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2.2.09

Trofense - Sporting: Se o futebol é um jogo de espaço...

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Dominar não chega - Foi um jogo literalmente monótono.Literalmente porque a monotonia não tem a ver com aborrecimento, antes sim com a repetição das incidências de jogo. Ou seja, um Sporting em permanente iniciativa ofensiva, impondo um domínio avassalador no jogo, mas não conseguindo dar a melhor expressão a esse seu feito nos derradeiros metros de campo. Do outro lado, o Trofense seguramente não quereria passar por uma postura tão encolhida mas, certamente também, estaria preparado para passar por tal situação. No fim, levou a melhor a estratégia dos da Trofa que teve na pequenez do campo um aliado muito importante para manter o nulo.

Trofense – Terceiro jogo a roubar pontos aos grandes e sem sofrer golos. Não sei se tem a ver com Tulipa, mas o Trofense cresceu claramente em confiança depois de um inicio de temporada infeliz e recolocou-se na sua real posição no campeonato. Ou seja, uma equipa modesta mas seguramente com valor para se bater pela manutenção. A estratégia de 2 linhas de 4 muito baixas permitiu-lhe ocupar muito bem os poucos espaços do campo, sobretudo á largura do campo (coisa que o 4-4-2 clássico facilita). De resto, foi saber sofrer e fazer do tempo um aliado. Para o Trofense o problema estará mais em saber jogar contra equipas do mesmo nível e manter a consistência quando se tem que alongar no campo. Para já isso não tem sido muito conseguido e, se não evoluir, até pode acontecer que estes pontos, tão improváveis, de nada sirvam para as contas finais.

Sporting – É verdade que o Sporting teve um domínio suficiente para justificar pelo menos 1 golo e é verdade também que a equipa teve mérito na forma como encostou o Trofense, sobretudo na segunda parte. Pode dizer-se ainda que os leões não tiveram a felicidade do seu lado em 3 momentos fundamentais. Na bola na trave de Liedson, na intervenção desnecessária de Izmailov e na lesão do 31. A realidade, porém, é que há evidentes culpas próprias neste empate. Culpas próprias, não por alguma lacuna táctica como tanto a critica gosta de improvisar quando o resultado não é o desejado (um futebol que produz este volume ofensivo não se pode queixar de falhas tácticas ou organizacionais para justificar um insucesso) , mas por algumas lacunas estratégicas e individuais.
Primeiro, a gestão do tempo. Era fundamental entrar melhor no jogo. O Sporting pareceu bem mais determinado na segunda parte, mas um jogo destas características tem um problema muito grande para quem, como o Sporting, busca tanto um golo. O tempo torna-se o seu maior adversário e isso sente-se na perda de lucidez e ansiedade que os jogadores demonstram com o passar dos minutos na segunda parte. Por isso (e também pelo estado do relvado), estrategicamente, a primeira parte exigia outra importância. Depois a questão das bolas paradas. 20 cantos e vários livres exigiriam outra capacidade. Polga é fundamental, Carriço tem estado soberbo, mas quantos golos fazem?! Não seria, para este jogo, Tonel bem mais útil? Finalmente, o plano individual. Se o Sporting conseguiu tanto volume ofensivo e não materializou em número coincidente de oportunidades foi porque não houve capacidade individual para o fazer. Liedson e Vukcevic foram as excepções numa equipa em que todos os outros pareceram incapazes de ter um rasgo que, naqueles metros finais, fizessse a diferença. Esse é, também, um dos condicionalismos que vitimiza o Sporting e o próprio Paulo Bento.
Deste empate sobra a confirmação de mais uma viragem de campeonato negativa para Paulo Bento. Se o passado também se repetir daqui para a frente, Março trará o melhor Sporting da temporada. O problema, claro, é que o campeonato se pode decidir antes desse momento...


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13.1.09

Lucho, Vukcevic e Rochemback

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Lucho, o regresso do ilusionismo de espaços
Não tem sido uma época ao melhor nível, refém da sua própria desispiração mas sobretudo da alteração dos espaços que lhe são destinados pela táctica portista. Já várias vezes o abordei aqui e o próprio Jesualdo o reconheceu recentemente. O treinador, aliás, parece agora consciente da importância de reabilitar o melhor Lucho, tem-lhe devolvido a liberdade e ele tem reaparecido progressivamente.

