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29.11.08
28.11.08
Olimpiacos - Benfica: Pesadelo!
Benfica e Olimpiacos são equipas quase gémeas. Ambas têm treinadores espanhóis, ambas utilizam um 4-4-2 clássico algo rígido, ambas têm na qualidade individual dos seus jogadores da frente a sua grande virtude e ambas têm dificuldades colectivas para controlar os espaços defensivos. Neste último aspecto, eu diria, o Olimpiacos ainda terá uma dificuldade mais gritante pois desequilibra-se mais em posse de bola e tem laterais que comprometem muito pelo seu fraco posicionamento defensivo. A pergunta evidente é, então, para além do tal (relevante) aspecto da eficácia, onde esteve a diferença entre as equipas?
A resposta pode ser encontrada, na minha opinião, nos lances decisivos do jogo, em particular, nos golos que o Benfica sofreu. Aí vamos encontrar, por um lado, a excelente exibição dos jogadores da frente do Olimpiacos, Galletti, Diogo e Belluschi, e, por outro, a incapacidade que os jogadores do Benfica tiveram para, individualmente, contornar os problemas colectivos que há muito são identificáveis no modelo de Quique. Aqui volto a falar da tal dificuldade que a última linha defensiva tem em posicionar-se perante a subida do meio campo para pressionar. Ou sobem para encurtar o espaço entre linhas e ficam vulneráveis nas costas, como aconteceu no primeiro golo, ou permanecem mais baixos e expõem o espaço entre linhas, como aconteceu nos lances do segundo e terceiro golos.
Juntando a referida eficácia para punir estes problemas colectivos que foram sendo cometidos, construiu-se rapidamente a derrota. Com a quebra emocional, a goleada veio por acréscimo.
Um problema individual!? – Depois de uma derrota destas vêm imensos dedos a apontar em diversas direcções, acusando os jogadores do Benfica de responsabilidades individuais em cada um dos golos. É evidente que essa análise individual pode ser feita, assim como é para mim claro que Katsouranis teria dado outra inteligência à cobertura do espaço à frente dos centrais, completamente ignorado por Binya e Yebda (já referi anteriormente que é o único jogador que ajuda a colmatar essa lacuna do modelo). O problema, no entanto, é que ao falar-se de insuficiências individuais está-se a desvirtuar aquela que é, realmente, a génese da questão. O problema é colectivo e vem-se arrastando com o tempo. Os bons jogadores são apenas a forma mais fácil de o esconder.
Uma nota final para os centrais. Sei que vão ser os réus principais da opinião pública. A minha opinião é que eles são mais vitimas que réus, tal é o espaço que lhes é pedido para cobrir.
Taça Uefa – Só por milagre o Benfica vai continuar na Europa este ano – o que é mais incrível é como é que é possível ter ainda hipóteses, tal tem sido o descalabro nesta prova. Tive oportunidade de ver os adversários do Benfica, na maioria dos casos, mais do que 1 vez. Olimpiacos e Galatasaray são equipas com excelentes individualidades (ao nível do Benfica) mas algo (no caso do Galatasaray, muito) vulneráveis colectivamente, o Metalist é claramente a mais modesta das equipas e o Hertha aquela que mais gostei de ver colectivamente, não tendo os mesmos argumentos individuais das 2 primeiras. Era um grupo perfeitamente ao alcance do Benfica...
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27.11.08
Sporting - Barcelona: Loucura e... mais do mesmo
Referido o exagero na volumetria do resultado, o que mais importa abordar é a confirmação inequívoca da superioridade do Barcelona e da impotência do Sporting, já perfeitamente claras no jogo de Barcelona. Volto ao mesmo referido nessa partida. Para perceber o sucedido não se pode olhar apenas ao que o Sporting não conseguiu fazer, é preciso ter em conta a invulgar qualidade do Barcelona. Ao contrário do que aconteceu em Barcelona, o Sporting tentou não ficar remetido à sua zona defensiva, tentou pressionar mais alto, mas, mesmo se a agressividade não foi a ideal, mesmo se a posse de bola cometeu mais erros do que o desejável, todas as dificuldades só aconteceram pela enorme capacidade do Barcelona para fazer das zonas de pressão adversárias uma vantagem ofensiva, tal a facilidade com que delas sai, e pela forma como, depois, o pressing catalão conseguia inviabilizar a progressão do Sporting. Aqui, não quero deixar de referir um aspecto na forma de pressionar do Sporting. O facto de não subir a sua última linha defensiva abre espaços entre sectores quando o Sporting se adianta para pressionar. A ocupação de espaços do meio campo leonino é normalmente muito boa e faz com que este não seja um problema de maior contra grande parte das equipas. Contra o Barça, porém, não é possível alongar tanto o campo defensivo e, provavelmente, o melhor mesmo seria definir zonas de pressão mais curtas. Outra nota importante na má exibição do primeiro tempo foi o efeito emocional dos golos. O Sporting “caiu” rapidamente – não foram precisos muitos avisos – e por um erro de abordagem individual, mas a sua confiança caiu claramente a partir daí, tendo muito mais dificuldades em afirmar-se no jogo após o primeiro golo.
