Mostrar mensagens com a etiqueta Hungria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hungria. Mostrar todas as mensagens

10.9.09

Hungria - Portugal: Valeu a pena o tédio

ver comentários...
Reforçar a importância de não sofrer, como que dando por garantido que se iria marcar, só pode ter sido uma forma de retirar pressão de um sector ofensivo com evidentes problemas de ineficácia. A verdade, porém, é que as especulativas palavras de Queiroz antes do jogo passaram a fazer todo sentido quando Pepe marcou de forma madrugadora. Se o seleccionador acertou em cheio, e até de forma surpreendente, neste primeiro prognóstico, falhou totalmente quando anteviu 90 minutos de elevada emoção. De facto, será difícil alguém se lembrar de um jogo tão entediante. Culpa primária para a postura húngara, mas também para alguma desinspiração das cores nacionais.
Se havia dúvidas, os primeiros minutos esclareceram. A Hungria foi para o jogo com uma estratégica conservadora, obcecada em tirar espaços e em manter equilíbrios. Defender, portanto. O outro lado do seu jogo, o ataque, resumia-se a um jogo directo de pouca qualidade (mais uma vez reforço a ideia, um adjectivo que abunda muito pouco neste grupo). As hipóteses húngaras, portanto, estavam praticamente reservadas para as bolas paradas que, a espaços, ia conseguindo nas imediações da área portuguesa.

Para esta estratégia, um golo madrugador como o que Pepe conseguiu é uma machadada séria. Já para Portugal, terá sido ouro. É que, mesmo tendo grande tempo de posse de bola, Portugal nunca revelou capacidade para criar problemas ao bloco defensivo contrário. Pouca qualidade na criação de apoios à posse, aliada a uma ausência de rasgos de inspiração explicam estas dificuldades para furar uma defesa densa, baixa e agressiva. Difícil de bater, portanto. O problema para Portugal foi sempre a ausência de espaços, com a equipa forçada a jogar sempre em organização e quase nunca em transição.

Curioso foi o inicio da segunda parte. Curioso e monótono. A Hungria, mesmo em desvantagem, manteve a postura e Portugal, perante esse cenário, preferiu chamar o adversário em vez de, cegamente, partir para cima. Na verdade, e apesar de desagradável para o espectador, esta terá sido uma atitude inteligente da equipa nacional. É que a Hungria pretendia precisamente que Portugal fizesse o contrário, que partisse em posse para a zona densa e que daí pudessem resultar, depois, pontos de partida para transições que aproveitassem o espaço que existia do outro lado do campo. A consequência, para além do tédio, foi o desmontar da estratégia húngara e um passo mais em direcção à vitória. O único senão, claro, foi não se ter resolvido o jogo de vez, tornando inevitável a ansiedade dos momentos finais.

Duas notas, finalmente, sobre as opções tácticas. Deco lesionou-se e daí resultou, outra vez, uma mudança de sistema. Não faz sentido. As opções devem ter a ver com uma opção estratégica e não com a disponibilidade de uma ou outra individualidade. Isso, e o pormenor de me parecer contra producente que uma equipa salte constantemente de sistema, acabando por não se consolidar, com qualidade, em nenhum. A outra nota tem a ver com substituição final. Tiago por Rolando. Lembrou-me o final do jogo em Alvalade contra a Dinamarca. Na altura, com outra moral, Queiroz optou por Moutinho para o lugar de Nani, quando tinha no banco Bruno Alves e a Dinamarca ia tentar evitar a derrota com um jogo mais directo. Como as coisas mudaram...

Ler tudo»

ler tudo >>

9.9.09

As hipóteses de Portugal: 42%

ver comentários...
Portugal está praticamente fora do Mundial. Fora do ‘playoff’. Não é impossível, mas muito difícil. Tudo isto diz-se por aí. Mas será mesmo? E quanto é o “muito” que quantifica a dificuldade? 

O exercício é impossível de concretizar com total exactidão. É apenas teórico, sim, mas é também a forma que mais fielmente nos aproxima das possibilidades de cada uma das Selecções de chegar ao playoff. A proposta é a mesma de outros casos que já aqui trouxe. Ou seja, pegar nas probabilidades teóricas dos jogos e calcular as hipóteses para os diversos cenários. O resultado confirma que o “muito difícil” é-o, mas se calhar não tanto como isso. 42%.

