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4.5.10

Porto - Benfica: estatística individual

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A espantosa jogada com que Belluschi sentenciou o clássico justifica todas as repetições. O que não mostra é a totalidade do impacto do argentino no jogo. De facto, Belluschi merece a distinção de melhor em campo, não só pelo soberbo momento de inspiração (que já se esperava há algum tempo!), mas pelo trabalho que foi desempenhando ao longo do jogo. Em particular na segunda parte, o ex-River Plate apareceu como nunca, participando em quase todos os desequilíbrios ofensivos da equipa e – talvez mais surpreendente – contabilizando um número de intercepções muito elevado, apenas superado por Álvaro Pereira e Fernando entre os dragões. Aqui ficam outros destaques.

A sintomática importância das intercepções
Será o dado mais relevante entre as estatísticas colectivas: o elevado número de intercepções. Em grande parte tal se deve à característica do jogo depois da expulsão, com o Porto mais baixo e o Benfica a correr uma maior dose de risco nas suas iniciativas. Por outro lado, porém, esta era já uma tendência que vinha de trás, explicando-se pela dificuldade que ambas as equipas sentiram em soltar-se do pressing contrário. Aqui, e como realcei na análise de ontem, o Benfica foi quem esteve sempre melhor. Conseguindo melhor circulação, mais passes e maior volume de jogo. Mesmo antes da saída prematura de Fucile.

Os mais interventivos: A importância do 10 e dos laterais
Começando pela posição 10 do modelo encarnado. Desde o inicio da época que venho reforçando a importância desta posição no modelo por ser aquela que mais influência tem no jogo da equipa. Ora bem, os números dizem isso mesmo. Carlos Martins foi o jogador que mais intervenções (passes, intercepções e remates) teve durante a sua passagem pelo jogo e, depois da sua entrada, Aimar passou a ser ele próprio o jogador mais influente. Aqui se percebe facilmente o quão importante pode ser o jogador que Jesus escolhe para esta posição e a diferença que podem dar Carlos Martins e Aimar nesse papel. Algo que o treinador não pareceu valorizar pelos magros minutos que deu ao argentino.

Ainda neste campo, destaque para Fábio Coentrão, um jogador que confirma a sua invulgar capacidade de recuperação, sendo aquele que mais intercepções acumulou em todo o jogo. Aqui, há que contar com a estratégia (falhada, diga-se) de Jesualdo em encostar Hulk ao vilacondense, forçando vários duelos, dos quais Hulk saiu maioritariamente a perder.

Mas se Coentrão foi o mais interventivo em todo o jogo, Maxi não andou longe. Do outro lado, e para confirmar a importância dos laterais, também foi o lateral esquerdo o mais interventivo. Álvaro Pereira. Claramente, nos laterais de ambas as equipas está tudo menos um pormenor do jogo colectivo.

A "ausência" de Cardozo
Outra das grandes notas do jogo é a limitadíssima participação de Cardozo. Algo que já vem de trás e que contrasta com Saviola. Aliás, o argentino teve sensivelmente o dobro da participação do 7 enquanto esteve em campo. Esta característica retira a Cardozo uma maior utilidade no jogo colectivo, apesar de todos os golos que vem marcando.

Já agora, e num caso idêntico, Farias também é conhecido por esta faceta pouco interventiva. Confirmou-o na primeira parte, sendo o jogador menos presente e acabou por ser vitima da situação de jogo no momento em que havia despertado para o jogo. Não só pelo golo, mas por uma entrada no segundo tempo que foi incomparavelmente mais cooperante com os interesses da equipa.

Hulk e Di Maria, os desequilibradores... mas pouco
Di Maria chegou a prometer, com um remate brilhante à barra e até realizou uma primeira parte de bom nível. A segunda, porém, foi de total desacerto. Menos interventivo e, sobretudo, muito mais errático. Essa foi uma das chaves do jogo, coincidindo com a explosão de Belluschi e é também uma contribuição para a ideia de que Di Maria está ainda longe de ter a consistência de um jogador do mais alto calibre.

Não exactamente igual, mas num registo semelhante esteve Hulk. Encostado à direita ao contrário do que vem acontecendo na nova estrutura, tinha o objectivo de “caçar” Coentrão. A verdade é que Hulk acabou... “caçado”. Sempre demasiado ansioso por desequilibrar, Hulk acabou por não o fazer em todo o jogo, mesmo quando este se partiu e criou condições ideais para si. Uma tendência que se repete com demasiada frequência e que urge ser trabalhada sob pena do seu enorme potencial passar verdadeiramente ao lado de um aproveitamento ideal.



