8.10.10

Lances da jornada 7 (Vídeo)

ver comentários...
Como é hábito, o vídeo pretende ser auto-explicativo, pelo que me vou poupar a grandes comentários. Ainda assim, reforço alguns pontos-chave do que é analisado:

- A movimentação de Saviola é chave no golo que dá a vitória ao Benfica. Quando dá o 1º toque na bola no lance, já o desequilíbrio está criado. Saviola é a grande fonte de desequilíbrios do Benfica e é-o sobretudo pelo que faz sem bola.

- No Braga, há um problema no "duplo pivot". Problema de movimentação vista noutros jogos, mas também de intensidade defensiva em Viana ou Aguiar, soluções recorrentes para o lugar.

- Alan combina hoje uma maturidade e qualidade que o tornam num jogador muito valioso em cada posse de bola.

- O Guimarães mantém as características base das equipas de Machado. Com dificuldades em organização defensiva, mas com uma das transições ofensivas mais bem trabalhadas do futebol português.

- Têm características diferentes. Moutinho é mais lúcido tacticamente, Belluschi mais visionário ofensivamente. Mas a utilidade de ambos só merece destaque pela intensidade que colocam em campo e em todos os momentos. Em transição e organização. Com e sem bola.

ler tudo >>

7.10.10

Guimarães - Porto: Análise e números

ver comentários...
Não deixa de haver alguma ironia que na primeira perda de pontos se reconheça um falhanço precisamente no plano para o qual o treinador tantas vezes havia alertado: o plano emocional. Talvez seja da parte do próprio treinador portista que venha a melhor imagem dessa perda de controlo, mas há outros indicadores que, dentro do campo, também o evidenciam. É verdade que a situação nunca esteve fora do controlo e que o golo do Vitória veio de uma jogada isolada, e não de uma reacção que tenha tornado eminente o empate. Mas essa é exactamente a questão da importância controlo emocional. Ou seja, numa situação tangencial, e mesmo que o jogo esteja aparentemente controlado, é preciso manter o alerta, a concentração e a intensidade. Não foi isso que o Porto fez. A posse perdeu qualidade, tornou-se mais displicente e menos consequente, numa perda de atitude que acabou por colmatar num erro individual perfeitamente evitável e que deitou tudo por terra. Será preocupante? A resposta partirá sempre de dentro, porque da reacção às adversidades é que se fazem os campeões.

Notas colectivas
Não demorou muito para se perceber quem iria ser o “dono” do jogo. Na verdade, ver a bola mais tempo do lado do Porto era algo que já estava nos planos de Manuel Machado, pelo que não seria esse o problema do Vitória. A complicação vem, isso sim, do controlo que o Vitória não conseguiu ter sobre a posse portista. As combinações nas laterais, através dos triângulos característicos do 4-3-3 portista, conseguiam dar constante profundidade aos corredores e, no centro, os movimentos verticais dos médios – Belluschi e Moutinho – também tiveram os seus momentos de desestabilização. O golo acabaria por acontecer num desequilíbrio individual e mais tarde outra ocasião clara, numa situação de ataque rápido. Pelo meio, a estratégia do Vitória conseguiu apenas 1 lance de acordo com a sua estratégia de transição. Apenas 1, mas 1 de enorme perigo e, também, perfeitamente típico das equipas de Machado, com vários elementos a aparecer rapidamente na transição e a tornar tudo muito difícil para quem defende. Por isso é que a posse deve ser tratada com especial cuidado frente às equipas de Machado.

A exibição portista nunca foi fulgurante. Não foi, mas também não tinha que ser, como bem demonstra a série de vitórias que a equipa conseguiu. Aliás, o jogo estava encaminhado na mesma direcção de muitos outros e, se o Porto não conseguiu desta vez guardar a vitória, deve questionar-se o porquê de tal ter sucedido. Se o fizer, encontrará seguramente criticas e pontos úteis para rever.