Depender de si não significa favoritismo
A perda da dependência própria é um catalisador poderoso de ansiedade nos adeptos. Como se não bastassem os próprios jogos, há que esperar pelos outros. Mas depender dos outros não significa, forçosamente, que não se seja favorito. Neste caso há um exemplo mais do que evidente. Alguém se atreve a atribuir algum favoritismo à Hungria? Não. Mas os húngaros são quem depende apenas de si...

E se...
Curioso também é ver como variam as hipóteses depois desta jornada. Aqui fica clara a importância da visita à Hungria. É que se Portugal vencer na Hungria, mesmo com a mais do que previsível vitória sueca frente a Malta, mesmo com menos 1 jogo por realizar e mesmo continuando a depender de terceiros, Portugal passa, tendo em conta o grau de dificuldade teórico dos jogos, a ter um favoritismo marginal. De resto, este será, mais do que qualquer outro, um jogo de “tudo ou nada”. Basta ver o que acontece se os 3 pontos não regressarem na bagagem lusa...


Ler tudo»

ler tudo >>

17.6.08

Alemanha: Uma força mental histórica

ver comentários...
Está confirmado que será a Alemanha o nosso adversário nos quartos de final. Esta é uma selecção que, creio que como mais nenhuma, suscita uma enorme divisão entre as análises qualitativas que lhe são feitas, sendo apontada, paralelamente, como uma das favoritas e uma equipa banal técnica e tacticamente. A verdade é que, de facto, dificilmente uma análise técnico-táctica à história do futebol germânico poderia alguma vez fazer alguém equacionar que esta nação tivesse no seu palmarés 3 títulos de campeão do mundo em 7 finais, tendo sido igualmente 3 vezes campeã da Europa, em 5 finais.

Olhando à história do futebol germânico, facilmente se comprova que, mesmo tendo os seus momentos negativos, os alemães parecem transformar a sua aparente frieza emocional numa qualidade que os tem catapultado ao longo dos anos para resultados que superam claramente o talento e qualidade das sucessivas gerações. Realmente, os alemães raramente falharam em grandes competições quando tiveram grandes equipas e, pelo contrário, foram protagonistas de alguns feitos bem acima daquilo que a qualidade futebolística dos seus protagonistas poderia fazer esperar. Outro aspecto revelador desta característica mental germânica é o histórico de reviravoltas que os alemães conseguiram protagonizar em jogos decisivos. Das 6 finais vencidas pelos alemães, 3 aconteceram depois de terem estado em desvantagem no marcador e 1 (1980, 2-1 frente à Bélgica), não tendo estado em desvantagem, o golo decisivo foi marcado apenas no minuto 90.

Os dois mais famosos exemplos da superação germânica nas horas de dificuldade estarão bem patentes na história dos mundiais de 54 e 74, onde a força mental alemã privou 2 das mais célebres equipas da história de se sagrarem campeãs mundiais, Hungria e Holanda:

O milagre de Berna (1954)
Depois da II guerra mundial esta foi a primeira aparição alemã ao mais alto nível. No comando desta formação estava um dos mais obcecados homens por futebol de que reza a história (no seu diário, os dias dramáticos vividos durante a guerra relatavam, quase exclusivamente, pensamentos... futebolísticos!): Sepp Herberger. A verdade é que os planos de longa data que Herberger tinha feito para a ressurreição da Selecção não convenciam ninguém à partida para a Suíça. A imprensa duvidava dos jogadores e da equipa e anunciava, de antemão, o seu colapso na prova. Tudo começou como se esperava: com muitas dificuldades. Derrota por 8-3 frente à colossal Hungria de Puskas na fase de grupos e uma qualificação obtida através de um playoff com os turcos. O panorama mudou radicalmente nos 2 jogos seguintes, com a qualificação para a final, graças a vitórias frente a Jugoslávia e Áustria.

Uma coisa, no entanto, era chegar à final. Outra, completamente diferente era... bater a Hungria. Aos 8 minutos, os húngaros já venciam por 2-0 e, reza a lenda, um tal de Morlock terá pegado na bola após o 2º golo dos húngaros e gritado para os seus “Agora, vamos a eles!”. Com 2-0 e a experiência recente dos 8-3, estas palavras só poderiam soar a delírio, mas a verdade é que 2 minutos depois estava Morlock a reduzir para 2-1, antes de, 8 minutos volvidos, Rahn empatar. O “milagre de Berna”, como ficou este jogo conhecido, ficou consumado aos 84 minutos com novo golo de Rahn. O mundo ficou em choque, a Alemanha em delírio (por razões que têm a ver também com uma afirmação de recuperação nacional no pós-guerra) e a o espírito vencedor da Mannschaft terá, diz-se, nascido naquele dia 4 de Julho de 1954!

