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1.2.12

Gil Vicente - Porto: opinião e estatística

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- A introdução não varia muito daquilo que tantas vezes refiro: depois de vista, a derrota pode parecer uma fatalidade óbvia, mas essa conclusão terá mais a ver com a perspectiva do observador do que com o objecto de observação em si mesmo. O aspecto que me parece mais importante realçar, do ponto de vista do jogo portista, é o mesmo de jogos anteriores, e tem a ver com a dificuldade da equipa em criar situações de maior proximidade com o golo, independentemente do domínio territorial que consegue (ou lhe é concedido, como foi o caso). Isso já acontecera em jogos anteriores, mas desta vez houve dois factores que me parecem ter contribuído especialmente para que tudo se complicasse do ponto de vista do resultado. O primeiro tem a ver com a eficácia, com o Gil a ser perfeito no aproveitamento das situações ofensivas que criou (Helton não fez uma defesa, apesar dos 3 golos sofridos), e o segundo com a reacção da própria equipa, que revelou uma desinspiração generalizada nos seus jogadores (Belluschi e Varela serão as excepções). Creio que a relação entre dois pontos existe e que é de natureza não linear, o que agrava os seus efeitos. A ideia que me fica é que há uma forte potenciação do segundo (a desinspiração) através do primeiro (a eficácia do adversário), sendo que aqui volto ao ponto que realcei sobre o jogo do Benfica, relativamente à tendência de quem vai na frente ser capaz de reagir melhor às adversidades. E se houve desafio em que o Porto falhou em Barcelos, foi na reacção à adversidade (ao contrário do Benfica, na Vila da Feira, coincidentemente).

- Em relação à primeira parte, que é o período que me parece mais interessante de analisar, foi curioso ver como o Porto teve tantas dificuldades em ligar as suas fases ofensivas, sendo que nunca teve dificuldades numa primeira fase do seu jogo ofensivo, mas também praticamente nunca chegou a concluir qualquer das iniciativas iniciadas. Aqui, o papel dos médios ala do Gil revelou-se, surpreendentemente, avassalador para as investidas portistas. Em particular, a tendência do Porto para libertar Álvaro Pereira no corredor foi completamente anulada pela presença de Rodrigo Gallo, no apoio ao lateral. Álvaro Pereira, aliás, é um caso especial. Tem uma acção muito interventiva no jogo ofensivo da equipa e todos reconhecem o potencial das suas características, mas se a sua progressão ao longo do corredor for condicionada, muitas vezes acaba por não ter o contributo mais útil para a equipa. Em situações mais próximas da área, opta várias vezes por forçar o cruzamento em situações desfavoráveis, mas também em fases anteriores do jogo ofensivo se verifica uma tentativa frequente de ligar o jogo de forma mais directa, que poucas vezes tem uma sequência útil. Face a esta disposição do Gil, seria útil ao Porto especular as entradas pelos corredores laterais, aproveitando depois o espaço interior. No entanto, isso raramente aconteceu...

- Este caso do Porto, do contraste entre a sua facilidade em construir e posterior dificuldade em entrar, depois, de forma mais útil no último terço, parece-me realçar de forma evidente a importância de não fazer dos "meios", "fins". E o futebol, enquanto jogo, só tem um fim, que é o golo. Ou seja, podemos identificar certas zonas como zonas de elevado potencial, traçando cada equipa o objectivo de que o seu processo ofensivo possa fazer chegar a bola a essas zonas, e de forma útil - a zona "entrelinhas" ou as zonas próximas do vértice da área, por exemplo. No entanto, mesmo chegando repetidamente a essas zonas, o sucesso do processo ofensivo não fica garantido. É importante a última fase, conseguir criar roturas quando a bola chega "entrelinhas", ou ter uma solução de cruzamento que possa criar, com boa probabilidade, problemas de controlo ao adversário. Esta tem sido, na minha opinião, a principal lacuna do Porto após a alteração de estrutura promovida por Vitor Pereira.