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20.4.10

Académica - Benfica: estatística individual

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O exercicio – laborioso – a que me propus foi fazer um levantamento estatistico individual do jogo de Coimbra. Os resultados são interessantes e, sobretudo, elucidativos em vários aspectos.


Estatísticas colectivas
Para começar, em termos colectivos, fica clara a qualidade invulgar do futebol da Académica. Sem ter tido o domínio territorial durante grande parte do jogo, mesmo assim, é assinalável que tenham sido os ‘estudantes’ quem mais passes realizou (340 contra 311) e, mais ainda, quem melhor % de sucesso conseguiu (76% contra 72%). Isto, contra uma equipa altamente pressionante e bem mais dotada tecnicamente, como é o caso do Benfica. Esta é uma marca clara do invulgar trabalho de André Villas Boas na Briosa.

Se o jogo não parece ter sido resolvido pela qualidade da posse, parece claro que foi resolvido pela capacidade de desequilíbrio. Entre os desequilíbrios ofensivos, contam-se 7 do lado encarnado para apenas 1 da Académica. Isto, apesar das tentativas de remate terem sido idênticas de ambos os lados (11). Fica claro, portanto, o impacto da componente individual na definição do jogo.


O radical Di Maria
Em vários aspectos foi o pior do jogo. Incomparável nas perdas e nos passes errados. Pouquissimas intercepções (4). O outro lado da moeda foi, claramente, a sua capacidade de decisão. 2 desequilíbrios ofensivos que resultaram em 2 assistências para golo. Não fora este pequeno pormenor, teria sido o pior estatisticamente. Sendo assim... foi um dos melhores. É assim o futebol.


Aimar vs Martins
Curioso o impacto do número 10 que, julgo, foi determinante no balanceamento do jogo, antes e depois do minuto 56, em que entrou Carlos Martins. Até aí, Aimar era o jogador mais influente do jogo, com 31 passes completados, apenas 4 errados e ainda 13 intercepções. A partir daí, Martins baixou enormemente a percentagem de passe (16 em 25 tentados), mas destaca-se também a sua muito menor participação em termos de trabalho, com 1 só intercepção. Para além disto, acumulou ainda 2 perdas, enquanto que Aimar não havia concedido nenhuma nos 56 minutos a 10. Em cima de tudo

isto, e a favor de Martins, está o seu pontapé ao poste, constituindo um desequilíbrio ofensivo que Aimar não conseguiu no tempo que esteve na posição. Ainda assim, fica claro em termos estatísticos como é diferente ter Aimar ou Martins na posição mais influente do modelo.


David Luiz vs Sidnei
Outra diferença muito grande entre as estatísticas individuais por posição é na zona central da defesa encarnada. David Luiz foi avassalador em termos de intercepções, mas se é normal ver um central liderar esta estatística, mais estranho é a diferença que consegue em relação a Sidnei. Mais do dobro (28 contra 13). O único ponto onde David Luiz ficou a perder em relação a Sidnei foi nas perdas de bola, acumulando 3 contra 1 do seu parceiro. No que respeita à percentagem de passe, a diferença é também sintomática e que reveladora das discrepâncias entre os dois jogadores neste plano. 75% para David Luiz e 59% para Sidnei.

Nuno Coelho, o relógio
A eficácia é o que se pede a um “pivot” defensivo e, nesse aspecto, Villas Boas não pode estar mais satisfeito com Nuno Coelho. 97% de aproveitamento no passe (apenas 1 perdido em 35), 20 intercepções e nenhuma perda de bola. Do outro lado, já agora, referência para Javi Garcia. Beneficiou de alguma dificuldade da Académica em pressionar a sua zona e conseguiu também números muito interessantes, com 89% de sucesso no passe, 21 recuperações e 2 perdas. Ainda assim, não deixa de ser notável que Nuno Coelho tenha tido melhor aproveitamento do que Javi.