Munique (1974)
Pode perguntar-se porquê que se considera este torneio, ganho em casa, como um feito notável dos Alemães? A verdade é que a história deste mundial esconde uma série de peripécias que, normalmente, faria qualquer equipa sucumbir.

Primeiro, os prémios de jogo. Não foi só em Saltillo que aconteceu uma revolta. Em 1974, os jogadores da Alemanha Ocidental estiveram perto de se retirar da prova. Uma discussão entre Beckenbauer (o capitão) e a federação alemã deu origem a uma votação que resultou num empate. Ou seja, metade da equipa considerava que os 70.000 marcos oferecidos em caso de vitória eram insuficientes, preferindo não participar na competição (Selecções como a Itália e Holanda iriam receber verbas acima dos 100.000 marcos). Foi Beckenbauer quem, finalmente, acabou por convencer os seus companheiros a continuar em prova apesar da discordância com a Federação.

Segundo, o jogo com a Alemanha de Leste. Embora esta surpreendente derrota por 1-0 da Alemanha Ocidental tenha até sido positiva por ter evitado o confronto com Brasil e Holanda na fase seguinte, provocou um sério choque psicológico na equipa, particularmente no seu líder. Helmut Schoen era originário de Dresden (Alemanha de Leste) e aquele jogo representava mais para ele do que muitos embates decisivos. Nos dias seguintes ficou fechado no seu quarto, deprimido, e chegou a ser equacionada a sua substituição em plena prova. A solução acabou por ser, mais uma vez, a liderança de Beckenbauer que se aproximou do treinador, tendo sido responsável por algumas decisões que, à partida, não caberiam a um jogador.

Finalmente, a final. É verdade que a Alemanha era uma excelente equipa, mas a grande formação daquele tempo era comandada por Johan Cruyff. A Holanda começou a final a ganhar e a sua superioridade era quase unânime. Tão unânime que gerou alguma displicência dos holandeses, fatal, mais uma vez, perante a mentalidade alemã. Os holandeses reconheceram, depois, que queriam humilhar o seu adversário, e o preço dessa pequena arrogância deu-se no resultado: 2-1 para Alemanha.
O sinal da desordem que reinava por trás desta conquista alemã ficou patente nos festejos do título, com os jogadores a afastarem-se do plano organizado pela federação e com 4 jogadores (incluindo Muller e Breitner) a retirarem-se precocemente do futebol de Selecções.
---

Esta força mental aparenta estar presente nos momentos de maior dificuldade e este é um dos motivos pelos quais a avaliação das capacidades germânicas não se deve ficar por uma análise estritamente técnico-táctica. Está dado o sinal de aviso para uma grande desconfiança em relação à oposição de Quinta Feira...

ler tudo >>

18.4.08

História do Europeu - Bélgica 1972

ver comentários...
Enquadramento Futebol Português
Em Portugal, o Benfica mantinha o domínio interno, estando em 1972 a meio do terceiro de quatro tri campeonatos conquistados nas décadas de 60 e 70. Na Europa, no entanto o Benfica já estava longe da preponderância dos anos 60 e, em 1972 conseguiu o feito isolado de chegar às meias finais de uma prova onde, embora continuasse a ser presença quase constante, passou a ter uma importância bem mais modesta. Em 1972, o Benfica de Jimmy Hagan contava com um Eusébio já com 30 anos e uma equipa completamente renovada em relação aquela que entrara em Wembley quatro anos antes. Nas suas fileiras incluíam-se nomes importantes do futebol dos anos 70 e 80 como Nené, Jordão, Humberto Coelho, Artur Jorge, Vitor Baptista ou Toni. Os encarnados venceriam também a Taça de Portugal chegando à final depois de derrotar o FC Porto por 6-0 na meia final. No Jamor o adversário foi o Sporting de Fernando Vaz, derrotado por 3-2 no prolongamento. Os leões contavam, para além do mítico Vitor Damas (na altura com 24 anos), com Yazalde, no entanto ainda longe da veia goleadora de 74.
Mas falar desta época do futebol português é falar do “Senhor” Vitória de Setúbal que foi o principal destaque nacional a nível Europeu. Sob o comando de Pedroto o Vitória espantou a Europa conseguindo entre 69 e 74 estar sempre entre os 4 primeiros do campeonato e chegando, ou aos oitavos de final, ou aos quartos de final da Taça Uefa (antes de 72, Taça das Cidades com Feira). Gigantes como o Inter, Fiorentina ou Leeds United caíram aos pés dos Sadinos que contaram nesse período com individualidades como Jacinto João, Carlos Cardoso ou o experiente José Torres.