Posso começar por comentar o regresso da dupla Maicon-Rolando. Não é por acaso. Creio que é a dupla que nesta altura oferece melhores garantias, sobretudo num jogo que tinha tudo para que Machado potenciasse os pontos fracos de Otamendi (primeiras bolas e erros em posse). Mas talvez Villas Boas esteja a lamentar não ter ido mais longe. Fucile tem características que lhe deverão garantir a titularidade, e estava a fazer um bom jogo, mas o seu lapso é gritante e, sobretudo, dificilmente seria cometido por Sapunaru, que tem neste tipo de lances o seu ponto forte. Não se pode, porém, criticar o treinador por adivinhar o inadivinhável.

O que se passou na segunda parte foi um relaxamento mental da equipa perante um jogo aparentemente controlado. Uma “bomba” que explodiu no erro de Fucile, mas que tinha tido o seu rastilho em várias situações em que alguns jogadores não deram o devido seguimento à posse de bola colectiva. Varela esteve bastante errático, mas talvez seja Hulk quem mais deva ser criticado nesse aspecto, já que perdeu demasiadas vezes a bola, abusando de iniciativas individuais. Outra critica que me parece evidente é de abdicar de um elemento como Belluschi quando se precisa de um momento de inspiração.

Notas individuais
Fucile – É um bom jogador e a melhor solução que o Porto tem para a posição, mas tem um problema. Fucile tem uma queda para o desastre, especialmente em jogos e momentos de maior intensidade. Lembro-me de erros e expulsões em jogos decisivos (lembram-se do Schalke?). Demasiados para que a coincidência seja a explicação mais provável. Talvez o ambiente de Guimarães lhe tenha feito mal...

Álvaro Pereira – É um excelente lateral, com grande intensidade e capacidade ofensiva. Raro é o jogo em que não tem influência ofensiva relevante. Ainda assim, há uma margem de evolução que Álvaro Pereira pode percorrer. Repetidamente erra demasiados passes e deve trabalhar a certeza nesse capítulo.

Belluschi – Voltou a ser extremamente útil na recuperação. Às vezes parece que a bola não pára de ir ter com ele, quer em intercepções, quer em primeiras e segundas bolas, mas a repetição desta tendência é tanta que o acaso não pode ser justificação. Se combinarmos esta característica com a sua verticalidade e capacidade de desequilíbrio, não se percebe porque sai num momento decisivo.

Varela – Ao contrário de Hulk, não está a fazer um campeonato tão bom quanto o crédito que lhe é dado. Muitos são os jogos em que passou literalmente ao lado e este foi mais um deles. Seria bom que a sua capacidade de desequilíbrio fosse mais constante de jogo para jogo.

Hulk – É impressionante o golo que marca e é impressionante o campeonato que está a fazer. Tão impressionante que o próprio parece estar deslumbrado. Hulk é demasiado bom para este campeonato e à medida que o próprio o vai percebendo e sentindo, vai também aumentando o risco de se tornar no jogador que foi após o golo. Ou seja, displicente e egocêntrico no jogo. A equipa por pouco não ganhou à sua custa, mas se tivesse mantido outra atitude, teria seguramente vencido mesmo o jogo. A questão não está tanto nas suas decisões quando está perto da área, mas naquelas que toma numa fase anterior, quando a equipa procura “crescer” no campo. Nesse aspecto, foi a primeira vez que lhe vi este tipo de displicência neste campeonato e isso não deve ser ignorado por quem lidera a equipa.



Ler tudo»

ler tudo >>

6.10.10

Os problemas do Sporting e o jogo com o Beira Mar (análise e números)

ver comentários...
Fosse o futebol tão simples como tantas vezes o “pintam”, e Paulo Sérgio já teria encontrado tantas soluções quantos os problemas com que se deparou. Como não é, discutir o que normalmente se discute após cada mau resultado – sistema e individualidades – ajuda mais a esconder a solução do que, de facto, a desvendá-la. Porque tem o Sporting piores resultados se continua a ser a equipa que mais domina territorialmente os jogos? Aquela que mais trabalha a posse, mais passes faz e com mais eficácia? Ou, já agora, a equipa que mais remata? A resposta não está nos postes ou na eficácia, porque, paralelamente a estes indicadores, é o Sporting que, entre os “grandes” menos ocasiões cria por jogo. A resposta está noutros aspectos mais profundos e que, por isso, não têm tão simples resolução.