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5.3.10

A explosão de Di Maria

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Depois de alguns destaques individuais de exibições no fim de semana, seria injusto não fazer também referência àquele que foi, afinal, o grande protagonista em termos individuais da jornada passada. Di Maria, pois claro. O argentino atingiu definitivamente o pico de águia ao peito e, frente ao Leixões, terá feito, senão a melhor, seguramente a mais proveitosa exibição da sua passagem por Portugal. Sobre Di Maria, é incontornável a sua capacidade de desequilíbrio e a irreverência do seu futebol. Mas há algo mais a reflectir sobre a sua evolução. Afinal, como se explica a explosão de Di Maria?


Confiança e...
A primeira palavra a referir, ainda que não seja aquela que vem a montante no processo, é: confiança. Ao contrário do que acontecia anteriormente, Di Maria sente-se absolutamente confiante com bola. Não tem medo de arriscar e, quando o faz, está centrado na sua potencialidade e não na consequência do erro. Tudo isto surge, porém, porque houve da parte do colectivo, um conjunto de condições que facilitaram o crescimento do argentino. Algo que desde a pré época foi aqui identificado.

... entrosamento táctico

A decisão, o pior pesadelo do ex-Rosário no passado, tornou-se mais simples com a chegada de Jesus. Dois motivos para isto. A maior proximidade de companheiros em todos os momentos e, sobretudo, uma grande diferença ao nível do entrosamento táctico com o modelo. Antes, Di Maria tinha de ler o jogo antes de decidir e, porque isso nele demorava tempo, frequentemente recorria à solução do drible, em más condições, como escapatória. Hoje, sabe de antemão o que pode e deve saber. Quando recebe na linha do lateral, pode jogar de primeira para dentro e atacar a profundidade, porque há sempre alguém com quem fazer a parede. Quando sai de um drible para a linha, pode cruzar ao segundo poste porque é aí que vai aparecer Cardozo. Quando a bola vem do lado oposto pode atacar, sem bola, a profundidade porque alguém, seguramente, o vai procurar.

Di Maria, em suma, não é diferente daquele que jogava no ano anterior. O que mudou foi a envolvente...



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18.12.09

O que dizer do gesto de Di Maria?

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Ora aí está uma finalização realmente rara! O gesto entusiasma qualquer plateia e é um verdadeiro íman de popularidade. Dir-se-á que só pelo espectáculo terá valido a pena, e não posso dizer que não percebo a perspectiva. Mas tudo isto tem a ver com o grande público, menos familiarizado com os detalhes do jogo em si mesmo. Na verdade este é, hoje em dia, um gesto que não representa grande dificuldade para a generalidade dos profissionais e o motivo pelo qual não aparecem mais golos destes é, simplesmente, porque são poucos os que têm a ousadia de o tentar. A pergunta, pois, é: o que realmente indicia este gesto de Di Maria?

Talento? Claro que o tem, mas, como expliquei, não é por este gesto. Pessoalmente, inclinar-me-ia mais para uma combinação entre displicência e egocentrismo. Displicência porque dificilmente alguém acreditará que Di Maria repetirá a opção num jogo de grande pressão. Egocentrismo, porque, assim sendo, a única coisa que justifica a opção não é a eficácia mas, antes sim, a tentativa de captar atenções.

O ponto é que o golo de Di Maria apenas entusiasma o grande público. Para quem profissionalmente observa jogadores, este será apenas mais um sinal da imaturidade do jogador e da seu distanciamento daquilo que é o interesse colectivo. Desta vez foi na finalização de "letra", no fim de semana anterior foi de outra forma.

Finalmente, uma clarificação. Di Maria pode ser ainda imaturo, mas convém não confundir as coisas. As suas más decisões e excentricidades não apagam o talento e capacidade que possui, nem são suficientes para deixar de fazer dele uma primeira opção óbvia para Jesus. Apenas o afastam do seu potencial...
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27.10.09

Benfica: Os alas e a agilidade táctica

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Ainda nem a meio chegamos e só agora – tardiamente – chega à liderança. Mas este Benfica é, em tão curto espaço de tempo, já histórico. É fortíssimo tacticamente, em todos os momentos do jogo, tem um talento enorme, assumiu uma cultura de intensidade invulgar e, agora, respira uma confiança que torna a bola mais redonda em cada lance. Demolidor. Pode-se falar, e já se falou, de muita coisa, porque quase tudo é elogioso. Hoje, porém, escolhi a importância dos alas – em particular Di Maria – na agilidade táctica da equipa. São eles que encolhem ou alargam a equipa, que lhe dão profundidade ou equilíbrio. A importância da sua reactividade é, por isso, fundamental para se responder mais rapidamente a cada um dos momentos.