Neste lance surge um lance tipico de Lucho, Lisandro e do Porto 07/08. Como se fosse um ilusionista, Lucho utiliza um foco de distração, a bola. Quando todos estão a olhar para ela, ele faz o seu truque, tão simples como brilhante. Três passos em frente, uma linha de passe, leitura perfeita da situação, um toque e Lisandro (que também lê muito bem a jogada) na cara do guarda redes.

Do ponto de vista do Trofense, há obviamente uma abordagem errada ao lance. A distância entre o lateral esquerdo e o central é muito grande, permitindo uma abertura onde Lucho podia ter entrado. Por se aperceber dessa hipótese é que o lateral não sobe com o resto da defesa, controlando o espaço onde Lucho poderia entrar, mas colocando também Lisandro em jogo. O destaque, esse, vai todo para Tiago Pinto. Médio esquerdo mas nunca perde a concentração defensiva no lance, acreditando sempre na sua utilidade, mesmo com a jogada aparentemente fora do seu raio de acção. Um pequeno milagre!

Vukcevic, como se faz um extremo goleador
Todo o enfoque da jogada foi obviamente para o trabalho de Liedson, que cria um golo fácil, demasiado fácil, para Vukcevic. Eu marcaria aquele golo e, seguramente, qualquer um o faria também. Tecnicamente, isto é, porque algo me diz que poucos seriam os extremos do nosso futebol que o fariam. Não porque não fossem capazes de encostar a bola, mas porque, simplesmente, nunca lá apareceriam.

É a característica do extremo “à antiga”, tão apreciado no futebol português, mas, arrisco eu, cada vez mais isso mesmo, uma “antiguidade” sem grande utilidade num jogo que hoje é bem mais exigente. O seu papel é driblar, cruzar, assistir e o seu habitat são os terrenos laterais, preferencialmente exteriores à própria área. Os seus golos são, por isso, normalmente belos mas sobretudo raros.

Vukcevic, como Rodriguez por exemplo, tem outro instinto que o faz acreditar que poderá ser útil na zona de finalização e, por isso, faz mais golos do que é habitual num jogador que joga por fora. Quando parte, desde a linha lateral, em direcção à área, Vukcevic não sabe o que Liedson vai fazer, nem para onde vai a bola. É um pouco o mesmo principio que levou Tiago Pinto a salvar o golo na jogada anterior. Concentração e a noção de que se pode ter utilidade na jogada, mesmo quando tal parece improvável.

Rochemback, é cultura táctica não velocidade
Um exemplo está nesta transição ofensiva protagonizada em velocidade pelo Marítimo e que chega a ter boas condições de sucesso, sendo no entanto anulada pela cultura posicional de Rochemback. Primeiro, dobra Grimi, tapando o corredor esquerdo. A jogada ganha nova dificuldade quando Polga é ultrapassado por Marcinho no corredor central, criando-se um 3 para 3 momentâneo. Rochemback percebe rapidamente a importância de fechar a zona central, deixada livre por Polga e, com isso, força a jogada a rumar para o flanco contrário onde Djalma poderia arriscar um 1 x 1. Rochemback prossegue a sua acção e cria vantagem numérica sobre o angolano, sendo ele próprio a neutralizar uma jogada que tinha tudo para ser muito mais perigosa.

Já o disse, 6 não é a posição em que mais gosto de ver Rochemback, sobretudo porque lhe retira grande parte do potencial que tem para cruzamentos e remates. No entanto, e ainda que tenha momentos de alguma displicência em certos jogos, é um jogador que vai muito para além da capacidade técnica que inegavelmente possui. Depois de tudo o que já se ouviu, chegamos agora ao absurdo (perdoem-me a rudeza, mas é o que é) de ouvir que o Sporting tem uma lacuna na posição (6) em que, provavelmente, está melhor servido. Tudo isto, alegadamente, por causa da velocidade. Aliás, o que é difícil é encontrar um bom pivot defensivo que seja rápido...