- O Porto, tudo indica, partirá agora para uma nova fase. O peso da derrota, aliada às chegadas de Lucho e Janko deverá implicar algumas mudanças nos rostos que marcarão a próxima fase da equipa. Vitor Pereira começou por optar pela continuidade, mantendo praticamente todas as linhas do modelo do ano anterior. Depois, e particularmente depois da eliminação da taça, tivemos uma outra versão do Porto 2011/12. Não creio que possa haver uma inflexão dessa mudança, até porque Lucho e Janko parecem encaixar nas necessidades da equipa, nesta forma de jogar. Lucho porque é um jogador muito forte na movimentação sem bola e a aparecer nas zonas de finalização, sendo previsível que venha a fazer o papel que Defour ou Belluschi vinham desempenhando. Janko, porque é um jogador especialmente forte no jogo aéreo, algo que parece faltar como complemento aos inúmeros cruzamentos de Álvaro Pereira (ainda que não me pareça que seja apenas um problema de resposta individual no centro da área). Sobram ainda Maicon/Otamendi, outros candidatos previsíveis a sair da equipa base. Seja como for, o campeonato está realisticamente muito complicado para o Porto. Os 5 pontos não são muito se tivermos em conta que há um jogo decisivo, onde o Porto tem a oportunidade de recuperar 3. O problema é que, agora como antes deste jogo, não parece claro que seja mais provável ser o Porto a vencer esse jogo, ou o Benfica a perder mais pontos nos restantes jogos que ainda há por jogar. Pelo contrário, arrisco eu...
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1.7.09

Lucho no Marselha: Fuga de cérebros...

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Quem acompanhou com alguma assiduidade as análises que aqui fui fazendo ao longo dos últimos 3 anos sabe o que penso de Lucho Gonzalez. Qualquer um é capaz de perceber que se trata de um grande jogador, mas para se perceber, realmente, o alcance do futebol de Lucho é preciso um olhar um pouco mais atento. A forma como se move, como antecipa as jogadas, como lê e joga com os espaços é altamente invulgar, mesmo rara a um nível planetário. Pode, por tudo isto, perceber-se que mais do que qualquer outro aspecto, o futebol português perde, com a saída de “El Comandante”, inteligência.



Grande negócio!
A cedência de Lucho é um golpe evidente na qualidade do futebol portista que, arrisco eu, se poderá sentir mais nos grandes jogos. Mas esse é um problema que faz parte do modelo portista. Os jogadores, mesmo os melhores, têm, se tudo correr bem, um ciclo dentro do clube, onde chegam, valorizam-se e partem deixando uma mais valia financeira para o clube. É este ciclo de valor que, como já várias vezes aqui expliquei, compensa o desajuste dos custos em relação às receitas operacionais.
Aqui, mais uma vez, o Porto voltou a surpreender. 18 milhões (para já) por um jogador a caminho dos 29 anos é algo muito difícil de conseguir, seja com que jogador for. Aliás, Lucho arriscava-se a ser um caso diferente de outros que saíram também a troco de vários milhões, dada a sua idade. O Porto conseguiu o encaixe que procurava e agora há menor pressão para vender. Com a excepção de Cissokho, que creio ser de todo o interesse ser vendido, todos os outros jogadores poderão ser mantidos sem que isso represente um problema para as contas da SAD.

E agora?
Naturalmente que a saída de Lucho abrirá um novo capítulo no mercado portista. É preciso contratar um novo valor para ser, primeiro, uma mais valia desportiva e, depois, financeira. Não será fácil substituir Lucho, mas o perfil está identificado. Jogador jovem e talentoso para jogar numa posição do meio campo. O preço poderá ir até cerca dos 10 milhões de euros (100% do passe). Aceitam-se apostas...


