10.5.11

Porto - Paços: Estatística e notas breves

ver comentários...
- Para quem não viu, o resultado e o crédito que este Paços fez por merecer ao longo da época, darão uma ideia errada sobre o que realmente se passou no jogo. Ou seja, o empate é manifestamente penalizador para o domínio que o Porto conseguiu e o Paços esteve longe de ser das equipas que mais problemas colocou aos portistas.

- Apesar do Porto ter marcado cedo (numa bola parada repetida de outras ocasiões), a verdade é que foi no inicio que o Paços mais discutiu o jogo. Nesse período, foram potenciadas algumas perdas atípicas no meio campo portista, e houve alguma capacidade do Paços em dividir o jogo. Com o passar do tempo, porém, a situação tornou-se progressivamente mais descontrolada para o Paços. Aí, para além da já esperada qualidade do Porto em posse, sobressaíram alguns momentos de transição, potenciados a partir do pressing sobre a organização pacense.

- Depois da expulsão, deu-se a aparentemente paradoxal, mas não pouco habitual, situação de um acréscimo de domínio, chegando quase até níveis extremos (foi o jogo em que completou mais passes na Liga), e redução de proximidade com o golo. Isso, porém, não explica o empate do Paços, que apenas o conseguiu pelo rasgo de invulgar inspiração de Pizzi.

- Individualmente, nota para Souza. A par de Walter, eclipsou-se a meio da época sem que o seu rendimento o justificasse. Souza não terá a reactividade e capacidade de recuperação de Fernando, mas, parece-me, é a alternativa que melhor poderá render o "polvo" em termos de funções de "pivot". Guarin ganha pontos pela capacidade ofensiva que acrescenta, mas apenas isso.

ler tudo >>

9.5.11

Sporting - Setúbal: estatística e opinião

ver comentários...
1- Os indícios foram identificados desde muito cedo, e o curso da "era Couceiro" tem-nos apenas confirmado. Não raras vezes se constata uma aparente e curiosa coerência entre a atitude da liderança e o futebol das respectivas equipas. O Sporting de hoje é mais um desses exemplos: tal como o discurso de Couceiro, a equipa parece conformada com a sua incapacidade, preferindo antecipar desculpas para os insucessos que hão de vir, em lugar de assumir frontalmente a responsabilidade de os evitar. Couceiro, nesse aspecto, é um pouco a antítese do que fora Paulo Sérgio. Honestamente, e mesmo descontando que não teve mais valias como Liedson, Maniche e Pedro Mendes, parece-me que este é um Sporting pior do que o anterior. Aliás, e indo um pouco mais além neste exercício especulativo, dificilmente "este" Sporting acabaria em lugar europeu.

2- Indo ao Vitória, é muito interessante perceber a sua estratégia. Entrar em casa de um "grande" com um meio campo com Neca, Zé Pedro e Hugo Leal é, no mínimo, arriscado. A intenção, claro, era tirar partido da característica dos seus jogadores. Ou seja, qualidade técnica com bola, envolvendo o adversário e obrigando-o a baixar no campo, ao mesmo tempo que, por outro lado, garantia o equilíbrio defensivo através da densidade de jogadores nesses momentos. Tinha tudo para ser um fracasso, diga-se, mas como do outro lado estava uma equipa tão ou menos capaz em termos de agressividade... funcionou em pleno.


3- De facto, a primeira nota serve para voltar ao tema da falta de agressividade do Sporting. É impossível que uma equipa queira ser dominadora se não conseguir condicionar a posse do adversário, quer em transição, quer em organização. Perder duelos aéreos (inúmeros!) e ser incapaz de pressionar, relega a equipa constantemente para zonas mais baixas. Só isso (há mais, claro), é suficiente para tornar tudo muito mais difícil para quem quer ser dominador. Este é um problema difícil de ultrapassar do ponto de vista individual, dadas as características de alguns jogadores, mas que tem de ser enfrentado de outra forma por quem lidera. Resignar-se a um bloco baixo e uma incapacidade de pressionar não pode ser opção para quem quer (e tem!) de ser dominador. Juntar linhas, criar zonas mais densas e altas e que não exijam tanto espaço de reacção, será a alternativa mais óbvia. Resta arrojo e capacidade para o implementar tacticamente...

