8.8.11

Porto - Guimarães: opinião

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- Não foi um jogo muito interessante, começo por dizer. Essencialmente, porque o Porto esteve quase todo o tempo em vantagem, e porque, por outro lado, o Vitória não revelou grande arrojo na sua estratégia, ao longo dos 90 minutos. Ou seja, o Porto não arriscou muito na forma como tentou entrar no bloco contrário, mas ficou também a ideia (pelo menos a dúvida...) que essa postura pudesse ser estratégica, sobretudo na segunda parte. Dedicou-se, isso sim, a um controlo muito eficaz do momento de transição contrário, que o Vitória nunca (ou muito raramente...) conseguiu potenciar como pretende. Por exemplo, as transições à largura, características das equipas de Machado, nunca apareceram.

- Em termos de construção, voltou a notar-se o enfoque nos movimentos que identifiquei no jogo de Lyon. Ou seja, a responsabilidade do primeiro passe vertical a ser relegada para os médios (ou centrais em alternativa), e com um movimento vertical do lateral ao longo da linha, no espaço aberto pelo extremo, que vem para zonas mais interiores. Outro movimento muito tentado, passou por uma ligação directa para o extremo do lado oposto. Talvez a opção se deva ao controlo do risco de perda dentro do bloco vimaranense, já que o Vitória abdicou de pressionar na primeira linha, apostando claramente num encurtamento de espaços dentro do seu próprio bloco. São detalhes que continuarei a acompanhar.


- Interessante o pormenor da utilização de Maicon. De notar que, já na final da Taça, havia sido a escolha em detrimento de Otamendi. Parece haver - e isto vem já do ano anterior - uma clara orientação estratégica da equipa em relação à utilização destes 2 jogadores. Otamendi é, normalmente, a primeira escolha, mas em jogos em que se identifica uma tendência do adversário para construir mais directo, é em Maicon que recai a escolha.

- Como balanço, não é jogo que deixe grandes optimismos para o Porto, se tivermos em conta o elevado nível de exigência com que a equipa parte. Mas, como referi, fica a ideia de uma gestão estratégica em função da vantagem que, quase sempre, existiu. No entanto, a equipa terá de revelar maior variedade de movimentos na zona criativa, coisa que, seguramente, veremos ser tentada no futuro. Há, ainda, a curiosidade sobre a alteração de rotinas com a especificidade de alguns jogadores que devem entrar (caso não saiam...). Falcao é o caso mais popular, mas há ainda Belluschi ou Guarin (aposto na continuidade deste último, como figura preponderante), James e Alvaro Pereira. Tudo elementos de grande "peso" no futebol do ano anterior, e quase todos eles capazes de introduzir especificidades individuais às colectivas.

- Individualmente, o destaque maior tem de ir para Rolando, já que, mesmo contando os deslizes defensivos, a sua presença na área contrária foi, não só invulgarmente avassaladora, como inegavelmente decisiva. Depois, Hulk, que continua a ser Hulk, Moutinho e Fucile, merecem, por esta ordem, o meu destaque.

- Sobre o Vitória, parto do ponto que deixei no rescaldo do último jogo: a "temperatura" em redor de Machado. Não foi óptimo - perder nunca o pode ser - mas também não foi por este jogo que o "clima" terá piorado. De resto, a equipa optou por uma estratégia que se entende, tentando cortar espaços à circulação que o adversário gosta de potenciar, e apostando tudo na permanência da sua largura ofensiva, para o momento de transição. Não resultou, particularmente neste último aspecto, mas muito por mérito do adversário, que se preveniu muito bem para essa ameaça. É claro que nada disto teria alguma hipótese de resultar, quando a equipa demonstra tanta vulnerabilidade nas situações de bola parada. Nada de novo, se atendermos àquilo que se passou na final da Taça. Uma nota sobre 2 jogadores. Pedro Mendes, que não se compreende como não é titular (quer dizer, se for para ser utilizado a descair sobre as alas, até se percebe). Edgar, que parece ter, também ele, a sua "temperatura", em Guimarães. Se atendermos ao que fez na final da Taça, e ao que pode fazer como referência ofensiva, foi uma arma que ficou, claramente, por explorar...
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6.8.11

Derrota do Sporting (Breves)

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Voltarei ao jogo no inicio da próxima, após uma análise mais detalhada. Guardo, por isso, pormenores para essa altura, mas posso adiantar já alguns pontos.

- Quando escrevi o comentário sobre o jogo do Valência, referi que não tinha sido por acaso que a equipa perdeu. Se tivesse sido, se tivesse havido apenas um diferencial de eficácia, seria expectável que o Sporting se apresentasse muito melhor neste jogo. Como não foi, e como o Malága é uma equipa de valores e identidade semelhante ao Valência, seria de todo improvável que o Sporting não voltasse a passar por dificuldades, apenas 6 dias volvidos. Amanhã, já poderá haver algumas diferenças...

- O jogo de amanhã servirá de último calibre para o estado de ânimo em redor da equipa. A Juventus serviu para animar, o Valência para dividir, e o Malága, agora, para determinar uma primeira unanimidade em relação a pessimismo. A Udinese nunca poderá fazer voltar o entusiasmo pós-Juventus, mas poderá ajudar a evitar uma inversão radical do estado de espiríto, em 2 semanas.