Nem tudo foi mau no jogo para o Sporting. A segunda parte trouxe uma novidade táctica, com Djaló a tentar limitar a liberdade ofensiva de Daniel Alves, alargando o losango (poderá ser solução, especialmente para jogos perante adversários mais fechados), e outra na atitude. Guardiola referiu-o e é verdade. Foi notável a forma como o Sporting não desistiu do jogo e continuou a tentar e a pressionar, mesmo com 0-3. Se aquela felicidade de marcar 2 golos não tivesse sido sucedida pelo desastroso alivio de Caneira, é bem possível que o jogo tivesse conhecido um desfecho deveras surpreendente. Fica, apesar de tudo, a fantástica atitude que se manteve, de novo, após o 2-5 e já apenas com 10.
Inevitável – Olhando para as características do Barcelona fico com a ideia de que perante este adversário muito dificilmente o Sporting não passará por enormes dificuldades. O problema não é, só, a qualidade do adversário, mas o seu perfil. O Sporting tenta sempre impor-se pela posse e no caso do Barcelona isso é muito difícil. Isto porque o Barça é invulgarmente forte tecnicamente e não é vulnerável ao pressing e, porque, por outro lado, sobe muito a sua última linha defensiva dificultando muito o primeiro passe em apoio. A solução seria fazer um jogo que tentasse mais (e melhor) a profundidade, tirando partido da defesa alta do Barça e que, por outro lado, fosse mais curto defensivamente. Em nada isto concorre para a ideia de jogo do Sporting e, por isso, tantas dificuldades.
A boa notícia, claro, é que o Barça não pode calhar nos oitavos e o Sporting ficará a desejar encontrar um adversário com que o seu meio campo possa rivalizar do ponto de vista técnico, o que não é dificil.
Erros – Depois da Naval falei aqui da esquizofrenia defensiva do Sporting. Não há maior evidência do que este jogo. O Sporting, apesar das dificuldades em se impor, foi sempre organizado mas acabou por cometer erros primários que levaram à goleada. No primeiro golo, Carriço (não deve ser, naturalmente crucificado), quis ficar com a bola e acabou por trocar um canto por um golo. O segundo golo é marcado na própria baliza por Polga após uma falha de marcação que acaba com um desvio de costas de Gudjohnsen. O terceiro e quarto golos nem vale a pena comentar, enquanto que no quinto, Grimi é quem desvia a bola de Patrício, dando origem ao lance da grande penalidade.
Repito a ideia. A qualidade da organização defensiva permite pensar que o sucesso pode construir-se a partir da consistência defensiva mas, para isso, é preciso corrigir esta tendência para o erro individual.
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26.11.08
Fenerbahce - Porto: Missão cumprida!
A ideia de Jesualdo passou pela preocupação em retirar espaços ofensivos a uma equipa que se desequilibra muito em posse por adiantar muitas unidades em cada acção ofensiva. Aqui destaque para a missão de Rodriguez que tinha a responsabilidade anormal neste Porto de fazer um acompanhamento individual às subidas do lateral contrário. Foi por esta preocupação defensiva que vimos sempre um Porto não tão alto como é hábito. A segunda parte do plano era aproveitar os erros que os turcos cometessem em posse para lançar as transições. O Fenerbahce, neste aspecto, ajudou e, por isso, a estratégia funcionou.
No final fica uma vitória muito importante que, honestamente, poderia ter sido bem mais expressiva e que acabou, até, por se complicar com o acidente de Kazim Kazim. É verdade... Lucho não jogou!
A diferença – Reforço o que havia dito na primeira jornada. A diferença destas equipas está na organização e trabalho colectivo. É por isso que esta vitória (e qualificação) são sobretudo um feito de Jesualdo. O Porto jogou contra equipas que individualmente não lhe são inferiores e só se conseguiu superiorizar pela diferença que tem a nível de organização colectiva. Repito o que venho dizendo desde o inicio: se o Porto se mantiver fiel às suas ideias e ao seu modelo acabará por confirmar a sua competência ao longo da época.