Primeiro lance – Maxi dá-lhe a bola na “fogueira” e ele, ainda assim, sai dela sem se queimar. Aimar está, de facto num momento fantástico, e é a sua confiança e talento que, inegavelmente estão na origem do primeiro lance. Mas esqueçamos – se é possível – Aimar por um momento, não é dele que quero falar. No meio, Di Maria, embora um ala, não dá largura à equipa. Aproxima-se da jogada, oferece apoio, dá força à zona onde está a bola, e colabora para que ela encontre outros caminhos mais livres para progredir. Mas a profundidade não é esquecida. O movimento complementar vem do lateral, que aproveita o espaço. Tudo isto só funciona se for feito de forma automática e com grande velocidade. Daí a importância da capacidade de dar profundidade nos laterais deste modelo.

Segundo lance – Outra vez Aimar. Antecipa-se na leitura do lance e, mais uma vez, é o elemento fulcral no desequilíbrio. Mas, de novo, o que quero focar é o papel do ala, Di Maria. Perante uma jogada dividida, o seu posicionamento é intermédio. Tanto pode resultar que tenha de vir fechar ao meio, à frente da linha defensiva, como poderá “explodir” para dar profundidade em transição – o que sucedeu. A área de acção é enorme e, por isso, é fundamental o aspecto tempo, quer na reacção, quer no deslocamento. É isso que acontece, Di Maria é rápido a perceber e velocíssimo na acção, tirando partido do desequilíbrio posicional madeirense.
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28.1.09

Hulk: com mais potencial...

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Hulk: 62 votos (41%)
Vukcevic: 48 votos (31%)
Di Maria: 41 votos (27%)


Por coincidência apresento este resultado depois de ter sido uma figura muito abordada aqui nos últimos dias. Sem grandes surpresas, Hulk foi o mais votado entre as 3 opções para jogador com mais potencial. É, no fundo, o resultado do impacto que o brasileiro teve desde a sua chegada a Portugal. É fácil reconhecer-lhe pontos fracos, mas será ainda mais evidente perceber que as suas características físicas e técnicas são susceptíveis de ser trabalhadas ao ponto de fazer de Hulk, globalmente, num jogador extraordinário.
Pelo que escrevi anteriormente percebe-se que concordo genericamente com os resultados da votação. Hulk, parece-me, é mesmo aquele que tem mais potencial. Mesmo se está longe de ser, actualmente, um jogador maduro e de haver alguma incerteza sobre a forma como vai evoluir, essencialmente, em situações em que lhe é concedido menos espaço, onde tem hoje muitas dificuldades em se tornar verdadeiramente útil. Vukcevic será, provavelmente, o valor mais seguro dos 3. Tem ainda muito potencial, mas é o jogador mais maduro do ponto de vista da decisão e, também, o mais forte do ponto de vista táctico. Di Maria será aquele que mais risco apresenta em relação ao futuro. É fácil encontrar o potencial num jogador explosivo e muito difícil de segurar em velocidade. A verdade, porém, é que Di Maria tem revelado pouca evolução desde que chegou ao Benfica e permanece num jogador sem a frequência dos rasgos de Hulk ou a maior regularidade exibicional de Vukcevic. O tempo, no entanto, é ainda muito para o argentino que pode perfeitamente dar a volta a esta situação.

Ficha (quase) técnica
Tal como na votação anterior, deixo as conclusões que se poderiam tirar caso tivessemos a certeza que esta amostra era representativa dos adeptos em geral. Assim, se esse fosse o caso, e dado o tamanho da amostra (151), poder-se-ia concluir com uma probabilidade de 95% que a escolha dos adeptos se distribuiria pelos seguintes intervalos percentuais:

Hulk: 34% - 49%
Vukcevic: 24% - 38%
Di Maria: 20% - 34%




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15.1.09

A noite da "Bestia"... e outros golos

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- Del Piero deu mais uma prova de que a classe não tem idade, na vitória da Juventus (3-0).
- O Sevilha voltou a vencer na Corunha (0-3), perante uma desorientação anedótica dos contrários.
- Colsa marcou de bicicleta ao Valência, mas o prolongamento ditou a eliminação do Racing.
- Mais uma vitória do Barcelona sobre o Atlético (2-1). Destaque para o trabalho de Iniesta no golo decisivo.
- Por cá, foi pena ninguém ter visto o jogo da Choupana (treinadores incluidos!). A jornada sempre deu para perceber que Di Maria até marca golos. Precisa é de um motivo.

