27.8.11

sobre o pressing portista...

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Ontem, foi mais visível do que o costume, mas não foi novo. Não me vou alongar muito (voltarei ao jogo quando puder), mas, aproveito a ocasião para deixar um pequeno excerto, sobre parte do assunto, de um livro sobre o Porto de Villas Boas, que, espero eu, sairá em breve. Um pouco de Marketing, no fundo...

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25.8.11

Estatísticas: proveitos meus, méritos vossos

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Neste defeso propus-me o desafio de analisar grande parte dos reforços dos 3 "grandes", antes destes actuarem com as novas cores. O exercício não foi inocente. Não pretendia, apenas, conseguir uma antecipação descritiva, ou uma identificação de tipologia de características (isso é relativamente básico), mas, antes sim, projectar impactos nos novos cenários competitivos. Talvez, o propósito que persigo esta melhor descrito neste artigo, que escrevi na altura, no "Letra1". Os resultados desse exercício, apresentei-os aqui, como os mais atentos recordarão.

Hoje, após muito pouco tempo, e sem que o balanço esteja definitivamente apurado, tenho de confessar a minha satisfação com os primeiros resultados. Alguma admiração, mesmo, porque não esperava tanto. Casos como Artur Moraes, Rodriguez, Rinaudo, Schaars, Wolfswinkel, Witsel ou Kléber, confirmam, já com alguma certeza, muito do que deles previ. Repito, não apenas ao nível da tipologia, mas em termos de impacto. Há, ainda, muitos casos sem oportunidade para ter um balanço (alguns provavelmente nunca terão) e outros em que, pelo menos para já, não fui tão certeiro (Nolito, fundamentalmente). A estes, os que tiveram acerto, junto ainda José Luis Fernandez, para quem havia dedicado um exercício semelhante, no mercado de Inverno. Por não considerar esta, uma avaliação trivial quando feita à priori, confesso-me muito satisfeito.

Há, nesta evolução - porque não penso ter sido capaz do mesmo em anos anteriores - uma justificação. A integração da componente estatística. Não me acrescenta muito em termos de análise de movimentos e características, mas permite-me padronizar e relativizar o rendimento, para, depois, o poder projectar com mais certeza no novo contexto. Não espero que compreendam muito bem esta explicação, porque sei que não é fácil sem mais detalhe, mas é esta a experiência que tenho para partilhar.

A minha satisfação provém daquilo que considero ser a melhor, talvez única, evidência da utilidade do conhecimento: o poder explicativo do que não é trivial. Como é no futuro que reside a incerteza, entendo que antecipar e projectar correctamente, é um grande teste para quem se propõe conhecer mais.

Mas, se a conhecimento se pode reflectir na capacidade de antecipar melhor, já a inteligência se verifica na aptidão para lidar com situações novas. E, é aqui que entram muitos dos que participaram, desse lado, neste exercício. O que propus, há um ano, foi algo distinto das análises descritivas convencionais. Estar deste lado, foi trabalhoso, sim, mas não assumo o mesmo mérito intelectual daqueles que, desse lado, leram, utilizaram ou criticaram construtivamente algo que era novo, estranho e, sobretudo, que não podiam ver "por dentro". Uma prova intelectual que, para mim, se transformou num contributo muito útil.

Mantenho este blogue há 5 anos, mas nenhum valeu tanto a pena do ponto de vista da aprendizagem e do enriquecimento, como este último. Neste tempo, tenho escrito muito, mas agradecido pouco. Pois, faço agora a minha vénia. Enquanto constato os meus proveitos, agradeço-vos, reconhecendo a vossa inteligência, rara, e os vossos méritos.