Sobre o Fenerbahce, verifica-se que o tempo em nada tem feito evoluir a equipa de Aragonês. Muitas vezes fala-se da importância do tempo para se fazer crescer as equipas. É correcto, com o tempo as coisas só tendem a melhorar. O problema é que o tempo só serve para levar as equipas até ao nível de qualidade das suas ideias e quando estas, por principio, têm falhas, não é o tempo que as vai corrigir.
4-4-2?! – Nem de propósito. Tinha falado há dias da dificuldade generalizada que existe em perceber as diversas variantes do modelo de Jesualdo. Pois bem, neste jogo passamos grande parte do jogo a ouvir falar do 4-4-2 e de 4 médios. Com excepção dos tais ajustamentos estratégicos (postura mais baixa e posicional e acompanhamento individual de Rodriguez ao lateral), o Porto apresentou-se na primeira parte naquela que identifiquei como sendo a “variante 1” do 4-3-3 e, na segunda, (até aos 80 minutos) na “variante 3”, com Lisandro a jogar no espaço entre linhas. Faria, na minha perspectiva, até mais sentido falar-se em 5 médios (se entendermos que os extremos são médios) do que que em 4, isto porque Rodriguez jogou sempre na mesma linha de Lisandro.
Já agora, aproveito para comentar outra coisa que se ouviu, não pela primeira vez. A ideia de que uma equipa precisa de jogar com 4 médios para ter sucesso na Europa. É daquelas afirmações absolutistas que são em si mesmo um contra senso num jogo que é, como todos reconhecem, tão relativo. E, para o caso, é tão fácil arranjar contra exemplos...
Cenário repetido – Lembro-me do que aconteceu há 2 anos. O Arsenal veio ao Dragão na última jornada, com as duas equipas já apuradas e com um empate a ser suficiente para que os ingleses garantissem o primeiro lugar. Na altura os “Gunners” tudo fizeram para que se cumprisse um pacto de não agressão e a verdade é que o Porto permitiu que o jogo decorresse num ritmo baixo durante grande parte dos 90 minutos. O resultado foi um nulo e um Chelsea-Porto nos oitavos, previsivelmente condicionando maiores aspirações do Porto em chegar mais longe na prova. Não creio que o Porto de hoje tenha a mesma qualidade e capacidade daquele de 06/07, mas é bom que a memória sirva de exemplo para que não se desvalorize a importância do primeiro lugar e, sobretudo, para que não se permita que os ingleses voltem a levar a melhor com uma eventual tentativa de conduzir o jogo a um ritmo mais baixo e conveniente.
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25.11.08
O bom aproveitamento da passividade
O filme da primeira parte
De Coimbra não sobraram grandes jogadas que tivessem a baliza como destino final. Sobraram, no entanto, vários exemplos de como a posse de bola deve ser conduzida, com grande mobilidade dos jogadores e utilizando toda a largura do campo. Ao Benfica terá faltado, como retrata a primeira jogada do vídeo (14 passes em 1 minuto de posse de bola), uma melhor definição na abordagem ao derradeiro quarto de campo, mas isso acabou por não ser, afinal, um grande problema.
Para que se perceba a superioridade e conforto encarnado em grande parte do jogo é preciso, no entanto, salientar um aspecto essencial. A atitude demasiado expectante da Académica. Repetidamente o bloco ‘estudante’ foi demasiado posicional, pouco agressivo e, sobretudo, pouco pressionante. Um pormenor que, em particular, condenou em grande medida as possibilidades de sucesso defensivo da Académica foi o tempo e espaço que concedeu à primeira fase de construção do Benfica. Repetidamente Luisão e Sidnei escolheram sem qualquer problema quando e por onde cada jogada deveria começar. Felizmente, consegui encontrar no jogo uma excepção a esta regra comportamental, que confirma também a utilidade que poderia ter uma atitude mais perturbadora para a primeira fase de construção encarnada.
O golo
O Benfica conseguiu reforçar-se com elementos que têm o condão de desequilibrar qualquer partida. Entre todos esses nomes que já tantas capas de jornais fizeram não consta Ruben Amorim, mas, para mim, o ex-Belenenses tem uma importância bem superior a muitos das mais sonantes aquisições encarnadas. A sua regularidade e inteligência fazem dele um jogador muito útil e, frente à Académica, provou-o mais uma vez.
No golo que abriu caminho à vitória, Amorim começou por decidir bem e rápido, abrindo em Nuno Gomes, antes de completar o movimento com a diagonal que lhe permitiu finalizar. Muito destacada foi a acção de Nuno Gomes. Sem lhe retirar qualquer mérito numa abordagem que o define como jogador, não posso deixar de considerar que na jogada há, em primeiro lugar, uma atitude muito comprometedora de uma defesa que, tal como em todo o jogo, foi pouco pressionante e pouco agressiva.
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