9.1.11

A boa vitória do Benfica e os novos treinadores (Breves)

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- Para ser sincero, não projectava grandes dificuldades para o Benfica na visita a Leiria. A verdade, ainda assim, é que a primeira deslocação de 2011 acabou por ser muito boa para o Benfica. Fora de portas, uma das melhores exibições, desde há muito tempo a esta parte. Um domínio continuado, durante 90 minutos, e com ocasiões mais do que suficientes para ter resolvido bem mais cedo o jogo. Apenas algumas (já recorrentes!) perdas de bola, perfeitamente evitáveis, ameaçaram quebrar esta toada. Guardo a análise mais detalhada para depois, mas volto a alertar para influência do trio Gaitan, Saviola e Salvio nos desequilíbrios mais importantes da equipa. Um denominador comum nesta fase de jogos mais bem conseguidos.

- Mais cedo, e mais a Norte, a surpresa da jornada. 3 treinadores estrearam-se nesta jornada, mas Mozer era o único a destoar no que respeita ao perfil. Para já, foi o pulso cerrado a prevalecer sobre os livros. Um jogo não chega para quaisquer conclusões, mas, pelo menos por agora, o meu prognóstico saiu completamente trocado, o que é... uma excelente notícia! Pode estar a aqui uma boa oportunidade para aprender...

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Vitórias de Porto e Sporting (Breves)

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- No Dragão, o regresso previsível às vitórias. Como já tinha alertado, o calendário favorecia a reacção à primeira derrota. O primeiro passo está resolvido e dificilmente não terá seguimento num ciclo de jogos de grau de dificuldade teoricamente baixo. Relativamente ao jogo, parece-me uma vitória certa de uma equipa que não foi brilhante, que teve várias alterações forçadas, mas que também criou mais do que suficiente para justificar um triunfo tranquilo. Nota para a comemoração do último golo. Se dava para perguntar o porquê da preferência por Hulk no meio em vez da simples utilização de Walter, os festejos efusivos deixam claro que há uma aposta especial em James Rodriguez.

- Em Alvalade, Paulo Sérgio continua a não fazer de Valdés uma prioridade para a zona central. No meio do azar de uma lesão, pode dizer-se que o azar de Postiga terá sido a sua maior sorte. Não que o Sporting não pudesse ganhar com Postiga em campo - isso nunca saberemos - mas porque se o jogo se definiu nos 2 rápidos golos conseguidos pelo Sporting, esses golos aconteceram nas alterações que essa substituição forçada implicou. Uma vitória que pareceu poder ser brilhante, mas que acabou por não o ser, acabando por valer sobretudo pela importância que os 3 pontos têm na consolidação de um terceiro lugar que até aqui pareceu tudo menos estar garantido para o Sporting.

- Relativamente ao Braga, era um jogo que, sendo difícil, poderia representar muito em termos de recuperação do campeonato. Para mais, a equipa tinha as melhores condições desde há muito para conseguir esse bom jogo, com a disponibilidade dos jogadores mais importantes e a sequência vitoriosa com que chegara a Alvalade. Uma má fase e os 2 golos sofridos deitaram tudo a perder para a equipa de Domingos. Ao Braga - que não fez um mau jogo em termos globais - não há outro caminho que não seja a continuidade e a procura de uma estabilidade e consistência durante muito tempo perdidas. Mesmo que, no campeonato, a aproximação aos "grandes" seja já uma miragem.

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7.1.11

Vale a pena o "chicote"?

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Há algum tempo que tinha sugerido este exercício, e ele aqui fica concretizado. Como sempre tento fazer, não se trata de uma simples opinião pessoal, mas, antes sim, da procura de elementos que nos possam dar uma base de sustentação bem mais válida às percepções que todos temos. O objectivo, tanto para as análises dentro do campo, como fora, é dar outra fundamentação à opinião para, assim, chegar também um pouco mais perto da verdade. Opiniões, há muitas, opiniões realmente fundamentadas, muito poucas. São estas últimas que me interessam.

Vale a pena o “chicote”?
Começando por ser muito claro, não há resposta absoluta. Obviamente. A conclusão mais interessante deste exercício talvez seja mesmo que é tão errada a doutrina do abuso deste recurso – durante tanto tempo praticada em Portugal – como o dogma que se lhe seguiu, e que hoje, ainda, faz escola: a ideia de que a mudança de treinador a meio da época é um erro por sistema e que não pode ter consequências positivas.

