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17.7.11

Reforços 2011/12: Axel Witsel (Benfica)

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Perfil evolutivo - Apesar de ainda jovem, Witsel é já um nome há muito conhecido no futebol europeu, e belga em particular. Foi um caso de revelação precoce, assumindo um papel importante num dos históricos do seu país, logo a partir dos 18 anos. O Benfica surge, 5 épocas mais tarde, como a primeira experiência do jogador fora do seu país e do Standard. Witsel desempenhou vários papeis como médio, quer no Standard, quer na Selecção, sendo impossível atribuir-lhe uma posição especifica, como sendo a "sua" posição. Ainda assim, neste trajecto, é importante relevar o cruzamento com Jorge Jesus na época 2008/09. O Braga eliminou uma excelente equipa do Standard, que na altura analisei. É provável (arrisco especular...) que Witsel tenha ficado na retina do treinador encarnado desde esse confronto.

Perfil táctico/técnico - Se juntarmos 2 constatações do seu trajecto - revelação precoce desde os 18 anos e polivalência em várias funções na linha média - começamos a convergir para as mais valias que Witsel pode (e seguramente irá) acrescentar. De facto, trata-se de um jogador, não só forte no capítulo físico (ágil e rápido), como sobretudo invulgarmente culto, quer pelo seu comportamento sem bola, quer pela maturidade que revela no critério em posse. No que respeita à posse, é um jogador extremamente fiável, não apenas pela qualidade técnica que tem, mas pelo critério que denota - mesmo em zonas ofensivas, não é fácil vê-lo perder uma bola. A esta virtude, já de si muito valiosa, acrescenta capacidade de trabalho, reactividade, e inteligência nos movimentos sem bola, aparecendo muitas vezes em zona de finalização e fazendo bastantes golos. É um jogador capaz de desequilibrar no 1x1, mas não tem grande propensão para recorrer a essa solução (comparativamente com a generalidade dos médios do plantel encarnado).

Futuro no Benfica - Completando a especulação que iniciei acima, com a referência ao cruzamento de Jesus com este jogador, em 2009, arrisco que o treinador verá nele as características para render o papel de Ramires no Benfica 2009/10. Nesta perspectiva, projecto uma aposta muito forte no jovem belga nesta temporada, maior do que em qualquer outro dos muitos reforços já apresentados para o sector. E, de facto, creio que se justifica, porque Witsel é um excelente jogador, daqueles que garantem qualidade e fiabilidade em todos os momentos do jogo. Jesus, a meu ver, utiliza-lo-á quer como ala (devolvendo alguma assimetria à equipa, como acontecia com Ramires-Gaitan) ou como segundo pivot, ao lado de Javi Garcia, e numa função semelhante à que desempenhou no Standard. Com Witsel, aliás, é possível que vejamos mais vezes uma estrutura de dois médios na zona central, uma solução característica dos jogos de maior grau de dificuldade, nas equipas de Jesus. Aproveitando a referência a Ramires, completo o paralelismo entre os dois, para deixar a opinião de que o brasileiro é mais forte na reactividade e agressividade defensiva, mas que o belga me parece mais capaz com bola, quer pela sua qualidade quando em posse, quer pela maior protagonismo que assume no jogo da equipa. Em resumo, não é de excluir a hipótese de um grande impacto deste jogador na época da equipa.