- Tudo depende do ponto de referência, mas se a comparação for com a época anterior, parece-me que não se dissiparam os motivos para optimismo em relação a melhorias substanciais. E aqui termino, porque entro no que pretendo escrever na próxima semana...

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4.8.11

Vitória em frente e... o calor de Guimarães (breves)

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A época pode ainda estar em aquecimento, mas o calor (que tem faltado nas praias) parece já ser bem intenso em Guimarães. Ainda bem. É um clube que se exige sempre muito e, por isso, estar ou não na Liga Europa, não é um pormenor. Se é assim, se há mais pressão, é porque o Vitória é, realmente um clube maior. Machado sabe-o, e, por isso, só mesmo a temperatura anormalmente alta em Guimarães, pode justificar a sua reactividade.

Alguns pontos interessantes sobre esta eliminatória. Primeiro, o "bom resultado" que é o 0-0, na primeira mão. Aparentemente, era bom para todos. O treinador do Midtjylland até citou Mourinho para o justificar. Não creio que 0-0 seja sempre um bom resultado em casa, mas, neste caso, talvez tenha sido mesmo, se considerarmos o óbvio não favoritismo dos dinamarqueses. Afinal, se a probabilidade inicial é perder, quanto mais próximo estiver de uma decisão pelo pormenor, melhor (o limite são, obviamente, os penaltis). Já para o Vitória, como favorito, o nulo trazia a responsabilidade acrescida de ter menor margem de erro, ainda que para o seu próprio estádio. E viu-se como um detalhe podia ter deitado tudo a perder.

O segundo ponto de interesse vai para a indignação de Machado, sobre a desvalorização que foi feita ao adversário. É verdade que é um erro desvalorizar o valor de uma equipa que não se conhece. Não só porque é o primeiro passo para perder, mas também porque cada vez os níveis competitivos se equiparam, neste patamar. Mas também se percebe que, realmente, o valor do Vitória era consideravelmente superior. Percebe-se, porque, se não se não fosse assim, a instabilidade que se apoderou do Vitória após o 0-1 nunca lhe permitiria "encostar" um adversário na base do coração, sem que isso lhe tivesse custado mais dissabores. E, se há coisa que os adeptos do Vitória conhecem, são os efeitos dos desequilíbrios emocionais da sua equipa no Afonso Henriques.

O terceiro ponto, é Soudani. Nunca o vi jogar, mas é um caso que quero seguir. Tem números de concretização impressionantes nos últimos anos e será interessante ver como encaixará o conflito de realidades. Estava esperançado que viesse para Portugal...

Quarto, e último ponto, para uma questão o futuro imediato deste Vitória: tendo em conta o futebol praticado e a temperatura envolvente, que hipóteses tem Machado de sobreviver, com 2 jogos com o Porto pela frente? À partida, poucas, parecendo tudo até bastante óbvio. Mas, recorrendo à memória, talvez seja melhor não o subestimar...

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Notas do Trabzonspor - Benfica

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1- Começo pela parte final do jogo. O Benfica tinha tudo para vencer, e realmente devia ter vencido. É grave? Talvez não. Talvez... Não é fácil de ser-se muito objectivo sobre a relevância deste pormenor, mas, há alguns indicadores que o sugerem, e eu acredito na tese de que a exigência colectiva, em termos de intensidade de jogo, pode ser crucial na criação de uma dinâmica vencedora. Nomeadamente, pela potenciação de níveis de confiança intra e inter relacionais (ou seja, confiança do jogador no seu próprio desempenho, e na sua relação com o modelo e restantes jogadores), um aspecto que várias vezes mencionei no passado. Por exemplo? O Porto 2010/11, que começou de forma pouco entusiasmante, mas que manteve sempre níveis de concentração elevados nos primeiros jogos, repetindo protagonistas base e exigindo sempre muito deles, mesmo em jogos sem grande relevância competitiva. Quando se deu por isso, estava montada uma máquina vencedora, que fez da concentração competitiva, precisamente, uma chave do seu extraordinário sucesso. E, aqui, mais do que ganhar, refiro-me a exigir concentração e intensidade competitiva. O Benfica podia não ter ganho o jogo, mas creio que é um erro de abordagem permitir-se que a equipa, ou alguns jogadores, voltem a cara ao jogo, simplesmente porque podem.

2- Aproveito a introdução para uma primeira referência individual: Gaitan. Se há jogador que merece reparo, no que respeita ao que escrevi anteriormente, é Gaitan. Falhou no golo sofrido, num mau ajustamento posicional nas costas de Maxi, mas essa não é critica que mais lhe cabe. Aliás, revelou, até, boa capacidade de trabalho defensivo ao longo do jogo. Normalmente, tem-na. O problema, como facilmente se percebe, é a atitude. Gaitan tem talento e tem, até, capacidade de trabalho defensivo que pode fazer um jogador de grande intensidade e utilidade em todos os momentos do jogo. Diz-se que pode ser um grande jogador (ainda mais), e pode. Mas não o será, nunca, pelo mero aprimorar da arte dos seus números. Isso dar-lhe-á mais prémios "jogador youtube da semana", mas nunca potenciará a capacidade para jogar em patamares de exigência mais elevados. Se o objectivo é potenciar Gaitan, há que trabalhar a sua intensidade, a sua concentração e o seu critério. Porque, a menos que me tenha escapado alguma coisa sobre este assunto, o futebol ainda não contempla notas artísticas no apuramento do resultado final.

