À primeira vista, as dificuldades do Sporting podem não fazer sentido algum, e em qualquer caso não eram seguramente provável, mas talvez não fosse também difícil antecipar as diferenças entre este jogo e aqueles que, recentemente, catapultaram o a equipa para novo estado de optimismo. De resto, já não é a primeira vez que me refiro a este aspecto. O tipo de oposição que colocou o Gil, estrategicamente mais baixo e expectante, não foi surpresa e recuperou um cenário em que o Sporting do passado recente teve sempre muitas dificuldades em ultrapassar.
O resultado não será o mais importante para a análise, até porque o resultado, num só jogo, está sempre refém de uma série variáveis pouco ou nada controláveis. Ainda assim, o resultado não pode também ser dissociado da imposição qualitativa de uma intenção de jogo. E precisamente por ser indissociável, talvez seja correcto referir o peso da eficácia na definição das condições do jogo. É que se o Sporting pouco se conseguiu aproximar do golo em 90 minutos, o Gil não teve de fazer muito para construir a sua vantagem.
Num plano mais táctico, creio que a circulação baixa do Sporting foi o aspecto que mais revisão justifica. A equipa traz muita gente para zonas baixas, aproximando dois médios dos centrais, recuando unidades móveis mais adiantadas e mantendo, inclusivamente, os laterais quase sempre em posição baixa. Várias vezes o Sporting manteve vários jogadores na mesma linha, e sobretudo não conseguiu criar boas condições para iniciar a progressão, na minha perspectiva por não fazer um bom uso da largura do campo. O Gil, mesmo não tendo muita gente na primeira linha de pressão, conseguia um condicionamento que facilitava a tarefa da segunda linha de pressão, de onde não passou grande parte do jogo do Sporting. Enfim, motivos para Sá Pinto reflectir...
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Entretanto, quem também jogou foi o Metalist, que teve melhor sorte do que o Sporting muito graças a um jogador a que tinha feito referência, Cristaldo. Que grande golo!


5 comentários:
Filipe, por acaso tens nas tuas estatisticas quem é o jogador que cria maior nº de desequilibrios ofensivos da liga. Eu aposto que é o bruno paixao. lol ;)
Mike, não tendo essa intenção, o teu comentário parece-me ter toda a razão de ser.
Ou seja, eu evito expressamente abordar o tema das arbitragens. É sobretudo uma questão de princípio, uma vez que já é suficientemente difícil manter alguma razoabilidade em temas que nem de perto geram tanta polémica e irracionalidade. Mas, realmente, é espantosa a ausência completa de análises sobre tendências de árbitros e arbitragens, quando há tanta gente a perder tanto tempo a falar sobre elas, e em questões muitas vezes picuinhas e sem qualquer utilidade ou sentido prático ou objectivo.
Por exemplo, é possível comparar o número de golos nos jogos dos árbitros (eu já trouxe um quadro com isso, uma vez) e é possível cruzar resultados qualitativos de equipas com os árbitros que tiveram, bem como muitas outras coisas em relação ao tema.
Mesmo ao nível dos clubes, eu estranho, porque os dirigentes passam a vida a comentar arbitragens, estão convencidos da sua importância decisiva, mas não fazem análises minimamente rigorosas sobre elas (assumindo eu que se as fizessem, apresentariam-nas dado o valor argumentativo que teriam).
É mais uma evidência como no futebol tudo é ainda tratado muito no campo percepcional, mesmo quando há todos os elementos para que a abordagem seja muito mais rigorosa e objectiva.
Por acaso, seria uma boa coisa para os clubes fazerem. Uma base de dados de árbitros que apitaram os seus jogos ao longo dos anos, com várias estatísticas sobre os mesmos:
- quantos amarelos mostram
- quantos vermelhos mostram
- quantas faltas marcam
- quantas vezes dão a lei da vantagem
- quantos golos marcaram nos jogos
- quantos golos sofreram nos jogos
- até podem guardar o tipo de permissividade do árbitro. Se deixa os jogadores falarem com ele, etc.
Há muita coisa que os clubes deveriam fazer e não fazem.
Filipe,
De acordo que poderia haver um maior detalhe, e sobretudo conclusoes mais objectivas, na análise aos árbitros e à sua influencia no jogo.
Mas deixo aqui algumas questoes:
- Por exemplo, como é que se definiria um "bom árbitro" de acordo com a métrica que apresentaste há uns anos atrás? O árbitro que deixa marcar muitos golos? O árbitro que deixa marcar poucos golos?
- Por outro lado, falando especificamente da influencia de um arbitro individualmente na performance de determinada equipa,será que existiria um número de observacoes suficientes para retirar conclusoes minimamente sustentadas? Nao tendo dados, diria que o número de jogos arbitrado por um árbitro especifico no jogo de determinada equipa nao será uma série especialmente longa!
Cumprimentos
PN
PN,
Não me referia à avaliação qualitativa dos árbitros. Isso era possível (e desejável, acrescento) fazer pelo conselho de arbitragem, ou quem tiver a responsabilidade de avaliar os árbitros. Era bastante fácil de o fazer. Definiam-se critérios, estudava-se o impacto de erros por tipologia e depois contabilizavam-se todas as decisões à luz do critério definido (um pouco a mesma metodologia que propus para os jogadores). No fim, terias um "scoring" que, no mínimo, seria mais coerente do que a subjectividade percepcional e poderias explicar todas as notas ao máximo rigor.
A referência que fiz nessa análise sobre o número de golos foi para destacar a discrepância que a mim me parece estranhamente elevada (a análise não chega a quantificar o quão estranho é, mas poderia fazê-lo com um pouco mais de trabalho).
Obviamente que o número de golos não diz nada sobre a competência dos árbitros.
Mas, tens razão, provavelmente não seria possível ter uma base suficientemente larga de casos para que as análises fossem representativas. Agora, entre o rigor cientifico e o vazio argumentativo (hoje, cada dirigente dos diferentes usa como único argumento o "porque eu acho que somos sempre prejudicados") há muita margem para compor as posições que se pretende marcar. O papel dos dirigentes é fazer política, e para fazer política não é preciso muito rigor cientifico, qualquer indício de credibilidade é desde já bastante útil.
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