23.5.07

Atitude pouco "à Benfica"

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Se ontem escrevi aqui que a baixa capacidade da generalidade das equipas do nosso campeonato deve ser motivo de grande preocupação, hoje escrevo sobre uma atitude que julgo espelhar o porquê do permanente “atrasar da carruagem” do nosso futebol face aos grandes campeonatos europeus.

Luis Filipe Vieira anunciou a não participação do Benfica na Taça da Liga. É uma decisão pouco sensata que aproveita a dimensão ímpar do Benfica no futebol português para prejudicar gratuitamente uma boa ideia e, principalmente, o desenvolvimento do futebol do nosso país.

A Taça da Liga é uma boa ideia, não pela simples criação de mais uma Taça, mas pelo formato com que foi pensada. A criação de fases de grupos proporciona menor espaço para eliminações “ocasionais” (beneficia as melhores equipas) e possibilita a existência de até 4 jogos entre os grandes na competição. Pensem no interesse que a competição ganharia caso tivéssemos os três grandes na derradeira fase de grupos? Estádios cheios, audiências na TV e milhões de euros para a industria do futebol.

Naturalmente, tudo isto só tem sentido com a presença dos grandes, particularmente do Benfica. LFV demonstra falta de visão na sua posição. O Benfica só poderá ser - desportivamente - um grande clube europeu se estiver num futebol que proporcione mais receitas e, para isso, é preciso uma visão colectiva e não uma cegueira egocêntrica. Acrescento ainda, e noutro âmbito, que julgo ser uma falta de respeito pelos adeptos encarnados, privá-los de poder ver o seu clube a disputar uma competição oficial com os seus maiores rivais, ainda para mais depois de uma época em que todos se queixaram da falta de jogos.


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Aqui, vale tudo!

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Esta impressionantes imagens vêm da Turquia, onde esta semana se jogou o maior derby de Istambul: Galatassaray - Fenerbahce. Desta vez, nem o facto do 'Fener' já se ter sagrado campeão ajudou a que os ânimos fossem menos intensos. Uma prova do carácter único que julgo ter o futebol turco...

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22.5.07

2006/2007: O Campeão e a Liga

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Terminou a liga com o Porto, ainda que com mais dificuldade do que inicialmente se previu, a sagrar-se Campeão. Sobre a competição já aqui tenho deixado as minhas opiniões, pelo que o balanço final não deverá surpreender:

- Foi uma prova entretida até ao final mas com um nível baixo de competitividade. A redução de clubes deveria ter aproximado as valias entre os participantes, mas isso não aconteceu. Porto, Sporting e Benfica foram demasiado superiores à concorrência e a falta de outros adversários de maior valia acabou por gerar pouca diferenciação na luta pelo título, fazendo com houvesse poucos pontos perdidos e, por isso, muita proximidade entre os candidatos. No outro extremo, tivemos concorrentes com uma debilidade aterradora: o que dizer quando uma equipa tão notoriamente frágil como o Setúbal consegue a manutenção? Ou quando uma formação que andou tanto tempo sem ganhar, como o Aves, luta pela permanência até à última jornada? Para mim, um sinal de que este modelo não serve e de que urge mudar...

- Por aquilo que escrevi acima e pela proximidade pontual, dificilmente poderei atribuir grande fatalismo à conquista portista. Ainda assim, creio que o Porto foi, de facto, a equipa mais forte durante mais tempo na prova. Contando – na minha opinião – com o melhor leque de individualidades da liga (apesar de algum desequilíbrio na composição do plantel), o Porto foi uma equipa globalmente bem orientada por Jesualdo Ferreira. Cortando com algumas filosofias de Adriaanse, Jesualdo manteve a zona, mas passou a privilegiar o equilíbrio defensivo e a optimização da escolha dos melhores momentos para atacar. Criou um modelo que tirava partido das qualidades de Quaresma e o Porto deu-se bem com isso durante grande parte da prova e apenas a instabilidade final retira ao título um maior brilhantismo. Na base deste fenómeno terminal, creio, estão as suspensões (sobretudo de Quaresma) e lesões (Pepe e Lisandro, fundamentalmente) que obrigaram Jesualdo a mexer com o sistema e com algumas das rotinas já devidamente assimiladas.

