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17.3.12

Expectativas

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Não houve surpresas, mas não se pode dizer que tenha sido uma mera formalidade. Pelo menos, para o Porto, que teve um jogo de grande incerteza e muito pouco controlo. Mais um sinal de que o momento não faz antever um grande conforto na recta final, ao contrário do que aconteceu em boa parte da prova. Cumpre-se este fim de semana a 10ª jornada em 2012 e, mesmo descontando o jogo entre ambos, foram mais as jornadas em que pelo menos 1 dos dois perdeu pontos do que aquelas em que, como nesta semana, ambos conseguiram vencer. Veremos o que acontece à medida que a pressão aumenta...

Nem 20 dias passados, jogar-se-á outro Benfica-Porto. O lado mais interessante deste segundo jogo, pelo menos para mim, tem a ver com a diferença de contexto para o primeiro. Ou seja, no jogo para o campeonato, os 90 minutos eram encarados quase que como uma final do campeonato. E o campeonato, quer para um lado, quer para o outro, pode significar muito mais do que uma mera organização das festas de Maio. Pode ter implicações nas carreiras de muitos dos protagonistas, sobretudo dos treinadores. Agora, por outro lado, Benfica e Porto trocariam um resultado na meia final da Taça da Liga por 2 pontos ganhos em mais uma importante jornada (ambos jogam fora) que terá lugar alguns dias depois do reencontro na Luz. É claro que quando a bola começar a rolar, e estando vermelho e azul frente a frente, muito de tudo isto passa para segundo plano. Muito, mas não tudo...

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Já havia comentado sobre a importância do sorteio para as aspirações do Benfica no sonho da Champions. E a sorte não quis muito com o Benfica. Deixa espreitar para a meia final, mas por essa curta brecha mostra o Barcelona. As probabilidades de vitória do Benfica na prova são nesta altura estimadas em 1,5%. Pode parecer pouco, mas quantas vezes, desde que a Champions permite mais do que um clube por país, é que um clube português atingiu as meias finais?

Na Liga Europa, o Sporting teve melhor sorte (não que sejam comparáveis as hipóteses de um "bom sorteio"). O Metalist mantém o mesmo problema de 2008, quando calhou em sorte ao Benfica. É sempre subestimado. Trata-se da 3ª potência do futebol ucraniano, onde perde sobretudo por não ter tanta capacidade no mercado interno, e por isso não chega à Champions, onde entram equipas com bem menos qualidade. Mas na Liga Europa, está farto de surpreender quem deles duvida, inclusivamente o próprio Benfica nessa experiência de 2008. Entre os sul americanos, que conheço quase todos bem, destaco os argentinos Sebastian Blanco e Cristaldo, que aprecio bastante e gostaria de ter visto no futebol português. Há um outro pormenor a ter em conta no Metalist, é que ao contrário do que pode sugerir a proveniência longínqua, esta equipa tem um registo europeu estranhamente positivo nos jogos fora. E não é deste ano. Os espanhóis lideram o ranking das expectativas (eu acredito que a mentalidade do Bilbao pode fazer deles o principal candidato, nesta altura). Ao Sporting, é creditada uma probabilidade de 8% de erguer a Taça. É pouco, mas para o Sporting as baixas expectativas também não têm sido um problema...

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16.3.12

História

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A última meia hora retira algum brilho e a possibilidade de uma vitória que, a acontecer, teria sido uma das mais improváveis (aqui, probabilidade não é minha) da História do clube. Mas não retira o essencial, uma qualificação que será também ela histórica e certamente relembrada (há muito que o Sporting não eliminava um adversário deste calibre). Muito mérito durante 150 minutos e um súbito desnorte, que quase deitou tudo a perder, durante 30 minutos. Interessante o contraste, e a forma como durante tanto tempo o Sporting manteve o City relativamente longe do golo e, de repente, pareceu ser incapaz de passar 5 minutos sem um sobressalto. A importância que um golo teve na atitude dos jogadores! Sobre os minutos finais, em destaque a "oferta" de dois golos, o primeiro numa má abordagem no desarme, e o segundo num pontapé de canto onde o Sporting repetiu o erro algo básico de não sair para a linha da bola na sequência do canto. Já em Alvalade sofrera dois sobressaltos por lapsos semelhantes. E são lapsos, porque o posicionamento sugere exactamente esse comportamento. Recupero a dúvida hipotética, na sequência do que já deixara para o Benfica: o que precisa exactamente de fazer o Sporting nas restantes competições para "salvar" um eventual 4º ou 5º lugar na liga?

A hipótese que avançara no inicio desta fase a eliminar confirmou-se, e não foi preciso esperar muito. De novo, os favoritos mais mediáticos caem na Liga Europa. Por muito que Mancini o contrarie, e mesmo que o pense (deverá ter pensado mesmo, pela gestão que fez dos recursos), é muito difícil manter níveis de motivação quando os jogadores quereriam era estar na Champions, e por isso mesmo é que este "fenómeno" se continua a repetir. O único dos oito qualificados que mantém aspirações a um título interno é o AZ, e isso talvez seja mais contributo para que possa ser o mais desejado dos adversários.

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9.3.12

A vantagem de não ter que dominar

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- A nível interno, não há muito para escolher em termos de opções estratégicas. Para os "grandes", o empate é uma derrota e por isso nada mais resta do que dominar, ou seja, tomar de assalto a bola e o espaço. Na Europa e nesta fase da competição, não é assim. Sabendo-se que realisticamente não poderia ter os dois, Sá Pinto podia escolher entre a bola e o espaço. É claro, todos estaremos conscientes do que se diria de Sá Pinto se as coisas tivessem corrido mal na sequência de uma estratégia especulativa, como aquela que escolheu (ou das substituições que fez, de resto). Não seria um argumento original. Mas o treinador está onde está para ganhar jogos, e não para preparar desculpas para as derrotas, e por isso a sua opção foi a mais acertada, quer tivesse ganho ou não. No campeonato, voltará a ter de atacar as vitórias pelo domínio total, pela bola e pelo espaço, e aí veremos como a equipa vai evoluir. Terei menosprezado as dificuldades que acabou por encontrar na imposição do futebol que idealiza, mas a atitude do treinador e a sua consciência do que é preciso para ganhar, tem correspondido à minha expectativa.

O City, creio, não esperava o Sporting fechado que lhe apareceu pela frente. Nem foi esse o Porto que teve (aliás, foi o City quem jogou no erro na eliminatória anterior), nem as suas observações do Sporting lhe terão dado essa indicação (a última vez que me lembro de algo semelhante, em Alvalade, foi frente ao Porto na época anterior). Por outro lado, parece-me que foi um cenário que trocou as voltas ao treinador italiano em termos de gestão do actual ciclo de jogos. Havia poupado Silva e Aguero para este jogo, e percebe-se pelo calendário que quereria resolver já a eliminatória, uma vez que a segunda mão está entre uma deslocação a Swansea e a recepção ao Chelsea, e a Premier League será sem dúvida a prioridade. São mais boas notícias para o Sporting!

Finalmente, uma nota para os centrais do Sporting, ultimamente muito em foco pela negativa mas que, de repente, aparecem em bom nível num jogo de maior grau de dificuldade. Parece contraditório, mas quando se joga mais baixo, mais protegido e sem trabalhos forçados em construção, é mais fácil não errar.

