26.3.15

Notas da semana (Benfica, Porto, superclásico, Bayern)

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- Começo pela derrota do Benfica em Vila do Conde, que abriu um pouco mais a luta pelo título, ainda que bem menos do que à partida se poderia supor. O Benfica não fez, de facto, um jogo muito bom em termos ofensivos, ainda assim não partilho de todo do pessimismo em torno da exibição da equipa encarnada, uma ideia que como sempre me parece ter grande influência da carga emotiva que o desfecho negativo acarreta consigo. Há, na exibição do Benfica, alguns pontos que me parecem interessantes de analisar, desde a forma como a equipa não produziu o que seria desejável em termos ofensivos, até às dificuldades defensivas que acabaram por ditar a surpreendente reviravolta na segunda parte. E é mais sobre este último ponto que me quero debruçar, porque ao contrário do que seria normal os vários desequilíbrios a que a defensiva encarnada foi exposta não resultam tanto de uma grande dificuldade do bloco defensivo, como um todo, mas de um estranho mau desempenho individual de alguns dos seus jogadores, com os centrais em destaque. De resto, e retirando aqui o lance do primeiro golo, o Benfica começa por sentir dificuldades de controlo na resposta aos pontapés longos ("longos", neste caso até soa a eufemismo!) de Ederson, o que não deixa de ser uma abordagem ofensiva primária e em princípio fácil de anular, por muito invulgar que seja o alcance do pontapé do guarda redes brasileiro. Estranho, portanto, as dificuldades sentidas neste ponto específico, assim como estranho a forma como Luisão se deixou bater por Zeegelaar, também numa abordagem ofensiva relativamente primária, e que acabou com Del Valle isolado na frente de Júlio César, ou a forma como a defesa do Benfica não reagiu de forma coordenada (como é seu hábito, note-se) no lance que culmina na expulsão de Luisão. Por fim, era perfeitamente evitável, também, a precipitação de Maxi no lançamento lateral que está na origem do segundo golo. Seria interessante trazer a visualização de todos estes lances, mas por falta de tempo não o vou poder fazer, ficando no entanto a minha nota pessoal em relação à importância que me parece ter tido o mau desempenho individual dos defensores encarnados nesta derrota.

- Uma nota sobre o jogo que se seguiu à derrota do Benfica, com o Porto também a perder pontos na sua deslocação à Choupana. O Porto foi superior ao Nacional, mas outra coisa não seria de esperar tendo em conta as diferenças de recursos das equipas. A questão está mais, a meu ver, nas dificuldades de controlo defensivo da equipa de Lopetegui, o que contrasta bastante com o registo característico da equipa, em especial no plano interno. Referência, a este propósito para o lance do golo do Nacional (corro aqui o risco de sobrevalorizar um lance pontual), e para a importância que em parece ter Casemiro em termos defensivos para a equipa. Já referi há muito que o brasileiro tem uma capacidade de intervenção notável e que isso ajuda muito o Porto a filtrar as iniciativas ofensivas contrárias, tanto mais que o trabalho defensivo dos seus extremos não é propriamente o mais abnegado.

- Incontornável, nesta semana, o "superclásico". Há sempre inúmeras formas de olhar para um jogo de futebol e este não será excepção, mas eu não consigo começar por destacar outra coisa que não seja o entretenimento que estas duas equipas proporcionam aos vastos milhões de espectadores que param para os ver actuar. Talvez mais do que nunca, um duelo entre Real e Barça é um jogo equilibrado, de parada e resposta, e com superioridade constante dos ataques relativamente às defesas, o que faz deste não só um jogo de desfecho imprevisível, mas igualmente com uma expectativa muito elevada de golos. Ora, estas são características que raramente se vêm combinadas de forma tão expressiva num campo de futebol. Talvez Real e Barça pudessem ser melhores enquanto colectivo - ainda que me pareçam as duas equipas mais fortes do futebol actual - mas quanto ao entretenimento não me parece que fosse justo pedir mais!

- Uma nota também sobre a derrota do Bayern, que decorre obviamente de uma combinação improvável de factores. Ainda assim, nota para as dificuldades da equipa de Guardiola na abordagem ao último terço, não conseguindo ser consequente relativamente ao domínio territorial que impôs. Não se pode, aqui, dissociar deste facto a ausência de Ribery ou a saída por lesão de Robben, com menos de 25 minutos de jogo. Sem maior capacidade individual ao seu dispor, o Bayern protagonizou uma chuva de cruzamentos exteriores, alguns mesmo de posições frontais e sem grande presença na área. A equipa de Guardiola continua a parecer-me uma das mais fortes, mas não a consigo colocar ao nível de Barça e Real em termos de recursos individuais e esse, como sempre, parece-me o ponto que mais diferença pode fazer...

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