13.1.14

Benfica - Porto (I): Aspectos tácticos (colectivos)

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Jogo tecnicamente pobre e desfecho justo
O ambiente e carga emocional envolvente garante o interesse do espectáculo, mas do ponto de vista estritamente técnico, este foi um mau jogo. O Benfica venceu com justiça, porque foi quem mais próximo do golo esteve e também quem retirou melhor partido da abordagem estratégica que trazia para a partida, mas não creio que o sucesso encarnado seja suficiente para que se veja grande brilhantismo na sua exibição. Foi, essencialmente, a melhor (ou, muito melhor) de duas exibições não muito conseguidas.

Porto: a responsabilidade de Paulo Fonseca
Já aqui tenho discordado várias vezes da ideia de que Paulo Fonseca é o principal responsável pelas dificuldades em que a equipa mergulhou na presente temporada. Em particular, discordo completamente da focalização das criticas nos aspectos fundamentais do seu modelo de jogo, nomeadamente no sistema. Há, no entanto, outros pontos onde o treinador atrai a minha crítica e, nesse sentido, este jogo será um dos capítulos mais flagrantes no ainda curto tempo que ainda leva como treinador azul-e-branco.
De facto, penso que Paulo Fonseca é o grande responsável pela forma como o Porto perdeu. Não que o Porto não pudesse ter perdido o jogo se tivesse jogado de outra maneira, mas porque a surpreendente previsibilidade da sua abordagem estratégica facilitou enormemente a tarefa do Benfica. E, para explicar este meu ponto de vista é fundamental olhar à leitura que fiz da recente visita portista a Alvalade. Nesse jogo, o Porto conseguiu até mais presença em posse, mas acabou por se ver refém da sua incapacidade para progredir com bola, não só chegando com muito pouca frequência ao derradeiro terço ofensivo, como expondo-se também ao enorme risco das perdas de bola que foi acumulando perante o pressing do Sporting. Ainda nessa partida, ficaram claras as dificuldades da equipa em encontrar linhas de passe que tivessem como destino as costas dos médios sportinguistas, aproveitando o adiantamento destes. Nomeadamente, sobressaiu de forma flagrante a incapacidade de unidades como Carlos Eduardo e Licá em se movimentarem no espaço entrelinhas.
Para o jogo da Luz, e após essa análise, tinha duas convicções: 1) O Porto dificilmente sobreviveria ao destino da derrota caso se se voltasse a expor da mesma maneira; 2) Paulo Fonseca dificilmente repetiria a mesma abordagem, com os mesmos protagonistas. Acertei na primeira, errei na segunda. Paulo Fonseca introduziu Lucho e Jackson, que é certo fazem bastante diferença, mas no essencial repetiu a mesma abordagem, nomeadamente apostando nos mesmos protagonistas para procurar linhas de passe dentro do bloco adversário: Varela, Carlos Eduardo e Licá.
Como Jesus também viu esse jogo da Taça da Liga, imagino que terá tido a primeira sensação de vitória bem antes do primeiro golo de Rodrigo...

(Há outros pontos a criticar na abordagem de Paulo Fonseca sobre os quais não me vou alongar aqui, como a não-preocupação de retirar as reposições longas da zona de Matic, ou a volatilidade com que vem gerindo o papel dos diversos protagonistas do seu meio-campo)

Benfica: estratégia bem sucedida e liderança após tantas críticas
Jesus preparou-se estrategicamente para o adversário, com um pressing muito agressivo sobre a fase de construção portista, que exigia, não só duas unidades na primeira linha de pressão (Lima e Rodrigo), como o adiantamento constante de um outro elemento no corredor central (Enzo) para garantir presença pressionante numa zona onde, para além dos centrais, o Porto fazia baixar o seu duplo-pivot (Fernando e Lucho). Para isto, parece-me, houve uma preocupação especial em Matic para guardar posição e nos alas (Markovic e Gaitan) em aproximar-se do corredor central perante o adiantamento de Enzo. Uma abordagem estratégica que poderei ilustrar com mais detalhe quando trouxer algumas jogadas do jogo, mas que claramente conseguiu grande propósito na sua aplicação prática, acabando por ser o grande alicerce do sucesso da equipa. Aliás, à margem desta 'nuance' táctica decisiva, o Benfica fez até uma exibição relativamente medíocre, não conseguindo grande eficácia nas suas iniciativas em ataque-posicional (também com alguns erros em posse) e perdendo até várias das oportunidades que se lhe abriram em situações de contra-ataque.

