7.3.11

O "factor casa"

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Contra o programado, vou fazer um pequeno desvio do ciclo de análises que tinha previsto. O motivo tem a ver com os “bate boca” do momento. Ainda que possa não parecer...

Em Portugal, e no actual campeonato, 43% dos jogos terminaram com vitórias caseiras, contra apenas 30% de triunfos visitantes.

Para a esmagadora maioria, é um dogma. Aceita-se, mas não se questiona. Para outros, é um mito. Pior ainda! O futebol enche mentes e conversas, todos os dias, em todo mundo, mas ninguém se dá ao trabalho de tentar perceber ou explicar algumas das mais relevantes subtilezas do jogo. Nem adeptos, nem comentadores, nem tão pouco profissionais. E é pena, porque se perderia menos tempo com discussões redundantes e irrelevantes como as que repetidamente assistimos.


Uma nota final sobre este tema: a vantagem caseira (assim como muitas outras coisas) não é, nem uma exclusividade, nem uma especialidade portuguesa. Existe em todos os países e com uma regularidade impressionante.

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Braga - Benfica e a vitória do Sporting (Breves)

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- Em Braga, as faixas azuis ficaram, desta vez sim, praticamente encomendadas. Uma surpresa? Bem vistas as coisas, juntando ausências, desgaste e valor "normal" do Braga, não se pode dizer que seja totalmente. Aliás, o jogo confirmou precisamente que o equilíbrio seria o condimento dominante do duelo. Foi assim, antes e depois da relevante expulsão de Javi Garcia. Importante, aqui, destacar o mérito do Braga. É que, mesmo se o campeonato tem sido aquém do esperado, a verdade é que provavelmente mais nenhuma equipa (não "grande") seria capaz de discutir o domínio do jogo com o Benfica, como fez o Braga. Quanto ao Benfica, o cenário inverte-se agora em relação à época anterior. Ou seja, a recta final vai ser encarada com a Europa como prioridade...

- Em Alvalade, a prova de como por vezes é preciso muito pouco para ganhar um jogo. É que se o Sporting venceu, não fez muito por isso, e noutras ocasiões pagou caro por bem menos. Os 3 pontos nada decidem, mas são nesta altura importantes para manter algum conforto na luta que se adivinha pelo 3ºlugar. De resto, essa é a única boa notícia deste jogo para o Sporting: é que as opções de Couceiro, na estreia para a Liga, não indiciam nada de bom para o que resta do campeonato...

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4.3.11

15 minutos que decidiram o derbi

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Nas notas que deixei sobre o derbi, sublinhei a importância dos últimos 15 minutos, a enorme superioridade do Benfica nesse período e o carácter decisivo que as bolas divididas assumiram para a definição dessa tendência. Ora, nem este tipo de lances entra facilmente no nosso "radar percepcional", nem a generalidade das pessoas tem a oportunidade de poder rever o jogo mais cuidadosamente. Por isso, e para que se entenda melhor o meu ponto sobre esse importante detalhe, encerro o tema do derbi com um apanhado de algumas jogadas desses últimos 15 minutos.

A chamada de atenção é óbvia e vai para a forma como os jogadores do Benfica fizeram dos duelos individuais o motor de arranque para o assalto final à vitória. Seja na sequência de pontapés longos, seja em situações de insistência após iniciativas ofensivas. Há vários motivos para explicar esta tão gritante disparidade de aproveitamento entre as equipas: desde a agressividade, à atitude e passando também pela capacidade posicional. Seja como for, o que me parece claro é que há da parte do Benfica uma consciência muito maior para a importância deste tipo de situações, bem como uma reacção colectiva muito mais preparada e adequada para ficar mais vezes com a bola. E a "qualidade táctica", vê-se também aqui.