3- Voltando ao inicio do jogo, devo dizer que, apesar do conforto sempre presente no jogo e na eliminatória, estou longe de ter achado ideal a exibição protagonizada. Começando pelo relevante detalhe da organização defensiva, o Benfica apresentou-se, sem supresa, em 4-4-2, com Aimar e Saviola a pressionar numa primeira linha, e um bloco mais baixo do que é habitual. O que se viu, porém, revelou uma organização ainda débil e vulnerável a uma circulação mais capaz que, para fortuna do Benfica, nunca existiu no Trabzonspor. Pela modéstia da posse e circulação adversária se justifica o controlo do jogo por parte do Benfica. Porque, ver jogadores a fazer movimentos de pressão activa enquanto olham, sucessivamente, para trás e gesticulam, não é um bom indício de qualidade organizativa e, sobretudo, de uma assimilação ideal de tudo o que, colectivamente, devem fazer. Há, de facto, trabalho a fazer em termos de organização colectiva, e parece-me claro que Jesus o sabe bem (também ele gesticulou muito sobre este aspecto).

4- Sobre a utilização de uma estrutura mais protegida na zona central, devo dizer que acho prudente que assim aconteça. Aliás, entendo que o Benfica não deveria fazê-lo de forma alternativa, e apenas em jogos de maior grau de dificuldade, mas que pudesse trabalhar uma estrutura em que se apresentasse em todos os jogos, variando apenas na vertente estratégica. O que se passa, é que o 4-1-3-2 actual expõe demasiado o pivot, havendo frequentemente uma grande distância para os outros elementos da linha média. Este não foi o principal (e decisivo, na minha opinião) problema do Benfica da época anterior, esse foi a segurança em posse, mas entende-se a preocupação de Jesus. O ponto que quero vincar é que a equipa ganharia em termos de consistência de processos se encontrasse uma estrutura que fosse omnipresente (mesmo que fosse o 4-1-3-2, mas com outras dinâmicas).

5- Partindo para o capítulo individual, começo por trás. Emerson e Garay foram as novidades, e ambos estiveram bem, ainda que apenas razoavelmente. Abaixo de Maxi e Luisão, por exemplo. Emerson (que já conhecia do Lille) revela-se um jogador mais forte defensivamente. Esteve bem na transição ataque-defesa e apresentou boa capacidade nos duelos e no posicionamento interior. O problema poderá ser a qualidade que dará em termos de dinâmica ofensiva. Era a ideia que tinha sobre ele no Lille, e, se se confirmar essa percepção, haverá uma grande diferença de perfil em relação a Coentrão. Quanto a Garay, compara-lo com Luisão é injusto, porque o central brasileiro foi, outra vez, fantástico defensivamente. Para mim é, de longe, o melhor central do futebol português, e, sem querer entrar em hierarquizações discutíveis, diria apenas que o imagino a jogar sem problemas em qualquer clube do mundo.

6- No meio campo, Javi e Witsel estiveram muito bem, à parte dos tais problemas de rotinas colectivas. Javi, esteve concentrado e com boa presença defensiva, não tendo sido testado no seu ponto mais débil, a segurança em posse. Witsel foi a novidade e, sem surpresa face ao que tinha antevisto, revelou-se um jogador de utilidade plena, como muito poucos jogadores conseguem ser. Não teve um papel absolutamente simétrico a Javi, revelando-se até importante face à ausência de Cardozo, já que foi várias vezes referência para as saídas longas de Artur. Foi utilizado em posições mais avançadas, tal como acontece frequentemente na Selecção, mas, pessoalmente, entendo que pode ser mais útil em zonas mais atrasadas. Isto, porque apesar da sua capacidade de envolvimento ofensivo, tem um perfil de decisão muito mais próprio da fase de construção. Veremos como continua a evoluir, mas, o que tinha projectado sobre ele parece, para já, confirmar-se na plenitude.

7- Nas alas, e já tendo abordado Gaitan, falta falar sobre Nolito. Merecerá, a meu ver, o estatuto de melhor em campo porque, mesmo não se tendo revelado tão consistente como Aimar ou Witsel, foi, claramente, o jogador mais decisivo neste jogo em concreto. Marcou o golo, viu outro ser-lhe negado e isolou Gaitan, noutra ocasião soberana. Nolito é um pouco o inverso do argentino que jogou no outro flanco do terreno. Não tem a sua habilidade, mas quando parte para uma jogada, parte com tudo, capaz de passar por cima dos adversários, se tal for preciso. Não precisa do "souplesse" de Gaitan (porque também não o conseguiria). É essa intensidade e essa agressividade ofensiva que mais o distinguem, porque, e apesar de confirmar o bom critério de decisão no último terço, não tem uma grande variedade de recursos ou movimentos. Diagonais interiores e condução agressiva com o pé direito, são as suas armas. Enquanto for decisivo, deverá manter a titularidade, mas não penso que se possa manter muito tempo nas principais preferências sem essa tal influência decisiva. Enzo Perez, por exemplo, é um jogador bem mais completo.

