma fasquia bastante exigente para os desafios que nesta altura se perspectivam para Benfica e Sporting. Mas, como escrevi, há ainda que esperar pelo mercado...

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28.5.15

Liga 14/15: Dados colectivos finais

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Terminado o campeonato, deixo algumas análises finais, começando pelos dados colectivos, que juntam aos golos a comparação das ocasiões criadas, bem como a divisão entre a origem de cada um dos lances que mais aproximaram as equipas do golo.
Relativamente à leitura dos números, creio não ser necessário acrescentar muito, tanto pelo natureza explícita dos quadros, como pelas leituras que já fui deixando ao longo da época. Nota, ainda assim, para a importância das bolas paradas na luta pelo título, com o Benfica a ter um aproveitamento substancialmente superior aos rivais, onde se destaca especialmente o mau desempenho ofensivo portista. De resto, à margem das bolas paradas, parece haver mesmo muito pouco a separar o desempenho de campeões e vice-campeões, com uma distância importante para as outras equipas. Relativamente ao Sporting, a sua distância para os rivais parece ter tido dois pontos chave: ofensivamente, o baixo aproveitamento das ocasiões criadas, que apesar de tudo foram bastante próximas do que Benfica e Porto registaram; defensivamente, um registo incomparavelmente mais modesto do que os outros "grandes". Curiosamente, esta é uma análise contrastante com aquela que havia sido observada em 2013/14, o que a meu ver pode indicar um potencial ofensivo significativamente superior nesta temporada, e que talvez não seja fácil de manter no futuro imediato, como já aqui escrevi, se se confirmarem algumas saídas. Por outro lado, o desempenho defensivo parece mesmo bastante modesto para uma equipa com o ascendente territorial que o Sporting conseguiu impor na generalidade dos jogos que realizou nesta prova.

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21.5.15

O título (Benfica e Porto) e o Sporting

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- Começo pela questão do título, que esta semana viu o Benfica confirmar a renovação do seu título de campeão. Este era um cenário que há já algum tempo vinha dando como significativamente provável, nas análises que fui partilhando, não por haver uma diferença significativa de qualidade entre as duas equipas, mas essencialmente pela vantagem que o Benfica cedo conseguiu. É curioso, já agora, como as pessoas se revelam pouco sensíveis na hora de estimar a probabilidade dos eventos. Intuitivamente conseguimos obviamente distinguir entre a possibilidade e a impossibilidade, mas depois não fazemos grande distinção no que respeita à probabilidade dos mesmos virem a ocorrer, e isto explica o porquê de tanta gente repetir coisas como "está tudo em aberto", perante cenários tantas vezes desequilibrados no que às probabilidades diz respeito. Talvez seja uma consequência evolutiva, ou não fosse a vida feita precisamente de um conjunto de acontecimentos altamente improváveis. Enfim, o ponto aqui é que há muito tempo que as hipóteses reais do Porto se sagrar campeão eram, ainda que não impossíveis, relativamente remotas.

- Um dos clichés de quem faz a análise aos campeões é considerá-los justos, assumindo que uma prova com a extensão de um campeonato acaba inevitavelmente por distinguir os melhores e mais regulares. Ora, isto pode até ser verdade para a generalidade dos casos, mas não o é obrigatoriamente, nem me parece ser para este caso concreto. Desde logo, porque Benfica e Porto fizeram exactamente os mesmos pontos nos jogos contra as restantes equipas, o que faz que nem a análise pontual sustente essa tese. Depois, porque de facto não me parece que existissem diferenças significativas no rendimento de campeão e vice campeão, cuja diferença na tabela se deve mais a uma questão de pormenor do que outra coisa. Por exemplo, o mesmo já havia acontecido nos dois últimos títulos portistas, onde fora o Benfica a ficar marginalmente por baixo, em duas provas extremamente equilibradas, sendo que também nesses casos foi a equipa que esteve mais tempo envolvida nas provas europeias que acabou por ver o seu rival fazer a festa do campeonato. E este parece-me um factor potencialmente importante entre duas equipas que se equivaleram tanto. Outro factor que me parece poder ter sido potencialmente diferenciador é o das bolas paradas, onde o Benfica se apresentou significativamente melhor do que o Porto, sendo que a equipa de Lopetegui me pareceu globalmente mais bem potenciada do ponto de vista defensivo do que ofensivo, de acordo com as análises e opiniões que fui deixando ao longo da época. E aqui reforço que, apesar destes factores potencialmente diferenciadores, as duas equipas se equivaleram no essencial, sendo natural que no plano mediático e emocional se estabeleça um fosso entre vencedores e vencidos, mas não sendo racional nem aconselhável que essa seja a análise de quem gere o futebol dos dois clubes. Nem o Porto precisa de mudar tudo porque não foi campeão, nem o Benfica deve acreditar que parte para 15/16 em vantagem sobre o seu rival. Não perceber isso pode ser o primeiro passo em falso na nova temporada.

