Sobre o jogo, e acho justo começar por dizê-lo, não tenho nada a apontar aos jogadores. Individualmente deram tudo, estiveram concentrados e determinados. Infelizmente, um jogo que foi dividido em termos de oportunidades durante 1 hora acabou por se desfazer em 2 minutos de desequilíbrio emocional. Não teve a ver com as substituições, que nada alteraram em termos tácticos, mas sim com ocasião de Llorente na marca dos 60’. Foi esse momento que despertou os espanhóis para o ascendente que lhes valeu a vantagem.
O problema, claro, veio a seguir. Quando Portugal deixou de poder esperar, de poder controlar o espaço e a ter de dominar a bola. Aí, tudo foi diferente. “Tiki-taka”, posse, passes... chame-se o que se quiser. Meia hora de total impotência, e a prova de que a Portugal nada mais restava do que abordar o jogo como abordou e esperar poder ter a sorte de marcar primeiro. Infelizmente não foi assim.
Qualidade
Mas vamos então à qualidade de que falei inicialmente.
- Diz-se que Portugal defendeu bem, o “score” confirma-o, é verdade, mas esconde também o outro lado da questão. Mais do que bem, Portugal defendeu muito. Esteve sempre equilibrado, arriscou o minímo em posse e contou com bons jogadores, do melhor que há na prova em termos defensivos. Colectivamente e tacticamente, porém, tenho mais criticas do que elogios. A Portugal exigia-se que fosse capaz de defender alto, de subir linhas e de pressionar o adversário desde o primeiro passe. Viram o que aconteceu quando a Espanha resolveu trocar a bola?
- Passamos ao momento ofensivo e, para tal, talvez o melhor seja olhar para a Alemanha. Não tem nenhum desequilibrador marcante em termos individuais e, apesar disso, é das equipas que melhor ataca neste mundial. Porquê? Porque a Alemanha, ao contrário da maioria das equipas, tem um verdadeiro modelo de jogo. Trabalhado de forma colectiva e com rotinas conhecidas e interpretadas por todos. A Portugal há muito que isto é pedido, mas infelizmente dá ideia que o modelo português se resume a um sistema. Por isso, depende quase a 100% da inspiração das suas individualidades.
- Outro aspecto que não foi corrigido, foi a situação de Ronaldo. Continuamos a criticar o jogador, quando o erro está na equipa e na forma incompetente como tira partido de um dos mais decisivos jogadores do futebol mundial. Percebe-se a ansiedade de Ronaldo em ser decisivo. Mal ganha a bola tenta acelerar, driblar ou rematar. Esteja a 15 ou 50 metros da baliza. Isto não acontecia no Manchester, nem acontece em Madrid. Acontece em Portugal, e acontece porque, em vez de se reproduzirem as condições e exigências em atinge o sucesso, época após época, insiste-se em pedir-lhe que seja uma espécie de santo milagreiro do futebol nacional, coisa que obviamente não pode ser.
- Por fim, falar de um pormenor que me parece sintomático. Ontem falei da numeração holandesa e do planeamento de um modelo e de uma forma de jogar. Queiroz chegou a falar da importância das 3 semanas e eu, embora não convencido, achei que valia a pena acreditar (na verdade, não havia alternativa!). O que sucede é que Portugal adoptou, em 2 dos 4 jogos que realizou, uma estratégia completamente diferente daquela que havia sido testada em todos as ocasiões anteriores. Uma estratégia que notoriamente precisava de isolar Ronaldo na frente e ter profundidade nos flancos, ao estilo do que aconteceu várias vezes no Manchester. Ora, Queiroz não só levou poucos extremos, como se deu ainda ao luxo de substituir Nani com Amorim. Frente à Espanha, Portugal não tinha ninguém indisponível, mas também não tinha gente suficiente para desempenhar de forma ideal as funções previstas na estratégia adoptada. O que me diz tudo isto? Que Portugal não planeou nada disto e que apenas o decidiu porque, como todos percebemos, não foi capaz de ter qualidade para mais.