4- Em termos dos momentos ofensivos, o Sporting voltou a revelar pouca capacidade e ordem em transição, e, desta vez, grande incapacidade em ataque posicional. Insistiu no corredor central, tal como frente ao Portimonense, mas desta vez havia menos espaços entre linhas e a equipa esbarrou na densidade da "muralha". Depois, em inicio de organização, foi muitas vezes demasiado lenta, facilitando o trabalho ao "pressing", que encostava e obrigava a saídas menos apoiadas. Como sempre, fala-se dos "trincos", tanto mais se jogar um "central", como foi o caso, mas não é por aí que se explica a incapacidade do Sporting. No fim de tudo isto, e apesar de inúmeros cantos desperdiçados, foi apenas de bola parada que o Sporting esteve na eminência de marcar.

5- Uma nota sobre o lance do golo: Aconteceu o que Bruno Ribeiro tanto procurou, ou seja, Pitbull explorou a "verdura" de Cedric, mas o lance merece censura sobretudo pela origem. Tratou-se de um livre no meio campo do Vitória, com amostragem de cartão, pelo que nem sequer foi batido de forma rápida. Ainda assim, rapidamente Pitbull ficou no 1x1, em cima da área do Sporting...

6- O tema das soluções individuais vai dominar a agenda, não tarda muito. Para já, e mesmo que o nível deva melhorar, mantenho a projecção de vários erros (a meu ver, claro), no Sporting. Onde realmente a equipa precisa de se renovar qualitativamente? Na frente, claro!

7- Nas individualidades do Vitória, destaque óbvio para o "perfume" de Pitbull, embora a qualidade técnica não seja suficiente para ofuscar o demérito do Sporting. Para além disso, Zeca continua a revelar-se uma fantástica surpresa desta época. Chegar de escalões mais baixos e apresentar um nível tão regular e completo (competente em todos os momentos do jogo), não é nada fácil...

Ler tudo»

ler tudo >>

7.5.11

Braga - Benfica (I): espaço entre linhas e ataque posicional

ver comentários...
Falei do tema mesmo antes do jogo, porque era (e é!) uma das vulnerabilidades tácticas do Braga. O "espaço entre linhas" (mais precisamente, a zona à frente dos centrais) tem a importância de, ao ser controlado pelos médios, garantir a estabilidade da última linha defensiva, tornando mais difícil desorganizar a zona mais importante para quem defende. No caso do Braga, a amplitude de acção do duplo-pivot faz com que seja possível trabalhar a exploração desse espaço fundamental. Não que seja "fácil", mas porque, sendo possível, parece-me importante tentá-lo.

Aimar e Martins? Não justifica...
Na primeira mão, o Benfica conseguira explorar esse espaço, conseguindo, talvez mais do que em qualquer outra situação, criar dificuldades ao Braga. Não o fez com grande frequência, nem sequer se notou uma intencionalidade especifica, mas a equipa contou, então, com Aimar, que tem na qualidade de movimentos a maior das suas virtudes. O 10 foi individualmente responsável por esses movimentos.

Convém não confundir as coisas: não é por Aimar "oferecer" à equipa essa capacidade que o dedo acusador deve incidir sobre quem o substituiu. Se existir uma visão colectiva, o objectivo tem de estar presente, seja quem for que jogue. Martins tem outra característica, mas o seu posicionamento foi deliberadamente próximo de Javi Garcia, retirando à linha média capacidade de ligação com o duo da frente, pelo corredor central.

Na verdade, a exploração do "espaço entre linhas" não estava dependente da acção dos médios centrais. Poderia ter potenciado uma mobilidade interior dos alas, por exemplo, mas isso nem aconteceu, nem é hábito acontecer. Não é a primeira vez que, no ataque posicional encarnado, destaco aqui o privilégio da impulsividade, em detrimento de uma maior racionalidade. Mas há, naquilo que se viu na segunda parte, outro ponto interessante a merecer reflexão...

Ataque posicional: laterais em profundidade
Será um tema que provavelmente merecerá mais detalhe: o Benfica utilizou, na segunda parte, uma opção próxima do que acontece mais recorrentemente com Porto e Barcelona, por exemplo, mas que também já se viu no Benfica (e que já falei aqui). Ou seja, recuou Javi Garcia para a linha defensiva e abriu os centrais, colocando os laterais em profundidade.

A vantagem disto - e resultou! - é tornar a tarefa mais difícil para a primeira linha de pressão do adversário, obrigando os extremos a "afundar" no campo e tornando zona mais alta demasiado larga para apenas dois jogadores.

O ponto é que, normalmente, esta opção é usada para libertar espaço de construção para a linha média, e no corredor central. No caso do Benfica, porém, a opção serve apenas para tirar risco à posse em construção. Ou seja, a equipa obriga os alas contrários a abrir e baixar, mas depois vai precisamente ao seu encontro, saindo pelos corredores laterais, e não tendo qualquer "plano" para regressar ao interior. Na segunda parte, em Braga, foi a isso que assistimos, com o Braga a ser obrigado a jogar mais baixo, sim, mas também a não ter dificuldades em criar zonas de superioridade nas alas, sempre que a bola lá entrava.