Se tenho discordado de algumas críticas feitas a Paulo Fonseca, o mesmo posso dizer da crucificação que vendo sendo feita às opções de Jorge Jesus, praticamente desde a pré-temporada. Aliás, parece-me que os efeitos do desgaste mediático do treinador são tais, que a certo ponto tudo o que o treinador fazia, fosse num sentido ou noutro, era motivo para as mais contundentes críticas. É natural, portanto, que a liderança do Benfica seja agora encarada com alguma surpresa, mas isso terá sobretudo a ver com a perspectiva excessivamente pessimista com que a equipa vem sendo olhada há muito tempo a esta parte. Não vou dizer que o Benfica seja, claramente, a melhor equipa de uma prova que tem sido pautada por muito equilíbrio na performance dos seus principais competidores, mas parece-me clara essa subvalorização da equipa do Benfica. Talvez agora passe a haver maior razoabilidade na apreciação nas análises ao seu desempenho e, já agora, também uma perspectiva menos dogmática e maniqueista em torno das opções do seu treinador (nomeadamente na célebre questão do 4-4-2 vs 4-3-3, a meu ver muito mal tratada).



Nos próximos 2 dias darei seguimento à análise deste jogo, primeiro com a opinão (e dados estatísticos) às exibições individuais e, depois, com a análise táctica de algumas jogadas relevantes do jogo (vídeo).

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10.1.14

Sporting: Análise principais jogos

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Para concluir este ciclo de análises, deixo os dados relativamente aos jogos do Sporting que analisei mais detalhadamente. A primeira ressalva tem a ver com a diferença em relação ao que sucede com Benfica e Porto, já que no caso do Sporting não houve neste ano presença europeia, havendo por isso uma centralização total nas competições internas. Este facto torna mais difícil a comparação com os rivais, já que o grau de dificuldade não é tão elevado. Ainda assim, assinale-se, foi o Sporting quem teve até agora mais confrontos directos com os outros "grandes". Aqui ficam algumas notas de opinião pessoal, primeiro sobre dados colectivos e depois relativamente a alguns casos individuais:

Segurança e objectividade - No final da pré-época deixei uma análise semelhante a esta e se recordarmos os pontos levantados nessa altura, facilmente constatamos que grande parte da imagem do Sporting pré-competição se confirmou nesta primeira metade da temporada. Em particular, o pouco risco assumido com bola, preferindo a progressão pelos corredores laterais e expondo-se pouco a perdas de risco que pudessem dificultar o controlo sobre o momento de transição ataque-defesa. Para além disso, o Sporting denota um aproveitamento muito bom das ocasiões criadas, uma constatação que se repete na análise que deixei sobre os primeiros 14 jogos do campeonato. Como ponto menos positivo fica a prestação frente aos mais directos rivais, não se podendo dizer que tenha existido uma grande diferença entre as equipas, mas constatando-se também que, em 4 jogos, apenas por uma vez o Sporting se superiorizou na capacidade de criar ocasiões claras de golo (mais precisamente, no recente embate com o Porto, para a Taça da Liga).

Cedric - Terá sido, sem grandes dúvidas, um dos jogadores de maior rendimento neste conjunto de jogos de maior grande de dificuldade (segundo o ranking estatístico apresentado, foi mesmo aquele que teve melhor produção). A sua evolução tem sido, de facto, muito boa, estando a meu ver a realizar uma época em crescendo. Tem uma capacidade de definição muito boa no último terço e uma capacidade intervenção defensiva igualmente capaz, sendo estes os dois aspectos que mais têm valorizado as suas exibições. Há outros pontos onde já mostrou debilidades - nomeadamente no posicionamento defensivo - mas com um melhor enquadramento colectivo tem tido um grau de exposição muito inferior a esse tipo de situações. Um caso que serve também de exemplo sobre a importância decisiva do enquadramento colectivo para potenciar as qualidades individuais, especialmente em jogadores de funções mais defensivas.

William - A grande revelação da equipa confirma nesta análise a boa prestação, surgindo como um dos principais destaques individuais. Em particular, e também sem surpresa, é de sublinhar a utilidade da sua presença em posse.