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30.8.08

Argentina: Ouro Albiceleste

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Pela segunda vez na história do torneio olímpico de futebol, um país conseguiu repetir o ouro em edições consecutivas. Para encontrar o outro exemplo temos de recuar até aos anos 60, década em que a Húngria repetiu o ouro em 64 e 68.
A justiça da vitória argentina em Pequim é inquestionável e não resisto a liga-la ao triunfo espanhol no Euro deste mesmo ano. É que as duas grandes competições ao nível de selecções foram dominadas por equipas com um perfil futebolístico muito próximo e que contrasta com uma tendência mais física que vem dominando as competições de clubes. Espanha e Argentina foram campeãs com uma média de estaturas baixa, quase obsessivamente concentradas num futebol de grande valorização da posse de bola e apoios muito curtos. A pergunta que fica é se esta pode ser uma tendência igualmente triunfante ao nível de clubes ou, por outro lado, se a opção apenas pode sair vencedora no futebol de selecções?

Sistema táctico e opções
Em termos de sistema táctico, o 4-2-3-1 foi a opção clara de Sergio Batista. A justificação deste sistema está na intenção de dar liberdade ofensiva aos jogadores mais criativos da Argentina, protegendo-os tacticamente com a presença do duplo pivot de meio campo defensivo.
Na baliza, Oscar Ustari (Getafe) era o titular à partida, mas a sua lesão nos quartos de final, frente à Holanda, acabou por dar a Sergio Romero (AZ Alkmaar) a oportunidade de estar presente na baliza durante a fase terminal e decisiva da prova.
Na defesa, o quarteto base era formado por Zabaleta (Espanyol) à direita, Luciano Monzon (Boca Juniors) à esquerda e Ezequiel Garay (Real Madrid) e Nicolas Pareja (Anderlecht) como centrais.
No meio campo, Fernando Gago (Real Madrid) e Javier Mascherano (Liverpool) eram os responsáveis pelo tal duplo pivot de cobertura. À sua frente, o capitão e mais experiente Riquelme (Boca Júniors). Nos flancos, à direita, o intocável Messi (Barcelona) e à esquerda a grande dúvida de Batista. Lavezzi (Napoles) foi quem começou como titular, aparecendo mais próximo da zona central e de Aguero. O andamento da competição acabou por dar a Di Maria (Benfica) a presença nos onzes dos jogos terminais. Com um perfil diferente, Di Maria esteve sempre mais próximo ao corredor esquerdo, dando mais largura ao ataque.
Na frente, Sergio Aguero (Atlético Madrid) foi a escolha permanente.

Como defende?
Em organização defensiva a equipa apresentou-se sempre com um bloco médio mas tentava criar uma pressão que colocasse problemas à primeira fase de construção adversária. Mesmo não sendo particularmente agressiva em todo o campo, esta pressão foi responsável, por exemplo, pelas dificuldades impostas ao criativo meio campo brasileiro, destacando-se a qualidade do papel desempenhado pelos dois jogadores mais defensivos do meio campo, Gago e Mascherano.
Em transição defensiva a pressão era sempre possível ser feita sem grandes riscos. Isto porque não existia uma participação particularmente ofensiva dos laterais nem um grande aventureirismo dos médios defensivos. Isto fazia com que a equipa se mantivesse sempre equilibrada, podendo pressionar mesmo no momento da perda de bola, sem que isso significasse um grande risco para a sua rectaguarda.
Outros aspectos a salientar são a eficácia da dupla defensiva, particularmente na final onde Odemwingie foi muito eficazmente anulado por Pareja e Garay, e alguma dificuldade em lidar com alguns momentos de maior velocidade por parte dos adversários.