- No duelo mais interessante da ronda, logicamente que não se pode dizer que se esperava uma derrota do United, mas também nunca esperaria outra coisa que não fosse uma séria relativização do favoritismo dos ingleses. Há dois pontos que quero focar a este respeito. Uma, para o mérito do Bilbao de Bielsa. Trata-se, provavelmente, da grande novidade em termos tácticos das principais ligas deste ano. Uma equipa que consegue o sucesso através de uma abordagem comportamental profundamente atípica. Uma fuga ao paradigma actual, que mostra que no futebol a qualidade não tem de ser monótona. Entre todos, talvez o comportamento que mais espanto crie seja o uso de referências individuais como ponto de partida para o pressing em zonas mais afastadas da sua baliza.

O outro ponto tem a ver com algo que escrevi há algumas semanas, à cerca da Liga Europa e da forma como várias equipas abordam esta competição. Para o Bilbao será um feito eliminar o United, mas para os ingleses não vem grande mal ao mundo se saírem eliminados da prova. Quem sabe, com a ajuda do Sporting, não ficam já pelo caminho os dois gigantes da cidade?

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24.2.12

Controlo

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- "Prefiro jogar para ganhar 5-4, do que para ganhar 1-0!". A frase é comum e certamente sedutora numa primeira análise, mas como tantas coisas na opinião que se generaliza, não se vislumbra qualquer enquadramento prático no que à realidade do jogo diz respeito. Não há equipas que ganhem 5-4, 4-3 ou 3-2 por sistema. Mas há equipas - várias - que sustentam séries longas vitoriosas em resultados como 1-0 ou 2-1. Tudo isto para falar do controlo, a grande novidade no jogo do Sporting, frente ao Legia. Dificilmente alguém pode ter achado que a equipa alguma vez esteve próximo do golo, o que não constitui novidade face à trajectória recente, mas também não creio que alguma vez se tenha justificado o sentimento de ameaça perante a derrota. E, isto sim, é uma novidade nas exibições do Sporting. Tenho sublinhado (o próprio Sá Pinto o tem feito) a opinião de que é importante crescer nos planos emocionais, nomeadamente no que respeita à confiança. Ora, há uma discussão interessante sobre isto: quanto à necessidade de ganhar, estamos conversados, parece-me inequívoca. Agora, numa hipótese em que (ainda) não seja possível juntar as duas, o que pode beneficiar mais uma equipa? Sentir que não sofre, ou sentir que pode marcar? (repito, na hipótese de não se poder juntar as duas...). Recordo-me de Mourinho dizer a Maradona num documentário recente: "Uma coisa é teres uma equipa que sabes que se marcas ganhas. Outra coisa, é marcares um golo e mesmo assim não saberes o que te pode acontecer". Poderá ser discutível, mas tendo a concordar com esta última ideia, ou seja, de que o controlo é um alicerce fundamental para conseguir um crescimento colectivo sustentado.

- Nos outros jogos, não houve grandes surpresas. Aliás, para mim o que é surpresa, é precisamente não ter havido surpresas, mas a consequência é que teremos uns oitavos de final extremamente interessantes. Uma nota para um dos jogos com mais golos da noite: já se esperava que PSV e Trabzonspor pudessem oferecer um jogo farto em remates certeiros, porque é hábito em ambos os casos. O PSV fez uma série de boas aquisições no Verão, mas quem justifica esta minha referência é um jogador do Trabzonspor, Burak Yilmaz. É impressionante a época que está a realizar na Liga turca, não tanto pelos números absolutos, mas pelo enquadramento relativo dos mesmos. Ou seja, o Trabzonspor tem o melhor ataque da prova, mas só Yilmaz é responsável por mais de 55% dos golos da equipa (contabilidade sem penaltis). Sem entrar em paralelismos, mas tentando fazer perceber a dimensão relativa do feito, seria o equivalente, por exemplo, a Benfica ou Porto terem nesta altura um jogador com 23-24 golos, ou, noutro caso, Real Madrid ou Barcelona terem um jogador com 37-38 golos já concretizados, ambos sem penaltis.

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22.2.12

Do City of Manchester para a Luz

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- Há equipas contra quem lançar a toalha não acaba com o sofrimento, apenas o agrava. Não há muitas, mas nos tempos que correm, o City é uma delas. Há duas formas de ver as coisas: uma é pensar que os erros individuais determinaram uma eliminatória que até poderia ter sido equilibrada. A outra, é pensar que se o incidente do segundo golo tivesse surgido mais cedo, a coisa poderia ter acabado de forma ainda mais embaraçosa.

A fase da temporada, porém, não justifica que se perca muito tempo a olhar para trás. Em breve jogar-se-á tudo e não há outro remédio que não seja concentrar todas as atenções nos embates decisivos que se aproximam, particularmente o da Luz. O clássico ainda não começou, mas já se joga. Começou a jogar-se com a derrota do Benfica em Guimarães, que aumenta a pressão sobre os encarnados. Continuará a jogar-se na próxima jornada, especialmente e de novo, para o Benfica que tem uma deslocação teoricamente mais complicada. Mas poderá também ter tido hoje um dado novo, não pela eliminação, mas pela volumetria da derrota. Perder por 4 pode não fazer diferença na sentença da eliminatória, mas não é liquido que não faça na confiança dos jogadores.

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17.2.12

É outro campeonato...

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- Muito semelhante o jogo do Sporting, em relação ao do Benfica, 24 horas antes. A diferença maior será mesmo o golo que o Benfica ofereceu quando parecia ter já extraído empate tão generoso como o que o Sporting agarrou. É claro que o Zenit não é o Legia, e as dificuldades do Sporting parecem ter como explicação uma abordagem menos ajustada da equipa, em relação à do próprio Benfica. Afinal, que tempo teve a nova equipa técnica para preparar este jogo? Ver um Sporting a parecer fazer uma aprendizagem "on the job", com todos os riscos que isso tem, voltou a fazer-me coçar a cabeça sobre o timing desta mudança técnica: Na situação do Sporting, foi quase como mudar de equipa técnica a 3 dias de uma final: foi mesmo só por questões técnicas?! A irracionalidade pode chegar a este ponto?! Sobre o futuro imediato do Sporting, o resultado acaba por importar bem mais do que a exibição. Sobre Sá Pinto e o seu futuro imediato, mantenho o mesmo prognóstico, que não é muito diferente daquele que faria caso Domingos tivesse permanecido. Ou seja, adivinha-se um contexto favorável à evolução da equipa, com o regresso de alguns jogadores e uma série de jogos caseiros onde a probabilidade de vitória é grande. Eu penso que as melhorias virão rapidamente, já quanto aos pormenores, ainda vamos ter de esperar mais um pouco para saber, porque ainda não houve tempo para nada...

- No Dragão, o Porto perdeu quando parecia ter feito o mais difícil para ganhar. O que salta à vista para quem está habituado a ver o Porto jogar semana após semana para o campeonato, é a diferença de resposta a cada duelo individual. Uma diferença que marcou, em grande parte, o destino do jogo. No primeiro caso, Álvaro Pereira faz tudo bem, antecipa a diagonal de Balotelli nas costas dos centrais, ganha-lhe a frente e impede-o de chegar à bola. O problema é que quando se encostou ao italiano para o afastar definitivamente... foi ele quem voltou para trás. Quantos avançados da nossa liga teriam a mesma capacidade física? Se calhar, nenhum. Depois, uma, duas, três, ..., inúmeras vezes vemos o Porto forçar a saída em posse a partir de zonas baixas. Com Moutinho, então, parece sempre infalível. Desta vez, não foi. O problema é que quando se tem Aguero, Nasri e Touré nas costas, uma vez pode ser tudo o que é preciso. São outros campeonatos...