- Aproveito também para escrever sobre o Sporting, que não faço há bastante tempo. Assumindo a subjectividade da análise, creio que o Sporting terá feito um campeonato positivo. Se compararmos com os registos históricos das últimas décadas, essa tem de ser claramente a conclusão, mesmo que isso não tenha chegado sequer para lutar pelo título. O Sporting, a este propósito, está numa situação atípica, porque não é uma equipa que tenha uma referência comparativa clara no panorama do futebol português actual. A sua ambição incontornável é a luta pelo título, mas não parece justo que se exija estar permanentemente no patamar de rivais que se preparam com condições orçamentais muito mais favoráveis. Por outro lado, o Braga também não é uma referência suficientemente ambiciosa para a dimensão do Sporting. O habitual é que as equipas estabeleçam para si próprias metas comparativas (ser campeão, chegar à europa ou não descer), dependendo estas sempre dos desempenhos alheios, mas não tem de ser assim. Pode-se perfeitamente definir metas próprias, como um número de pontos a alcançar, ou mesmo de golos marcados e sofridos, e no caso do Sporting creio que é isso que fará racionalmente mais sentido. Assim, e voltando ao inicio, não creio que se possa fazer um balanço negativo do campeonato do Sporting, se atentarmos apenas aos resultados da própria equipa. É claro que poderia ter sido melhor, e aqui parto para aquele que me parece ser um panorama menos favorável para o Sporting. É que este ano o Sporting contava com unidades que lhe ofereceram um excelente contributo, em especial no plano ofensivo, e que provavelmente não estarão presentes no futuro imediato. No caso, se à previsível perda de Nani se juntar também a de Carrillo, dificilmente o Sporting conseguirá evitar uma perda importante de potencial para a próxima época, sendo preciso para isso um defeso extraordinário no que diz respeito a reforços. Neste plano, compreender-se-á uma eventual frustração dos dirigentes do Sporting relativamente à presente época, já que estavam reunidas condições que não serão fáceis de repetir num futuro próximo, mas nem por isso a equipa foi capaz de se bater pelo título. Aqui, é impossível não destacar o desempenho defensivo, que me parece ter ficado bem aquém do que era possível. No Sporting discute-se muito, até pelas novelas que vão marcando a agenda mediática há praticamente meio ano, o tema do treinador, e sendo esse um ponto indiscutivelmente importante, parece-me também ser amplamente sobrevalorizado no plano mediático. Para ser concreto, se o Sporting perder Nani e Carrillo no defeso, o mais provável é que 15/16 venha a ser uma época bem mais complicada em Alvalade do que foi 14/15, sente-se no banco Marco Silva ou qualquer outro treinador deste mundo.

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8.5.15

Champions: Notas da 1ªmão das meias finais

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- Respeitando a ordem cronológica, começo pelo jogo de Turim. A situação desta eliminatória lembra-me um pouco o ponto em que se encontrava a eliminatória entre Porto e Bayern, após o jogo do Dragão. Ou seja, a vitória do Juventus não terá chegado para ficar mais próximo da final do que o seu rival, mas terá pelo menos sido suficiente para ter anulado o favoritismo que inicialmente o Real justificava. As hipóteses estarão, portanto, bastante equilibradas nesta altura. A Juventus deverá, para já, estar satisfeita pela forma como conseguiu expor algumas fragilidades de uma equipa que lhe é claramente superior. O Real, por seu lado, guardará para si também alguma responsabilidade no desaire, sobressaindo claramente dois factores chave: a ausência de algumas unidades importantes, como Modric e Benzema, e a dificuldade de Ancelotti em manter um onze com as características mais indicadas para o seu modelo. Não haverá grandes dúvidas de que a Juventus terá de sofrer bastante para sobreviver à segunda mão, onde provavelmente precisará não só de uma noite inspirada, mas também de um contributo da aleatoriedade no que respeita à eficácia das ocasiões que forem criadas. Um factor impossível de controlar, mas que nos 90 minutos que faltam jogar, pode bem vir a revelar-se ser decisivo.