O problema, claro, veio a seguir. Quando Portugal deixou de poder esperar, de poder controlar o espaço e a ter de dominar a bola. Aí, tudo foi diferente. “Tiki-taka”, posse, passes... chame-se o que se quiser. Meia hora de total impotência, e a prova de que a Portugal nada mais restava do que abordar o jogo como abordou e esperar poder ter a sorte de marcar primeiro. Infelizmente não foi assim.
Qualidade
Mas vamos então à qualidade de que falei inicialmente.
- Diz-se que Portugal defendeu bem, o “score” confirma-o, é verdade, mas esconde também o outro lado da questão. Mais do que bem, Portugal defendeu muito. Esteve sempre equilibrado, arriscou o minímo em posse e contou com bons jogadores, do melhor que há na prova em termos defensivos. Colectivamente e tacticamente, porém, tenho mais criticas do que elogios. A Portugal exigia-se que fosse capaz de defender alto, de subir linhas e de pressionar o adversário desde o primeiro passe. Viram o que aconteceu quando a Espanha resolveu trocar a bola?
- Passamos ao momento ofensivo e, para tal, talvez o melhor seja olhar para a Alemanha. Não tem nenhum desequilibrador marcante em termos individuais e, apesar disso, é das equipas que melhor ataca neste mundial. Porquê? Porque a Alemanha, ao contrário da maioria das equipas, tem um verdadeiro modelo de jogo. Trabalhado de forma colectiva e com rotinas conhecidas e interpretadas por todos. A Portugal há muito que isto é pedido, mas infelizmente dá ideia que o modelo português se resume a um sistema. Por isso, depende quase a 100% da inspiração das suas individualidades.
- Outro aspecto que não foi corrigido, foi a situação de Ronaldo. Continuamos a criticar o jogador, quando o erro está na equipa e na forma incompetente como tira partido de um dos mais decisivos jogadores do futebol mundial. Percebe-se a ansiedade de Ronaldo em ser decisivo. Mal ganha a bola tenta acelerar, driblar ou rematar. Esteja a 15 ou 50 metros da baliza. Isto não acontecia no Manchester, nem acontece em Madrid. Acontece em Portugal, e acontece porque, em vez de se reproduzirem as condições e exigências em atinge o sucesso, época após época, insiste-se em pedir-lhe que seja uma espécie de santo milagreiro do futebol nacional, coisa que obviamente não pode ser.
- Por fim, falar de um pormenor que me parece sintomático. Ontem falei da numeração holandesa e do planeamento de um modelo e de uma forma de jogar. Queiroz chegou a falar da importância das 3 semanas e eu, embora não convencido, achei que valia a pena acreditar (na verdade, não havia alternativa!). O que sucede é que Portugal adoptou, em 2 dos 4 jogos que realizou, uma estratégia completamente diferente daquela que havia sido testada em todos as ocasiões anteriores. Uma estratégia que notoriamente precisava de isolar Ronaldo na frente e ter profundidade nos flancos, ao estilo do que aconteceu várias vezes no Manchester. Ora, Queiroz não só levou poucos extremos, como se deu ainda ao luxo de substituir Nani com Amorim. Frente à Espanha, Portugal não tinha ninguém indisponível, mas também não tinha gente suficiente para desempenhar de forma ideal as funções previstas na estratégia adoptada. O que me diz tudo isto? Que Portugal não planeou nada disto e que apenas o decidiu porque, como todos percebemos, não foi capaz de ter qualidade para mais.


20 comentários:
boas
concordo com alguns dos apectos que referes e acrescento a seguinte pergunta:
Queiróz é um dos 'teóricos' do nosso futebol e rodeia-se de pessoas muito crediveis a nivel do treino, como por exemplo o zé guilherme. Em alguma bibliografia disponivel, vemos que há ideias, que essas pessoas falam em modelo de jogo adoptado, em periodização táctica, etc. no fundo o que quero perguntar é se consegues vislumbrar alguma dessa teoria?? consegues ver trabalho de base do nosso modelo? consegues identificar o nosso modelo? como defendemos, como atacamos, como fazemos as transições??