8- Finalmente, Aimar e Saviola. Costumam ser referidos em conjunto, e essa ligação justifica-se por motivos óbvios. Há, porém, grandes diferenças no que ambos fazem no presente. Particularmente, em termos de intensidade, bem que podiam ser de extremos opostos do planeta. Enquanto Aimar empresta uma disponibilidade e agressividade plenas em todos os momentos do jogo, Saviola parece à margem do que se está a passar em seu redor. Recepções perdidas, maus desempenhos técnicos e, sobretudo, uma passividade tremenda a nível defensivo. Jogou ao lado de Aimar, pressionou nas mesmas zonas, mas o que produziu não tem absolutamente nada a ver. Vale-lhe a sua fantástica capacidade de movimentação, tendo um invulgar instinto para aproveitar os espaços livres no último terço. Vale-lhe, mas, se continuar neste nível de intensidade, poder-lhe-á não ser suficiente para durar muito mais tempo no onze. Digo eu. Quanto a Aimar, é um grande jogador e isso não passará com a idade, mas apenas quando perder rendimento, o que ainda não aconteceu. Pessoalmente, parece-me que se justificaria uma adaptação mais especifica a zonas mais ofensivas. Porque Aimar, e ao contrário do que escrevi sobre Witsel, é um jogador de fase criativa e não tanto de construção, e porque a sua reactividade pode dotar a primeira linha de pressão de um rendimento que Cardozo e Saviola não garantem. Por outro lado, se maior especificidade implicasse maior doseamento de esforço, talvez pudesse durar mais do que os actuais 60 minutos que Jesus lhe dá. É que restringir uma mais valia a 2/3 do jogo é uma perda significativa...
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3.8.11

Lançamentos laterais...

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Não é normal. Em 2 jogos, 5 golos com origem em lançamentos laterais. Aconteceu, e como tal, é também uma boa oportunidade para rever este tipo de situação, nomeadamente no que respeita a Sporting e Porto. O meu destaque mais geral vai para o posicionamento base de ambas as equipas, mas há pormenores que dão um interesse especial a cada uma das situações.

Sporting - Valência (golo 1) - Não é claro que seja intencional, mas é provável que o seja. O Valência atrai 3 jogadores para a zona lateral à área e depois opta por um lançamento longo, onde, obviamente, há mais espaço e, particularmente, um 2x2 na frente de Patrício. O pormenor que define o lance, a meu ver, tem a ver com a abordagem de Carriço. Consegue controlar o adversário, mas perde noção da trajectória da bola, fazendo-se a ela, ainda assim. É perfeitamente notório o movimento de João Pereira, que inicialmente tenta controlar o espaço entre ele e o central, mas, de repente, abre deliberadamente, como que antevendo a acção deste. O mesmo se passa com Patrício, que demora a sair, precisamente porque espera pela acção de Carriço. Ainda que se possa considerar um excesso de confiança (nomeadamente de João Pereira), tem lógica o comportamento destes jogadores, porque, antevendo a iniciativa do colega, o ressalto seguinte nunca cairia imediatamente nas suas costas, mas em zonas mais afastadas. Neste cenário, definido em fracções de segundo, houve apenas um jogador que apostou no falhanço de Carriço. O problema, para o Sporting, é que não vestia de verde e branco.


Sporting - Valência (golo 2) - Diria, o golo mais interessante de todos. Desde logo, distingue-se pela zona onde nasce, completamente diferente dos outros casos. Se alguém duvidava da preparação do Valência para o aproveitamento do espaço nas costas, está aqui um belo exemplo. Delicioso o pormenor do jogador do Valência antes do lançamento, como que anunciando de forma não verbal o que se iria passar. Mais à frente, quem percebeu tudo muito bem e de forma telepática, foi Soldado. Repare-se como parte muito antes de um passe que não era evidente. Evidentemente preparado, foi o que foi. É natural que o Sporting não tenha feito um estudo muito especifico do jogo, dada a sua natureza pré competitiva. Ainda assim, ficam 2 notas gerais sobre aspectos importantes para quem quer defender com tanto espaço nas costas. Na frente, e embora os jogadores avançados estejam habitados a "folgas" no que respeita a defender, não há margem para perdas de intensidade. O lance devia, fundamentalmente, ter sido controlado na pressão sobre o jogador que recebe o lançamento. Não foi, porque Postiga não teve intensidade suficiente no lance. Depois, a colocação dos apoios de Onyewu. Nota-se que há um antecipação do passe nas costas, brevíssimos instantes antes dele sair. No entanto, a forma como o central americano parte para o lance compromete qualquer possibilidade de reacção face a Soldado. É muito importante que os jogadores ajustem correctamente o ângulo dos pés, precavendo uma eventual necessidade de corrigir rapidamente o espaço nas costas. Se Onyewu ficou a milhas de Soldado, foi porque partiu tarde, e não por questões de velocidade. Bem melhor esteve Carriço, que conseguiu, pelo menos, importunar Soldado. Como o mérito do avançado prevaleceu, e foi Carriço a ficar no "foto-finish", é provável que, para muitos, tenha sido ele o culpado...

Sporting - Valência (golo 3) - A nota principal do lance vai para a falta de preparação dos jogadores para o detalhe do fora de jogo. O posicionamento defensivo é estabelecido como se a lei do fora de jogo vigorasse neste tipo de situações, o que é normal, dado que a equipa quer estar assim posicionada no momento seguinte ao lançamento. Mas, porque, de facto, não há fora de jogo no acto do lançamento, é preciso uma atenção extra, porém, completamente ausente do lance. Sobretudo de João Pereira, que é quem está mais próximo do lançamento, não pode "apertar" a marcação quando tem espaço nas costas. Esse é o lapso mais importante para o desenvolvimento do lance, mas não se pode dizer que o lateral fique herdeiro solitário de toda a responsabilidade. Há uma perda de intensidade geral, que continua em Rinaudo, visivelmente pouco prevenido para a possibilidade de ter de dobrar junto à linha, e se estende até à área, onde Onyewu volta a perder o controlo de uma marcação, que devia ser facilmente anulável, dada a escassa presença de jogadores espanhóis na área.