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12.1.09

Porto - Trofense: a arte de falhar

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É futebol – O resultadismo tem destas coisas. O nulo do dragão faz com que, 1 semana depois, se procurem defeitos que expliquem o sucedido. É evidente que não se tratou de uma exibição perfeita e é evidente, também, que o próprio Porto não é uma equipa isenta de defeitos. O que se passou no Dragão, no entanto, foi algo profundamente improvável, com muito pouco a ver com defeitos da equipa. A verdade é que o Porto criou, desde o inicio do jogo, ocasiões mais do que suficientes para vencer o jogo e só por ineficácia e manifesta infelicidade tal não aconteceu.
Sobre o Trofense referir o espírito de combatividade e sobrevivência de uma equipa que começou e acabou com o credo na boca. O 4-4-2 de bloco baixo e linhas juntas que Tulipa apresentou, permitiu um bom preenchimento defensivo dos espaços, particularmente em largura, mas não terá sido esse o seu principal problema. A incapacidade da equipa no momento da transição ofensiva, tentando sempre atacar a profundidade e nunca ficando com a bola, condicionou um jogo a um exercício de sentido único e onde os minutos se tornaram muito longos para uma equipa que, ainda assim, resistiu. Nota para Tiago Pinto que, mesmo fora da posição, voltou a dar boas indicações. Não me parece poder tornar-se num fora de série, mas se a sua evolução for positiva, poderá muito bem vir a ser uma solução para a Selecção.


Tacticamente – A condução táctica do jogo por parte de Jesualdo foi muito semelhante aquilo que se assistira na Madeira. Na primeira parte, Lisandro no centro e Hulk à direita com liberdade para Lucho. Na segunda, Hulk mais próximo de Lisandro, com maior liberdade ofensiva dada aos laterais, assim como a Lucho, prendendo mais Meireles para as compensações. Já vimos mais Lucho, mas depois surgiu aquela que foi, provavelmente, o grande problema colectivo da equipa: pouca mobilidade. Com Rodriguez encostado à linha e Hulk a partir da direita (posição que julgo ser a mais correcta), pedia-se que o tridente ofensivo fosse mais dinâmico, sobretudo frente a uma equipa tão compacta. Hulk e Rodriguez não têm grande inteligência de movimentação sem bola e Lisandro apresentou-se anormalmente apático. O Porto perdeu com isso.

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5.1.09

Trofense - Benfica: "La Pesadilla" do Golias

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Pesadelo – Aquilo que Quique chamou de pesadelo até podia ter sido diferente caso o Benfica tivesse aproveitado as, poucas mas boas, oportunidades que teve. É verdade. No entanto, aquilo que se viu foi de facto fraco. O Trofense percebeu bem a importância de perturbar a construção do Benfica e isso conduziu a um jogo com muitas dificuldades de ligação entre sectores dos encarnados. O tempo e a ineficácia em 2 boas oportunidades acabaram por dar depois ao Trofense a confiança para ir crescendo no jogo, equilibrando-o primeiro, e aproveitando, depois, algumas dificuldades defensivas que se reconhecem ao Benfica. O golo, esse, chegaria através de um duplo erro individual que proporcionou à equipa da Trofa aproveitar o adiantamento do adversário na sequência de um lance de bola parada. Primeiro, uma displicência tremenda de Di Maria (será mesmo verdade o que se vai por aí escrevendo?!) e, depois, uma abordagem menos conseguida por Moreira (lembro-me bem o que disse do afastamento de Quim). A segunda parte trouxe uma alteração táctica para o losango que, no caso do Benfica, dada a operacionalização quase inexistente, me parece mais um acto de fé do que qualquer outra coisa. A expulsão complicou o que já era difícil e, mesmo reagindo bem a essa inferioridade numérica, o Benfica não foi capaz de evitar a factura dos riscos em que incorreu.

