25.3.09

Aliev e Conca

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O primeiro confirma que é uma dos melhores "atiradores" da actualidade. O segundo que já mereceria uma experiência europeia. Provavelmente não irá a tempo...


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24.3.09

3 lances do derbi...

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Foi um jogo particularmente pobre em ocasiões e, vendo bem, poucas mais existiram em jogo corrido para além das 3 que constam neste vídeo. Ainda assim, aconteceram estes 3 lances de grande desequilíbrio junto das balizas, sendo que apenas o último acabou por ter como consequência o golo. Do ponto de vista de quem defende, estes são também espelhos daquelas que foram os factores que mais puseram em causa o controlo que cada uma das equipas tentava ter do adversário. Do lado do Sporting, os erros individuais e do lado do Benfica a relação intersectorial quase inexistente entre defesa e meio campo.

O primeiro lance de golo
Foi logo a abrir o jogo e, até, apareceu algo desenquadrado com alguma tentativa de domínio de jogo por parte do Sporting nos minutos iniciais. O Benfica acabou por tirar partido de um erro de comunicação entre Polga e Rochemback, depois do primeiro ter feito valer um dos seus pontos fortes em termos defensivos, a capacidade de antecipação. O problema óbvio é que a saída de Polga da sua zona acabou por desequilibrar numericamente a defensiva leonina, exigindo-se por isso grande certeza na continuidade da acção do central brasileiro. Como isso não aconteceu, aquilo que seria uma jogada de insistência ofensiva do Sporting terminou numa ocasião de golo para Nuno Gomes. Na jogada, nota para a rápida saída do Benfica, não permitindo que o Sporting se pudesse recompor. O mérito vai para as acções dos intervenientes directos, Aimar e Nuno Gomes, muito rápidos a sair em transição, mas também para o movimento (ainda que não concluído) de Suazo. A diagonal do hondurenho é o movimento correcto numa situação de superioridade numérica, abrindo um espaço onde Nuno Gomes acabou por aparecer.


A táctica dos matraquilhos?
Por vezes, ao ver algumas jogadas deste Benfica, lembro-me dos jogos de matraquilhos. A equipa parece jogar em 3 linhas e quando a distância entre essas linhas aumenta, não há qualquer solidariedade entre sectores, estando cada um entregue a si mesmo. Na linha lateral, o gesto de Quique é quase sempre o mesmo todos os jogos, com as mãos alinhadas de forma paralela indicando a necessidade de encurtar os espaços entre sectores. É óbvio que as linhas jogando juntas, a proximidade entre sectores será muito grande, diluindo este problema característico de um jogo de matraquilhos, mas também parece evidente que nem sempre é possível que os sectores estejam juntos e que seria muito mais aconselhável desfazer pontualmente cada uma das linhas, garantindo uma melhor cobertura dos espaços, em profundidade. Esta é, no entanto, uma conversa que vem da pré época...
Nos lances em causa, destaco, no primeiro, a excelente reacção da dupla Liedson-Derlei à situação criada. O ataque da zona atrás dos centrais, em diagonal, passando para a frente do lateral é o movimento correcto para este tipo de lances onde os centrais (1 deles e nunca os 2) têm de bloquear o homem da bola, ganhando assim vantagem sobre os laterais. Valeu a rapidez de reacção do tantas vezes criticado David Luiz. No segundo lance – o do golo – a jogada começa, de novo, com a bola a aparecer no espaço entre linhas, mas a jogada acaba por expor outros problemas. Poder-se-á começar por apontar a displicência de Reyes no acompanhamento que não faz à subida de Caneira. Numa perspectiva zonal, no entanto, esse não é o problema mais grave. Com Luisão atraído para fora da sua zona e Maxi batido, restam Miguel Vitor e David Luiz no meio. Aqui deveria haver uma compensação imediata de um dos médios sobre a zona central da defesa. O que se verifica, no entanto, é que não existe da parte dos médios qualquer preocupação com essa compensação, acabando por permanecer sempre distantes dessa zona fundamental onde se criou uma situação de desvantagem numérica inconcebível e que se prolongou até à abordagem do ressalto do primeiro remate de Liedson. Aqui devo fazer uma nota para Katsouranis, pelo facto de noutras alturas ter destacado a sua inteligência na reacção ao preenchimento dos espaços. Normalmente essa característica do grego compensa as lacunas colectivas, mas neste caso isso não aconteceu.

