30.11.09

Sporting - Benfica: Sem golos, mas... com muita qualidade!

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É frequente confundir-se golos com qualidade. É a consequência de uma visão mais superficial do futebol enquanto jogo. Felizmente, no entanto, chovem por esse mundo fora exemplos que a contradizem, e em Alvalade teve lugar mais um deles. Em termos de qualitativos o Benfica esteve de acordo com aquilo que é: fortíssimo, por vezes, mesmo, quase perfeito. O Sporting, não podendo apresentar em tão pouco tempo os mesmos índices qualitativos, esteve também bastante bem, e teve na atitude e intensidade aspectos que lhe foram fundamentais para conseguir dividir o jogo. Sem golos, mas muito futebol, assim se jogou um derby que, na verdade, pouco adianta nas contas do campeonato.

Sporting
Começou bem a “era” Carvalhal. São várias as mudanças, havendo ainda aspectos por melhorar e outros por testar. Mas irei falar dessas alterações nos próximos jogos, porque envolvem muito, quase tudo na realidade.

Em relação ao jogo, o Sporting esteve bastante bem tendo em conta o valor do adversário. Definiu uma zona de pressão inteligente e começou muito intenso e agressivo no jogo, conseguindo contrariar o Benfica com muito mais frequência do que aquilo que é hábito. Por alguma incapacidade própria e por muito mérito alheio, não foi fácil ao Sporting levar o seu jogo até à área contrária, mas a verdade é que o Sporting conseguiu estar tão próximo da vitória quanto o seu adversário. E o motivo para isto é deveras surpreendente: as bolas paradas. Esteve muito forte o Sporting nesse que havia sido um dos seus pontos fracos do passado recente, quer a atacar, quer a defender (a zona, como se previa, agora dita leis em Alvalade). Houve, de facto, maior dificuldade para se impor na segunda parte, fruto essencialmente de uma maior percentagem de erros técnicos (passes errados), e de uma dificuldade em ganhar segundas bolas a partir de pontapés longos dos guarda redes – um pormenor geralmente desprezado mas que influi muito na iniciativa que se consegue ter em jogos de grande equilíbrio e intensidade como este.

Individualmente, algumas notas. Pedro Silva foi um catalisador dos tais erros técnicos na segunda parte. Adrien continua a contrastar os bons momentos com uma frequência de erros proibitiva para a posição em que joga. Vukcevic jogou à direita (e algum tempo ao meio), não deu muito nas vistas, mas foi muito melhor do que vinha sendo à esquerda. Aliás, arrisco que se mantiver a posição, vamos vê-lo com um rendimento completamente oposto ao que vinha tendo. O ideal para o Sporting seria ter uma solução para a esquerda e fazer recuar Veloso para o lugar de Adrien. Vukcevic na esquerda será, provavelmente, um passo atrás.

Benfica
Sem surpresas de inicio, o Benfica não ficou a dever nada a si mesmo em termos qualitativos. Esteve fortíssimo, condicionou imenso o Sporting e mostrou ser qualitativamente melhor, mesmo tendo estado o Sporting bastante bem. Mas, mais uma vez, não ganhou um jogo importante e, mais uma vez também, afastou-se do lugar a que o seu futebol parece destinado, o primeiro. Talvez o Benfica jogue sempre na mesma intensidade, altíssima sim, mas incapaz de dar algo mais nestes jogos frente a adversários mais fortes e igualmente intensos. Talvez. O jogo com o Porto, depois de Braga e Alvalade, ganha agora uma importância que vai para além do mero aspecto pontual.

Apesar de ter começado de forma previsível, Jesus surpreendeu a meio. Trocou Aimar por Ramires. Francamente não entendo o motivo de se alterar protagonistas, de se abdicar da capacidade de Aimar e de se alterar aquilo que se vem fazendo tão bem. O treinador explicou que a opção se devia a Moutinho e à sua capacidade de se desdobrar e aparecer em zonas mais ofensivas, sendo que Ramires seria um jogador mais forte defensivamente. É verdade que o é, mas não vejo, sinceramente e revisto o jogo, que tal se justificasse.

Enfim, tal não afectou muito a qualidade colectiva do Benfica, que sentiu algumas dificuldades, sim, mas que mostrou também momentos de enorme qualidade de circulação e uma fantástica coordenação organizativa, em particular no posicionamento da sua linha mais recuada – um aspecto fundamental para o sucesso táctico deste Benfica. Há poucas equipas no mundo com a qualidade colectiva do Benfica e não é o nulo que lhe retira esse mérito...
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Aí está ele!

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27.11.09

Belluschi, um problema... genial!

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O jogo contra o Chelsea agudizou o mistério Belluschi. Responsável pelos raros rasgos portistas, mas igualmente fortemente associado à impotência do meio campo para se impor no jogo. Belluschi não é bom... é genial! Mais do que isso, a sua arte, ao contrário de outros animadores de plateias, tem na baliza um elemento essencial. É nela que se inspira. O problema é que Belluschi vive quase exclusivamente para a especificidade do seu talento e quando está longe da sua inspiração – a baliza – torna-se num problema muito mais do que uma solução.

