31.12.09

Mais? Só em 2010...

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Um bom 2010 para todos!

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30.12.09

2010: ano "Gunner"?

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Quem tem um modelo de menor investimento está, no longo prazo, condenado a isto. Esperar. Tem sido assim a vida do fantástico Arsenal de Wenger. Fascinante futebol colectivo mas incapacidade de se impor quando, noutras paragens, os milhões são bem aplicados. A boa notícia é que em Londres tem havido essa paciência, própria de quem acredita no que faz. O rumo não se desviou e, na viragem para 2010, parece possível pensar num regresso ao topo da Premier League.

É sempre demasiado cedo em Dezembro. Ainda assim, o Chelsea de Ancelotti está longe de ter um rendimento óptimo, parecendo apenas alicerçado na inegável qualidade do seu plantel. Normalmente isto significaria título garantido lá mais para norte, mas o United está também em tempo de reestruturação e tem pago algumas facturas que lhe são atípicas. Juntando isto ao fracasso (mais um) de Benitez e do Liverpool e às dores de crescimento do outro vizinho de Manchester, pode estar aberta uma via de acesso para Wenger juntar o entretenimento ao sucesso.

Por tudo isto, mais do que nunca, fazem sentido as apostas (que, já agora, mantêm os “Blues” como grande favorito). Se me perguntarem, digo que sem laterais ofensivos a vida de Ancelotti vai ser muito complicada. Que a “velha raposa” escocesa dificilmente não aparecerá mais forte na segunda metade. Mas, também, que estão criadas as condições para que 2010 seja um ano “Gunner”.


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29.12.09

Jesualdo e o dogma dos jogos “grandes”

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Não é propriamente surpresa no futebol. A emotividade que envolve o jogo faz com que certas ideias sejam passadas como verdadeiros dogmas, sem lugar nem espaço para uma confirmação efectiva das mesmas. Não quer isto dizer que a percepção geral esteja invariavelmente errada, mas seguramente que a parca racionalidade envolvente não ajuda muito no capítulo da lucidez. Um desses casos, recentemente reavivado entre os adeptos portistas, embebidos de energia negativa pela derrota na Luz, é a ideia da falta de resultados de Jesualdo nos jogos ditos “grandes”.

A parte difícil aqui é o ajuste de expectativas à realidade e a classificação objectiva do grau de dificuldade dos jogos. Para isso nada melhor do que recorrer às considerações das casas de apostas. Usando este elemento como referência para seleccionar os jogos mais difíceis e medir expectativas pontuais para os mesmos, conclui-se que, em 46 jogos deste tipo, o Porto de Jesualdo superou as expectativas pontuais em +10,6%. Surpresa?


O balanço é globalmente positivo e parece haver apenas uma “besta negra” no percurso do “professor”. O Sporting de Paulo Bento. Foi o adversário mais comum nos 4 anos, com 9 jogos e onde o Porto de Jesualdo ficou globalmente aquém das expectativas, com -29% dos pontos esperados pelos especialistas. Numa análise comparativa, o Benfica, em apenas 5 jogos foi um adversário muito mais simpático, com +35,8% de pontos conquistados em relação ao esperado.

Ainda assim, e apesar da tal influência negativa do Sporting, Jesualdo consegue ter crédito nas principais competições. +9,1% nos 15 embates complicados realizados na Liga e uns impressionantes +23,5% nos 27 jogos teoricamente mais complicados que disputou na Champions League. Em termos de épocas, 08/09 foi a melhor, com +26,1% e a única negativa foi mesmo a primeira, 06/07, com um tangencial saldo de -1,3%. Já agora, e apesar da recente derrota na Luz, nesta temporada o aproveitamento azul em jogos de elevado grau de dificuldade supera as expectativas em +6,3%.

Outro dado curioso, e provavelmente inesperado para muitos, é o facto do Porto de Jesualdo conseguir surpreender mais nos jogos em que tem um favoritismo inferior ao adversário. +11,8% contra +9,9% para o mesmo número de jogos em ambos os casos.


O problema da irracionalidade das expectativas
A conclusão clara deste exercício é que a emoção retira lucidez às expectativas criadas. Apesar de ser, claramente, o clube com maior reputação a nível interno e ter também uma excelente consideração no plano europeu, o que lhe vale expectativas já de si elevadas, o Porto de Jesualdo tem conseguido superar o que dele é realisticamente esperado. Ainda assim, e ao fim de tantos jogos, o mito prevalece...

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28.12.09

Mercado: As aquisições de Benfica e Sporting

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Quem olha para as contas não consegue perceber, e, por isso, há algo para explicar na origem de toda esta agitação do mercado. O fenómeno que já não é novo na Luz parece agora ter contagiado o outro lado da circular e a crise, subitamente, também acabou em Alvalade. Perceber a parte financeira ou, mais importante ainda, discutir modelos de gestão é algo que justifica um lugar de destaque na agenda, mas, por agora, falemos apenas da parte desportiva...

Benfica – Airton, Kardec, Eder Luis
Sobre Airton já aqui deixei uma opinião mais detalhada. Trata-se de um jogador com todas as características para substituir Javi Garcia e que poderá ser também alternativa para a posição de central.

Mas o Benfica foi também à procura de uma outra solução para a frente de ataque. Alan Kardec foi o escolhido e estou em crer que há da parte do Benfica uma crença de que este jogador possa render mais do que a sua trajectória indica. Isto porque, depois de um inicio promissor em 2007, Kardec ofuscou-se dentro do panorama futebolístico brasileiro, aparecendo apenas no Mundial de sub 20 onde beneficiou das inúmeras ausências no ‘escrete’ para ser titular. Não é um jogador de estatura invulgar, mas tem no jogo aéreo a sua imagem de marca, conseguindo ser muito dominador nesse plano. Será a sombra de Cardozo e é provável que substitua um infeliz Keirrison. A troca percebe-se à luz das dificuldades que o ex-Coritiba vinha revelando, mas há também que dizer que será muito difícil alguém perceber uma troca deste tipo, olhando apenas o rendimento de cada um dos jogadores dentro do futebol brasileiro.

Entretanto, nas últimas horas, vem ganhando força a hipótese de Éder Luis. É um jogador que, tal como Tardelli, teve um crescimento considerável no último ano ao serviço do Atlético Mineiro. Éder Luis é um bom executante, mas é sobretudo pela velocidade que se destaca, ganhando especial protagonismo em situações de transição. Embora esteja a ser encarado como reforço para a linha da frente, estou certo que a sua aquisição, a confirmar-se, terá muito a ver com a sua polivalência. É que se Éder Luis vinha jogando como avançado no Atlético, no São Paulo experimentou muitas outras posições, especialmente junto das laterais.

Sporting – João Pereira e Pongolle
Terá sido a primeira surpresa do mercado. João Pereira foi aposta forte para a direita. Quanto à necessidade de reforçar a posição, há muito que ela é clara. Mesmo urgente, tendo em conta a falta de rendimento das soluções que aí vêm actuando. João Pereira tem tudo para triunfar. Apesar da sua postura por vezes demasiado temperamental, combina todas as qualidades que são necessárias a um bom lateral e muito dificilmente deixará de ser o dono da posição nos próximos anos em Alvalade. É, por isso, uma aposta segura. Há 2 pontos que quero ainda focar neste aspecto. Primeiro o custo. Tem sido algo comentado, mas creio que, atendendo ao contexto da transferência e ao que se pode esperar do jogador, o preço é apenas o justo. Não foi seguramente uma opção visionária do Sporting, mas também não me parece um negócio extraordinário para o Braga. Finalmente, referir que ficou por testar mais declaradamente Pereirinha na posição. É uma pena para o jogador, até porque, muito provavelmente a defesa será, mais tarde ou mais cedo, o seu destino no campo de jogo.

O outro nome, Sinama Pongolle, também representa uma aposta importante. O perfil percebe-se perfeitamente. Pongolle oferece a Carvalhal a possibilidade de utilização, quer como extremo num 4-3-3, quer como avançado em 4-4-2, numa polivalência apenas apresentada por Vukcevic no plantel. Aliás, o montenegrino é quem tem o lugar mais ameaçado com este reforço. Pongolle terá seguramente qualidade suficiente para actuar de leão ao peito, a questão, no entanto, por saber até que ponto será mesmo uma mais valia. Algo que dependerá muito da atitude do francês. O que é certo, por agora, é que o Sporting precisa de mais capacidade no último terço para dar seguimento ao crescimento observado na fase de construção do seu jogo.
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24.12.09

Mercado: 5 oportunidades no futebol argentino

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Recorrendo aos relatórios do “talented football”, deixo 5 nomes do futebol argentino merecedores de uma séria análise. São jogadores de reputação bem menor do que o seu real potencial e que não resisto a destacar. Aqui ficam:

Diego Rivero – Um “burrito”, de aparência idêntica a Ortega mas de perfil diverso. Foi quase sempre utilizado como médio ala mas é no meio que se agiganta. Forte em espaços curtos, agressivo sem bola e com muito boa capacidade de explosão (daí ter sido “confundido” com um ala)

Nicolas Gaitan – 21 anos e para o descrever sucintamente recorreria a um nome: Di Maria. Tem um perfil e potencial muitissimo parecido. É canhoto, explosivo mas precisa de melhorar as suas decisões. A única certeza quanto a diferenças? O preço!

Jonathan Gomez – 20 anos e também um nome para o descrever: Sá Pinto. Incrivelmente parecido na forma de jogar e correr com o agora dirigente do Sporting. Grande entrega, talento, mas também ainda um bom caminho por percorrer. A vantagem é que é ainda incógnito.

Gabriel Hauche – Talvez o mais “underrated” dos avançados do futebol argentino. 23 anos, pequeno, mas com uma qualidade que creio ser muito rara. Estou convicto de que explodirá assim que encontre um clube de maior dimensão. Já agora, também uma comparação: Michael Owen.

Darío Gandin – A sua explosão nos últimos 6 meses confirma que pode ser um caso sério como falso extremo. Não tem intensidade e agressividade tipica dos argentinos, mas tem enorme talento. Aos 26 anos é um risco, mas pode também valer a pena.