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17.3.09

Aimar, o golo de Roberto e o Porto-Naval

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Um raro Aimar
Desde o inicio da temporada que se falado muito do posicionamento de Aimar. De facto, quem pensa nos pontos fortes do argentino, dificilmente poderá imaginar que o seu rendimento possa ser potenciado a jogar de costas para a baliza, apertado por jogadores fisicamente muito mais poderosos e que facilmente condicionam as suas aparições no jogo.
Frente ao Guimarães houve uma jogada que, aparecendo totalmente descontextualizada daquilo que é norma nas rotinas ofensivas do Benfica, teve o condão de dar uma breve ideia de como poderia Aimar ser bem mais útil. Participando na primeira fase de construção e actuando de frente para os adversários e com a bola controlada, Aimar conseguiu rapidamente fazer levar a bola até à área contrária, numa jogada simples mas bem mais eficaz do ponto de vista da construção do que a maioria das jogadas que vemos no Benfica. Ao Aimar actual pode ainda apontar-se o aspecto de limitar a sua acção ao corredor central, oferecendo pouco auxilio à saída de bola pelos corredores. Mais uma vez, claro, fica a dúvida se tal tem a ver apenas com o comportamento do argentino, ou se há indicações para que tal aconteça.


O golo do Vitória
No golo que fez a diferença na Luz houve, mais uma vez, várias criticas feitas a David Luiz. Francamente, não consigo partilhar dessa responsabilização do jovem jogador encarnado. O motivo é simples. A razão pela qual David Luiz não impede Roberto de marcar tem a ver com o ponto de partida dos 2 jogadores na jogada. Enquanto que Roberto está ao lado de Luisão, David Luiz está uns bons metros à frente. A questão é que este adiantamento é correcto. Num lance que é disputado do seu flanco, o lateral deve aproximar-se da zona da bola, sendo o lateral oposto o responsável por fechar na zona central. Só se pode responsabilizar David Luiz se se discordar do seu posicionamento inicial no lance, já que não é possível pedir-se que o lateral recuperasse de forma tão rápida ao ponto de conseguir “apanhar” Roberto.
O problema do golo surge, por isso e na minha opinião, de 2 aspectos. O primeiro tem a ver com o erro de abordagem de Miguel Vitor que tenta erradamente jogar em antecipação, arriscando, e comprometendo o equilíbrio defensivo que existia. O outro aspecto tem a ver com a distância da linha média. Desmarrets é fundamental no lance, apesar de não participar. Isto porque cria uma linha de passe que impede Maxi de abordar mais directamente Marquinhos e obrigando Luisão a dividir as suas atenções entre o extremo e Roberto. Aqui, a distância da linha média dos defesas e a não existência de um jogador mais posicional, tem toda a importância. Primeiro porque não permite a existência de um 2x1 sobre Marquinhos no momento em que este roda sobre Miguel Vitor, depois porque não tem capacidade para acompanhar Desmarrets no tempo de chegada à zona ofensiva.

A má Naval e o bom Porto
Frente à Naval repetiram-se as jogadas elaboradas, com várias trocas de passe a servir de preparação para tantas ocasiões portistas no jogo. Como já havia referido no rescaldo do jogo, há 2 aspectos que contribuem para este tipo de jogo e que ficam bem evidentes nas 2 jogadas que recuperei sobre este jogo. A primeira é a inspiração e mobilidade dos jogadores portistas. A segunda é a fraca oposição que a Naval protagonizou no Dragão.
Em relação ao segundo aspecto, destaco vários erros de posicionamento, quer na linha média (no vídeo, realço a saída de 2 jogadores a pressionar Raul Meireles no lance do segundo golo), quer na zona mais recuada (as chegadas tardias de jogadores portistas às zonas de finalização nunca tiveram o acompanhamento devido e as saídas dos centrais não foram devidamente compensadas pelos laterais, como se vê no segundo golo). No Porto, pego no lance do segundo golo para chamar atenção para 2 jogadores. Lisandro, cuja movimentação foi uma fonte de desequilíbrios, arrastando os centrais para fora da zona central que ficava livre para as diagonais de Mariano para os movimentos verticais de Lucho. Depois, um “filme” muito visto mas que nunca é demais rever. A inteligência de Lucho. “El Comandante” tem essa particularidade em que parece esperar que toda a gente ponha os olhos na bola para atacar um espaço livre no último terço. Como os defesas continuam (e continuarão!) a fixar-se exclusivamente na bola e a esquecer-se dele, ele continua (e continuará!) a marcar golos.


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10.2.09

4 jogadas do Clássico...