- Quando me pedem projecções sobre a Liga Europa, quase sempre a conversa encerra na volatilidade dos favoritos. Para a maioria das equipas das 5 principais ligas, esta prova é assim como que uma espécie de Taça da Liga Europeia, e por isso é que raramente os favoritos a ganham, ao contrário do que acontece, por exemplo, na Champions. Este ano a Europa tem os olhos colocados nos gigantes de Manchester, mas não daria como definitivo que seja assim tão simples. Para já, não houve grandes surpresas (os 2 ingleses não jogam no fim de semana), mas vamos ter de esperar pelas eliminatórias em que os jogos sejam intercalados com a fase decisiva das principais ligas, onde todos os pontos contam para definir campeões ou apuramentos para a Champions League. É capaz de ser um frete para muitas destas equipas... Redknapp e os franceses que o digam!

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14.2.12

O regresso da Europa

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- Não é uma fase final de Champions que levante grandes expectativas. Antes dos oitavos de final, 66% do favoritismo era reservado para os dois grandes de Espanha, e dificilmente alguém imaginará um cenário distinto desse. O aliciante especial neste ano está em perceber se o Barça será capaz de fazer aquilo que nenhuma equipa conseguiu desde que a Champions é "Champions", ou seja, ganhar por dois anos consecutivos. Seria, no fundo, a materialização em termos de títulos de um feito condizente com aquilo que a equipa representa para os anos que passaram. Tudo parece óbvio, mas é só quem tiver muita falta de memória poderá menosprezar os caprichos em que o futebol é fértil em provas destas características.

- Entretanto, na Liga Europa, começou o curioso duelo entre Braga e Besiktas. É interessante perceber como os feitos recentes dos bracarenses lhe creditaram algum favoritismo (ainda que tangencial) para esta eliminatória. É algo que não faz muito sentido, se considerarmos que o Besiktas tem uma série de jogadores com que o Braga não pode sonhar. Para já, o Besiktas conseguiu uma vantagem praticamente decisiva e só um jogo perfeito em Istambul pode inverter esta tendência. Algumas notas sobre alguns protagonistas: Leonardo Jardim, que apesar da derrota volta a fazer uma época excelente, sendo mais um treinador que aparece com um trajecto quase perfeito e já com algum tempo de carreira. Manuel Fernandes, cujo talento sempre me entusiasmou e que parece ter ganho alguma consistência nos últimos meses, sendo aparentemente uma solução a considerar para a Selecção. Finalmente, Carvalhal que tal como tinha antecipado aquando da sua partida para Istambul, abriu para si uma oportunidade interessantíssima num clube de enorme dimensão e num país em que o futebol está em franco crescimento (tem sido a sétima liga da Europa que mais investimento fez nos últimos 3 anos).

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19.8.11

Empate do Sporting e os portugueses na Liga Europa (Breves)

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Mais um empate para o Sporting. Não deixa de ser curioso que, depois de uma pré época em que tanto se falou dos aspectos defensivos, seja pelo lado ofensivo que a equipa fica a dever a si própria melhores resultados, no arranque oficial. Curioso, mas não surpreendente. Algumas notas de opinião sobre o jogo:

- "ganhar" e "jogar bem". A dicotomia de que havia escrito, na última análise. Não é possível "ganhar" com frequência, sem "jogar bem". Mas, de igual modo, não me parece provável que se "jogue bem" muitas vezes, sem "ganhar". O Sporting não fez um grande jogo, mas teve ocasiões mais do que suficientes para se exigir um golo. Um golo que daria outra confiança, outro conforto, e, com alguma probabilidade, outra exibição. Sem o golo, sem a eficácia, não se fomenta a própria confiança, e alimenta-se, ao invés, a esperança de quem acredita num feito. Não surpreende a quebra na recta final do jogo, assim como não me parece preocupante a exibição. Não, porque não se pode esperar que uma equipa possa manter sempre o mesmo o ritmo, a mesma intensidade mental e física, durante 180 minutos, numa mesma semana, e sempre lidando contra a frustração de ter o resultado a seu desfavor. Mas, parece-me preocupante, isso sim, que vá acumulando essa mesma frustração.

- Domingos apostou, creio que deliberadamente, nos mesmos. Discordo que este seja o melhor onze, e entendo que há mesmo erros potencialmente crónicos (finalização, já se sabe), mas estou de acordo que, havendo uma aposta, esta seja continuada. Aliás, é assim que deve ser, se realmente houver confiança nas avaliações previamente feitas. Mas, regressando à questão do onze, a vantagem de o repetir passa por, não só cimentar rotinas, como poder evoluir em especificidade e, mais importante que tudo, alavancar a confiança dos protagonistas, quer no plano inter-relacional, quer na relação de confiança com a própria proposta de jogo que está a ser implementada. Dois problemas aqui: 1) é claro que o melhor onze acabará por não ser este (pelo que a especificidade não se aplica como devia). 2) Sem vitórias o efeito confiança fica, no mínimo, limitado. Este foi, de resto, um aspecto que abordei muito no ano passado, com o Porto, e que considero poder ter sido muito importante para o crescimento da equipa.

- Finalmente, falar de outro problema já antecipado: as lesões. Já se sabia de Rodriguez (ainda não aconteceu), Izmailov, Bojinov e Matias. Agora, o jogador que mais resposta tem dado em termos de capacidade de desequilíbrio, Jeffren, também ameaça ser inconsistente na sua disponibilidade. Não ajuda...


Em relação aos outros resultados de equipas portuguesas, pouco optimismo. Os nulos, não sendo maus, também não abrem espaço para grande confiança. O resultado em Madrid é normal. Pelo menos o Braga, seria bom que passasse...

Nota também para os treinadores portugueses. Jesualdo, num Panathinaikos em franco desinvestimento, foi copiosamente batido em Israel. Não menos "copioso", foi o desaire de Paulo Sérgio frente ao Tottenham. É certo o desnível, mas 0-5, é sempre muito. Finalmente, o excelente arranque de Carvalhal, no Besiktas. É um caso que acompanharei com curiosidade, porque os turcos têm uma excelente equipa, que, acredito, pode ser muito melhor aproveitada com o treinador português. É uma grande oportunidade para Carvalhal, num grande clube, de um país com enorme potencial para crescer nos próximos anos. Entre os jogadores, tenho particular esperança na evolução de Manuel Fernandes. Se evoluir no critério, poderá, ainda, tornar-se num grande jogador.

Outro caso a não perdeer, é o da Roma. O primeiro "case study" de importação do "modelo barça", e um enorme teste à viabilidade da ideia. Maior do que qualquer das teorias entretanto defendidas, seja num sentido, ou noutro. Os resultados não são ainda definitivos, mas são, para já, desastrosos (só vi 1 jogo, e percebe-se porquê...). Enquanto Luis Enrique continuar, e mantiver o modelo, o balanço vai a tempo de ser invertido...

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19.5.11

Porto - Braga: Estatística e Opinião

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1- Tinha a expectativa sobre a estratégia de Domingos. Iria ser especifica, perante a qualidade do adversário? Se tivesse de apostar, diria que não, mas o facto é que essa especificidade se confirmou. O Braga jogou em 4-1-4-1, e, na minha perspectiva, foi uma boa opção. Porquê? Porque permitiu um controlo permanente do espaço entre linhas (Vandinho) e permitiu também que houvesse uma pressão mais estratégica sobre o meio campo portista, nomeadamente, anulando/limitando a influência de Moutinho em posse, em vez de lançar 2 homens numa pressão mais alta, menos discriminante, e, previsivelmente, sem apoio grandes possibilidades de apoio da linha média (aqui, pelo efeito do tal posicionamento organizacional do Porto, em posse).