Quando fiz o primeiro diagnóstico a esta equipa, ainda na pré época, alertei para 2 pontos do modelo. O pressing e a linha defensiva. Quanto à linha defensiva, os ecos do seu mau funcionamento já tiveram, entretanto, diversas consequências, muitas – não todas – também já aqui escalpelizadas. No que respeita ao “pressing”, a análise não é tão simples, mas nele se esconde uma das melhores explicações para o insucesso ofensivo do Sporting – não a única, claro.

É bonito falar-se do domínio e da posse, mas a realidade, no futebol, diz-nos que a maioria dos golos no futebol vêm de situações de transição, onde o adversário é apanhado em situações de desorganização. É raro ver-se alguém dizer isto, mas uma equipa que seja forte na potenciação dos momentos de transição tem muito mais possibilidades de vencer e marcar golos do que uma outra que opta sistematicamente por um ataque posicional, ignorando a transição. Ora, o Sporting raramente consegue potenciar esse tipo de situações. Não recupera em zonas altas e não tem uma transição ofensiva bem preparada e que produza efeitos. É sobretudo por isso que a equipa ataca mais, passa mais, remata mais, mas... marca menos.

O jogo com o Beira Mar
A exibição foi muito fiel àquilo que é realidade da equipa. Domínio, boa circulação – mesmo melhor do que na maioria dos jogos – fases de bom futebol, mas, no final, pouca produtividade, tanto em termos de eficácia, como em termos de ocasiões concretas. Na primeira parte, sobretudo, o futebol foi de facto bom e merecia outro resultado. Na segunda, porém, a circulação em ataque posicional foi menos fluída e as oportunidades rarearam. Bem vistas as coisas, nesse derradeiro período, é o Beira Mar quem mais se deve queixar da sorte, porque esteve bem mais perto do golo do que o Sporting.

Outro aspecto que me parece enigmático é a forma como se mexe na equipa. A necessidade de meter “carne no assador” é intuitiva, mas muitas vezes também desprovida de qualquer lógica que produzia efeitos práticos. Neste caso, as alterações não corrigiram as crescentes dificuldades da equipa em chegar à frente mas apenas as agravaram. Depois das alterações, o Sporting não criou 1 lance claro de golo e, pelo contrário, consentiu alguns. Algo que não é exclusivo de Paulo Sérgio, mas que deveria merecer reflexão.

Enfim, e voltando ao inicio, entendo que é inútil continuar a tentar acertar numa “fórmula” – entenda-se, sistema e jogadores – que miraculosamente traga resultados, e que mais importante é perceber e corrigir detalhes da “fórmula” actual. Na situação actual - e não é de agora - é inútil voltar a mudar de sistema, tenha ele 1 ou 2 avançados, 1 ou 2 pivots, e é igualmente pouco relevante mudar o jogador A ou B (salvo situações extremas, claro). A questão está na filosofia do modelo e na qualidade dos seus princípios.

Por fim, os dados individuais do jogo, mas vou-me poupar a análises no texto. Quaisquer questões, responderei na caixa de comentários...




Ler tudo»

ler tudo >>

5.10.10

Empates de Sporting e Porto (Breves)

ver comentários...
- Primeiro o Sporting. Podia - e devia - ter ganho o jogo na primeira parte. Há uma diferença entre jogar melhor e ganhar. Um dos problemas da filosofia de Paulo Sérgio é que é demasiado orientada para a procura do domínio pela posse e se concentra pouco em aspectos como o controlo, o equilíbrio e a lucidez. Não que jogue sempre melhor, mas porque quase sempre tem mais bola e mais domínio territorial e raramente tem uma exibição em que agarre a vitória com as duas mãos. Em Aveiro foi assim e, no fim, podia bem ter perdido.