Porto - Lyon (golo 1) - Tal como na generalidade dos lances do Valência, nada parece ser um acaso no golo do Lyon. Foco em Gomis, bola em Lisandro. O Porto é notoriamente surpreendido, notando-se a proximidade de Souza ao avançado francês. No entanto, há aqui um pormenor, que me parece fundamental no desenvolvimento do lance. Há alguma diferença entre o posicionamento base da equipa, em jogo corrido, e neste tipo de situações. Em particular, no posicionamento estratégico dos médios e na "folga" que é dada no espaço à frente dos centrais. Por ser concedido esse espaço, é importante que exista um encurtamento rápido da linha defensiva, assim a bola comece a progredir paralelamente à linha frontal da área. O problema, diria decisivo, é que Otamendi fica preso com Gomis, impedindo-o de recuperar a sua posição, para pressionar na frente de área. Isso e, claro, a qualidade de Lisandro.

Porto - Lyon (golo 2) - Tudo muito semelhante ao primeiro golo, mas com desenvolvimento completamente oposto. Aqui, fica mais claro o posicionamento dos médios, e o porquê do mesmo. Em situações de jogo corrido, é, muitas vezes, o médio que fecha na ala, ficando o extremo mais livre para a transição. Aqui, ficam os 2 médios preparados para o momento de transição, como que tendo a certeza do mesmo. E assim foi, golo em transição com os médios como protagonistas. Tudo previsto, portanto.
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2.8.11

Notas do Porto - Lyon

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1- Começo pelo resultado. Diz-se que é o menos importante na pré época, mas, depois, quando a época começa, todas as análises são centradas no placar final. O que quero dizer é que, tal como não se deve menosprezar uma má exibição na época oficial, pode ser perigoso desvalorizar uma derrota na pré época. É certo que o Porto foi melhor do que o Lyon, e que deve à discrepância na eficácia o resultado final. Mas, também é certo que o Porto teve muitos jogos complicados na sua época anterior (na Liga Europa, particularmente) onde o sucesso foi alicerçado no diferencial de resposta dado nos pormenores. Sucintamente, não sendo caso para alarme, é sempre melhor desconfiar.

2- Devido a um trabalho de revisão exaustiva que fiz há pouco tempo, não há nenhuma equipa que conheça tão bem como o Porto. Por isso, também, é-me especialmente interessante ver a evolução de alguns pormenores da equipa. Em particular, nota-se uma diferença de dinâmicas de construção no que respeita ao inicio da época passada. Não se vê mais o movimento de permuta posicional entre extremo e médio, com a bola a sair na posse do lateral. Foi um movimento típico do 4-3-3 de Jesualdo e que, progressivamente, foi abandonado na época anterior. Agora, e cada vez mais, o inicio de construção está entregue a centrais e médios. Se o pressing contrário o permitir, a bola entra no médio, o extremo aproxima-se do corredor central e o lateral é que aborda a profundidade. Se o pressing não libertar o médio, é o central que inicia a aproximação em posse.

3- Sobre o pressing do Porto, há algo que queria alertar, para quem gosta destes pormenores. O pressing do Porto, é muitas vezes elogiado, por ser agressivo e "não deixar respirar" o adversário. Mas há uma diferença de filosofia na forma como o Porto pressiona, por exemplo, em relação a Benfica ou Sporting. Ontem, escrevia sobre a pouca previsibilidade do pressing de Domingos, sendo que essa é uma característica normal da generalidade das equipas que pressionam de forma intencionalmente agressiva. O Porto, porém, faz um pressing mais estratégico, a sua linha média parte de zonas mais baixas, o seu avançado é isolado, aparentemente inútil perante o inicio de construção contrária, mas a sua presença não tem como intenção iniciar a contenção sobre o portador da bola, mas criar condições para que a linha média possa pressionar num determinado lado do campo.



4- Tem-se discutido muito a necessidade do Porto ter um pivot mais forte em posse. Pessoalmente, entendo que há prioridades na missão dos jogadores, em função das zonas do campo onde actuam (isto pode variar de equipa para equipa, obviamente, nada é absoluto). No caso, o pivot deve garantir, em posse, fluidez e segurança. Isto é o fundamental, em termos de posse. Maior qualidade de passe, maior capacidade para acrescentar valor à posse é, obviamente, bem vinda, desde que não se ponham em causa as duas prioridades anteriores: fluidez e segurança. Mas, na avaliação do pivot, tem de vir também a parte defensiva, por muito que seja menos interessante falar ou escrever sobre ela. Nesse aspecto, Fernando era muito forte, tendo dado também uma resposta suficiente em termos de posse, à excepção dos últimos jogos da temporada passada. Neste jogo em concreto, foram dados sinais antagónicos entre Souza, e Fernando. Souza foi excelente, forte nos equilíbrios defensivos, nos duelos aéreos, concentrado e sólido em posse (garantindo fluidez e segurança, apenas). Fernando, pelo contrário, entrou desconcentrado, capaz de fazer valer a sua capacidade em termos de reacção defensiva (onde é mais forte do que Souza), mas estranhamente desconcentrado em posse. O lapso decisivo foi apenas o exacerbar dessa tendência.