PS: Um bom Natal para todos!

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23.12.09

Mundial de Clubes: Glória e... um aviso para o Campeão

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A raridade confere-lhe um interesse especial. Mais do que o título em si, o Mundial de Clubes tem o condão de ser a única oportunidade para confrontar os 2 grandes pólos do mundo do futebol, Europa e América do Sul. No contexto actual, um teste especialmente interessante para perceber o que valem os sul americanos, relegados para um plano secundário pelas contraste de poderio económico nas dois lados do Atlântico. No caso, 2009 acabou por não surpreender no seu desfecho. O Barça foi mais uma vez coroado, fechando um pleno que o seu futebol bem fez por merecer no último ano e meio. Foi, no entanto, um fim de ciclo competitivo que acabou por servir também para sublinhar as dificuldades crescentes deste Barça para se impor. Uma evidência merecedora de análise.

Barcelona
Não está em causa a sua vitória. A qualidade era, aliás, muito díspar logo à partida. O Estudiantes está longe de ser a maior potência do futebol sul americano a nível individual, e em termos colectivos está também a milhas do que melhor se encontra na Europa. Por tudo isto, surpresa foi mesmo a dificuldade com que chegou ao triunfo. É verdade que a sorte não sorriu à equipa ‘culé’, vendo-se em desvantagem quando nada o justificava, mas também é um facto que o Barça passou demasiado tempo longe de um golo que acabou por conseguir, mas que, pela forma como foi conseguido, é ele próprio o espelho do quão perto esteve a derrota de acontecer. Algo que não é novo e que, não pondo em causa a qualidade ímpar do seu colectivo, parece dotar esta equipa de uma vulnerabilidade bem superior ao que acontecia há um ano esta parte.
Olhando aos números, nesta altura do ano, em 2008, o Barça tinha, em média, mais 1 golo por jogo, contabilizando liga e Champions. Uma diferença enorme e que não pode ser ignorada. Mas, afinal, qual será o problema? Aqui ficam 3 possíveis partes da resposta.

1) Primeiro, parece claro que os adversários perceberam que tentar jogar no campo todo com os catalães pode ser simples suicídio. As estratégias de bloco baixo têm-se repetido e em certos casos conseguindo resultados bastante positivos.
2) Perante adversários extremamente fechados e motivados, é muito complicado encontrar espaços. Mesmo para quem circula com a qualidade do Barcelona. Ter jogadores como Xavi, Iniesta e Messi disponíveis e em simultâneo pode ser fundamental para atingir um nível mais elevado. Ora, isso não tem acontecido com a maior das regularidades.
3) Finalmente, não posso deixar de mencionar alguma dificuldade da equipa em ter mais situações de transição. Se jogar em organização frente a adversários demasiado fechados pode ser muito complicado, torna-se fundamental potenciar ao máximo as recuperações em zona alta. O pressing não perdeu organização mas talvez tenha perdido agressividade com a saída de Eto’o.

Estudiantes
Tinha a curiosidade especial de ver uma equipa que conheço bem perante um adversário como nunca defrontara. O Estudiantes não esteve mal, mas também penso que a felicidade que teve no jogo mereceria outro rendimento na fase final, quando o próprio Barcelona parecia cair em lucidez. Não foi isso que aconteceu e a equipa acabou por pagar a factura quando, provavelmente, já nada o indicava. Em termos colectivos destaco a estratégia conservadora, inclusive nas opções iniciais, com Perez num papel que não lhe é comum, e ainda alguns problemas de organização que já eram esperados. Individualmente, há alguns jogadores interessantes nos argentinos. Para além do conhecido Veron, Desabato é um dos melhores centrais do futebol argentino actual, Perez um jogador tecnicamente interessante, tal como Benitez, que joga do outro lado, e, na frente, Boselli, um avançado de muita qualidade, inteligente a movimentar-se, com uma técnica apreciável e com boa capacidade de finalização (como se viu, aliás). Concedido prolongamento a sentença estava traçada, com segundas linhas de qualidade bem inferior a juntarem-se ao desgaste enorme sobre as restantes unidades chave. Uma coisa é certa: haverá muito mais frustração em La Plata do que alegria em Barcelona...
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22.12.09

A importância de David Luiz

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O talento individual, físico e técnico já se conhecia. Tão evidente, aliás, que nem era preciso estar a jogar a central para se ver nele um caso sério em potência. Faltava o outro lado, o táctico, e o modelo de Jesus não podia ser melhor para testar o jogador. Jogar alto e longe da sua baliza é um pavor para muitos dos mais conceituados centrais do mundo. David Luiz, pelo contrário, parece não querer outra coisa. Não só o faz sem problemas, como é dentro dessa exigência que se torna especialmente útil. Pode ainda não ser um jogador “acabado”, mas que se pode tornar num dos melhores do mundo a muito breve prazo, não há dúvidas... pelo menos para mim.

A capacidade técnica, absolutamente invulgar para um central, será o aspecto que mais atenções desperta em David Luiz. Esse, no entanto, será o ponto onde mais precisa de melhorar. Não desfazendo o potencial, assume ainda pontualmente riscos exagerados em posse. É, antes sim, em 2 acções importantíssimas para o modelo de jogo encarnado que o central se destaca. Ambas têm a ver com o risco que a equipa assume em termos de adiantamento posicional.

Primeiro, a reacção à perda de bola. O exemplo é o que aconteceu no golo de Saviola. Não a assistência, obviamente acidental, mas a capacidade de antecipação. Dir-se-á que David Luiz vai longe demais neste plano. Eu digo que é um risco que vale a pena e que decorre da própria postura da equipa. Ou seja, jogando alto é fundamental ter uma fortíssima reacção à perda e a extraordinária capacidade de antecipação do central brasileiro deve ser explorada até ao limite.

Porque a recuperação imediata nem sempre é possível, surge também a necessidade de saber recuar eficazmente no terreno. Aqui é que vem o terror de muitos defesas. Não só a velocidade é frequentemente um problema, como ainda há a enorme dificuldade de manter controlo sobre as referências posicionais. Aqui, o Benfica tem sido também um caso de sucesso e David Luiz será, com Luisão, o seu maior responsável. A sua velocidade em recuperação é conhecida e tem valido em muitos momentos, mas o que mais surpreenderá é a forma como o central rapidamente apreendeu a qualidade posicional, especificamente em relação à utilização da linha de fora de jogo. Aqui o segredo é dar prioridade absoluta a 2 referências, os companheiros e a bola, “desligando” do homem. É isso que toda a defesa encarnada tem conseguido fazer com grande qualidade ao longo da época.

São indicações que podem ser pouco valorizadas, mas contam enormemente. Basta recordar as repetidas referências que Mourinho tem feito a este aspecto como barreira principal para o crescimento do seu Inter...
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Flachi!

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21.12.09

Benfica - Porto: na qualidade táctica se fez a diferença

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Resumir “táctica” a uma questão sistémica é algo que vai para além do redutor. “Táctica” é, essencialmente, a qualidade da acção colectiva nos diversos momentos do jogo. Ora, mais do que em qualquer outra coisa, é nessa “qualidade da acção colectiva” que o Benfica marca hoje a diferença no futebol português. Não é a primeira vez que reforço esta ideia e muito menos será este jogo a inspiração da mesma, mas foi, num clássico de poucas oportunidades, este o principal suporte para a vitória encarnada.

Benfica
Começo por falar das opções de Jesus no “remendar” da equipa. Reconheço-lhe grande acerto essencialmente porque mexeu o menos possível na estrutura base, acabando por jogar apenas em 2 posições sem os jogadores habituais. Para mais, Urreta manteve a característica de Di Maria sobre a esquerda. Ou seja, um jogador capaz de dar profundidade e desequilíbrio individual àquela ala. Assim, mudaram pouco as referências individuais para o jogo colectivo da equipa, tornando-a mais confortável tacticamente.

O clássico, pode dizer-se, foi ganho na primeira parte. Foi aí que o Benfica se superiorizou ao Porto, que o asfixiou e que jogou sempre mais perto da baliza contrária. O motivo? A tal qualidade táctica. Ou seja, a equipa conseguiu responder sempre colectivamente melhor aos momentos do jogo. Conseguiu ter mais jogadores na zona média em situações divididas, garantindo sucessivas superioridades numéricas que lhe permitiram ganhar mais bolas para sair a jogar. E conseguiu, também, marcar a diferença no “pressing” que fez na saída de bola. Ao contrário do Benfica, o Porto nunca conseguiu pensar o seu jogo e foi sempre condicionado desde o primeiro passe. O resultado foi uma diferença de domínio que, ainda assim, não teve grande expressão na proximidade com o golo, já que foram poucas as ocasiões. Valeu, portanto, também a eficácia. Já agora, fica um pormenor que se verificou em todo o jogo e que tem a ver com as bolas paradas. Apesar da zona nas bolas paradas, houve sempre uma atenção individual sobre Bruno Alves, que nunca conseguiu sequer abordar nenhum lance nesse tipo de situações. E, digo eu, é assim que deve ser.

A segunda parte foi diferente, sem repetição do domínio encarnado. Ainda assim, o Benfica controlou quase sempre o jogo, excepto num curto período que antecedeu as substituições que afectaram um meio campo que caíra drasticamente em termos de intensidade no segundo tempo. A partir daí, sim, o Benfica controlou verdadeiramente o jogo e a vantagem que conseguira.

Em termos de individualidades, não posso deixar de fazer um primeiro destaque para o mais negativo: Carlos Martins. Não é pelo que aconteceu quando a bola lhe chegou aos pés, mas pela forma como não esteve à altura em termos defensivos. Sem intensidade no pressing e muitas vezes não acompanhando os movimentos colectivos retirou capacidade para o Benfica poder fazer mais. Já várias vezes referi a importância de Aimar nos momentos defensivos do jogo, e foi aí que o argentino fez muita falta. De resto, Cardozo fez um óptimo jogo em termos colectivos, participando até mais do que é costume e quase sempre com qualidade. David Luiz esteve excepcional, com uma intensidade que não está ao alcance de muitos centrais no mundo. O melhor, ainda assim, foi Saviola. Pelo golo e pela forma como tantas vezes se tornou útil colectivamente, quer com bola, quer sem ela, baixando até à linha média (inclusive, trabalhando em zonas “perdidas” por Martins).