Por fim, 2 notas... Uma para a importância de Javi Garcia no jogo (um jogador sobre quem não sou frequentemente elogioso, note-se), que não foi muito percebida para além do golo: simplesmente pulverizou a oposição neste tipo de lances, dando grande força à equipa pela conquista sucessiva da bola. A segunda nota vai para o "Oasis" do Sporting neste período: a ocasião de Matias. A jogada nasce também de um pontapé longo, e também ele ganho pelo Benfica - creio que o Sporting não ganhou 1 única segunda bola neste período. A diferença foi o erro de Luisão, que colocou a bola em Valdes. Uma perda de bola que, como muitas outras, continuam a ser o grande risco deste Benfica

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3.3.11

Sporting: notas individuais do derbi

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Postiga – Esteve bastante esforçado, sem dúvida, e igualmente influente nos poucos lances de golo criados pela equipa. Mas há também que realçar alguns aspectos negativos na sua prestação. Ontem, já referi a sua aparente tentativa de ficar sempre com a bola dominada nos duelos aéreos, acabando por perder a maioria deles, fazendo demasiadas vezes falta neste tipo de abordagens. Depois, há sobre Postiga a ideia de que é um jogador “forte” a segurar a bola. Postiga é um jogador dotado tecnicamente e normalmente inteligente nas suas opções. Mas é também um jogador mais vulnerável do que outros no confronto fisico e isso faz com que não tenha um aproveitamento tão bom como muitas vezes é sugerido, na missão de “pivot”.

Matias – Esteve bem. Sem uma influência enorme – que não pode ter – mas sempre com capacidade de trabalho e critério com bola. Era um jogo em que lhe era permitido jogar entre linhas, como gosta, e tivesse a equipa mais capacidade e lucidez para jogar, poderia ter tido um impacto ainda maior.

João Pereira – Missão difícil, travando sucessivos duelos, quer com Gaitan, quer com Coentrão. É um jogador muitas vezes com dificuldades no 1x1, pela abordagem excessivamente agressiva que faz em muitas ocasiões. Desta vez, porém, deu-se bastante bem.

Vukcevic e Djalo – Melhor o montenegrino em todos os aspectos, até porque foi bem mais solicitado. Talvez Couceiro esperasse algo mais de Djalo, mas se Vukcevic foi substituido não foi por estar pior do que Djalo.

Zapater e André Santos – Tinham um papel fundamental, mas, no meu entendimento, não tiveram uma perstação suficiente para o que a equipa precisava deles. Prestáveis, sim, mas tantas vezes com qualidade manifestamente insuficiente. Não dominaram a sua zona, nem pelo posicionamento nas primeiras e segundas bolas (na recta final, foi por este aspecto que o Sporting caiu) e não tiveram também capacidade de dar à equipa, nem grande qualidade e critério à posse (raramente jogaram), nem profundidade pela capacidade de passe (nenhum passe de rotura). Couceiro pode lamentar-se das lesões que o impediram de refrescar o sector, mas não se pode queixar por ter deixado aquele que é – de muito longe! – o seu melhor médio no banco.

Polga e Torsiglieri – Polga errou mais – nomeadamente na forma como abordou a marcação na grande penalidade – mas também foi melhor na leitura e antecipação dos lances – como normalmente é. Mas ambos estiveram regulares em termos defensivos. De assinalar a péssima percentagem de passe, o que indica a pouca disponibilidade para sair a jogar.

Evaldo – A nota estatística é francamente elogiosa. É incrível como está em campo, como a bola passa tantas vezes na sua zona e intervém tão pouco. Não se trata, muitas vezes, de estar mal posicionado, mas de ter uma leitura terrível dos lances, parecendo reagir sempre tarde e sem intensidade para poder ser útil. Foi batido por Cardozo no primeiro golo, por Salvio numa bola que acaba na barra e no segundo golo também estava na zona em que a jogada se definiu.