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O velho Nedved e outros destaques do fim de semana

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- Em Inglaterra, um mais um jogo infeliz do Manchester, relançou a luta pela título. Gera marcou o segundo do Fulham.
- Em Anfield, o Liverpool aproveitou com uma goleada. Riera marcou o melhor golo, num lance que confirma a importância estratégica do pontapé de Reina. Quem não aproveitou foi o Chelsea, que perdeu em White Hart Lane, com golo de Modric.
- Nota ainda para o chapéu improvisado do Ben Watson (Wigan)
- Em Espanha, Barcelona e Real não deram sinais de fraqueza. Destaque para mais um golo "à Messi" e uma fantástica assistência de Xavi para Dani Alves na goleada ao Malaga, e, em Madrid, para o tiro de Marcelo.
- Em França, o Lyon sofreu mas voltou às vitórias e, na ressaca de Braga, o PSG voltou a perder terreno no seu sonho do título.
- Ainda em França, nota para os trabalhos de Jelen (Auxerre) e Gourcuff (Bordéus).
- Na Alemanha, vitória magra mas importante do Bayern, destacando-se a jogada de Ribery na origem do golo de Sosa.
- Nota para a surpreendente derrota caseira do Galatasaray na ressaca da eliminação da Uefa (o Fenerbahce também perdeu) e para o bom golo de Tello, na Turquia.
- Finalmente, referência para o grande golo de Aganovic (Westerlo), para o livre de Srna (Shakhtar) e para a fantástica exibição de Matias Defederico (20 anos do Huracan).

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23.3.09

Benfica - Sporting: equilibrio e polémica no clássico final

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Podia ser pior? – Começo por me referir ao carácter desastroso com que termina esta competição. Os esforços por cativar patrocinadores e clubes para esta ideia foram evidentes por parte dos responsáveis da Liga. Pessoalmente, como já defendi, louvo a intenção de criar e tentar dinamizar a competição, por motivos vários que não vou repetir. O problema, no entanto, é que das boas intenções às boas práticas vai uma distância enorme e tudo correu mal nesta edição da prova, culminando numa final que ficará na memória por polémicas que são precisamente a antítese de qualquer promoção à competição. Regulamentos dúbios, arbitragens polémicas e um modelo competitivo que não agradou à maioria dos intervenientes foram os ingredientes principais. Junto ainda, nesta final, o mau estado do relvado que condicionou a qualidade do jogo e o facto de se insistir num recurso rápido às grandes penalidades como método de decisão, o que não é nada próprio para uma competição que pretende ter alguma importância. Depois do primeiro ano ter visto Benfica e Porto saírem precocemente da competição, a segunda edição expôs uma série de trapalhadas que são, no fundo, apenas uma curta imagem do que é realmente o amadorismo que envolve cada jogo de futebol em Portugal. Tudo isto somado, pergunto-me como será encarada por jogadores e adeptos a terceira edição desta prova...

Jogo - Passando ao jogo, a sua história não é muito complexa. Tudo isto pelo pouco tempo útil que houve na partida, com muitas faltas e muitas paragens, que foram o resultado de uma grande entrega e agressividade por parte dos jogadores e, também, de um relvado que não facilitava a definição rápida dos lances.
Comparativamente ao último derbi, este foi diferente por vários motivos, começando pelas surpresas de Quique no preenchimento do seu 4-4-2 e por uma maior disposição do Benfica para dividir o jogo, não se limitando apenas a refugiar-se num bloco baixo antes de lançar Suazo em profundidade. Ainda assim, foi o Sporting quem começou melhor no jogo, sendo essa tendência mais global escondida por alguns erros individuais que permitiram ao Benfica ser a equipa com a primeira grande ocasião da partida. Esse lance, de resto, terá condicionado o período inaugural do jogo que foi invulgarmente aberto, tendo o Sporting depressa igualado o “feito” de Nuno Gomes, com Liedson a falhar o 1-0 já sem Quim na baliza. O jogo caminhou depois para uma fase mais dividida, com o Benfica a mostrar-se também em organização ofensiva e não apenas em transição, mas com o jogo a fechar-se mais, não havendo grandes desequilíbrios até ao intervalo.
A segunda parte começou, tal como em Alvalade, com o golo do Sporting. Uma jogada bem elaborada, mas que evidencia mais uma vez a falta de solidariedade entre os sectores encarnados, com o meio campo a não compensar minimamente uma zona central pontualmente exposta pelo desenrolar do lance. A reacção ao golo não deu vantagem a nenhum conjunto, numa toada de controlo mutuo e marcada por muitas bolas paradas, quase sempre longe da baliza. Derlei primeiro e Miguel Vitor depois tiveram boas situações para marcar neste tipo de lances, mas essas foram excepções de uma regra que parecia beneficiar o Sporting, pela vantagem que já havia conseguido. O penalti acabou por desfazer essa tendência e o seu efeito acabou por tornar os penaltis quase uma inevitabilidade. Isto porque, se o Sporting ficou condicionado pela inferioridade numérica, o Benfica não alterou muito a sua capacidade de ser perturbador, mesmo com 1 jogador a mais. Destaque, nesta fase, para mais uma prova da pouca ousadia táctica de Quique, compreendendo-se dificilmente as suas alterações.
O jogo terminou num empate e forçou a mais um desempate por penaltis. Se o jogo é fértil em matéria de sorte e azar, os penaltis são pouco mais do que isso. Ainda assim, foi irónico ver Quique estranhamente tirar um dos seus principais marcadores de penaltis (Reyes) a 2 minutos do fim e Paulo Bento guardar 2 substituições para essa decisão e, no fim, ser o Benfica a levar a melhor. Valeu a inspiração de Quim.