2- A alteração organizacional do Braga é importante na definição do balanceamento do jogo (não foi tanto para o resultado), porque, ao alterar, o Braga criou, de facto, problemas de penetração ao Porto, que ainda encontrou alguns espaços em passes largos nos primeiros minutos, mas que foi progressivamente perdendo essa capacidade. É importante, também, porque permite especular - nunca saber exactamente - sobre o peso que terá tido a mudança especifica no rendimento do próprio Braga. É que, se em termos defensivos a equipa conseguiu grande parte do seu objectivo, foi também evidente o seu rendimento abaixo do normal em transição. Muito mérito para a qualidade que o Porto tem na resposta a esse momento táctico (Moutinho, Fernando e Otamendi, em destaque), muito demérito para a desinspiração individual de várias individualidades arsenalistas, mas... até que ponto houve influência de uma menor identificação com o posicionamento base adoptado? Na minha opinião, diria os dois factores que elenquei primeiro serão bem mais decisivos.

3- Mas, se da parte do Braga houve um rendimento abaixo do esperado, também do lado do Porto isso aconteceu, como, aliás, Villas Boas teve a lucidez de reconhecer. O treinador lamentou o facto, deu o mérito ao Braga e mostrou compreensão pelo sucedido, dada a natureza do jogo. De facto, foi um jogo bem abaixo do rendimento habitual da equipa, em vários parâmetros, nomeadamente ao nível da sua ligação ofensiva. É mais normal que tal tenha acontecido na primeira parte, onde, de facto, havia pouco espaço para jogar, mas esperar-se-ia mais, sobretudo quando o Braga arriscou mais em termos de zonas de pressão. Dentro das atenuantes, claramente, a organização do Braga é aquela que me merece mais relevância.

4- Há um ponto que importa salientar (não será a primeira vez que o faço) na estratégia do Braga e, em particular, na dificuldade que o Porto sentiu em encontrar espaços. Artur repôs a bola em jogo por 31 vezes, mas apenas por 1 vez não bateu a bola longa para o meio campo contrário. Ora, isto impede o Porto de pressionar e de ganhar a bola mais vezes no meio campo contrário. Obriga a uma primeira "batalha" (que o Porto venceu muitas vezes, diga-se) e nem sempre permite uma saída em boas condições para as acções ofensivas. Se juntarmos a esta preocupação estratégica, a qualidade do Braga em organização defensiva, fica fácil perceber porque é que o Porto teve tantas dificuldades em encontrar os espaços para ser mais perigoso ofensivamente. Mesmo, se poderia ter feito mais.

5- Feito o esboço do que foi o jogo, não admira muito que o jogo tenha sido definido da forma que foi: ou seja, no aproveitamento de um lapso (raro) de uma das equipas. Aliás, também o Braga o poderia ter feito numa situação do mesmo tipo. Perante isto, teria de ser a eficácia a decidir e foi o Porto a levar a melhor, muito porque, realmente, teve do seu lado o único rasgo de alguma inspiração que o jogo conheceu.

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18.5.11

Final azul (Breves)

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- O desfecho não surpreendeu, mas talvez o jogo não tenha sido propriamente aquele porque todos esperavam. Da minha parte, pelo menos, não foi. Esperava mais de ambos dois lados, em especial de quem ganhou. Não que o Braga tivesse feito um bom jogo. Pelo contrário, teve mais condições do que se esperaria para vencer e, se não o fez, foi precisamente porque não esteve à altura do que se propunha para esta final. O que sucede é que também o Porto esteve muito aquém do que pode fazer. Muito mais quando teve um jogo que lhe correu bem...

- Voltarei ao jogo, com mais detalhes de análise, mas quero, para já, deixar novo sublinhado sobre a importância da capacidade de superação nos momentos chave. A eficácia, mais do que qualquer outro factor, decidiu a final. Aliás, já havia sido decisiva em ambas as meias finais. O ponto interessante sobre a eficácia é que se trata de um dos maiores mistérios do futebol: todos reconhecem a sua importância decisiva, mas será que alguém a sabe realmente controlar? Será que, a prazo, é possível distinguir tendências diferenciadoras, ou tudo o que existe são ciclos aleatórios? Duvido que haja quem tenha respostas com fundamentos objectivos para estas perguntas, mas estou certo de que, quem as tiver, estará sempre muito mais próximo de ganhar...

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Final Liga Europa - Notas de antevisão

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1- Começo por pegar em expressões sublinhadas por ambos os treinadores, na antevisão do jogo: "teremos de estar nos limites", disse Domingos; "o futebol, acima de tudo, são momentos de transcendência e de motivação". Cada um com os seus motivos, mas ambos tocaram no ponto fundamental desta, ou de qualquer final: o nível de resposta mental. Há aspectos e pontos de interesse de ordem táctica, mas, como sempre, o tudo ou nada pode ser definido por um pequeno detalhe que, qual teoria do caos, desencadeie consequências gigantescas na definição do jogo. Não espanta que ambos tenham coincidido neste ponto... afinal, não é por acaso que serão dois dos treinadores que mais conseguiram potenciar as respectivas equipas no futebol europeu desta época.

2- Um excelente ponto de partida para o jogo, será o último duelo entre ambos, no inicio da segunda volta. O Porto foi claramente mais forte, conseguiu puxar para si o domínio, mas só resolveu nos pormenores. A fórmula portista será a mesma, apelando à lucidez colectiva em todos os momentos, mas destacando-se, tacticamente, pela incidência que faz do seu trabalho da posse, em organização. Abrir os laterais, "afundar" os extremos do Braga e usar a qualidade e critério dos protagonistas do corredor central para definir os tempos e zonas de progressão. Estes serão os alicerces do edifício de jogo portista para a final. Da sua qualidade de implementação, por um lado, e da resposta que lhe for dada, por outro, se começará a desenhar o vencedor.


3- Do lado do Braga, dois problemas essenciais para resolver. Primeiro, e voltando ao primeiro ponto, a resposta individual dos jogadores. Sem ponta de sofisma, não há qualidade colectiva sem desempenho individual. O Braga tem dado respostas titubeantes nos últimos jogos, podendo começar pelo exemplo de Mossoró, precisamente no jogo contra o Porto, passando por Vandinho e Paulão na primeira mão da meia final, frente ao Benfica, e terminando em Hugo Viana, ainda no fim de semana anterior. A resposta, para que o sonho mantenha realista, terá de ser melhor.

4- O outro problema do Braga, é mais interessante do ponto de vista táctico. Tem a ver com a opção portista de abrir os laterais em posse, atraindo os extremos para zonas mais baixas e delegando as responsabilidades da construção no núcleo central. O problema, para o Braga, não está apenas na qualidade da dinâmica do meio campo do Porto, mas no facto de, baixando os extremos, ficar automaticamente relegado para um bloco mais baixo, condicionando seriamente o momento de transição. Tenho a curiosidade de verificar se haverá, da parte de Domingos, uma resposta especifica para o problema. Pessoalmente, diria que é preferível correr o risco de ver a bola entrar nos laterais, por cima dos extremos, do que perder capacidade de recuperação em zonas mais altas. Mas todas as soluções terão prós e contras.

5- O Porto, por seu lado, conta com o favoritismo, que não resulta de qualquer comparação de currículos, mas da perspectiva realista sobre o valor das equipas e daquilo que ambas mostraram ao longo da época. Para o Porto, porém, há que considerar que, apesar da superioridade territorial no jogo de Braga, o resultado só foi conseguido através de detalhes. Essa é a grande ameaça: a eficácia. O Porto, para além da qualidade, tem contado com a eficácia, mas terá de voltar a tê-la, porque do outro lado está também uma equipa que, potencialmente, poderá precisar de pouco para marcar a sua posição no jogo.