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23.8.11

Beira Mar - Sporting: opinião

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- Posso começar por recuperar (outra vez!) a questão do "jogar bem" vs "ganhar". Entre os adeptos do Sporting, e não só, reina já o cepticismo em relação à possibilidade desta equipa chegar ao título. Sentimento legítimo, sem dúvida, para quem perdeu 4 pontos em apenas 2 jornadas. A questão que levanto é: jogou o Sporting menos bem do que os seus rivais? E, aqui, proponho que atentemos aos desequilíbrios conseguidos e consentidos pelas 3 equipas (o critério é meu, obviamente, pelo que pode ser refutado), nas 2 primeiras jornadas. Ou seja, jogadas que realmente aproximaram as equipas de marcar, ou sofrer golos. O Porto, líder, leva um saldo de 12 desequilíbrios criados e 6 consentidos junto da baliza de Hélton. O Benfica 10-6, e o Sporting... 14-1. Ou seja, o Sporting criou mais e consentiu muito menos, justificando-se o desnível pontual apenas por um factor: a eficácia. E, aqui, convém não confundir, esta eficácia, com o sofisma das bolas ao poste do ano anterior. É que, na época passada (e como expliquei na altura), o Sporting teve sempre um saldo muito inferior ao dos seus rivais, com prejuízo tanto no lado ofensivo, como no defensivo. A questão que levanto é: que tipo de percepção teriam as pessoas se o Sporting tivesse tido as mesmas exibições e uma eficácia, apenas, "normal" (que lhe valeria, seguramente, 2 vitórias)?

- Aproveito a "onda" do primeiro ponto, e mantenho-me no terreno da eficácia, para falar dos avançados. Sobre Postiga, e para infelicidade do Sporting, terei, até agora, tido razão a mais no comentário, e alerta, que havia deixado antes do inicio da época. Escrevo "razão a mais", porque não é provável (nem eu me atreveria a antecipar tal coisa!) que um jogador, fosse ele qual fosse, desperdice tanto como fez Postiga nestes 2 jogos. Só ele, finalizou 7 dos 14 desequilíbrios que identifiquei. Agora, frente ao Beira Mar, tivemos a primeira impressão de Wolfswinkel, em jogos oficiais. No que respeita à finalização, teve 2 situações de jogo aéreo em que não mostrou grande agressividade. A pergunta que deixo é, quantos golos de cabeça marcou Wolfswinkel na sua carreira? O ponto sobre este jogador, e recupero, também, a ideia que deixara na antevisão que dele fizera, é que não penso poder tratar-se de um grande finalizador, mas, sim, de um jogador mais forte noutro tipo de acções, mais móveis. Por exemplo, poderia ser testado no papel que Postiga desempenhou no segundo tempo. Mas, no caso de Wolfswinkel, é apenas a minha avaliação, que para já se tem confirmado, mas que o tempo pode desmentir. Resta Bojinov, por quem Domingos deve estar nesta altura a suspirar, uma vez que Rubio, 60 minutos e 0 oportunidades depois, já passou a 4ªopção. Seja como for, deixo esta ressalva para que não se confunda o meu ponto: o Sporting (e os seus avançados) marcará golos e ganhará jogos, seja quem for que jogue. Obviamente. A análise que fiz, e que aqui recupero, prende-se com a dependência, que a equipa me parece ter, desta questão para que seja atingido um nível superior de rendimento e aproveitamento. No longo, e não no curto prazo.

- Passando, agora sim, ao jogo, é interessante verificar as origens dos problemas da equipa, na primeira parte. O ponto que, na minha leitura, é essencial, vai para as dificuldades de ligação em organização e para o facto do Sporting se ter visto forçado a iniciar, desde trás, praticamente todas as suas jogadas. Isto, porque o Beira Mar não "ofereceu" nada em termos de pressing, ao Sporting. Preferiu "jogar mal", não arriscar, e obrigar o Sporting a construir, sucessivamente. A equipa, neste particular da construção, mostrou um movimento de saída, que repetiu várias vezes, e com sucesso parcial. A bola, de Polga, entrava em Yannick que fazia um movimento interior, abrindo espaço para a progressão de João Pereira, o destinatário do passe seguinte. A parte "parcial" do sucesso deste movimento, dava-se no instante seguinte, porque nunca houve uma boa ligação a partir deste ponto. Do outro lado, pela esquerda, a saída foi sempre diferente. Rodriguez ligou quase sempre, e ao contrário de Polga, com Evaldo, e não com o extremo. Ora, a entrada da bola no lateral pareceu ser o "click" que o Beira Mar esperava para iniciar uma pressão mais activa, e o Sporting acabou sempre por inverter o sentido de marcha, quando tentou sair por este ponto (Capel recebia de costas, e sem condições para progredir). Sem chegar ao último terço, o Sporting não se podia "instalar" no meio campo adversário, e jogar a partir da sua boa reacção à perda. Entretanto, Matias foi-se tornando cada vez mais desconfortável com a sua ausência do jogo, e passou a baixar para a zona de Schaars e Rinaudo, em construção. A consequência foi o aumentar da distância entre a linha média e os avançados, com os 3 médios a aparecer, por mais do que uma vez, na mesma linha, e sem qualquer possibilidade de fazer uma ligação segura à fase seguinte do jogo. Foi aí que Domingos desesperou...

