31.3.09

O pesadelo de Boruc e outros destaques

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- Destaque para as vitórias da Holanda (categórico 3-0 à Escócia), Espanha (útil 1-0 à Turquia) e Itália (sofrido 2-0 em Montenegro).
- Na Europa, nota ainda para os golos de Ballack (Alemanha), Saganowski (Polónia) e do jovem Edin Dzeko (Bósnia).
- Na América do Sul, o Brasil sofreu muito mas conseguiu empatar no Equador (atenção ao trabalho de Edison Mendez no golo do empate), a Argentina goleou a Venezuela e o Uruguai venceu o Paraguai.
- Nota ainda para os golo de Renteria na vitória da Colombia e do prodigio Alexis Sanchez na histórica vitória conseguida no Peru.
- Na Ásia, nota para o livre de Nakamura (Japão) e para o pontapé de Pak Choi Jin (Coreia do Norte).
- Em África, Moçambique empatou com a Nigéria e Adebayor marcou na vitória do Togo sobre os Camarões.
- Finalmente uma nota para 2 jovens no Brasil. Jucilei (de um modesto J.Malucelli) parece merecer a oportunidade para dar o "salto" depois da notável exibição e golo na surpreendente vitória sobre o Atlético Paranaense. No Rio de Janeiro, o Botafogo ganhava por 1-0 e tinha mais 1 homem. Entrou o jovem Alan e numa jogada mudou o destino do jogo, com uma recepção que define um ponta de lança ganhou espaço para empatar. O Flu acabaria por ganhar surpreendentemente dadas as circunstâncias.

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30.3.09

Portugal - Suécia: Mais do mesmo... tolerância, zero

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Será só azar? – A necessidade de ganhar sentiu-se claramente. Pela barba (estilo promessa) de Queiroz, pela determinação e entrega dos jogadores, pela pressão crescente que se sentiu com o avançar do relógio e, finalmente, pela demorada e solitária reflexão (estilo “e agora o que é que eu faço?”) de Gilberto Madail imediatamente após o final do jogo. Portugal voltou a desiludir, no terceiro resultado negativo em 4 jogos realmente competitivos no apuramento. Diz-se que fez um bom jogo e é verdade que terá tido bons momentos, mas não devemos confundir um domínio normal, quer pela diferença de qualidade que existe entre os 2 conjuntos, quer pelo próprio interesse sueco em defender um empate que lhe foi benéfico, com uma “exibição fantástica” que teria tido na fortuna a única justificação para o insucesso. A sorte, precisamente, não pode ser a única justificação para quem quer, de forma inteligente e séria, corrigir problemas que surgem de forma tão recorrente. Em suma, foi um jogo em que Portugal esteve realmente bem em alguns momentos, em que teve o empenho e até a inspiração individual necessária, mas em que voltou a falhar em pormenores absolutamente decisivos que, combinados com alguma falta de sorte, explicam não apenas este empate mas a impensável situação para a qual se arrastou neste apuramento.

Opções e estratégia iniciais– Na antevisão falei da compreensão pela opção Pepe como médio defensivo e da necessidade de dar mobilidade ao ataque nacional. Por isso, percebe-se facilmente que concordo com as opções de Pepe e Danny de inicio. A estas juntou-se ainda Tiago que teve uma missão particularmente importante, dado que numa estratégia sem referência fixa na frente, é importante uma boa chegada dos médios à zona de finalização. Tiago foi lançado para uma função mais ofensiva do que Pepe e Meireles (compondo uma espécie de 4-2-3-1) e devo dizer que os seus movimentos verticais só pecaram por não ter sido mais vezes repetidos pelos seus colegas de sector. Portugal teve dificuldades no inicio. A estratégia Sueca de colocar rapidamente a bola na frente impedia Portugal de manter o jogo em permanência no meio campo ofensivo, perdendo muito tempo entre as suas acções ofensivas. Aqui, justificou-se a importância da presença de Pepe, dificultando o domínio das primeiras bolas por parte dos suecos. Portugal melhorou, passou a condicionar melhor a saída de bola sueca, a reagir melhor à perda de bola e, sobretudo, a circular melhor. Aqui, nos últimos 20 minutos da primeira parte, aconteceu o melhor período português, com a grande velocidade na circulação de bola e boa ligação de corredores, destacando-se a presença dos laterais a aparecer no espaço aberto no flanco oposto.
Neste jogo destacou-se o número de remates, mas ao elevado registo estatístico há que perguntar porque é que Portugal rematou tão poucas vezes dentro da área e sem ser em lances de bola parada. A resposta a esta pergunta leva-nos ao grande problema da estratégia nacional para o jogo. É que Portugal actuou poucas vezes em transição, e em ataque organizado é muito mais difícil conseguir espaços. A estratégia deveria ter dado prioridade a um pressing mais forte desde o inicio, potenciando mais claramente o erro sueco para depois sair em transição. Isso não aconteceu e daí tantos remates terem tido tão pouca probabilidade de sucesso.