Antes de mais, boa analise...
Quanto ao jogo de ontem e as decisões que não consigo entender do Queiroz. Especulam-se problemas entre jogadores e treinador, etc...
A realidade é que Queiroz passou a qualificação a inventar e sem criar um modelo de jogo. A inventar posições como são os casos de R.Costa e Pepe, quando os jogadores não tem rotinas e passam o ano a jogar em posições completamente diferentes. Depois a falta de consistencia existente de jogo a jogo é incrivel...
Sinceramente, quiz acreditar e tinha la no fundo uma esperança em que iriamos passar. Infelizmente... a realidade é dura.
Será que o Queiroz está demasiado avançado no tempo, e somos todos nos (treinadores de bancada) e jogadores que não percebemos o que ele quer...
Cheers
F
Ricardo,
Em 2008 escrevi aqui alguns posts sobre a necessidade de termos um seleccionador capaz de reformar o modelo de jogo. Capaz fazer de fazer a viragem em termos de jogo, e de se adaptar melhor às características das principais referências. Não me lembro se o cheguei a escrever, mas a presença do Zé Guilherme foi o que mais me motivou na vinda de Queiroz.
A verdade é que, como digo no texto, e venho dizendo há muito, Portugal tem ideias base de jogo, como o sistema e algumas prioridades estratégicas ao nível dos princípios, mas nunca apresentou um modelo com rotinas trabalhadas e aperfeiçoadas. Por exemplo, nos últimos 2 jogos, vimos que a prioridade em posse era não arriscar perdas e dar oportunidade a transições, que a equipa se dispunha num 4-1-4-1 baixo e denso e que tentava utilizar essa zona para no momento da recuperação sair em transição e aproveitar o espaço.
Filosoficamente, tudo bem (embora, como referi, preferiria outro modelo). O problema foi a qualidade da interpretação. A linha defensiva esteve sempre muito afundada e o pressing nunca foi capaz de avançar do meio campo. Em posse, facilmente fomos pressionados e obrigados a jogar mal e no momento da transição cometemos repetidamente o erro de tentar forçar a verticalidade, cometendo várias perdas. Tudo isto indicia pouco trabalho de aperfeiçoamento qualitativo do que se quer fazer.
Compreendo as dificuldades do trabalho ao nível das selecções, pelo pouco tempo que existe para treinar. Por isso é que mantive alguma esperança no produto das tais 3 semanas de treino antes do mundial (neste momento já vai em mais de 1 mês de trabalho continuado). Se Queiroz representava uma esperança em termos de melhoria e aperfeiçoamento do modelo através do treino, sou forçado a concluir que em 2 anos foi uma rotunda desilusão.
Abraço
Filipe,
Concordo em absoluto contigo.
A meu ver o problema está na mudança a meio da viagem!! Queiróz mudou de ideias, é o que me parece.
Trabalhar a equipa de uma forma e depois a lesão do Nani, o jogo fraco com a costa do marfim e Deco em má forma fez com que mudasse completamente de estratégia, o que para um treinador é muito mau. Sem tempo para criar rotinas acaba até por perder o grupo e as palavras de ronaldo e deco não me parecem inocentes. relembro que ronaldo disse o mesmo depois de perder a champions para o barça, quando o seu treinador resolveu inventar na final.
mas nem tudo é mau em Queiróz, pois as selecções jovens estão a começar a carburar, certo que não ganharam nada, mas há uns bons anos que não estavamos em fases finais e com bons valores que nos poderão garantir o futuro se os clubes portugueses não insistirem em comprar brasileiros ás duzias como o fez agora o Gil Vicente.