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4.2.10

18.4.08

História do Europeu - Bélgica 1972

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Enquadramento Futebol Português
Em Portugal, o Benfica mantinha o domínio interno, estando em 1972 a meio do terceiro de quatro tri campeonatos conquistados nas décadas de 60 e 70. Na Europa, no entanto o Benfica já estava longe da preponderância dos anos 60 e, em 1972 conseguiu o feito isolado de chegar às meias finais de uma prova onde, embora continuasse a ser presença quase constante, passou a ter uma importância bem mais modesta. Em 1972, o Benfica de Jimmy Hagan contava com um Eusébio já com 30 anos e uma equipa completamente renovada em relação aquela que entrara em Wembley quatro anos antes. Nas suas fileiras incluíam-se nomes importantes do futebol dos anos 70 e 80 como Nené, Jordão, Humberto Coelho, Artur Jorge, Vitor Baptista ou Toni. Os encarnados venceriam também a Taça de Portugal chegando à final depois de derrotar o FC Porto por 6-0 na meia final. No Jamor o adversário foi o Sporting de Fernando Vaz, derrotado por 3-2 no prolongamento. Os leões contavam, para além do mítico Vitor Damas (na altura com 24 anos), com Yazalde, no entanto ainda longe da veia goleadora de 74.
Mas falar desta época do futebol português é falar do “Senhor” Vitória de Setúbal que foi o principal destaque nacional a nível Europeu. Sob o comando de Pedroto o Vitória espantou a Europa conseguindo entre 69 e 74 estar sempre entre os 4 primeiros do campeonato e chegando, ou aos oitavos de final, ou aos quartos de final da Taça Uefa (antes de 72, Taça das Cidades com Feira). Gigantes como o Inter, Fiorentina ou Leeds United caíram aos pés dos Sadinos que contaram nesse período com individualidades como Jacinto João, Carlos Cardoso ou o experiente José Torres.

Enquadramento do Futebol Europeu
Em termos tácticos a evolução do futebol é marcada por uma crescente percepção da importância dos espaços e na viragem para a década de 70 o futebol de topo experimentou mais um importante passo rumo ao que é hoje, com a filosofia do Totaalvoetbal, ou Futebol Total, a atingir um sucesso esplendoroso com os feitos do Ajax. A ideia era promover a liberdade de movimentos individuais, mantendo sempre uma rigorosa disciplina colectiva que garantia a manutenção dos equilíbrios.
Na realidade o futebol Holandês conseguiu entre 69 e 73 estar presente em 5 finais da Taça dos Campeões Europeus, tendo o Ajax perdido a primeira e ganho as 3 últimas. Pelo meio fica o triunfo do Feyenoord sobre o Celtic em 1970. A final de 1972 fica marcada de forma impar na história do futebol Europeu por marcar também o confronto entre duas filosofias marcantes da história. Nesse dia 31 de Maio de 1972 a banheira de Roterdão assistiu ao grande triunfo do Futebol Total sobre o Catenaccio com a vitória do Ajax por 2-0 (2 de Cruijff) sobre o Inter. Curiosamente, nem o Ajax, nem o Inter eram já orientados por aqueles que ficariam conhecidos como os “mestres” das respectivas filosofias. No Ajax Kovacs sucedera um ano antes a Rinus Michels que partira para Barcelona e, no Inter, Herrera, agora na Roma, havia dado lugar a Giovanni Invernizzi. Nota para o facto de tanto Michels como Herrera terem sido responsáveis pelos primeiros grandes sucessos das respectivas filosofias, mas terem tido, em ambos os casos, inspirações de trabalhos prévios. No caso de Michels, o seu ex-treinador no Ajax, o Inglês Jack Reynolds (treinou antes e depois da II Guerra Mundial) e, no caso de Herrera, Gipo Viani que implementou pela primeira vez em Itália (no Salernitana) um conceito mais defensivo do jogo que, na realidade, foi pela primeira vez aplicado na Suiça.