Alterar para... piorar! – Há um momento decisivo e que dá inicio à participação contra producente de Queiroz no jogo. A lesão de Bosingwa. Primeiro, para quem tem um jogo tão decisivo pela frente, o erro de optar por Brandão em vez de Nelson é pouco justificável. Queiroz não foi bafejado pela sorte neste particular, mas a sua opção por Rolando em cima do intervalo e a 15 minutos de, previsivelmente, ter de arriscar, foi totalmente prejudicial ao jogo da Selecção que, devido a ela, na segunda parte não mais contou com a tal ligação de corredores, tendo Carvalho ido apenas 1 vez à linha em 45 minutos de ataque continuado. Depois entrou Deco, mas saiu Tiago que era provavelmente a unidade de melhor rendimento na altura em que saiu e o único médio a fazer a ligação com a zona de finalização. Finalmente, Queiroz fez aquilo que os suecos mais desejariam. Com 25 minutos por jogar, colocou Hugo Almeida que foi “encostar-se” aos defensores suecos, dando-lhes uma referência fixa. Para mais, retirou uma das unidades mais móveis, Danny, e manteve um lateral direito sem capacidade para dar profundidade e 1 médio eminentemente defensivo, numa fase em que os suecos pensavam sobretudo em defender. Dizer que, naquele que seria previsivelmente o período de maior assédio luso (25 minutos), Hugo Almeida praticamente não rematou e que Portugal só ameaçou de meia distância e de bola parada é o suficiente para que se perceba o impacto negativo das alterações de Queiroz.
Quem lê o que venho escrevendo na análise aos jogos sabe que sou totalmente contrário à sobrevalorização das substituições, mas neste caso parece-me que há um efeito evidentemente nefasto para as aspirações de Portugal no jogo que é, no fundo, o reflexo de uma péssima leitura do jogo por parte de Queiroz.

Situação e responsabilidades – No lançamento do jogo referi que Portugal não estava numa situação tão difícil como se pintava mas também fiz questão de realçar a importância deste jogo. O empate não retira, ainda, Portugal em definitivo do Mundial mas simplifica muito as contas para o que resta jogar. Agora sim, não há margem de erro. Tudo o que seja não ganhar todos os jogos (restam 4, se descontarmos o “passeio” com Malta) é colocar praticamente de parte toda e qualquer hipótese de apuramento. Abordarei a Selecção e Queiroz em maior detalhe nesta semana, mas avanço já que esta vem sendo uma prestação para pior de má da Selecção, que o não apuramento é uma pequena catástrofe (numa perspectiva relativa, obviamente) para o futebol português e que as responsabilidades, até pela forma vincada como fez questão de fazer um corte com o passado, devem ser prioritariamente endereçadas ao Seleccionador nacional, caso o pior mas agora provável cenário se confirmar.


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Como fazer, por Ribery

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27.3.09

Portugal-Suécia: A óbvia importância de ganhar

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Contas: Joga-se muito, mesmo faltando tanto
Começo por falar das contas do apuramento. Para mim, estes cálculos são feitos a 4 no que respeita às possibilidades de qualificação, surgindo a Albânia como o ‘joker’ que, tal como antecipou Queiroz antes do empate em Braga, não tendo hipóteses de se apurar, será importante nas contas do apuramento, pelos pontos que venha a tirar aos outros 4. Basicamente, portanto, não creio que os jogos de Malta contem para o que quer que seja em termos de contas finais. A isto há que juntar ainda a hipótese real do segundo lugar servir para um playoff de acesso à África do Sul. Pesando bem as contas, percebe-se que o caminho de Portugal é, agora, bem mais estreito do que aquilo que seria desejável, mas está longe – pelo menos para já – de estar tão fechado como vejo pintar por aí.
Olhando para a classificação e calendário (“extra-Malta”) percebe-se que a importância enorme deste jogo. Uma vitória coloca Portugal em melhor posição do que a Suécia e pode, em termos psicológicos, ser um momento muito importante para inverter o “clima” actual. A pressão ficará, claramente, sobre os suecos nesse cenário, mas a situação será completamente inversa em caso de uma não-vitória portuguesa. Uma eventual derrota, então, lançará, aí sim, Portugal para um cenário catastrófico podendo não chegar, sequer, ganhar todos os restantes jogos para chegar a um segundo lugar. Em resumo diria que, sendo os cenários ainda muito amplos nesta fase, o jogo com a Suécia tem uma importância enorme, diria mesmo próxima de uma decisão, tal a diferença entre as possíveis situações resultantes deste jogo.