Um primeiro aperitivo para a final
Já agora, e em jeito de primeira antevisão para a final, este é um problema que o Braga e Domingos terão de considerar de outra maneira. No campeonato, em Braga, o Porto também abriu os laterais em profundidade e dificultou a vida à primeira linha de pressão do Braga. A diferença, claro, é que ao contrário do Benfica, o ataque posicional portista sabe bem que caminhos deve seguir.

Ler tudo»

ler tudo >>

6.5.11

Braga para História (breves)

ver comentários...
- Nem sempre é assim, mas desta vez correspondeu em grande medida à antevisão que tinha feito. O Braga, tentando dominar, mas sem entrar em loucuras. Privilégio para a lucidez, para o controlo emocional e para a exploração dos pormenores que o jogo pudesse oferecer. Assim foi, e se o Braga venceu, fê-lo muito pela diferença de aproveitamento que conseguiu nas poucas oportunidades que o jogo teve. No Benfica, também esteve em evidência um aspecto que destacara ontem, mas, desta vez, pela negativa. Refiro-me ao espaço entre linhas e à evidente incapacidade da equipa em explorar o corredor central. Tem muito a ver com a característica de Martins, em relação a Aimar, mas também tem com uma incapacidade estratégica em tentar explorar o ponto onde havia mais debilidades no seu opositor. Assim, ficou relegado para o que os corredores e Cardozo pudessem criar. Podia ter dado, mas não deu...
(voltarei com mais detalhes sobre o jogo...)

- Interessante abordar o duelo de treinadores, que até poderá vir a ser um factor de animação dos próximos derbis lisboetas (será?). Para irmos ao epicentro desta rivalidade temos de regressar ao inicio do trajecto de Domingos em Braga e ao episódio em que Jesus reclamou para si próprio os méritos dos ainda precoces sucessos do Braga de Domingos. Não estou certo se Jesus o disse convictamente, ou como mera manobra provocatória, mas, e como o expliquei na altura, tratava-se de uma observação completamente desprovida de sentido, tendo em conta as diferenças óbvias na ideia e modelo de jogo de ambos. Seja como for, e aqui não está presente qualquer comparação qualitativa entre os dois, creio que essa falácia, entretanto por muitos alimentada, termina em definitivo aqui. De qualquer modo, esse episódio servirá hoje, e com toda a certeza, de tempero suplementar no sentimento de ambos os treinadores perante o desfecho desta eliminatória.

- Uma nota para alguma contextualização que é preciso fazer: é um facto que tivemos três equipas portuguesas nas meias finais desta prova, mas isso não deve servir para que se confunda uma taça europeia com uma taça nacional. É estranho que se diga que uma competição europeia "não salva uma época", quando se trata de uma competição muito mais prestigiante e difícil de conquistar do que qualquer título interno. Nesse sentido, o trajecto das três equipas - qualquer uma! - é excelente nesta competição, sendo que isso não deve ser ignorado ou confundido pela "portuguisação" da prova. Claro... nada se compara ao feito do Braga e de Domingos, que, em termos relativos, encontra pouco paralelo na História das competições europeias.

ler tudo >>

5.5.11

Braga - Benfica: breve lançamento, olhando para a 1ª mão

ver comentários...
1- Começando pelo Braga, Domingos não escondeu o seu desapontamento em relação à exibição da equipa, e tem razão. Foram várias as exibições individuais que deixaram muito a desejar. Defensivamente, mais saliente na primeira parte, com vários erros em posse em zona de construção e alguma falta de protecção da zona entre linhas. Ofensivamente, um pouco durante todo o jogo, mas com relevo para nomes como Alan e Lima, em quem a equipa deposita grandes esperanças de acréscimo qualitativo, mas que na primeira mão não foram capazes de corresponder na definição das jogadas ofensivas. Se o Braga quiser acalentar esperanças de passagem, terá de contar, primeiro que tudo, com muito maior inspiração individual.

2- No Benfica, igualmente alguns motivos para reservas. Em particular, foram dadas demasiadas oportunidades ao momento de transição defesa-ataque adversário, apenas não mais severamente punidos pela tal desinspiração bracarense. Permissividades vistas, quer pelas dificuldades impostas pelo pressing do Braga, quer em situações de reposição rápida de Artur Morais. O jogo deverá ser diferente, é certo, mas convém que o Benfica esteja mais precavido para estes pormenores.