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Benfica: notas individuais do derbi

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Javi Garcia – Claramente a “chave” do jogo, em termos individuais. Não só pelo golo – que não é de bola parada, note-se – mas sobretudo pelo domínio avassalador que exerceu no jogo aéreo na sua zona. Foi o jogador que mais lances ganhou e foi o mais importante no jogo de primeiras e segundas bolas que, como ontem escrevi, foi absolutamente crucial no jogo.

Cardozo – Elogiei o seu momento frente ao Marítimo, apesar de não ter marcado. Desta vez, de novo, destacou-se por ter falhado uma penalidade. Mas voltou a ter uma grande presença e influência, quer fora da área, quer fora dela. Repito, que nem sempre foi assim ao longo da época.

Luisão – Foi mais exposto do que Sidnei e respondeu quase sempre bem. “Quase”, note-se, porque não foi um jogo imaculado. Mas, sem dúvida, foi com Javi uma das grandes forças da equipa.

Coentrão – Voltou a estar eléctrico. Não foi soberbo, mas foi muito bom. Dentro do seu nível, que é elevadíssimo.

Salvio e Gaitan – Trabalharam bem, mas estiveram pouco inspirados ofensivamente, tanto um como outro, mas sobretudo Salvio.

Saviola – Havia referido que está longe da influência de alguns meses e voltou a demonstrar isso mesmo. A constante procura dos corredores laterais limita as suas acções, mas também é verdade que pode ter maior influência.

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Benfica - Sporting: notas colectivas do derbi

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- Começando pelo Sporting, e pela percepção de que terá superado as expectativas. A observação “superado a expectativas” é correcta. O ponto que quero deixar, porém, tem a ver com as "expectativas" e forma emotiva como elas são formuladas. Ou seja, é comum em clássicos exagerar-se nas diferenças que se estimam entre rivais. Um "grande" - neste caso, o Sporting - estando bem ou mal, tem sempre um nível muito mais elevado que a média da Liga. Faz sentido esperar-se a superioridade de uma das partes, mas é irrealista ter-se em mente um desequilíbrio constante no balanceamento do jogo. É também por este constante desajustamento das expectativas que tantas vezes os clássicos surpreendem.

- O que fez Couceiro? Manteve a estrutura, até o onze, mas mudou alguns detalhes relevantes para a abordagem feita pelo Sporting. A saber, o posicionamento em organização defensiva, com um bloco mais expectante e baixo e uma maior protecção dos corredores, aproximando, posicionalmente, extremos de laterais. Matias ficava com Postiga, algo isolados no pressing mais alto, que geralmente tentou apenas orientar a saída de bola contrária. Depois, com bola, todas as energias depositadas em ataques rápidos nascidos em situações de transição. Em ataque posicional e posse, o menor risco possível. Muita prudência, no fundo.

- O Benfica, foi o habitual, voltando a evidenciar os comportamentos que aqui descrevi nos últimos jogos, nomeadamente a opção pelos corredores laterais para a saída de bola. Tal como contra o Marítimo, a equipa sentiu algumas dificuldades em sair das situações criadas nas ala. A bola entrava sempre no extremo e raramente encontrava o apoio interior do avançado. Daí, a maior dificuldade de progressão e de impor maior domínio em grande parte do jogo. Porque a postura e concentração táctica - nomeadamente na protecção dos corredores - do Sporting nunca se alteraram.

- O que definiu o jogo? Bom, para além das bolas paradas na primeira parte, claramente o último quarto de hora. Foi aí que o Benfica forçou, ou que, noutra perspectiva, o Sporting se encolheu. O aspecto decisivo nesse período foram as bolas divididas e o posicionamento para as segundas bolas. O Benfica ganhou praticamente todas e forçou ataques rápidos consecutivos que colocaram, como nunca, a retaguarda leonina sob constante sobressalto. Volto a reforçar ideia, porque dificilmente alguém a repetirá como factor essencial nessa etapa final: o posicionamento para as sucessivas segundas bolas ganhas pelo Benfica, foi o que desencadeou as sucessivas aproximações encarnadas à baliza de Patrício, na recta final.