Enquadramento do Futebol Europeu
Em termos tácticos a evolução do futebol é marcada por uma crescente percepção da importância dos espaços e na viragem para a década de 70 o futebol de topo experimentou mais um importante passo rumo ao que é hoje, com a filosofia do Totaalvoetbal, ou Futebol Total, a atingir um sucesso esplendoroso com os feitos do Ajax. A ideia era promover a liberdade de movimentos individuais, mantendo sempre uma rigorosa disciplina colectiva que garantia a manutenção dos equilíbrios.
Na realidade o futebol Holandês conseguiu entre 69 e 73 estar presente em 5 finais da Taça dos Campeões Europeus, tendo o Ajax perdido a primeira e ganho as 3 últimas. Pelo meio fica o triunfo do Feyenoord sobre o Celtic em 1970. A final de 1972 fica marcada de forma impar na história do futebol Europeu por marcar também o confronto entre duas filosofias marcantes da história. Nesse dia 31 de Maio de 1972 a banheira de Roterdão assistiu ao grande triunfo do Futebol Total sobre o Catenaccio com a vitória do Ajax por 2-0 (2 de Cruijff) sobre o Inter. Curiosamente, nem o Ajax, nem o Inter eram já orientados por aqueles que ficariam conhecidos como os “mestres” das respectivas filosofias. No Ajax Kovacs sucedera um ano antes a Rinus Michels que partira para Barcelona e, no Inter, Herrera, agora na Roma, havia dado lugar a Giovanni Invernizzi. Nota para o facto de tanto Michels como Herrera terem sido responsáveis pelos primeiros grandes sucessos das respectivas filosofias, mas terem tido, em ambos os casos, inspirações de trabalhos prévios. No caso de Michels, o seu ex-treinador no Ajax, o Inglês Jack Reynolds (treinou antes e depois da II Guerra Mundial) e, no caso de Herrera, Gipo Viani que implementou pela primeira vez em Itália (no Salernitana) um conceito mais defensivo do jogo que, na realidade, foi pela primeira vez aplicado na Suiça.

Qualificação
A primeira pergunta que deve ser colocada, face ao que se passava ao nível de clubes, é: o que se passou com a Holanda? A Selecção Laranja dava no inicio dos anos 70, com o surgimento do domínio do “Futebol Total” os primeiros passos daquela que é uma história bem aquém do potencial que se reconhece. Depois de terem igualmente falhado a qualificação para o México 70, os Holandeses ficaram em segundo na fase de grupos, atrás da Jugoslávia, finalista da edição de 68 e que a “Laranja” foi incapaz de bater.
Outra baixa de peso foi a Itália, campeã Europeia e finalista no Mundial de 70. Os Italianos dominaram o seu grupo, mas caíram nos quartos de final frente a uma surpreendente Bélgica que conseguiu um notável nulo em San Siro antes de vencer “i azzurri” por 2-1 num jogo dramárico em Bruxelas.
Na qualificação para o Euro 72 viveu-se mais um episódio da rivalidade Anglo-Germânica, que começava a tornar-se traumática para os Ingleses depois da final do Mundial de 66. Depois de terem caído aos pés dos Germânicos nos quartos de final do México 70, os Ingleses eram agora eliminados da fase final do Euro 72, algo particularmente mais embaraçoso após a derrota 1-3 em Wembley, com 2 golos sofridos nos últimos 5 minutos desse jogo.
De resto, os quartos de final ditaram 2 confrontos a leste. A Hungria bateu a Roménia (2-1) no último minuto do tira teimas disputado em Belgrado, os após 2 empates verificados nas 2 mãos da eliminatória. Mais fácil a qualificação da União Soviética, que bateu a Jugoslávia por 3-0 em Moscovo após o nulo obtido em Belgrado.
Quanto a Portugal, 72 foi mais um episódio da frustrante carreira da Selecção no pós 66. Não foi tão mau como havia acontecido na qualificação para o México 70, mas ainda assim foi insuficiente. Os Portugueses foram segundos num grupo com a Bélgica, Escócia e Dinamarca. A Selecção foi apenas eliminada no último jogo, em casa frente à Bélgica. O resultado foi um empate a 1, num jogo em que Portugal teria de vencer por mais do que 2 golos para se qualificar.