Porto
Jesualdo abordou um aspecto importantíssimo no lançamento do jogo, a resposta emotiva dos jogadores durante um clássico como este. É verdade que alguns dos seus eleitos não estiveram à altura nesse plano, mas não foi por aí que o Porto viu definida a sua derrota.

Mais uma vez, cair-lhe-ão em cima pela opção individual por Guarin, e se acho que ela é discutível, tenho a certeza que, mais uma vez, essa é uma questão de pequeno relevo. Os problemas do pressing fizeram-se sentir, tal e qual se vem discutindo aqui há bastante tempo. O Benfica passou facilmente a primeira fase de pressão, aproveitando o grande espaço entre Falcão e a linha média e o Porto foi baixando no campo. Acontecendo isto, mesmo que recuperasse a bola, era muito mais difícil ser perigoso em transição. Para além deste aspecto, o Porto pode lamentar-se de outros 2 detalhes tácticos onde ficou a perder no primeiro tempo. Ambos têm a ver com zona central do seu meio campo. Com maior espaço entre os seus jogadores, o “miolo” ficou reservado ao seu trio de médios, perdendo em número para um Benfica mais elástico tacticamente e capaz de aproximar mais gente nas bolas que se dividiram nessa zona. Mas os médios, embora vitimas neste último detalhe, também são réus. Guarin tentou muito, mas nunca foi capaz. Meireles, irreconhecível, não teve intensidade nem capacidade para se impor minimamente na sua zona e, perante isto, Fernando acabou também com muitas dificuldades para controlar as aparições de Saviola e Cardozo no espaço entre linhas. Com bola, nem Meireles, nem Guarin ofereceram soluções de passe e, por isso, também na saída de bola a equipa “emperrou”, ficando montado o filme completo para uma primeira parte comprometedora.

Na segunda parte, melhorias... insuficientes. Ainda que o Benfica também tenha quebrado, a atitude foi melhor. Varela deu qualidade à posse, segurando bem a bola e Rodriguez, jogando dentro, ofereceu mais soluções para evitar o pressing encarnado. O Porto chegou a ter um período em que o seu domínio lhe permitiu andar perto da baliza de Quim, mas voltou a afastar-se quando o Benfica recolocou energia na sua linha média. Muito pouco para quem precisava de forçar o empate.

Individualmente, e além dos médios, falta falar da frustrante performance de Hulk. É um jogador absolutamente invulgar em certos aspectos e isso fará dele sempre um caso sério, mas também estão ainda evidentes os degraus que tem de percorrer para chegar ao patamar que acredito lhe poder estar destinado. Não falo só em termos de decisões no próprio jogo, mas também de resposta motivacional que apresenta nos grandes jogos. É que são mais os fiascos do que as facetas nos grandes momentos e um ‘craque’ tem de o ser sobretudo nestes jogos.
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18.12.09

"talented football"

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... é o nome de um blogue que criei recentemente e que acabo de publicar. Funcionará como "irmão" do Jogo Directo e será exclusivamente dedicado à observação de jogadores. Está escrito em inglês porque o seu interesse é geral e não confinado ao universo lusófono.

Actualmente estou a publicar os resultados de uma extensa observação que fiz ao campeonato argentino e a próxima "paragem" será a Holanda. Naturalmente que não estarão contemplados todos os jogadores que observo mas apenas alguns que, por diversos motivos, considero mais interessantes analisar.

Aqui fica o link: http://talentedfootball.blogspot.com

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O que dizer do gesto de Di Maria?

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Ora aí está uma finalização realmente rara! O gesto entusiasma qualquer plateia e é um verdadeiro íman de popularidade. Dir-se-á que só pelo espectáculo terá valido a pena, e não posso dizer que não percebo a perspectiva. Mas tudo isto tem a ver com o grande público, menos familiarizado com os detalhes do jogo em si mesmo. Na verdade este é, hoje em dia, um gesto que não representa grande dificuldade para a generalidade dos profissionais e o motivo pelo qual não aparecem mais golos destes é, simplesmente, porque são poucos os que têm a ousadia de o tentar. A pergunta, pois, é: o que realmente indicia este gesto de Di Maria?

Talento? Claro que o tem, mas, como expliquei, não é por este gesto. Pessoalmente, inclinar-me-ia mais para uma combinação entre displicência e egocentrismo. Displicência porque dificilmente alguém acreditará que Di Maria repetirá a opção num jogo de grande pressão. Egocentrismo, porque, assim sendo, a única coisa que justifica a opção não é a eficácia mas, antes sim, a tentativa de captar atenções.

O ponto é que o golo de Di Maria apenas entusiasma o grande público. Para quem profissionalmente observa jogadores, este será apenas mais um sinal da imaturidade do jogador e da seu distanciamento daquilo que é o interesse colectivo. Desta vez foi na finalização de "letra", no fim de semana anterior foi de outra forma.

Finalmente, uma clarificação. Di Maria pode ser ainda imaturo, mas convém não confundir as coisas. As suas más decisões e excentricidades não apagam o talento e capacidade que possui, nem são suficientes para deixar de fazer dele uma primeira opção óbvia para Jesus. Apenas o afastam do seu potencial...
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17.12.09

Sporting: Transformar a bola... num problema!

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À partida, melhorar a qualidade de posse de bola, só podia trazer boas notícias a um Sporting particularmente deficitário nesse plano. Ora, Carvalhal tão bem o fez, que inverteu o problema para o extremo oposto. Ou seja, se com Paulo Bento a equipa não era capaz de utilizar o meio (posse) para chegar ao fim (golo), agora parece tão focalizada no meio que se esquece do fim. E o problema é que ter a bola é mesmo apenas um meio, e, como tal, precisa de ter complementaridade no último terço.

O que se passa, e foi repetidamente visto em Berlim ou nas primeiras partes de Heerenveen e Leiria, é que o exercício de ter sempre bola mas ficar também permanentemente longe do golo se torna num acumulador de frustração para a equipa que o protagoniza. A consequência é óbvia. Porque ter a bola implica também estar sempre mais desequilibrado posicionalmente, torna-se apenas uma questão de tempo até que um erro em posse dê origem a uma oportunidade a um adversário que, entretanto, vai também acreditando cada vez mais nas suas possibilidades de vencer. E é por isso que, frente ao Hertha, o Sporting dominou, mas esteve também sempre mais perto de perder.

Porque nada disto é circunstancial, porque tudo se voltará a repetir no futuro se as condições forem as mesmas, o mais preocupante pode ser mesmo a capacidade de diagnóstico de quem lidera o processo. E é aqui que, obviamente, entra Carvalhal. Cabe-lhe perceber o problema crónico que é jogar neste registo e não, como fez no final do jogo, invocar estatísticas, azares ou a inspiração dos guarda redes adversários.

E a coisa está agora num ponto muito simples: ou o treinador percebe o problema, ou a frustração será algo recorrente na sua “era” à frente do Sporting.
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Momento de inspiração (Cozzolino, Como)

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16.12.09

Mercado de Inverno: Airton

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Será, provavelmente, a primeira contratação de um ‘grande’ no mercado de Inverno. Airton dará seguimento à euforia do título conquistado com mais um passo importante na carreira de qualquer jogador sul americano: o "salto" do Atlântico. Do lado do Benfica, a aposta percebe-se facilmente e deixa, ainda, em aberto um cenário provavelmente planeado pela gestão encarnada: a saída de Javi Garcia provavelmente no próximo Verão. É assim que encaixa todo o puzzle.

Começando pelo que mais interessa, a parte técnica. Airton é um protótipo perfeito do jogador idealizado por Jesus para a posição de "pivot". Todos os requisitos base estão garantidos. Ou seja, poder aéreo, disciplina táctica, capacidade defensiva e competência para executar bem quando a bola passa pelos seus pés. Airton tem tudo isto, destacando-se pela forma madura como, com apenas 18 anos se começou a impor no Flamengo, realizando, aos 19, uma época fantástica em termos de competência e regularidade. Quando encosta na marcação é muito difícil de evitar e quando a bola lhe chega aos pés não treme, procurando sempre o passe seguro para dar seguimento à jogada. Convém ainda referir que Airton faz também a posição de defesa central, onde jogou durante praticamente metade da temporada.

A capacidade “bruta” está lá e é mais do que suficiente para que Airton venha cumprir na perfeição a missão táctica, mas o “teenager” carioca tem ainda de ser trabalhado. No Flamengo foi também conhecido por algum excesso de dureza, mas não é esse o principal desafio. Conhecer bem o modelo, a interacção com o posicionamento dos companheiros, o privilegiar das referências zonais e não individuais e ter de lidar com um futebol mais pressionante e capaz de potenciar o erro, são as metas para a integração do jogador. Mas, reforço a ideia, se a capacidade existe, o trabalho táctico não deve ser obstáculo, demore mais ou menos tempo a ser conseguido.

Preparar a venda de Javi Garcia?
Se a avaliação do perfil encaixa perfeitamente na posição pretendida, o investimento, pelos valores falados, torna-se mais difícil de explicar. Apesar da sua polivalência será difícil pensar noutro lugar para Airton que não aquele onde joga Javi Garcia. Por outro lado, por muito jovem que seja o jogador – e é – um investimento tão avultado é difícil de rentabilizar de chuteiras estacionadas no banco de suplentes. Para mais, se fosse apenas para encontrar alternativa ao espanhol, seria bastante fácil encontrar competência para uma função de poucas exigências técnicas por um preço ridiculamente mais barato. Ou seja, tudo somado, só faz sentido pensar numa opção por Airton na perspectiva de uma venda futura de Javi Garcia, provavelmente no final da época. E é bem possível, sabendo-se do poder económico existente no mercado que mais atentamente acompanhará o bom trajecto que o ex-Real Madrid vem conseguindo em Portugal...

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James Milner...