Qualificação
A primeira pergunta que deve ser colocada, face ao que se passava ao nível de clubes, é: o que se passou com a Holanda? A Selecção Laranja dava no inicio dos anos 70, com o surgimento do domínio do “Futebol Total” os primeiros passos daquela que é uma história bem aquém do potencial que se reconhece. Depois de terem igualmente falhado a qualificação para o México 70, os Holandeses ficaram em segundo na fase de grupos, atrás da Jugoslávia, finalista da edição de 68 e que a “Laranja” foi incapaz de bater.
Outra baixa de peso foi a Itália, campeã Europeia e finalista no Mundial de 70. Os Italianos dominaram o seu grupo, mas caíram nos quartos de final frente a uma surpreendente Bélgica que conseguiu um notável nulo em San Siro antes de vencer “i azzurri” por 2-1 num jogo dramárico em Bruxelas.
Na qualificação para o Euro 72 viveu-se mais um episódio da rivalidade Anglo-Germânica, que começava a tornar-se traumática para os Ingleses depois da final do Mundial de 66. Depois de terem caído aos pés dos Germânicos nos quartos de final do México 70, os Ingleses eram agora eliminados da fase final do Euro 72, algo particularmente mais embaraçoso após a derrota 1-3 em Wembley, com 2 golos sofridos nos últimos 5 minutos desse jogo.
De resto, os quartos de final ditaram 2 confrontos a leste. A Hungria bateu a Roménia (2-1) no último minuto do tira teimas disputado em Belgrado, os após 2 empates verificados nas 2 mãos da eliminatória. Mais fácil a qualificação da União Soviética, que bateu a Jugoslávia por 3-0 em Moscovo após o nulo obtido em Belgrado.
Quanto a Portugal, 72 foi mais um episódio da frustrante carreira da Selecção no pós 66. Não foi tão mau como havia acontecido na qualificação para o México 70, mas ainda assim foi insuficiente. Os Portugueses foram segundos num grupo com a Bélgica, Escócia e Dinamarca. A Selecção foi apenas eliminada no último jogo, em casa frente à Bélgica. O resultado foi um empate a 1, num jogo em que Portugal teria de vencer por mais do que 2 golos para se qualificar.

Fase Final
A fase final foi disputada na Bélgica mas dominada por uma potência vizinha: A Alemanha Ocidental. Os Alemães começaram por se impor frente à equipa da casa (1-2), com Muller a marcar 2 golos antes de Polleunis reduzir já na etapa final da partida. Na outra meia final, os Húngaros foram incapazes de impedir a terceira final Soviética em 4 edições da prova, perdendo por 1-0 em Bruxelas, num jogo em que desperdiçaram um penalti. Os Belgas conseguiriam o terceiro lugar e, na final de Heysel, a Alemanha afirmava-se definitivamente como uma potência do futebol europeu, batendo os Soviéticos com um concludente 3-0. Muller foi, mais uma vez, o destaque da partida com 2 golos intervalados por outro de Wimmer.

Meias finais
Bélgica 1-2 Alemanha Ocidental
Hungria 0-1 União Soviética

3º/4º Lugar
Hungria 1-2 Bélgica

Final
Alemanha Ocidental 3-0 União Soviética

Equipas
Alemanha Ocidental (Campeã)
Primeira nota para Helmut Schoen, o treinador Germânico que ficaria na história como o primeiro e, até agora, único Seleccionador a ser Campeão Europeu e Mundial. Schoen levou para a Bélgica uma equipa que tinha como base jogadores do Bayern de Munique (campeão esse ano – apenas o seu 3º título!) e da outra potência alemã, o Monchengladbach (haviam sido campeões em 70 e 71). Era uma equipa fantástica com diversos nomes que ficariam para sempre na história do futebol mundial. Fica o onze da final:
Gr - Sepp Maier (Bayern Munique)
Dd – Horst-Dieter Hottges (Werder Bremen)
De – Paul Breitner (Bayern Munique)
Lib – Franz Beckenbauer (Bayern Munique)
Dc - Georg Schwarzenbeck (Bayern Munique)
Mc –Herbert Wimmer (Monchengladbach)
Mc –Uli Hoeness (Bayern Munich)
Mc – Günter Netzer (Monchengladbach)
Ee –Erwin Kremers (Schalke 04)
Ed – Jupp Heynckes (Monchengladbach)
Pl - Gerd Müller (Bayern Munich)

O estilo da equipa era uma versão germânica do “Futebol Total” muito em voga na altura. A liberdade de movimentos dos jogadores – onde se destaca, claramente, a função livre do libero Beckembauer – era um dos princípios elementares da forma de jogar, mantendo ainda assim a equipa a sua ordem colectiva.

