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19.3.09
18.3.09
A entrevista de Queiroz e os naturalizados
É um tema complicado e que, creio eu, deixa dúvidas em quase todos. O surgimento desta questão tem a ver sobretudo com a evolução do mundo em que vivemos e, em particular, do futebol. Isto é, hoje há muito mais casos de pessoas e jogadores que não têm apenas uma “pátria”. Quer por motivos de ordem genética, quer por aspectos culturais. Sou, antes de mais, um apreciador do futebol de Selecções que considero ser hoje, e salvo algumas excepções ao nível de clubes, o que resta da “pureza” da identificação cultural entre adeptos e jogadores.
Reflectindo bem sobre a matéria, só posso chegar a uma conclusão. Se um país reconhece uma pessoa como seu cidadão não pode de forma nenhuma ser o futebol a discriminar esse cidadão que tem os mesmos direitos que os outros. Aqui, o que me parece importante é não inverter a ordem lógica das coisas. Ou seja, um jogador deve ser seleccionável porque é (e quer ser) cidadão desse país e não, ser cidadão do país porque quer ser seleccionável. Aqui há 3 eixos importantes a ter em conta: genes, cultura e vontade. A vontade é o único que deve ser omnipresente em todos os casos, já que só faz sentido uma pessoa ser cidadã de um país, ou representante de uma Selecção se o quiser ser. Depois tem de haver pelo menos um ligação forte em termos culturais ou genéticos. Aqui, normalmente coloca-se a questão apenas em relação aos casos em que não há ascendência genética da mesma nacionalidade, mas eu coloco a pergunta ao contrário. Então e nos casos em que não há qualquer ligação cultural? Por exemplo, em Portugal temos os casos de Pepe, Deco e em breve Liedson. Mas também temos os casos de Amaury Bischoff ou Manuel da Costa que são descendentes de portugueses, mas têm uma ligação cultural praticamente nula ao país, não dominando sequer o português. Quem é “mais português”, uma pessoa que fala a lingua do país e que nele vive há 5 ou mais anos, ou alguém que tem ascendência portuguesa mas que não fala português, nem nunca viveu no país?
Percebe-se qual a posição para a qual Queiroz está mais inclinado, lamentando-se que não a clarifique de forma mais objectiva. O que se lamenta também é que ainda exista tanto preconceito em torno de um tema que, por dizer respeito ao futebol, não deixa de ser uma questão social muito sensível. Havendo vontade e enquadramento legal para ser cidadão de um país e jogador de uma Selecção, não pode ser o futebol a dar um exemplo de discriminação entre pessoas com os mesmos direitos.
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17.3.09
Aimar, o golo de Roberto e o Porto-Naval
Um raro Aimar
Desde o inicio da temporada que se falado muito do posicionamento de Aimar. De facto, quem pensa nos pontos fortes do argentino, dificilmente poderá imaginar que o seu rendimento possa ser potenciado a jogar de costas para a baliza, apertado por jogadores fisicamente muito mais poderosos e que facilmente condicionam as suas aparições no jogo.
Frente ao Guimarães houve uma jogada que, aparecendo totalmente descontextualizada daquilo que é norma nas rotinas ofensivas do Benfica, teve o condão de dar uma breve ideia de como poderia Aimar ser bem mais útil. Participando na primeira fase de construção e actuando de frente para os adversários e com a bola controlada, Aimar conseguiu rapidamente fazer levar a bola até à área contrária, numa jogada simples mas bem mais eficaz do ponto de vista da construção do que a maioria das jogadas que vemos no Benfica. Ao Aimar actual pode ainda apontar-se o aspecto de limitar a sua acção ao corredor central, oferecendo pouco auxilio à saída de bola pelos corredores. Mais uma vez, claro, fica a dúvida se tal tem a ver apenas com o comportamento do argentino, ou se há indicações para que tal aconteça.
