16.3.09

Showboat!

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13.3.09

PSG - Braga - Tudo adiado

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Gestão diferente – Para as equipas, especialmente aquelas que estão na Taça Uefa, esta é uma altura difícil. O número de jogos é muito elevado e, ao contrário do que muitas vezes se quer fazer crer, não é possível manter o mesmo nível de rendimento a jogar 2 vezes por semana. Isto não acontece por motivos físicos (apesar da onda lesões do Braga), mas por motivos mentais. Aqui, há 2 abordagens diferentes. Jesus assume o risco na Liga, como tantas vezes já o referiu, Le Guen parece dar prioridade aos jogos da Ligue1 onde está numa posição inédita nos últimos anos.

Justo – As poupança do PSG estarão na base das diferenças de atitude entre a primeira e segundas partes dos parisienses. Em ambos os períodos o Braga deu boa conta de si, sendo fiel aos seus princípios e conseguindo sempre dividir o domínio do jogo, através da sua estratégia de pressing o mais alto possível e de uma grande reactividade nos diversos momentos do jogo. A diferença esteve na entrega que o PSG revelou no segundo tempo, sendo mais agressivo e incisivo, acabando por definir melhor alguns lances de detalhe que lhe poderiam ter dado a vantagem. Aqui, diga-se, convém referir que essas hipóteses de desfazer o empate surgiram apenas de bola parada. O Braga também teve as suas oportunidades, mas tem de se destacar alguma falta de capacidade no último terço de campo. É uma lacuna que não é nova e que não tem a ver com o modelo de jogo, mas sim com a característica dos médios bracarenses, mais fortes a construir do que a definir em zonas mais próximas da baliza. Este aspecto parece particularmente potenciado pela ausência de Meyong da equipa base. Ainda assim, o empate foi, sem dúvida, o resultado mais correcto e esta foi mais uma demonstração de qualidade colectiva do Braga que, nesta altura, só deve surpreender quem anda muito distraído.


Sessegnon – Não tive a oportunidade de fazer uma análise mais rigorosa ao PSG na antevisão desta eliminatória. É uma equipa bem organizada e que vai ser difícil de superar pelos desequilíbrios tácticos. Tem depois várias unidades de destaque. Makelele continua fantástico e parece ler os lances uns bons segundos antes dos outros, na frente há vários elementos talentos mas destaco o extremo do Benin, Sessegnon. Tem uma qualidade técnica invulgar e, aos 24 anos, tem ainda potencial para poder aparecer num grande da Europa, saiba evoluir bem. Fica um vídeo para dar alguns exemplos da excepcional relação que tem com a bola.


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Wright-Phillips e Niang, os destaques da jornada de Taça Uefa

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12.3.09

Porto - Atlético: Controlado

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Foi um jogo atípico aquele que se viu no Dragão. Essa característica teve origem numa antecipação errada de ambos os treinadores daquela que seria a postura do adversário, acabando por conduzir a partida para um longo período de jogo mais fechado do que aquilo que inicialmente se poderia supor. Ambos os treinadores pensaram o mesmo. Ou seja, que seria o adversário a tentar ter a iniciativa do jogo. Jesualdo, porque o Atlético era quem partia atrás na eliminatória. Abel, provavelmente, pelo factor casa portista. A qualidade com que o fizeram não foi a mesma, mas ambos apostaram em dar prioridade aos equilíbrios defensivos, reservando as ofensivas para momentos de transição. O resultado foi, obviamente, um deserto de desequilíbrios durante grande parte do jogo. Como era o Porto quem tinha vantagem, acabou por ser Abel a alterar e, a partir daí sim, vimos um jogo mais aberto com várias ocasiões de golo, mas todas para o mesmo lado, com o Porto a ter algum infortúnio em não ter conseguido a vantagem no período que antecedeu a recta final do jogo.

Atlético – Abel pareceu depois da primeira mão ter percebido as suas debilidades. Mudou o sistema para equilibrar o meio campo e encolheu-se tacticamente. A qualidade individual do Atlético permitiu-lhe equilibrar o jogo durante muito tempo, mas a fraca qualidade dos seus processos colectivos não passou em claro. Mesmo perante um Porto mais preocupado em equilibrar-se do que em pressionar, a posse de bola não foi totalmente segura na sua saída. Depois, para além de não ligar bem o jogo em organização ofensiva, foi sempre lento a fazer desdobramentos ofensivos em transição, identificando-se várias situações em que a bola entrava no bloco portista mas ficava sem linhas de passe para continuar a progredir. Defensivamente conseguiu neutralizar o Porto durante 1 hora, mas fê-lo à custa de uma estratégia que não adiantava laterais e mantinha sempre muitos jogadores atrás da linha da bola. Quando procurou adiantar-se foi completamente subjugada pelo ataque portista que não teve dificuldades em criar situações de golo. A qualidade individual ajuda a contornar muitos destes problemas e a verdade é que, ao fim de 180 minutos muito fracos do ponto de vista colectivo, faltou apenas 1 golo para o Atlético se apurar!