Fase Final
A fase final foi disputada na Bélgica mas dominada por uma potência vizinha: A Alemanha Ocidental. Os Alemães começaram por se impor frente à equipa da casa (1-2), com Muller a marcar 2 golos antes de Polleunis reduzir já na etapa final da partida. Na outra meia final, os Húngaros foram incapazes de impedir a terceira final Soviética em 4 edições da prova, perdendo por 1-0 em Bruxelas, num jogo em que desperdiçaram um penalti. Os Belgas conseguiriam o terceiro lugar e, na final de Heysel, a Alemanha afirmava-se definitivamente como uma potência do futebol europeu, batendo os Soviéticos com um concludente 3-0. Muller foi, mais uma vez, o destaque da partida com 2 golos intervalados por outro de Wimmer.

Meias finais
Bélgica 1-2 Alemanha Ocidental
Hungria 0-1 União Soviética

3º/4º Lugar
Hungria 1-2 Bélgica

Final
Alemanha Ocidental 3-0 União Soviética

Equipas
Alemanha Ocidental (Campeã)
Primeira nota para Helmut Schoen, o treinador Germânico que ficaria na história como o primeiro e, até agora, único Seleccionador a ser Campeão Europeu e Mundial. Schoen levou para a Bélgica uma equipa que tinha como base jogadores do Bayern de Munique (campeão esse ano – apenas o seu 3º título!) e da outra potência alemã, o Monchengladbach (haviam sido campeões em 70 e 71). Era uma equipa fantástica com diversos nomes que ficariam para sempre na história do futebol mundial. Fica o onze da final:
Gr - Sepp Maier (Bayern Munique)
Dd – Horst-Dieter Hottges (Werder Bremen)
De – Paul Breitner (Bayern Munique)
Lib – Franz Beckenbauer (Bayern Munique)
Dc - Georg Schwarzenbeck (Bayern Munique)
Mc –Herbert Wimmer (Monchengladbach)
Mc –Uli Hoeness (Bayern Munich)
Mc – Günter Netzer (Monchengladbach)
Ee –Erwin Kremers (Schalke 04)
Ed – Jupp Heynckes (Monchengladbach)
Pl - Gerd Müller (Bayern Munich)

O estilo da equipa era uma versão germânica do “Futebol Total” muito em voga na altura. A liberdade de movimentos dos jogadores – onde se destaca, claramente, a função livre do libero Beckembauer – era um dos princípios elementares da forma de jogar, mantendo ainda assim a equipa a sua ordem colectiva.

União Soviética
Os Soviéticos voltaram a dar cartas numa fase final de um Europeu repetindo nova final. Evidentemente que a equipa Soviética era agora bem diferente daquelas que foram fazendo história ao longo desta prova. O futebol Soviético preparava-se para o domínio do Dinamo Kiev, que marcaria os anos 70 e 80 e a equipa Soviética contava já com 3 titulares do gigante Ucraniano (o guarda redes Rudakov e os médios Troshkin e Kolotov). De resto a equipa era formada por jogadores de diversos clubes, destacando-se o Dinamo Tiblisi e o finalista da Taça das Taças desse ano, o Dinamo de Moscovo.

Bélgica
O nome mais conhecido da Selecção Belga, anfitriã da fase final, será mesmo o seu treinador: Raymond Goethals, que nos anos 90 levaria o Marselha a 2 finais Europeias, a última das quais vencendo o troféu com uma vitória sobre o Milan em 93. De resto, o futebol Belga estava, numa escala um pouco mais modesta que a vizinha Holanda, a protanigozar uma fase de ascendente. Ao nível de clubes, os 3 mais importantes clubes, Anderlecht, Standard e Brugge dominavam internamente e preparavam-se para ser parte importante da história das Taças Europeias nos anos 70. O Anderlecht conseguiria 3 finais consecutivas da Taça das Taças (entre 76 e 78), vencendo 2. Aliás, em 1976 o futebol Belga levaria 2 das 3 Taças, com o Brugge a vencer também a Taça Uefa. Para o Euro 72, Goethals convocou, no entanto, maioritariamente jogadores da geração anterior a estes feitos (jogadores que haviam estado na modesta presença Belga no México 70), explicando-se talvez assim alguma modéstia exibicional, apesar do factor casa. Os Belgas terão, particularmente, sentido a falta do avançado Van Moer que partira a perna no empolgante play off que qualificou surpreendentemente os Belgas frente à Itália.