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15.12.09

Banfield, campeão argentino... "made in Uruguay"

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Se os campeonatos são normalmente maratonas, na Argentina a comparação tem de ser feita com provas de meio fundo. Consequências do modelo semestral de há algum tempo adoptado. Desta vez o vencedor, apenas definido sobre a linha de meta, teve um nome original, Banfield, campeão estreante no primeiro escalão do futebol argentino. Para ser justo, o equilíbrio é tanto que a distinção se terá feito apenas por 1 ou 2 detalhes. Ainda assim, porém, dificilmente poderemos apontar uma equipa mais estável do que o Banfield ao longo da competição. Isso, a experiência e o impacto de uma explosiva dupla uruguaia justificam o sucesso do novo “campeón”...

Hoje, mais do que nunca, o futebol argentino é um ponto de partida para muitos talentos. Consequências do mercado e da impotência económica dos seus clubes perante a concorrência europeia e mexicana. Por isso, muitas são as equipas que se orientam para o lançamento de talentos, aumentando também a incerteza e inconsistência do rendimento colectivo. O Banfield é um caso onde a experiência adopta um lugar principal e isso foi decisivo.

Com uma estrutura e protagonistas escolhidos e estabilizados praticamente desde o arranque, a equipa cedo distinguiu também os seus protagonistas principais. Falar do Banfield “campeón” é falar de um colectivo montado em 4-4-2 clássico com a sua força a vir da coluna vertical.

Na baliza o excêntrico Lucchetti, nascido no clube, sendo o jogador mais emblemático do conjunto actual.

Na defesa, a importância da experimentada dupla de centrais, que actuou ao longo de toda a prova. Victor Lopez (30 anos) merece-me o principal destaque pela eficácia defensiva e pela qualidade do seu pé esquerdo. Ao seu lado, Sebastian Mendez (32 anos, ex-Celta Vigo).

No meio campo, Bustos (27 anos), mais posicional, ao lado do criativo da equipa, Walter Erviti (29 anos). Erviti é um 10 tipico, que estava no México desde 2003 e que voltou a tempo de se tornar uma surpreendente figura do campeonato. No lado esquerdo, o diamante bruto do campeão. Provavelmente vai entrar nos rumores de Inverno pela sua juventude e pela forma como apareceu como uma das figuras do campeão. Falo do “teenager” colombiano James Rodriguez (18 anos), senhor de uma canhota temível, especialmente quando bate na bola de meia distância.

Mas é para a frente que os holofotes apontam. O campeão argentino tem muito de uruguaio, na espectacular dupla formada por Santiago “El Tanque” Silva (29 anos) e Sebastian Fernandez (24 anos). Silva é um desperdicio do futebol português por onde passou em 2005 a meio de uma carreira cheia de paragens em diversos clubes. Silva foi a figura do campeonato, melhor marcador e jogador mais decisivo da prova. Poderoso fisicamente, é figura incómoda para qualquer defesa, seja pela sua capacidade dentro da área, seja pela forma como, fora dela, trabalha bem o jogo ofensivo ou solta o poder do seu pé direito. Ao seu lado, mais desconhecido, Fernandez é o complemento ideal. Aliás, tão bem se entendem que até nos festejos aparecem combinações entre os dois. Se Silva é poderoso no jogo aéreo, Fernandez é imbatível na profundidade. De baixa estatura, tem na velocidade um atributo impressionante que complementa com movimentações inteligentes, seja na profundidade, seja na largura, e com uma boa técnica, quer de drible, quer de finalização. Tanto Silva como Fernandez têm na agressividade e na entrega incansável ao jogo um ponto comum, que é, também, a imagem de marca desta fervorosa dupla de guerreiros uruguaios.

Os 6 passos chave para o título:
- Banfield 2-0 River Plate
- Lanus 1-2 Banfield
- Banfield 2-1 Newell's
- Banfield 2-1 Estudiantes
- San Lorenzo 0-1 Banfield
- Banfield 3-0 Velez
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Volta ao mundo - 11 golos

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14.12.09

Olhanense - Benfica: alguém viu o cérebro desta águia?

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Há muito que se percebeu que este Benfica tem qualidade de sobra para poder ser campeão. O problema, porém, é que a qualidade, por si só, não basta. Algo que, aliás, estranhamente o Benfica parece determinado em provar . Já havia alguns exemplos nesta matéria, mas, em Olhão, terá sido dada provavelmente a mais incrível prova de incompetência encarnada em toda a época. Um jogo e uma situação no campeonato terrivelmente mal geridos, fizeram voar 2 pontos, comprometeram um clássico relevante e colocam como possível um cenário à partida impensável do Benfica ter, no final da primeira volta: uma média de 3 golos por jogo e... um 3º lugar!

Para começar, convém esclarecer que poucos adversários serão tão fáceis de bater pela inteligência como o Olhanense. É uma equipa com talento de sobra e jogadores que muito provavelmente acabarão por alinhar num “grande”, mas também não é por acaso que a época vai como vai. O talento não chega para contornar os problemas de uma equipa demasiado emotiva, quer disciplinar, quer tacticamente. Aproveitar com serenidade os prováveis devaneios da equipa de Olhão seria suficiente para o Benfica ganhar com facilidade a partida. Ao invés, entrou na “bebedeira” do descontrolo emocional e, claro, deu-se mal.

O azar, é certo, esteve presente do lado encarnado, mas nunca em doses suficientes para se sobrepor ao mar de equívocos verificados. Começando pelas opções de Jesus. Colocar Di Maria na posição 10 foi uma solução demasiado estranha. Dar o corredor central a um jogador em permanente tentação pelo drible e com reconhecidos problemas ao nível da decisão?! Depois, tudo começou numa série de más e invulgares decisões que marcaram o inicio de jogo encarnado, com más opções de passe a comprometerem o sucesso das jogadas. Não espanta, pois, que esta falta de concentração tenha resultado em fragilidades nos lances de bola parada. Depois, o aspecto disciplinar, com jogadores a perder inexplicavelmente o controlo emocional e comprometendo as aspirações da equipa, quer para o clássico, quer para o próprio jogo. Como se não bastasse, a reacção na segunda parte foi também equivocada, mexendo demasiado na estrutura base e perdendo rotinas e identidade colectiva.

Enfim, tudo somado vem aí um clássico em que, para além de condicionado, o Benfica entra mais pressionado do que o seu rival. Algo impensável há poucas semanas...
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Sporting - Leiria: Não basta o lado técnico-táctico do jogo

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Se o futebol fosse apenas determinado pelos aspecto técnico-tácticos, este seria um resultado bastante difícil de explicar. Porque o Sporting não fez, nesse plano, um mau jogo. Longe disso, aliás. Falta, no entanto, o outro “reagente”, o lado psicológico. E é precisamente por aqui que se explica a derrota caseira de um Sporting que nunca dominou emotivamente o jogo, apesar de o ter feito claramente noutros aspectos.

Começou por não complementar a boa entrada no jogo com uma atitude mais agressiva no último terço. Depois, sentiu de forma clara o primeiro momento ofensivo do Leiria, disparando imediatamente os níveis de ansiedade e percentagem de erros. No seguimento deste descontrolo, sofreu o golo de forma muito consentida, fruto de uma resposta pouco concentrada a um lance de acessível resolução. Finalmente, quando tentou reagir, não teve a tranquilidade necessária para conseguir eficácia ofensiva. Tudo dados de resposta psicológica, fundamentais na definição do encontro.

O lado “não psicológico”
No que respeita à organização e ao esclarecimento daquilo que é a sua orientação em termos de princípios de jogo, a equipa voltou a mostrar-se bastante bem. Voltou, desde o inicio, a fazer da circulação e do jogo apoiado uma prioridade, registando, aliás, evoluções em relação a amostras anteriores (a presença de Miguel Veloso no meio foi uma mais valia neste particular) e manteve a mesma coerência em períodos de dificuldade no jogo. Houve momentos em que se perdeu eficácia técnica, mas nunca a orientação em relação aos princípios de jogo do seu modelo.

Onde falhou – e também na mesma linha de jogos anteriores – foi na ligação com o derradeiro terço de campo. Houve, aqui, um óbvio contraste entre as 2 metades do jogo. É evidente que parte da explicação tem a ver com a circunstância do próprio jogo, mas poderá também relacionar-se com as soluções de passe criadas sobre a última linha defensiva do Leiria. Na primeira parte, elas foram muito poucas, com a equipa condenada a tentar combinações sobre as laterais que, por motivos diversos, nunca encontraram o melhor desfecho. Na segunda, pelo contrário, houve mais soluções de passe criadas na última linha defensiva leiriense e o efeito foi notório. Talvez seja imprudente conclui-lo de forma convicta, mas ficou a ideia de que o 4-4-2 da segunda parte ajudou a equipa neste particular das soluções de passe sobre a última linha defensiva contrária. Não que tal não possa ser feito com um 4-3-3, mas aparentemente não há ainda da parte dos médios uma cultura de movimentos que crie esse tipo de solução e, por isso, poderá justificar-se uma aposta inicial pelo 4-4-2 em jogos de circunstâncias idênticas.

Seja como for, para quem vê as coisas para além do resultado, fica claro que há uma orientação e rumo táctico mais do que viável para esta nova etapa do Sporting. A sua taxa de sucesso dependerá da capacidade de análise e ajuste de quem orienta a equipa e, como facilmente se percebe, do tal lado psicológico que tanta relevância tem para este jogo.

Leiria
É verdade que teve alguma felicidade na forma como garantiu os 3 pontos, e pode-se dizer também que beneficiou muito do efeito da instabilidade emocional reinante do outro lado, mas o Leiria teve bastante mérito naquilo que conseguiu. Pelo menos na primeira parte. Manteve um bloco curto e médio-baixo, mas não com uma linha defensiva baixa que o encurralasse na sua própria área. Depois, destaque para a qualidade individual do Leiria. Mesmo sem Carlão, teve um Cássio de aparições breves mas impressionantes no que respeita à eficácia de movimentação, ao lado do “miúdo maravilha”, Tiago Luis, e na frente de um dos meio campos mais técnicos desta liga. Tudo isto, claro, na primeira parte, porque na segunda, pouco mais conseguiu do que saber sofrer...
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11.12.09

Transformar a área no 'habitat' de Bruno Alves

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As qualidades de Bruno Alves no jogo aéreo não são propriamente novidade para ninguém. Dificilmente, aliás, se encontrará um jogador tão forte como o central portista na resposta a primeiras bolas aéreas. Daí, logicamente, que não se estranhe também que Bruno Alves seja uma arma importante nos lances de bola parada. Acontece, no entanto, que a sua capacidade neste tipo de situações não é, nem de perto, tão poderosa como nos outros, disputados na zona central do campo. Algo que tem a ver com as características do próprio jogador e que foram, inteligentemente, potenciadas no lance que iniciou a vitória portista em Madrid.