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A ameaça de Lucho
Tinha falado aqui antes do jogo da possibilidade de Lucho ser um elemento preponderante no jogo, dada a sua capacidade e inteligência na identificação e aproveitamento dos espaços criados. A verdade é que o bom jogo táctico do Benfica acabou por não dar muitas oportunidades para que “El Comandante” pudesse tirar o melhor partido desta sua característica. Ainda assim, uma das melhores ocasiões do jogo teve a sua assinatura.
Nota nesse lance para a rapidez com que foi feito o lançamento lateral, acabando por apanhar Yebda muito longe de Meireles, permitindo o tempo e espaço para a leitura da jogada. Depois a sintonia entre a visão do médio luso e a movimentação de Lucho tiraram partido de um movimento algo desnecessário da defesa encarnada. A subida da linha mais recuada foi um risco que não merecia a pena ser corrido, já que o espaço entre linhas não era significativo. O espaço entre os jogadores também é relevante, mas é esse movimento de subida que expõe o espaço na cara de Moreira.


A inteligência de Katsouranis
Destaquei-o como o melhor do clássico e estes 3 lances explicam o porquê deste meu realce. Já não é primeira vez que faço este elogio ao jogador, mas volto a referir que a grande vantagem em jogar com Katsouranis está na leitura que este faz dos espaços sobre o corredor central. A diferenciação tem, por isso, mais a ver com as acções sem bola do que propriamente com os momentos em que esta passa pelos seus pés (ainda que seja também inteligente neste plano). As 3 jogadas do vídeo em que intervém mostram essa sua qualidade e revelam também como ela é útil, quer defensiva, quer ofensivamente. Para além do que está referido no vídeo, destaco o facto de, no lance em que combina com Reyes, ficar solto na cabeça de área. Uma oportunidade de passe que escapou a Ruben Amorim...
Ainda nestes 3 lances, algumas notas para alguns jogadores intervenientes:
Primeiro, as dificuldades de Luisão quando tem de sair da zona central. Não sou tão critico como a maioria em relação ao central brasileiro, reconhecendo-lhe muita importância em vários aspectos do jogo encarnado, mas é inequivoco que sente muitas dificuldades sempre que tem de sair da zona central. Neste lance é quase primariamente surpreendido por Rodriguez, numa zona em que o Benfica tinha superioridade.
Depois, Reyes. Destaque para a excelência com que domina e protege a bola, atraindo adversários para depois libertar a bola no espaço que estes deixam. É uma imagem já muito vista e o facto de Moreira bater os pontapés longos (importantes na estratégia do do jogo) para o espanhol, não é coincidência.
Finalmente, Aimar. No primeiro lance tira partido da acção de Reyes e Katsouranis para se libertar de Fernando e lançar Ruben Amorim. No segundo, começou por decidir bem, guardando a bola e esperando pela subida da equipa (apesar do passe para trás não ser normalmente muito favorável à transição), mas depois mostrou-se pouco prestável para procurar uma linha de passe, precisamente quando o jogo se encaminhou para a sua zona. Aí, mais uma vez, Katsouranis deu o exemplo. Ainda assim, Aimar fez claramente um bom jogo (importante em vários aspectos) no Dragão.

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13.1.09

Lucho, Vukcevic e Rochemback

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Lucho, o regresso do ilusionismo de espaços
Não tem sido uma época ao melhor nível, refém da sua própria desispiração mas sobretudo da alteração dos espaços que lhe são destinados pela táctica portista. Já várias vezes o abordei aqui e o próprio Jesualdo o reconheceu recentemente. O treinador, aliás, parece agora consciente da importância de reabilitar o melhor Lucho, tem-lhe devolvido a liberdade e ele tem reaparecido progressivamente.

Neste lance surge um lance tipico de Lucho, Lisandro e do Porto 07/08. Como se fosse um ilusionista, Lucho utiliza um foco de distração, a bola. Quando todos estão a olhar para ela, ele faz o seu truque, tão simples como brilhante. Três passos em frente, uma linha de passe, leitura perfeita da situação, um toque e Lisandro (que também lê muito bem a jogada) na cara do guarda redes.