Hungria
Esta seria a última participação Húngara com algum relevo numa fase final de uma grande competição, ficando claro que a magia Magiar era estava a tornar-se cada vez mais uma realidade distante do futebol dos tempos modernos. Ainda assim, não se pode dizer que esta fosse uma formação envelhecida, antes pelo contrário. Comandada, é verdade, pelo veterano Florian Albert (Jogador Europeu do ano em 1967 que fez toda a carreira no Ferencvaros), esta era uma formação maioritariamente composta por jovens que, mais tarde atingiriam a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Munique, no mesmo ano. No que respeita a clubes, Ferencvaros e Upjest dominavam a convocatória.

Estrelas
Franz Beckenbauer
(Alemanha O.) – Em 1972 Beckenbauer ainda não tinha conquistado nenhuma das suas 3 Taças dos Campeões Europeus, nem sequer atingido esse pico de carreira que foi levantar pela primeira vez a então nova Taça de Campeão do Mundo em 1974. Pode espantar um pouco, por isso, que o “ Der Kaiser”, prestes a completar 27 anos, fosse já o capitão daquela que foi por ventura a melhor geração Germânica de sempre. Sobre as suas características é até escusado falar, dada a projecção que atingiu a sua célebre função de “libero”, em que personificava a versão do Futebol Total Germânico, pela liberdade ofensiva que o caracterizava. Foi o futebolista Europeu nesse ano (1972), feito que repetiria 4 anos mais tarde.

Paul Breitner (Alemanha O.) – Na altura tinha apenas 20 anos, prestes a completar 21. Mas Breitner era já um titular da Selecção de Schoen como lateral esquerdo. Breitner ficou conhecido como um dos melhores laterais do seu tempo, que tinha como particularidade características também reconhecidas no seu carácter: imprevisibilidade e irreverência. Era um jogador dotado tecnicamente e que marcava muitos golos, terminando a carreira como médio do Bayern de Munique – onde jogou a maior parte da sua carreira.

Gunter Netzer (Alemanha O.) – Não figura entre os craques que marcaram uma geração gloriosa no Bayern de Munique mas Gunter Netzer era naquela altura uma das figuras do futebol Germânico e Europeu, actuando pelo Monchengladbach, grande rival interno do Bayern nos anos 70. Netzer era um médio vistoso e possante que marcou um penalti decisivo em Wembley no playoff de acesso a esta fase final. O camisola 10 da Selecção jogaria ainda no Real Madrid ao lado de Breitner.
Gerd Muller (Alemanha O.)– A grande estrela da prova, marcando por 4 vezes em 2 jogos. Falar de Muller é falar de um dos mais temíveis goleadores da história do futebol. O “Bombardeiro da Nação” era sinónimo quase certo de golos, tendo batido nesse mesmo ano o recorde de golos na Bundesliga ao serviço do Bayern – 40 golos.

Murtaz Khurtsilava (U.Soviética) – Recentemente considerado o melhor jogador Georgio de todos os tempos, era o capitão da União Soviética. Khurtsilava actuou pelo poderoso Dinamo Tiblisi dos anos 70 e era uma espécie de Beckenbauer soviético. Forte defensivamente mas também capaz de dar inicio às acções ofensivas. Fica a curiosidade de ter sido este o jogador que cometeu o penalti contra Portugal em 66 no jogo de atribuição de terceiro e quarto lugares. Na altura uma mão na área, quando tentava ganhar o lance a Torres.

Evgeny Rudakov (U.Soviética) – Guarda redes Russo – nascido em Moscovo – ficou conhecido por fazer carreira no poderoso e Ucraniano Dinamo Kiev. Rudakov era o sucessor de Yashin e, se é certo que seria difícil atingir a grandeza do seu antecessor, não se pode dizer que Rudakov tivesse desiludido. Na realidade era uma das estrelas do futebol Soviético da altura, tendo sido considerado melhor jogador do campeonato em 1971.

Paul Van Himst (Bélgica) – Na ausência do lesionado Van Moer – estrela do Standard Liége – Van Himst era claramente a figura da equipa. Camisola 10 e capitão, Van Himst foi com 28 anos a principal esperança dos adeptos locais que tinham neste médio criativo do Anderlecht a sua fonte de desequilíbrios ofensivos. Foi 4 vezes votado como jogador do ano na Bélgica e manteve uma média superior a 0,5 golos por jogo nos mais de 450 jogos que realizou pelo seu clube do coração. Van Himst foi o nome escolhido pela Federação Belga como melhor jogador dos últimos 50 anos.

