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25.10.10

Vitórias de Benfica e Sporting e a tristeza de um clássico (Breves)

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- Em Alvalade, confirmou-se a projecção de um cenário bem diferente daquele que tivera ainda há alguns dias, mas para a Liga Europa. Pessoalmente, confesso, não esperava tanto sofrimento porque do outro lado estava também uma equipa em momento difícil. Talvez tenha sido mesmo por isso que o Rio Ave acusou tanto a ansiedade do final do jogo, depois de longos minutos em que manteve o Sporting razoavelmente longe do golo. Enfim, acabou por se fazer justiça por tantas oportunidades perdidas, mas esta vitória de pouco servirá quanto aos problemas do futebol do Sporting. Há obviamente coisas a acrescentar, mas guardo-as para a análise mais detalhada.

- Tal como o Sporting, o Benfica não deslumbrou mas venceu justamente. Curiosamente, no caso encarnado foram sempre as bolas paradas que aparentaram servir de solução e, realmente, acabou por ser assim. Continua o debate sobre o mistério da perda de capacidade do Benfica de uma época para a outra. Há várias explicações e teorias e cada um parece ter a sua. Quase todas elas, porém, andam à volta de Ramires e Di Maria. Há aqueles que defendem que o Benfica perdeu capacidade de recuperação e mais não sei o quê, sem Ramires. Há outros que juram que Di Maria dava "metros" à equipa e que a fazia avançar no campo, sozinho. Há ainda aqueles que juntam tudo e chegam à tempestade perfeita (se possível com criticas também ao modelo táctico de Jesus). Sem tirar importância aos 2 jogadores, que realmente são bons e fazem falta, o futebol parece-me demasiado complexo para que um problema seja reduzido a factores tão simples.

- Foi uma semana de inúmeros clássicos pelo mundo fora. Uma raridade de abundância, mesmo. Só no Brasil, houve "Grenal", Cruzeiro-Atlético, Vasco-Flamengo e Corinthians-Palmeiras, tudo na mesma jornada! Mas na Europa houve ainda 3 dos mais quentes embates do Continente, juntando Galatasaray e Fenerbahce, Celtic e Rangers, e Partizan e Estrela Vermelha. O inevitável destaque, porém, vai para um clássico, que não sendo tão marcante como estes, junta também 2 dos 3 "gigantes" do futebol holandês. É com tanta surpresa como tristeza que assisto ao 10-0 sofrido pelo Feyenoord. É um grande clube holandês e europeu, e o futebol precisa das suas melhores e mais tradicionais equipas tão fortes quanto possível. Não percebendo bem a origem de tamanha crise, e parecendo-me esta essencialmente desportiva, fico a torcer pela reabilitação do gigante de Roterdão. Até porque - e eu conheço a equipa razoavelmente bem - há bastante bons jogadores por detrás desta catástrofe desportiva.

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11.8.08

Benfica - Feyenoord: O estado de graça de Quique

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Na primeira noite de Quique na Luz, pode dizer-se, o treinador conseguiu finalmente entrar em estado de graça. À apresentação dos mediáticos Reyes e Aimar o Benfica juntou uma boa exibição que acabou por pecar pela escassez dos números finais. Creio, no entanto, que deve haver alguma prudência numa exibição que terá contado em muito com a contribuição da menos positiva actuação do Feyenoord.

Entrega e a confirmação das linhas mestras do “modelo Quique”
Tal como já havia deixado claro, o 4-4-2 de Quique pretende assumir o risco de adiantar as suas linhas para pressionar alto o adversário. Sobre esta opção já se percebeu a vulnerabilidade da equipa a uma construção feita pela zona central que consiga fazer a bola entrar na zona à frente dos centrais. Sem desfazer esta ideia, contra o Feyenoord, a pressão encarnada resultou em pleno. De facto, juntando a grande concentração e agressividade – parece poder ser uma das virtudes deste Benfica – dos seus jogadores à postura errática do Feyenoord em posse de bola, o Benfica conseguiu impedir os holandeses de jogar, conquistando rapidamente a bola e partindo depois para o aproveitamento de outra deficiência colectiva do adversário, a formação de um bloco excessivamente curto com muito espaço a ser dado nas costas da sua defesa.
Para além dessa atitude pressionante sem bola, o Benfica voltou a revelar a intenção de promover uma circulação de jogo em largura antes de partir para combinações nas alas. Também aqui – na construção ofensiva – o Feyenoord não terá sido o mais difícil dos adversários, sobretudo comparando com aquilo que o Guimarães havia feito, impedindo a bola de entrar nos médios encarnados.

Individualidades – Onze base em formação
Embora ainda num estado não muito avançado no processo de criação e consolidação do seu modelo de jogo, Quique parece, aos poucos, começar a definir um onze.

Defesa: Luisão e Léo tem lugar assegurado, Maxi parece ser, para já, a mais credível das soluções, enquanto que para a vaga de central, Katsouranis poderá ser o escolhido para o inicio do campeonato, estando esta opção também dependente da qualidade de soluções que surjam para o meio campo.

Meio campo: A intensidade e qualidade de jogo revelada por Carlos Martins no arranque de temporada deverão garantir-lhe um dos lugares no centro do meio campo. Quanto à outra hipótese há ainda muitas incertezas. Eu diria que Katouranis é aquele que mais garantias dá, mas será que o grego não faz falta atrás? Nas alas, Reyes vai entrar de caras na esquerda, enquanto que para na direita poderá existir uma alternância entre Ruben Amorim e Balboa, dependendo do adversário.