Opções tácticas: Ainda à espera da mobilidade ofensiva
Há 2 formas de se olhar para as opções de Queiroz. A primeira é partir de uma compreensão das opções, a segunda é tentar elaborar cenários de opinião descontextualizados com aquilo que preconiza o seleccionador. Sobre as opções de médio-longo prazo já tenho falado mas, como antevisão para este jogo em concreto, parece-me mais útil uma análise a partir das ideias de Queiroz.
A colocação de Pepe a 6 tem a ver com 2 aspectos no meu entender. O primeiro é tipo de jogo dos suecos (que será o mesmo dos Dinamarqueses quando com eles jogarmos) e o segundo é a característica dos nossos laterais. Quer Duda, quer Bosingwa, são laterais muito ofensivos, capazes de dar profundidade ao seu flanco. Pepe pode servir de compensação a esta característica, sendo paralelamente um bom recurso para garantir um equilíbrio de forças no jogo aéreo. Sobre esta estratégia tenho, no entanto, algumas reservas.
Num 4-3-3 como o de Portugal, o “motor” deve ser a zona central do meio campo. A criatividade dos jogadores e a dinâmica dos seus movimentos devem ser elementos muito relevantes do jogo, que não pode recorrentemente entrar nos extremos quando o adversário está zonalmente preparado para bloquear essas zonas. Se pensarmos nos melhores momentos de Portugal nos últimos anos encontramos sempre a criatividade de Deco ou a dinâmica e inteligência das acções de Maniche como pilares mais importantes e nunca um recorrente apelo ao 1x1 dos extremos. Aqui surge outra preocupação. É que Deco está num momento mau em termos de intensidade de jogo (apesar de ser único actualmente na Selecção) e Maniche também não tem jogado com regularidade, não tendo a utilização de Pepe o objectivo de ajudar na dinâmica ofensiva do sector.
Depois, há o trio da frente que vem, desde há muito (antes de Queiroz), padecendo do mesmo mal. A falta de mobilidade. Várias vezes tenho referido esta como uma das características fundamentais para o sucesso de um futebol que cada vez mais é um jogo de espaços. Quando o tal “motor” do meio campo não funciona, Portugal fica limitado à previsibilidade posicional do seu trio ofensivo. O 9 dá uma referência de marcação fixa aos centrais e os extremos passam a ser o elemento previsível e não surpresa do jogo nacional, não lhes sendo criadas condições para que o 1x1 possa funcionar (esta é a razão pela qual Ronaldo ou Simão não rendem o mesmo na Selecção). Os laterais ofensivos podem ser uma boa solução ofensiva mas só se for para aparecerem no espaço criado pela mobilidade dos extremos. Se estes permanecerem fixos, o apoio dos laterais não será grande solução porque aparecerão em zonas povoadas, o que favorece sempre a acção de quem defende.
Por tudo isto, considero que, mesmo não discutindo o sistema ou mesmo as individualidades escolhidas, os problemas da Selecção em termos de dinâmica colectiva se mantêm, não passando pela inclusão de Pepe ou a utilização de Duda a sua solução. Esperemos, ainda assim, por uma exibição inspirada que possa, talvez com um golo que abra o jogo, esconder estes problemas, garantindo aquilo que afinal é o mais importante nesta altura. A vitória.


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Showboat!