- Passando ao prato forte, não apenas destas meias-finais, mas de toda edição da Champions, e talvez mesmo o embate mais interessante dos últimos anos, o Barça-Bayern, começaria por tentar abordar o jogo da perspectiva o Bayern. Guardiola, sem surpresa, teria como primeira prioridade ter bola. Talvez por uma questão de filosofia, diria quase dogmática, mas a verdade é que esse lhe objectivo lhe permitiria retirar tempo de ataque ao Barça e assim ser também uma arma de controlo defensivo, para além do potencial ofensivo que mais obviamente a posse oferece. O Bayern cumpriu este primeiro propósito relativamente bem, inclusivamente sem grandes custos ao nível de perdas de risco, como acontecera por exemplo no Dragão. Mas só a posse, por si só, dificilmente seria suficiente. Nesse sentido, era preciso, também, garantir um bom controlo defensivo, nomeadamente no que respeita ao controlo da profundidade, onde a equipa sente dificuldades com algum hábito, e depois ser capaz de ser consequente no último terço ofensivo. E foi nestes últimos pontos que o Bayern, realmente, não me pareceu estar à altura do desafio que que tinha pela frente. Provavelmente mais decisiva a questão ofensiva, que resulta da incontornável diferença de valores individuais, particularmente agravada pelas baixas de Ribery e Robben. Assim, o Bayern conseguiu o raro feito de dividir a posse de bola no Camp Nou, mas não se aproximou mais do golo do que a generalidade das equipas que visitam aquele estádio. A esse nivel, portanto, vulgar. Depois, a questão defensiva, que apenas teve custos na fase final do jogo, mas que já na primeira parte havia proporcionado ao Barça ocasiões mais do que suficientes para ter chegado à vantagem antes do intervalo, mesmo com uma presença em posse bem mais limitada do que é habitual. Neste sentido, penso até que o jogo terá corrido relativamente bem ao Bayern, ficando-me a dúvida de que forma a equipa poderia ter reagido se o Barça tivesse chegado ao golo, como me parece ter feito por merecer na primeira parte. Ao olhar para o que aconteceu na recta final do jogo, assim como outras ocasiões durante a época, sobra a ideia de que o risco poderia ter sido bastante elevado e um regalo para Messi e companhia, assim como foi para o Real no ano anterior. Referido isto, há também que salientar a ironia do jogo, já que se a primeira parte do Barça justificava a vantagem, a segunda estava a ser muito pouco conseguida até ao golo, com várias precipitações ao nível da decisão com bola, e com o Bayern a parecer ser capaz de levar pelo menos o nulo para uma segunda mão que teria tudo para lhe ser mais favorável. Aí, porém, sobressaiu o tal detalhe que faz verdadeiramente a diferença entre este Bayern e este Barça, a qualidade individual, e em especial o incontornável génio de Messi. E aí, por muito que no plano mediático sugira que são os treinadores o epicentro de tudo no futebol, a verdade é que me continua a parecer que o seu poder é muito escasso face à diferença que certos jogadores podem fazer.

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30.4.15

Notas do Benfica - Porto

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- O primeiro comentário que me merece o "jogo do título 14/15" refere-se à superioridade do processo defensivo de cada uma das equipas. Para se ter uma noção relativa dos problemas que ambos os ataques sentiram, e comparando com o vasto número de jogos que tenho analisado, este situar-se-ia claramente no percentil mais baixo no que respeita ao número de abordagens às zonas de finalização. Excepcionalmente fechado, portanto!

- No plano mediático há a tentação para associar a pouca proximidade com o golo - e, consequentemente, o baixo entretenimento dos jogos - com a falta de qualidade do futebol das equipas. Naturalmente, porém, essa não é uma relação tão linear. No caso, Benfica e Porto reclamam para si grande mérito pela forma como, quer uma quer a outra, conseguiram condicionar os ataques contrários, não sendo fácil para nenhuma equipa do mundo consegui-lo, tendo em conta o nível técnico dos jogadores de ambas as equipas. Por outro lado, exigir-se-ia mais dos respectivos processos ofensivos, que vêm revelando problemas - ainda que distintos - desde o inicio de temporada. No caso do Benfica, as limitações no inicio de construção, com a equipa a sentir muitas dificuldades em levar o seu jogo para o último terço de campo, perante equipas com mais capacidade pressionante. O Porto, por seu lado, parece-me de há muito tempo a esta parte uma equipa mal trabalhada no processo ofensivo, nomeadamente pelas opções de Lopetegui em relação ao ataque posicional da equipa. Neste jogo, porém, o treinador espanhol teve uma abordagem diferente e da qual sou crítico, como explicarei mais adiante...