Um erro de casting táctico. Belluschi não é um Meireles, um Guarin ou mesmo um Lucho. Não tem intensidade nem agressividade sem bola, não tem vocação para ter a bola a 50 metros da baliza, nem disponibilidade para se dedicar a tão larga franja de terreno. Mas se lhe derem os últimos 25 metros, se fizerem dele aquilo que os italianos chamam de “trequartista”, então acumulará golos e assistência em quantidade bem superior a qualquer um dos 3 nomes que atrás referi. Como médio no actual 4-3-3... duvido muito.

Jesualdo, como sempre, acreditou no milagre do treino e da sistematização. É a sua natureza, a sua fé. Mas Belluschi já vai a meio da sua viagem pelo mundo do futebol e carrega um código genético demasiado vincado para ser facilmente moldado. Jesualdo está a tentar que o Porto mude Belluschi, mas se calhar o melhor mesmo seria tentar encontrar uma maneira de fazer com que Bellsuschi mudasse o Porto. Digo eu...


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26.11.09

Porto - Chelsea: Reacção mental... precisa-se!

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Não é pela derrota em si, que até poderia nem ter acontecido. É, antes sim, pela incapacidade portista em impor a sua própria intensidade no jogo. Em mandar no adversário, como quase sempre fez no Dragão em temporadas recentes. A conclusão que decorre é a de um óbvio distanciamento actual daquele que foi o nível europeu do Porto nas últimas 3 épocas. Uma impotência que tem origem em problemas técnico-tácticos, mas que atrai também um outro tipo de dor de cabeça para Jesualdo, e que poderá ser uma ameaça bem mais perigosa. O aspecto mental.

O Chelsea pode não ter sido particularmente perigoso, mas mandou sempre no jogo. Controlou sempre a bola e os ritmos, que para seu interesse foram sempre baixos, de forma a não comprometer o equilíbrio táctico. Afinal, o empate servia os interesses ingleses e se ele perdurasse. o mais provável era que o Porto tivesse de correr mais riscos e, consequentemente, ser mais facilmente surpreendido. Poderia não ter acontecido, mas foi exactamente esse o destino do jogo.

A impotência do Porto para inverter esta tendência, explica-se em 2 vertentes. A primeira, de ordem táctica, tem a ver com a sua incapacidade para ser tão eficaz em termos de pressing como fora no passado. A consequência foi o baixar do bloco para zonas muito baixas e de onde, depois, era também difícil partir para transições perigosas. Este é um problema para o qual já venho alertando desde o inicio de temporada e que tem muito a ver com a perda de Lisandro e Lucho.

A segunda vertente tem a ver com o aspecto mental, com a confiança na execução e com a atitude e agressividade sem bola. O facto da equipa estar a lidar com momentos de frustração afecta os jogadores e a equipa e não é por acaso que o período em que o Porto conseguiu causar mais dificuldades ao jogo do Chelsea foi nos minutos imediatamente seguintes à sua melhor ocasião no jogo. O “bruah” como que ressuscitou a crença da equipa, tornando-se mais agressiva e finalmente mandando verdadeiramente no jogo. Infelizmente, foi curto.

Escusado será dizer que, se em vez de se inverter, o problema mental se acentuar, o Porto pode ainda vir a passar por momentos bem piores do que o actual.
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O inferno de Quito!

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Tinha ganho 7-0 na primeira mão da meia final. Agora, na final da Copa Sudamericana, foram... 5!

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25.11.09

Barcelona-Inter: Numa palavra... qualidade!

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Talvez iludido pelas mediáticas ausências de Messi e Ibrahimovic, o Inter pareceu esquecer com quem ia jogar no Camp Nau. Como o Barça é, antes de mais, uma força colectiva, deu-se mal. Muito mal, mesmo. Aliás, se houvesse um KO técnico no futebol, este jogo não teria durado nem metade, tal a forma como o Barça vergou progressivamente o Inter durante a primeira parte. Não porque tenha tido uma avalancha de oportunidades, que não teve, mas porque, não precisando de as ter, soube gerir o jogo e o adversário de uma forma notável. Uma evidência, para quem às vezes se parece esquecer, que esta é uma equipa de outra galáxia no futebol mundial.

Ousar bater o Barça no seu próprio estilo não tem de ser forçosamente um erro. O próprio o Inter conseguiu alguns resultados positivos na sua primeira tentativa, em San Siro. 2 meses volvidos, os ‘nerazzurri’ tinham tudo para fazer melhor. Mas não fizeram, e não fizeram porque, estranhamente, cometeram mais erros e pareceram menos preparados para a qualidade que existia do outro lado. Com bola, tentou sair sempre a jogar, mas acumulou demasiados erros técnicos, demasiadas perdas e tornou-se uma presa fácil para o ‘pressing’ catalão. Sem bola, deixou-se tourear pela posse especulativa do Barça, basicamente por não interpretar verdadeiramente o sentido colectivo do pressing. Isto é, pressionar colectivamente não se aplica apenas aos jogadores mais próximos da bola, é preciso que também a linha defensiva suba no momento certo, para que possa reduzir espaços entre linhas. Caso contrário, e com a qualidade que o Barça tem, a bola vem para trás mas depois encontra mais espaços entre linhas. Isto repetiu-se inúmeras vezes no jogo, e um dos exemplos esteve na origem da brilhante jogada do segundo golo.