3- Estrategicamente, e embora seja obrigado a recuperar o resultado, não me parece que o Braga assuma grande risco desde inicio. Tentará assumir as rédeas do jogo, fomentar as combinações nos corredores laterais, pressionar (importante!), e, se possível, mandar territorialmente no jogo. Mas, nunca fará do jogo um contra relógio. O lado emocional do jogo é, por norma, o ponto forte da equipa, e Domingos deverá querer que os jogadores mantenham a tranquilidade, fundamental para que a intensidade seja positiva e assertiva. A arma da equipa serão os pormenores, bolas paradas e momentos de circunstancial desorganização do adversário.

4- No Benfica, é possível e provável termos duas linhas de quatro e uma estratégia mais contida desde o inicio. Aposta clara no controlo dos espaços e no equilíbrio em transição. Os riscos serão os habituais: erros em posse e controlo emocional. As vantagens também são óbvias: mais qualidade e, claro, o resultado. Mas, há ainda o duplo-pivot do Braga. Na primeira mão, foi quando ultrapassou a linha média que a equipa mais perturbou o adversário, obrigando os centrais a sair da posição. Desta vez, e embora não tenha Aimar, poderá não ter de o fazer exclusivamente em organização, mas - é importante notar! - se os dois médios permanecerem demasiado próximos (lado a lado) nos momentos ofensivos, será mais fácil para o Braga proteger-se defensivamente desta vulnerabilidade. Depois, claro, há as bolas paradas, onde o Benfica continua fortíssimo.

ler tudo >>

4.5.11

Barça na final, no encerramento dos duelos (Breves)

ver comentários...
- Importa, primeiro, realçar a justiça da qualificação do Barcelona. Não que o Real Madrid não o pudesse ter merecido também. Bastaria, por exemplo, que tivesse repetido o rendimento da final da Taça do Rei. O ponto principal do ajuste deste apuramento para a final (e, antecipo, provável vitória), está na qualidade do futebol do Barça, que é - e seria sempre, fosse qual fosse o desfecho da eliminatória, incomparável a toda a concorrência. Estamos a falar, a meu ver inquestionavelmente, da melhor equipa da História do jogo. O mérito de Mourinho e do seu Real Madrid, foi (é, e continuará a ser) levantar a dúvida se isso seria suficiente para ganhar. Estamos perante o mérito da excelência e o mérito da capacidade de superação. Qual deles o mais valioso? É uma discussão possível, mas que me parece ter pouco relevo.

- Termina, para além da eliminatória, uma fantástica série de quatro jogos entre os dois maiores colossos do futebol mundial. O saldo, apesar de empatado em termos de resultados jogo-a-jogo, é favorável ao Barcelona, sobretudo pela importância maior da Champions sobre a Taça do Rei. Voltarei com mais análises a este jogo e balanços desta série de confrontos, mas posso avançar com uma pequena opinião sobre este jogo: apesar de ter terminado com um empate, este foi, sem dúvida, o jogo mais controlado e confortável para o Barcelona. Pela folga no resultado, sem dúvida, mas também porque o Real, e ao contrário do que foi por muitos defendido, trocou o cérebro e a inteligência organizacional estratégica, pelo impulso e pela correria. Mais suor, menos organização, e tudo mais fácil para o Barça. Obviamente.

ler tudo >>

3.5.11

Mourinho: Nem ele mudou, nem quem o critica

ver comentários...
Está fácil "malhar" nele. Não é surpresa, era previsível que assim fosse. Pela natureza do ser, e porque, em boa verdade, os elogios de ontem, como as criticas de hoje, sempre tiveram, e salvo raríssimas excepções, a mesma base fundamental: os resultados.

Ainda assim, é sempre triste constatar esta superficialidade, expressa, mais do que noutra qualquer coisa, na confluência do "timing" com o volume das criticas.

O alibi é o "estilo". Que ele o mudou, que não era assim. Fácil perguntar onde estavam quando, há um ano, com o mesmo "estilo", era o "Rei" do mundo do futebol? Fácil perguntar porque é que um "estilo" só perde valor ao fim de 300' de duelos, quando, ao fim de 210', ainda parecia genial? Mas, mais interessante ainda será recordar o seu primeiro duelo frente ao mesmo adversário, em 2005 (que jogo!): Qual foi o "estilo"? Controlo do espaço e transição.