União Soviética
Os Soviéticos voltaram a dar cartas numa fase final de um Europeu repetindo nova final. Evidentemente que a equipa Soviética era agora bem diferente daquelas que foram fazendo história ao longo desta prova. O futebol Soviético preparava-se para o domínio do Dinamo Kiev, que marcaria os anos 70 e 80 e a equipa Soviética contava já com 3 titulares do gigante Ucraniano (o guarda redes Rudakov e os médios Troshkin e Kolotov). De resto a equipa era formada por jogadores de diversos clubes, destacando-se o Dinamo Tiblisi e o finalista da Taça das Taças desse ano, o Dinamo de Moscovo.

Bélgica
O nome mais conhecido da Selecção Belga, anfitriã da fase final, será mesmo o seu treinador: Raymond Goethals, que nos anos 90 levaria o Marselha a 2 finais Europeias, a última das quais vencendo o troféu com uma vitória sobre o Milan em 93. De resto, o futebol Belga estava, numa escala um pouco mais modesta que a vizinha Holanda, a protanigozar uma fase de ascendente. Ao nível de clubes, os 3 mais importantes clubes, Anderlecht, Standard e Brugge dominavam internamente e preparavam-se para ser parte importante da história das Taças Europeias nos anos 70. O Anderlecht conseguiria 3 finais consecutivas da Taça das Taças (entre 76 e 78), vencendo 2. Aliás, em 1976 o futebol Belga levaria 2 das 3 Taças, com o Brugge a vencer também a Taça Uefa. Para o Euro 72, Goethals convocou, no entanto, maioritariamente jogadores da geração anterior a estes feitos (jogadores que haviam estado na modesta presença Belga no México 70), explicando-se talvez assim alguma modéstia exibicional, apesar do factor casa. Os Belgas terão, particularmente, sentido a falta do avançado Van Moer que partira a perna no empolgante play off que qualificou surpreendentemente os Belgas frente à Itália.

Hungria
Esta seria a última participação Húngara com algum relevo numa fase final de uma grande competição, ficando claro que a magia Magiar era estava a tornar-se cada vez mais uma realidade distante do futebol dos tempos modernos. Ainda assim, não se pode dizer que esta fosse uma formação envelhecida, antes pelo contrário. Comandada, é verdade, pelo veterano Florian Albert (Jogador Europeu do ano em 1967 que fez toda a carreira no Ferencvaros), esta era uma formação maioritariamente composta por jovens que, mais tarde atingiriam a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Munique, no mesmo ano. No que respeita a clubes, Ferencvaros e Upjest dominavam a convocatória.

Estrelas
Franz Beckenbauer
(Alemanha O.) – Em 1972 Beckenbauer ainda não tinha conquistado nenhuma das suas 3 Taças dos Campeões Europeus, nem sequer atingido esse pico de carreira que foi levantar pela primeira vez a então nova Taça de Campeão do Mundo em 1974. Pode espantar um pouco, por isso, que o “ Der Kaiser”, prestes a completar 27 anos, fosse já o capitão daquela que foi por ventura a melhor geração Germânica de sempre. Sobre as suas características é até escusado falar, dada a projecção que atingiu a sua célebre função de “libero”, em que personificava a versão do Futebol Total Germânico, pela liberdade ofensiva que o caracterizava. Foi o futebolista Europeu nesse ano (1972), feito que repetiria 4 anos mais tarde.

Paul Breitner (Alemanha O.) – Na altura tinha apenas 20 anos, prestes a completar 21. Mas Breitner era já um titular da Selecção de Schoen como lateral esquerdo. Breitner ficou conhecido como um dos melhores laterais do seu tempo, que tinha como particularidade características também reconhecidas no seu carácter: imprevisibilidade e irreverência. Era um jogador dotado tecnicamente e que marcava muitos golos, terminando a carreira como médio do Bayern de Munique – onde jogou a maior parte da sua carreira.