6- Importa, ainda, perspectivar o capítulo individual, na equipa portista. Otamendi fez o seu melhor jogo na Pedreira, e, a meu ver, deverá jogar. O central pode ser uma mais valia se estiver bem, mas também um dos principais candidatos a vilão, em caso de menor inspiração. Mais à frente, surge Guarin, um pouco na mesma medida de Otamendi. Guarin é, hoje, um desequilibrador ofensivo e é aí que marca a sua mais valia. Mas o colombiano é também um dos jogadores mais vulneráveis em posse, pelo que, e tal como Otamendi, é candidato principal a um papel nos dois extremos do protagonismo: herói ou vilão. Há ainda a dúvida sobre o extremo que jogará, mas porque Varela foi aquele que melhor resposta deu nos grandes momentos, imagino que possa ser ele o escolhido. Finalmente, e voltando ao jogo da Pedreira como rampa de lançamento para este duelo, resta lembrar que se o Porto teve dificuldades em materializar o domínio, também é bom notar que nesse jogo não esteve... Falcao.

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7.5.11

Braga - Benfica (I): espaço entre linhas e ataque posicional

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Falei do tema mesmo antes do jogo, porque era (e é!) uma das vulnerabilidades tácticas do Braga. O "espaço entre linhas" (mais precisamente, a zona à frente dos centrais) tem a importância de, ao ser controlado pelos médios, garantir a estabilidade da última linha defensiva, tornando mais difícil desorganizar a zona mais importante para quem defende. No caso do Braga, a amplitude de acção do duplo-pivot faz com que seja possível trabalhar a exploração desse espaço fundamental. Não que seja "fácil", mas porque, sendo possível, parece-me importante tentá-lo.

Aimar e Martins? Não justifica...
Na primeira mão, o Benfica conseguira explorar esse espaço, conseguindo, talvez mais do que em qualquer outra situação, criar dificuldades ao Braga. Não o fez com grande frequência, nem sequer se notou uma intencionalidade especifica, mas a equipa contou, então, com Aimar, que tem na qualidade de movimentos a maior das suas virtudes. O 10 foi individualmente responsável por esses movimentos.

Convém não confundir as coisas: não é por Aimar "oferecer" à equipa essa capacidade que o dedo acusador deve incidir sobre quem o substituiu. Se existir uma visão colectiva, o objectivo tem de estar presente, seja quem for que jogue. Martins tem outra característica, mas o seu posicionamento foi deliberadamente próximo de Javi Garcia, retirando à linha média capacidade de ligação com o duo da frente, pelo corredor central.

Na verdade, a exploração do "espaço entre linhas" não estava dependente da acção dos médios centrais. Poderia ter potenciado uma mobilidade interior dos alas, por exemplo, mas isso nem aconteceu, nem é hábito acontecer. Não é a primeira vez que, no ataque posicional encarnado, destaco aqui o privilégio da impulsividade, em detrimento de uma maior racionalidade. Mas há, naquilo que se viu na segunda parte, outro ponto interessante a merecer reflexão...

Ataque posicional: laterais em profundidade
Será um tema que provavelmente merecerá mais detalhe: o Benfica utilizou, na segunda parte, uma opção próxima do que acontece mais recorrentemente com Porto e Barcelona, por exemplo, mas que também já se viu no Benfica (e que já falei aqui). Ou seja, recuou Javi Garcia para a linha defensiva e abriu os centrais, colocando os laterais em profundidade.

A vantagem disto - e resultou! - é tornar a tarefa mais difícil para a primeira linha de pressão do adversário, obrigando os extremos a "afundar" no campo e tornando zona mais alta demasiado larga para apenas dois jogadores.

O ponto é que, normalmente, esta opção é usada para libertar espaço de construção para a linha média, e no corredor central. No caso do Benfica, porém, a opção serve apenas para tirar risco à posse em construção. Ou seja, a equipa obriga os alas contrários a abrir e baixar, mas depois vai precisamente ao seu encontro, saindo pelos corredores laterais, e não tendo qualquer "plano" para regressar ao interior. Na segunda parte, em Braga, foi a isso que assistimos, com o Braga a ser obrigado a jogar mais baixo, sim, mas também a não ter dificuldades em criar zonas de superioridade nas alas, sempre que a bola lá entrava.

Um primeiro aperitivo para a final
Já agora, e em jeito de primeira antevisão para a final, este é um problema que o Braga e Domingos terão de considerar de outra maneira. No campeonato, em Braga, o Porto também abriu os laterais em profundidade e dificultou a vida à primeira linha de pressão do Braga. A diferença, claro, é que ao contrário do Benfica, o ataque posicional portista sabe bem que caminhos deve seguir.

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6.5.11

Braga para História (breves)

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- Nem sempre é assim, mas desta vez correspondeu em grande medida à antevisão que tinha feito. O Braga, tentando dominar, mas sem entrar em loucuras. Privilégio para a lucidez, para o controlo emocional e para a exploração dos pormenores que o jogo pudesse oferecer. Assim foi, e se o Braga venceu, fê-lo muito pela diferença de aproveitamento que conseguiu nas poucas oportunidades que o jogo teve. No Benfica, também esteve em evidência um aspecto que destacara ontem, mas, desta vez, pela negativa. Refiro-me ao espaço entre linhas e à evidente incapacidade da equipa em explorar o corredor central. Tem muito a ver com a característica de Martins, em relação a Aimar, mas também tem com uma incapacidade estratégica em tentar explorar o ponto onde havia mais debilidades no seu opositor. Assim, ficou relegado para o que os corredores e Cardozo pudessem criar. Podia ter dado, mas não deu...
(voltarei com mais detalhes sobre o jogo...)

- Interessante abordar o duelo de treinadores, que até poderá vir a ser um factor de animação dos próximos derbis lisboetas (será?). Para irmos ao epicentro desta rivalidade temos de regressar ao inicio do trajecto de Domingos em Braga e ao episódio em que Jesus reclamou para si próprio os méritos dos ainda precoces sucessos do Braga de Domingos. Não estou certo se Jesus o disse convictamente, ou como mera manobra provocatória, mas, e como o expliquei na altura, tratava-se de uma observação completamente desprovida de sentido, tendo em conta as diferenças óbvias na ideia e modelo de jogo de ambos. Seja como for, e aqui não está presente qualquer comparação qualitativa entre os dois, creio que essa falácia, entretanto por muitos alimentada, termina em definitivo aqui. De qualquer modo, esse episódio servirá hoje, e com toda a certeza, de tempero suplementar no sentimento de ambos os treinadores perante o desfecho desta eliminatória.

- Uma nota para alguma contextualização que é preciso fazer: é um facto que tivemos três equipas portuguesas nas meias finais desta prova, mas isso não deve servir para que se confunda uma taça europeia com uma taça nacional. É estranho que se diga que uma competição europeia "não salva uma época", quando se trata de uma competição muito mais prestigiante e difícil de conquistar do que qualquer título interno. Nesse sentido, o trajecto das três equipas - qualquer uma! - é excelente nesta competição, sendo que isso não deve ser ignorado ou confundido pela "portuguisação" da prova. Claro... nada se compara ao feito do Braga e de Domingos, que, em termos relativos, encontra pouco paralelo na História das competições europeias.

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5.5.11

Braga - Benfica: breve lançamento, olhando para a 1ª mão

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1- Começando pelo Braga, Domingos não escondeu o seu desapontamento em relação à exibição da equipa, e tem razão. Foram várias as exibições individuais que deixaram muito a desejar. Defensivamente, mais saliente na primeira parte, com vários erros em posse em zona de construção e alguma falta de protecção da zona entre linhas. Ofensivamente, um pouco durante todo o jogo, mas com relevo para nomes como Alan e Lima, em quem a equipa deposita grandes esperanças de acréscimo qualitativo, mas que na primeira mão não foram capazes de corresponder na definição das jogadas ofensivas. Se o Braga quiser acalentar esperanças de passagem, terá de contar, primeiro que tudo, com muito maior inspiração individual.