- A meu ver, a diferença de rendimento não se deu tanto pelas alterações em si, mas pela alteração de atitude, e clarificação de funções, após o intervalo. Alteração de atitude, porque a equipa passou a ser mais lesta em situações de pormenor. Por exemplo, não dando tanto tempo para que o adversário se organizasse após paragens do jogo. Clarificação de funções, pela colocação de Postiga mais claramente como elemento de ligação, e não tanto pedindo-lhe uma presença simétrica, em relação a Schaars. O Sporting foi entrando no bloco contrário, criando mais situações de apoio assim que entrava no bloco contrário, e, por consequência, empurrando o Beira Mar para trás, quando passou a jogar, finalmente, a partir de recuperações altas, e não a ter de iniciar, em construção baixa, jogada após jogada. O golo não surgiu, mas devia.

- Em suma, diria que a primeira parte mostrou, sobretudo, a necessidade de clarificar papeis e sistematizar movimentos na fase de construção, que possam garantir maior ligação entre as fases ofensivas. Isso e a atitude e intensidade, que são sempre essenciais, seja qual for a proposta de jogo. De resto, outro assunto que era fácil de antever é o tema das lesões. Rodriguez durou pouco, e junta-se a um histórico já elevado de lesões, numa época que ainda agora começou. Assim, torna-se mais difícil fazer evoluir a equipa...

- Uma nota para o desempenho defensivo. No balanço da pré época, referi que me parecia ser um bom sinal da equipa, apesar da percepção que tantos golos sofridos haviam criado. A minha ideia parece confirmar-se nestes primeiros jogos. Não por não ter sofrido golos, mas sim, pelo escassissimo volume de oportunidades que permitiu. Mesmo sendo uma oposição modesta, não é normal tanto controlo (basta ver os rivais). Outro ponto que há muito defendo tem a ver com a ideia de que o problema da defesa do Sporting nunca esteve no capítulo individual, e que as soluções que existiam eram suficientemente boas, tivesse a equipa uma melhor orientação. Até Evaldo, cujo meu diagnóstico não era o mesmo que para os restantes elementos da defesa, tem feito jogos bem melhores do que na época anterior. Não brilhantes, é certo, mas muito melhores do que no passado.
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Benfica - Feirense: opinião

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- "Vitória sofrida". A adjectivação, desde já, não é questionável. O "sofrimento" é uma emoção, e as emoções sentem-se, não se discutem. Esse é o primeiro ponto de reflexão que gostaria de deixar. Ou seja, a importância da emoção, e a sua sobreposição sobre razão, na definição da percepção que temos sobre o jogo, e os seus protagonistas. Fica, realmente, a sensação de que o Benfica poderia ter deixado escapar os 3 pontos em cima da meta, mas isso não quer dizer que tenha feito pouco para ganhar. Pelo contrário, somadas todas as incidências do jogo, os 2 golos de vantagens dão, até, maior justiça ao marcador. Recuperando a breve introdução filosófica, e como qualquer especialista em inteligência emocional seguramente concordaria, é importante manter-se uma capacidade critica e de auto reflexão, em relação à influência da componente emocional na percepção que temos sobre o jogo.

- Entrando no jogo, propriamente dito, a primeira parte deu-nos um Benfica dominador e consequente, em termos de proximidade com o golo. Tipicamente, diria, o Benfica tem um objectivo primordial neste tipo de jogos: chegar ao último terço. Se o fizer, tem, depois, tudo para ganhar vantagem no jogo. Não só pelo talento, mas, sobretudo, pela forte reacção à perda, e, também, pela força que tem nas bolas paradas. É essa a história da primeira parte: foi superada a fase de construção e, com maior ou menor brilhantismo, chegaram as oportunidades e as condições para ter acabado, logo aí, com o jogo.