Ou seja, 75% das mudanças de treinador a meio da época, durante 10 épocas na liga portuguesa, produziram uma melhoria de resultados em relação ao passado. Naturalmente que nem sempre melhorar chega, e por isso não menos importante é olhar para os 40% de casos que conseguiram resultados acima das expectativas, depois da troca de treinadores. Esses sim, foram realmente bem sucedidos.
Nota que esta avaliação relativa tem, como é hábito, as expectativas centradas na avaliação das casas de apostas para cada jogo.

O melhor é... avaliar bem!
Cada caso é um caso. Ou seja, a mudança de treinador pode trazer um impacto positivo às equipas. não por uma melhoria metodológica – essa raramente acontece – mas, antes sim, pelo impacto motivacional que pode ter a alteração de liderança. Para uma equipa que lida com a frustração num dado momento, a mudança de liderança e a introdução de uma nova ideia para o sucesso pode também ser uma renovação de energias e esperanças. Uma segunda oportunidade.

Para que tal recurso seja realmente aconselhável é preciso, primeiro, que exista mesmo um problema. Ou seja, que os resultados sejam continuadamente abaixo do esperado, que essa avaliação seja feita de forma realista e não partindo de bases exageradas. É preciso também que se faça uma avaliação dos prós e contras entre o perfil do antecessor e sucessor. Ou seja, se o que se vai ganhar do lado psicológico não vai ser perdido no plano de preparação tecnico-táctica com a alteração em perspectiva.

Outro dado a ter em conta é que o efeito psicológico deste tipo de alterações só tem abrangência para a época em curso e, mesmo que seja bem sucedida nesse espaço de tempo, pouco ou nada está assegurado para as épocas seguintes. Em Agosto começa tudo de zero e o primeiro erro é pensar o contrário.



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6.1.11

O exemplo de Shinji Kagawa

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Este pequeno nipónico leva já 8 golos na Bundesliga deste ano. Mas porque me merece destaque? Bom, é um jogador interessante e também posso falar disso, mas o que torna, nesta altura, Shinji Kagawa num caso praticamente único à escala mundial é a sua valorização em apenas 6 meses. É que se meio mundo começa a colocar os olhos neste asiático de 21 anos, ele chegou para o Dortmund por apenas... 350 mil €. Um caso que dá – e deve dar – que pensar.

Quem é Shinji Kagawa?
Começando por enquadrá-lo tacticamente: o Dortmund – que dominou por completo a primeira metade da principal competição alemã – joga num 4-2-3-1, em tudo semelhante àquele que viramos da Alemanha, no Mundial. Ora, Kagawa está para o Dortmund, um pouco como Ozil estava para essa equipa. Tacticamente, isto é, porque a sua natureza é um pouco diferente. Jogador ligeiro e inteligente na forma como se movimenta no último terço, parece conseguir passar pelos intervalos da chuva e com poucos mais importantes toques, acaba por ser um elemento muito presente nos desequilíbrios que a equipa cria. Defensivamente também é importante porque, ao contrário de muitos jogadores que actuam naquele espaço, percebe bem a relevância da capacidade de trabalho, acabando por ser um fonte de intercepções e recuperações em zonas bastante perigosas.

O exemplo dos 350 mil €.
O caso de Kagawa é claro porque nem sequer houve tempo para evoluções ou afirmações. Kagawa é um jogador promissor e que tem, já, futebol suficiente para jogar na maioria das equipas do futebol mundial. Para mais, é uma lança fundamental no merchandising asiático.

O ponto nisto tudo é que, em tempo de vacas cada vez mais magras, há margem para os mais audazes. Ou seja, para aqueles que mais capacidade de antecipação têm na observação de jogadores.

Ter “olho” também é uma parte do “core business” das equipas profissionais. Se calhar, até a mais importante.

O sofisma
Para terminar, um alerta. É frequente – especialmente no futebol – transformar-se a lógica em sofismas. Má formação ou má compreensão, seja lá pelo que for.

O ponto aqui é que não é por um jogador ser novo e barato que vale a pena. Pelo contrário, se for novo e barato, o mais provável é que não valha. Pode parecer confuso, mas é simples: é preciso ver o que os outros não viram e isso não é nada fácil.



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4.1.11

Sálvio & Gaitan: 2 casos

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Dois casos semelhantes em muitas coisas, mas também distintos noutras. Dois casos que, para o Benfica, devem representar muita esperança para o futuro, porque, tanto ao nível da qualidade como da velocidade de afirmação, os indícios são bastante bons. Dois casos que conheço bem, mesmo antes de Portugal ser, sequer, um destino provável, e que, por isso, tenho especial interesse em acompanhar. Dois casos de que discordo de muitas opiniões, entretanto generalizadas. Aqui fica a minha opinião sobre alguns pontos...