Posto isto manteria o quiróz como responsavel técnico do futebol de formação portugues, lugar que me parece ajustado e onde ele poderá organizar e coordenar todas as equipas de base e trabalhar juntamente com o seleccionador nacional.
Apostava em Jesus...a meias com o benfica.
Sobre o seu trabalho ao nível das bases, não tenho muito a comentar. Isto, para além de algumas escolhas que me parecem desprovidas de estratégia ao nível do treino e do modelo de jogo.
O que eu acho é que um treinador da equipa principal não pode ser também o coordenador de um projecto de base. Um treinador tem de ter resultados a curto prazo e projecto a longo prazo. São coisas diferentes.
Concordaria com a tua solução e gostaria muito que se realizasse, mas todos sabemos que, por vários motivos, é uma ideia completamente inviável...
Caro Filipe,
Tendo em conta o modelo, a filosofia, o conhecimento que Queiroz tem, tens alguma explicação para a utilização de 4 centrais?
Especificamente, para a utilização do Ricardo Costa?
No momento da convocatória, eu referi aqui que Ricardo Costa não vinha como central, vinha como lateral e que por isso, não havia dúvida que seria Zé Castro a sair. Mais, sempre tive a convicção de que Ricardo Costa seria uma opção para jogar e não apenas para ser alternativa. A única surpresa, portanto, é no que respeita à sua utilização à direita, mas aí as primeiras exibições de Coentrão (o melhor lateral esquerdo do mundial, ironia das ironias), terão feito o seleccionador mudar de planos.
É comum utilizar um lateral mais defensivo e outro mais ofensivo. Em certos casos, como no Barcelona ou Inter, em que a equipa oferece o corredor ao lateral e se organiza para compensar esse adiantamento, pode fazer sentido. No caso de Portugal, não faz sentido nenhum. A meu ver, claro.
A qualidade dos laterais em Portugal, ao contrário do que se diz, é muito boa. Quase todas as competições aparece uma revelação. Miguel, Bosingwa e agora Coentrão. Pena que se continue a não potenciar essa qualidade e que se continue a utilizar centrais ou a convocar jogadores modestos como Paulo Ferreira. Miguel e João Pereira (teria feito figura, à imagem de Coentrão, neste Mundial) seriam 2 excelentes opções para a selecção.
Eu li e compreendi a tua explicação, mas continuo sem perceber a utilização do Ricardo Costa (e não o culpo por ser mau defesa direito).
Com Paulo Ferreira, medíocre ou não, é defesa direito, experiente, no jogo contra a costa do marfim não errou defensivamente.
Com Miguel no banco, compreendo que seja um jogador mais ofensivo e talvez não fosse o ideal para o modelo que implementou, mas o Miguel esteve a um bom nível contra a Coreia (eram fracos e ele atacava, é certo), mas é um jogador da posição, possante, defende razoavelmente bem e sobretudo, para mim o mais importante, um jogador que conhece o Villa, joga com ele, treina com ele, a opção pelo Ricardo Costa para mim é algo que não compreendo.
Aos 6 minutos de jogo, aqueles que percebem e os que não percebem (os quais me incluo) de futebol perceberam que era por ali que a Espanha ia tentar. Por acaso, foi por ali o golo. Por acaso a única ocasião do Brasil também foi por ali. Tantos acasos e não se tornava evidente?
reduzir o problema de portugal á utilização de centrais parece-me muito redutor, demasiado até.
o problema começa no trabalho e na forma como se pensa o futebol.
queiróz tem boas ideias como estratega, mas o seu futebol nao se adapta ao estilo português, por isso apenas teve sucesso em inglaterra.
os seus metodos de treino e a sua ideia base apenas se enquadram no estilo inglês.
dizer que o jogo com o brasil foi bem conseguido porque jogamos como mais gostamos e como somos mais fortes é a prova do que digo.
tudo bem que temos jogadores para jogar em transições rápidas para o ataque, mas isso porque foram escolhidos a pensar nisso.
uma selecção que quisesse jogar em posse nunca poderia levar apenas os jogadores que levou.
peço desculpa por meter no meio da vossa conversa. eu sou um leigo na materia mas ha uma coisa q voces ainda nao falaram, foi a substituiçao do hugo almeida pelo danny.. nao percebi a logica de jogar mos c quatro centrais e nenhum ponta d lança e na minha humilde ele é um pessimo treinador e a culpa da derrota foi da tactica dele...