A diferença entre um lance aéreo na zona central e aqueles que habitualmente se disputam na área está no tempo de reacção. Enquanto que no meio campo a bola descreve uma trajectória larga, não sendo relevante a rapidez de reacção, mas o tempo e capacidade de salto, na área, é exactamente o contrário. Se a bola vier – como normalmente vem – tensa, não há possibilidade para grandes impulsões e quem normalmente ganha esses lances é quem reage mais rápido ao movimento da bola. Por isso, por exemplo, João Pinto foi um cabeceador temível, por isso Liedson tantas vezes bateu centrais bem mais altos do que ele, e por isso também, muitos centrais, embora de alta estatura, passam jogos e jogos sem conseguir um golo em lances de bola parada.

Ao minuto 2 no Calderon, inteligentemente, o Porto trouxe para a área as características do centro do terreno. Meireles bateu largo e pouco tenso, mas para um espaço livre, longe do guarda redes e da zona defensiva. Estavam criadas as condições para Bruno Alves – estrategicamente esperando por este tipo de solicitação – ser dominador como o é no centro do terreno. Ou seja, a reacção deixou de ser o fundamental e o central pode impor o seu impressionante salto, chegando onde mais ninguém poderia chegar. O resultado, esse, não podia ter sido melhor...
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O missil de Rami

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10.12.09

A humildade de Ronaldo

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Falta-lhe humildade, teimam. Pois, no meu entender, Ronaldo tem na humildade a sua principal virtude. Não humildade social ou material. Humildade perante aquilo que mais importa para a sua carreira. Humildade perante o jogo, perante a bola. Pode ter chegado ao topo, mas comporta-se sempre como um aprendiz e parece estar sempre a querer melhorar. Há muito que superou os limites do provável, mas, à imagem daquele livre no Velodrome, nada é ainda impossível. Pelo menos se mantiver esta... humildade.

Há muito que lhe reconheço a atitude como uma das mais valias da sua carreira, mas confesso-me, ainda assim, surpreendido. Perante um desafio difícil e, ainda por cima, combinado com lesões perturbadoras, Ronaldo tem superado as expectativas em Madrid. De tal forma é assim que o seu impacto parece ser a única ameaça minimamente provável para o poderio do “Super-Barça”. Porque também se aproxima um mundial, a única coisa que lhe peço é para que não perca esta característica. Que continue sempre a querer mais. Ganhar e melhorar.
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Até de olhos vendados...

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9.12.09

Atlético Madrid - Porto: Força mental

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E, de repente, uma ressurreição anímica. A boa resposta dada na primeira parte de Guimarães teve sequência em Madrid, culminando numa vitória expressiva e não ao alcance de muitos. Sendo tudo isto verdade, creio que estamos longe de entrar em período de euforias. A melhoria nos momentos com bola é evidente e já havia sido notória em Guimarães, mas nada se desfaz em relação às criticas ao comportamento sem bola. De novo, o Porto passou por longos períodos encurralado no seu último terço e, se é verdade que tudo ficou mais fácil pela eficácia inicial, também me parece evidente que o 0-3 de agora não teve a mesma qualidade, por exemplo, do 2-2 de há 1 ano no mesmo palco. Porque o resultado não é tudo...

Seria difícil começar melhor e pode-se sempre invocar a felicidade de marcar tão cedo. Estou, no entanto, mais inclinado para a injustiça no segundo golo do que no primeiro. Podiam apenas estar decorridos 2 minutos, podia ter acontecido apenas uma jogada em jogo corrido, mas nesse magro espaço de tempo o Porto mostrou muito. Entrou com a confiança e lucidez para jogar bem desde o primeiro toque e levar a bola até aos espaços vazios. Depois, aproveitou o segundo canto para capitalizar um lance trabalhado e que inteligentemente solicitou Bruno Alves bem fora da zona defensiva. Esta lucidez teve sequência nos minutos seguintes mas não de forma a justificar minimamente um segundo golo, coincidente com o crescimento ‘colchonero’ e muito devido ao demérito alheio.

Com 0-2 e até ao intervalo veio o pior período portista. Aquele onde se repetiram os sintomas de outros jogos, com a equipa a passar muito tempo encostada à sua área e com o Atlético a ter boas situações para se relançar no jogo. Pode dizer-se que o encolhimento decorre da circunstância no jogo, mas o que se viu foi o mesmo problema no pressing, com o “afundamento” dos médios que jogam nas costas de Falcao, abrindo uma grande distância entre o 9 e a restante equipa. Valeu, acima de tudo, a ineficácia do lado contrário.

Esse foi o período de maior risco para o Porto. Na segunda parte, o jogo quebrou em termos de ritmo e o Atlético depressa deixou de acreditar. Aí sim, o Porto pode exibir-se ao nível da primeira parte em Guimarães. Muito lúcido com bola, envolvendo o pressing contrário e esperando pelos erros alheios para conseguir perigosas transições. Assim se construiu beleza do golo de Hulk e a sentença no jogo.

Duas notas finais. A primeira sobre Hulk, para dizer que, podendo não ser um jogador perfeito, tem demasiados predicados para não ser titular indiscutível no Porto. E não tem a ver com o golo que marcou. A segunda, sobre o Atlético. A sua crise de confiança foi agudizada pelo arranque portista e isso foi marcante na partida. Pode ter sido o pior resultado que conseguiu em 4 jogos no último ano frente ao Porto, mas este é claramente o melhor dos Atléticos que nesses jogos se viu. Apelo aqui à mesma máxima do inicio: porque o resultado não diz tudo...
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Ballon d'or ou não...

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8.12.09

Setúbal - Sporting: Obrigado a ganhar

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“Obrigado a ganhar”, é uma expressão que habitualmente se utiliza noutro contexto. Neste, porém, a obrigatoriedade não tem a ver com o compromisso com objectivos próprios, mas antes com as incidências do jogo que praticamente encaminharam o Sporting até à vitória. A fragilidade do adversário, a felicidade de se entrar a ganhar e, finalmente, o devaneio de André Pinto à entrada da recta final do jogo. Foi obrigado e ganhou mesmo, num jogo com "pouca baliza" mas, no meu entender, muito interessante em relação à evolução do próprio Sporting. Viram-se coisas novas, algumas bastante boas e outras que devem fazer soar as sirenes de alerta. Apesar de tudo, no entanto, o Sporting foi sempre muito superior a um Vitória, esse sim, muito modesto.

Para começar, o sistema. Não para falar do “não tema” que tem envolvido Liedson e a “táctica”, só explicável por 2 motivos. Ou se percebe pouco do que se fala, ou não se tem mais nada para falar. O sistema tem, isso sim, relevo pela novidade da inversão do triangulo do meio campo. Moutinho ao lado de Matías e à frente de Adrien, numa versão que se apresentou muitíssimo interessante com bola. Futebol muito trabalhado, valorizando a posse e circulação e com invulgar mobilidade dos jogadores da frente, destacando-se as repetitivas permutas dos extremos com os médios e com o próprio Liedson.

A construção, por irónico que pareça, é hoje o melhor do Sporting. Mesmo se do lado do Setúbal esteve uma oposição frágil e facilitiva em termos de pressing (em especial na saída pelos corredores), e mesmo se Adrien tem um rendimento ao nível do passe absolutamente proibitivo para quem joga na sua posição. Há, no entanto, da parte do Sporting aspectos que o distanciam ainda de um nível mais próximo do óptimo.

Para perceber no que falhou o Sporting é útil recorrer a dois dados estatísticas. Primeiro, a posse de bola, totalmente dominada pelos "leões". A posse reflecte de forma fiel o domínio que a equipa teve no jogo, mas não encontrou expressão ao nível de ocasiões. Ou seja, falta o último terço à posse do Sporting, quer no entrosamento de alguns movimentos nessa zona, quer na capacidade de rotura de alguns jogadores. Segundo, os fora de jogo. O Setúbal foi altamente previsível com bola, utilizando lançamentos largos, em especial nas suas transições. Ainda assim, porém, raramente foi apanhado em fora de jogo, porque a linha defensiva do Sporting parece ter vertigens. Este pode ser um problema fundamental para o sucesso de um modelo que se quer dominador. Quando perde a bola a equipa tem de conseguir recuperá-la rapidamente e para isso tem de pressionar o mais alto possível. Se a defesa baixa instintivamente, abrem-se espaços entre sectores, facilitando o espaço para a transição e não dando alternativa para que a equipa recue totalmente no campo. São hábitos que vêm de trás e de um modelo diferente em termos de pressão. Neste, não há volta a dar. Ou a linha defensiva tem “nervo” para encurralar o adversário, ou o Sporting vai sofrer muito com as transições adversárias.
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Volta ao mundo - 9 golos

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7.12.09

Benfica - Académica: Normal e... cruel

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Pode parecer estranho, mas se tivesse de destacar um aspecto fundamental para a vitória encarnada, não hesitaria em apontar para a eficácia. A goleada não apaga a qualidade do jogo da Académica, que facilmente classificaria como a melhor equipa na Luz este ano. Bastante melhor do que o Vitória, por exemplo. É claro que do outro lado esteve uma equipa não só tremendamente forte em termos tácticos, mas também com uma qualidade individual drásticamente diferente. E foi precisamente isso que desequilibrou um jogo que no resto esteve invulgarmente equiparado, pelo menos até ao desistência estudante. 2 ocasiões nos primeiros 30 minutos, 2 golos... e que golos!