Como ataca?
A organização de jogo fez-se sempre pelos dois médios defensivos que, calmamente, iam pautando o jogo e buscando linhas de passe que pudessem dar inicio à progressão da equipa. Depois apareciam os movimentos interiores de Messi e Lavezzi (numa primeira fase) que, com Aguero e Riquelme conseguiam progredir em sucessivos apoios curtos que iam furando o meio campo contrário. Esta foi imagem de marca da Argentina. Uma progressão em apoios curtos pela zona central que colocava em alvoroço as defesas contrárias. Aqui, destaque para a qualidade invulgar de Messi e para o efeito Di Maria. O extremo, ao aparecer mais aberto, surgiu muitas vezes como factor surpresa no momento em que as defesas fechavam para tentar impedir a tal progressão em apoio.
Em transição, a Argentina também conseguiu naturais desequilíbrios. A velocidade de Messi, Aguero e Di Maria e a qualidade de passe de quase todos os jogadores – Riquelme em particular – davam à equipa essa possibilidade de solicitar mortalmente a profundidade, ainda que o instinto colectivo, esse, fosse sempre conduzir o jogo para uma nova fase mais pensada e apoiada. Nota para o golo que definiu a final. Uma recuperação de bola com Messi a solicitar rápida e eficazmente a profundidade de Di Maria, que tirou partido do mau posicionamento da jovem defensiva Nigeriana.

Treinador
Sergio Batista – Para nos lembrarmos dele é melhor recorrer a uma imagem diferente da que actualmente ostenta. Ele era aquele jogador barbudo e agressivo que parecia o guarda costas de Maradona nos mundiais de 86 e 90. Depois de terminada a carreira de jogador, às portas do novo milênio, Batista iniciou-se como técnico principal. O seu trajecto, diga-se, não foi deslumbrante, passando por clubes de segundo nível do futebol argentino antes de ter esta oportunidade de treinar os sub-20 “albicelestes”. Este é, por isso, o grande feito da sua carreira enquanto treinador.

5 estrelas
Ezequiel Garay (Defesa central, 21 anos)
– A sua última época não foi muito cintilante devido às lesões que o impediram de dar continuidade ao impressionante trabalho que realizara no Racing Santander. O Real, no entanto, não se conteve e assegurou o central fazendo desta uma contratação para ter efeitos no médio prazo. Garay teve, ao lado de Pareja, um papel fundamental na carreira argentina. Apesar de não o ter mostrado em Pequim, Garay é dos centrais com mais capacidade goleadora do futebol actual (mesmo tendo em conta que foi marcador de pênaltis no Santander).

Fernando Gago (Médio Central, 22 anos) – Formou com Mascherano a dupla que alicerçou a vitória argentina na competição. Gago, em relação ao seu companheiro de posição, foi sempre mais participativo e arrojado na condução do jogo mantendo-se, defensivamente, sempre bem posicionado e agressivo na pressão. Nestas ocasiões fica bem destacar um herói “invisível” (mesmo que quase sempre este seja visível para toda a gente!) para as conquistas colectivas. Gago seria, neste caso, o homem para ficar com esse popular estatuto.

Juan Riquelme (Médio ofensivo, 30 anos) – Riquelme mostrou, na mesma competição, porque é que é tão adorado por uns (adeptos) e ignorado por outros (treinadores). Com espaço recebe, vira-se e passa, ou bem ou... ainda melhor. Quando o jogo se fecha no meio campo, a sua pouca amplitude de acção acaba por torná-lo numa vitima da zona pressionante que caracteriza o futebol moderno, impedindo-o de se virar para o jogo cada vez que recebe a bola. O seu futebol não se torna inútil mas de uma utilidade seguramente pouco frequente. Ainda assim é sempre um prazer ver a bola nos seus pés!

Lionel Messi (Extremo, 21 anos) – Nesta equipa argentina não faltavam grandes jogadores. Nenhum, no entanto, se compara a Messi. Por muito talentosa que seja a argentina é, para mim, impossível não traçar uma enorme diferença entre o pequeno gênio do Barcelona e os seus companheiros (ou adversários, diga-se!). As suas diagonais para o meio foram a referência do jogo ofensivo da equipa e ele sempre correspondeu a essa responsabilidade com uma qualidade excepcional em todos os jogos.

Sergio Aguero (Avançado, 20 anos) – Foi, na minha opinião, a grande vitima do sistema adoptado por Batista. Jogar como única referência na frente não me parece ser a melhor das soluções para um jogador que ganha tanto quando lhe é dada mobilidade. A sua qualidade é, no entanto, demasiada para que fique refém destas questões tácticas e acabou por ser uma das estrelas da conquista. O seu futuro se encarregará de esclarecer o nível e perfil com que se afirmará...

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