Gunter Netzer (Alemanha O.) – Não figura entre os craques que marcaram uma geração gloriosa no Bayern de Munique mas Gunter Netzer era naquela altura uma das figuras do futebol Germânico e Europeu, actuando pelo Monchengladbach, grande rival interno do Bayern nos anos 70. Netzer era um médio vistoso e possante que marcou um penalti decisivo em Wembley no playoff de acesso a esta fase final. O camisola 10 da Selecção jogaria ainda no Real Madrid ao lado de Breitner.
Gerd Muller (Alemanha O.)– A grande estrela da prova, marcando por 4 vezes em 2 jogos. Falar de Muller é falar de um dos mais temíveis goleadores da história do futebol. O “Bombardeiro da Nação” era sinónimo quase certo de golos, tendo batido nesse mesmo ano o recorde de golos na Bundesliga ao serviço do Bayern – 40 golos.

Murtaz Khurtsilava (U.Soviética) – Recentemente considerado o melhor jogador Georgio de todos os tempos, era o capitão da União Soviética. Khurtsilava actuou pelo poderoso Dinamo Tiblisi dos anos 70 e era uma espécie de Beckenbauer soviético. Forte defensivamente mas também capaz de dar inicio às acções ofensivas. Fica a curiosidade de ter sido este o jogador que cometeu o penalti contra Portugal em 66 no jogo de atribuição de terceiro e quarto lugares. Na altura uma mão na área, quando tentava ganhar o lance a Torres.

Evgeny Rudakov (U.Soviética) – Guarda redes Russo – nascido em Moscovo – ficou conhecido por fazer carreira no poderoso e Ucraniano Dinamo Kiev. Rudakov era o sucessor de Yashin e, se é certo que seria difícil atingir a grandeza do seu antecessor, não se pode dizer que Rudakov tivesse desiludido. Na realidade era uma das estrelas do futebol Soviético da altura, tendo sido considerado melhor jogador do campeonato em 1971.

Paul Van Himst (Bélgica) – Na ausência do lesionado Van Moer – estrela do Standard Liége – Van Himst era claramente a figura da equipa. Camisola 10 e capitão, Van Himst foi com 28 anos a principal esperança dos adeptos locais que tinham neste médio criativo do Anderlecht a sua fonte de desequilíbrios ofensivos. Foi 4 vezes votado como jogador do ano na Bélgica e manteve uma média superior a 0,5 golos por jogo nos mais de 450 jogos que realizou pelo seu clube do coração. Van Himst foi o nome escolhido pela Federação Belga como melhor jogador dos últimos 50 anos.

Florian Albert (Hungria) – Os seus melhores dias estavam já ultrapassados em 1972, mas Albert era ainda a principal estrela da Hungria (e do Ferencvaros) e, certamente, a sua figura mais influente. Albert – jogador europeu do ano em 1967 – era um avançado que se distinguia pela elegância do seu futebol. Um herdeiro de Puskas. Com 30 anos foi suplente utilizado na meia final e recuperou a titularidade na final, tendo como missão inspirar uma equipa bastante jovem.

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18.6.07

Campeonato Belga - Melhores golos 06/07

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Não é dos campeonatos mais apetecíveis da Europa, mas o "Best of" não deve nada às melhores ligas...

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11.6.07

Portugal - Bélgica: Memórias de 2006...

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Entre as 8 selecções que compoem o elenco de finalistas do Europeu de sub21, Portugal é das que melhores pergaminhos apresenta. Tem tradição – sobretudo recente – e há vários internacionais A entre os eleitos de José Couceiro. Os portugueses sabem-no, há o reverso da medalha – o que aconteceu em 2006...