- Relativamente ao Benfica, Jesus voltou a não confiar na sua construção baixa, como aliás seria de esperar tendo em conta o contexto em que o jogo se disputava. Assim, e tal como já acontecera no Dragão, o Benfica voltou a apostar bastante nas reposições mais longas e nos duelos a meio do campo para levar o jogo para zonas mais altas do terreno, evitando assim o risco de perdas comprometedoras na sua fase de construção. O problema é que o Benfica de hoje não tem também grande força nesta alternativa, porque não tem uma referência para a primeira bola, como Cardozo foi durante muito tempo, e porque o seu meio campo não contava com jogadores com a propensão que Matic, Javi Garcia ou Enzo Perez tinham para os duelos mais directos. Este é um problema que não vem ao de cima na generalidade dos jogos da época, essencialmente pela baixa exigência da liga portuguesa, mas que repetidamente afectou a equipa nos confrontos frente a adversários mais fortes, onde o Benfica 14/15 teve um desempenho a meu ver muito fraco. Um problema que neste jogo acabou por não ser muito relevante, tendo em conta o arrastar do nulo e o interesse da equipa nesse resultado, mas para o qual o Benfica deverá procurar melhor resposta em 15/16...

- Como referi acima, tenho perspectiva crítica das opções de Lopetegui para este jogo, em particular relativamente à vertente estratégica e às opções que tomou para o seu meio campo. Contextualizando, o Porto tinha pela frente uma equipa cujo processo defensivo aposta muito no encurtamento do espaço interior através da subida da linha defensiva. Ora, o risco desta abordagem, reside logicamente na exposição espacial que o Benfica tende a oferecer nas suas costas (isto, mesmo sendo a equipa de Jesus reconhecidamente forte na gestão dessa situação), e logo parecia-me inevitável que a profundidade fosse um aspecto chave da abordagem estratégica de Lopetegui. Acontece que o treinador espanhol optou precisamente por ignorar por completo a possibilidade de explorar a profundidade, preferindo exacerbar a sua presença no espaço que o Benfica estrategicamente fecha pelo seu jogo posicional. É curioso, de resto, porque durante quase toda a época Lopetegui pareceu negligenciar bastante o jogo interior, nomeadamente mantendo os extremos permanentemente colados à linha. Desta vez, e em absoluto contraste com o registo anterior, o Porto apresentou-se com a largura a ser dada sobretudo pelos laterais, e com Oliver e Brahimi tendencialmente em zonas interiores. Ora, pessoalmente esta até me parece uma disposição posicional mais benéfica para a equipa, mas não com a perda total de elementos que lhe ofereçam profundidade, e sobretudo não neste jogo! Se alisarmos o jogo do Dragão, por exemplo, veremos que grande parte dos desequilíbrios que a equipa conseguiu foram conseguidos pelos movimentos de trás para a frente dos médios, onde Herrera, especialmente, mas também Oliver se têm revelado bastante competentes. É um tipo de movimento que cria muitas dificuldades aos médios do Benfica, e para o qual Samaris e Pizzi não parecem muito vocacionados para responder (ao contrário do que acontece, por exemplo, com Fejsa ou Amorim). Lopetegui abdicou disso tudo e, a meu ver sem explicação perceptível, optou antes por preencher a caixinha de terreno que Jesus previsivelmente iria fechar. Corrigiu parcialmente na segunda parte, é verdade, mas não só perdeu valioso tempo num jogo tão importante, como nunca chegou a ter em campo as características ideais para fazer face ao desafio que tinha pela frente.