Zona criativa - Constatar que os laterais, Cedric e Jefferson, foram os jogadores que mais ocasiões de golo criaram neste conjunto de jogos oferece-nos duas perspectivas de análise. A primeira, claro, tem a ver com o mérito dos laterais e com a sua importância na dinâmica ofensiva da equipa. A segunda, por outro lado, tem a ver com a baixa capacidade criativa de extremos e médio-ofensivos da equipa. Um ponto que também já havia destacado na análise aos jogos do campeonato e que se parece acentuar quando o grau de dificuldade aumenta.

Linha defensiva - Uma nota positiva para a regularidade dos elementos utilizados na linha defensiva (com excepção de Dier), todos eles com uma presença bastante segura até agora. Este destaque justifica-se sobretudo pela menor reputação de praticamente todos estes jogadores, que no inicio foi a base de um cepticismo quase generalizado em torno das suas capacidades, uma ideia entretanto invertida pela resposta dada dentro de campo. Aqui, e recuperando a ideia que deixei acima para o caso específico de Cedric, há que realçar a importância do contexto colectivo para que o rendimento individual fosse potenciado.

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9.1.14

Porto: Análise principais jogos

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Depois do Benfica, o Porto, sendo que no caso dos portistas analisei detalhadamente menos 2 jogos, num total de 9. Como notas, vou deixar primeiro uma comparação com os dados do Benfica - comparação que, alerto, não serve para tirar conclusões lineares - e depois algumas notas sobre casos individuais.

Porto vs Benfica
- Porto com maior volume de posse de bola, mas com um número de perdas de risco muito superior e com menos ocasiões de golo criadas. Dados que sugerem menor objectividade e, sobretudo, reforçam a ideia de que a equipa foi bastante penalizada em termos de erros evitáveis.
- Porto com bastante mais intervenções defensivas, o que mais uma vez sugere que a quantidade de posse de bola não reflecte qualidade. Tendo maior volume de posse de bola, seria de esperar que a equipa fosse sujeita a menos trabalho defensivo, o que não acontece.
- Porto com mais finalizações, mas menos objectividade, tanto em termos de enquadramento com a baliza como em termos de ocasiões criadas.
- Porto com menos ocasiões criadas e mais ocasiões consentidas, o que se reflecte num saldo de golos negativo nos jogos analisados. A explicação deverá passar, pelo menos em parte, pelos indícios deixados nos pontos anteriores.
- É interessante constatar que nos jogos do campeonato o Porto consegue, de uma forma geral, melhores indicadores do que o Benfica, invertendo-se claramente essa tendência nos jogos de maior grau de dificuldade. Uma comparação curiosa e interessante, em vésperas de um Benfica-Porto.

Lucho - Já tenho escrito bastante sobre ele, em particular da forma como, na apreciação mediática, o B.I. se consegue sobrepor a tudo o que faz no terreno de jogo. De facto, neste conjunto de jogos de maior grau de dificuldade, Lucho foi com alguma distância o jogador de melhor rendimento da equipa azul-e-branca, retirando sobretudo partido da sua notável leitura do jogo e dos espaços. Para mais, e não sendo esta uma estatística que valorize particularmente, foi o jogador da equipa que mais quilómetros correu na Champions, segundo os dados da Uefa (mesmo não fazendo todos os minutos). Face a tudo isto, e repito a ideia, quando se invoca os quase 33 anos que leva completados como um facto limitativo, está-se sobretudo a mostrar como o B.I. é um forte preconceito na nossa cultura futebolística. O que não é novidade, diga-se...

Varela e Licá - A perda de qualidade nos extremos é um tema que já venho comentando desde a pré-época, sendo nesta altura praticamente consensual que reside aí um dos principais problemas da equipa. Ainda assim, convém fazer uma distinção entre Varela e Licá, porque se no caso do primeiro podemos falar de inconsistência, nomeadamente na capacidade de aproximar a equipa do golo, no caso de Licá os problemas são bem maiores, sendo provavelmente a unidade de menor rendimento neste conjunto de jogos, considerando apenas os jogadores mais utilizados.

