Não estranho nada e acredito que cada vez seja mais usado. Alias, eu defendo que já deveria ser muito mais usado do que é.
No entanto como dizes no artigo do letra1, o futebol tem uma dinâmica diferente. O Futebol precisará, para se poder usar esta estrategia, de uma quantidade maior de indicadores. Mas isso eu deixo para quem percebe do assunto.
Filipe uma vez que não consigo comentar no letra1 vá-se lá saber pq, vou copiar para aqui se dás licença
Caro Filipe acompanho normalmente o teu exercício estatístico que efectuas no Jogo Directo e é com grande agrado que vejo que abordas o Moneyball.
Realmente o futebol não é o basebol, exactamente pela complexidade de parâmetros que uma analise estatística aborda. Para além do mais, é bastante fácil brincar com os números de modo a conseguir um resultado pré-definido (basta reajustar os parâmetros). Eu utilizo os teus resultados não como um dogma (ou seja não considero melhor jogador alguém que faz 100% dos passes, por exemplo) mas como um relfexo do futebol que pode ser capaz de produzir num determinado contexto.
Mas não era disto que queria falar. Relativamente ao Moneyball encontras no Soccernomics o primo do futebol. ( podes encontra-lo aqui http://www.amazon.com/Soccernomics-Australia-Turkey-Iraq-Are-Destined/dp/1568584253, ou em pdf aqui http://www.filestube.com/s/soccernomics+pdf )
E o dado mais assustador e relevante que se pode retirar dos dois livros é como "desportos" altamente profissionalizados de um lado, são sustentados por uma vertente completamente amadora apoiada no "sempre se fez assim".
Os autores do Soccernomics realçam, uma vez que falas no scouting do liverpool (que eu acho que não foi o mais feliz em resultados práticos,se bem que a premissa está correcta) o paradigma do scouting que foi a dupla do Brian Clough e do Peter Taylor no Derby e no Nottingham, do caso de Wenger e do Lyon.
No entanto qualquer abordagem que se pode fazer ao método que é desenvolvido num clube, seja ele "científico" ou "tradicional" será sempre condicionada pelo sucesso da mesma.
Obrigado pela referência ao Soccernomics. Já conheço o livro há algum tempo, mas não o li por inteiro ainda (vou fazê-lo em breve...). Há outro livro interessante relativamente ligado a este tipo de abordagem (com alguma matéria discutível, acrescento), que é o Scorecasting...
Mais do que o "porque sempre se fez assim", o que mais me incomoda é o "porque eu acho que sim" (que é uma espécie de versão mais abrangente da primeira). Há muitas coisas que não se podem confirmar ou desmentir por análise, mas há um longo caminho a percorrer na redução da incerteza. A generalidade das pessoas defende uma forma de fazer as coisas, mas não tem qualquer base concreta de que essa seja a melhor forma de fazer as coisas. E é por isso que várias vezes opções e estratégias se invertem completamente em função dos resultados, porque não há menor capacidade de distinguir o que é aleatório do que é consequência lógica das opções. Dito isto, convém reforçar que não é matéria trivial e que até há bem pouco tempo era muito difícil conseguir grandes evoluções a este nível...
De resto, em relação aos dados estatísticos que apresento, faz parte do pressuposto que não sejam interpretados de forma linear ou desintegrada do contexto em que são obtidos. Apesar de ser simples de entender, uma das coisas que constatei é que este conceito de necessidade de relativização revela-se muito difícil de incorporar. Reflectindo bem, é normal que assim seja...
Já agora, deixa-me concluir para dizer que utilizar a palavra "dogma" para este tipo de abordagem é um contra senso. Como referes a abordagem tradicional, que acredita em formas certas/erradas de fazer as coisas, é que tem uma orientação dogmática, uma vez que nunca chega ao ponto de as questionar com o mínimo rigor. A introdução de uma análise baseada em elementos concretos tem precisamente o propósito de ser anti-dogmática, devendo inclusivamente ser auto critica, revendo-se sucessivamente ao longo do tempo.
Como quase sempre, concordo com o teu artigo...! Acho que estatística bem realizada dá para ter muito melhores indicadores. A estatistica é sem dúvida fabulosa para resultados. Podemos é acrescentar uma coisinha, que será o povo nos estádios! Jogadores como o Capel, leva gente aos estádios, em que estatisticamente não é forte, nada forte. As suas abordagens não são as melhores. Penso que há a incluir também essa vertente na planificação de uma época.
5 comentários:
Não estranho nada e acredito que cada vez seja mais usado. Alias, eu defendo que já deveria ser muito mais usado do que é.