O golo do Vitória
No golo que fez a diferença na Luz houve, mais uma vez, várias criticas feitas a David Luiz. Francamente, não consigo partilhar dessa responsabilização do jovem jogador encarnado. O motivo é simples. A razão pela qual David Luiz não impede Roberto de marcar tem a ver com o ponto de partida dos 2 jogadores na jogada. Enquanto que Roberto está ao lado de Luisão, David Luiz está uns bons metros à frente. A questão é que este adiantamento é correcto. Num lance que é disputado do seu flanco, o lateral deve aproximar-se da zona da bola, sendo o lateral oposto o responsável por fechar na zona central. Só se pode responsabilizar David Luiz se se discordar do seu posicionamento inicial no lance, já que não é possível pedir-se que o lateral recuperasse de forma tão rápida ao ponto de conseguir “apanhar” Roberto.
O problema do golo surge, por isso e na minha opinião, de 2 aspectos. O primeiro tem a ver com o erro de abordagem de Miguel Vitor que tenta erradamente jogar em antecipação, arriscando, e comprometendo o equilíbrio defensivo que existia. O outro aspecto tem a ver com a distância da linha média. Desmarrets é fundamental no lance, apesar de não participar. Isto porque cria uma linha de passe que impede Maxi de abordar mais directamente Marquinhos e obrigando Luisão a dividir as suas atenções entre o extremo e Roberto. Aqui, a distância da linha média dos defesas e a não existência de um jogador mais posicional, tem toda a importância. Primeiro porque não permite a existência de um 2x1 sobre Marquinhos no momento em que este roda sobre Miguel Vitor, depois porque não tem capacidade para acompanhar Desmarrets no tempo de chegada à zona ofensiva.
A má Naval e o bom Porto
Frente à Naval repetiram-se as jogadas elaboradas, com várias trocas de passe a servir de preparação para tantas ocasiões portistas no jogo. Como já havia referido no rescaldo do jogo, há 2 aspectos que contribuem para este tipo de jogo e que ficam bem evidentes nas 2 jogadas que recuperei sobre este jogo. A primeira é a inspiração e mobilidade dos jogadores portistas. A segunda é a fraca oposição que a Naval protagonizou no Dragão.
Em relação ao segundo aspecto, destaco vários erros de posicionamento, quer na linha média (no vídeo, realço a saída de 2 jogadores a pressionar Raul Meireles no lance do segundo golo), quer na zona mais recuada (as chegadas tardias de jogadores portistas às zonas de finalização nunca tiveram o acompanhamento devido e as saídas dos centrais não foram devidamente compensadas pelos laterais, como se vê no segundo golo). No Porto, pego no lance do segundo golo para chamar atenção para 2 jogadores. Lisandro, cuja movimentação foi uma fonte de desequilíbrios, arrastando os centrais para fora da zona central que ficava livre para as diagonais de Mariano para os movimentos verticais de Lucho. Depois, um “filme” muito visto mas que nunca é demais rever. A inteligência de Lucho. “El Comandante” tem essa particularidade em que parece esperar que toda a gente ponha os olhos na bola para atacar um espaço livre no último terço. Como os defesas continuam (e continuarão!) a fixar-se exclusivamente na bola e a esquecer-se dele, ele continua (e continuará!) a marcar golos.
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A bomba de Ibrahimovic entre outros destaques...
- O Arsenal goleou, com Arshavin a corresponder às melhores expectativas.
- Goleada do Real na capital basca e o prodígio de Bojan mantiveram a luta pelo título na mesma em Espanha.
- Grande jogo entre Atlético e Villareal e grandes golos de Pablo Hernandez (Valencia), De la Peña (Espanyol).
- Em Itália, goleadas de Milan e Juventus. De resto, nota para mais um golo sensacional de Mascara (Catania).