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26.3.09

Suécia: O poder do colectivismo democrático

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Aproxima-se um embate potencialmente decisivo frente a Suécia. Esta é, também, uma oportunidade para olhar com um pouco mais de atenção para este país e para a história do seu futebol.
É hábito dizer-se que os nórdicos são grandes e toscos. Para começar, desvalorizar uma cultura, ou neste caso, um estilo de jogo sem antes o tentar compreender é, sobretudo, uma manifestação de falta de inteligência. Mas não é esse o ponto que pretendo abordar. O que ressalta de um olhar pela história do futebol é uma presença altamente surpreendente dos suecos nos principais palcos do futebol mundial, desde os primeiros tempos até aos mais recentes. Aliás são poucas as selecções que se poderão gabar de um melhor historial. A maioria recordará o terceiro lugar no Mundial de 1994, ou mesmo a meia final 2 anos antes, no Euro 92 jogado em sua própria casa. A verdade, porém, é que o futebol sueco terá tido um período não menos fulgurante nos anos 30, 40 e 50, com grandes resultados nas fases finais dos mundiais e, também, nos jogos Olímpicos da altura. Entre estes períodos realça-se ainda os 2 títulos do Gotemburgo na Taça Uefa nos anos oitenta e a final do Malmo na Taça dos campeões Europeus em 1979.
Tudo isto para destacar a extraordinária competência de um país que, no futebol não foge ao registo de outras áreas, onde consegue níveis de performance verdadeiramente espantosos para uma nação de apenas 9 milhões de habitantes. Aliás, os suecos, apesar de serem um país relativamente pequeno, são analisados e distinguidos pelo seu perfil de gestão e liderança, realçando-se a forma invulgarmente democrática e aberta como se relacionam em praticamente todas as áreas (no futebol um exemplo evidente desta característica foi a co-existência de 2 treinadores à frente da selecção entre 2000 e 2004). Este é um aspecto que pode ser particularmente relevante para o futebol em particular. É que a mentalidade sueca, ao contrário da britânica ou americana que fazem escola na maior parte do mundo, é baseada no colectivismo e não no individualismo. Esta opção poderá justificar o sucesso de tantas equipas suecas sem que, paralelamente, se reconheça nos suecos individualidades de particular destaque (na Ballon d’Or, nunca nenhum sueco conseguiu, sequer, um terceiro lugar!).
Esta análise serve também de aviso e alerta para o momento actual da selecção sueca e, em particular, para o jogo de Sábado. Com uma selecção longe de ter o talento individual de outros tempos e privada da sua principal individualidade por castigo, os suecos podem parecer um adversário bem mais fácil do que realmente serão. A sua força, como facilmente se percebe, nunca teve como pilar principal as individualidades mas sim a capacidade de organização colectiva. Para Portugal deve sobrar a certeza de que no Sábado a surpresa acontecerá se a vitória for fácil e não o contrário.

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O método usbeque

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25.3.09

Porque gosto do Barcelona...

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O lema é “Mais do que um clube” mas aos meus olhos, ou seja de alguém que apenas vê o lado futebolístico da causa “culé”, o lema deveria ser “Mais do que ganhar”. Não quer isto dizer que eu seja partidário de filosofias de jogo utópicas ou que não tenham na vitória o seu propósito principal. Como já aqui muitas vezes defendi, para que o futebol seja respeitado cada equipa deve dar prioridade àquele que é o seu principal propósito enquanto jogo, ganhar. Tem, antes, a ver com princípios mais abrangentes e que encerram numa filosofia de clube.
O Barcelona tem pouco mais de metade dos títulos do Real Madrid e entre 1960 e 1990 ganhou apenas 2 ligas. Também a nível Europeu fica muito aquém dos títulos do seu maior rival. Quanto a mim, no entanto, a sua História é incomparavelmente mais valiosa e daí o ajuste do “Mais do que ganhar”. Tem a ver com a aposta na formação, nos talentos emergentes, e numa fórmula que tem como pilar a base do clube e não os milhões que é capaz de gerar. Por estes princípios e pela capacidade que tem para, ciclicamente, nos deliciar como provavelmente mais nenhum clube consegue, gosto do Barcelona.
Tudo isto a propósito da exibição deste fim de semana e da marca dos 3 golos por jogo. Guardiola é uma aposta que desde a primeira hora elogiei, por ser de futuro e não de passado, por ser de formação e qualidade e não de currículo e estatuto. Fico feliz por ter vingado e por ter posto a funcionar esta autêntica máquina de futebol que, à luz dos seus princípios, tem a sua base construída na formação e não em milionárias contratações.
O melhor é mesmo ver porque se o futebol é uma arte, Camp Nou é nesta altura o melhor museu do mundo...

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