Ataque: Com Aimar a confirmar-se como avançado – uma opção que ameaça acinzentar a passagem do argentino pela Luz – sobra 1 lugar. Cardozo é, para mim, opção mais do que suficiente do ponto de vista qualitativo e julgo merecer uma aposta clara. Será que Quique precisa mesmo de gastar mais uns (largos) milhões num avançado, se é para manter Aimar na frente?


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23.1.08

ASEC Abidjan - O "Case Study" do sonho Africano

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Na sequência do que escrevi ontem sobre o investimento que pode ser feito em África, trago aqui o “case study” da Academia do ASEC Mimosas de Adidjan, na Costa do Marfim.

A ideia foi posta em prática por um Francês, Marc Guillou. Em 1993 este antigo internacional Francês desenvolveu uma academia de luxo no clube, tendo como objectivo fazer de jovens pobres e sem condições, jogadores ao mais alto nível. O primeiro indicador do sucesso da aposta foi dado em 1999 quando o clube decidiu lançar os seus jovens para o jogo da Super Taça Africana frente ao Esperance da Tunisia. Nessa equipa de jovens adolescentes estava Kolo Touré e, contrariando todas as previsões, o ASEC venceu por 3-1. A história do sucesso da Academia não imune a episódios menos felizes e contratempos. A relação com agentes, os efeitos da instabilidade política na região são exemplos previsivelmente típicos dos problemas vividos. O episódio mais curioso, no entanto, vai para a traição do fundador, Guillou, que a dado momento abandonou a Academia, levando vários jogadores consigo com promessas de transferências para a Europa e, particularmente, para o outro clube com particular importância nesta história – o Beveren da Bélgica. O diferendo passou e Guillou trabalha noutros projectos de formação espalhados pelo mundo, mas a ligação com o Beveren manteve-se. Todos os anos são “exportados” vários jogadores para este clube (recém despromovido à segunda divisão belga) que tem como objectivo dar continuidade europeia à formação feita em África. Claro que aqui a sede dos milhões e a relação entre os dois clubes nem sempre é pacífica, não se sabendo até que ponto este clube – também muito ligado ao Arsenal – poderá manter a mesma relação com o Academia do ASEC.

Hoje o caso do ASEC é aproveitado para cópias forjadas no seu próprio país. Centenas de Academias compram, literalmente, o sonho de muitos pais que pagam tudo o que podem para alimentar a esperança de ver os seus filhos reproduzir o sucesso de alguns felizardos. O problema é que, ao contrário da ideia original, estas Academias não têm condições nem filosofia para poder repetir o sucesso do ASEC. A filosofia da Academia original passa por criar e proporcionar verdadeiras condições de formação, centradas na aprendizagem escolar e sustentadas por todas as condições necessárias (alimentação, professores, médicos, etc.) para que daquelas crianças saiam homens com possibilidades de alcançar o sucesso na sua vida. Uma oportunidade paradisíaca num meio tão pobre.

O vídeo mostra o exemplo seguido pelo Feyenoord no Gana, onde montou uma Academia que pretende dar formação conveniente aos mais talentosos jovens locais. Cá estaremos para medir o sucesso desta aposta dentro de alguns anos...

Os mais famosos produtos da Academia do ASEC:
Kolo Toure
Aruna Dindane
Salomon Kalou
Didier Zokora
Emmanuel Eboue
Yaya Toure
Gervinho
Bonaventure Kalou

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28.12.07

Olho em De Guzman...

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Veio do Canadá, seu país Natal, para a Europa ainda muito jovem. A mudança de rumo deveu-se simplesmente ao seu inegável talento e ao facto do Feyenoord o ter descoberto quando tinha 12 anos. Passou a sua formação no clube de Roterdão até chegar à equipa principal aos 18 anos.

Avançado rápido, móvel e tecnicamente muito dotado, De Guzman não reuniu total consenso no que respeita às suas valias como jogador nos primeiros anos da sua carreira. A inconsistência própria da sua tenra e idade, aliada ao mau momento por que passou o Feyenoord tornaram-no numa incógnita para muitos. 07/08, no entanto, tem mostrado um novo Feyenoord, remodelado e comandante da Liga Holandesa. No seu elenco contam-se outras promessas de relevo e ainda um reforço que garante golos: Roy Makaay. Mas De Guzman é, sem dúvida, um dos principais pontos de destaque da equipa, aparecendo com uma grande influência na formação de Roterdão e sendo decisivo em várias partidas. O jogador não tem passado despercebido aos “tubarões” do futebol Europeu que o vêem como o mais promissor avançado do Feyenoord desde Robin Van Persie. Aos 20 anos temos em Jonathan de Guzman um nome a não perder de vista num futuro próximo...


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12.2.07

O Terror de Roterdão

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Nesta jornada da Taça Uefa não vai estar o Feyenoord. A UEFA cumpriu finalmente a promessa de desclassificar a formação Holandesa devido ao repetitivo mau comportamento dos seus adeptos...
A verdade é que na Holanda se vive um cenário de terror constante provocado por grupos organizados cujo único objectivo é, jogo após jogo, promover confrontos e actos de violência. Há dois anos num Feyenoord-Sporting, o jogo foi interrompido após o primeiro golo do Sporting (uma "chapelada" de Liedson), sendo este - e felizmente para nós - o único contacto recente de clubes portugueses com esta triste realidade holandesa.
Acrescento dois links para os vídeos dos jogos que estiveram na origem da decisão da UEFA (particularmente o jogo com o Nancy)

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