Sobre o Benfica, não há muito a acrescentar. Repito, aliás, a ideia que deixei no rescaldo do derbi. Ou seja, apesar das do mérito do adversário, o Benfica provou, de novo, ser uma equipa fortíssima. A goleada, pelo que escrevi acima, parece-me exagerada e injusta, mas faz também sobressair a enorme qualidade dos jogadores encarnados. Em particular, Saviola, que já destaquei, a par de Aimar, como o mais importante deste Benfica. Aliás, se Aimar tem uma importância mais abrangente em termos tácticos, Saviola é-o mais no que respeita à organização ofensiva da equipa. Quando não aparece, a equipa cai muito e quando está inspirado... é que se vê.

Quanto à “briosa”, volto a elogiar enormemente o trabalho de Villas Boas. Fantástica organização táctica, com um pressing ligeiramente diferente daquele que impressionou no Dragão, mas também com grande qualidade. Jogadores sempre próximos, reactivos e agressivos, sabendo bem as zonas a ocupar. Com bola, igualmente impressionante, revelando grande lucidez colectiva em posse, sabendo por onde sair e como sair a jogar. Claro que tudo é muito difícil contra uma equipa com a qualidade do Benfica, claro que os golos fizeram a equipa quebrar radicalmente em termos anímicos, mas isso não apaga nada. Deixo 2 prognósticos. Dificilmente esta equipa não acabará na metade de cima da tabela e dificilmente Villas Boas não estará em breve num “grande”.

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Guimarães - Porto: "montanha russa" deu... goleada!

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Falara da importância de uma boa resposta mental portista ao momento que o seu futebol atravessa. Pois bem, se a vitória em Guimarães se justifica essencialmente pela superioridade azul nos primeiros 45 minutos, muito do que se viu nesse período teve a ver, precisamente, com o diferencial entre a postura dos jogadores de ambos os lados no arranque do jogo. Juntamente com os 3 pontos, esse é o aspecto que mais deve satisfazer Jesualdo, já que muitos dos problemas tácticos que vêm afastando a equipa actual de rendimentos passados se voltaram a repetir. No final, fica uma vitória que se aceita, mas com números enganadores para um jogo que teve fases de contrastes radicais. A culpa foi, sobretudo, da instabilidade vitoriana.

Porto
A vitória começou a construir-se no arranque e muito devido à melhor capacidade de decisão portista. A tranquilidade que o Porto trouxe para o jogo, rendeu-lhe lucidez para tirar partido dos erros alheios, primeiro, e dominar o jogo, depois. Sem bola, importantes recuperações em zona alta, no inicio da transição vitoriana. Com bola, calma e esclarecimento na gestão do jogo, desorganizando um pressing pouco determinado do Vitória. Com os golos, o declive ainda se acentuou mais e o Porto acabou a primeira parte com um domínio em todos os momentos do jogo. Aí, no entanto, o jogo começou a sua improvável “montanha russa”, fazendo vir ao de cima, igualmente, as fragilidades portistas.

A abertura do segundo tempo, e durante 25 minutos, confirmou precisamente que o momento do futebol portista continua longe do nível que se lhe pode exigir. Alguns erros e alguma displicência foram incapazes de impedir as repentinas acelerações do Vitória no jogo. O pressing voltou a evidenciar a sua incapacidade para fazer a equipa defender mais alto, com uma distância enorme entre Falcão e os 2 médios que jogam por trás dele, afundando a equipa no terreno. O Vitória encostou e desperdiçou variadas oportunidades para o empate e, nessa altura, valeu ao Porto a eficácia para resgatar a equipa de um momento terrível. A tempestade não fez moça, mas não foi por isso que deixou de acontecer.

Nota individual para Belluschi. Oscilou entre o óptimo e o muito mau, confirmando aquilo que já aqui escrevi. Está talhado para tentar o desequilíbrio, a rotura no último terço e não para se preocupar muito com outros aspectos. Ainda assim, se tiver tanta bola perto da área como na primeira parte, não vai ficar muito tempo sem marcar...

Vitória
Serão dores de crescimento? O Vitória provou nos primeiros 25 minutos da segunda parte que tinha tudo para conseguir um grande jogo e, no entanto... saiu goleado. Talvez se tenha deslumbrado com as recentes conquistas, talvez tenha sido isso que lhe fez perder a noção da atitude e humildade com que deveria ter abordado a partida. Pressionou mal, sem intensidade, e acumulou erros técnicos, sobretudo na saída em transição. As melhorias enormes na segunda parte, fizeram regressar a equipa a um nível de intensidade que se vira frente ao Braga, mas se o empate chegou a ser mais do que merecido no inicio de segunda parte, há 2 aspectos que não podem falhar neste tipo de jogos. A eficácia, muito falada pelo próprio Paulo Sérgio, e as bolas paradas defensivas (que diferença em relação a jogos recentes!)

Nota ainda para o “motor” Nuno Assis. Esteve quase sempre excelente – mesmo no pior período do Vitória – mas borrou a pintura ao perder a bola para Belluschi no primeiro golo. Um erro que teve “vingança” na origem do 1-2, mas que mancha mais uma enorme exibição.

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"...uma vez Flamengo..."

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4.12.09

Sporting - Heerenveen: Teste útil e... dramático!

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Podia não ter o mesmo impacto emotivo e mediático, mas na sombra do derbi escondia-se um desafio não menos interessante para a avaliação do estado de coisas neste “remake” leonino. E assim foi. Um teste importante que continuou a mostrar cortes claros com o passado, que revelou bons indicadores mas que sublinhou também alguns pontos a ser revistos, especialmente em jogos com estas características. Se da primeira parte Carvalhal levará alguns tópicos para reflexão, tem mais do que motivos para ficar satisfeito com o que viu nos últimos 30 minutos, o período que culminou no importante golo de Grimi.

Fica claro que o Sporting é agora uma equipa de futebol muito mais elaborado, muito mais apoiado. E isso foi bem conseguido – muito melhor do que no passado – mas apenas até ao último terço de campo. Faltou ao Sporting, e em especial na primeira parte, capacidade de desequilíbrio no último terço e essa foi a principal lacuna da equipa quando em posse da bola. Depois, e ainda no primeiro tempo, de notar também alguma falta de agressividade táctica. O Sporting tinha de ter conseguido pressionar melhor e, sobretudo, mais alto. Este é um aspecto que claramente tem de ser trabalhado. As zonas de pressão que se viram frente ao Benfica não podem ser as mesmas perante adversários dispostos a fazer uma posse meramente especulativa como foi o caso do Heerenveen.

Na segunda parte, e em particular na última meia hora, tudo foi diferente. Muito boa capacidade do Sporting para empurrar o Heerenveen para a sua área. Aqui tem de se destacar claramente a melhoria da reacção à perda de bola, muito mais forte do que na primeira parte. Mas a principal nota vai para a atitude da equipa com bola. Privilegiou sempre o jogo em apoio, procurou sempre soluções racionais e nunca caiu na tentação de um jogo mais directo, mesmo com o tempo a passar, mesmo perante uma defesa tão cerrada, e mesmo perante aquele... relvado. A prova disso mesmo é a forma notável como foi construído o lance do golo.

Dizer, finalmente, que o Heerenveen terá sido o adversário ideal para um teste sério. Com qualidade individual ao nível de um candidato à Europa na nossa liga e com uma postura táctica perfeitamente dentro daquilo que os ‘grandes’ encontram no campeonato, os holandeses foram bem melhores do que na primeira jornada. Em destaque a segurança em posse, não facilitando atrás e mostrando qualidade à frente, e o permanente equilíbrio táctico. Jogar em transição foi um privilégio que garantiu só para si e isso dificultou muito a tarefa ao Sporting que nunca teve oportunidade para atacar com espaços. De negativo, apenas o encolhimento na segunda parte, que embora tenha sido condicionado, podia ter sido mais contrariado.
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"Quente e frio" para o sorteio (digo eu...)

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Do pior para o melhor, por pote:

Pote1: Espanha, Brasil, Inglaterra, Itália, Alemanha, Holanda, Argentina, África do Sul
Pote2: México, EUA, Austrália, Coreia do Sul, Japão, Honduras, Coreia do Norte, Nova Zelândia
Pote3: Costa do Marfim, Camarões, Uruguai, Paraguai, Chile, Argélia, Gana, Nigéria

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3.12.09

Adriano: O "Imperador" voltou?... talvez não.

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O campeonato que classifiquei de “melhor do mundo” aquando do seu arranque, estás prestes a conhecer o seu derradeiro capítulo. Depois de imensos volte-faces, o Flamengo tem tudo para ser o último a rir, e se tal realmente suceder, então vamos ter mais um daqueles casos em que o sucesso colectivo não é suficiente para ofuscar o brilho de uma só estrela. É que este poderá ser, mais do que o título do Flamengo, o título de Adriano. Desde cedo que a “torcida” o profetizava nos seus cânticos:“o Imperador voltou”... Será mesmo?

Perspectivar um Flamengo campeão à 21ª jornada não poderia ser mais do que um simples acto de fé. Em 10º na tabela, a 11 pontos do líder e acabado de sair de 3 derrotas consecutivas, quais eram, realmente, as suas probabilidades? Muito poucas. Por aí, no entanto, Adriano era já a luz da equipa. Referência no ataque e solução, muitas vezes única, para todo o jogo do Flamengo, o ‘Imperador’, ele próprio, estava longe do seu melhor. Levava 10 golos em 18 jogos, é certo, mas 4 haviam sido de penalti e o seu rendimento não era suficiente sequer para ofuscar outro tipo de notícias que nunca o deixaram de o acompanhar. Aí, no entanto, aconteceu o inicio do milagre da Gávea. Frente ao Santo André – mesmo sem Adriano – estrearam Alvaro (ex-Internacional) e Maldonado (ex-Fenerbahce), juntando-se a um regresso surpreendente de Petkovic. Trocando soluções equivocadas por experiência, o Flamengo ganhou, de repente, estabilidade para potenciar o seu grande trunfo em relação à concorrência. Em 16 jogos, o ‘Fla’ vencer 11 e perdeu apenas 1. Desses 16, Adriano jogou 11 e marcou 9 golos (+50% dos golos da equipa), nenhum de penalti.