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24.4.15

Notas (antevisão do Benfica-Porto e Champions)

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- Mesmo com uma semana tão intensa como a que tivemos ao nível das provas europeias, talvez faça sentido começar por escrever sobre o clássico, que irá com grande probabilidade definir o campeão português em 14/15. É curioso verificar que a diferença pontual com que as equipas partem para este jogo é de 3 pontos, o que significa que o que distingue Porto e Benfica na tabela é, nesta altura, apenas o jogo entre ambos no Dragão. Ou seja, e perante a possibilidade real de que, quer Benfica quer Porto, se venham a impor nos restantes jogos que o calendário lhes reserva, temos aqui em perspectiva um campeonato que apesar de ter 34 jornadas se encontra perante uma decisão em tudo idêntica a uma eliminatória disputada a duas mãos. O Benfica venceu a primeira por 0-2, e o Porto precisa agora de reverter esse resultado para que as suas perspectivas sejam optimistas, caso contrário será sempre o Benfica a ter tudo para revalidar o título. Este é um cenário que não é tão improvável como à partida possa parecer, tendo em conta o desnível competitivo que a Liga Portuguesa vem revelando. É que, e creio já ter escrito sobre isto, quanto maior for a diferença dos candidatos ao título para as restantes equipas, maior a importância relativa que se pode esperar dos duelos directos para o apuramento do campeão, e logo mais a decisão se pode aproximar de uma competição a eliminar. Outra consequência importante deste cenário é que a regularidade da prova não tem grande capacidade para testar e diferenciar a qualidade das equipas, podendo com mais facilidade uma equipa que não seja necessariamente a melhor, sagrar-se campeã (o que pode ser uma oportunidade para algumas equipas, note-se). Enfim, é esta a realidade da liga portuguesa actual, que conceptualmente não me parece ser a melhor para o seu desenvolvimento, mas que, tenho que reconhecer, é aquela que mais vai ao encontro das pretensões da massa adepta, praticamente dividida entre 3 clubes, e que deseja ver os seus emblemas a ganhar o mais possível, tendo depois alguns jogos decisivos como prato forte da temporada.

- Indo mais concretamente ao jogo, parece-me inegável que o Benfica tem tudo a seu favor. O factor casa, a possibilidade de ter tido uma semana para preparar o encontro, ao contrário do seu adversário, e o conforto de jogar com vários resultados que lhe são favoráveis, relembrando que o Porto vai precisar de vencer por pelo menos 2 golos para anular a vantagem com que o Benfica parte para uma fase já bastante terminal do campeonato. Neste sentido, este será um desafio enorme para o Porto, que joga na Luz a sua derradeira cartada da temporada. Do ponto de vista táctico, será interessante perceber até que ponto as equipas irão procurar impor-se pela posse e pelo domínio territorial, mas é bastante provável que ambas o tentem fazer. O Benfica, porque joga em casa e não quererá abdicar da sua identidade habitual. O Porto, porque para além de ter naturalmente essa vocação, tem também a obrigatoriedade de vencer, não fazendo sentido outra coisa que não seja procurar impor-se territorialmente. Uma coisa é certa, haverá apenas uma bola, pelo que mesmo que ambas as equipas o tentem fazer, não será possível às duas impor-se da forma que provavelmente mais pretenderão...

- Voltando, então, atrás e às eliminatórias da Champions, começo pela decepção portista, em Munique. A principal critica, após o jogo, residiu na forma menos afoita como o Porto abordou o seu pressing, nomeadamente comparativamente com a primeira mão. Pessoalmente, concordo com essa critica, mesmo se não me parece haver qualquer garantia de que com outra abordagem a goleada pudesse ter sido evitada. Pelo contrário, os espaços até podiam ser maiores se essa pressão fosse superada pelo Bayern. O que penso, porém, é que seria sempre muito difícil ao Porto sobreviver a 90 minutos de sufoco, relegando o seu bloco para zonas mais baixas durante tanto tempo, pelo que provavelmente compensaria assumir mais alguns riscos, tendo como objectivo provocar o erro do adversário na sua circulação mais baixa. Quanto ao Bayern, fez um jogo fantástico e que em qualquer caso seria muito complicado de contrariar por parte do Porto. Como escrevera, o resultado da primeira mão não deveria ser sobrevalorizado, porque as diferenças de valor entre as equipas eram amplas, e porque o próprio Bayern vinha dando bons sinais de vitalidade na competição interna, mesmo com as ausências de Robben e Ribery. De todo o modo, e sem pôr aqui em causa o enorme mérito que teve o Bayern, refiro o mesmo que referi para o Porto na primeira mão. Ou seja, o resultado só se precipitou para tamanho desnível porque, e tal como acontecera com os portistas na primeira mão, quase tudo saiu bem aos bávaros em termos de finalização.