5- Outro caso de que quero falar é Ruben Micael, e do lugar ao lado de Moutinho. Não teve uma grande prestação em posse, mas foi decisivo, não só pelo golo, mas pela sua capacidade de envolvência ofensiva. Tem merecido a preferência de Vitor Pereira, mas, lamentavelmente, duvido que a mantenha. Duvido, porque não tem a capacidade de resposta defensiva, quer de Belluschi, quer de Guarin. Lamentavelmente, porque seria uma boa oportunidade rotinar Moutinho e Micael, tendo em conta o próximo europeu (oxalá, lá cheguemos). Já fiz essa leitura no último jogo da Selecção, e continuo a pensar que o facto de Micael actuar no mesmo sistema da Selecção lhe confere uma mais valia no desempenho táctico, em relação a outros candidatos (Martins, por exemplo). Pena não ter mais capacidade defensiva (nem é uma questão de atitude ou leitura, é mesmo de potencial)...

6- Focando-me no corredor direito, é prometedor o desempenho de Hulk. Errou muito em posse, mas isso não é, nem novidade, nem um problema quando se compara com a capacidade de desequilíbrio que acrescenta. Esteve na generalidade das situações de golo da equipa, e isso faz dele, novamente e mesmo com lacunas ao nível do critério, o grande candidato a elemento mais desequilibrador da liga, e, provavelmente, do próprio campeonato. O ponto mais negativo, vai para o seu frequente desentendimento com Sapunaru nas dinâmicas ao longo do corredor, condicionando algumas iniciativas.

7- Do lado esquerdo, talvez seja importante analisar a exibição de Fucile. Há dias escrevi, na análise que fiz a Alex Sandro, da importância da intensidade dos laterais ao longo do corredor, particularmente na sua resposta nos momentos de transição ataque-defesa. E, aqui, Fucile é excelente. A pertinência desta questão é maior se considerarmos que a permanência de Álvaro Pereira pode não ser um dado adquirido. Pelo que conheço, mantenho a opinião, Fucile será a alternativa mais capaz para substituir as características do seu compatriota. Para já, de qualquer modo, o lateral parte numa posição completamente diferente do ano anterior, onde começou mais tarde e a tentar ganhar o lugar numa equipa que assumiu rapidamente uma dinâmica de vitória.

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1.8.11

Notas do Sporting - Valência

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Antes de mais, uma nota à margem do tema do post, para fazer um ponto de situação sobre a actividade do blogue. Nas últimas semanas tenho-me dedicado à análise de reforços dos 3 "grandes". Esse "capítulo" encerra agora, passando a dedicar-me à análise dos jogos das equipas. Progressivamente, entrarei no ciclo de análises que pretendo disponibilizar ao longo da época.


1- Começando por uma abordagem fria ao que se viu, convém referir que o Sporting não perdeu de forma clara por um acaso, ou por um grande diferencial em termos de eficácia. Essa é, muitas vezes, a justificação para diferenças significativas entre equipas de valia equivalente, mas, desta vez, o Sporting não só foi incapaz de controlar defensivamente o adversário, como não produziu o mínimo exigível em termos ofensivos. A relativização do sucedido pode, e deve, acontecer, mas não por uma subversão do que realmente se viu.

2- Outro pormenor que convém não confundir, tem a ver com o que é individual e o que é colectivo. Isto é, a conclusão mais importante do jogo tem a ver com aspectos colectivos, que devem ser melhorados, mas houve um grande peso da componente individual, particularmente no encaminhar do destino do jogo. Por exemplo, os primeiros sinais de ameaça do Valencia, resultam de um má abordagem a pontapés longos de Diego Lopes, com Oneywu e Evaldo em destaque negativo.

3- O mérito do Valência. Não penso que o Sporting se deva desculpar com o mérito do adversário. O Valência é uma equipa de qualidade acima da média, já se sabia, mas que deve estar ao alcance do Sporting, pelo menos para discutir o jogo. A diferença que se viu, não se pode justificar pelo lado do Valência. Em particular, o Valência foi uma equipa interessante, porque se apresentou como uma espécie de antídoto para tudo o que o modelo de jogo de Domingos pretende. Domingos pretende pressionar de forma agressiva? O Valência está preparado para sair intencionalmente desse tipo de pressão. Domingos pretende encurtar o campo, assumindo um risco nas costas da sua linha mais recuada? O Valência está preparado, precisamente, para explorar esse espaço. Mais ainda, notou-se uma grande diferença de desenvolvimento na resposta colectiva a situações específicas de jogo. Por exemplo? Os lances de bola parada. Desde os lançamentos laterais (os 3 golos resultam desse tipo de situação), até à resposta após as bolas paradas defensivas (as principais transições defesa-ataque do Valência nasceram assim).