Do ponto de vista do Trofense, há obviamente uma abordagem errada ao lance. A distância entre o lateral esquerdo e o central é muito grande, permitindo uma abertura onde Lucho podia ter entrado. Por se aperceber dessa hipótese é que o lateral não sobe com o resto da defesa, controlando o espaço onde Lucho poderia entrar, mas colocando também Lisandro em jogo. O destaque, esse, vai todo para Tiago Pinto. Médio esquerdo mas nunca perde a concentração defensiva no lance, acreditando sempre na sua utilidade, mesmo com a jogada aparentemente fora do seu raio de acção. Um pequeno milagre!

Vukcevic, como se faz um extremo goleador
Todo o enfoque da jogada foi obviamente para o trabalho de Liedson, que cria um golo fácil, demasiado fácil, para Vukcevic. Eu marcaria aquele golo e, seguramente, qualquer um o faria também. Tecnicamente, isto é, porque algo me diz que poucos seriam os extremos do nosso futebol que o fariam. Não porque não fossem capazes de encostar a bola, mas porque, simplesmente, nunca lá apareceriam.

É a característica do extremo “à antiga”, tão apreciado no futebol português, mas, arrisco eu, cada vez mais isso mesmo, uma “antiguidade” sem grande utilidade num jogo que hoje é bem mais exigente. O seu papel é driblar, cruzar, assistir e o seu habitat são os terrenos laterais, preferencialmente exteriores à própria área. Os seus golos são, por isso, normalmente belos mas sobretudo raros.

Vukcevic, como Rodriguez por exemplo, tem outro instinto que o faz acreditar que poderá ser útil na zona de finalização e, por isso, faz mais golos do que é habitual num jogador que joga por fora. Quando parte, desde a linha lateral, em direcção à área, Vukcevic não sabe o que Liedson vai fazer, nem para onde vai a bola. É um pouco o mesmo principio que levou Tiago Pinto a salvar o golo na jogada anterior. Concentração e a noção de que se pode ter utilidade na jogada, mesmo quando tal parece improvável.

Rochemback, é cultura táctica não velocidade
Um exemplo está nesta transição ofensiva protagonizada em velocidade pelo Marítimo e que chega a ter boas condições de sucesso, sendo no entanto anulada pela cultura posicional de Rochemback. Primeiro, dobra Grimi, tapando o corredor esquerdo. A jogada ganha nova dificuldade quando Polga é ultrapassado por Marcinho no corredor central, criando-se um 3 para 3 momentâneo. Rochemback percebe rapidamente a importância de fechar a zona central, deixada livre por Polga e, com isso, força a jogada a rumar para o flanco contrário onde Djalma poderia arriscar um 1 x 1. Rochemback prossegue a sua acção e cria vantagem numérica sobre o angolano, sendo ele próprio a neutralizar uma jogada que tinha tudo para ser muito mais perigosa.

Já o disse, 6 não é a posição em que mais gosto de ver Rochemback, sobretudo porque lhe retira grande parte do potencial que tem para cruzamentos e remates. No entanto, e ainda que tenha momentos de alguma displicência em certos jogos, é um jogador que vai muito para além da capacidade técnica que inegavelmente possui. Depois de tudo o que já se ouviu, chegamos agora ao absurdo (perdoem-me a rudeza, mas é o que é) de ouvir que o Sporting tem uma lacuna na posição (6) em que, provavelmente, está melhor servido. Tudo isto, alegadamente, por causa da velocidade. Aliás, o que é difícil é encontrar um bom pivot defensivo que seja rápido...


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18.11.08

Lucho, a pressão e o risco de Sidnei...

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Lucho... outra vez!
Mesmo num momento abaixo do que já mostrou, Lucho permanece um espectáculo. O que distingue Lucho não são dribles magitrais, não são passes vistosos ou remates portentosos. O que o distingue é a inteligência com que aborda cada momento do jogo e isso é suficiente para que continue, para mim, a ser de longe o melhor jogador a actuar em Portugal.
Frente ao Guimarães, o mais claro desequilíbrio teve a sua assinatura. Rapidíssimo a entender a oportunidade de transição e com um timing perfeito para o passe para Rodriguez – que não facilitou a tarefa ao arrastar os defesas para a zona da bola. O Guimarães deveria ter feito melhor com tamanha superioridade numérica, mas do erro nasce o desequilíbrio e muitas vezes não basta haver erro, é preciso quem o saiba aproveitar.