- O sorteio das meias-finais ditou o confronto que pessoalmente mais desejava ver, entre Bayern e Barça. É um duelo que, a meu ver, tem tudo para provocar dilemas às duas equipas, sendo complicado de projectar um vencedor, ainda que me pareça a maior qualidade individual do Barça lhe oferece uma vantagem que poderá ser importante. A primeira questão será a da posse de bola. Apesar de ser o Barça quem tem jogadores com mais capacidade para dominar o jogo pela posse, creio que será o Bayern quem tem mais probabilidade de se afirmar territorialmente, pela importância que Guardiola atribui a esse aspecto do jogo. Mas Guardiola saberá também que ao assumir a sua identidade estará a correr mais riscos do que nunca, pressionando adversários que são fortíssimos tecnicamente, e dando espaço a jogadores que são quase imparáveis quando o têm. Resta saber que especificidades introduzirá Guardiola para o embate contra a sua ex-equipa... Quanto ao Barça, como escrevi parece-me que em princípio a mais-valia individual dos seus jogadores lhe confere uma vantagem potencialmente importante, mas a equipa de Luis Enrique tem dois grandes testes nesta eliminatória. O primeiro é a capacidade de compromisso dos seus jogadores, porque frente a uma equipa que trabalha tão bem (e com tanta gente!) o processo ofensivo, será preciso defender bem mais do que é hábito. O segundo tem a ver com a valorização da posse de bola, porque o Bayern fará tudo para a recuperar tão rápido quanto possível, e se o Barça conseguir contornar esse obstáculo anulará grande parte das pretensões do seu adversário, sendo que se não o fizer o Bayern levará o jogo para onde quer que ele vá.

- Sobre a outra meia-final, dizer que o favoritismo do Real é óbvio. E aqui, quero ser claro sobre um ponto. O futebol de Real, Barça e Bayern é tão superior e inatingível para a generalidade das equipas, não porque estas sejam más ou tenham regredido em relação ao passado. O que aconteceu foi que, de há cerca de 6 anos a esta parte, houve um salto qualitativo enorme destas três equipas, que se projectaram para patamares qualitativos praticamente sem paralelo em toda história do futebol. O Barça, a partir da entrada de Guardiola e com a explosão de Messi, o Real com a chegada de Ronaldo e a segunda "era galáctica", e o Bayern sobretudo após a entrada de Guardiola. Podemos ver isso claramente, se olharmos ao que fazem hoje Barça e Real internamente, em termos de pontos e número de golos, e compararmos com que acontecia anteriormente. Neste sentido, a Juventus como outras equipas não são outsiders nesta corrida por serem equipas medíocres ou desmerecedoras da História do seu emblema, apenas não conseguiram acompanhar a evolução que se verificou nos outros 3 casos e por isso as suas dificuldades de afirmação no plano europeu são hoje bem maiores do que no passado.

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17.4.15

Notas da semana (Champions e Premier League)

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- Há alguns meses partilhei aqui as minhas expectativas elevadas relativamente ao desempenho do Porto nesta fase terminal da Champions, e depois deste jogo acredito que a equipa de Lopetegui já terá superado aquilo que praticamente todos esperavam dela nesta competição. Pessoalmente não faço uma valorização excessiva do jogo, que foi de facto muito bem conseguido por parte da equipa portista, nomeadamente no aproveitamento de algumas fragilidades especificas do Bayern, mas que na minha leitura foi também muito marcado por dois lances no arranque da partida e que definiram a vantagem azul-e-branca. Relativamente à eliminatória, diria que o Porto conseguiu para já o difícil feito de anular o favoritismo bávaro, mas não iria mais longe do que a divisão de possibilidades para que cada equipa esteja presente nas meias-finais. Vencer o Bayern foi já de si um grande feito, mas sobra ainda ao Porto a difícil tarefa de sobreviver à segunda mão frente a uma equipa que, é bom não esquecer, era colocada por muitos como a principal favorita ao título europeu, nomeadamente à frente de super equipas como Barça e Real. Espera-nos um grande jogo, portanto!