- Na Alemanha, muitos golos e emoção. Destaque para Frei (Dortmund), Diego (Bremen), Pizarro (Bremen) e Westermann (Schalke)
- Em França destaque para 2 jogos. A derrota caseira do Lyon e a importante vitória do Marselha em Paris (1-3).
- Golos de Gervinho, Morel e Kembo.
- Na Holanda, o Feyenoord esqueceu a crise e bateu o PSV (1-0). Na frente vai o imparável AZ, com mais uma vitória e um grande golo de Martens.
- Na Rússia começou o campeonato, com destaque para o tiro de Pogrebnyak e a vitória do CSKA (0-3 ao Saturn), uma equipa num momento de forma impressionante, catapultada pelo talento de Dzagoev.
- Na Escócia, o Celtic venceu o Rangers na final da Taça da Liga.
- Nota ainda para os golos de Victor Agali (Xanthi), Alanzinho (Trabzonspor) e Roberto Carlos (Fenerbahce) e para os golos no empate a 1 entre River e Velez.
- Finalmente, por cá, André Pinto e Zé Pedro merecem destaque.
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16.3.09
Porto – Naval: Poupada a goleada
Superioridade – A ideia que fica depois deste jogo é que havia no Porto uma grande vontade de colocar finalmente um ponto final na malapata do Dragão. O resultado foi uma exibição muito bem conseguida, revelando uma superioridade tão evidente como natural, e que só não teve mais expressividade no marcador por alguns casos de ineficácia quase gritante na finalização.
Na minha apreciação, a superioridade do Porto tem de ser partilhada com um jogo menos conseguido por parte da Naval. A mobilidade dos jogadores portistas foi excelente e a reacção à perda de bola condicionou muito a capacidade figueirense para dar alguma expressão à sua posse de bola. A verdade, no entanto, é que o Porto contou com uma oposição muito “mole” em termos de agressividade e com manifestas dificuldades em controlar as chegadas portistas às zonas de finalização. Por isso se viram tantas jogadas vistosas, com 10 e mais passes consecutivos e com jogadores a sair facilmente de situações em que tinham inferioridade numérica. Com esta atitude perante um adversário como o Porto, pode dizer-se que a Naval se pode dar por muito satisfeita de não ter saído do Dragão com uma das mais pesadas derrotas da temporada.
Sem Hulk – Um dos aspectos mais curiosos da exibição do Porto foram os efeitos da ausência de Hulk. Lisandro (apesar de não ter marcado), Mariano e Lucho tiveram mais margem para a fazer da mobilidade uma fonte de problemas para os adversários e cada um destes argentinos terá realizado mesmo uma das melhores exibições da época a título individual, recuperando muitas das características que se viram no Porto em 07/08. Não quer isto dizer, obviamente, que um elemento com a capacidade individual de Hulk retire qualidade ao Porto, mas serve de exemplo para o brasileiro sobre o caminho que deve dar à sua evolução como jogador.
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Benfica – Guimarães: à quinta vez deu... Vitória
Esperado mas não assim – Praticamente desde os primeiros jogos caseiros que vinha alertando para a perigosidade das exibições do Benfica. O problema seria a reacção a um jogo que não corresse bem e o Benfica vinha-se expondo muito, raramente resolvendo as suas partidas cedo e normalmente passando por alguns apuros em termos defensivos. Não deixa de haver alguma ironia no jogo em que este desfecho acabou por acontecer. É que, desta vez, o Benfica concedeu muito poucas oportunidades ao adversário que só por um golpe de inspiração e eficácia terá conseguido marcar na Luz. Esta ideia, no entanto, não concorre para a opinião deixada por Quique, de que o Benfica terá feito um bom jogo. Foi-o em alguns aspectos, é verdade, mas voltou a ser manifestamente fraco noutros.