2- No Benfica, igualmente alguns motivos para reservas. Em particular, foram dadas demasiadas oportunidades ao momento de transição defesa-ataque adversário, apenas não mais severamente punidos pela tal desinspiração bracarense. Permissividades vistas, quer pelas dificuldades impostas pelo pressing do Braga, quer em situações de reposição rápida de Artur Morais. O jogo deverá ser diferente, é certo, mas convém que o Benfica esteja mais precavido para estes pormenores.

3- Estrategicamente, e embora seja obrigado a recuperar o resultado, não me parece que o Braga assuma grande risco desde inicio. Tentará assumir as rédeas do jogo, fomentar as combinações nos corredores laterais, pressionar (importante!), e, se possível, mandar territorialmente no jogo. Mas, nunca fará do jogo um contra relógio. O lado emocional do jogo é, por norma, o ponto forte da equipa, e Domingos deverá querer que os jogadores mantenham a tranquilidade, fundamental para que a intensidade seja positiva e assertiva. A arma da equipa serão os pormenores, bolas paradas e momentos de circunstancial desorganização do adversário.

4- No Benfica, é possível e provável termos duas linhas de quatro e uma estratégia mais contida desde o inicio. Aposta clara no controlo dos espaços e no equilíbrio em transição. Os riscos serão os habituais: erros em posse e controlo emocional. As vantagens também são óbvias: mais qualidade e, claro, o resultado. Mas, há ainda o duplo-pivot do Braga. Na primeira mão, foi quando ultrapassou a linha média que a equipa mais perturbou o adversário, obrigando os centrais a sair da posição. Desta vez, e embora não tenha Aimar, poderá não ter de o fazer exclusivamente em organização, mas - é importante notar! - se os dois médios permanecerem demasiado próximos (lado a lado) nos momentos ofensivos, será mais fácil para o Braga proteger-se defensivamente desta vulnerabilidade. Depois, claro, há as bolas paradas, onde o Benfica continua fortíssimo.

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29.4.11

Porto - Villarreal: Estatística e Análise

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1- Tenho de começar por abordar a atipicidade do jogo. É que, sendo objectivo, a goleada encontra a sua principal justificação na enorme diferença de eficácia entre as duas equipas, e não no número de oportunidades que estas construíram, que, tudo somado, foi muito próximo. Não posso, portanto, concluir que o Porto foi substancialmente mais competente do que o seu adversário na interpretação da proposta que trazia para o jogo, e a forma mais correcta que encontro para tentar explicar o sucedido é através do recurso a uma expressão utilizada pelo próprio Villas Boas: "a transcendência dos jogadores". Se, para além da eficácia, constatarmos ainda que a maioria dos lances de perigo eminente do Villarreal foram salvos por jogadores portistas, e não apenas desperdiçados pelos adversários, então fica clara a conclusão de que o resultado, sendo a consequência de um diferencial de aproveitamento, é também o reflexo da diferença da capacidade de superação dos jogadores nos momentos chave do jogo. Mérito para eles, portanto.

2- O jogo começou com intenções claras de parte a parte. O Porto, percebendo a natureza do adversário e a sua disponibilidade para sair em apoio praticamente de qualquer zona do campo, arriscou no potenciamento do erro, subindo linhas e tentando roubar a bola em zona alta. O Villarreal, por seu lado, trouxe um 4-2-3-1 muito assimétrico, disposto a tentar tirar partido da profundidade à direita (Nilmar) e do apoio interior vindo da esquerda (Cani). O momento de transição seria, assumidamente, a sua aposta. O facto é que, perante este balanceamento foram os espanhóis quem conseguiram maior aproveitamento qualitativo das suas intenções, e de longe. Por 4 vezes nos primeiros 50 minutos Helton teve jogadores contrários isolados na sua frente, num registo provavelmente sem paralelo nesta temporada. O Villarreal sai goleado do Dragão, e nada servirá de prémio de consolação perante este desaire, mas fica, para quem viu, o registo da equipa que mais problemas causou ao Porto no seu estádio esta temporada. Mais do que os vencedores Benfica, Sevilha ou Nacional.


3- Ainda sobre os problemas do Porto na primeira parte, é verdade que a maioria dos lances aconteceu sobre a direita, mas mais relevante do que distinguir o lado dominante para o desfecho das acções, parece-me ser identificar a origem das mesmas. E, aí, a meu ver, entram três factores. A zona de perda da bola (muito baixa, com alguns erros na primeira parte), o risco da linha defensiva ("batida" várias vezes na tentativa de jogar alto e encurtar espaços) e o mérito do Villarreal (jogadas simples, por vezes condicionadas, mas que, mesmo assim, encontraram o tempo e definição certas). Sobre este último ponto, volto a lembrar algo que referi há tempos a propósito de um golo sofrido pelo Benfica nesta prova: nota-se uma grande diferença no aproveitamento que fazem jogadores de ligas como a espanhola ou alemã da "armadilha" do fora de jogo. Uma diferença que tem muito a ver com o hábito de jogar contra este recurso defensivo nesses campeonatos.

4- Da parte do Porto, o seu mérito tem muito a ver com a manutenção da intencionalidade e indiferença à adversidade. O jogo demorou a sair, mas quando saiu teve um impacto tremendo em termos mentais no jogo. Aliás, se houve equipa que mudou o jogo através de alterações próprias foi o Villarreal, retirando três dos seus melhores jogadores no jogo, e desfazendo a estrutura inicial. A reacção táctica ao impacto emocional da momento portista acabou por ser contraproducente, a equipa perdeu ordem, identificação e qualidade, acabando o "submarino" por afundar-se completamente. Foi, usando uma imagem do boxe, uma vitória por KO, e não aos pontos.

5- Nota para o segundo golo, provavelmente o que mais impacto teve no jogo. A jogada, com Hulk a abrir no flanco e Guarin a entrar no espaço entre o central e o lateral, é uma espécie de "clássico" desta época. Na goleada ao Benfica, por exemplo, esteve em foco o mesmo tipo de movimentação, então com Belluschi como protagonista.

6- Algumas notas individuais:
Sapunaru e A.Pereira - estrategicamente pouco participativos numa primeira fase, tentando levar com eles os extremos e deixando as despesas da construção para o corredor central. O costume. No último terço, e também num movimento habitual, Alvaro Pereira foi solução repetida para os cruzamentos, mas foi uma noite pouco inspirada.

Rolando e Otamendi - Um jogo muito difícil para ambos, tendo de jogar alto e assumir o risco de saber que se tem muito espaço atrás de si. Creio que não é por acaso que jogou Otamendi, que tem uma capacidade de reacção e recuperação muito maior do que Maicon. Se assim foi, Villas Boas acertou, porque foram decisivas as intervenções que ambos conseguiram em recuperação. De resto, e como é hábito, Otamendi muito mais interventivo defensivamente, Rolando muito mais certo com bola.

Fernando - Um jogo terrível para ele. Cometeu vários erros em posse, não conseguiu ser influente como é seu hábito e viu vários passes de rotura a serem protagonizados na sua zona.

Moutinho e Guarin - Dentro do melhor que se pode esperar deles. Moutinho, foi o mais influente e certo com bola, a melhor garantia da posse, e destacando-se pela excelente reacção à perda. Guarin foi outra vez o "homem bomba" da equipa, e uma espécie de barómetro da equipa. As suas primeiras tentativas foram um completo falhanço, mas quando acertou, teve um enorme impacto.