- Escrevi-o ontem sobre o Braga, e hoje posso reproduzir a ideia para o Sporting, ainda que o caso seja mais complexo e problemático. Assumir a candidatura ao título no inicio era forçado. Hoje, é um delírio. Um delírio que tem a agravante de acrescentar uma pressão exagerada sobre o grupo e que pode colocar a equipa numa posição muito difícil na tabela. Não é por gritar muito e muitas vezes que quer ganhar que o Sporting lá vai alguma vez chegar. Convém perceber isto, traçar metas realistas e objectivas, que possam trazer mais motivação e menos frustração a quem trabalha. Esse é o único caminho para o que resta da época. Quanto ao panorama mais alargado, a história é demasiado complexa para caber aqui...

- Em Guimarães, os primeiros pontos perdidos do Porto. Seria difícil alguém prever este desfecho quando Hulk deu mais uma mostra da sua capacidade excepcional ao marcar o 0-1. Parecia ter tudo para ser um passeio, mas o Porto deixou que tudo se complicasse. Na verdade, este era um cenário que Villas Boas sempre antecipou e alertou na hora das vitórias. Enquanto o resultado está "apertado", o jogo está sempre aberto e a concentração teria de ser forçosamente máxima. Analisarei melhor mais tarde, mas... é impressão minha ou Fucile perdeu os 2 pontos praticamente sozinho?

ler tudo >>

4.10.10

Benfica - Braga: Análise e números

ver comentários...
Os dois escolheram o exagero para enfatizar o mérito das respectivas equipas. A verdade, como quase sempre, está algures no meio. Nem o Benfica criou muitas oportunidades de golo, nem o Braga foi capaz de ter uma grande reacção depois do 1-0. O Benfica foi quem teve domínio por mais tempo, mas não se pode dizer que tenha estado mais perto do golo do que o Braga. Com uma coisa concordo com Domingos: a eficácia e o primeiro golo seriam determinantes e, num jogo de poucas oportunidades, ambas as equipas poderiam ter conseguido essa vantagem. Outra coisa que as equipas partilham é o escasso número de erros durante o jogo. Um dado que, afinal, nem pode ser considerado muito normal, se tivermos o momento que ambos atravessam.

Notas colectivas: Benfica
O arranque do jogo foi muito bom. Boa atitude, pressionante e autoritária, impediu o Braga de jogar e manteve o jogo no meio campo contrário durante largos minutos. Para isso, contribuiu a boa postura e competência em ambos os momentos defensivos da equipa – organização e transição. Também a organização ofensiva merece nota. Coentrão recuou para lateral e mereceu uma estratégia especial de Domingos, com Salino a descair para a direita. O Benfica começou por se dar bem com o plano adversário. Circulou com fluidez em zonas baixas, obrigando o Braga a ajustar constantemente o posicionamento do seu bloco ao longo da largura do campo. Depois, o lado esquerdo – e apesar da tal colocação de Salino – foi quase sempre o flanco escolhido para o primeiro passe vertical. Primeiro, porque Lima tinha uma espécie de dupla missão no pressing mais alto e sentia dificuldades no tal ajustamento lateral à circulação que o Benfica fazia na sua linha mais recuada. Depois, porque Gaitan foi um elemento importante na criação de linhas de passe, acrescentando um problema ao Braga que esperaria apenas ter de controlar Aimar e Saviola no primeiro passe interior.

Mas o Benfica não foi, apesar dessa boa entrada, perigoso. Não foi porque, se na construção – com Gaitan, Martins e Coentrão em destaque – a equipa estava bem, mais à frente houve alguma desinspiração de Saviola e Kardec nos minutos iniciais. Com isto, perdeu-se o momento e abriu-se uma oportunidade para que fosse o Braga a crescer e a ameaçar. O jogo tornou-se mais dividido, menos dominado e, sobretudo, menos controlado por parte do Benfica. Nunca por causa de erros individuais, e mais pelo mérito que o Braga também teve em fazer valer os seus pontos fortes.