Ao contrário do Inter, o Barça esteve perfeito. Todos os jogadores sabem o que querem fazer com a bola, como envolver o pressing adversário para encontrar os espaços por onde entrar. Todos os jogadores sabem quando devem subir para pressionar ou recuperar para equilibrar. Os golos foram igualmente importantes porque tornaram tudo mais desequilibrado também no plano psicológico, uns crescendo em confiança, e outros errando ainda mais, embebidos pela frustração que acumulavam. Individualmente – porque são as individualidades que interpretam as ideias colectivas – é impossível não ficar rendido a Xavi. Parece que goza com o pressing contrário. Outro destaque incontornável é Iniesta, extremo no papel, mas quase sempre vindo para o meio, criando superioridade nos espaços interiores e deixando perdida a dupla Chivu-Motta, muitas vezes demasiado presa a referências individuais de marcação.
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O "quase" do dia

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24.11.09

Contas 08/09: Os números dos 3 grandes

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Porto
Há anos que é assim, e há anos que vem tendo sucesso. O grande pilar do modelo portista continua a ser a venda de jogadores. Só assim, e com os astronómicos valores conseguidos se cobrem, quer os elevados custos com o pessoal, quer as elevadas amortizações resultantes dos sucessivos investimentos no mercado. Todos os anos o balanço é o mesmo, ou seja, está a resultar, mas é muito arriscado. Se o Porto tiver alguns anos consecutivos de dificuldades desportivas e incapacidade para fazer mais valias, poderá acumular rapidamente grandes prejuízos, porque, quer as amortizações, quer os custos com o pessoal apenas poderão baixar ligeiramente no curto prazo. A verdade é que o passado recente tem demonstrado um Porto perfeitamente imune a esses perigos, em particular pela sua capacidade negocial, sendo que já tem, inclusive, mais valias garantidas para o próximo exercício.


Nota para o facto dos proveitos operacionais serem muito elevados, muito devido à rubrica “outros proveitos operacionais”, ficando por perceber a que se refere e ficando também a ideia de que será variável. Do mesmo modo, os elevados custos com o pessoal estão também influenciados pelos prémios de performance desportiva.

Sporting
A primeira nota vai para o facto do Sporting não apresentar contas consolidadas, o que influencia os totais de custos e proveitos operacionais, devendo este facto ser tido em conta quando se comparam os valores totais (mas não as rubricas individuais apresentadas).

As contas do Sporting são bastante sintomáticas em relação a vários aspectos. Em primeiro, em relação à realidade do futebol português e à sua dependência das transferências. Um clube com óptima campanha europeia a nível financeiro, com custos controlados e baixo investimento, se não tiver mais valias no mercado, acumula prejuízos consideráveis. Ou seja, o Sporting, apesar de ser de longe o mais controlado dos 3 grandes, permanece fortemente dependente das transferências.

Depois, fica claro que o Sporting não tem hoje nas rubricas operacionais mais importantes grande diferença em termos de receitas quando comparado com os seus concorrentes. O que tem é um risco muito menor...
Uma conclusão curiosa se pode retirar destes números. Apesar de investir metade dos rivais (veja-se amortizações) e apesar de gastar também metade em salários, não se recomenda, à luz dos números, maior investimento ao Sporting. Pelo contrário.

Benfica
Fosse o futebol e a sua gestão apenas números, e poder-se-ia dizer que numa Benfica se viveriam tempos de verdadeira loucura. Na prática, o que acontece é que se está a assumir um enorme risco, altamente dependente dos resultados desportivos e das mais valias em vendas. À luz destes números, com este nível de salários, com este nível de investimento e sem Champions League, o Benfica precisaria de fazer 37 Milhões de Euros anuais em mais valias com vendas de passes para equilibrar as contas. Não é fácil.

Na realidade esta é uma tentativa de aproximação ao modelo portista e, se é verdade que no Dragão a aposta tem correspondido, também parece difícil pensar que mais do que 1 clube em Portugal possa sobreviver dessa maneira. É que só ganha 1. Em breve poderemos ter a resposta, mas é provável que algum dos 2 se venha a dar mal no médio prazo.

Uma nota final sobre o Benfica e para referir a aposta que não está reflectida nestas contas e que tem a ver com os audiovisuais e com a Benfica TV. Há uma forte crença nessa via para conseguir fazer crescer os níveis de receita nos próximos anos, mas eu, particularmente, tenho muitas dúvidas sobre potencial de um futebol tão periférico como o português nos moldes actuais, seja para que clube for. O futuro o dirá...
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