Florian Albert (Hungria) – Os seus melhores dias estavam já ultrapassados em 1972, mas Albert era ainda a principal estrela da Hungria (e do Ferencvaros) e, certamente, a sua figura mais influente. Albert – jogador europeu do ano em 1967 – era um avançado que se distinguia pela elegância do seu futebol. Um herdeiro de Puskas. Com 30 anos foi suplente utilizado na meia final e recuperou a titularidade na final, tendo como missão inspirar uma equipa bastante jovem.

ler tudo >>

5.4.08

O que é que se passa na Hungria?!

ver comentários...
Como se não bastasse a fantástica recarga da semana passada...

ler tudo >>

15.3.08

História do Europeu - Espanha 1964

ver comentários...
Enquadramento Futebol Europeu
A nível de clubes o futebol europeu era dominado pelas equipas da Europa de Sul, particularmente pelas Espanholas. A contraria-las estavam, mais do que nunca, as Portuguesas, com o Benfica de Eusébio em plano de maior evidência. Os encarnados conseguiram 4 finais Europeias em 5 anos, tendo falhado precisamente a presença na final de 64 após uma surpreendente derrota perante o Dortmund – os alemães golearam 5-0 em sua casa – na primeira ronda da prova.

Mas o futebol Português manteve a sua presença ao mais alto nível Europeu, com o Sporting a conquistar a Taça das Taças nesse ano de 64. De resto, a Taça Uefa foi vencida pelo Saragoça que derrotou na final o bicampeão Valência, na quinta vitória Espanhola em 6 anos de competição.

Mas 64 marcou a primeira de 2 conquistas consecutivas na Taça dos Campeões Europeus da equipa que ficou conhecida como “La Grande Inter”. Orientada pelo argentino Helenio Herrera – identificado muitas vezes como o pai do “Cattenacio”, embora não tivesse sido verdadeiramente o seu inventor – a formação do Inter utilizava um estilo inovador de jogo, suportado por um libero, Armando Picchi, que era também o capitão e líder dentro do campo. Depois havia Giacinto Faccheti, o galopante lateral esquerdo com ordem para atacar, e o criativo médio espanhol Luiz Suarez, melhor jogador europeu do ano em 1960. Mas a estrela desse Inter era Sandro Mazzola, o fantasista de apenas 22 anos que iniciava uma carreira de grande prestigio no futebol Italiano e mundial.

O Inter bateu o Real Madrid dos geniais mas já veteranissimos Di Steffano e Puskas em 1964, por 3-1 numa final disputada no Prater e em que Mazzola apontou 2 golos. Um ano mais tarde, “La Grande Inter” repetiria a proeza, batendo desta vez o Benfica por 1-0 num jogo disputado em... San Siro.

Enquadramento Futebol Português
Em Portugal os tempos eram dominados pelo poderoso Benfica que em 64 conquistou o segundo de uma série de 3 campeonatos seguidos, todos com o FC Porto como vice-campeão. Eusébio era a estrela de uma equipa capitaneada por Coluna e que tinha outras referências sobejamente conhecidas como Torres, Germano, Simões ou José Augusto. No Sporting, Morais ficou eternamente ligado a esse ano de 64 com o seu “cantinho”, mas havia outros nomes como Hilário ou guarda redes Carvalho. Já no FC Porto, o destaque vai para a despedida do histórico Hernâni.
Na Taça de Portugal, o Benfica fez a dobradinha em 64, sucedendo ao Sporting como vencedor da competição e batendo o FC Porto por 6-2 na final.

Qualificação
A fase de qualificação ficou marcada pela surpresa chamada Luxemburgo, que esteve a muito pouco de integrar os 4 finalistas. A proeza dos Luxemburgueses destaca-se sobretudo pela eliminação tangencial da Holanda. Quem beneficiou com o sucedido foi a Dinamarca que, após recurso a um jogo de desempate, lá eliminou os Luxemburgueses, qualificando-se para a fase final. Os dinamarqueses chegaram ao Espanha 64 apenas por eliminar Malta, Albania e o Luxemburgo.
Nota para dois embates de gigantes. Primeiro a eliminação da Itália aos pés do Campeão, a URSS. Depois pelo brilharete da virtuosa Hungria que venceu os dois jogos frente a uma França em fase de renovação.
Quanto a Portugal, não se pode deixar de estranhar a modéstia da sua participação num tempo de tantos sucessos ao nível de clubes (compostos por Portugueses). A Selecção caiu “à primeira” perante a Bulgária. Depois do 3-1 de Sofia, Portugal conseguiu virar a eliminatória, chegando ao 3-0 (2 golos de Hernani e um Coluna) no jogo do Restelo. Um golo Bulgaro na etapa final do jogo forçou um jogo de desempate. Nessa partida disputada em Roma, os Bulgaros derrotaram-nos por 1-0, outra vez com um golo tardio.