Acabou por ser feliz o Benfica, num lance que realça o mérito e capacidade dos seus elementos. Primeiro, a velocidade de transporte de Coentrão, a tirar tempo de organização à defesa do Braga. Depois, o papel vital desempenhado por Saviola, criando uma linha de passe que desfaz o 3x3 que o Braga criara no flanco. Finalmente, e já com o desequilíbrio numérico criado, Martins na inspiração final.

Um lance que decidiu o jogo, numa altura em que o seu destino era tudo menos óbvio.

Notas colectivas: Braga
Domingos arriscou uma estratégia compreensível, mas que não lhe saiu muito bem. Fechar a direita, abdicando de um extremo e introduzindo um ala interior – Salino – e “abrir” a esquerda, com o principal desequilibrador – Alan – e um lateral ofensivo – Elderson. Uma das virtudes desta opção seria não sobrecarregar demasiado o duplo pivot com necessidades de basculação, retirando-lhe a responsabilidade de vir à direita. E todos sabemos os problemas que o duplo pivot tem sentido em controlar o espaço entre linhas.

É sempre arriscado, e normalmente corre mal, mexer na estrutura de um momento para o outro. O problema que Domingos provavelmente não considerou foi a dificuldade de Lima “filtrar” a entrada de jogo pelo flanco direito, e foi por aí que o Braga começou por sentir dificuldades.

Outro problema evidente de Domingos, são as soluções para o meio campo. Percebe-se a preocupação do treinador em ter ao lado de Vandinho um jogador forte no passe, que possa dar qualidade, quer à construção, quer à saída em transição. Por isso opta, ora por Viana, ora por Aguiar ao lado de Vandinho, em vez do eléctrico Salino. Aguiar, e à parte do seu pontapé, é uma opção muito difícil de justificar em qualquer das posições onde vem jogando. Viana, e apesar de ter um sentido posicional muito mais apurado do que o uruguaio, também não tem a intensidade que muitas vezes se pede para a posição. Um problema, e isso viu-se pela paupérrima primeira parte que fez Aguiar, muito raramente em jogo. Melhorou com a troca com Viana, mostrando-se mais útil em zonas mais baixas, mas é para mim um mistério o porquê de sair Viana (a condição fisica não me parece suficiente) quando tinha um rendimento muito superior a Aguiar. Para este Braga, a perda de Mossoró criou um problema irreparável na dinâmica ofensiva.

Ainda assim, e apesar destes problemas, é importante notar a forma como o Braga sobreviveu à má entrada, evitando maiores situações de perigo junto da sua baliza. Aliás, e repito a ideia de ontem, num outro momento de confiança seria provável que o Braga conseguisse outro aproveitamento das oportunidades que criou e, nessa hipótese, dificilmente teria perdido este jogo.

Notas individuais: Benfica
Carlos Martins: não fez um jogo excepcional, mas apenas normal dentro daquele que vem sendo o seu rendimento. Realmente, só espanta o porquê de não ter tido mais minutos nos primeiros jogos. Martins não é hoje um jogador diferente do passado. Tem características excepcionais – como se viu no golo – mas faltam-lhe também outras. Está num bom momento e o seu desafio, como sempre, será a reacção mental a um momento mais adverso.

Gaitan: Foi um jogador muito importante na primeira parte, espalhando algum do seu "perfume" e protagonizando jogadas que, se fossem de outros mais consagrados, teriam sido fortemente empoladas. O problema é que Gaitan continua a arricar demasiado em zonas que podem ser muito perigosas num dia de menor inspiração, e isso, embora não tenha sido o caso, poderá custar caro. Ainda assim, a sua confiança está claramente a crescer e com ela fica bem mais claro o potencial que obviamente tem.

Saviola: A sua entrada no jogo foi, de facto, muito desastrada, perdendo quase todas as bolas que passaram pelos seus pés. Mas o acerto no passe não é a mais valia de Saviola. O que o distingue é a movimentação e foi isso que, de novo, fez a diferença. Esteve em todos os 3 desequilíbrios que a equipa conseguiu enquanto esteve em campo e fica-me a dúvida se o último e decisivo não terá vindo “just in time”. É que se preparava uma dupla substituição e se calhar Saviola iria sair. O seu momento técnico pode não deslumbrar, mas continua a ser a grande fonte de desequilíbrios da equipa.