Na verdade, a única coisa que se pode criticar nessa opção é o facto do Hugo Almeida ter estado em bom plano nos minutos anteriores. Porque, realmente, a entrada de Danny nada mudou em termos tácticos (Ronaldo passou para o centro, no lugar de Almeida, e Danny para a ala, no lugar de Ronaldo).
Aliás, Hugo Almeida foi uma aposta estrategicamente falhada no jogo. A sua utilização foi pensada sobretudo para tirar partido da sua estatura e poder servir de referência para um jogo mais directo. Ora, Hugo Almeida, raramente levou a melhor no ar e as iniciativas da equipa para esse tipo de jogo foram invariavelmente fracassadas (mais um sinal de uma pobre preparação para o que se ia fazer). A utilização de Ronaldo nessa posição tinha tudo para dar mais frutos, porque tinha muito mais capacidade para aproveitar a profundidade em transição. Coisa que Hugo Almeida não tem. Especulando, arrisco mesmo dizer que se as coisas tivessem começado assim, era bem mais provavel que Portugal tivesse conseguido um golo na primeira parte, quando controlou perfeitamente os espanhois.
Isto não quer dizer que o Hugo Almeida tenha feito um mau jogo, quer apenas dizer que a utilização que a equipa tentou fazer das suas caracteristicas não funcionou.
O resto é o costume: substituição aos 58, golo aos 62... má opção.
Oxalá fora assim tão simples...
Sim, é extremamente redutor dizer que perdemos porque saiu o Hugo Almeida, até porque o golo que sofremos não teve qualquer relação com a substituição em si.
E também não teve a ver com a escolha do Ricardo Costa.
Pelo contrário, parece-me que quem errou no lance foi o Simão, pois a colocação de vários médios da Espanha dentro da área obrigou o Ricardo Costa a fechar por dentro, é inclusivamente ele quem está com o Xavi aquando do toque de calcanhar.
Na repetição, vê-se que o Simão (que deveria compensar o movimento do Ricardo Costa) está num espaço onde não está ninguém e a dada altura percebe que o Villa está só, mas hesita. E quando acaba por ir tentar fechar, já é tarde e nem o ressalto consegue apanhar.
Pessoalmente, não concordo com a teoria da utilização do Hugo Almeida para ganhar lances aéreos. A forma como jogámos, em 4-3-3 com extremos que iniciam os lances bem abertos e médios que estavam bastante recuados em fase defensiva, não rentabilizava essa opção, pois mesmo que o Hugo Almeida ganhasse o lance no ar, não havia quem estivesse por perto para ganhar a "segunda bola".
Parece-me que optar pelo Liedson ou pelo Danny na faixa e o Ronaldo no meio faria mais sentido para saídas rápidas com trocas de bola a 1 ou 2 toques.
Portugal nao tem uma base de jogadores seleccionaveis que trabalhe juntos e bem no clube a volta do qual fosse possivel construir uma equipa, alem disso teve azar com a lesao do Deco que seria o elo de ligacao, o coordenador da equipa, e a referencia da equipa no meio campo.
Tambem acho que a falta do Nani foi preponderante pois e a meu ver o jogador que poderia tirar melhor proveito dos espacos criados pela presence do CR ou para dar mais espaco ao CR. Acho que com o Nani em campo a performance de Portugal teria sido significativamente melhor.