A glória deverá marcar o regresso de Adriano aos palcos do Brasil. O regresso do verdadeiro ‘Imperador’, no entanto, está ainda longe. O sucesso de Adriano no Flamengo deve-se apenas e somente às suas incríveis potencialidades futebolísticas. Dotado de uma capacidade técnica soberba, tem ainda uma potência invulgar à escala planetária, a que junta agora o “savoir faire” de quem jogou épocas a fio nos mais exigentes palcos. Para Adriano, o Brasileirão é simplesmente demasiado fácil, e aqui é que pode estar o problema. Os seus devaneios fora do campo não cessaram com o regresso ao calor do Rio (como poderiam?!) e a sua atitude profissional não parece em nada alterada. Ou seja, nas bancadas bem se pode gritar que “o imperador voltou” e isso até fará todo o sentido na ‘Gávea’. Na realidade, porém, o ‘Imperador’ não fez mais do que adormecer os seus problemas à sombra do seu potencial futebolístico.
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Maracana, emoção, sofrimento e... LDU campeã. Outra vez!

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2.12.09

A linha defensiva que surpreendeu o Camp Nou

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Ia o “superclasico” a meio e ouvia-se o mais surpreendente dos comentários. “O Real estava melhor”. Podia não estar a perder, podia até estar a ganhar, mas ninguém esperaria, à partida, tal sentença preliminar: “estar melhor” no Camp Nou! Na realidade, embora seja fácil perceber a opinião, não estou de acordo com ela, em particular com a utilização do adjectivo “melhor” para o caso. Mas o ponto essencial não é esse. O ponto essencial é perceber o que é que o Real conseguiu que mais nenhuma equipa conseguiu nos últimos 2 anos. O que é que, por exemplo, fez o Real que não tinha feito o Inter apenas alguns dias antes? A capacidade individual é apenas um lado da resposta. A outra é o posicionamento da linha defensiva.

Colectivamente foi, em muitos aspectos, perfeitamente banal. O Real não surpreendeu em construção, sucumbindo várias vezes perante o pressing catalão. De igual modo, não entusiasmou no pressing alto, falhando no propósito de perturbar a saída de bola do Barcelona. Por tudo isto e não só, ficou sempre patente a diferença que existe entre Barça e Real, mesmo quando o Camp Nou “gelou” a ver Ronaldo finalizar na cara de Valdés. “Melhor” o Real nunca foi, nem podia ser.

Apesar de todas as diferenças qualitativas entre o jogo de ambos os rivais, a verdade é que o Real conseguiu mesmo algo raro, senão mesmo único nos últimos tempos. Também o Chelsea conseguira criar imensos problemas ao Barça, mas sempre incapaz de o manter longe da sua área. Um pressing eficaz, mas baixo, portanto. O Real distinguiu-se pelo pormenor da sua linha defensiva. Jogando corajosamente alta, a linha defensiva como que fez o campo tornar-se uns 30 metros mais curto.

Não impediu que o Barça tivesse mais bola, mas evitou que tivesse a baliza como solução e, sobretudo, permitiu que as perdas de bola fossem muito mais próximas do meio campo contrário, facilitando o papel dos suas já virtuosas referências para a transição – Kaká e Ronaldo – e tornando a reacção à perda de bola muito mais difícil para o Barça. Comparando o que acontecera com o Inter, percebe-se a importância deste detalhe. O Inter foi muito mais competente em praticamente todos os aspectos colectivos do jogo, só que deu muito mais espaço entre linhas e permitiu que a posse do Barça o “afundasse” no terreno. E isso fez toda a diferença.

Jogar com uma linha defensiva alta não é a única via, mas é na actualidade uma via essencial para as equipas que querem ser dominadoras. O problema está, obviamente, na capacidade para a interpretar com sucesso, sendo necessária uma grande capacidade de decisão e reacção colectiva. E não tem a ver apenas com os defesas em si. Actualmente esta é uma prática muito comum em equipas espanholas, com o Barcelona a ser, obviamente, o melhor de todos os exemplos. Em Portugal, o Benfica de Jesus tem na sua linha defensiva um dos grandes pilares para o sucesso do seu modelo, revelando um nível de eficácia muitíssimo elevado (Já agora, em Alvalade assistiu-se a mais um exemplo disto mesmo).
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Messi, o "Ballon d'or"

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1.12.09

O pressing do novo Sporting e a qualidade do Benfica

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Foram vários os detalhes tácticos ao longo dos 90 minutos. Apesar dessa fartura, optei por trazer apenas um, que considero ser bem explicativo, por um lado das novidades ao nível do pressing do Sporting e, por outro, da qualidade ofensiva que possui este Benfica. Na verdade, esta foi a situação que mais se repetiu nos primeiros 30 minutos, sendo que o Sporting a resolveu na maioria dos casos com sucesso, conseguindo até algumas transições perigosas a partir de recuperações. Neste caso, porém, o destino foi outro.

Sporting – O novo pressing de Carvalhal
Como tantas vezes repito, o que há de mais secundário na “táctica” das equipas é o sistema. Aqui está mais um exemplo. O Sporting mudou de sistema, mas o que realmente mudou foi a forma como se movimenta nos diversos momentos. No caso do pressing em organização, em vez de ter 2 avançados muito agressivos e actuando lado a lado, o Sporting tem agora 2 jogadores dispostos verticalmente, que não parecem correr muito, mas que têm uma missão fundamental no comportamento defensivo da equipa. Liedson e Matias têm, como missão mais importante, impedir a rotação de jogo, forçando o adversário a sair pelo flanco onde está a bola. Liedson bloqueia a rotação pelo central e Matias pelo “pivot” (1). Esta tarefa dos dois jogadores da frente possibilita que a restante equipa se posicione sobre o flanco onde vai sair a bola. E, aqui, os 2 médios defensivos adoptam um comportamento assimétrico. Pode parecer que Moutinho está a acompanhar Aimar, mas não é isso que acontece. Com Liedson e Matias mais posicionais, é Moutinho quem tem ordem para subir e pressionar o central que tem a bola, assim que ele assuma a iniciativa. O espaço nas suas costas é coberto pelo outro médio, Adrien (2). Finalmente, outro aspecto importante e que marca a diferença em relação àquilo que era prática no modelo anterior é a linha defensiva, que se apresenta mais alta e fazendo mais recurso à arma do fora de jogo (3). Este será provavelmente o aspecto mais difícil de conseguir por parte de Carvalhal para este momento defensivo, e foi, também, aquele onde o Sporting revelou mais dificuldades, notando-se, por exemplo, a diferença qualitativa em relação àquilo que faz o Benfica. É preciso muito “nervo” dos defesas para ficar e não baixar, e essa capacidade de decisão é fundamental para o sucesso da equipa. No caso, não era fácil, mas a linha que é comandada por Polga (porque é quem está à frente do lance), não resiste à tentação de recuar ligeiramente, sendo o suficiente para habilitar Cardozo. Ainda sobre a jogada, e para terminar, focar o que acontece com Carriço que sobe para pressionar Saviola, mas que não consegue impedir a rotação do argentino, hesitando entre fazê-lo e tentar controlar o espaço que é ameaçado por Di Maria. Esse é o pormenor que desbloqueia a jogada.

Benfica – qualidade de circulação
Vista a estratégia do Sporting, que foi bem interpretada, diga-se, interessa rever como o Benfica consegue, apesar das dificuldades, criar problemas ao Sporting. Dois aspectos são fundamentais, em termos colectivos, a qualidade de movimentos, e em termos individuais, a capacidade dos intérpretes. Muito importante, primeiro, David Luiz. A bola quase sempre sai pelo mais recente capitão e a verdade é que se o central ainda tem algo a melhorar em termos de decisão, tem também um potencial e uma qualidade fantástica em vários aspectos do jogo. Um deles é precisamente na saída de bola, executando com muita qualidade e tendo essa vantagem muito rara que é a de jogar com os 2 pés. Outro dos destaques vai para os corredores laterais, a escapatória recorrente para o inicio das jogadas que encontram bloqueios ao meio. A qualidade técnica é um requisito obrigatório nos extremos, claro, mas também nos laterais. Jogar rápido, bem e sob pressão não é para todos. No lance em causa, aliás, a qualidade neste particular é determinante para fazer a bola chegar rapidamente e em boas condições a Saviola, apesar da pressão. Saviola, aliás, é outro destaque. Se no corredor central Javi é mais fácil de neutralizar e Aimar não pode encontrar sempre soluções de passe, Saviola é absolutamente fundamental. Ao baixar, cria uma solução extra e muitas dificuldades para a defesa contrária que se vê, como no caso de Carriço, obrigada a sair da posição e tendo depois muitas dificuldades para parar a qualidade do “Conejo”.
O lance retrata exactamente como o Benfica conseguiu, apesar de bem pressionado, apesar de ter Aimar “tapado”, encontrar soluções. A solução esteve na e na interpretação praticamente perfeita de um movimento treinado e que acabou com uma boa possibilidade de finalização para Cardozo.
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Volta ao mundo - 9 golos

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30.11.09

Sporting - Benfica: Sem golos, mas... com muita qualidade!

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É frequente confundir-se golos com qualidade. É a consequência de uma visão mais superficial do futebol enquanto jogo. Felizmente, no entanto, chovem por esse mundo fora exemplos que a contradizem, e em Alvalade teve lugar mais um deles. Em termos de qualitativos o Benfica esteve de acordo com aquilo que é: fortíssimo, por vezes, mesmo, quase perfeito. O Sporting, não podendo apresentar em tão pouco tempo os mesmos índices qualitativos, esteve também bastante bem, e teve na atitude e intensidade aspectos que lhe foram fundamentais para conseguir dividir o jogo. Sem golos, mas muito futebol, assim se jogou um derby que, na verdade, pouco adianta nas contas do campeonato.

Sporting
Começou bem a “era” Carvalhal. São várias as mudanças, havendo ainda aspectos por melhorar e outros por testar. Mas irei falar dessas alterações nos próximos jogos, porque envolvem muito, quase tudo na realidade.