No entanto como dizes no artigo do letra1, o futebol tem uma dinâmica diferente. O Futebol precisará, para se poder usar esta estrategia, de uma quantidade maior de indicadores. Mas isso eu deixo para quem percebe do assunto.
Filipe uma vez que não consigo comentar no letra1 vá-se lá saber pq, vou copiar para aqui se dás licença
Caro Filipe acompanho normalmente o teu exercício estatístico que efectuas no Jogo Directo e é com grande agrado que vejo que abordas o Moneyball.
Realmente o futebol não é o basebol, exactamente pela complexidade de parâmetros que uma analise estatística aborda. Para além do mais, é bastante fácil brincar com os números de modo a conseguir um resultado pré-definido (basta reajustar os parâmetros). Eu utilizo os teus resultados não como um dogma (ou seja não considero melhor jogador alguém que faz 100% dos passes, por exemplo) mas como um relfexo do futebol que pode ser capaz de produzir num determinado contexto.
Mas não era disto que queria falar. Relativamente ao Moneyball encontras no Soccernomics o primo do futebol. ( podes encontra-lo aqui http://www.amazon.com/Soccernomics-Australia-Turkey-Iraq-Are-Destined/dp/1568584253, ou em pdf aqui http://www.filestube.com/s/soccernomics+pdf )
E o dado mais assustador e relevante que se pode retirar dos dois livros é como "desportos" altamente profissionalizados de um lado, são sustentados por uma vertente completamente amadora apoiada no "sempre se fez assim".
Os autores do Soccernomics realçam, uma vez que falas no scouting do liverpool (que eu acho que não foi o mais feliz em resultados práticos,se bem que a premissa está correcta) o paradigma do scouting que foi a dupla do Brian Clough e do Peter Taylor no Derby e no Nottingham, do caso de Wenger e do Lyon.
No entanto qualquer abordagem que se pode fazer ao método que é desenvolvido num clube, seja ele "científico" ou "tradicional" será sempre condicionada pelo sucesso da mesma.
Continua o bom trabalho
Pedro
PTM,
Obrigado pela referência ao Soccernomics. Já conheço o livro há algum tempo, mas não o li por inteiro ainda (vou fazê-lo em breve...). Há outro livro interessante relativamente ligado a este tipo de abordagem (com alguma matéria discutível, acrescento), que é o Scorecasting...
Mais do que o "porque sempre se fez assim", o que mais me incomoda é o "porque eu acho que sim" (que é uma espécie de versão mais abrangente da primeira). Há muitas coisas que não se podem confirmar ou desmentir por análise, mas há um longo caminho a percorrer na redução da incerteza. A generalidade das pessoas defende uma forma de fazer as coisas, mas não tem qualquer base concreta de que essa seja a melhor forma de fazer as coisas. E é por isso que várias vezes opções e estratégias se invertem completamente em função dos resultados, porque não há menor capacidade de distinguir o que é aleatório do que é consequência lógica das opções. Dito isto, convém reforçar que não é matéria trivial e que até há bem pouco tempo era muito difícil conseguir grandes evoluções a este nível...
De resto, em relação aos dados estatísticos que apresento, faz parte do pressuposto que não sejam interpretados de forma linear ou desintegrada do contexto em que são obtidos. Apesar de ser simples de entender, uma das coisas que constatei é que este conceito de necessidade de relativização revela-se muito difícil de incorporar. Reflectindo bem, é normal que assim seja...
Já agora, deixa-me concluir para dizer que utilizar a palavra "dogma" para este tipo de abordagem é um contra senso. Como referes a abordagem tradicional, que acredita em formas certas/erradas de fazer as coisas, é que tem uma orientação dogmática, uma vez que nunca chega ao ponto de as questionar com o mínimo rigor. A introdução de uma análise baseada em elementos concretos tem precisamente o propósito de ser anti-dogmática, devendo inclusivamente ser auto critica, revendo-se sucessivamente ao longo do tempo.
Como quase sempre, concordo com o teu artigo...! Acho que estatística bem realizada dá para ter muito melhores indicadores. A estatistica é sem dúvida fabulosa para resultados. Podemos é acrescentar uma coisinha, que será o povo nos estádios! Jogadores como o Capel, leva gente aos estádios, em que estatisticamente não é forte, nada forte. As suas abordagens não são as melhores. Penso que há a incluir também essa vertente na planificação de uma época.
Filipe, isto só prova que estás certo. Esperamos ver-te num em breve num clube.
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