Kardec: Importa falar dele porque, afinal, foi o substituto da grande ausência: Cardozo. É difícil dizer se o Benfica ficou a ganhar ou a perder, porque, face à sua irregularidade, não se sabe que Cardozo teríamos. Começou por ter muitas dificuldades em entrar no jogo, mas foi ganhando espaço e confiança e acabou por se fazer sentir no jogo aéreo. Seria bom para ele ter outra oportunidade...

Notas individuais: Braga
Paulão: Para mim foi a surpresa positiva do jogo. Dominou completamente a sua zona e não confirmou dúvidas que sobre ele se levantaram nos últimos jogos.

Silvio: Percebe-se bem que é o lateral mais fiável do Braga, quer à direita, quer à esquerda. De longe! A Selecção é outra conversa...

Luis Aguiar: Já falei dele atrás e também no Dragão havia tido uma prestação muito negativa, para além do golo. O seu pontapé é uma arma rara, mas tem de estar muito inspirado para compensar a nulidade de rendimento que teve. Domingos estará melhor quanto mais depressa encontrar alternativas para o uruguaio no modelo base. Pela amostra que tenho, é a única opinião que posso ter.

Salino: A sua energia dá nas vistas e muitas vezes acaba por parecer fazer mais do que aquilo que realmente faz. Ainda assim, é um jogador interessantíssimo, com grande intensidade e boa qualidade técnica. Só falta perceber qual é, realmente, a sua posição no modelo. Os elogios são, por isso, justificados (ainda que sem exageros), mas há que notar também que Salino representa um pouco da quebra de confiança e eficácia do Braga pós-Emirates. Frente ao Shakhtar teve 2 clamorosas ocasiões e, agora, mais um “penalti em movimento”. Como seria diferente a história - sua e da equipa - se tivesse tido um bom aproveitamento destas ocasiões...



Ler tudo»

ler tudo >>

3.10.10

Benfica - Braga (Breves)

ver comentários...
- Começo por deixar um apontamento sobre a questão da candidatura ao título do Braga. Compreende-se que o peso do estatuto seja enfatizado pelos adversários, mas parece-me um erro enorme que o próprio Braga se deixe sobrecarregar por esse fardo. Ainda mais numa época de responsabilidades acrescidas. Isto não coloca em causa o mérito do trajecto excepcional dos bracarenses, mas o Braga não tem, nem condições, nem tradição para ter de carregar esse fardo. Continua a ser um fortíssimo candidato a um lugar aos 3 primeiros e isso, por si só, já é fazer melhor do que a sua "encomenda". Uma coisa é ambição, outra é irrealismo. Uma traz motivação, a outra frustração.

- Sobre o jogo, e antes ainda de uma análise mais detalhada que posteriormente deixarei, parece-me que ambas as partes ficaram a meio do seu potencial, o que é compreensível, já que nenhuma atravessava um bom momento em termos de confiança. Ganhou o Benfica e mereceu mais porque, não só é tecnicamente melhor, como esteve mais tempo perto do golo. Mas o jogo podia ter conhecido outro desfecho, com outra inspiração do Braga. Aliás, é curioso notar a diferença de eficácia e inspiração dos arsenalistas na Luz e no Dragão (ou, se quisermos, frente a Shakhtar e Sevilha). Sem o poder concretizar, parece-me que a goleada no Emirates começou a abrir uma "ferida" de confiança que tem abalado fortemente as aspirações bracarenses.

- Agora vão começar a questionar o rendimento de Saviola? Mas está tudo louco?!

ler tudo >>

O golo do Nacional e o método defensivo nas bolas paradas

ver comentários...
Regresso ao golo do Nacional em Alvalade. Não por causa de Nuno André Coelho em específico - há coisas que me parecem claras, mas cada um vê o que quer - mas por um problema que o método defensivo escolhido pelo Sporting evidencia e que acaba por ser - isso sim! - decisivo no lance.