Otamendi e Mangala - São dois centrais de grande projecção internacional, podendo até dar-se o caso de estarem os dois no próximo Mundial, e em duas das principais equipas da competição. A pergunta, porém, é de que serve todo este mediatismo, ou mesmo o potencial que se lhes reconhece, se no terreno de jogo erram com tanta frequência? A resposta é, naturalmente, que serve para mesmo muito pouco, e esta época tem sido, nesse aspecto, um exemplo. Ainda assim, a meu ver são dois casos diferentes. Otamendi tem uma capacidade de participação no jogo tremenda, tanto em termos defensivos como ofensivos. É dominador na sua zona de acção e com bola assume com grande facilidade a iniciativa do jogo. O problema é que acumulou um número inaceitável de erros comprometedores, com destaque para as perdas de risco, em posse. Mangala é um caso diferente, sendo muito mais imponente fisicamente, mas não tendo a mesma capacidade de intervenção defensiva que Otamendi fruto, parece-me, de uma capacidade de leitura do jogo bastante limitada. O problema dos erros individuais, onde também se devem incluir Danilo e Alex Sandro, tem sido um problema importante da equipa, e dentro do campo não há reputação, valorização de mercado ou estatuto mediático que possa valer.

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8.1.14

Benfica: Análise principais jogos

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Concluindo o ciclo de balanço que tenho estado a fazer nos últimos dias, apresento os dados dos jogos que fui analisando com mais detalhe, começando com o Benfica e seguindo depois com Porto e Sporting, nos próximos 2 dias. O critério para selecção de jogos a analisar tem a ver com o grau de dificuldade esperado (à priori) para cada desafio. No caso do Benfica, analisei até ao momento 11 jogos. Nota para referir que só são apresentados os dados de jogadores com uma utilização superior a 200 minutos. Aqui ficam algumas notas, relativamente aos jogadores.

Gaitan - Será provavelmente o jogador a justificar maior destaque positivo nesta análise, tendo em conta o rendimento e o tempo de utilização. A característica que mais sobressai é, claro, a capacidade criativa, com um volume de ocasiões criadas muito superior à de qualquer outro jogador. Mas Gaitan consegue também uma abrangência por outros capítulos de acção, com destaque para a sua capacidade de intervenção defensiva, um capítulo onde o seu contributo é extremamente subestimado em termos mediáticos, mas onde continua a revelar (e a constatação vem de outras épocas) um contributo muito positivo e acima da média para um jogador da sua posição.

Matic - Fui escrevendo que o seu rendimento objectivo tem estado regularmente aquém do potencial que tem e estes dado ajudam a explicar o problema. Não tem a ver com a capacidade de trabalho, nem com o potencial técnico, que são extraordinários para um jogador da sua posição, como aliás facilmente se reconhece. Tem, isso sim, a ver com o número de erros que vem acumulando em posse, sendo que a zona onde actua determina que cada passe perdido representa um risco importante para a reacção defensiva da equipa. Matic é o jogador com maior número de perdas de risco da equipa, e é bom salientar a importância de algumas dessas jogadas para as aspirações da equipa, como foram os casos dos jogos com o Marítimo e Olympiakos (casa). Na minha leitura, é um problema que tem muito que ver com o critério e com o assumir de um risco pouco aconselhável para a fase de jogo onde actua. Portanto, algo que pode ser facilmente corrigível.

Fejsa e Rodrigo - Surgem como dois dos nomes mais destacados nesta análise, mas é bom ter em conta o tempo de jogo, que não é muito e por isso torna menos conclusiva a análise. Ainda assim, são dois casos que deixaram boas indicações em jogos de maior grau de dificuldade. No caso de Fejsa, a sua capacidade de trabalho é o grande motivo de destaque, sendo que não tem mantido sempre a mesma sobriedade com bola noutras aparições que entretanto teve. Já Rodrigo tem mantido a mesma capacidade de desequilíbrio nos jogos recentes, sendo protagonista recorrente nas principais jogadas ofensivas da equipa. Algo que também já aqui abordei.

Markovic - Não é difícil perceber o seu potencial, tendo começado por deixar água na boca dos adeptos no começo da temporada, com algumas jogadas muito vistosas. A verdade é que o sérvio não foi capaz de dar sequência a esses sinais positivos, e apesar do elevado tempo de utilização, o facto é que raramente conseguiu ser uma figura verdadeiramente determinante, revelando por um lado, dificuldade em integrar os seus movimentos na dinâmica colectiva e, por outro, mostrando-se anormalmente ansioso em desequilibrar sempre que a bola lhe passa pelos pés, o que retirou propósito e eficácia às suas acções.