Posição: Extremos, ou não?
Sálvio – Na Argentina jogava, ora como ala direito, ora como avançado, sempre (ou quase) em 4-4-2 clássico. No Benfica, o papel prevê-lhe a missão de ala interior, mas Sálvio será sempre menos interior e mais ala. Na verdade, creio que a sua posição ideal é de falso extremo, jogando por fora, na linha, quando a bola está do seu lado, mas aparecendo como segundo avançado quando a bola está no outro flanco. É que a área é também um “habitat” onde se dá muito bem. Ou seja, Sálvio pode jogar como ala no modelo de Jesus, mas será sempre um ala muito mais próximo dos avançados do que aquilo que está previsto no papel, e isso tem de ser considerado.

Gaitan – Vou-me repetir, mas a coisa mais fantástica nas apreciações feitas a Gaitan é a conclusão sobre a sua “posição ideal”. Nomeadamente, porque 90% das pessoas que afirmam ser um jogador de posições interiores só o viram jogar no Benfica, onde, por sinal, só jogou nas alas. A verdade é que é mesmo um ala, e até quando, na Argentina, jogava como avançado móvel, era sempre nas alas que aparecia. De qualquer modo, Gaitan está bem onde está, especialmente forte na esquerda por causa do seu cruzamento, e sem a necessidade de jogar demasiado perto dos avançados, onde não tem espaço para o seu futebol de transporte de bola e drible largo. Tem que evoluir em alguns pontos, mas está bem onde está.

Defender: problema ou mito?
Sálvio – O jogador argentino tem uma vantagem: a capacidade de trabalho. Não é uma regra de ouro, aplicável a todos, mas é uma característica do futebolista das “Pampas”, que lhe confere uma vantagem em relação a outras escolas. Sálvio não é excepção. A sua capacidade de trabalho é inatacável: é agressivo, disciplinado e culto o suficiente para defender correctamente ao longo do corredor. O número de intercepções que consegue por jogo é bastante elevado para a posição que ocupa e isso confirma precisamente a ideia da sua utilidade nos momentos sem bola.

Gaitan – Não é tão agressivo como Sálvio, nem tem a mesma potência física, mas partilha com o seu compatriota da sua capacidade de trabalho e da disciplina táctica. Aliás, os números de Gaitan são, tal como os de Sálvio, inequívocos: as intercepções que consegue são superiores a jogadores como César Peixoto, Aimar ou Carlos Martins. Bastante superiores. A realidade, ao contrário do que tantas vezes é dito e escrito, é que Gaitan tem uma capacidade de trabalho boa e bem acima de outros casos análogos, tanto no Benfica, como noutros clubes. A ideia que "não defende" ou que "defende mal"? Um mito!

Decisões: o fosso cultural
Sálvio – Não será um caso especialmente problemático, até porque Sálvio não se aventura muito em zonas de construção. Ainda assim, a sua vida foi passada com mais espaços, com mais momentos de transição, com mais liberdade para definir e desequilibrar em ataque rápido. No Benfica – e no futebol europeu – as coisas são diferentes: é preciso mais razão na decisão sobre o que fazer a cada posse e não há apenas que pensar na baliza mas também no que pode acontecer em caso de perda. Como disse, não é um caso problemático, porque Sálvio sabe bem onde gosta de jogar. Aliás, o principal problema de Sálvio é precisamente o facto de se envolver pouco nos momentos de construção, criando poucas soluções à dinâmica na primeira fase de circulação. Algo que normalmente é mais exigido à sua posição, dentro do modelo de Jesus.

Gaitan – Aqui sim, está o problema de Gaitan. Ou seja, apesar de, ao contrário de Sálvio, ser um jogador que gosta de vir à fase de construção dar o seu cunho pessoal, a verdade é que o seu jogo se torna muitas vezes demasiado arriscado para zonas tão baixas. Um drible ou uma combinação mais rápida em certas zonas podem tornar-se, de repente, numa ameaça para a própria equipa e isso, esta época, já aconteceu muitas – demasiadas! – vezes. Perceber o “onde” e o “quando” deve ser a sua principal preocupação em termos de evolução nos próximos tempos.