- Apesar de ter sido bem sucedido nessa primeira parte, não creio que haja grandes motivos para euforias no que respeita à construção do Benfica. O Feirense mostrou-se estrategicamente preocupado com Javi, mas como Javi não é um ponto de saída primordial, facilmente o Benfica ultrapassou o condicionalismo na primeira linha, inclusive tirando partido do tradicional recuo do pivot, para alargar os espaços no bloco contrário. Não só o Benfica chegou com facilidade ao último terço, como não teve problemas de controlo de segurança em posse, nessa zona. De resto, há, na construção, um ponto a reflectir, e que recupero de algo que já havia escrito há pouco tempo. Tem a ver com a assimetria provocada pela saída de Coentrão. O Benfica mantém a sua filosofia de progressão, diria, em "atropelo". Ou seja, seja qual for o corredor escolhido para a saída, não há uma grande preocupação em trabalhar o espaço, e os jogadores forçam a entrada. É assim à direita, com Maxi, ao meio, com Aimar e Saviola mas, agora, não tanto à esquerda, com Capdevilla ou Emerson. Isto, porque nem um nem outro têm esse perfil. Particularmente, Capdevilla é um jogador mais criterioso e menos agressivo, ao contrário de Maxi ou Coentrão. Se, à direita, a bola circula, na maioria das vezes, de Luisão para Maxi e deste para o extremo, forçando a entrada mesmo que o lado esteja fechado, à esquerda esta sequência necessita sempre de um ponto de apoio interior. Se juntarmos aqui Garay, outra novidade em 2011/12, temos uma situação que será curioso acompanhar, em termos de evolução.

- E a segunda parte? Bom, em primeiro lugar, recupero a ideia do primeiro ponto. Isto, porque o Feirense marcou na sua primeira oportunidade, sendo esse um lance de enorme impacto emocional, mas que não reflectiu uma tendência acentuada no jogo. Depois, não é possível esperar que as equipas mantenham uma intensidade constante e tão elevada ao longo de 90 minutos. Ou melhor, é possível, mas não é provável. Por isso, a importância de se ser eficaz quando a oportunidade surge. De resto, o Feirense fez-se sentir junto de Artur, quase sempre em situações de transição rápida, sobretudo após lances de bola parada, do lado contrário. Onde, talvez, mais motivos existam para preocupações, é na dificuldade que o Benfica voltou a demonstrar para gerir o jogo, e se colocar a salvo do sobressalto. Repare-se na melhor ocasião do Feirense, já com 2-1: o Benfica sai pela direita, com Maxi a dar em Perez e, de imediato a fazer o "overlap", retirando apoio ao argentino, que recebeu pressionado, e de costas. É o tal futebol de "atropelo". Não há nada a apontar em termos técnicos, mas o ponto é mesmo esse. A equipa preferiu o risco da progressão impulsiva (em que é muito forte, não confundir), e expôs-se ao mérito que o adversário pudesse ter em transição, caso a iniciativa encarnada não fosse bem sucedida. Valeu que, no caso, o mérito do Feirense só durou até à finalização, mas fica mais um exemplo da forma como o Benfica cria condições para a transição adversária, ao não trabalhar o critério em construção.

- Uma nota final para duas situações. A primeira, tem a ver com a substituição de Witsel por Gaitan. Não parece, de facto, fazer muito sentido a alteração com 1-1 no marcador. Witsel, creio que é praticamente consensual, é uma mais valia que deve fazer parte da solução principal da equipa. O ponto aqui é que Jesus não parece saber muito bem o que fazer com as suas soluções. Não inclui o belga nas opções iniciais e, depois, sente-se obrigado a lança-lo, fazendo-o numa altura em que a equipa precisava mais de criatividade e não tanto de consistência e equilíbrio. A segunda, tem a ver com a importância que tem a eficácia e a presença de elementos que possam materializar o ascendente naquilo que, realmente, é o objectivo do jogo: o golo. Refiro-me, claro, a Cardozo e Nolito.
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22.8.11

Porto - Gil Vicente: opinião

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- Há, na minha leitura, dois focos de preocupação em relação ao momento do Porto. O primeiro, tem a ver com alguns sinais de dificuldade na imposição de um jogo mais forte, a partir do momento de organização. O segundo, está relacionado com o futuro imediato. Quer pela chegada de vários jogadores que trarão implicações na definição do onze base, quer pelo impacto emocional, ao nível da auto estima e confiança, que prometem ter os duelos europeus. Particularmente, claro, a supertaça europeia. É que, para uma equipa habituada a ganhar e que colocou a fasquia em tão alto patamar, qualquer resultado não será irrelevante, no embate frente ao Barcelona.