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7.1.14

Os mais desequilibradores da liga, análise (Jorn. 14)

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Actualizo a análise individual, centrada nas ocasiões de golo na Liga 13/14 até à 14ªjornada. Aqui ficam as minhas notas:

Porto, Jackson avassalador
Não é a primeira vez que o destaco e a verdade é que a sua influência continua a ser tremenda e sem paralelo em qualquer outro jogador. A boa campanha de Montero vem-lhe fazer alguma sombra em termos mediáticos, mas se olharmos os números com um pouco mais de detalhe, rapidamente constatamos as diferenças entre Jackson e qualquer outro jogador. Nomeadamente, ao nível de ocasiões de golo em que é interveniente, seja em termos de criação ou finalização, os números de Jackson são avassaladores, tendo participado em 44 jogadas de grande probabilidade de golo, mais 17 do que Montero, o segundo nesta lista. De facto, se o Porto é a equipa que mais ocasiões de golo construiu até agora, fica a ideia de que muito desse feito se deve ao seu ponta-de-lança, já que para além do volume, Jackson é também - e com muita distância - o jogador que consegue maior percentagem de participação nas ocasiões da sua equipa. Já agora, os segundos jogadores mais influentes nas ocasiões das respectivas equipas, são Dionisi (Olhanense) e Derley (Marítimo), ambos com 45% de influência e muito longe dos 58% que Jackson consegue na equipa portista. Num outro plano, nota para a influência recente de Carlos Eduardo, num caso algo parecido com o de Quintero no inicio da prova, ou seja conseguindo uma enorme influência criativa num curto espaço de tempo (e com forte influência das bolas paradas). Como comprova o exemplo de Quintero, não é lógico esperar-se que esse rendimento se mantenha com o mesmo ritmo ao longo do tempo, sendo que no caso do colombiano o entusiasmo inicial contrasta com a eclipse recente do jogador.

Benfica com protagonismo dividido
Lima é o mais influente na participação directa, quer em ocasiões quer nos golos marcados pela equipa. A outro nível, Gaitan destaca-se como o jogador com mais ocasiões criadas em toda a prova, sendo também o jogador com mais assistências do clube. Os outros dois nomes em destaque são Rodrigo e Cardozo, ambos com um volume de utilização muito inferior a Lima e Gaitan, mas em qualquer dos casos com uma influência assinalável, sendo que no caso de Cardozo se destaca mais o bom período de acerto em termos de concretização, enquanto que Rodrigo justifica destaque sobretudo pelo número de ocasiões em que conseguiu ser interveniente.

Sporting, Montero e os laterais
Montero é, de longe, o jogador mais determinante na equipa e um dos destaques da prova. Como aqui escrevi, a sua eficiência nas primeiras jornadas foi extraordinária e seria muito improvável que se mantivesse com o tempo, sendo que nesta altura os seus níveis de aproveitamento golo/ocasião já estão num patamar mais normal. Num outro plano, nota para o papel dos laterais, sobretudo por comparação com extremos e médios. Jefferson e Cedric têm sido presença constante nas jogadas de maior potencial da equipa, e se Jefferson é quem tem mais ocasiões criadas, é justo destacar Cedric porque o lateral-direito é, em bola corrida, o 2º jogador que mais ocasiões claras de golo criou, apenas sendo superado por Gaitan. Em perda parece estar o contributo do extremos do Sporting, sendo que a influência criativa dos médios também continua em níveis relativamente modestos.

Outros casos
Nota para Alan, no Braga, que continua a ser um dos jogadores mais determinantes do campeonato. Ainda no Braga, Rafa é o nome do momento, pela juventude e pela facilidade com que tem chamado a si ocasiões de golo. No Estoril, Evandro é um nome já destacado, ainda que o médio criativo conte com o facto de ser também o protagonista das bolas paradas da equipa. Num outro plano, surge Seba, um jogador jovem e que tem dado um contributo bastante importante para a assinalável capacidade desequilibradora do Estoril. O Marítimo é outra equipa onde se justifica destacar duas individualidades pela sua influência criativa: Heldon e Derley, dois dos destaques deste campeonato. No Rio Ave, Ukra tem também um peso criativo assinalável, sendo sem surpresa um destaque a este nível. Em Setúbal, fala-se da saída de Cardozo, o que se adivinha como uma perda relevante se tivermos em conta a influência que o paraguaio teve nesta primeira metade da época. Nota final nestes destaques para o Olhanense, que apesar da modéstia na performance colectiva tem tido em Dionisi um elemento de elevada produção ofensiva.