Benfica – Sobre as alterações de Quique, parece-me que não serão apenas circunstanciais e que as veremos repetidas em próximos jogos. A grande alteração passa pela readaptação de Aimar que, apesar de colocado sobre a ala, consegue aparecer em situações bem mais favoráveis às suas características. De resto, esta colocação teve também o condão de atrair o meio campo do Sporting para zonas mais interiores, abrindo espaço às progressões de David Luiz, a solução para a saída de bola, particularmente no final da primeira parte. No Benfica, realçar que a exibição, apesar de não ter sido má, foi ainda muito intermitente, acabando por se colocar num caminho que tinha tudo para conduzir a mais uma derrota, depois de um erro defensivo ter comprometido a equipa, antes desta evidenciar grande incapacidade para chegar à área adversária por outra via que não fossem as bolas paradas. É bom que se diga, no entanto, que este foi um Benfica sem grande tempo de rotina, merecendo novas oportunidade para mais conclusões. Até porque o Sporting será um adversário mais complicado do que qualquer outro dos que restam até final da temporada.

Sporting – O Sporting pareceu ser capaz de entrar mais forte no jogo, mas alguns erros individuais, com Polga em particular destaque, foram essenciais para que tal tendência depressa se esbatesse no jogo. Sem ter feito um jogo brilhante, sobretudo pelo efeito de algumas exibições aquém do habitual, o Sporting parecia ter tudo para vencer o jogo. Nova entrada forte no jogo na segunda parte valeu a vantagem e, se é verdade que a equipa não arrancou (longe disso) para a mesma exibição do último derbi, também se deve dizer que a reacção do Benfica foi em grande parte controlada. O penalti, de resto, apareceu numa altura fundamental, já que as condições para surpreender o Benfica aumentariam seguramente com o aproximar do final do jogo. Entre as exibições menos conseguidas destaco os lapsos de Polga, a ineficácia invulgar de Liedson e a discrição atípica de Vukcevic, 3 figuras que normalmente têm um peso diferente no jogo.


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Um alívio para Queiroz...

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20.3.09

Taça Uefa e o último capítulo da aventura bracarense

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O fim do sonho
Não teria forçosamente que acabar, mas era uma franca probabilidade e o sonho europeu do Braga acabou por não chegar à meta histórica dos quartos de final. A Taça Uefa pode parecer uma segunda divisão da Europa quando olhamos para o nível dos ‘tubarões’ da Champions e a verdade é que o nível é mesmo absolutamente incomparável, hoje mais do que nunca, mas para o Braga este é já um nível demasiado elevado para uma candidatura real à vitória na competição.
O Braga não foi inferior ao PSG e arrisco até dizer que dificilmente seria inferior na discussão da eliminatória com qualquer uma das 8 equipas nos quartos de final. Ou pelo menos em 80% do campo. Este último ponto leva-me à primeira fragilidade do Braga, a diferença de qualidade individual, particularmente na diferença que se consegue fazer no último terço do campo. Em Braga, mais do que em Paris sentiu-se isso, que faltava uma capacidade de definição que desse outra objectividade aos momentos de domínio que a equipa consegue. A outra fragilidade tem a ver com o desgaste físico. Apesar de Jesus ter feito uma gestão de esforço que deu prioridade a esta prova (ao contrário do PSG), a verdade é que se percebeu que o passar do tempo prejudicaria o futebol do Braga, cada vez com mais dificuldade em impor um ritmo de jogo que é também a sua principal arma colectiva. Aqui, destaco aquillo que já anteriormente referi sobre esta equipa e este modelo. Ou seja, que este tipo de jogo alto e pressionante é muito desgastante e sobretudo do ponto de vista mental, exigindo um elevado nível de concentração de todos os jogadores. Diria, por isso, que o Braga levou o KO numa altura em que se sentia a sua incapacidade de vencer aos pontos o seu adversário.