Frente à Bélgica previa-se o que aconteceu, ou seja, um jogo difícil perante um adversário valoroso, quer em organização colectiva, quer em talento individual. Couceiro escolheu o sistema tradicional das selecções: o 4-3-3, para tirar partido do virtuosismo individual dos extremos. Pois bem, a primeira parte trouxe à memória o que aconteceu em 2006. Ofensivamente, o jogo nacional limitava-se a fazer a bola entrar num dos extremos. A opção até poderia ser boa caso a oposição se apresentasse num esquema defensivo individual, mas com a zona tudo se complica... Os belgas incurralavam nos flancos, exercendo superioridade numérica e Portugal não abria linhas de passe ofensivas, resumindo a decisão entre a opção pela jogada individual, condenada ao insucesso, ou o passe para trás. Basicamente, o trio de meio campo não apresentou rotinas para oferecer outra fluidez ao ataque e não cabia ao solitário Hugo Almeida oferecer linhas de passe na fase de construção. A coisa complicou-se ainda porque do outro lado, os belga apresentaram um meio campo mais povoado e solidário, preenchendo muito melhor os espaços. Defensivamente a coisa não correu muito melhor. Fellaini foi sempre um incómodo tremendo nas bolas aéreas, mas esse até nem foi o principal problema. O bloco português mostrou-se pouco organizado e sincronizado, e a Bélgica conseguia, com simples trocas de bolas, desorganizar a defensiva portuguesa, criando espaços para os desequilíbrios. Ao intervalo, o nulo era um alívio, mesmo se também tivemos as nossas “chances”.
No segundo tempo Couceiro mudou – tinha de mudar. Esquematicamente, Portugal passou a jogar em 4-4-2, com Manuel Fernandes ao lado de Veloso, Moutinho na meia direita e Nani na meia esquerda. Djaló juntou-se a Hugo Almeida, dando-lhe mobilidade. Portugal foi melhor, essencialmente porque passou a ter mais gente na zona intermédia – equilibrando com a maior combatividade belga naquela zona – e porque passou a ser mais imprevisível nos seus ataques, sobretudo pelas linhas de passe que os da frente passaram a oferecer. Não foi brilhante e os belgas também tiveram oportunidades no segundo tempo, mas foi um período que abriu alguma esperança para o que ainda há para jogar, até porque o que se viu nos primeiros 45 minutos foi demasiado mau.

Individualmente, alguns contrastes. Manuel da Costa é um valor seguro, mas Semedo foi insuficiente perante Mirallas. Nas laterais, Filipe Oliveira revelou as lacunas de quem não é lateral de origem, e Gonçalves não disfarçou algum desconforto posicional no primeiro tempo. Veloso esteve bem, apesar do gigante Fellaini, Moutinho voltou a revelar-se sem a chama de outras fases e Manuel Fernandes foi o guerreiro do costume, apesar da desorientação que assolou o meio-campo no primeiro tempo. Na frente, Djaló foi o melhor num trio a quem se pede maior inspiração, até porque há bons concorrentes na parte de fora. Do lado Belga, Mirallas, Vanden Borre e Martens pareceram-me os melhores. Fellaini é um caso raro. Tecnicamente não é mais do que básico, mas é impressionante no jogo aéreo (não é só a altura), constituindo-se numa arma importante no capítulo ofensivo.

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10.6.07

Antevisão Euro Sub 21 - Bélgica

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Na sequência do jogo dos AA frente a Portugal, fiz referência à juventude da Selecção Belga. De facto, vários dos jogadores escalonados para esse jogo esterão presentes na Holanda, numa jovem Selecção Belga que representa grande parte das esperanças de um país que, futebolisticamente, se afastou do fulgor das décadas de 80 e 90. No caminho para esta fase final, os Belgas começaram por dominar um grupo onde competiam também as selecções da Grécia e Irlanda. No playoff impressionaram com uma concludente vitória por 4-1 na Bulgária.
Vicent Kompany será o principal ausente de uma equipa que deverá evoluir em 4-3-3 (fazendo uso dos extremos) e sobre a qual não há, verdadeiramente, grandes certezas quanto aos jogadores que serão mais utilizados. Fora dos jogadores abaixo destacados estarão promessas não menos relevantes como Vertonghen do Ajax, De Mul recentemente transferido para o Sevilha ou Mirallas do Lille.