Em relação ao jogo, o Sporting esteve bastante bem tendo em conta o valor do adversário. Definiu uma zona de pressão inteligente e começou muito intenso e agressivo no jogo, conseguindo contrariar o Benfica com muito mais frequência do que aquilo que é hábito. Por alguma incapacidade própria e por muito mérito alheio, não foi fácil ao Sporting levar o seu jogo até à área contrária, mas a verdade é que o Sporting conseguiu estar tão próximo da vitória quanto o seu adversário. E o motivo para isto é deveras surpreendente: as bolas paradas. Esteve muito forte o Sporting nesse que havia sido um dos seus pontos fracos do passado recente, quer a atacar, quer a defender (a zona, como se previa, agora dita leis em Alvalade). Houve, de facto, maior dificuldade para se impor na segunda parte, fruto essencialmente de uma maior percentagem de erros técnicos (passes errados), e de uma dificuldade em ganhar segundas bolas a partir de pontapés longos dos guarda redes – um pormenor geralmente desprezado mas que influi muito na iniciativa que se consegue ter em jogos de grande equilíbrio e intensidade como este.

Individualmente, algumas notas. Pedro Silva foi um catalisador dos tais erros técnicos na segunda parte. Adrien continua a contrastar os bons momentos com uma frequência de erros proibitiva para a posição em que joga. Vukcevic jogou à direita (e algum tempo ao meio), não deu muito nas vistas, mas foi muito melhor do que vinha sendo à esquerda. Aliás, arrisco que se mantiver a posição, vamos vê-lo com um rendimento completamente oposto ao que vinha tendo. O ideal para o Sporting seria ter uma solução para a esquerda e fazer recuar Veloso para o lugar de Adrien. Vukcevic na esquerda será, provavelmente, um passo atrás.

Benfica
Sem surpresas de inicio, o Benfica não ficou a dever nada a si mesmo em termos qualitativos. Esteve fortíssimo, condicionou imenso o Sporting e mostrou ser qualitativamente melhor, mesmo tendo estado o Sporting bastante bem. Mas, mais uma vez, não ganhou um jogo importante e, mais uma vez também, afastou-se do lugar a que o seu futebol parece destinado, o primeiro. Talvez o Benfica jogue sempre na mesma intensidade, altíssima sim, mas incapaz de dar algo mais nestes jogos frente a adversários mais fortes e igualmente intensos. Talvez. O jogo com o Porto, depois de Braga e Alvalade, ganha agora uma importância que vai para além do mero aspecto pontual.

Apesar de ter começado de forma previsível, Jesus surpreendeu a meio. Trocou Aimar por Ramires. Francamente não entendo o motivo de se alterar protagonistas, de se abdicar da capacidade de Aimar e de se alterar aquilo que se vem fazendo tão bem. O treinador explicou que a opção se devia a Moutinho e à sua capacidade de se desdobrar e aparecer em zonas mais ofensivas, sendo que Ramires seria um jogador mais forte defensivamente. É verdade que o é, mas não vejo, sinceramente e revisto o jogo, que tal se justificasse.

Enfim, tal não afectou muito a qualidade colectiva do Benfica, que sentiu algumas dificuldades, sim, mas que mostrou também momentos de enorme qualidade de circulação e uma fantástica coordenação organizativa, em particular no posicionamento da sua linha mais recuada – um aspecto fundamental para o sucesso táctico deste Benfica. Há poucas equipas no mundo com a qualidade colectiva do Benfica e não é o nulo que lhe retira esse mérito...
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Aí está ele!

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27.11.09

Belluschi, um problema... genial!

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O jogo contra o Chelsea agudizou o mistério Belluschi. Responsável pelos raros rasgos portistas, mas igualmente fortemente associado à impotência do meio campo para se impor no jogo. Belluschi não é bom... é genial! Mais do que isso, a sua arte, ao contrário de outros animadores de plateias, tem na baliza um elemento essencial. É nela que se inspira. O problema é que Belluschi vive quase exclusivamente para a especificidade do seu talento e quando está longe da sua inspiração – a baliza – torna-se num problema muito mais do que uma solução.

Um erro de casting táctico. Belluschi não é um Meireles, um Guarin ou mesmo um Lucho. Não tem intensidade nem agressividade sem bola, não tem vocação para ter a bola a 50 metros da baliza, nem disponibilidade para se dedicar a tão larga franja de terreno. Mas se lhe derem os últimos 25 metros, se fizerem dele aquilo que os italianos chamam de “trequartista”, então acumulará golos e assistência em quantidade bem superior a qualquer um dos 3 nomes que atrás referi. Como médio no actual 4-3-3... duvido muito.

Jesualdo, como sempre, acreditou no milagre do treino e da sistematização. É a sua natureza, a sua fé. Mas Belluschi já vai a meio da sua viagem pelo mundo do futebol e carrega um código genético demasiado vincado para ser facilmente moldado. Jesualdo está a tentar que o Porto mude Belluschi, mas se calhar o melhor mesmo seria tentar encontrar uma maneira de fazer com que Bellsuschi mudasse o Porto. Digo eu...


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26.11.09

Porto - Chelsea: Reacção mental... precisa-se!

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Não é pela derrota em si, que até poderia nem ter acontecido. É, antes sim, pela incapacidade portista em impor a sua própria intensidade no jogo. Em mandar no adversário, como quase sempre fez no Dragão em temporadas recentes. A conclusão que decorre é a de um óbvio distanciamento actual daquele que foi o nível europeu do Porto nas últimas 3 épocas. Uma impotência que tem origem em problemas técnico-tácticos, mas que atrai também um outro tipo de dor de cabeça para Jesualdo, e que poderá ser uma ameaça bem mais perigosa. O aspecto mental.

O Chelsea pode não ter sido particularmente perigoso, mas mandou sempre no jogo. Controlou sempre a bola e os ritmos, que para seu interesse foram sempre baixos, de forma a não comprometer o equilíbrio táctico. Afinal, o empate servia os interesses ingleses e se ele perdurasse. o mais provável era que o Porto tivesse de correr mais riscos e, consequentemente, ser mais facilmente surpreendido. Poderia não ter acontecido, mas foi exactamente esse o destino do jogo.

A impotência do Porto para inverter esta tendência, explica-se em 2 vertentes. A primeira, de ordem táctica, tem a ver com a sua incapacidade para ser tão eficaz em termos de pressing como fora no passado. A consequência foi o baixar do bloco para zonas muito baixas e de onde, depois, era também difícil partir para transições perigosas. Este é um problema para o qual já venho alertando desde o inicio de temporada e que tem muito a ver com a perda de Lisandro e Lucho.

A segunda vertente tem a ver com o aspecto mental, com a confiança na execução e com a atitude e agressividade sem bola. O facto da equipa estar a lidar com momentos de frustração afecta os jogadores e a equipa e não é por acaso que o período em que o Porto conseguiu causar mais dificuldades ao jogo do Chelsea foi nos minutos imediatamente seguintes à sua melhor ocasião no jogo. O “bruah” como que ressuscitou a crença da equipa, tornando-se mais agressiva e finalmente mandando verdadeiramente no jogo. Infelizmente, foi curto.

Escusado será dizer que, se em vez de se inverter, o problema mental se acentuar, o Porto pode ainda vir a passar por momentos bem piores do que o actual.
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O inferno de Quito!

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Tinha ganho 7-0 na primeira mão da meia final. Agora, na final da Copa Sudamericana, foram... 5!

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25.11.09

Barcelona-Inter: Numa palavra... qualidade!

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Talvez iludido pelas mediáticas ausências de Messi e Ibrahimovic, o Inter pareceu esquecer com quem ia jogar no Camp Nau. Como o Barça é, antes de mais, uma força colectiva, deu-se mal. Muito mal, mesmo. Aliás, se houvesse um KO técnico no futebol, este jogo não teria durado nem metade, tal a forma como o Barça vergou progressivamente o Inter durante a primeira parte. Não porque tenha tido uma avalancha de oportunidades, que não teve, mas porque, não precisando de as ter, soube gerir o jogo e o adversário de uma forma notável. Uma evidência, para quem às vezes se parece esquecer, que esta é uma equipa de outra galáxia no futebol mundial.

Ousar bater o Barça no seu próprio estilo não tem de ser forçosamente um erro. O próprio o Inter conseguiu alguns resultados positivos na sua primeira tentativa, em San Siro. 2 meses volvidos, os ‘nerazzurri’ tinham tudo para fazer melhor. Mas não fizeram, e não fizeram porque, estranhamente, cometeram mais erros e pareceram menos preparados para a qualidade que existia do outro lado. Com bola, tentou sair sempre a jogar, mas acumulou demasiados erros técnicos, demasiadas perdas e tornou-se uma presa fácil para o ‘pressing’ catalão. Sem bola, deixou-se tourear pela posse especulativa do Barça, basicamente por não interpretar verdadeiramente o sentido colectivo do pressing. Isto é, pressionar colectivamente não se aplica apenas aos jogadores mais próximos da bola, é preciso que também a linha defensiva suba no momento certo, para que possa reduzir espaços entre linhas. Caso contrário, e com a qualidade que o Barça tem, a bola vem para trás mas depois encontra mais espaços entre linhas. Isto repetiu-se inúmeras vezes no jogo, e um dos exemplos esteve na origem da brilhante jogada do segundo golo.

Ao contrário do Inter, o Barça esteve perfeito. Todos os jogadores sabem o que querem fazer com a bola, como envolver o pressing adversário para encontrar os espaços por onde entrar. Todos os jogadores sabem quando devem subir para pressionar ou recuperar para equilibrar. Os golos foram igualmente importantes porque tornaram tudo mais desequilibrado também no plano psicológico, uns crescendo em confiança, e outros errando ainda mais, embebidos pela frustração que acumulavam. Individualmente – porque são as individualidades que interpretam as ideias colectivas – é impossível não ficar rendido a Xavi. Parece que goza com o pressing contrário. Outro destaque incontornável é Iniesta, extremo no papel, mas quase sempre vindo para o meio, criando superioridade nos espaços interiores e deixando perdida a dupla Chivu-Motta, muitas vezes demasiado presa a referências individuais de marcação.
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