Como é fácil ver, não há qualquer displicência individual de NAC no lance. O que acontece é que, fazendo um acompanhamento individual de um jogador, ele acaba por se encontrar numa posição muito desfavorável para a recuperação. No momento em que Patrício alivia (para bem longe, diga-se), NAC está, não só muito atrasado, como é apanhado em movimento contrário àquele que terá de fazer para sair da área. Isto atrasa substancialmente a sua missão e, mesmo se não hesitou no adiantamento, o "handicap" inicial prejudicou-o decisivamente no lance.

O ponto é o seguinte. Num sistema zonal de marcações, este problema nunca aconteceria porque o jogador estaria com os olhos na bola e nunca tem de fazer movimentos de recuo, virando-se na direcção da sua própria baliza. Ou seja, o que o lance evidencia não é qualquer erro individual, mas uma limitação de um método defensivo - marcações H x H. Para uma equipa que opta por este método, aconselha-se alguma prudência na definição da zona para onde os jogadores devem sair, porque não é certo que todos possam partir de iguais circunstâncias. E essa prudência, mais uma vez, o Sporting não teve...

ler tudo >>

1.10.10

A (minha) justiça a Nuno André Coelho

ver comentários...
Não é a primeira vez que me refiro a ele, mas porque vejo, de várias partes, uma onde de culpabilização em torno de Nuno André Coelho, julgo justificar-se vincar a minha posição e, já agora, alertar para a realidade da sua exibição frente ao Nacional.

Vinha “chamuscado” do derby e logo se aproveitou um lance em que acho muito difícil ser responsabilizado (parece-me partir de uma posição demasiado atrasada para ter tempo de recuperar) para o “queimar” definitivamente. O que pouca gente terá visto no jogo frente ao Nacional foi a excepcionalidade da exibição de Nuno André Coelho.


O Nacional chegou a Alvalade com a intenção de explorar o futebol directo, recorrendo a Orlando Sá, primeiro, e a Anselmo, depois. Ora, dá para dizer que Nuno André Coelho, sozinho, chegou para “secar” esta estratégia dos insulares. É preciso uma análise minuciosa para encontrar um lance perdido pelo central nos 90 minutos, e é preciso percorrer muitos jogos para encontrar um jogador que, como Coelho frente ao Nacional, tenha conseguido 37 intercepções e 57 passes completados. Posso dizer, aliás, que neste campeonato, e entre os centrais dos 3 grandes, não houve ninguém que tivesse conseguido tal grau de influencia. Carriço, por exemplo, neste jogo ganhou cerca de metade das bolas do seu companheiro de sector.

Para colocar os "pontos nos ís", Nuno André Coelho é um central que precisa de crescer em alguns aspectos. Ainda erra muitas vezes quando não tem necessidade e precisa de aperfeiçoar alguns detalhes posicionais – algo que só fará com outra qualidade de organização defensiva. Neste jogo específico, aliás, houve lances que poderia ter resolvido melhor, ainda que tenham sido ilhas num oceano muito mais vasto de acções positivas.

Mas NAC é também um central de potencial excepcional, com uma combinação de características, físicas, técnicas e mentais raras. É, para mim, o central português com maior margem de evolução. Neste momento, funciona como uma espécie de “bombeiro” de uma defesa que quer fazer coisas que não sabe, quer pela sua capacidade aérea, quer pela sua capacidade de recuperação. O Sporting – e isto também já o disse e não é isso que está em causa – tem 4 centrais de qualidade muito elevada, mas nenhum deles será solução dos problemas colectivos que a equipa há muito revela no sector mais recuado. Não sei qual o destino de NAC, e não sei se encontrará, a tempo, o enquadramento certo para a tal ascensão que está ao seu alcance – num defesa, o enquadramento colectivo é mais importante que em jogadores mais ofensivos – mas sei que se está a cometer um grande erro em subvalorizar o valor deste jogador.



Ler tudo»

ler tudo >>

AddThis