- Ainda sobre o Bayern, havia escrito aqui a propósito da recente derrota frente ao Monchengladbach, onde a equipa revelou enormes dificuldades, sobretudo após a saída de Robben. No mesmo sentido, também já havia partilhado aqui as minhas dúvidas relativamente aos riscos que o modelo de jogo da equipa assume, nomeadamente por me parecer que a competição interna pode não servir de teste para os desafios que o nível de exigência da fase final de Champions. No entanto, não posso deixar também de escrever que a equipa realizou um excelente jogo no fim de semana, na minha opinião dos mais conseguidos por parte da equipa de Guardiola esta temporada, mesmo sem ter Robben e Ribery. Ao contrário do que acontecera na tal derrota frente ao Borussia, o Bayern foi capaz de criar alternativas à ausência dos seus principais desequilibradores, nomeadamente usando mais o corredor central, parecendo estar a responder bem às ausências importantes que afectam a equipa nesta altura. E isto serve tanto para reforçar o mérito do Porto, como para alertar de novo para a exigência da segunda mão. É evidente, porém, que por muito bem que a equipa reaja colectivamente, será sempre muito complicado manter o potencial e a capacidade de desequilíbrio perante a privação de duas unidades como Robben e Ribery, e isso parece-me uma ideia praticamente incontornável.

- Ainda nos quartos-de-final da Champions, nota para o duelo madrileno. O caso do Atlético nos tempos mais recentes é excepcional a todos os níveis, e coloca-nos também perante algumas questões interessantes e bastante invulgares. Por exemplo, que importância poderíamos atribuir aos vários duelos que estas equipas já travaram esta época, onde o Atlético saiu sempre por cima, na projecção desta eliminatória? Normalmente, o Real seria um favorito indiscutível, se tivermos em conta a diferença de potencial ofensivo que as equipas revelam semana após semana, mas será mesmo assim tão claro? Uma coisa é certa, pouca gente se dirá surpreendida se a equipa de Ancelotti sair já de cena nesta prova, e aqui incluo também aqueles que menos apreciam o futebol da equipa colchonera. Sobre o momento das duas equipas em causa, diria que não pode surpreender o ascendente do Real na primeira mão, tanto mais que a presente fase do Atlético não me parece ser a melhor. Ainda assim, e volto de novo ao que escrevi acima, não seria uma grande surpresa se o Atlético conseguisse aquilo que para quase todos é uma tarefa praticamente impossível, ou seja neutralizar um dos ataques mais poderosos da história do jogo.

- Uma referência, ainda, para o duelo entre Mónaco e Juventus, cuja primeira mão não pude acompanhar com detalhe. Primeiro, para fazer notar que a equipa de Leonardo Jardim me parece hoje mais forte do que numa fase mais inicial da temporada. Aliás, numa das últimas vezes que escrevi sobre a equipa, referi que dificilmente iria entrar na luta pelos 3 primeiros lugares da Ligue 1, e a verdade é que me terei equivocado nessa projecção. Em parte, pela tal evolução da equipa, que hoje me parece mais capaz do que há alguns meses, e também pela quebra do Marselha, que é também uma equipa interessante, por bons e maus motivos. Sobre a Juventus, infelizmente hoje não basta ser claramente a melhor equipa italiana para que se seja também um dos mais fortes candidatos ao título europeu. Já lá vai esse tempo...

- Nota final para a Premier League, cujas principais equipas ficaram de fora das contas finais da Champions. O jogo grande da semana foi o derby de Manchester, cujo resultado me parece exagerado para aquilo que as duas equipas fizeram. De novo, não pude deixar de reparar na forma como o City se defende, parecendo alicerçar todo o seu processo defensivo no nervo da sua última linha. A opção é sempre aguentar a linha e esperar que o adversário se deixe apanhar no fora-de-jogo, exista ou não pressão sobre o portador da bola. Questionável, no mínimo. De resto, a esse nível também do outro lado se viram alguns lances em que a linha defensiva foi exposta ao mesmo problema, denotando semelhantes dificuldades de comportamento. É interessante este pormenor entre as principais equipas da Premier League, porque o Chelsea tem uma abordagem comportamental bem diferente, tendo-se dado bastante melhor com ela ao longo da época (o que não prova nada, note-se). A propósito, a equipa de Mourinho fez uma exibição sofrível do ponto de vista ofensivo - o que não é tão invulgar como a classificação faz crer - frente ao QPR, mas ao contrário do que tem acontecido aos seus principais rivais, soube também manter-se relativamente a salvo de grandes sobressaltos defensivos e acabou por resgatar os 3 pontos num já improvável golo tardio onde a mais valia individual dos seus jogadores veio ao de cima.

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