Para finalizar, acho pouco realista as exigencias que teem sido feitas ao CQ, acho que temos uma tendencia preocupante para “viver” para alem dos nossos meios. Se bem que ache que com o nosso melhor onze (incluindo Boswinga, Nani e o Deco em forma) poderiamos ter serias possibilidades de ir mais longe, nao temos “profundidade” para nos darmos ao luxo de perdermos jogadores quer para lesoes, quer para cartoes.
Olhem por exemplo para o banco da Argentina e do Brazil (ou para os tipos que ficaram em casa)
Filipe:
O futebol e sobretudo um jogo de equipa em que o todo nao e igual a soma das partes, e nestas competicoes de seleccoes nacionais, em que ha pouco tempo de preparacao, ha factores que a meu ver se tornam extremamente importantes.
Referis-te o modelo de jogo da Alemanha e acho que o mesmo se aplicaria a Holanda. Os alemaes teem um modelo “nacional” de jogo muito linear que e trabalhado desde as equipas de formacao, penso que tanto a nivel de clubes como de formacao. A “simplicidade” do jogo facilita a construcao de uma equipa, e facil a insercao de um jogador na equipa mesmo que nao tenha crescido com esse modelo de jogo.
Olhando para os jogadores portugueses, a maior “criatividade” nas accoes individuais torna mais dificil a coordenacao de movimentos, especialmente os movimentos ofensivos, entre os varios jogadores.
A criatividade de cada jogador introduz grande imprevisibilidade, mas essa imprevisibilidade tanto dificulta a manobra defensiva do adversario como pode dificultar o movimento ofensivo dos seus colegas. Assim, e necessario mais tempo de treino e de jogo para potenciar o jogo de uma equipa constituida por jogadores “criativos” do que uma equipa que jogue um futebol mais linear.
O que ajudou a equipa portuguesa nos ultimos foi o facto de haver um nucleo de jogadores que se conheciam muito bem quer pelo trabalho feito no clube (os jogadores do Porto de Mourinho por exemplo) quer por anos de trabalho na seleccao desde as camadas de formacao (a geracao de ouro com quem o CQ trabalhou desde os juvenis).
A meu ver o caso da Espanha tambem pode ser analizado nesta perspectiva, esta equipa da Espanha funciona como funciona, a meu ver, porque tem um nucleo de jogadores que ja jogam de olhos fechados, tendo trabalhado juntos ha varios anos.
Ja o Brazil e a Argentina, com a qualidade de jogadores que teem podem-se dar ao luxo de (como fez o Brazil em 2002) nao ter movimentos colectivos bem trabalhados.
Filipe,
Percebo o que queres dizer quando afirmas que a substituição não mudou nada em termos tácticos mas não concordo totalmente. Claro que, em termos posicionais, nada mudou mas a dinâmica da equipa sofreu uma alteração profunda, visto que os movimentos do Ronaldo nada têm a ver com os do Almeida. Mais: o Ronaldo, apesar de estar na frente, procurou muitas vezes espaços mais recuados (quase sempre o fazia, aliás, tanto em posse com em contenção), coisa que o Almeida, mais fixo na frente, não procurava. Ora, isto em termos de jogo, muda muita coisa e de facto mudou. A Espanha subiu o bloco defensivo, Portugal perdeu uma referência clara na frente e a partir daí foi a qualidade dos espanhóis a vir ao de cima, com os jogadores portugueses completamente manietados. Repara: não estou a dizer que, se Almeida continuasse em campo, a Espanha não procurasse subir à mesma, tentando defender o 1-0 mais à frente, como fez; o que digo é que talvez não se tornasse tão fácil como tornou.
Quanto à ideia de que o golo surgiu por causa da substituição, é de um raciocínio tão absurso que nem vale discussão. Quem diz isso é o mesmo que é incapaz de ver coisas positivas numa equipa que perde ou o contrário. É o chamado resultadista.