Porto – Apesar do Atlético ter surpreendido, o Porto fez uma excelente partida. O meu destaque vai para o controlo que o Porto conseguiu fazer em todos os momentos do jogo, contando apenas uma transição perigosa do Atlético em 90 minutos. Neste aspecto, parece-me relevante a reacção que a equipa teve quando, finalmente, o Atlético se abriu. Mostrar-se lúcido e organizado no inicio é uma coisa, ter de responder da mesma forma quando o jogo já leva mais de 1 hora, é outra. O facto do jogo ter mudado o seu cariz no segundo tempo poderia ser uma ameaça para o Porto, mas a reacção foi fantástica, não dando hipóteses ao Atlético de surpreender e tirando, finalmente, partido do espaço que existiu. O empate serviu, mas foi ingrato.
Jesualdo lembrou-o e eu faço o mesmo. Alguém se recorda do que se disse em dado momento menos positivo da época? O futebol é mesmo assim, cheio de bons prognósticos no final dos jogos, mas a qualidade de quem comanda o Porto está lá e estaria também se a sorte tivesse sido outra. Atingido o objectivo, resta agora desafiar o destino. Nesse sentido, parece-me que o Villareal seria o caminho com mais probabilidade de sucesso. A evitar destaco 3 nomes: Liverpool, Manchester e Barcelona. Creio que o título não escapará a 1 destes emblemas e penso mesmo ser muito provável uma final entre 2 deles. Para o Porto conviria manter-se fora da sua rota, esperando, quem sabe, por um progresso feliz da prova.


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Messi, pois claro!

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11.3.09

Notas de Champions

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Bayern – Sporting
Tinha previsto não falar deste jogo, pelo desinteresse competitivo que a goleada da primeira mão havia implicado. Não me equivoquei quanto ao desinteresse competitivo, mas o que o se passou torna este jogo simplesmente incontornável. Aquilo que aconteceu em Munique foi simplesmente a continuação da segunda parte da primeira mão. É absurdo falar-se de aspectos colectivos, tácticos ou técnicos quando a nível individual e mental se verifica um tamanho descalabro. Para um psicólogo estes serão 2 jogos que, não tenho dúvida, poderão constituir um “case study”. Destaco, em particular, a reacção diferente de vários jogadores e o facto dessas diferenças não terem tanto a ver com experiência mas sobretudo com tipologias de carácter.
É uma derrocada que fica na história do Sporting de forma bem mais saliente do que o inédito apuramento para os oitavos e que tem essa particularidade curiosa e aparentemente paradoxal de ter sido intervalada por jogos em que a equipa demonstra qualidade e força mental. Aqui, destaco particularmente os jogos com o Benfica e Porto, onde a pressão esteve sempre do lado do Sporting e a resposta foi em ambos os casos francamente positiva. Será este um exemplo exacerbado de um ponto que venho focando. O lado emocional é o mais importante no futebol. Ele condiciona, negativamente ou positivamente, a resposta que se dá no campo aquilo que se treina durante a semana e pode, no limite, tornar todo esse trabalho totalmente irrelevante.


Primeiros desfechos, primeiras ilações
Metade destes empolgantes oitavos de final estão terminados. Há, para mim, 2 conclusões que se podem tirar, independentemente do que venha a acontecer mais logo.
A primeira tem a ver com o tipo de futebol que se pratica nos jogos de elite na Europa. São jogos de rigor, de detalhe e de pormenor. É assim porque a organização e a qualidade é enorme e estas são as formas das equipas se diferenciarem. A verdade é que quem não for capaz de jogar este jogo sairá, mais do que provavelmente, derrotado.
A segunda decorre da primeira e tem a ver com o poderio dos ingleses. São as equipas mais fortes da prova, não porque tenham melhores jogadores (pelo menos não será assim em todos os casos), mas porque há mais organização e qualidade colectiva. Não é pelo domínio que vencem, mas pela forma como gerem os jogos como equipa e como, depois, decidem nos detalhes. Esta superioridade é também uma vitória da política de maior estabilidade que se vive em Inglaterra e essa é uma leitura que deveria ser feita noutras paragens. Das outras 2 ligas fortes da Europa caíram os segundos classificados. Sobram Inter e Barcelona.

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Iquinta-Trezeguet!

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10.3.09

Compensar a pressão e a solução Reyes

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Pressionar alto não é para todos
Todos os anos temos equipas sensação, não só em Portugal, mas em qualquer campeonato. O que é bem mais raro é termos equipas capazes de se manterem organizadas, jogando no campo todo. As 2 primeiras jogadas do vídeo são muito semelhantes e explicam o porquê dessa dificuldade. Subir unidades para pressionar zonas mais adiantadas pressupõe, não só uma grande capacidade de ser eficaz na zona que se quer pressionar como, depois, ser capaz de manter um bom equilibrio nas zonas mais recuadas, sendo para isso necessário que haja um comportamento colectivo que compensa as zonas mais vitais. Para o caso, Paços e Leixões podem-se queixar da qualidade do adversário, mas terão também de reflectir sobre a forma como reagem colectivamente. Em particular, este é o motivo pelo qual o crédito que dou ao Leixões não é o mesmo que atribuo ao Braga. A qualidade individual é menor, mas há também diferenças no comportamento colectivo que importa não ignorar.
Sobre estas jogadas, destaco ainda outro aspecto comum. O papel do avançado. A zona central fica, nos 2 casos desguarnecida, sendo que tal acontece pela forma como, Derlei num caso e Farias noutro, atraem a marcação para zonas interiores. No caso do “Ninja”, a jogada permite ainda perder a marcação, finalizando a jogada. No caso do Porto, não há sequência mas mais uma vez fica evidente a percepção de Lucho, iniciando a jogada e atacando depois o espaço aberto pelo “Tecla”.


Reyes, a solução individual
Terá sido a única ocasião do Benfica em jogo corrido e com a participação de mais do que 1 jogador. No caso 2. O enquadramento do lance no jogo, leva a um destaque que se torna evidente no Benfica de Quique. Ou seja, são evidentes as dificuldades da equipa em encontrar soluções de construcção ofensiva, acabando a equipa por protagonizar movimentos pouco naturais, ao apelar à participação de Reyes em momentos bem mais atrasados do que seria suposto. O motivo é simples e o lance explica-o bem. Reyes, apesar de ser um extremo, é o jogador que melhor consegue valorizar a posse de bola, quer pela forma como a protege quer pela qualidade e inteligência com que a entrega.

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