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6.1.14

Eusébio

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Não me quero alongar muito, porque a meu ver o mais relevante a respeitar neste momento é o sentimento de perda daqueles que eram próximos do Eusébio, enquanto Homem e para além do que foi como jogador. Família e amigos mais próximos. Para os outros que, como eu, apenas conheciam Eusébio enquanto jogador, este momento serve sobretudo para voltar a contemplar o carácter excepcional dos seus feitos, há muito imortalizados. Nesse sentido, deixo um vídeo que fiz há alguns anos sobre a sua exibição frente ao Brasil em 1966, na minha opinião a melhor ao serviço da Selecção Nacional.


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3.1.14

Análise - dados colectivos defensivos (Jornada 14)

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Na sequência do previsto, e depois de ter feito o mesmo para os dados ofensivos, deixo a revisão dos indicadores colectivos defensivos das equipas da Liga até ao momento. Aqui ficam os meus comentários...

Porto
Tal como já se percebera pelos dados ofensivos, o Porto foi a equipa mais dominadora da Liga até ao momento, o que poderia sugerir que fosse também a equipa com melhor controlo defensivo. Isso é verdade para o número de finalizações e ataque consentidos, mas não para o número de ocasiões, onde a equipa de Paulo Fonseca é superada pelo Benfica, embora os valores sejam praticamente idênticos.

Sporting
O Sporting permanece como uma das melhores defesas do campeonato, se nos reportarmos aos golos sofridos mas, e tal como para os dados ofensivos, a equipa de Leonardo Jardim tem na eficiência golos/ocasião a principal explicação para esse feito. Aliás, se para os dados ofensivos o Sporting se consegue "colar" aos mais directos rivais na generalidade dos indicadores, na vertente defensiva verifica-se uma diferença significativa tanto ao nível de ocasiões, como de remates ou ataques consentidos. Uma discrepância que não deixa de ser surpreendente e que levanta a curiosidade para ver até que ponto estes dados poderão indicar alguma coisa sobre o que se passará na segunda volta...

Benfica
Se ontem comentava aqui que os dados do Benfica não confirmavam a ideia de uma equipa de grande vocação ofensiva, hoje com os dados defensivos podemos perceber que, de facto, o controlo defensivo parece ser talvez o maior foco da equipa. Isso percebe-se na forma como a equipa reage às situações de vantagem no marcador, procurando de imediato "fechar" o jogo, e acaba por ter reflexo também nos índices de controlo defensivo. De facto, e em sentido completamente inverso ao do Sporting, o Benfica tem sido especialmente penalizado pelo aproveitamento dos adversários, com destaque para os lances de bola parada onde todas as ocasiões resultaram em golo, o que ajuda a explicar o elevado aproveitamento dos adversários. Mais uma vez, e depois de ontem ter escrito que o Benfica marcou, respectivamente, menos 4 e 5 golos do que Porto e Sporting por esta via, temos as bolas paradas a surgirem no centro dos problemas do Benfica. Isto, mesmo sendo a equipa que menos ocasiões de golo consentiu por esta via.

Guimarães
O bom registo defensivo do Vitória é a base da sua boa classificação e, de facto, a equipa de Rui Vitória tem conseguido um controlo muito bom sobre as ofensivas adversárias. Aliás, se nos reportarmos apenas às ocasiões criadas em bola corrida, o Vitória é mesmo a terceira potência defensiva da prova, consentindo menos 4 ocasiões de golo do que o Sporting. Um dado que evidencia também o capítulo onde esta equipa tem sido mais permissiva, as bolas paradas.