Pressão inglória
Penso ser a terceira vez que, esta época, trago um lance em que a pressão colectiva do Sporting causa um erro potencialmente fatal ao adversário. Mais uma vez realce para a atitude sincronizada e agressiva dos 2 avançados e, mais uma vez, nota para o facto da existência de um erro individual do adversário não retirar qualquer mérito à pressão que é feita. A pressão serve mesmo para isso, potenciar erros.
Este aspecto da qualidade da pressão nem sempre é devidamente valorizada pela generalidade dos adeptos e comentadores mas é, na minha opinião, um aspecto absolutamente decisivo sobretudo para os grandes. No caso do Sporting o problema é que a pressão alta não consegue ter efeitos contínuos como, por exemplo, no caso do Porto, surgindo mais isoladamente.

Risco ou audácia?
Curioso o lance do golo do Benfica. O que se assiste é um momento de loucura táctica de Sidnei. Com o adversário organizado defensivamente e a sua equipa balanceada ofensivamente, Sidnei resolve, simplesmente, abandonar o seu papel de central, deixando a equipa perigosamente desequilibrada no lance, com os laterais abertos e Luisão como única unidade atrás dos 2 avançados do Estrela.
Um risco que, afinal, colheu os seus frutos. Quem sou eu para contrariar as sentenças do destino
?