- O jogo foi, sem dúvida, equilibrado durante grande parte do tempo. A melhor qualidade do Benfica, porém, ficou clara em vários pormenores. Pormenores colectivos e não individuais, de onde invariavelmente se tenta partir para explicar toda e qualquer diferença entre estas equipas. A saber: (1) Saída no momento transição, com o Benfica a conseguir ser muito mais rápido e esclarecido a tirar a bola de pressão e a desdobrar-se em ataques rápidos de elevada presença ofensiva (coisa que o Sporting nunca fez, atacando sempre com pouca gente). (2) posicionamento, já abordado, para primeiras e segundas bolas, quer em situações de área, quer na sequência de pontapés longos. Enquanto que Cardozo procura tocar para uma segunda bola, Postiga parece sempre querer conseguir a missão quase impossível de ficar com a bola dominada. (3) Posse e ataque posicional. O Benfica tem os seus defeitos neste momento, mas tem também a sua força e identidade. O Sporting, não. Não tem, nem identidade, nem qualidade para poder sequer atrever-se a confiar na sua posse num jogo como este.

- No meio de tantas vantagens colectivas, o Benfica continua a repetir perdas em zona de construção. Mesmo protegendo melhor o corredor central e Javi através do seu recuo deste para junto dos centrais, as perdas continuam a acontecer...

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2.3.11

Benfica - Maritimo: Análise e números

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Desta vez, foi preciso sofrer. Não que o Benfica o merecesse, mas porque o futebol tem destas contingências. Ou seja, mesmo sendo dominador e relegando o adversário para um deserto quase completo de oportunidades, o futebol pode permitir uma surpresa. Basta, para isso, que haja uma grande diferença de eficácia entre as partes. E foi isso que aconteceu, até aos derradeiros 10 minutos. Convém, contudo, salientar que, apesar de mais do que suficiente para justificar a vitória, o jogo do Benfica pareceu-me aquém de outras exibições.

Notas colectivas
Foi um jogo de coordenadas muito semelhantes àquele em que o Benfica atropelou o Guimarães. Pelo domínio, claro, mas também pelas abordagens estratégicas de ambos os lados.

Da parte do Benfica, novamente grande incidência nas combinações pelos corredores para fazer a bola chegar ao último terço. Tudo isto em ataque posicional, porque o jogo raramente permitiu jogar a partir do momento de transição ou mesmo em ataques mais rápidos.

Convém ressalvar alguns pontos já abordados noutras alturas. O Benfica faz uma circulação rápida, mas pouco paciente e criteriosa. Quando a bola entra num corredor, raramente de lá sai sem ser tentada (forçada, até) uma penetração. Mesmo que os apoios ao portador não sejam os mais adequados. Por isso a equipa depende tanto da confiança e inspiração das suas individualidades. Porque a progressão da equipa depende muito da forma como os jogadores se vão libertando destes duelos. Esta opção pelos flancos como destino de saída não é uma constante da “era Jesus”, ainda que o tenha sido nos últimos jogos, particularmente em casa. Pode ter a ver, entre outras coisas, com uma tentativa de fugir do risco do corredor central, onde a equipa cometia erros com grande frequência. Mas é só uma hipótese...

O que sucede, porém, é que quando a equipa consegue chegar ao último terço, aí sim, torna-se temível. Porque tem movimentações e executantes muito fortes, porque é igualmente difícil de suster nas bolas paradas que conquista, e – muito importante – porque tem uma óptima reacção à perda, conseguindo manter-se longos períodos “em cima” do adversário.