Outras equipas
Várias equipas a justificar destaque. Começando pelo Estoril, que também no capítulo defensivo se revela uma das melhores equipas desta prova, alicerçando o seu controlo sobretudo na boa presença em posse que consegue. Em sentido inverso, o Braga, com um registo defensivo muito modesto e distante dos patamares a que a equipa se propôs. As equipas da Madeira também têm um registo curioso, com o Nacional a conseguir um bom controlo defensivo apesar de não evitar um elevado número de ataques e remates dos adversários, e o Marítimo a confirmar a volatilidade dos seus jogos, sendo paralelamente uma das melhores equipas ofensivas e defensivas. Nota também para Belenenses e Académica, duas equipas significativamente mais favorecidas pelo desempenho defensivo do que ofensivo.

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2.1.14

Análise - dados colectivos ofensivos (Jornada 14)

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Aproveito a paragem na Liga para actualizar os quadros estatísticos comparativos de todas as equipas. Começo com os dados colectivos ofensivos e seguirei com outros dados, amanhã e durante a próxima semana. De notar que, apesar da última actualização destes dados ter sido feita apenas à 7ªjornada, poucas mudanças significativas são notadas, em especial no topo da tabela.

Porto 
Apesar de todas as criticas, a verdade é que ofensivamente o Porto continua a ser a equipa que domina a generalidade dos indicadores, sendo que o menor número de golos relativamente ao Sporting se explica sobretudo por uma questão de aproveitamento das ocasiões criadas.

Sporting
É o melhor ataque da competição, e se é verdade que esse feito se explica sobretudo pela eficiência do seu ataque, também é um facto que, em praticamente todos os indicadores, esta tem sido uma performance bem acima das expectativas iniciais. Ainda dentro da questão do bom aproveitamento da equipa em termos de golos/ocasião, realce para as situações de bola parada, situação a partir da qual o Sporting é a equipa que mais golos conseguiu criar (10).

Benfica
Depois de um inicio de época em que apresentou um baixo aproveitamento das ocasiões criadas, o Benfica termina a primeira volta com uma eficiência ofensiva considerada normal. Ou seja, se o Benfica não tem mais golos marcados, deve queixar-se sobretudo de não os ter criado, sendo que a esse nível se esperaria que a equipa pudesse estar mais próxima dos valores conseguidos pelo Porto. De resto, e ainda em relação ao Benfica, nota para duas situações... A primeira tem a ver com a baixa presença no último terço, reflectida em números modestos de finalizações, ataques e posse de bola no último terço (indicadores ainda assim menos relevantes quando comparados com as ocasiões de golo). Ou seja, ao contrário da ideia que é passada sobre a equipa, o Benfica não é hoje uma equipa especialmente dominadora em termos ofensivos, sendo que todos os dados sugerem uma conclusão inversa quando os comparamos com os rivais, sendo interessante completar esta análise com os indicadores defensivos. A segunda nota tem a ver com o aproveitamento dos lances de bola parada, onde o Benfica tem um registo muito modesto e que explica boa parte da diferença de golos marcados relativamente aos rivais. Em particular, o Benfica marcou apenas 5 golos construídos através de lances de bola parada, rivalizando com 10 do Sporting e 9 do Porto.

Estoril
O estatuto de quarta equipa do campeonato é, pelo menos no que respeita aos dados ofensivos, completamente justificado. Consegue superar o Braga em número de ocasiões de golo e volume de posse de bola, sendo também verdade que beneficiou sobretudo de um aproveitamento muito melhor do que os bracarenses, e que esse é o dado que explica a diferença entre o número de golos marcados pelas duas equipas. Poderemos ter uma luta interessante pelo 4 lugar...

Outras equipas
Nota para algumas equipas, cujos dados podem ser algo surpreendentes. Desde logo, o Guimarães que regista grande modéstia em termos de indicadores ofensivos e que aparentemente não combina com a classificação da equipa. A resposta será dada pelos indicadores defensivos, onde o Vitória é a quarta potência da prova. Em sentido inverso vem o Marítimo, com grande fulgor ofensivo mas também com grande permissividade defensiva, como veremos pelos indicadores defensivos, explicando-se assim o campeonato abaixo das expectativas. Outro caso interessante é o do Nacional, que tem um bom número de golos e ocasiões, mas que tem também um volume de finalizações, posse de bola e ataques muito modesto. Aparentemente, uma equipa muito objectiva nas suas iniciativas ofensivas, sendo interessante perceber até que ponto é que será capaz de manter um bom registo ofensivo com tão pouco volume de jogo. Finalmente e no fundo da tabela, o Olhanense que rapidamente confirmou os indícios que deixara na análise da 7ªjornada.

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