24.3.11

Treinadores (Sporting): Mais nomes do que soluções

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Missão (quase) impossível
Primeiro ponto: dentro do actual contexto do futebol português, com o rendimento actual de Porto e Benfica, ganhar no imediato é um objectivo muitíssimo complicado de atingir ou exigir. Porquê? A resposta teria de ser longa, mas recorro a apenas um dado factual: quantos pontos perdeu o líder do presente campeonato? Exigir melhor é exigir, quase, a perfeição.

Populismo: Mais valia não apresentar nomes!
Por várias vezes defendi que poucas coisas têm mais relevo no sucesso dos clubes do que o ajuste das escolhas dos seus técnicos: um bom treinador pode valer bem mais do que uma mão cheia de bons jogadores, e uma mão cheia de bons jogadores pode valer pouco sem um bom treinador.

Dito isto, talvez faça pouco sentido dizer que o Sporting estava melhor servido se a questão do treinador não entrasse nos debates pré eleitorais. Mas, a meu ver, essa teria sido a melhor solução para o clube. Talvez aumentasse a incerteza sobre o que aconteceria no dia seguinte, mas evitaria, pelo menos, o populismo óbvio das escolhas apresentadas.

Repare-se no perfil que parece ter recolhido maior consenso: Nome sonante, estrangeiro, mas com reputação conseguida muito mais como jogador do que como treinador.

Nenhuma surpresa e nenhum arrojo para além do que qualquer mero adepto poderia sugerir.

Rijkaard, Van Basten e Zico: as ilusões
Concretamente, e sendo muito directo, não vejo grandes possibilidades de qualquer dos nomes estrangeiros sugeridos poder lutar pelo título (ou mesmo sequer sonhar com tal coisa), caso Benfica e Porto não mudem muito.

Porquê? Há alguns motivos, mas começo pelo principal: as competências. É que – e talvez seja desapontante afirmá-lo para quem gosta de certo tipo de ilusões – há poucos treinadores no mundo com a capacidade de Villas Boas e Jesus e, nem Rijkaard, nem Van Basten, nem (sobretudo!) Zico se aproximam desse nível. Seguramente!

Aqui, talvez seja interessante falar um pouco dos dois holandeses, que têm uma filosofia praticamente gémea. É entretido falar-se da nobreza do seu jogo de posse, mas a realidade é que, nem um modelo de jogo se esgota num momento táctico, nem a qualidade de um momento táctico se define pelo enfoque que é dado a um certo estilo. E aqui é que reside o problema: confunde-se estilo com qualidade e o facto é que há bem mais estilo do que qualidade nas propostas de jogo de Rijkaard e Van Basten.

Domingos: uma rara esperança
Porque Domingos tem mais hipóteses do que os outros?
Primeiro, pela competência. Já o afirmei várias vezes: não tem um modelo de jogo entusiasmante, como Villas Boas ou Jesus, mas a sua proposta de jogo é bem mais lúcida e completa do que qualquer dos outros nomes sugeridos, e por aí também se começa a explicar o porquê de Domingos ter tido o que nenhum dos outros teve como treinador: sucesso continuado.

Lucidez, qualidade e força mental, são as virtudes das equipas de Domingos, que fazem dele uma excelente solução para o Sporting ou qualquer outro clube “grande”. Resta, nesta comparação, destacar também o facto de Domingos ter a vantagem do seu enquadramento no futebol português. Quer no que respeita ao conhecimento das competições, quer na percepção do valor que deve ser dado a um desafio deste tipo. A nacionalidade não é uma condicionante, mas o enquadramento cultural, é-o concerteza.

Outras soluções: Como escolher?
Se critico o que orientou as escolhas dos treinadores (Domingos, à parte) nesta corrida eleitoral, passo também a explicar o que, na minha opinião, deve ser feito.

Sugiro um método de 2 etapas, que, a meu ver, é o mais rentável em termos de tempo:

- Comece-se pelos resultados. Ou seja, identifiquem-se os treinadores com sucesso continuado ao longo de várias épocas (3, no mínimo) e preferencialmente em clubes diferentes.

- Em seguida, partimos para o específico. Ou seja, parte-se para a compreensão dos resultados, procurando confirmar-se, ou não, a qualidade no modelo de jogo por trás do sucesso. Se o modelo for, de facto, forte, e se tiver enquadramento no tipo de jogo pretendido, então é altamente provável que o sucesso não tenha sido um acaso e que o treinador o possa repetir noutras paragens...

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