4- Um dos aspectos mais importantes da ideia de jogo de Domingos, é o pressing e a resposta em organização defensiva. A opção feita vai para um pressing agressivo, mas também previsível, no sentido em que a agressividade acontece sempre. Não há problema nisso, muitas equipas o fazem, mas é preciso ter muito boa capacidade de resposta para evitar dissabores, como os que aconteceram. Um dos principais problemas tem a ver com a resposta da primeira linha, em termos de agressividade e reactividade. Por exemplo, há uma enorme discrepância entre a resposta de Djaló (que se torna numa mais valia neste momento do jogo) e Postiga (veja-se a origem do segundo golo). Depois, a agressividade colocada na primeira linha e a altura do bloco, colocam grande pressão sobre os elementos da linha média para recuperar a bola, sendo essa exigência o motivo de algumas saídas sem critério que podem expor o espaço "entrelinhas" e o risco de exposição da linha defensiva. Aqui, claramente, houve uma diferença da primeira para a segunda parte. Jogando em 4-1-3-2, as saídas de Rinaudo da sua posição tornavam-se demasiado arriscadas. Na segunda parte, Domingos rectificou, e colocou 2 médios mais próximos, perdendo proximidade com a primeira linha de pressão, mas garantindo maior protecção e equilíbrio na frente da defesa. Domingos poderá tornar o pressing mais criterioso e menos impulsivo, ou continuar a trabalhar a sua resposta e organização neste nível de exigência, mas ficou claro que terá de continuar a evoluir neste plano. Um pormenor sobre a resposta do Valência: Repararam na influência intencional e trabalhada do guarda redes na resposta ao pressing? É uma tendência evolutiva do futebol da próxima década. Em Portugal? Só conheço 1 equipa que o faz...

5- Outro dos aspectos em evidência pela negativa, vai para o que a equipa fez com bola. E não estou ainda a falar da zona criativa, que parece o capítulo onde há mais por definir, sobretudo em termos de quais serão as características dos protagonistas principais. Refiro-me à zona de construção, onde o Valência conseguiu potenciar alguns erros. Em particular, houve uma intenção de sair pelo corredor central, usando a presença de Rinaudo. Ora, desde logo, sair repetidamente pelo corredor central não é para todos. Há maior risco no caso de perda, e é mais difícil o papel de quem recebe, nomeadamente na colocação dos apoios no acto da recepção. Muito menos, o Sporting revela qualidade para o fazer. Em particular, não se deve confundir as características de Rinaudo. É um excepcional recuperador, tem óptimo critério em posse, mas critério não é qualidade de passe. E, no que respeita à qualidade de passe, Rinaudo não é excepcional, nem representa qualquer mais valia em relação aos outros elementos do plantel. Aqui, mais uma vez, houve uma diferença da primeira para a segunda parte, com o 4-1-3-2 a dar lugar ao 4-4-2, e a não dar uma referência tão óbvia à pressão contrária nessa zona do campo, e do jogo. Já agora, convém referir que Schaars é, muito claramente, um jogador de fase de construção, pelo que deve fazer parte das rotinas principais da equipa nesse plano. Depois, o óbvio. João Pereira é o lateral mais forte do campeonato português (opinião pessoal, e que posso fundamentar facilmente) a sair a jogar, pelo que o Sporting deve usar intencionalmente o seu corredor para iniciar as jogadas. Aqui, aconselha-se mesmo uma assimetria (que vai inevitavelmente acontecer, acrescento) de protagonismo em relação ao corredor esquerdo.

6- Entrando no capítulo individual (e sem querer partir para grandes pormenores, que guardo para mais tarde), começo pelo sector mais fustigado, a defesa. Dos 4 que começaram, todos erraram, e com consequências. Mas, cada caso é um caso. João Pereira tem lacunas, próprias do tipo de lateral que é, mas é uma mais valia rara no Sporting. Admito que haja outros critérios menos térreos e muita gente que não simpatiza, mas na minha análise, e nos meus critérios, isso é escandalosamente claro. Evaldo, por outro lado, é uma menos valia regular que o Sporting optou por não corrigir no seu plano de "assalto ao título". Mais uma vez, nos meus critérios, um erro óbvio. Depois, os casos de Carriço e Oneywu são como água e vinho. Carriço errou, mas fez um jogo que, dentro do possível e da exposição que teve, foi bastante bom. Oneywu, terá feito, em 45 minutos, uma exibição pior do que qualquer central do Sporting no último ano. De facto, é um jogador que, em relação às soluções que existiam representa um retrocesso a toda a linha. Inexplicável, mas isto são, outra vez, os meus critérios. Depois, na segunda parte, uma aragem. Rodriguez, primeiro, Polga, depois. São dois jogadores que, embora com pouca capacidade para corrigir bolas nas costas, têm uma notável leitura defensiva do jogo, nomeadamente na antecipação que fazem no espaço. Polga é o mais forte, quer na antecipação, quer ao nível da qualidade de passe (ainda que se possa criticar a sua tendência para sair longo). Rodriguez é mais forte dentro da área, em situações de marcação mais directa. A boa notícia, para o Sporting, é que este jogo deve ter deixado Domingos escaldado. A má? É que poderá ter de recorrer a quem não deve, demasiadas vezes...

7- Do meio campo para a frente, começo com Izmailov. Pode não estar num bom momento físico, ou até ter tido um mau jogo, mas... será que é encostando o jogador à linha que o Sporting vai tirar melhor rendimento dele?! Honestamente, Izmailov é das poucas mais valias que reconheço na equipa, em relação ao plantel que iniciou a época passada. Mas tem de jogar no corredor central. Tem critério, tem qualidade técnica, criatividade, capacidade de trabalho... o que faz na linha?! Depois, Djaló. Não é um jogador fácil de compreender, mas não é por isso que deve ser mal compreendido. É instável em posse, mas tem 2 mais valias neste momento raras na equipa: reactividade defensiva e é incisivo como muito poucos. Estará para este Sporting um pouco como Paulo César estava para o Braga.