E agora...
A Taça Uefa confirma o seu equilíbrio e a sua enorme imprevisibilidade. Ao contrário da Champions League, onde 5 ou 6 das 8 equipas finais seriam mais do que esperadas nesta fase, na Taça Uefa tanto não surpreendem estes 8 nomes finais como facilmente se encontram entre os eliminados 8 equipas que facilmente poderiam estar nesta fase.
Ainda assim, confesso alguma surpresa pela presença de várias equipas que não dando tanta importância à competição conseguiram chegar até aqui. Será o caso dos 2 representantes franceses e do Man City. Aliás, para o futuro, e à medida que o equilíbrio vai sendo ainda maior, creio que esta componente da prioridade que se dá à Taça Uefa, ganhará mais importância. Por isso, parece-me bem provável que uma das equipas ucranianas possa tornar-se na sensação da prova, já que todas as outras equipas estão envolvidas em ligas bem mais competitivas e desgastantes. Já agora, a este propósito, destaco a eliminação do Galatasaray que acalentava uma enorme esperança de jogar a final em casa, bem como do CSKA, uma das equipas que via com probabilidades crescentes de sucesso, caso se tivesse mantido em prova.

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A noite em que Guerrero tirou Istambul aos turcos...

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19.3.09

Keirrison, até quando resistirão a tantos golos?

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Já venho fazendo algumas referências pontuais a este nome há algum tempo, mas creio que chegou a hora de um destaque mais declarado. O nome é Keirrison e é um ponta de lança que se vem continuamente afirmando no futebol brasileiro, coleccionando já diversos destaques individuais na sua carreira apesar de ter recentemente completado... 20 anos.

Sinceramente, estranho a permanência deste jogador no campeonato brasileiro em 2009. Afinal, este foi só o melhor marcador do Brasileirão 2008 quando ainda tinha 19 anos! Keirrison apareceu muito novo no Coritiba, um clube grande do estado do Paraná, mas não um gigante do futebol brasileiro, e desde logo deixou clara a sua afinidade pelo golo. Melhor marcador do clube nos estaduais ainda com 16 e 17 anos, na Serie B com 18 anos, e melhor marcador do estadual de 2008 e Brasileirão 2008, Keirrison acabou por rumar ao Palmeiras numa parceria com a empresa desportiva Traffic (o Palmeiras terá 20% do passe). Hoje, ainda no inicio da sua passagem pelo clube, Keirrison é já o melhor marcador do Paulistão 2009. Vanderley Luxemburgo – treinador do Palmeiras – agradecerá certamente este esquecimento do futebol europeu e faz deste jovem o principal reforço de uma equipa remodelada para o ataque ao título em 2009.


Talvez o motivo pelo qual Keirrison tem conseguido a “proeza” de ser tão consistente e, simultaneamente, não ter ainda saído do Brasil seja o seu perfil. É que Keirrison tem um perfil algo raro no avançado brasileiro. Não é particularmente rápido, não é temível no 1x1 e não é particularmente forte fisicamente. Keirrison lembra muito mais o perfil holandês de avançado. Fino, inteligente, com um faro felino pelo golo e uma notável capacidade de definição, que fazem dele um goleador espantosamente regular. Keirrison tem outro atributo que lhe deve garantir uma carreira de sucesso. A cabeça. Ao contrário de outros jovens talentos, Keirrison parece ser imune a estados de euforia e vem seguindo serenamente a sua carreira aparentemente apenas concentrado em fazer aquilo em que é bom.


E pronto, está apresentado Keirrison, ou K-9. Para quem pode acompanhar o futebol brasileiro não será novidade. Para quem não pode, é uma questão de esperar, porque ele vai aparecer...

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