- Recuperando o jogo frente ao Gil Vicente, devo começar por dizer que foi um jogo anormalmente mal conseguido por parte do Porto. O resultado, e a velocidade com que este foi invertido, serve de atenuante para a percepção geral, mas, com rigor, o Porto fez pouco para justificar o conforto de que usufruiu em toda a segunda parte.

- O principal problema? Não lhe reservando exclusividade, até porque ela raramente existe no futebol, colocaria, ainda assim, todos os focos na organização ofensiva e, em particular, na fase de construção. E, aqui, divido as implicações no sentido das duas balizas. Ou seja, os problemas neste momento tanto deram para potenciar o momento de transição do Gil Vicente, causando problemas atrás, como implicaram uma dificuldade em chegar de forma fluída e continuada ao último terço, impedindo a equipa de ter uma relação mais próxima com o golo. Não admira as implicações desta dificuldade, não apenas pela importância que o Porto atribui a este momento, mas porque qualquer equipa "grande" dele depende, perante o tipo de oposição que invariavelmente é apresentada.

- Entrando no pormenor da construção, continua-se a verificar uma tendência para repetir movimentos de saída, que venho identificando desde o jogo com o Lyon. Bola a sair preferencialmente pelos centrais ou médios, que procuram, normalmente, uma de duas alternativas. Ou exploram as combinações no corredor, entre o lateral e o extremo, com este último a fazer um movimento interior, em direcção ao espaço "entrelinhas". Ou, noutra alternativa em que os laterais permanecem baixos, é tentada uma ligação directa com o extremo. É este último caso, da ligação directa com o extremo, que tem sido tentado com maior frequência, creio, porque os movimentos sem bola alternativos muitas vezes nem chegam a ser feitos, com o desconforto que a equipa parece sentir. O problema da ligação directa com o extremo é que fica, depois, tudo muito dependente da resposta individual que este possa dar. Quando, como neste caso com Varela, a inspiração não é muita, os problemas saltam à vista...

- Há duas situações que gostaria de explorar, ainda neste ponto. O primeiro tem a ver com a situação paradoxal dos médios. Da notória intenção para lhes dar protagonismo na construção, tem resultado uma ausência prática, em termos de relevo ofensivo. Isto, porque não entrando na primeira fase, devido ao condicionalismo do adversário, os médios ficam igualmente ausentes no último terço, com o apelo que tem sido feito à dinâmica dos corredores laterais. Uma situação que, neste jogo, apenas foi interrompida após a entrada de Belluschi, uma solução que talvez mereça mais tempo, já nesta altura. O outro aspecto, tem a ver com o papel do avançado na construção. É um tipo de intervenção mais falada, do que constatada. Ou seja, escreve-se, e fala-se, muito sobre a importância destes movimentos (apoios frontais dos avançados), mas, em organização ou ataque posicional (em transição, ou ataque rápido, é diferente), eles são muito raramente solicitados pelas equipas, sejam elas quais forem. Enfim, "conversas" à parte, o ponto é que Kléber tem-se revelado uma solução muito pouco procurada. Percebe-se a dificuldade, e o risco que representa este tipo de solução em termos de perda e consequente transição, mas, ainda assim, creio que Kléber pode ser mais explorado, porque é muito forte neste plano.