As individualidades (apenas algumas):
- Hélton: provou que é um excelente guarda-redes, apesar de uma, breve, má fase (quem não a tem?).
- Bosingwa: afirmou-se pela velocidade, técnica e energia. Compensa com estes atributos algumas lacunas que ainda tem para quem actua numa posição tão recuada.
- Fucile: uma grande adaptação e revelação. Foi a solução para aquilo que poderia ter sido um problema: o flanco esquerdo.
- Pepe: é o grande central do futebol português – que saiba gerir a sua carreira.
- Bruno Alves: foi uma das revelações – sem dúvida. Sobre ele mantenho, no entanto, algumas reservas. Creio que terá sido um dos mais beneficiados da boa organização defensiva incutida por Jesualdo.
- Assunção: não tem no modelo de Jesualdo o mesmo peso que tinha com Adriaanse. Ao contrário de outros, prefiro um jogador mais forte nas transições ofensivas – sobretudo no desequilibrado futebol português.
- Lucho: o jogador que melhor leitura faz dos espaços no futebol português – por isso marca tantos golos e é tão útil mesmo quando não parece. Teve uma época difícil. Foi vitima de algumas dificuldades físicas e, sobretudo, da instabilidade na composição do meio-campo portista. Não foi uma grande época, mas é um grande jogador.
- Lisandro: jogador ímpar no plantel portista e dele se ressentiu a equipa quando se lesionou. O complemento ideal para as características de Quaresma.
- Adriano: duas perguntas: quantos golos teria marcado se tivesse alinhado desde o ínicio? O que teria acontecido ao Porto se Jesualdo o tivesse mantido de fora?
- Quaresma: sei que a memória é curta e creio que pode e deve melhorar em vários aspectos, mas... foi o epicentro do modelo de Jesualdo, o melhor jogador do Porto e da liga.

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Parabólica da semana!

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Se na semana passada, a parabólica serviu para o marco do ínicio do Brasileirão, esta semana esta rúbrica leva-me a destacar dois campeonatos: o Francês e o Alemão.
França tem sido um autêntico viveiro de craques em potência e a Alemanha é um dos campeonatos com melhores politicas de aquisições. Duas potências que são também dois gigantes adormecidos no que respeita às ligas domésticas. Uma coisa é certa, deles chegam-nos, recorrentemente, grandes golos!

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Golo 1000 de Romário: À Pelé!

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Houve vários momentos relevantes no fim de semana. Desde o penalti de despedida de Costacurta até ao final daquele que foi apelidado de jogador alemão "mais latino" da sua geração: Scholl.

Nenhum deles se equipara, no entanto, ao golo 1000 de Romário. Mais do que um registo estatístico, é um marco fantástico de um polémico mas brilhante jogador. Que o diga Pelé!


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20.5.07

Jogos do fim de semana

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-- Portugal --
Porto 4-1 Aves(O jogo da festa do título!)
Sporting 4-0 Belenenses
Benfica 2-1 Académica
Beira Mar 1-1 Paços Ferreira
Maritimo 1-2 Boavista(0-1 Grzelak ;1-1 Arvid ;1-2 Linz ;)
Braga 1-1 Nacional
E.Amadora 1-1 Leiria
Naval 1-2 V.Setúbal
V.Guimarães 1-1 Olhanense
Leixões 3-0 Chaves

-- Final da Taça de Inglaterra --
Chelsea 1-0 Man Utd

-- Espanha --
Atl.Madrid 0-6 Barcelona
Recreativo 2-3 Real Madrid
Corunha 1-2 Sevilha
Espanhol 1-5 Getafe
Levante 1-4 Osasuna
Maiorca 0-1 Valencia
Betis 1-1 Gimnastic
Saragoça 4-3 Atl.Bilbao
Real Sociedad 3-1 Celta Vigo
Villareal 2-1 Racing Santander

-- Itália --
Atalanta 1-1 Inter(1-0 ;1-1 Figo ;)
Milan 2-3 Udinese
Cagliari 3-2 Roma
Torino 0-0 Livorno
Lazio 0-0 Parma
Arezzo 1-5 Juventus
Todos os golos da Serie A

-- França --
PSG 2-1 Troyes
Sedan 1-1 Valenciennes
Auxerre 2-1 Lille
Lens 0-0 Nice
Nancy 5-2 Sochaux
St.Etienne 1-2 Marselha
Rennes 4-1 Lorient
Monaco 1-0 Lyon

-- Alemanha --
Estugarda 2-1 Cottbus(Estugarda Campeão)
Schalke 2-0 Arminia Bielfeld
Bayern Munique 5-2 Mainz
Hamburgo 4-0 Aachen

-- Holanda --
AZ Alkmaar 2-1 Ajax(1-0 ;1-1 ;2-1 ;)

-- Escócia --
Hibernian 2-1 Celtic

-- Brasil --
Golo 1000 de Romário
Vasco 3-1 Sport
Nautico 1-0 São Paulo
Grémio 2-0 Fluminense
Juventude 1-2 Parana
Atletico Paranaense 2-1 Internacional
Santos 2-3 America
Palmeiras 2-1 Figueirense
Cruzeiro 0-3 Corinthians
Botafogo 2-1 Atl.Mineiro
Goias 1-3 Flamengo

-- Rússia --
Spartak Moscovo 1-2 Lokomotiv Moscovo

-- Turquia --
Galatassaray 1-2 Fenerbahce
Besiktas 2-1 Ankaraspor

-- Bulgária --
Lokomotiv Sofia 3-5 Levski Sofia(Levski Campeão)

-- Argentina --
Newell's 0-1 San Lorenzo
Racing 1-1 Independiente
Quilmes 1-2 Boca Juniors
River Plate 0-1 Estudiantes

-- México --
Chivas 0-1 America

-- Chile --
Todos os golos Chile
A.Italiano 1-0 Colo Colo

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19.5.07

Davor Suker: Canhota divina!