O Vitória não foi o adversário acessível dos encontros no Afonso Henriques mas, é bom dizer-se, até havia feito um melhor jogo na Taça da Liga. O Benfica tentou ser dinâmico lesto a organizar, não dando tempo ao Vitória para se posicionar e isso, associado a alguma inspiração de Reyes e Di Maria, ajudou a levar a bola com muita frequência até às imediações da área de Nilson. O problema foi a definição no último terço. Poucas vezes o último de passe encontrou o destino ideal e nem sempre houve uma movimentação correcta para que tal pudesse acontecer. Por isso a escassez de oportunidades até ao 0-1. O Vitória foi, dito isto, essencialmente uma equipa que soube sofrer e aproveitar depois um lance em que expôs o tal problema do espaço entre linhas, obrigando os centrais encarnados a sair da sua zona. É importante que se diga, porém, que houve mais oportunidades para o fazer, sendo que várias vezes a opção de passe não terá sido a melhor.
Cardozo e Aimar – No Benfica, não posso deixar de referenciar 2 exibições pela negativa. Cardozo esteve francamente desinspirado, perdendo demasiadas bolas e dando pouca mobilidade ao ataque. A saída do paraguaio, apesar de tudo, não me pareceu muito acertada, dado o tipo de jogo que se previa acontecer, mesmo com 0-0, na última meia hora. O outro nome é Aimar. A sua utilização a receber bolas de costas para a marcação é um contra senso com o seu ponto forte. Aimar poderá render mais noutra função, mas no actual enquadramento não tem uma produção que represente uma mais valia regular para o futebol do Benfica, sendo até questionável até que ponto Nuno Gomes não seria uma melhor solução.
Quique – Esta derrota, naturalmente, retira grande parte das esperanças encarnadas na recuperação do título. Embora falte ainda muito tempo para que tal seja uma fatalidade, esse é o sentimento normal de quem precisa de recuperar terreno e acaba por ver mais do que duplicar a diferença para o Porto. Quique começa agora a ser uma figura mais amplamente questionada. Desde a pré época que venho apontando problemas tácticos no modelo do treinador espanhol. Da mesma forma que o faço, digo que nem a qualidade de uma equipa técnica se esgota na sua visão táctica, nem Quique é um treinador incompetente ou incapaz. Provavelmente não havia consciência deste perfil quando se escolheu o treinador, mas o futuro terá de ser encarado olhando para os pontos fortes e fracos do treinador e equipa técnica, tal como eles são e não ao ritmo das emoções de imprensa e adeptos que fizeram dele mais um exemplo do espaço curto que existe entre ser-se bestial e besta.
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Sporting – Rio Ave – Vencer e pouco mais
Pouco a dizer – A ideia de um jogo pouco interessante, não muito bem jogado e resolvido em 45 minutos foi partilhada pelos 2 treinadores. Estas características, naturalmente, implicam algum desinteresse na análise ao jogo mas, ainda assim, há algumas coisas para referir. O primeiro ponto tem a ver com a forma como o Sporting conseguiu fazer um jogo praticamente livre de sustos, apesar de um começo difícil e de um jogo em que raramente conseguiu impor um grande domínio. Destaque ainda para a tendência “direitista” do jogo leonino, influenciado sobretudo pelas diferenças entre os laterais. Individualmente, a nota de realce vai para a estrutura central do meio campo, com Moutinho e Rochemback a serem mais valias que foram bem para além dos golos marcados.
Situação – O efeito psicológico da goleada de Munique é ainda uma incógnita. No que diz respeito aos objectivos de temporada, esta é uma situação curiosa visto resultar da única (exceptuando a Supertaça) competição onde o Sporting tem a certeza que chegou à meta inicialmente estabelecida. Para o Sporting segue-se uma fase tranquila no que respeita à frequência de jogos, exigindo-se uma subida de forma e rendimento na Liga que, na minha opinião, até é provável que aconteça. O campeonato, porém, não é um contra relógio individual e, nesta altura, pode até imaginar-se que não chegue uma hipotética caminhada perfeita no que falta jogar.
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