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5.4.08

FC Porto 07/08, o Campeão Inteligente

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4-3-3 o sistema manteve-se no papel mas houve algumas dinâmicas que se alteraram, sobretudo no que respeita à mobilidade do trio ofensivo.
Princípios de jogo Também sem alteração em relação a 06/07, com Jesualdo a reproduzir o essencial do modelo. Uma equipa que faz dos momentos de transição o seu ponto forte. Na transição defensiva, um notável sentido posicional colectivo que permite à equipa encurtar progressivamente as linhas de passe, forçando os adversários ao erro. Na transição ofensiva a ordem é tirar a bola da zona de pressão, normalmente com uma mudança de flanco que proporciona a um dos elementos da frente condições para criar desequilíbrios. Ainda neste momento, destaca-se a preparação da equipa para surpreender no momento da conquista da bola, mantendo um dos extremos aberto sobre a ala.
A novidade táctica – Colectivamente a novidade face a 06/07 esteve na introdução de uma frente mais móvel. Foi a forma de Jesualdo responder à dificuldade de encontrar um 9 que se enquadrasse no perfil desejado e os benefícios foram enormes. À excepção de Quaresma todos os elementos se deram bem com esta maior mobilidade do trio ofensivo, destacando-se, claro, a integração de Tarik e ainda a maior possibilidade oferecida para as integrações ofensivas de Bosingwa sobre a direita.
A equipa inteligente – Quem acompanhou o campeonato perguntar-se-á por que motivo as equipas erram mais passes contra o FC Porto? A explicação está na forma inteligente como a equipa ocupa os espaços, reduzindo as linhas passe até ao erro do adversário. Esta notável capacidade explica, entre outras coisas, o porquê de não se ter sentido a ausência de Pepe. Se outras equipas portistas tinham na raça e na entrega pontos determinantes para a conquista de campeonatos, o Porto 07/08 quase não precisou de sujar os calções para levar a melhor sobre os adversários.
O treinador Este título não
pode ser descontextualizado da figura do seu treinador. O futebol do Porto é o futebol idealizado por Jesualdo Ferreira e ele é o principal responsável pelos méritos colectivos que se verificaram a cada jogo.
A figura (Lucho) Se o Porto foi elegância, inteligência e classe, Lucho é a personificação dessas características. Fantástica a forma como antecipa os destinos da bola no meio campo, percebendo depois, mais rápido do que ninguém, para onde ela deve seguir. Não gosta do contacto (nem precisa, na maioria das vezes), mas deve ser dos jogadores mais inteligentes do futebol moderno.
O goleador (Lisandro) Tirou enorme partido das funções a que foi destinado em 07/08 e tornou-se num goleador temível. Lisandro gosta de ataques rápidos e posicionamentos pouco fixos, seja como extremo ou ponta de lança e isso foi-lhe dado, mais do que nunca, em 07/08. Outro aspecto muitas vezes destacado em Lisandro e bastante determinante no processo defensivo é a forma agressiva e incansável com que exerce a pressão sobre o portador da bola. Fundamental para que o tal jogo posicional possa depois definir-se melhor.
O homem invisível (Paulo Assunção) Não é novidade, até porque já foi referido por vários elementos, Paulo Assunção é um dos elementos mais importantes no equilíbrio táctico da equipa. A sua função dentro do modelo de Jesualdo é definir o ponto de união entre a o meio campo e a linha mais recuada, ora acrescentando um homem à zona de pressão, ora mantendo o equilíbrio numérico na zona mais recuada.
As reticências (Quaresma) Se os anos anteriores mostraram um Porto quase “Quaresmodependente”, o 07/08 viu o Harry Potter perder peso no colectivo. O Porto de extremos bem abertos recorria-se em especial da inspiração individual de Quaresma, mas com a maior mobilidade introduzida pedia-se ao 7 mais capacidade para se envolver nos movimentos colectivos e, também, mais maturidade na gestão da sua posse de bola. Quaresma não deixou de ser um elemento altamente desequilibrador mas o seu jogo falhou na resposta a esta adaptação, mantendo-se fiel a um perfil mais individualista e, por consequência, mais errático. Um aspecto que definirá a que nível futebolístico poderá chegar a carreira de Quaresma.
A falsa questão Paralelamente à época brilhante no plano interno, 07/08 fica marcado pela desilusão que representou a eliminação na Champions. Os Dragões foram primeiros do grupo (é verdade, muito à custa dos deslizes do Liverpool) mas esse feito não teve seguimento nos oitavos de final. A frieza do desfecho frente ao Schalke precipitou uma série de conclusões fatalistas sobre uma suposta falta de estaleca europeia do FC Porto. Chamo-lhe “falsa questão” por considerar que essas conclusões não podem ser tiradas de 210 minutos em que ficou patente uma evidente superioridade do futebol portista. Para ombrear de igual para igual com os “tubarões” do futebol europeu, ao FC Porto falta ainda um patamar que se compreende pela disparidade de condições e que, em boa verdade, dificilmente poderá ser atingido de forma sustentada (o exemplo foi o que aconteceu à equipa portista na sequência da conquista de 2004). Se é verdade que a equipa tem denotado incapacidade para lidar com os momentos em que a força dos adversários obriga a baixar o seu bloco, também me parece evidente que o caminho passará sempre por uma evolução dentro do modelo já existente e não por uma obrigatória alteração táctica que, aliás, já foi tentada sem sucesso em jogos de maior importância.

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8.3.07

Lucho - As duas faces de uma semana...

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Primeiro no Dragão. Sábado à noite frente ao Braga Adriano foi coroado mas o Rei da jogada, esse, foi mesmo Lucho Gonzalez. Num lance que descreve bem a sua dimensão e importância como jogador, Lucho intersectou, conduziu, procurou o espaço para o apoio e com muita inteligência assistiu Adriano... 1-0 e três pontos no saco!
72 horas depois e numa das partidas mais importantes da sua carreira a nível de clubes eis que Lucho se torna irreconhecível... Aparentemente apático e fisicamente pouco prestável (estará condicionado?), o argentino teve uma noite pobre em Stamford Bridge. Ainda que tenha dito "presente" no momento de assistir Quaresma, a resposta não foi a mesma no combate ao meio campo "guerreiro" do Chelsea acumulando até perdas de bola nele tão incomuns. O lance do primeiro golo dos "Blues" - sem tirar, é evidente, a responsabilidade à infelicidade de Helton - mostra bem a noite invulgarmente desgarrada do "El Comandante"!

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