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Entre os jogadores que alinharam no clube em maior ascenção do futebol Espanhol, encontram-se nomes como Maradona, Zamorano, Dasaev, Bebeto, Prosinecki, Polster, Simeone ou os portugueses Peixe e Jordão. Há, no entanto, uma referência que merece ser feita a um grande jogador do passado recente, que despoletou precisamente no Sevilha: Davor Suker.

Possuidor de um dos mais dotados pés esquerdos que algum número 9 alguma vez apresentou, Davor Suker era um jogador temível pelo seu apurado faro de goleador (era forte nas desmarcações e movimentos de área) e, sobretudo, pela qualidade com que executava.

Depois do mundo ter perdido uma primeira oportunidade para o conhecer, aos 22 anos, no Itália 90 – foi convocado pela Selecção da antiga Jugoslávia, mas nunca utilizado – Suker emigrou para o futebol espanhol e para o Sevilha, oriundo do Dinamo Zagreb. Suker foi aumentando a sua notoriedade no futebol espanhol, crescendo notoriamente, de ano para ano. Com a entrada em vigor do acordão Bosman, a vida dos estrangeiros ficou facilitada, tendo Suker conseguido em 1996 um lugar na super-equipa que o Real Madrid construiu. Esta fase coincidiu também com o explodir de Suker aos olhos do mundo, depois de uma notável participação no Euro 96 de Inglaterra.

Suker havia dado o salto tarde – tinha 28 anos – e o seu impacto inicial foi perdendo fulgor no Real Madrid. Uma época após a brilhante prestação no Mundial 98 (onde a Croácia foi 3ª classificada com Suker como melhor goleador da prova), Suker transferiu-se para o Arsenal. Em Londres foi um suplente de luxo, rubricando grandes golos em não tantos minutos de utilização. Uma época volvida e, aos 31 anos, o croata iniciava a fase descendente da sua carreira, passando um ano pelo West Ham e 2 pelo 1860 Munique. Davor Suker participou ainda em mais um Mundial – o de 2002 – onde a sua prestação não foi muito relevante, ao contrário dos últimos eventos internacionais em que havia participado.

Um craque cujas qualidades não passaram despercebidas ao mundo, lamentando-se apenas que a ascenção no estrelato do futebol tenha sido retardada pelas restrições da era pré-Bosman...


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18.5.07

A Liga: Favoritismos... Matemáticos!

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Está à porta o fim de semana das decisões na liga. Muitos se têm pronunciado sobre as hipóteses de cada um dos candidatos e grau de favoritismo varia de opinião para opinião. A pergunta que pretendo responder é: concretamente, qual o real (ou, se quiserem, mais aproximado) grau de favoritismo de cada um dos concorrentes ao título?

Para aferir com rigor, nada melhor do que recorrer ao trabalho de profissionais: as casas de apostas. Por de trás de cada prémio está uma probabilidade e o que trago aqui é a decomposição de todas as combinações de resultados dos jogos dos três grandes, segundo as rigorosas estimativas (ou não ganhariam elas tanto dinheiro!) das casas de apostas.

Pois bem, sem surpresas, o Porto é o favorito à vitória final. Mais precisamente, tem 82% das hipóteses de o conseguir. O Sporting, em segundo, pode basear as suas esperanças em 16% das possibilidades, deixando apenas 2% para o Benfica. No que respeita ao, também milionário, segundo lugar, o mais provável é que o Sporting por lá fique. Os “leões” têm, porém, ainda 22% de hipóteses de terminar no cenário mais temido por Soares Franco. Curiosamente, é mais provável que o Porto termine em 3º lugar do que o Benfica sagrar-se campeão. Em relação ao escalonamento final das 3 equipas, a manutenção da actual situação tem uma probabilidade de 61%.
Curiosamente, referir que caso o Sporting tivesse mais um ponto no campeonato, as hipóteses do Benfica conquistar o título... duplicariam! É que se tal se verificasse, os encarnados poderiam usufruir de um eventual duplo empate de Porto e Sporting, uma vez que em caso de empate entre as 3 equipas (o que já não pode acontecer) seria o Benfica a ficar na frente.

Bem mais interessante do que os números é, claro está, a bola. Felizmente, é ela que dita as derradeiras leis do jogo e é isso que, verdadeiramente, nos entusiasma!


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