Falcao - De novo, a mesma referência. É repetitivo fazer-lhe os mesmos elogios, mas ele não deixa outra hipótese. Ou seja, é um temível finalizador dentro da área e a equipa tem tirado enorme partido dessa sua capacidade.

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Dublin falará português (breves)

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- Em primeiro, referir que acompanhei em directo o jogo da Luz, pelo que os meus primeiros comentários vão para este jogo. Nas próximas horas, acrescentarei a análise ao jogo do Dragão e depois regressarei com mais detalhes sobre o Benfica-Braga.

- Sobre o jogo da Luz, não foi, de facto, um jogo bem conseguido por alguma das partes. Diversos erros de parte a parte. No Braga, especialmente no capítulo técnico, notando-se claramente a diferença de qualidade entre os recursos das equipas. No Benfica, dificuldades em controlar o momento de transição do adversário, bem como em fazer uma melhor circulação, na primeira fase. O balanço, porém, não é tão dividido. O Benfica usufrui claramente de mais oportunidades, punindo de forma mais clara os erros contrários. Isto, e mesmo se os golos só vieram depois do intervalo, em especial na primeira parte. Aliás, entre a primeira e segunda parte, houve essa diferença, não só de eficácia, mas de maior equilíbrio de oportunidades.

- A eliminatória está perfeitamente em aberto, com o Benfica a ter maior favoritismo, sim, mas com ambos os treinadores a terem motivos para preocupações. Domingos, pela necessidade de vencer, mas também pelos sinais de nervosismo de alguns dos seus jogadores. Jesus, porque, apesar da merecida vitória, ter ficado claro que o Benfica está longe de estar num bom momento e que perante um adversário mais inspirado, rapidamente poderá pagar um preço elevado. Isso e, claro, ter perdido aquele que se revelava, nesta altura, como o elemento em melhor momento da equipa, Pablo Aimar.

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15.4.11

A confirmação das meias finais históricas (Breves)

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- Começo pelo Braga, porque era a grande dúvida para a segunda mão. Incrível o feito desta equipa! Para além de não ter (como é mais do que óbvio!) os recursos individuais das outras equipas, teve, também, uma série de condicionalismos que fragilizariam qualquer equipa e qualquer plantel numa fase destas. Perante tudo isto, e acrescentando uma expulsão com 30', o Braga controlou quase completamente o jogo e ainda teve espaço para criar as suas próprias oportunidades para o vencer. Não foi um jogo de sofrimento, foi um jogo de controlo, onde, sendo justo o nulo, o Braga foi a única equipa que se aproximou verdadeiramente da vitória. Individualmente, nota especial para Alan: aquilo que escrevi sobre os veteranos, há dias, encaixa perfeitamente em Alan. Se tivesse 25 anos teria meio mundo atrás dele, porque - e salvo melhor opinião - entre todos os extremos do futebol português, apenas Hulk tem um rendimento superior ao dele nesta temporada...

- Na antevisão das meias finais, entusiasma-me o embate entre Porto e Villareal. Será um adversário mais difícil do que todos os outros que o Porto teve até aqui (já o tinha antecipado, há algumas semanas...). É uma equipa que consegue ter períodos de enorme intensidade, com uma circulação objectiva e intensa e, sobretudo, uma fortíssima reacção à perda, que possibilita à equipa períodos de grande domínio nos jogos. Individualmente, sem dúvida, o destaque vai para Rossi. É, só, um dos mais fortes finalizadores do futebol mundial na actualidade e penso que poderia ter sucesso em qualquer equipa. O Porto é, ainda assim, favorito, porque é uma equipa mais forte em termos globais (ou seja, tendo em conta todos os momentos do jogo), e porque tem uma noção mais lúcida e racional da gestão das partidas.

- Quanto ao Braga-Benfica, sendo uma eliminatória histórica, é também bem menos interessante para o público português. O Benfica é naturalmente favorito, mas o registo entre os 2 clubes nos últimos anos mostra que o Braga é um adversário perfeitamente capaz de superar o Benfica. Há 2 aspectos que, a meu ver, definirão a eliminatória. Do lado do Benfica, o estado emocional da equipa no momento dos jogos. No Braga, a disponibilidade das principais soluções que ainda restam a Domingos...

- Para finalizar, nota sobre o primeiro golo do Porto, em Moscovo. É uma transição cuja simplicidade de resolução parece impossível à partida, dado que Hulk parte para o ataque rápido com 6 jogadores atrás da linha da bola e apenas Falcao à sua frente. Se o vídeo for parado no 0:06, vê-se uma linha de 4 jogadores que são totalmente ultrapassados com o passe vertical de Hulk. Não só o posicionamento é ineficiente, como a falta de reacção dos jogadores é inexplicável, perante a situação em causa. Seja como for, é absolutamente notável a explosão de Hulk. No final de 80 metros, e depois de ter batido mais de meia equipa, ainda tem o desplante de olhar para trás, para ver se pode oferecer o golo a Falcao. Não há muitos jogadores no mundo capazes de algo idêntico...
(vídeo aqui)

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8.4.11

Liga Europa quase conquistada! (Breves)

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- No Dragão, o Porto não começou bem. Aliás, a sua entrada podia ter comprometido uma eliminatória que acabaria praticamente resolvida no final do jogo. A verdade é que houve 2 indícios que sempre estiveram presentes e que acabariam por se revelar decisivos no volte face que o jogo conheceu. O "pressing" e a instabilidade da zona central da defensiva russa (Rojo a central?!). A sua posse, por outro lado, foi o que mais contribuiu na tal entrada adormecida, mas também nesse plano a equipa cresceu. Fundamental, mesmo, foi o primeiro golo, que atraiu o Spartak para menores níveis de organização e lucidez, abrindo mais espaços e possibilitando uma verdadeira "avalanche" de oportunidades portistas na segunda parte. Destaque, aí, para as dificuldades dos russos na resposta a cruzamentos. Quer no controlo de Falcao (voltou a mostrar que é neste tipo de movimentos que é realmente um fora de série), quer, mesmo, na resposta às bolas paradas. Há que começar a pensar nas meias finais...

- Na Luz, impressionante intensidade do Benfica desde o minuto inicial. Há que notar a importância do público para que a equipa pudesse recuperar níveis de motivação, entusiasmo e confiança, que tanto parecem condicionar a qualidade do seu jogo. Se tivéssemos um Benfica em fase positiva, provavelmente o pesadelo do PSV teria sido ainda maior. Fortíssima intensidade, sobretudo visível na reacção à perda e na rapidez de desdobramento ofensivo. Ainda assim, o PSV, creio, justificou o golo, mesmo contando com o erro de Roberto. É que o Benfica voltou a não estar muito bem na tentativa, que me pareceu deliberada, de gerir o jogo e controlar o adversário. Valeu o último fôlego, embora seja da opinião de que mesmo com a margem mínima, o Benfica continuaria a ter um forte favoritismo para sair vencedor desta eliminatória.

- Quanto ao jogo do Braga, não pude ver. Foi um bom resultado, mas não foi ainda feito o mais difícil. Nesta altura, porém, é impossível considerar o Dinamo favorito, se atendermos ao currículo caseiro do Braga de Domingos. Não pára de espantar, o Braga. Não é pela história que é um feito incrível. É, isso sim, pela conjugação de uma absurda diferença de orçamentos e uma anormal série de contrariedades e perdas desde o inicio da época. Que mais terá para nos oferecer?!