Destaques individuais:
Longan Bailly – guarda-redes, camisola 1, 21 anos do Genk – Se há uma posição com tradição no futebol belga é de guarda-redes. Bailly é uma figura imponente (1,90m) com qualidades promissora. Impôs-se no Genk e já foi chamado à Selecção principal. Estará na senda de Pfaff e Preud’homme?

Anthony Vanden Borre – defesa direito/central, camisola 22, 19 anos da Fiorentina – é uma das mais recentes transferências do futebol belga, tendo rumado a Itália desde o Anderlecht. Nascido no Congo, Vanden Borre afirmou-se no mais importante clube Belga na posição de defesa direito, podendo também actuar no centro. Apesar da sua juventude, já foi diversas vezes internacional pela selecção principal.

Marouane Fellaini – defesa/médio centro, camisola 17, 18 anos do Standard Liége – foi figura de destaque no jogo frente a Portugal (marcou o golo). Faz uso da sua estatura (1,94m) e do seu excelente jogo de cabeça em várias zonas do campo. Grande curiosidade para o ver evoluir, sabendo-se que poderá estar livre para uma transferência.

Maarten Martens – médio ofensivo, camisola 11, 22 anos do AZ Alkmaar – depois de uma época em pleno destaque no AZ, deverá ser a figura mais influente do ataque belga. Pode jogar em posições mais centrais ou como extremo.

Axel Witsel – extremo/médio ofensivo, camisola 23, 18 anos do Standard Liége – numa equipa cheia de elementos com idade bem inferior ao limite previsto, Witsel é o mais novo. Apareceu este ano no Standard, sendo visto como um dos mais promissores dos jovens belgas. Vários “tubarões” estarão atentos a eventuais oportunidades que lhe venham a ser concedidas.

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4.6.07

Bélgica-Portugal: Análise

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- Para começar – até porque é isso que mais conta – a vitória em Bruxelas foi importante mas não decisiva na caminhada rumo ao Euro. Portugal “limpou” as deslocações, em teoria, mais complicadas, mas não está, ainda, a salvo de eventuais dissabores. Em suma, o factor casa dá-nos uma vantagem para a recta final e até existirá margem de erro para falhar numa das partidas de 07/08, mas, em termos pontuais, a temporada termina sem qualquer ascendente real. Setembro será a altura das decisões.

- O jogo começou com Portugal a exercer domínio total. Os primeiros minutos, de resto, revelaram dois aspectos essenciais no partida: a superioridade técnica dos portugueses e as fragilidades defensivas dos belgas (quer individualmente, quer colectivamente). Portugal não foi, no entanto, eficaz nesse período, permitindo que a Bélgica mantivesse intactas as suas aspirações na partida.

- Se a Bélgica se mostrou francamente débil em termos defensivos, já ofensivamente foi uma equipa inteligente e esclarecida – pelo menos no primeiro tempo. Não tendo argumentos no plano técnico para rivalizar com Portugal, os belgas optaram por uma estratégia mais directa, fazendo uso das qualidades de duas individualidades: a estatura e bom jogo aéreo de Fellaini e a agilidade e agressividade de Mpenza (que grande jogo!). Não foi surpreendente ver Portugal sentir dificuldades. Este é um tipo de jogo estranho à cultura do futebol português e, por isso, sentimos tantas vezes dificuldades (quer na Selecção, quer ao nível de clubes) quando ele é aplicado.

- Em boa verdade, a primeira parte poderia ter terminado com vantagem para qualquer dos lados. Os portugueses foram melhores, não há dúvidas, mas nunca conseguiram realmente controlar a partida, tendo as investidas belgas criado demasiada instabilidade. A subida da Bélgica no jogo trouxe, no entanto, a nu a fraca cultura táctica e organização dos “Diabos Vermelhos”, sempre muito lentos e pouco equilibrados no momento da transição defensiva. Portugal aproveitou com a sua qualidade e, assim, usufrui de soberanas oportunidades ao longo do jogo.