8- Para terminar estas notas (que, pretendendo sê-lo apenas, já vão longas), falar da zona ofensiva. Não há lugar a floreados... se o Sporting quer mesmo discutir o título, quer mesmo ganhar, tem de pensar em fazer golos. Sobre as dinâmicas colectivas falarei mais tarde, até porque ainda há muitas indefinições. Mas, a nível individual, o grande desafio do Sporting neste defeso era, a meu ver, alavancar o seu potencial no último terço. Seja pela via criativa, ou finalizadora. Faltam, nesta equação, algumas variáveis, como Matias, que pode ter um papel importante, alterando até a característica da primeira linha ofensiva. De todo o modo, parece-me uma aventura pensar em atingir certos patamares, projectando Postiga como principal finalizador. Havendo maior capacidade concretizadora noutros elementos, isso ainda poderia fazer sentido, mas o Sporting tem médios com pouca profundidade (Schaars e Rinaudo), Capel (ou mesmo Jeffren) são jogadores exteriores e que não dão garantias de capacidade goleadora. Os centrais... o histórico é conhecido. Postiga leva mais 4000 minutos na liga, com a camisola do Sporting, marcou 11 golos, excluindo penaltis. Ou seja, teria de duplicar a sua produtividade (golos/minuto) para entrar em patamares aceitáveis para um melhor marcador de uma equipa com 60 golos. Pessoalmente, não conheço nenhum caso de um jogador que, 4000 minutos depois, tenha invertido de forma tão drástica a sua capacidade concretizadora. Resumindo, se o Sporting está a pensar discutir o título, neste quadro envolvente, e projectando Postiga para ser decisivo em termos de finalização... o melhor é preencher também alguns boletins do euromilhões. Afinal, nunca se sabe...

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28.7.11

Reforços 2011/12: Danilo (Porto)

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Perfil evolutivo - Danilo revelou-se no América Mineiro em 2009, jogando na Série B de 2010, onde deu nas vistas e se transferiu para o Santos. Este, talvez seja o primeiro ponto a reflectir sobre a evolução do jogador: este mesmo jogador (sublinho "mesmo") foi contratado há cerca de 1 ano por um valor cerca de 10x inferior ao que agora ditou a sua viagem para Portugal. A partir da sua chegada ao Santos, nada de estranhar em relação ao estatuto que entretanto assumiu. Não só o Santos é um dos "grandes" do futebol brasileiro, como fez coincidir com a passagem de Danilo uma das mais bem sucedidas páginas da sua História (sobretudo pós-Pelé). Danilo, sendo jovem e assumindo um papel, não só preponderante, mas decisivo, tornou-se num alvo evidente para meio mundo. Sem surpresa, portanto.

Perfil táctico/técnico - Trata-se de um jogador alto e longilíneo, de passada larga, que apenas analisei como médio interior direito, mas que pode também actuar como lateral. Tacticamente, é um jogador que pensa o jogo primariamente pelo lado defensivo. Isto é, no critério em posse privilegia a segurança, e mantém sempre uma grande concentração táctica, quer no que respeita aos equilíbrios, quer no que respeita às compensações. Depois, ofensivamente, a sua maior virtude passa pelos movimentos de rotura, especialmente sem bola, aparecendo bem de trás em zona de finalização. Fez alguns golos decisivos na Libertadores, através de remates exteriores, mas essa não é uma situação que pareça ser-lhe muito habitual.

Em termos de capacidade em posse, já foi feito o destaque em relação ao critério. De resto, e apesar de revelar boa qualidade de definição em diversos detalhes, não pareceu muito vocacionado para uma abordagem criativa ao jogo, nem, tão pouco, pareceu imune ao erro em posse, apesar da tal segurança no critério, já referenciada.

Por fim, sublinhar o potencial que representa um jogador deste tipo para os momentos de transição. Pela velocidade de recuperação e pela facilidade com que integra os movimentos ofensivos, mesmo a partir de posições mais recuadas.

Futuro no Porto - Antes de mais, convém lembrar que estamos a tratar de um jogador de apenas 20 anos. Ou seja, tem muito tempo para evoluir, e Danilo, sendo já um óptimo valor, tem condições para chegar ainda mais longe. O segundo ponto vai para realçar a importância de se clarificar em que posição jogará preferencialmente. Pessoalmente, e olhando para o 4-3-3 actual, parece-me que a posição de "pivot" lhe pode assentar bem. Porque não parece ter vocação criativa para uma posição mais ofensiva, e porque, de facto, tem um perfil de decisão mais próximo do que se espera de um "pivot", quer ao nível do critério, quer ao nível dos comportamentos defensivos. Dentro desta hipótese, Danilo poderá, aliás, garantir uma característica apresentada por Fernando e que não é muito comum nos jogadores desta posição: a reactividade/velocidade de recuperação.

Por outro lado, e olhando para as soluções de hoje no plantel portista (Danilo só deverá chegar em Janeiro, pelo que algo poderá mudar), não parece nada fácil entrar nas contas principais do treinador, sobretudo como médio mais ofensivo. Não está muito claro quando e onde, mas Danilo parece estar destinado a um papel relevante no futuro.

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