Potencial: inegável
Sálvio – Há ainda quem pense que há por aí muitos “Sálvios” de 20 anos e desate a criticar jogador e quem o contratou. O desencanto, é que não há. Não há em Portugal, na Argentina ou em praticamente lado nenhum. Ou melhor, haver, há, mas os que há são quase todos incomportáveis para o futebol português – tal como era o próprio Sálvio quando veio para a Europa. Os outros, os que são mais acessíveis, são muito mais raros e estão ainda incógnitos. É possível, mas é preciso muito “olho”. Ou seja, Sálvio é, nesta altura da sua carreira, um jogador de qualidades raras, ficando agora por definir até que ponto poderá evoluir. Uma coisa me parece clara: a experiência no Benfica está a ser muito positiva e com os níveis de confiança que actualmente demonstra, o melhor é que dele se espere continuidade ao que tem feito, com muitos golos à mistura - porque tem apetência para os marcar. Isto, claro, se a aposta se mantiver.

Gaitan – Ao contrário de Sálvio, nunca foi uma estrela de selecção nacional como “teenager”, nem tão pouco foi fácil a sua afirmação no Boca. A sua “gambeta” e qualidade de definição eram óbvias, mas o estatuto nunca foi tanto que fizesse supor os 8 milhões que o Benfica por ele pagou. Ainda assim, creio que acabará por render mais do que suficiente em termos desportivos, correspondendo quase em absoluto às expectativas que dele tinha. Faz-se a comparação com Di Maria e diz-se que com o seu tempo em Portugal Di Maria não rendia tanto. Inquestionável. Porém, há algo em Gaitan que pode limitar-lhe a ascensão a patamares ainda mais elevados: o carácter. Não é um jogador muito confiante e parece encolher-se em alguns momentos. Ou seja, tem uma qualidade óbvia, mas precisa de ser constantemente “empurrado” por quem o dirige.



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Sporting e o derbi minhota, na Taça da Liga (Breves)

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- O Sporting não jogou o exigível, mas foi mais do que suficiente. Parece estranho, mas não tem a ver com o Sporting, antes sim com a Naval. Claro que é fácil colar a fase de maior domínio às entradas de Valdés e Vukcevic, e eu até estou de acordo com alguns equívocos nas opções individuais - particularmente, como já expliquei, na ausência de Valdés - mas não entendo que tenha a ver com esse fenómeno. Ou seja, o Sporting dominou mais porque o tempo o obrigava a isso, e se os jogos - no geral - têm mais golos nos minutos finais não é por causa das substituições. Sobre o futebol do Sporting, não me vou alongar numa análise redundante com tantas outras, mas destaco um aspecto: a recuperação. Fala-se sempre naquilo que as equipas e jogadores fazem com bola. É um erro. O jogo faz-se com e sem bola e o se o Sporting não faz mais com bola é - também, mas não só - porque o que faz sem bola é manifestamente insuficiente.

- No Minho, confirmou-se a ideia de que seria um jogo carregado de intensidade. O melhor desta jornada de Taça da Liga e bem acima do "par" do que acontece na Liga. O Vitória marcou cedo, mas não suficientemente cedo para que antes não se percebesse da atitude bracarense. Por isso me pareceu que o golo de Toscano seria insuficiente para contrariar a tendência que se adivinhava. Houve uma grande diferença, de facto, entre as equipas, com uma das melhores exibições do Braga na época e um aperitivo para o que a seguir virá. Se esta equipa mantiver as principais unidades disponíveis, se tiver, sobretudo, Viana, Vandinho e Mossoró poderá voltar a aproximar-se da consistência idealizada. Antes da definição nesta competição (o Paços também está bem posicionado), vem o teste em Alvalade: um jogo especialmente interessante porque, se não há dúvidas no que respeita ao potencial individual, parece-me muito claro que, colectivamente, o Braga é muito melhor trabalhado do que o Sporting.

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3.1.11

Taça da Liga e as primeiras notas de 2011 (Breves)

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- Bom, não foi preciso esperar muito para haver novidades em 2011. No primeiro jogo da segunda metade da temporada, apareceu a primeira derrota portista. Começo pela principal consequência desta surpresa: abre-se um muito provável lugar para um "outsider" na final. Sabendo-se do apetite por títulos - na realidade, presenças em finais já seria novidade - que têm Braga, Guimarães e Nacional, está bom de ver que esta será uma competição ainda mais prioritária para estes 3 emblemas. Está lançada a pimenta sobre o derbi minhoto de amanhã...