Modelo tipo “Uniforme” – Quando se projecta um jogo deste Benfica sem Reyes e Katsouranis só se pode pensar que tudo é possível. Não que o Benfica não tenha mais soluções de qualidade, mas porque estes jogadores vêm sendo 2 individualidades que conseguem corrigir ou atenuar problemas colectivos de um modelo que não evolui desde o inicio da época. É um modelo que pode ser encontrado em vários (se calhar a maioria) dos treinadores espanhóis e se calhar é essa característica generalista que faz com que não se façam ajustamentos tácticos às necessidades especificas do Benfica. Não tem a ver com esta derrota, e até há exemplos de sucesso, mas confesso que a ideia de um modelo de jogo tipo “uniforme” é coisa que não me agrada e na qual não acredito.

Desafio mental – Com a derrota na Grécia o Benfica iniciou um ciclo negativo em que conta apenas uma vitória (o 0-6 do Funchal) em 7 jogos. Foram 7 partidas onde se perderam a Taça Uefa, a Taça de Portugal e, agora, a liderança do campeonato. Não é liquido que esta seja uma consequência da reacção psicológica à goleada frente ao Olimpiacos, mas este pode ser um pronúncio preocupante para o que se avizinha. Pela frente o Benfica tem um mês de Janeiro em que terá de reagir bem mentalmente aos resultados negativos sob pena de entrar no Dragão, a 8 de Fevereiro, com uma pressão altamente indesejável.


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25.8.08

Sporting - Trofense: Aversão à tranquilidade

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- O Trofense traz um elenco de respeito que merece alguma atenção e, há que dizê-lo, exigência. Na estreia em Alvalade previa-se um jogo muito complicado mas era escusado errar tanto em tão pouco tempo... 3-0 à meio hora não é, em nenhuma circunstância, um resultado aceitável.

-Nota para o lance do primeiro golo. A discussão das bolas paradas da Selecção parece ter trazido efeitos para o campeonato. Mais equipas aparecem a defender zona (como se isso fosse adiantar o que seja) e o resultado desta viragem “forçada” de moda são golos como o de Tonel. Uma zona mal definida e perda de referências individuais muito relevantes naquela situação dá no que deu...

- No Sporting o “problema” de integração de Rochemback parece, definitivamente, estar a ser bem resolvido. O meio campo aparece muito dinâmico com Rochemback e Moutinho a permutarem numa presença mais posicional em cada jogada e com Izmailov a voltar a revelar-se como um óptimo complemento deste duo para as acções defensivas. É uma dinâmica diferente em que, diria, o 6 não faz sempre de 6, e que, embora a oposição não fosse a mais exigente, oferece maior mobilidade e imprevisibilidade à fase ofensiva.

- Ao ponto anterior falta, no entanto, juntar um elemento para que a conclusão seja verdadeiramente positiva: Miguel Veloso. Se for Romagnoli a sair, falta saber se o Sporting vai conseguir substituir o efeito das movimentações do argentino na sua segunda fase ofensiva. O lance do terceiro golo é um exemplo da espontaneidade e qualidade com que Romagnoli aparece a desequilibrar sobre as alas.

- O jogo só não foi um passeio para o Sporting por causa do polémico lance do penalti. A jogada aparece na sequência de uma outra muito bem conseguida pelo Sporting na área contrária. O resultado foi uma transição que deveria ter sido resolvida pelo Sporting já que tinha superioridade numérica. O mérito vai para o excelente passe de Ricardo Nascimento (é bom ver jogadores assim no campeonato) e o demérito, claro, para Polga. O central brasileiro não conseguiu controlar o espaço nem o fora de jogo, expondo assim a sua dificuldade em recuperar defensivamente. Esses são, no entanto, erros menores quando comparados com a displicência de quem arrisca um corte sem grandes hipóteses de sucesso num jogo com 3-0 no placar...

- Finalmente, depois do 3-1, viu-se um pouco do que pode ser o Trofense. Mais pressionante, com boa capacidade de posse de bola e com atitude. Não se pode dizer que tenham feito o Sporting perder o controlo do jogo, mas o golo até poderia ter surgido e, se assim acontece, o final teria sido bem mais nervoso em Alvalade.

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