- Sobre o jogo, resta-me falar de 2 jogadores. Hulk, claro, porque é a ele que o Porto deve a facilidade com que resolveu o problema. Aliás, é notável o seu protagonismo, num jogo onde o Gil Vicente conseguiu fazer canalizar o jogo para a esquerda, capitalizando o mau momento de Varela. Tinha escrito que ele (Hulk) estava, de novo, a por-se a jeito para ser a figura da prova e... ele aí está. Sem surpresa, é o que se pode dizer. Do outro lado, Hugo Vieira. O Gil conseguiu excelentes resultados ao nível da recuperação alta, e do potenciamento do erro. Em grande parte, deve-o à extraordinária reactividade de Hugo Vieira.
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19.8.11

Empate do Sporting e os portugueses na Liga Europa (Breves)

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Mais um empate para o Sporting. Não deixa de ser curioso que, depois de uma pré época em que tanto se falou dos aspectos defensivos, seja pelo lado ofensivo que a equipa fica a dever a si própria melhores resultados, no arranque oficial. Curioso, mas não surpreendente. Algumas notas de opinião sobre o jogo:

- "ganhar" e "jogar bem". A dicotomia de que havia escrito, na última análise. Não é possível "ganhar" com frequência, sem "jogar bem". Mas, de igual modo, não me parece provável que se "jogue bem" muitas vezes, sem "ganhar". O Sporting não fez um grande jogo, mas teve ocasiões mais do que suficientes para se exigir um golo. Um golo que daria outra confiança, outro conforto, e, com alguma probabilidade, outra exibição. Sem o golo, sem a eficácia, não se fomenta a própria confiança, e alimenta-se, ao invés, a esperança de quem acredita num feito. Não surpreende a quebra na recta final do jogo, assim como não me parece preocupante a exibição. Não, porque não se pode esperar que uma equipa possa manter sempre o mesmo o ritmo, a mesma intensidade mental e física, durante 180 minutos, numa mesma semana, e sempre lidando contra a frustração de ter o resultado a seu desfavor. Mas, parece-me preocupante, isso sim, que vá acumulando essa mesma frustração.

- Domingos apostou, creio que deliberadamente, nos mesmos. Discordo que este seja o melhor onze, e entendo que há mesmo erros potencialmente crónicos (finalização, já se sabe), mas estou de acordo que, havendo uma aposta, esta seja continuada. Aliás, é assim que deve ser, se realmente houver confiança nas avaliações previamente feitas. Mas, regressando à questão do onze, a vantagem de o repetir passa por, não só cimentar rotinas, como poder evoluir em especificidade e, mais importante que tudo, alavancar a confiança dos protagonistas, quer no plano inter-relacional, quer na relação de confiança com a própria proposta de jogo que está a ser implementada. Dois problemas aqui: 1) é claro que o melhor onze acabará por não ser este (pelo que a especificidade não se aplica como devia). 2) Sem vitórias o efeito confiança fica, no mínimo, limitado. Este foi, de resto, um aspecto que abordei muito no ano passado, com o Porto, e que considero poder ter sido muito importante para o crescimento da equipa.

- Finalmente, falar de outro problema já antecipado: as lesões. Já se sabia de Rodriguez (ainda não aconteceu), Izmailov, Bojinov e Matias. Agora, o jogador que mais resposta tem dado em termos de capacidade de desequilíbrio, Jeffren, também ameaça ser inconsistente na sua disponibilidade. Não ajuda...


Em relação aos outros resultados de equipas portuguesas, pouco optimismo. Os nulos, não sendo maus, também não abrem espaço para grande confiança. O resultado em Madrid é normal. Pelo menos o Braga, seria bom que passasse...

Nota também para os treinadores portugueses. Jesualdo, num Panathinaikos em franco desinvestimento, foi copiosamente batido em Israel. Não menos "copioso", foi o desaire de Paulo Sérgio frente ao Tottenham. É certo o desnível, mas 0-5, é sempre muito. Finalmente, o excelente arranque de Carvalhal, no Besiktas. É um caso que acompanharei com curiosidade, porque os turcos têm uma excelente equipa, que, acredito, pode ser muito melhor aproveitada com o treinador português. É uma grande oportunidade para Carvalhal, num grande clube, de um país com enorme potencial para crescer nos próximos anos. Entre os jogadores, tenho particular esperança na evolução de Manuel Fernandes. Se evoluir no critério, poderá, ainda, tornar-se num grande jogador.

Outro caso a não perdeer, é o da Roma. O primeiro "case study" de importação do "modelo barça", e um enorme teste à viabilidade da ideia. Maior do que qualquer das teorias entretanto defendidas, seja num sentido, ou noutro. Os resultados não são ainda definitivos, mas são, para já, desastrosos (só vi 1 jogo, e percebe-se porquê...). Enquanto Luis Enrique continuar, e mantiver o modelo, o balanço vai a tempo de ser invertido...