- Sobre o jogo, é verdade que foi uma surpresa, que o Porto dominou muito mais, que o jogo parecia encaminhado para o destino mais provável e que tudo se iniciou num erro, tão imperdoável como imprevisível, do guarda redes azul. Não menos verdadeira é a constatação de que o Porto pouquíssimos vezes esteve realmente perto do golo. O seu domínio foi grande, mas a sua fase criativa não proporcionou as melhores situações de finalização, desta vez até nos lances de bola parada. Porquê? Talvez seja correcto considerar uma inevitável falta de pressão positiva pela pouca importância que os grandes gostam de dar a esta prova. Talvez seja inevitável verificar a diferença que fazem algumas unidades individuais, tanto no plano ofensivo como defensivo. Enfim, não há derrotas boas, mas há umas que são mais fáceis de conseguir esquecer do que outras. Com os 4 jogos seguintes em casa, dificilmente se poderia pedir melhor cenário para a recuperação. É que só há 1 maneira de esquecer as derrotas: ganhando.

- Na Luz, à primeira vista, dir-se-ia que o ano começou como o anterior havia terminado. Com a inspiração de Salvio e a influência decisiva de Gaitan e Saviola. A verdade não é bem essa, como o próprio Jesus facilmente reconheceu. O Benfica não fez um grande jogo, acabando por contar com uma boa dose de inspiração e eficácia que lhe permitiram resolver a questão sem ter de fazer muito por isso. A diferença mínima seria, aliás, um desfecho bem mais adequado ao que se passou. Enfim, de resto, não houve grandes notícias para Jesus neste jogo. Muito pelo contrário. Talvez a única seja a sequência que Salvio voltou a dar à sua afirmação. Sobre isso - e termino aqui - tenho um comentário: serão seguramente muito menos os que, agora, reconhecerão um juízo precipitado sobre este jogador, do que aqueles que, sem fundamento, não perderam tempo em questionar o seu valor. Tomem nota.

- Termino pelo inicio: Bom ano para todos!

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29.12.10

As 2 faces de Jaime Valdés

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Não é muito difícil perceber a sua qualidade técnica. No entanto, apreciar-se a estética do seu futebol é uma coisa, outra, bem mais relevante, é atestar-se da utilidade do mesmo. Nesse particular, confesso, não fui um grande entusiasta de Jaime Valdés. Não só nos primeiros jogos de leão ao peito, mas nos outros, que observei enquanto jogador da Atalanta. O perfume do seu futebol estava lá, mas sempre demasiado isolado do jogo e da própria equipa para que pudesse, realmente, influenciar o destino dos acontecimentos. E assim foi, sempre, até à lesão de Matias Fernandez. O "remendo" Valdés, escolhido para tapar o buraco da posição 10, acabou por se revelar na grande aquisição que o outro Valdés, aquele que jogava amarrado à ala, nunca mostrara ser. É bem possível que a lesão de Matías Fernandez tenha sido a melhor notícia da sua carreira.

Porquê da diferença?Como explicar a diferença de rendimento? Bom, terá a ver com o enquadramento colectivo, mas sobretudo com as características do próprio jogador. Quando chegou, classifiquei Valdés de "driblador nato", pela sua facilidade de sair da marcação em drible curto. O problema de Valdés é que este recurso não é um fim em si mesmo. Ou seja, dá-lhe tempo e espaço para criar uma situação de passe ou de cruzamento, mas essa vantagem de pouco lhe servia na ala. Porquê? Porque, primeiro, Valdés não tem uma grande capacidade de cruzamento ou de remate e, depois, porque a própria equipa cria poucos apoios no corredor para poder retirar proveitos colectivos desta característica individual.

Ao aparecer no meio, Valdés passou a poder aplicar a sua capacidade técnica em zonas muito mais próximas da baliza, tornando cada drible curto num acontecimento muito mais gravoso para a defensiva contrária. Mas não é só. Para se jogar em posições centrais, não basta habilidade: é preciso cultura de movimentos. E é aqui que surge a aptidão escondida de Valdés. O seu critério de movimentação tem sido muito bom, oscilando a sua presença no centro, na ala ou em profundidade. Valdés não é um 10 de construção - como Matías, por exemplo - mas tem-se revelado um jogador muito mais determinante no último terço.

Mais uma solução de qualidade

O rendimento de Valdés nesta posição tem sido de tal forma elevado que é até irrealista esperar a manutenção dos mesmos níveis de desempenho. Ainda assim, diria que dificilmente Valdés deixará de ser - com alguma distância - a melhor solução para o lugar e, igualmente, uma mais valia para a equipa. Valdés aparece nesta fase como mais uma solução individual de elevado rendimento, numa equipa de quem, muito se diz e escreve, não ter qualidade individual para lutar pelo título. Esta é uma ideia que não partilho, em absoluto. Não digo que o Sporting tenha melhores recursos individuais do que Benfica e Porto, mas tem-nos suficientes para exigir bem mais do seu rendimento colectivo. Tem, por exemplo, um plantel muito melhor do que anos anteriores. É só uma opinião...



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