- "O "ouro" do sorteio está nos países baixos!", escrevi na antevisão do sorteio dos quartos de final. A escola holandesa actual esteve em discussão aí, mas também no perfil dos treinadores que se lançaram nas "eleições" do Sporting. O liga holandesa tem boa qualidade individual (bem melhor que a portuguesa, em termos médios) e um grande enfoque na posse e no jogo em apoio, como se viu, aliás, no caso do PSV. O ponto - e volto a insistir nisto - é que o futebol não se define pelo enfoque que se dá a um estilo, mas sim pela capacidade e coerência que as equipas apresentam em todos os momentos que o jogo tem. Confesso que me espanta como certo tipo de ideias líricas continuam a ser "vendidas" em tantas prosas sobre o jogo...

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18.3.11

Benfica, Porto e Braga, o sonho europeu (Breves)

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- Começo com probabilidades, inferidas das casas de apostas:
  • Porto 28%
  • Villareal 20%
  • D.Kiev 12%
  • Benfica 12%
  • PSV 9%
  • Twente 7%
  • Spartak 7%
  • Braga 6%

Ou seja, probabilidade estimada de uma vitória portuguesa, 46%. Há muito que este me parece um ano anormalmente propício a esse feito, e, para já, o trajecto tem aumentando essa esperança. Nota para referir que estas probabilidades mudarão amanhã, com o sorteio.

- Em Paris, um bom resultado mas uma exibição "assim assim". Aliás, é um pouco irónica a história desta eliminatória. É que o Benfica começou por compromete-la com erros individuais e acabou por garanti-la, precisamente, com os erros individuais alheios. Porque não gostei do Benfica? Primeiro, porque não esteve bem no pressing (importante a presença de Makelele em posse), permitindo muitos passes verticais em organização, onde o PSG encontrou tempo e espaço para fazer o que o tanto procurava, os cruzamentos. Depois, porque a definição em ataque rápido não foi, habitualmente, a melhor (Saviola em destaque negativo e a confirmar uma tendência que já havia identificado recentemente). Na segunda parte, o rendimento melhorou, é verdade, mas mesmo assim foi preciso alguma felicidade para garantir esta qualificação. Finalmente, nota para o golo de Gaitan: a culpa tem de ser do guarda redes, mas é delicioso ver o jogador olhar para o área, indicar o cruzamento, e depois rematar.

- Uma nota sobre o PSG, e as equipas francesas. No dia anterior, vi um Lyon inocente demais para bater uma equipa inteligente e conhecedora do que deve fazer em todos os momentos do jogo ("dedo" de Mourinho, claro!). Mas vi também uma equipa que tem uma qualidade individual muito rara no futebol europeu. O PSG, tal como tinha previsto, não utilizou algumas mais valias durante praticamente toda a eliminatória (hoarau é, só, um dos avançados mais fortes no jogo aéreo, em todo o mundo). O Lille, por exemplo, foi eliminado jogando sempre com a segunda equipa. A razão pela qual os franceses não chegam longe nesta prova? Simplesmente, porque não a valorizam...

- Comentando, brevemente e em simultâneo, Porto e Braga: sem surpresas. Previsível no caso do Porto e confirmado no caso do Braga. As equipas de Domingos - e este é um aspecto para que venho alertando há muito - são muito fortes no plano mental. "Secar" o Liverpool - mesmo "este" Liverpool - em 2 jogos não é para todos. Com os recursos do Braga? É só para poucos. Muito poucos, mesmo!

- Já deixei a nota, no final da eliminatória anterior: os mais fracos são os holandeses. Um (Ajax), foi goleado. Outro (PSV), jogou contra a equipa que ainda era mais fraca do que os holandeses (Rangers). O Twente - que, em boa verdade, conheço menos actualmente - também me continua a deixar muitas dúvidas. O "ouro" do sorteio está nos países baixos!

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11.3.11

Liga Europa e o tempo de passe (Breves)

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- Em Moscovo, nova vitória portista numa campanha europeia, até ao momento, fantástica. A verdade é que - e apesar de ser melhor equipa - foi preciso também uma boa dose de felicidade, especialmente na primeira parte, onde houve grande dificuldade em controlar o jogo. O CSKA - que tem qualidade, em quantidade não inferior aos nossos "grandes" - forçou um jogo que apelidaria de impulsivo. As suas verticalizações não tinham grande ordem aparente, mas o caos, subitamente, pareceu fazer sistematicamente para os russos. O Porto estava equilibrado tacticamente, não perdeu o espaço, mas perdeu o tempo. E o tempo é tão importante como o espaço. Por isso, e por várias vezes, acabou exposto nas costas da sua linha defensiva. Por não controlar o momento de passe. Correcções na segunda parte, um pouco de eficácia e... mais uma vitória. A eliminatória, porém, não está resolvida. Se mais fosse preciso, o jogo com o Sevilha chega para essa conclusão. E, estou em crer, o CSKA não precisará de tanta sorte como os andaluzes. Convém que o Porto não "folgue", porque, numa competição como esta, tudo se desfaz num instante.

- Na Luz, de repente, a equipa voltou ao inicio de época. Subitamente, voltaram as teorias das lacunas tácticas, da necessidade de trocar este por aquele e, agora, do desgaste físico. Sim, desgaste físico numa equipa que parece viciada em ganhar os jogos ao 'sprint'! Seria interessante, não fosse um filme já demasiado visto e rodado. O Benfica entrou mal, essencialmente, porque perdeu o último jogo. Porque isso lhe afectou a confiança, e, tal como no inicio de época, errou demasiadas vezes em situações proibitivas. Claro que não ajuda a qualidade individual do PSG, assim como não fica fácil ter Sidnei em vez de David Luiz, ou muitos jogadores efectivamente limitados. Mas o problema, hoje como antes, não é essencialmente físico, técnico ou táctico. É mental, e por isso afecta tudo. Ainda assim, recuperou a tempo, fez valer o seu maior valor, e venceu. O Benfica é melhor equipa, sim, mas o PSG também tem o que é preciso para punir severamente um Benfica sem os níveis adequados de confiança. Convém manter os pés na terra e, já agora, a cabeça no sitio.

- No Minho, confirmou-se a ameaça do Braga. É uma época notável em termos europeus e ainda pode ter maior brilhantismo se as estrelas estiverem alinhadas na noite de Anfield. Domingos não tem um modelo com a qualidade táctica de Jesus, nem, tão pouco, a riqueza filosófica de Villas Boas. Mas as suas equipas - não só o Braga - têm, para além de competência, uma grande força mental. Invulgar, mesmo. É isso que explica (e deverá continuar a explicar) o seu sucesso. É que o futebol não é - nem de perto! - só técnica e táctica...

- Uma nota de opinião sobre as restantes equipas: O Villareal é o meu palpite para fazer frente às equipas portuguesas. Vi alguns jogos e têm momentos avassaladores. Os holandeses têm pouquíssimos hipóteses, essencialmente por terem enormes lacunas ao nível táctico. Parecem sobrar apenas os soviéticos, que conheço menos bem no plano colectivo...

- Uma nota final sobre o tipo de lances que identifiquei acima, para o caso do Porto, e o golo sofrido pelo Benfica. Ambos resultam de passes de rotura, que exploram as costas da linha defensiva. Mas há uma diferença. Enquanto que no caso do Porto, os centrais raramente estavam fora de posição e era a linha média que não conseguia pressionar o tempo de passe, no caso do Benfica é aos centrais que se pede essa pressão. É uma situação recorrente no Benfica e que normalmente é bem resolvida. Porquê? Porque os centrais adoptam grande agressividade na saída ao portador da bola, forçam o tempo de passe e a linha defensiva (fora de jogo) faz o resto. Desta vez, não houve essa agressividade (sobretudo Sidnei, incrivelmente expectante), dando tempo para que fosse Nené a decidir o tempo de passe.


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