"A meu ver o caso da Espanha tambem pode ser analizado nesta perspectiva, esta equipa da Espanha funciona como funciona, a meu ver, porque tem um nucleo de jogadores que ja jogam de olhos fechados, tendo trabalhado juntos ha varios anos.
Ja o Brazil e a Argentina, com a qualidade de jogadores que teem podem-se dar ao luxo de (como fez o Brazil em 2002) nao ter movimentos colectivos bem trabalhados."
Não acho que Brasil e Argentina tenham mais "qualidade de jogadores" do que, por exemplo, a Espanha.
Abraço!
pois, de facto o modelo d jogo ficou o msm mas a verdade e q ronaldo nao é ponta de lança e as movimentacões tiveram q ser outras. sem nenhum ponta de lança para "prender" os centrais era logico q a espanha subisse, ou nao filipe? eu nunca vi uma seleçao no 3lugar do raking a jogar dessa forma, com quatro centrais e nenhum ponta de lança, aposto q a argentina jogar assim era um pouco complicado vencer,nao? o queiroz nao teve ambiçao de arriscar mais ainda para mais num jogo a eliminar. e a substituiçao do hugo almeida talvez nao foi decisivo para a gente levar um golo mas contribuiu muito. podem-me chama me resultadista mas o mourinho tb e ele é o que é.
A qualidade e diferente, nao tem de ser maior ou menor, a meu ver tanto a Argentina como o Brazil teem mais jogadores com capacidade para resolver situacoes ofensivas individualmente.
A Argentina nos ultimos anos, o Brazil quase sempre. O caso do Brazil e mais evidente, a transicao defesa-ataque e a criacao de opurtunidades de golo e feita tanto atraves de rasgos individuais como de circulacao da bola.
http://img121.imageshack.us/img121/9203/golo.jpg
Não vem mudar nada, e concordo que é totalmente redutor culpar a escolha de um defesa direito pela derrota, mas que eu não entendo, lá isso não entendo.
Miguel F pela imagem vês que não é o R. Costa que está a cobrir o calcanhar, mas está mais à frente, perto do jogador que fez o 1º passe.
peço desculpa mas faz algum sentido meter um central adoptado a lateral qd temos por exemplo o miguel q esta no mesmo campeonato q o villa? e meter um central a trinco? e a substituiçao do hugo almeida? sao estas tacticas do queiroz q sao bastante redutores q so na seleçao do cazaquistão, para nao perder por mts sao aceites por animo leve. so num pais como portugal q ha uma cultura de pouca exigencia é q é visto o queiroz como competente e evoluido. desculpa o desabafo no teu site filipe..
Caros amigos,
Quanto a mim, uma das razoes que se pode considerar esta campanha como um fracasso (sair nos 8vos e sempre respeitavel), mas a falta de entusiasmo que esta equipa gerou.
Quanto a mim, isto veio de um mal commum a muitos Portugueses: Inventar quando e a serio, em vez de usar o que ja se treinou.
Tiro esta minha afirmacao de uma entrevista a Queiroz logo a seguir a radio, em que ele afirma que Espanha usou a sua melhor caracteristica: A posse; e Portugal tentou usar a sua, o jogo directo. Esta afirmacao deixou-me parvo, e so me faz pensar que Queiroz avaliou de forma totalmente errada as potencialidades da seleccao.
Sob pena de parecer saudosista, lembro-me de a nossa seleccao ser fortissima em posse, em jogo apoiado, capaz de criar espacos na frente e jogar taco a taco contra equipas como a Espanha, Holanda, e Inglaterra. A ideia que da e que havia em Queiroz um complexo de inferioridade, pelas caracteristicas da equipa, e uma estranha fe que Ronaldo conseguia resolver tudo sozinho. Fez-me muita impressao ve-lo tantas vezes a atacar com apenas mais 2 ou 3 contra uma defesa de 6 ou 7... Claro que teve um pessimo mundial, ele nao uma fada madrinha que resolve tudo, nunca conseguiria!
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