Ganhar, a sua prioridade. Os resultados, a única métrica deles. Não nos enganemos, ninguém mudou. Nem ele, nem quem o critica.

ler tudo >>

2.5.11

Sporting - Portimonense: estatística e opinião

ver comentários...
1- A novidade chamou-se Izmailov e, de facto, a entrada do russo trouxe modificações importantes ao jogo do Sporting. Não apenas pela qualidade que acrescenta, mas também porque a sua introdução trouxe alterações à dinâmica que se vinha vendo, sobretudo em ataque posicional. Alterações que aumentaram a qualidade da equipa em alguns aspectos, mas que estão longe de ter garantido à equipa um "bom jogo". Isto é, um jogo que aproximasse significativamente a vitória. O Sporting venceu, sim, mas não controlou nunca o jogo e o adversário que, dentro da sua proposta, dividiu as oportunidades em todos os períodos do jogo. Aliás, é importante assinalar que foi depois do 2-1, e em superioridade numérica, que o Portimonense foi menos ameaçador.

2- Começando pela dinâmica do Sporting, Izmailov trouxe, para além da qualidade, uma maior presença na zona construtiva/criativa, juntando-se a Matias como elemento dinamizador do ataque e relegando Djalo para uma presença mais próxima de Postiga. O corredor central ganhou preponderância com esta alteração, e os flancos ficaram mais dependentes da profundidade dos laterais. O Sporting ganhou qualidade de circulação (note-se que a primeira fase lhe foi sempre "oferecida"), e recorreu sucessivamente aos apoios frontais no espaço à frente da defesa do Portimonense como principal solução de progressão.


3- Importa ir à proposta de jogo do Portimonense, para perceber a origem das sistemáticas dificuldades de controlo do Sporting. Tudo o que o Portimonense fez foi intencional, insistindo numa série de movimentos que, apesar da repetição, nunca foram controlados pelo Sporting. Dois, em destaque: o primeiro, as reposições rápidas de Ventura nos extremos, causando várias situações de 1x1 que por pouco não deram golo. O segundo, a forma como repetidamente atacou, com uma circulação em largura e que tinha como objectivo criar instabilidade no centro da defesa, antes do cruzamento, sempre largo, e sempre à procura das costas do 2ºcentral. Se viesse da direita, dos pés de Candeias, para a zona entre Torsiglieri e Evaldo, melhor.

4- Completando o comentário ao Portimonense, ainda que seja improvável, não me parece impossível a sua fuga à despromoção. Azenha monta uma equipa com notórias limitações de recursos, mas que tem o momento de transição defesa-ataque bem trabalhado, usufruindo de várias oportunidades em quase todos os jogos. O que se vê é intencional e especifico e isso, só por si, já merece algum destaque. Falta a esta equipa maior qualidade defensiva, nomeadamente no espaço que concede entre sectores, e também maior aproveitamento em termos de eficácia ofensiva. Não é deste jogo, mas uma equipa tão carente de pontos, não pode falhar tantos golos.

5- O Sporting falhou redondamente no seu momento de transição ataque-defesa. A dupla Zapater-André Santos não conseguiu controlar o primeiro passe de saída e daí resultaram muitas das dificuldades da equipa. Frente à Académica, a equipa havia dado melhores sinais neste plano, tendo ficado, desta vez, a ideia de alguma desorganização acrescida no momento da perda, eventualmente pelo acréscimo de mobilidade em ataque posicional. Isto, para além de uma menos desculpável falta de atenção perante as sistemáticas reposições de Ventura nos flancos. Este momento (de transição) é importante porque impede o Sporting de um domínio mais continuado e pode explicar, em boa parte, as dificuldades da equipa em ter maior expressão em termos de oportunidades, tendo em conta a posse de bola que teve. Nota positiva, e de novo, para um golo de bola parada.

6- Notas individuais:
Evaldo - Voltou a fazer uma exibição medíocre, onde se destaca a sua falta de intensidade/agressividade. Essa lacuna foi aproveitada pelo Portimonense com cruzamentos para a sua zona. Se o Sporting se quer reforçar, tem de passar por rever esta posição.

Centrais - Mais exposto Torsiglieri pelos cruzamentos. Não entendo que o argentino tenha sido o responsável no lance do golo, mas creio que errou noutro tipo de abordagens. Carriço esteve mais regular, e menos exposto também. Só por critérios extra rendimento em campo, se justifica que Polga tenha perdido o lugar.

Zapater - Começou por não oferecer muito à equipa, mas acabou como peça preponderante na fase final. Excelente capacidade posicional, embora o Sporting precise de maior reactividade naquele sector do que aquela que o espanhol oferece.

Izmailov e Matias - Com eles, o Sporting tem grande qualidade criativa. Izmailov mais completo e presente em todos os momentos, é certo. Falta, depois, "rasgo" no último terço.
Ler tudo»

ler tudo >>

AddThis