Em relação ao Marítimo, e comparativamente com o Vitória, sem dúvida que a equipa esteve melhor. Particularmente no bloqueamento das tais iniciativas pelos corredores. Se o Vitória perdeu quase sempre o controlo desses espaços, o Marítimo esteve mais próximo do portador da bola e conseguiu bons períodos em que impediu o Benfica de chegar à sua área. O problema, porém, foi a saída em transição. Aqui, e neste particular, há 2 pontos que explicam as dificuldades: o momento de transição propriamente dito, e a sua sequência, nomeadamente no aproveitamento da profundidade. Nos dois, o Benfica é fortíssimo (sempre foi, note-se), mas é sobre o segundo que quero falar...

Pedro Martins queixou-se do fora de jogo no final do jogo . O que se constata, porém, é que o Benfica, sendo forte nesse particular, encontra uma enorme disparidade nas dificuldades que sente a jogar em Portugal ou na Europa. E isso, muito mais do que os critérios arbitrais, deveria fazer reflectir os treinadores.
O que sucede é que em campeonatos como o espanhol ou o alemão (entre outros), praticamente todas as equipas utilizam linhas defensivas agressivas no fora de jogo. A consequência é que, quem ataca, está também bem preparado para a “ratoeira” que lhe está preparada. Em Portugal, porém, as equipas fazem um aproveitamento quase primário da situação, mesmo sabendo que o Benfica actua sempre desta forma.

Notas individuais
Coentrão – Foi o herói do jogo pela sua influência decisiva e, em especial, na parte final. Curiosamente, não estava a fazer um jogo excepcional até aí.

Jardel – Foi muito solicitado, porque o Marítimo saiu sobretudo pelo seu lado. Esteve bem, embora beneficiando da qualidade colectiva. Nota para a repetição de um movimento de risco, popularizado por David Luiz, mas também já repetido diversas vezes com Sidnei. Continuo a não ver grande beneficio nestas iniciativas, se tivermos em conta o número de vezes em que a equipa acaba exposta.

Javi Garcia – Novamente muito junto dos centrais em construção, dando maior largura à circulação baixa, mas retirando-lhe também o risco de jogar mais “dentro”. A frequência com que perdia bolas nessa zona pode explicar esta opção. Desta vez, e ainda assim, perdeu uma.

Aimar – Outro que, como Garcia, perdia muitas bolas quando baixava para organizar (embora isto fosse poucas vezes realçado). Com a bola a entrar mais vezes nos corredores, e tal como espanhol, expõe-se menos. Aimar está muito bem, confiante e influente, nem que seja nas bolas paradas. Pena que saia sempre.

Saviola – O jogador que mais se tem apagado nos últimos jogos. Continua a ser um jogador temível, mas tem estado mais longe do jogo. Talvez goste mais quando o jogo lhe aparece a partir do corredor central, mas deve também encontrar a forma de voltar a ser mais influente.

Cardozo
– Ao contrário de Saviola, e de outras fases da época, Cardozo está muito mais interventivo e prestável para além dos golos e das acções de finalização. Assim, sim, Cardozo é mais jogador!

Djalma – Fez um jogo de esforço e acabou por ser premiado com um golo atípico. Este não é o tipo de jogos que serve de avaliação, mas continua a perceber-se que Djalma tem potência e habilidade para um patamar superior, mas que precisa de trabalhar a decisão e a inserção nos movimentos colectivos. A sua afirmação no Porto é uma incógnita, dependendo da sua capacidade de evoluir nestes planos. Não terá muito tempo, porque concorrência também não faltará...
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1.3.11

Olhanense - Porto: Análise e números

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E o título ao virar da esquina... Não foram muitas as vezes em que o Porto demorou tanto a ganhar vantagem num jogo, e esse constituiu-se, desde logo, como um ponto de interesse para a reacção da equipa. A resposta foi positiva e, mais importante de tudo, foi suficiente para garantir os 3 pontos e encurtar ainda mais o caminho que falta para fechar o campeonato. E já falta pouco! De resto, talvez a nota mais surpreendente do jogo seja o elevado número de ocasiões permitido pelo Olhanense. É que a equipa de Daúto Faquirá havia sido, até agora, das que menos desequilíbrios havia permitido frente aos “grandes”. Algo que se explica por vários factores...

