
- Ainda no Chelsea, é curioso como Villas Boas e Domingos, partilharam o climax das suas ainda curtas carreiras na final de Dublin, se encontraram também na queda que inesperadamente se deu a seguir. Vários pontos em comum (e outros, necessariamente, diferentes). O treinador, é factual, não foi solução suficiente, mas daí até ser ele próprio parte dos problemas (ou, de forma mais drástica "o" problema), vai uma grande distância. Será que é? Não interessa muito a opinião de cada um, o futuro falará por si (ainda que possa não dar forçosamente respostas lineares sobre a questão), mas interessa que conclusões serão retiradas por quem tem responsabilidades de as tirar. E este é o ponto central, porque se se confundir problemas com soluções, o que se fará é perpetuar os problemas. Não é uma questão simples, e não tem apenas a ver com a competência (que não está em causa) dos treinadores. No caso do Chelsea, claro, tudo se pode limitar ao número de cheques que Abramovic terá de passar, e se for assim o problema será resumido a uma questão de tempo.
- Quem não usa muito a técnica dos cheques, é o Arsenal. Uma semana negra, concluída com a eliminação da Taça. Pode ser a pior época em muitos anos, o que vendo bem, não constitui grande surpresa. O Arsenal é um caso provavelmente sem par na Premier League, no que respeita à potenciação dos recursos existentes. Isto, no entanto, não faz tanto do Arsenal um caso de sucesso, mas mais um exemplo claro de como no futebol, e para os adeptos, não há prémios de performance relativa. O que interessa é ganhar e de forma absoluta, porque no fim do dia, poucos dão alguma importância ao preço da vitória.
- O Braga. Para quem quer exemplo (mais um) de uma equipa potenciada de forma crescente, tem no Minho, outra vez, uma boa resposta. A equipa não era assim tão forte no inicio, mas foi crescendo de forma progressiva e segura. Não é uma coisa evidente, claro, mas como quase sempre não se trata tanto de fazer coisas deslumbrantes, mas muito mais de ir melhorando progressivamente a qualidade das coisas que se podem fazer. Confiança e especificidade. Confiança, vem com as vitórias. Especificidade, vem com a estabilidade das peças fundamentais. Como o futebol é jogado por homens e não por máquinas, é quase (quase...) sempre assim que acontece, pela confiança e especificidade, e nenhuma fotografia será mais paradigmática do que a do primeiro golo. Jogo longo de Viana, recepção e cruzamento no tempo certo de Alan, e movimento de Lima, em diagonal nas costas do primeiro central. Três acções marcadamente características dos protagonistas (especificidade), executadas com qualidade perfeita (confiança). É claro que os contratempos do Gil também ajudaram, mas não há que retirar mérito, e o segundo lugar está longe de ser impossível.