- A segunda parte foi radicalmente diferente. Marcada por inúmeras interrupções, a partida reservou-nos uma Selecção invulgarmente inocente na confiança exagerada que revelou com um resultado tangencial e muito tempo para jogar, e uma Bélgica cansada e sem esclarecimento para perturbar Ricardo como o havia feito no primeiro tempo.

- A certeza do pontapé de Postiga contrastou com o desperdício de tantas outras jogadas e valeu a Portugal uma vitória justa e natural mas com algo para reflectir. As dificuldades sentidas perante o jogo directo belga deverão entrar no bloco de notas de Scolari. Do lado belga, uma selecção frágil, sem dúvida, mas muito interessante. Para além de Mpenza, há jogadores muito jovens que merecem atenção. Destaco Fellaini e Defour, com 18 e 19 anos respectivamente. Poderemos vê-los em maior detalhe no Euro sub21 deste ano.

- Individualmente dificilmente se poderão fazer elogios ou reparos às exibições, ainda assim aqui ficam algumas notas.
Paulo Ferreira: o cruzamento para o golo surgiu do seu lado, mas creio que Paulo Ferreira é, neste momento, a opção certa para a esquerda. Não é um fora de série mas é altamente competitivo e concentrado onde quer que actue.
Bosingwa: a sua entrada revelou dois aspectos. O seu notável momento de forma a que não é alheio o fulgor físico que possui, e as dificuldades que sente na abordagem aos lances aéreos – não foi por ele, mas não se explica o seu posicionamento no lance do golo belga.
Tiago: Tem qualidades inegáveis, mas, para mim, não faz esquecer o papel de Maniche no triangulo de meio campo.
Quaresma: Uma inconstância que é a imagem de um final de temporada sofrível. A sua qualidade requer mais exigência para que possa atingir um patamar mais elevado como jogador. Depende dele e... da sua saída do futebol português.
Postiga: Com a saída de Pauleta, Portugal fica a perder. Ainda assim parece-me ser a aposta mais consistente no leque de disponíveis para o lugar.

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Os talentos de Liége

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A Selecção Belga que, Sábado à noite, defrontou Portugal pode não ser a mais forte da sua história e é mesmo impossível esconder as suas fragilidades. O futebol belga atravessa, no entanto, uma fase em que se procura regenerar com uma aposta firme na formação. Para os clubes portugueses este poderá ser um mercado de oportunidade rara na Europa central, dados os preços ali praticados. Na Holanda, por exemplo, o Ajax tem feito da Bélgica um dos locais preferenciais da sua prospecção dos últimos anos.

O destaque que faço centra-se nos jovens do Standard Liége.
Defour é um médio ofensivo de 19 anos que se revelou aos 17 no Genk. O seu talento despertou o interesse de vários clubes europeus, chegando a ter tudo acertado com o Ajax. A transferência, no entanto, acabou por gorar-se e, um ano mais tarde, Defour mudou-se para Liége por 1,5 milhões de euros. Confessa ter em Sérgio Conceição um mestre e 06/07 foi a época da sua afirmação no campeonato, chegando a titular da Selecção.

Fellaini – que marcou o golo frente a Portugal – tem, aos 18 anos, um trajecto invulgar. A sua estatura e bom jogo aéreo fazem dele um jogador especial, capaz de evoluir em várias posições do corredor central. Normalmente é médio defensivo, mas pode actuar como central ou como médio mais ofensivo, aparecendo com muito aproposito na zona de finalização. Aqui fica um aspecto importante sobre esta promessa: rescindiu com o Standard e está livre para assinar por qualquer clube.
Witsel completou 18 anos este ano e é a última das revelações do Standard – clube onde se formou. É visto como uma das grandes promessas do futebol belga, aliando aos dotes técnicos, uma bom porte físico (1,83m, 73kg).

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