Notas colectivas
A meu ver, o melhor período portista deu-se nos primeiros minutos. Uma atitude fortíssima, com uma posse dinâmica e com critério e com uma óptima reacção à perda de bola. O Olhanense não pagou, nesse período, a factura em golos, mas mal respirou. De resto, a vulnerabilidade dos algarvios, nessa fase, encontrou-se no espaço entre centrais e laterais e em algumas perdas de bola no inicio de transição que expuseram a equipa.

O facto é que o Porto foi perdendo essa capacidade com o tempo. Menos critério em posse e menos controlo do primeiro passe de transição do Olhanense. O jogo tornou-se mais físico e mais dividido, e Villas Boas resolveu alterar na segunda parte, mexendo e dando-nos uma novidade em termos estruturais: o losango.

A intenção, pareceu-me, passou por tentar ter uma presença mais constante nas costas dos médios do Olhanense, obrigando os centrais a fazer aquilo que a estratégia de Faquirá tanto parece querer evitar: sair da sua zona. Tudo isto pressupõe, igualmente, mobilidade ofensiva e maior largura dada pelos laterais – daí a entrada de Fucile.

O Porto colheu os frutos na etapa complementar do jogo, mas, em boa verdade, não posso dizer que foi aí que esteve globalmente melhor. É que foi nesse período também em que o jogo se esticou mais e em que houve menos controlo por parte do Porto. De todo o modo, será interessante perceber até que ponto esta opção táctica – que gosto, particularmente – será desenvolvida no futuro.

Sobre o Olhanense, também um comentário. Será, provavelmente, a equipa tacticamente mais conservadora do campeonato. Organiza-se bem, mas sempre à custa de um risco mínimo em termos de desposiccionamento táctico. A linha defensiva está quase sempre baixa e os centrais muito protegidos, quase nunca sendo obrigados a sair da sua posição. Daí tornar-se uma equipa difícil de bater, não sendo mais porque acontecem também alguns erros individuais com frequência. De resto, em termos ofensivos tem alguma qualidade individual – nomeadamente a capacidade de retenção de bola de Paulo Sérgio – mas não se viu uma transição muito capaz de fazer a equipa subir no terreno e respirar melhor. Também por mérito do Porto, obviamente.

Notas individuais
Sapunaru – Não me parece que tenha sido pela sua produção que foi substituído, porque creio que estava a fazer um bom jogo. Penso que terá sido mais pelas suas características.

Otamendi e Rolando – De novo espelhadas as diferenças entre os dois. Otamendi muito mais interventivo e dominador nas suas acções. Rolando muito mais seguro e menos exposto ao erro individual.

Belluschi – Marcou um grande e importante golo, mas fez um dos piores jogos em termos de intensidade nos momentos defensivos do jogo. Esteve longe de ser uma das suas melhores exibições em termos globais.

Moutinho – Um pouco ao contrário de Belluschi, não foi decisivo nem desequilibrador (normalmente não é), mas teve um papel importantíssimo no jogo da equipa, quer em termos de posse, quer em termos de equilíbrio e recuperação.

Falcao – Não começou bem, mas acabou por ir crescendo no jogo e acabar por ser o homem do jogo. Trabalhou bem fora da zona de finalização e, dentro desta, fez a diferença.

James Rodriguez – Foi a “chave” do jogo, segundo a generalidade das leituras. Obviamente que discordo do exagero, porque se o Porto materializou a sua vantagem na segunda parte, já o poderia ter feito também antes. Ainda assim, esteve inegavelmente em bom plano, decidindo sempre bem (característica que se mantém), estando disponível no jogo e com participação decisiva. Será que o veremos mais vezes nas costas dos avançados a partir de agora?
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