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18.8.11

Que falta fazem os goleadores?

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Na verdade, o título é ambicioso. Assumidamente, esclareço já, para não haver confusões. As razões, deixo-as a seguir...

"Desses, qualquer um marca!", ou, "Não marca, mas contribui para o colectivo". São algumas das expressões ouvidas, nas várias discussões sobre avançados. O tema é actual, porque se fala da eminente saída de Falcao, de Cardozo e, até, de Postiga. Quanto marcam, todos sabem. Mas, quanto marcam as suas equipas quando eles jogam? Ou, quanto marcam quando eles não jogam? Melhor... qual é a diferença entre quando jogam, e não jogam?

E é isso que trago, quanto marcaram as equipas (não eles, mas as equipas, reforço), quando eles estiveram em campo, e quando não estiveram. E a diferença. Para os 3 casos do momento, e para mais 2, os últimos grandes goleadores a sair do campeonato.

E, agora, explico porque o título é ambicioso. Porque a análise precisa de consistência e coerência. Consistência, no número de observações, coerência, no enquadramento das mesmas. Coerência, tento garantir pela observação, apenas, de jogos da Liga Portuguesa, onde a tipologia de jogos é mais estável. Coerência, ainda, porque todos os jogadores analisados foram utilizados com frequência. O problema maior vem da consistência. São precisos muitos jogos para diluir efeitos de casos pontuais. Os 10 jogos que Falcao não jogou, são muito pouco consistentes. Os 38 de Liedson, muito mais conclusivos. Ainda assim, o ponto mais importante é que as regras são simples e iguais para todos, pelo que não há favorecimentos à priori. Quanto ao resto, ajustem, a gosto, as margem de erro.

Conclusões? Cada um tirará as suas. Eu tenho as minhas, mas não faço questão de as partilhar. Apresento apenas os dados, que são factuais, e espero que eles possam contribuir para alguma coisa. Porque deviam. Apenas uma ressalva: o grau de impacto pela ausência dos jogadores tem a ver com a qualidade de quem os substitui. Ou seja, não é por um jogador ter tido um grande impacto, no tempo em que jogou num clube, que fará falta no futuro. Depende de quem o venha a substituir. O caso de Lisandro (substituído por Falcao), é um bom exemplo.

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Os imbatíveis sub 20 e o privilégio da 'SuperCopa' (breves)

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Em primeiro lugar, claro, a Final inesperada!

Grande resultado para o futebol português! Enfim, talvez ajudasse alguma identificação maior dos adeptos com os jogadores, e com a equipa. Não é possível comparar o sentimento com o de 89 ou 91. Mas, nem eles têm culpa, nem estão menos de parabéns por isso. É confuso, ainda assim, este resultado não combinar com a perspectiva clara de um "craque" a emergir. Um único, que fosse, por exemplo, aposta forte de um dos principais clubes nacionais (e, nem me restrinjo aos 3 "grandes"...). Como eram João Vieira Pinto, Peixe, Figo, Rui Costa, ou outros, que não singraram, mas, pelo menos, iludiram.

Mas, para chegarem até aqui, tem de haver algum mérito, quer individual, quer colectivo. Pelo menos, à escala de nível onde jogam. É quase impossível que não haja...

Por fim, fica a minha nota sobre este exercício de projectar jovens. Não domino, claramente, essa "arte". Nunca me dediquei afincadamente, mas já percebi que há algo que me escapa para poder ser consistente. O ponto é que esse "algo" parece escapar também à maioria das pessoas. É a minha percepção. Nunca dei com alguém que denotasse grande acerto nos seus prognósticos a este nível. E não são poucos os que tentam. Tanto dá certo, como dá um espectacular fiasco. Ou seja, tem pouco valor. Talvez um dia perca mais tempo com este desafio, porque parece ser interessante...


Um pouco antes, um grande aperitivo, para a época. O Barça mereceu, foi melhor, mas não tanto se tivermos em conta as duas mãos. Enfim... que interessa quem mereceu? O que interessa é que foi mais um espectáculo fantástico, recheado de tudo (mas tudo!) o que um grande jogo precisa de ter. Como adeptos, somos uns privilegiados!

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