Fase Final
À fase final chegaram a candidata Espanha, a campeã URSS, a talentosa Hungria e a ocasional Dinamarca. Espanha ganhou ainda mais favoritismo após lhe ter sido concedida a vantagem de receber os 4 jogos finais.
Meias finais:
Espanha 2-1 Hungria (a.p.)
Dinamarca 0-3 URSS
3º/4º
Hungria 3-1 Dinamarca (a.p.)
Final
Espanha 2-1 URSS

Equipas
Hungria
Já não contava com Puskas ou a magia do futebol Magiar que encantou o Mundo nos anos 50, mas a qualidade era ainda uma marca bem notória no futebol da Húngria. A equipa era orientada pelo bem sucedido Lajos Baroti e era formada por jogadores dos 3 principais clubes Hungaros da altura: o Ferencvaros(vencedor da Taça Uefa em 1965 e finalista em 68), o Vasas (semi finalista derrotado pelo Benfica da Taça dos Campeões Europeus em 65) e o MTK (que perdeu com o Sporting na final da Taça das Taças em 64). De resto, a Selecção Hungara haveria de se tornar campeã Olimpica nesse mesmo ano, tendo chegado aos quartos de final nos Mundiais de 62 e 66.

URSS
Campeã em título, a URSS era uma potencia do futebol Europeu desta época, talvez algo marginalizada por questões políticas. A equipa soviética manteve a sua espinha dorsal de 1960, sendo reconhecida pela sua força defensiva. Depois de alguma frustração em 62 com a eliminação aos pés do Chile nos quartos de final do mundial esta Selecção conseguiria o quarto lugar em 66. Nota para o facto de nesta altura não haver clubes soviéticos nas competições europeias.
Espanha
Foi a única Selecção Espanhola a conseguir um grande título. Não era difícil escolher um elenco perante tanta qualidade presente nas equipas Espanholas. Como se tal não bastasse, José Villalonga foi o único Seleccionador a ter o privilegio de convocar emigrantes para o seu elenco. Os médios Luis del Sol (Juventus) e Luiz Suarez (Inter) foram os eleitos.

Estrelas
Florian Albert – Avançado de grande elegância era uma das grandes estrelas da altura. Foi melhor marcador (entre outros) no Chile 62 e foi nomeado jogador Europeu do Ano em 67. Jogou apenas no Ferencvaros, onde conseguiu erguer o unico trofeu Europeu do clube, a Taça Uefa (na altura Taça das Cidades com Feira)

Ferenc Bene – Goleador do Ujpest durante toda a carreira, foi a grande revelação da prova ao apontar 2 golos, apenas com 19 anos. Na altura era já uma figura importante da Selecção e meses mais tarde tornar-se-ia numa das principais referências da conquista Olimpica Húngara no Torneio de Tóquio.

Lev Yashin – Incontornável figura do futebol Mundial da época, era novamente a principal estrela Soviética, mas desta vez não trouxe o troféu.

Albert Shesternyov – Libero do CSKA de Moscovo, é o recordista de internacionalizações pela URSS. Já havia marcado presença no Mundial de 62, apenas com 21 anos, e tornara-se numa peça essencial da Selecção. Era conhecido como “Ivan o Terrível”...

Valery Voronin – Médio ou defesa central de notável capacidade técnica marcou o golo que abriu a vitória frente à Dinamarca, tendo igualmente apontado o último golo do apuramento.
Jesus Pereda – Avançado do Barcelona foi um dos heróis da conquista Espanhola ao marcar 2 golos na fase final.

Amancio – Galego que era nesta altura uma das referências do ataque do poderoso Real Madrid e também da Selecção Espanhola. Amancio marcou o golo que derrotou a Húngria no prolongamento da meia final.

Luis Suarez – Antigo jogador do Barcelona e nesta altura no Inter. Foi o primeiro jogador a juntar os títulos de campeão da Europa ao nível de clubes e Selecções no mesmo ano. Era indiscutivelmente um dos craques daquele tempo.

ler tudo >>

AddThis